Francisca Rocha

Todas e todos de preto nas ruas com a bandeira do Brasil na mão

O movimento sindical e todos os movimentos populares estarão nas ruas neste sábado (7) unindo-se do 25º Grito dos Excluídos, organizado pela igreja católica. A determinação das trabalhadoras e trabalhadores, dos estudantes e de todas as forças democráticas do país é barrar os retrocessos promovidos pelo governo de Jair Bolsonaro.

O lema do Grito dos Excluídos deste “Este sistema não vale, lutamos por justiça, direitos e liberdade” resume bem os anseios das trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade, os estudantes, das centrais sindicais, dos religiosos e dos partidos políticos progressistas, enfim de toda a sociedade que ama este país e deseja vida boa para todas as pessoas.

A nossa independência está ameaçada. Há 197 anos, foi dado o Grito do Ipiranga de “Independência ou Morte” contra a coroa portuguesa. Justamente para frear os movimentos independentistas mais avançados e republicanos. Dom Pedro I foi coroado o primeiro imperador do Império que nascia e duraria 69 anos.

Muitos acontecimentos históricos do Brasil tem sido dessa maneira, com as elites mandando às favas os setores populares e resolvendo as suas pendências para impedir maiores avanços. Mesmo assim, a classe trabalhadora vai impondo a sua resistência e vencendo barreiras colocadas por uma elite retrógrada e antinacional.

Num país de analfabetos veio a República um ano após o fim da escravidão, que teve duração de quase quatro séculos. A elite se manteve incólume com o direito ao voto aos homens de 21 anos acima e alfabetizados. Veio a Revolução de 1930, que rompeu com as oligarquias dominantes e criou novas leis com direitos às trabalhadoras e trabalhadores. Com isso, o direito ao voto e de ser votada foi estendido às mulheres.

Mas os analfabetos só ganharam direito ao voto a partir da Constituição promulgada em 1988 selando o fim da ditadura fascista (1964-1985). Aos trancos e barrancos o Brasil foi se erguendo e conquistando um protagonismo internacional jamais visto, durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.


Avançamos muito nos inéditos 31 anos de vida democrática que tivemos. Mesmo que a distribuição de riquezas tenha sido tímida, a pobreza diminuiu imensamente e o país voltou a sonhar em vida digna para todas e todos.

Mais uma vez a elite carcomida se interpôs no caminho do desenvolvimento livre a soberano. Veio o golpe de Estado, travestido de impeachment. E o governo golpista tratou logo de cortar na carne da classe trabalhadora.

Com amplo apoio dos barões da mídia, Jair Bolsonaro foi eleito presidente, juntamente com um Congresso extremamente conservador e fisiológico, o que prevê tempos duros para os setores democráticos e populares.

O Brasil volta a ser quintal dos Estados Unidos com as políticas desastrosas desse governo. A nossa luta é neste momento impedir a aprovação da reforma da previdência que a acaba com a aposentadoria e em defesa da educação pública que corre risco de extermínio.

Por isso, estaremos nas ruas neste 7 de setembro vestindo roupa preta, empunhando uma bandeira brasileira ou com a cara pintada de verde e amarelo para mostrar que as cores da bandeira brasileira são nossas como é nosso este país diverso e de dimensões continentais.
A nossa luta é contra todos os retrocessos. Queremos barrar o genocídio da juventude negra, pobre e da periferia. Não suportamos mais o assassinato e o espancamento de mulheres e de LGBTs todos os dias, queremos respeito aos povos indígenas, aos sindicalistas, às lideranças comunitárias e políticas. Basta de ódio e violência. Queremos a cultura da paz, do respeito e dos direitos.

* Secretária de Assuntos Educacionais e Culturais do Sindicato dos Professores de Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP), secretária de Saúde da Confederação Nacionaldo Trabalhadores na Educação (CNTE) e dirigente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB-SP).

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Portal Vermelho



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