18 de Maio de 2017 - 8h01

Eleições ou Barbárie*

Pedro Luiz Teixeira de Camargo (Peixe) *

Nesta última quarta feira, dia 17 de maio, o governo golpista tremeu. Em uma bombástica denúncia realizada pelo dono da JBS, empresa que muitos lunáticos acusavam ser de um dos filhos do ex-presidente Lula, Michel Temer (PMDB) atual mandatário da nação e Aécio Neves, senador e presidente do PSDB foram acusados de, respectivamente, comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) e de pedir dois milhões de reais para sua defesa no processo conhecido como Lava Jato.


Curiosamente, esta notícia apareceu de maneira exclusiva na Rede Globo, conhecida nacionalmente por ter feito e ajudado a derrubar a presidenta Dilma. Mas por que a Globo fez isso? Ela mudou de lado?

Não, não mudou. A Vênus platinada sabe muito bem o que quer. Ao apresentar esta notícia em primeira mão, ela novamente passa a moldar a opinião pública, até então focada em barrar as reformas trabalhistas e da previdência para levar todos e todas a defender a quase unânime posição do Fora Temer. Uma jogada de mestre sem dúvidas!

Ao mesmo tempo defende, como mostrou em sua análise na Globo News, Merval Pereira, seu principal porta voz, a operação Lava Jato e o juiz Sérgio Moro, pois segundo eles ninguém está sendo perdoado.

Ao jogar para os leões de uma vez só Temer e Aécio, a emissora carioca abre de vez as portas para duas movimentações chave, as eleições indiretas e a volta de um presidente mauricinho, como diria Lobão nos seus tempos anteriores ao surto coxinha dos últimos anos.

A primeira questão se dá ao transformar a situação do presidente golpista de difícil para insustentável, sua queda parece ser questão de tempo, como pode ser notado por qualquer um. Entretanto, a pergunta que surge é: quem assume?

Obviamente que não é o Aécio. Nem tampouco Rodrigo Maia ou Eunício Oliveira, pois ambos são réus em diversos processos, quem assume é a ministra Carmen Lúcia, presidenta do STF que coincidentemente jantou com empresários semana passada. Sua função, neste caso a meu ver, seria preparar o caminho para a segunda movimentação já descrita, que pode ser por dois caminhos: eleições diretas ou indiretas.

Para esta primeira opção, é preciso um país pacificado, o que não parece ser o caso haja vista a rebeldia da população com a classe política. Apesar de possível, esta situação não é recomendável, pois pode levar o país ao caos.

A mais óbvia parece ser o cenário mais arriscado para a elite plutocrática: convocação de novas eleições diretas. Mas para isto temos mais perguntas ainda: Lula poderá ser candidato? A chapa Dilma-Temer será cassada? O governo provisório dará andamento nas reformas de Temer?

A estas perguntas ainda não temos respostas, mas sem dúvidas, eleger um novo governo através do sufrágio universal parece ser o menos pior dos cenários, portanto, é hora de unidade, manutenção das agendas para Brasília e, principalmente, ir para as ruas a fim de derrubar o governo Temer e exigir que nós (o povo) possamos decidir quem queremos nos representando.

Eleições diretas ou barbárie! Vamos à luta!



*Obs: eu avisei que era golpe em 2014, espero que os retardatários agora escutem!

* Biólogo, Especialista em Gestão Ambiental, Mestrando em Sustentabilidade pela UFOP/MG e Diretor de Universidades Públicas da ANPG

* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.


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