13 de Novembro de 2017 - 10h02

Nós, comunistas

Maria Valéria Duarte de Souza *

O Partido Comunista do Brasil realizará nos próximos dias o seu 14º Congresso. Um Congresso que, pelo fato de ser realizado já é em si mesmo, vitorioso diante das enormes dificuldades, não só de natureza material considerando os custos e os esforços envolvidos, mas também a conjuntura política adversa em que é realizado.


No Brasil e no mundo, vivemos tempos em que o anticomunismo mais virulento volta a ser tema dos discursos conservadores e proto-fascistas que hoje proliferam, o que, absolutamente, não é um fato novo, embora assuma hoje, novas formas de expressão. De fato, desde que despontou no horizonte das lutas sociais e políticas , nenhuma outra corrente de pensamento, nenhuma outra forma de organização politica tem sido tão atacada . Alvo das mais cruentas formas de repressão perpetradas por forças obscurantistas em diferentes épocas, “dado como morto” ao final do século XX, o comunismo resiste na força e na luta de homens e mulheres que, muitas vezes com o sacrifício de suas próprias vidas , ousaram enfrentar a barbárie.

Ao lado de outras forças progressistas, nós, comunistas nos colocamos contra todas as formas de dominação, defendendo, no plano das ideias e da luta política , uma perspectiva que desnaturaliza as desigualdades e injustiças mas sem perder de vista que a grande luta é aquela que se contrapõe à dominação do capital sobre o trabalho, sustentáculo da ordem burguesa.

Desejamos e lutamos por uma sociedade nova; mais ainda, por um novo projeto civilizatório, mas, ao contrário do que muitos pensam , não somos movidos por uma utopia, isto é, por um desejo referenciado em uma interpretação ilusória do real, e, portanto, sem compromisso com sua efetivação. A construção de uma nova sociedade não é, para nós, comunistas, apenas um “ideal”, mas uma possibilidade factível que, entretanto, só se efetivará a partir de condições historicamente constituídas nas quais deve ser desenvolvida nossa ação concreta, consequentemente orientada por um corpo teórico consistente. Ou seja, nem a nova sociedade, nem o processo que lhe dará origem dependem apenas do desejo e da (boa) vontade dos indivíduos como querem acreditar algumas correntes da (pseudo) esquerda que julgam que a revolução socialista que conduzirá à sociedade comunista depende apenas da iniciativa de militantes aguerridos , independente das condições histórico-concretas para a sua realização. Queremos e lutamos por uma nova sociedade, sabendo que esta não pode ser confundida com uma quimera, um lugar paradisíaco que se deseja alcançar, tal como pensavam os socialistas utópicos.

Nós, comunistas, neste Brasil do início do século XXI, sabemos que as condições sócio-políticas do país não são as que queremos , mas sabemos também que é a partir delas que nos cabe criar e recriar as formas de luta com as quais resistiremos às forças obscurantistas que se apropriaram do poder político.

É esse criar-se e recriar-se que coloca em nós, comunistas, o brilho e a esperança da juventude, mesmo quando se tem uma trajetória de décadas na vida partidária. Aliás, é significativo que uma corrente política e de pensamento que os agentes do neoliberalismo tenham tentado desqualificar como “ultrapassada” , atraia mais e mais jovens que se reconhecem não apenas em um ideal mas se empenham em participar da construção de uma nova sociedade, na qual “o livre desenvolvimento de cada um é a condição do livre desenvolvimento de todos” . Por isso, Salve o já vitorioso 14º Congresso do Partido Comunista do Brasil!

* Graduada em Serviço Social, com especialização em Planejamento e Gestão e mestrado em sociologia, e militante do PCdoB no Distrito Federal

* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.


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