Caio Botelho

 A UNE somos nós!

A nossa vida é marcada por momentos de todos os tipos. Podem passar anos ou décadas, mas sempre vamos nos recordar de cada fato que forjou aquilo que nos tornamos. Contaremos histórias de nossas aventuras, temperadas com certa nostalgia e vontade de retornar ao passado e fazer tudo de novo.

O Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) é um desses momentos. A entidade dos universitários brasileiros foi duramente combatida pelos poderosos ao longo da história. Mas bravas gerações, colocando muitas vezes em risco a própria vida, mantiveram erguida a sua bandeira. Foi essa coragem que permitiu que a UNE chegasse à impressionante 54ª edição de seu Congresso – um feito de proporções históricas!

Mas porque a UNE não sucumbiu, como ocorreu com tantas outras organizações ao longo dos tempos? Porque a sua bandeira, que de tão brasileira conta com um mapa do país cravada em seu seio, continuou tremulando onde houvesse luta por uma educação de qualidade e uma nação mais justa?

Não dá para explicar. Tem que viver. E aproximadamente 10 mil jovens estudantes passarão por essa experiência entre os dias 3 e 7 de junho de 2015, em Goiânia (GO) – muitos pela primeira vez na vida. Coerente com suas quase oito décadas de história, traz a defesa da democracia como tema central do seu maior fórum.

Viver a experiência de um Congresso da UNE nos oferece uma dimensão mais exata da razão pela qual essa entidade incomoda tanto e é alvo dos mais torpes ataques dos jornalões da grande mídia. Entre as capas bajuladoras da Folha de São Paulo e as páginas amarelas da Veja, essa turma teimosa prefere a defesa das grandes causas nobres e populares, com a educação de qualidade e a soberania nacional ocupando lugar de destaque.

Mas o Congresso não começa e nem termina em si mesmo. Ele é parte de uma luta maior, em que a rede do movimento estudantil discute suas pautas, aprova suas bandeiras, se fortalece e se prepara para grandes embates. É o momento em que a UNE reafirma sua pluralidade, aprofunda a democracia interna, demarca o caráter combativo e a sua vocação para a luta.

Os desafios da atualidade são imensos. Logo depois da histórica conquista da inclusão da meta de investimentos de 10% do PIB na educação, uma ofensiva conservadora pretende colocar em xeque esse e tantos outros avanços dos últimos anos. E a UNE, com a ousadia de sempre, se posiciona ao lado dos setores progressistas que não vão admitir retrocessos. Reafirma sua independência ao posicionar-se contra os cortes no orçamento da educação, mas também sabe o quanto custou, inclusive em vidas, alcançarmos a democracia que temos hoje (mesmo que com suas conhecidas limitações). Por isso, não faz coro com os que – intencionalmente ou ingenuamente – contribuem para jogar água no moinho dos conservadores.

Por isso, a “mensagem de coragem” a que se refere o belo hino da UNE, composto por Vinicius de Moraes e Carlos Lyra, continuará a ecoar por muito tempo e a incomodar os poderosos. Ao lado de suas coirmãs e igualmente combativas UBES e ANPG, a entidade dos universitários brasileiros vai continuar a escrever muitos e emocionantes capítulos de nossa história.

E quem tiver a oportunidade de ir ao Congresso da UNE, que aproveite muito, mas muito mesmo! Que participe de cada debate e não tenha receio de dar opiniões, mesmo que elas pareçam meio “bobas” no início. Que curta as festas e momentos de descontração. Mas também busque transformar cada minuto dessa experiência em um aprendizado que será levado para a vida toda.
Ao final do 54ª Congresso, temos certeza de que mais jovens terão sido conquistados para a luta por um Brasil mais justo.

* É membro do Comitê Estadual do PCdoB na Bahia

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Portal Vermelho



Publicidade

TEXTOS DESTE +

OUTRAS COLUNAS