2 de Dezembro de 2009 - 0h01

Federação Sindical Mundial aposta alto na juventude

Paulo Vinícius *

A 1ª Conferência Internacional da Juventude Sindicalista, realizada de 18 a 20 de novembro em Lima, tendo como anfitriã a Central Geral de Trabalhadores do Peru, marca uma inflexão no trabalho juvenil da organização internacional classista.


A Federação deu uma decidida demonstração de apoio à organização do trabalho juvenil, o que contou com amplo apoio das suas seções internacionais. Mais de 250 participantes de 25 países, com 32 organizações da América, África, Ásia e Europa atenderam ao chamado do Secretariado, o que aponta para uma mobilização juvenil sem precedentes rumo ao 16º Congresso Sindical Mundial.

"Os trabalhadores conscientes, vale dizer, sindicalizados, têm que enfrentar o problema da juventude, que é o problema de todos os explorados".

José Carlos Mariátegui

O investimento da Federação Sindical Mundial no trabalho juvenil mede-se primeiramente pelo apoio de destacadas e experientes lideranças ao êxito do encontro, que pôde contar com o total apoio da CGTP, expresso não apenas pelo amplo investimento material e político, mas pela atenção e apoio de quadros como Valentín Pacho, ex-senador peruano que presidiu a CGTP nos piores anos da Ditadura de Fujimori e que atua no secretariado da FSM, e Mário Huamán, atual presidente da central, além de todo o esforço pessoal do camarada Gustavo Minaya, o secretário nacional de juventude sindicalista peruano. Destaque-se também a presença de Ramón Cardona, da CTC de Cuba e que representa as Américas, o que assinala a relevância dada pela FSM ao fortalecimento do trabalho juvenil.

E a resposta foi superior às expectativas. Organizações sindicais do Egito, Marrocos, Sudão, Nigéria, Congo, África do Sul, Índia, Nepal, Grécia, França, Chipre, Hungria, Portugal, Cuba, Peru, Brasil, México, Honduras, Panamá, Estados Unidos, Nicarágua, Argentina, Colômbia, Bolívia e Equador responderam ao Chamado à Juventude Sindicalista feito pelo Comitê Internacional Preparatório, afora mais de 20 organizações que não puderam chegar, por dificuldades na emissão de vistos, e que enviaram saudações afirmando seu desejo de contribuir com o trabalho da Federação na Juventude.

A destacada contribuição peruana

A CGTP merece, todavia, um capítulo à parte, pelo quão hospitaleiramente recebeu o encontro. Alojados no Clube CONAFOVICER, dos trabalhadores da Construção Civil, em Lima, reunimo-nos delegados internacionais e cerca de 200 jovens trabalhadores peruanos, mineiros, educadores, servidores públicos, operários da construção civil, camponeses, têxteis, entre outros.

Chamou a atenção o fato de a atividade ter se realizado em uma área popular da cidade de Lima, Huachypa, marcada por uma imensa pobreza e pelos graves problemas ambientais vividos em Lima. Ali, o CONAFOVICER é expressão do carinho do movimento sindical peruano para com os trabalhadores. É um clube muito organizado, bonito, uma construção que foi feita com esmero pelos trabalhadores para os trabalhadores, cercado de rosas e flores por todos os lados, recebendo os filhos dos trabalhadores e os operários da construção civil e desenvolvendo um trabalho social importantíssimo. Contando com servidores comprometidos com o movimento, acolheram com a máxima gentileza os delegados nacionais e internacionais.

Além disso, o ato de abertura foi um importante fato político. Realizado na sede do sindicato dos professores primários do Peru, com a afluência de cerca de 400 participantes, contou com a presença de Ollanta Humala, líder do Partido Nacionalista Peruano que obteve 47,2% dos votos quando candidato às eleições presidenciais em 2006 e que faz um esforço conjunto de unificação das forças patrióticas e progressistas peruanas para derrotar o governo neoliberal de Alan Garcia.


A contribuição brasileira: unidade, solidariedade e política

O Brasil enviou três centrais sindicais. Sendo representado através da CTB por Paulo Vinícius, Secretário de Juventude, Igo Menezes, do coletivo de juventude e por José Janes, diretor de Relações internacionais da CTB-AC; a CGTB enviou Maurício Ferreira; a Nova Central Sindical esteve representada pela sua seção mineira, com Ricardo Domingues. Chamou atenção a unidade das centrais sindicais brasileiras e a construção do fórum das centrais como esse espaço aglutinador, ainda com os reflexos da realização da exitosa 6ª. Marcha da Classe Trabalhadora.

