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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

25 de março de 2003

ESPECIAL 81 ANOS DO PCdoB
Etapas valiosas na construção
da História do Partido Comunista


José Carlos Ruy*

A história do Partido Comunista do Brasil é o relato de uma ação que se desdobra num tempo cuja duração já ultrapassa oito décadas, e que transcorre no cenário continental constituído pelo Brasil.

É uma história que, desde 1922, confunde-se com a dinâmica da luta de classes em nosso país. Reflete, desenvolve e fortalece o movimento operário e a luta dos trabalhadores. Descreve o protagonismo relevante que os comunistas e as forças progressistas e avançadas desempenham na história política e social do Brasil nestes oito decênios. Registra a luta pela democracia, pelo progresso social, pela autonomia e soberania do país e seu povo.

O 9º Congresso do Partido Comunista do Brasil, realizado em 1997, aprovou a formação de uma Comissão Especial para a Redação da História do Partido, com a tarefa de pesquisar, organizar os documentos e depoimentos, e produzir, ao final, um relato que, aprovado pelo Partido, registre sua longa experiência e seus ensinamentos.

O grande animador e inspirador os trabalhos da Comissão de História do Partido foi o camarada João Amazonas, cuja trajetória pessoal, desde sua filiação ao Partido, em 1935, mesclou-se com a própria história investigada pela Comissão. Entretanto, seu empenho pela história do Partido, acentuado nos anos finais de sua vida, não foi o de um mero registro de sua experiência pessoal — coisa que, aliás, já teria, por si só, um valor inestimável.

O camarada João Amazonas foi além disso. Combinando sua sabedoria política com o olhar crítico do historiador e a argúcia do dirigente comunista, ele deixou orientações de enorme valor para a elaboração da história do Partido. Esta precisa ser uma história crítica e autocrítica, que leve em conta e extraia lições dos erros e dos acertos. Não se pode crer na história de um partido que nunca erra, costumava repetir. Não pode ser, por isso, uma história subjetivista, insistia.

O papel e a participação das personalidades devem ser avaliados por sua dimensão correta — este era outro princípio que apregoava. A história não pode ser centrada nos grandes nomes, mas não pode também cometer o erro contrário, e omitir aqueles cuja participação tenha sido decisiva.

A história de um partido deve levar em conta a realidade social e política, as contradições, da sociedade da qual aquele partido faz parte, da qual ele reflete a ação, os erros e os acertos de sua vanguarda progressista mais avançada. E não pode esquecer a influência da conjuntura mundial e do movimento comunista internacional, influência que muitas vezes foi marcante nos rumos tomados pela ação do Partido.

Outra preocupação permanente de João Amazonas, em relação à história do Partido, era a formulação de uma correta periodização — isto é, da divisão dessa longa trajetória em períodos menores e bem caracterizados pela ação partidária e pelas concepções predominantes, sua relação com a própria história do país e com a influência do movimento comunista internacional, e que fossem demarcados por momentos de viragem histórica que tenham sido, de fato, inaugurais de etapas novas.

Finalmente, uma orientação fundamental: o texto devia ser simples e de leitura agradável, acessível a todos os militantes comunistas e a todos os brasileiros preocupados com a conquista de uma sociedade nova.

Os textos aqui reunidos constituem um resultado parcial dos trabalhos da Comissão de História do PCdoB. Seus autores são membros da Comissão que investigaram e escreveram sobre os períodos específicos dos quais ficaram encarregados. Não refletem, por isso, o ponto de vista coletivo do Partido, sendo suas conclusões de responsabilidade dos autores. Mas são etapas valiosas na construção desta obra coletiva que será a História do Partido Comunista do Brasil.

* Da Comissão Especial para a Redação da História do Partido

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