15 de Maio de 2017 - 12h21

Um ano de Golpe

Eron Bezerra *

Após um ano de golpe é possível afirmar, sem ressalvas, que o “governo” de Temer é um dos mais desastrosos de nossa curta e errática experiência democrática.


Os indicadores econômicos são trágicos em todos os setores. O desemprego bateu o recorde dos recordes e se aproxima perigosamente dos 15 milhões de desempregados, algo como a metade da população do Canadá.

Pela 1ª vez na nossa história recente houve de fato uma greve geral, na qual milhões de trabalhadores e representantes dos movimentos sociais cruzaram os braços numa greve de caráter eminentemente político, de protesto contra o governo e seus ataques aos direitos sociais.

A popularidade de Temer está na zona crítica de 8%, enquanto o restante da população rejeita tanto a ele quanto as suas propostas, especialmente a reforma previdenciária e trabalhista.

Fruto de um golpe, sem legitimidade, sem apoio popular e executando uma pauta extremamente antipovo, Temer só conta mesmo com o apoio de parlamentares de direita, onde se misturam de fascistas a escravocratas que, no geral, programaticamente, sempre defenderam essa pauta de supressão de direitos sociais e trabalhistas, bem como de entrega do patrimônio público ao capital estrangeiro. São as viúvas da era FHC.

Esses parlamentares são, todavia, paradoxalmente, solução e problema para Temer. Solução quando aprovam essas barbaridades contra o povo, essas medidas criminosas rejeitadas por mais de 80% da população; e problema quando, para aprovar tais medidas, estabelecem o mais vergonhoso balcão fisiológico. Temer é absolutamente refém de suas chantagens.

E como a frustração com o governo é geral, incluindo seus próprios aliados, essas chantagens tendem a se acentuar. E não é para menos. Sabem que o governo Temer, politicamente, acabou sem ter começado, por isso serão cada vez mais vorazes.

Afinal, Temer lhes prometeu que uma vez executado o golpe haveria crescimento econômico, fim ou controle das operações policiais/judiciárias e estabilidade política. Nada disso aconteceu e, em certa medida, se agravou, sugerindo que há forças poderosas, além-fronteira, operando para destruir a economia nacional.

Começa, portanto, a surgir contradições no leque de apoiadores do governo Temer e mesmo entre os que patrocinaram o golpe com o qual ele usurpou um posto que não lhe pertence.

Pois, como afirmou recentemente um procurador do Ministério Público que não está envolvido na operação lava jato, embora seja do Paraná e tenha atuado na operação Banestado, “não se pode fechar o ministério público se, eventualmente, alguém ali praticar corrupção, como da mesma forma não se pode destruir os partidos políticos, que são essenciais à democracia”.

A declaração do procurador se junta a do ministro Gilmar Mendes, do STF, que diz abertamente que a operação lava jato faz “reféns” e uma longa reportagem da FSP mostrando as flagrantes contradições entre os executores da lava jato.

Mas há quem esteja satisfeito com Temer: os especuladores, os agiotas. Afinal, nesse curto período de “governo” Temer, a lucratividade real deles (taxa Selic menos inflação), saltou de 4,5% para 7%.

* Professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.


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