À CTB coube apresentar a exposição ?Objetivos de Luta da Juventude Sindicalista?, feita pelo seu secretário de juventude, que também compôs a comissão de redação que formulou a Declaração Final da I Conferência após ouvir as contribuições de duas organizações representativas de cada uma das regiões, incluindo-se aos continentes presentes a região do Oriente Médio. Todas as contribuições foram incorporadas ao texto, que foi lido no fim da Plenária pela CTB, com o apoio de todos.

Outro momento de relevo foi a leitura pelos representantes da CGTB e da CTA Argentina da moção de solidariedade aos 44 mil trabalhadores da empresa de eletricidade e energia da Cidade do México, expulsos por ordem judicial para viabilizar uma privatização criminosa, moção aprovada pela Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul. Também importante foi a demonstração de solidariedade das centrais sindicais brasileiras ao realizarem entrevista conjunta com o companheiro Valter Mainrique Juárez, da Federação Unitária dos Trabalhadores de Honduras, um jovem advogado de 25 anos, para falar sobre o golpe naquele país irmão.

Por sugestão da CTB, a FUTH foi aceita unanimemente para compor a coordenação internacional do trabalho juvenil sindical da FSM. Também por proposição da CTB, todas as representações sindicais brasileiras se revezaram no Presidium dos trabalhos do congresso, dando uma mensagem clara sobre a importância da unidade dos trabalhadores nesse momento de avanços da América Latina.

Um norte claro para as lutas e uma equipe de peso impulsionarão o trabalho juvenil da FSM

A Declaração Final será o principal documento para a mobilização juvenil no interior da FSM, e deve ser difundida em Inglês, Espanhol, Francês, Português, Árabe, Grego e Russo, tendo ampla repercussão. Faz uma análise do papel da juventude em meio à situação atual do capitalismo e a sua importância para o movimento sindical. Analisa brevemente aspectos da realidade internacional e aponta algumas bandeiras centrais para o trabalho juvenil, que pela relevância merecem especial atenção:

Pela Paz, pois a humanidade é una. À hipocrisia da globalização da barbárie e à rapina capitalista oporemos a globalização da solidariedade. Não à guerra e ao imperialismo!
Pelo nosso planeta, enfrentaremos a contaminação gerada pelas empresas transnacionais que, em sua busca cega de lucro, nos conduzem à autodestruição.

Pelo direito ao emprego e pela redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário. Pelo fim da precarização do emprego e dos contratos. Ninguém é ilegal.

Pelo direito da juventude à educação e ao trabalho com direitos e pelo direito à saúde.
Pela autonomia sindical que não é neutralidade, mas a afirmação dos interesses da classe. Pela liberdade de organização sindical com características juvenis. Pelo impulso à filiação sindical e a renovação geracional do nosso movimento.

Para coordenar esse trabalho, foi eleita uma coordenação de treze organizações que representam as cinco regiões, com o apoio unânime do plenário da Conferência e na qual a América está representada pela CTB em nome do Brasil, pela FTUH em nome de Honduras e sob a coordenação geral da CGTP, através do companheiro Gustavo Minaya em reconhecimento ao êxito e à capacidade de convocação peruana neste primeiro encontro. Gustavo contará com o firme apoio da Federação em sua sede mundial, na Grécia, trabalhando em conjunto com a jovem Vassiliki Moukanou, que a partir do birô internacional acompanhará o trabalho juvenil.

O mandato será de um ano e devemos ter um novo encontro no fim de 2010, desta vez em outra região, como acordado pelos presentes. E pelo êxito desse primeiro encontro, percebe-se que o próximo Congresso Sindical Mundial contará com ampla e organizada representação juvenil. Como diz a Declaração Final da I Conferência Internacional da Juventude Sindicalista:

A JUVENTUDE É O FUTURO DO SINDICALISMO DE LUTA COM PRINCÍPIOS DE CLASSE!

P.S.: Mais informações no portal CTB: http://portalctb.org.br


* Sociólogo e Bancário. Membro da direção Nacional da CTB.

* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.


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