Eron Bezerra

O nosso desafio presidencial

A desenvoltura de nossa candidata, Manuela D’Ávila, na corrida presidencial, é algo extremamente gratificante, tanto pela forma como tem defendido nossas ideias e propostas quanto pelo desempenho alcançado nas pesquisas eleitorais.

Manuela tem conseguido apresentar nossas ideias e propostas de forma consistente, ampla e criativa, apesar da modestíssima estrutura de que dispõe.

E isso tem se materializado nas pesquisas eleitorais, cujo desempenho, embora com índices ainda modestos, no patamar de 3%, é particularmente relevante quando confrontado com o desempenho de outros candidatos, sejam “novatos” ou veteranos.

A receptividade que a candidatura de Manuela tem alcançado revela que há espaço para avançar ainda mais. Evidencia que há um campo sequioso de novas ideias, de ideias avançadas, progressistas.

Essa parcela, todavia, representa um nicho de eleitores qualitativamente muito importante, mas quantitativamente minoritário. É preciso ir além.

Até mesmo porque o eleitor geral é filosoficamente pragmático, no estrito senso da palavra, razão pela qual precisamos apresentar a ele algo a mais além de nossa habilidade e coerência, o que, convenhamos, já não é pouco.

Esse eleitor geral, que vai além dos nichos ideológicos, precisa acreditar na viabilidade eleitoral do candidato para que ele se movimente. Por isso nós precisamos nos tornarmos eleitoralmente viáveis.

A dispersão e a pulverização tem sido, até então, a característica central dessa eleição. Alcança todos os campos ideológicos e não apenas as candidaturas do campo progressista.

E essa dispersão, a nosso modesto modo de vê, tem sido a causa básica pela qual, com exceção de Lula e Bolsonaro, não tem se materializado nenhum outro candidato competitivo.

O que fazer?

Além de persistir, naturalmente, é preciso agregar alguma força para além das fronteiras partidárias. Buscar, incialmente no nosso campo, o que é possível. Não ficar esperando pelo ideal. Posteriormente, tal qual um núcleo de condensação higroscópico, outras e outras matérias se agruparão.

Ouso imaginar que um núcleo básico com o PSOL deveria ser o ponto de partida, o que poderia sinalizar às demais forças progressistas em que direção o polo de aglutinação estaria se formando.

Como a humanidade não se põe problema que não possa resolver, nós certamente acharemos a solução para essa nova equação.

* Professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.




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