11 de Outubro de 2017 - 17h17

O plebiscito

Eduardo Bomfim *

Hoje em dia está claro que grande parte das tempestades de ódios e dissensos que vêm corroendo a sociedade brasileira provém de notícias viralizadas através da grande mídia nativa que por sua vez as retransmite da mídia global. Tanto uma como a outra encontram-se associadas aos interesses do capital financeiro, aos objetivos estratégicos de potências mundiais.


Mister Obama pousou suavemente em São Paulo, cobrou milhares de dólares a quem desejava assistir sua palestra e partiu olimpicamente, como se fosse um vestal do bom senso, sem uma crítica ao que disse, a favor ou contra. Mas ele foi responsável por muitas das guerras sangrentas que persistem até hoje após seus mandatos presidenciais, com Hillary Clinton responsável pela política exterior dos EUA.

Ninguém sabe pela grande mídia o que disse o ex-presidente norte-americano, se é que ele disse algo relevante. Se afirmou alguma coisa sobre as agruras de um planeta visivelmente atormentado, de que ele é em grande parte responsável, ninguém entendeu.

E como nada disse à mídia hegemônica, não viraliza nas redes sociais. Obama teve participação decisiva nos episódios que culminaram na queda de Dilma Rousseff. Mas Obama veio e foi embora sem admoestações de qualquer espécie, como se fosse um monge zen.

Já o plebiscito sobre a Catalunha, ao contrário de Obama, não para de ser notícia. Essa mídia global pauta a questão catalã como se fosse uma polêmica entre democracia versus nação. Desse jeito.

Como se a questão não implicasse nas razões Históricas da formação e vicissitudes do povo espanhol, nas manobras financeiras e os interesses da OTAN na Catalunha fossem desconhecidos por todos. Os espanhóis seriam apenas europeus.

Mas o que deseja a mídia hegemônica é propagar aos quatro ventos a tese do separatismo como uma nova agenda “pós-moderna” e assim abrir espaços no mundo e no Brasil na crise multilateral e profunda em que se encontra, para o pior dos sentimentos, desejos inconfessos de grupúsculos no País.

Gabriel Garcia Márquez disse que Simon Bolívar, o Libertador, em sua luta vitoriosa contra o colonialismo na América espanhola, frente à torpeza de alguns de seus liderados, acabou sem uma pátria pela qual morrer. Afora os desterrados, não existe democracia ou democratas sem uma pátria para exercê-la, assim, no abstrato.

* Advogado

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