Luciano Rezende

Governos populares versus governos populistas

 Saudades de um tempo, não muito distante, em que populismo era sinônimo de programas sociais. A cada nova política voltada para o povão nos governos Lula e Dilma, as elites surtavam.

Ampliação das vagas nas universidades públicas com o Reuni, resgate ao direito à moradia com o Minha Casa Minha Vida, aumento real do salário mínimo todos os anos... Tudo isso, e muito mais, eram explorados pelos abutres golpistas como “populismo”.

Direitos básicos e elementares, na visão dos embusteiros, tinham apenas o objetivo de se conseguir votos da população mais carente e, assim, permitir a permanência do PT (aquele mesmo partido insultado recentemente por Bolsonaro por, pasmem, “gostar de pobre”) na Presidência, numa espécie de projeto de poder.

Certamente o Bolsa-Família, um dos principais programas de combate à pobreza do mundo, é o exemplo maior de populismo atribuído aos governos Lula e Dilma pela direita brasileira.

Historicamente o termo populismo foi usado e esbanjado pelas elites brasileiras para desqualificar seus opositores de toda e qualquer política social voltada aos setores populares.

Antes de Lula e Dilma, foram Getúlio Vargas, Juscelino e João Goulart os mais citados em nossa história como representantes clássicos deste tal populismo.

Consolidação das Leis Trabalhistas, Reforma Agrária, criação de Estatais, combate às desigualdades regionais, a construção de Brasília e tantas outras políticas nacionais de desenvolvimento são consideradas por nossa burguesia como ações meramente eleitoreiras.

Mas o que as nossas elites têm a dizer agora sobre este mais recente projeto do governo Bolsonaro que amplia a validade da Carteira Nacional de Habilitação de cinco para dez anos e ainda amplia a pontuação de 20 para 40 pontos do limite para suspensão da carteira de motorista? Há algo mais oportunista que afagar sua base eleitoral infratora?

Bolsonaro se enquadra em qual tipo de populismo quando libera armas, perdoa dívidas de ruralistas, isenta de impostos fabricantes de cigarros, criminaliza movimentos sociais e ainda dá um salvo-conduto ao latifúndio de matar qualquer “invasor”?

Que tipo de populismo é esse que se insurge no Brasil sob o silêncio da grande mídia que dilapida o patrimônio nacional em troca do afago do grande capital, financiador das fake news que elegeram Bolsonaro e sua base de apoio?

Na verdade, toda política de Bolsonaro é anti-povo. Sua agenda está voltada a desconstruir tudo aquilo que foi deixado pela “Era Vargas” e pelos avanços obtidos nos governos Lula e Dilma.

Em um país que se assiste morrerem mais gente em suas estradas do que se mata na guerra da Síria, e ainda assim o governo flexibiliza as leis em favor dos motoristas infratores para agradar sua base eleitoral, o que se tem é o mais descarado banditismo.

Triste caminho trilhado por um país que abandonou um agenda popular para cair no mais tacanho populismo de extrema direita, sob a benção da grande mídia empresarial.

* Professor. Presidente da Seção Mineira da Fundação Maurício Grabois e Membro do Comitê Central do PCdoB.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Portal Vermelho



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