Zillah Branco

Lula é o Brasil, que se quer livre e soberano

O mundo acompanhou emocionado a entrevista do ex-Presidente Lula, sequestrado pelos golpistas que se curvam ao poder imperialista dos Estados Unidos. Cresceu o respeito e a admiração pelo operário que se tornou o mais importante Presidente da República do Brasil, que com a sua maneira de ser dá um exemplo de honra, dignidade e integridade a todo e qualquer ser humano.

Ele sofre as injustiças, ele chora a morte dos seus entes queridos, ele se indigna com os traidores da pátria que martirizam o povo trabalhador, ele recusa o ódio e busca nos que dele se afastam um resquício de respeito humano para poder dialogar. Nesta entrevista à Folha de S.Paulo e ao El País da Espanha divulgada mundialmente, assim como na que foi divulgada pela mídia progressista gravada em 1981 no início da sua trajetória política, Lula revela a mesma essência que orgulhosamente mantém 38 anos depois. De quem fez uma carreira de lutador sindicalista à Presidente do país com imenso exito nos contactos internacionais do mais alto nível político, solidário com outros povos em luta aos quais transmitia o seu plano para a recuperação econômica e a superação da miséria e da fome de milhões de brasileiros a partir dos investimentos sociais para promover os trabalhadores e a produção interna. Segue os conceitos desenvolvimentistas alimentados pelos cursos da CEPAL na década de 60 mas atualizados à luz das experiências socialistas de Cuba e outros países latino-americanos independentes da ganância do império norte-americano.

Os seus estudos são feitos sem livros, ouvindo explanações de quem estuda, fazendo perguntas, observando a realidade. Confessa ter preguiça de ler. Com a inteligência viva e metódica que tem utiliza a intuição como baliza do conhecimento. Mantem-se como todo o povo na formação da consciência, e utiliza a mesma linguagem para ser melhor compreendido.

Lula se revê nas lutas populares que fizeram a história do Brasil. É mais um herói como os que foram vencidos através dos séculos passados. A diferença é que chegou a ser Presidente da República durante 8 anos de governo e apoiou mais 8 anos da presidenta Dilma. A diferença é que com a evolução histórica, o herói popular assumiu o merecido lugar no governo e pode afirmar a soberania nacional perante o mundo, retirar da fome 40 milhões de pessoas, legalizar 6 milhões de micro-empresas, entregar 20 milhões de novas carteiras de trabalho assinadas, fortalecer a investigação científica e criar universidades que permitiram integrar os estudantes mais pobres e os cidadãos discriminado por preconceitos racistas, de gênero ou opção sexual, fortalecer empresas públicas de grande importância internacional, participar de reuniões mundiais e levar o Brasil a uma projeção nunca antes alcançada no mundo. Com os recursos criados internamente pagou a dívida com o FMI criada por governos anteriores e elevou a riqueza nacional fazendo do Brasil uma potência em desenvolvimento.

Além de criar condições para a independência do Brasil, Lula conquistou amizades em muitas regiões do planeta, sendo sempre solidário com os que lutam pela soberania dos seus países e pela criação de melhores condições de vida para todo o povo. Tal como Mandela na Africa do Sul, despertou a admiração de politicos conservadores que reconheceram o valor da luta popular para vencer os obstáculos que as elites levantam por egoismo e crueldade. A grandeza interior de Lula, como ser humano, potencializa os seus planos de ação política sempre a favor das camadas mais desprotegidas da sociedade.

Caracteriza-se pela busca da unidade de esforços mesmo que a maneira de pensar e agir dos governantes seja diferentes da sua. Assim também procura o diálogo com os que são contrários a ele. Confia na justiça, na lógica da realidade, com auto-suficiência. Se reconhecer que o outro erra por fragilidade pessoal, fica com pena. Como diz de Palocci: "ele não tinha o direito de destruir a sua própria vida, como fez". E lembra o valor da mãe de Palocci, "que amassou barro para construir o PT em Sorocaba". A sua visão cristã da mãe se sobrepõe para revelar a profundidade da dor pelo ato do ex-companheiro de lutas. O humanismo de Lula é determinante na sua conduta e impõe o respeito pela pessoa do "outro". Isto o leva a não recusar nunca o diálogo, a considerar que para governar um país deverá ouvir e dar espaço aos que lhe são contrários.

Sequestrado e preso por razões meramente políticas, quer dialogar com seus algozes para provar o erro deles e, talvez, convencê-los - como tem a certeza de que ocorrerá "na hora da extrema-unção". Quer dialogar com os membros do poder judicial, com os militares, com os empresários, com os que antes o aceitaram como Presidente e receberam apoio às suas reivindicações.

Sobretudo Lula quer dialogar com o povo que foi traido por Temer e por todos os entreguistas que são lacaios do imperialismo! Para isso tem incentivado a união de todos os brasileiros em uma frente progressista para lutar pela vitória de um programa que fortaleça o povo e retome o caminho do desenvolvimente nacional.

Que a força da personalidade de Lula estimule todas as organizações partidárias e dos movimentos sociais a seguirem o seu exemplo de dignidade pela reconquista da soberania nacional e da defesa dos direitos humanos e de cidadania para todos os brasileiros.


* Cientista Social, consultora do Cebrapaz. Tem experiência de vida e trabalho no Chile, Portugal e Cabo Verde.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Portal Vermelho



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