9 de Novembro de 2017 - 11h45

Com Manuela D’Ávila, PCdoB vai para a ofensiva

Luiz Manfredini *

Ao lançar a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila como sua pré-candidata à Presidência da República, o PCdoB, já de largada, conquistou um tento: ampliou seu protagonismo na cena política brasileira, vários pontos para além do que já vem obtendo com suas aguerridas bancadas na Câmara e no Senado.


Há cerca de um ano o partido vem examinando a possibilidade de lançar tal pré-candidatura, algo consolidado no último final de semana por seu Comitê Central. Ela procura expressar, como Manuela acentuou na concorrida entrevista coletiva que concedeu nesta terça, 8, na Câmara Federal, as ideias e propostas do PCdoB diante da crise estrutural e conjuntural – política, econômica, social, cultural – que assola o Brasil sob o comando dos golpistas que derrubaram a presidente eleita, Dilma Rousseff no ano passado.

São ideias e propostas consistentes, que buscam um novo projeto nacional de desenvolvimento, com sustentação ambiental e valorização do trabalho, democracia, justiça social e soberania. Ele integra o “Programa Socialista para o Brasil”, lançado pelo partido há exatos oito anos, no curso do seu 12o Congresso Nacional.

Este é o lastro da pré-candidatura de Manuela que, por si só, já agrega consistência ao debate político nacional que, em vários aspectos, beira a indigência. Mas não fica aí: a proposta comunista – e a pré-candidatura presidencial baterá fortemente nessa tecla – inclui a defesa da constituição de uma frente ampla (a esquerda e setores democráticos e progressistas) para enfrentar a crise e construir um projeto unitário para o Brasil.

Não se sabe o cenário que, afinal, se conformará para a disputa presidencial. De todo modo, a pré-candidatura do PCdoB vem para estimular o Brasil a examinar seus impasses, encarar os seus desafios como condição para marchar adiante. E, sobre isso, democraticamente, dialogar com as demais forças do campo democrático e progressista.

* Jornalista a escritor paranaense, autor, entre outros livros, dos romances "As moças de Minas", "Memória e Neblina" e "Retrato no entardecer de agosto".

* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.


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