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José Carlos Ruy*
A
história do Partido Comunista do
Brasil é o relato de uma ação
que se desdobra num tempo cuja duração
já ultrapassa oito décadas,
e que transcorre no cenário continental
constituído pelo Brasil.
É
uma história que, desde 1922, confunde-se
com a dinâmica da luta de classes
em nosso país. Reflete, desenvolve
e fortalece o movimento operário
e a luta dos trabalhadores. Descreve o
protagonismo relevante que os comunistas
e as forças progressistas e avançadas
desempenham na história política
e social do Brasil nestes oito decênios.
Registra a luta pela democracia, pelo
progresso social, pela autonomia e soberania
do país e seu povo.
O
9º Congresso do Partido Comunista
do Brasil, realizado em 1997, aprovou
a formação de uma Comissão
Especial para a Redação
da História do Partido, com a tarefa
de pesquisar, organizar os documentos
e depoimentos, e produzir, ao final, um
relato que, aprovado pelo Partido, registre
sua longa experiência e seus ensinamentos.
O
grande animador e inspirador os trabalhos
da Comissão de História
do Partido foi o camarada João
Amazonas, cuja trajetória pessoal,
desde sua filiação ao Partido,
em 1935, mesclou-se com a própria
história investigada pela Comissão.
Entretanto, seu empenho pela história
do Partido, acentuado nos anos finais de
sua vida, não foi o de um mero
registro de sua experiência pessoal
— coisa que, aliás, já teria,
por si só, um valor inestimável.
O
camarada João Amazonas foi além
disso. Combinando sua sabedoria política
com o olhar crítico do historiador
e a argúcia do dirigente comunista,
ele deixou orientações de
enorme valor para a elaboração
da história do Partido. Esta precisa
ser uma história crítica
e autocrítica, que leve em conta
e extraia lições dos erros
e dos acertos. Não se pode crer
na história de um partido que nunca
erra, costumava repetir. Não pode
ser, por isso, uma história subjetivista,
insistia.
O
papel e a participação das
personalidades devem ser avaliados por sua
dimensão correta — este era outro
princípio que apregoava. A história
não pode ser centrada nos grandes
nomes, mas não pode também
cometer o erro contrário, e omitir
aqueles cuja participação
tenha sido decisiva.
A
história de um partido deve levar
em conta a realidade social e política,
as contradições, da sociedade
da qual aquele partido faz parte, da qual
ele reflete a ação, os erros
e os acertos de sua vanguarda progressista
mais avançada. E não pode
esquecer a influência da conjuntura
mundial e do movimento comunista internacional,
influência que muitas vezes foi
marcante nos rumos tomados pela ação
do Partido.
Outra
preocupação permanente de
João Amazonas, em relação
à história do Partido, era
a formulação de uma correta
periodização — isto é,
da divisão dessa longa trajetória
em períodos menores e bem caracterizados
pela ação partidária
e pelas concepções predominantes,
sua relação com a própria
história do país e com a
influência do movimento comunista
internacional, e que fossem demarcados
por momentos de viragem histórica
que tenham sido, de fato, inaugurais de
etapas novas.
Finalmente,
uma orientação fundamental:
o texto devia ser simples e de leitura
agradável, acessível a todos
os militantes comunistas e a todos os
brasileiros preocupados com a conquista
de uma sociedade nova.
Os
textos aqui reunidos constituem um resultado
parcial dos trabalhos da Comissão
de História do PCdoB. Seus autores
são membros da Comissão
que investigaram e escreveram sobre os
períodos específicos dos
quais ficaram encarregados. Não
refletem, por isso, o ponto de vista coletivo
do Partido, sendo suas conclusões
de responsabilidade dos autores. Mas são
etapas valiosas na construção
desta obra coletiva que será a
História do Partido Comunista do
Brasil.
*
Da Comissão Especial para a
Redação da História
do Partido
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