16 de Fevereiro de 2017 - 17h09

Economia, Política e a "operação-abafa"

Walter Sorrentino *

A onda deletéria neoliberal esvaziou a democracia em todo o mundo e tornou a Economia diretamente em Política, sem maiores mediações, para impor os interesses do sistema financeiro.


No Brasil idem. Com o escárnio dos juros mais altos do mundo, a galinha de ovos de ouro para a comunidade financeira daqui e d´alhures.

Com a singularidade de que a Política tornou-se diretamente judicializada - a Operação Lava Jato determina, por ação e reação, a Política imediata.

A verdadeira operação abafa em curso no Brasil não é sobre a Operação Lava Jato, mas sobre a situação da economia, sujeita a vasto consenso mistificante de que “agora vai”. É o círculo maior que ajunta todos os setores conservadores.

Um círculo menor, nesse mesmo bloco, abrange os que querem e precisam se livrar das condenações merecidas e estão momentaneamente cobertos pelo interesse maior da Economia. Até quando? Diria: até que uma pactuação “pelo alto” nos bastidores produza a futura candidatura presidencial sem chance de derrota, como foi com FHC cavalgando o Plano Real. Tais pactuações, quando se veem os primeiros sinais, é porque já estão em pleno curso. Não é certo que o consigam, mas o roteiro é esse.

O “agora vai”, mesmo que levasse à retomada do crescimento econômico, põe o país em direção oposta às reais tendências do mundo hoje, de oposição entre globalização e interesses nacionais.

Lamentável que se deixe a direita conservadora, protecionista e xenófoba levar a termo vitórias explorando o ressentimento popular, nos EUA como na Europa.

No Brasil, “agora vai” leva para o brejo a soberania nacional e os direitos sociais – um projeto anacrônico até mesmo aos pregoeiros das austeridades que aprofundaram a estagnação econômica mundial para salvar em primeiro lugar a banca.

Como não se faz um projeto de nação no brejo, a democracia tem que ser conspurcada para esses intentos. Tristes trópicos.

* Walter Sorrentino é médico, paulistano. Membro do Comitê Central desde 1988, ex-secretário de organização do PCdoB (2002-2015), eleito vice-presidente do Partido na 10ª Conferência (maio/2015).

* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.


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