2 de Agosto de 2017 - 9h15

Duas Venezuelas

Jaime Sautchuk *

Já estive muitas vezes na Venezuela e posso dizer que conheço bem o país inteiro, mais o interior que a capital, Caracas. E posso dizer, de igual modo, que conheço duas Venezuelas – uma anterior, outra posterior à chegada de Hugo Chaves ao poder, em 1999, com a Revolução Bolivariana.


A diferença é brutal. A gente sente no dia a dia das pessoas, no comportamento de cada um, pois o povo mais humilde ganhou dignidade e tem orgulho de dizer que é cidadão. Mais do que isso, são pessoas que sabem as diferenças de classe, sabem muito bem o que separa os ricos pró-Estados Unidos e os pobres pró-Venezuela.

É um povo que não se verga com o bloqueio estadunidense e boicote das elites locais, que controlam os grandes veículos de comunicação social e têm o apoio da grande mídia reacionária de alguns outros países, como o Brasil. O resultado das eleições do último dia 30 é uma demonstração cabal disso que eu estou falando.

Mesmo enfrentando as barricadas e outras ações terroristas das milícias da oposição direitista, quase a metade da população adulta do país foi às urnas votar nas eleições da Assembleia Constituinte. Foram 8,5 milhões de pessoas, surpreendendo até os mais ferrenhos críticos do regime de Nicolás Maduro, que previam um comparecimento quatro vezes menor, quando muito. Foi um cala-boca exemplar.

O governo de Donald Trump, por sua vez, voltou a fazer ameaças de mais boicotes e ampliação do bloqueio econômico com que os Estados Unidos tentam sufocar os venezuelanos. Mas, em vão. Parar de comprar petróleo da Venezuela ele não vai, pois cairia nas mãos de países produtores do Oriente Médio e da Rússia, com a qual suas relações já estão azedadas.

E o governo golpista de Michel Temer e sua quadrilha também voltou a meter o bedelho nas questões internas do vizinho país, contrariando as mais rudimentares regras da diplomacia. Isso apenas demonstra que a direita brasileira se identifica estreitamente com seus comparsas venezuelanos, também golpistas.

No entanto, com novas reformas, o governo de Maduro espera tirar o país das dificuldades econômicas em que foi jogado e eu espero voltar lá, pra sentir o avanço da Revolução Bolivariana dessa nova Venezuela.

* Trabalhou nos principais órgãos da imprensa, Estado de SP, Globo, Folha de S.Paulo e Veja. E na imprensa de resistência, Opinião e Movimento. Atuou na BBC de Londres, dirigiu duas emissoras da RBS.

* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.


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