Brasil

23 de abril de 2012 - 10h23

Jovem é primeira transexual a presidir o CA de Letras da UFC


Antes de prestar vestibular para o Curso de Letras, o maior em número de alunos da universidade pública mais procurada do Brasil e maior instituição de ensino superior do Ceará, a Universidade Federal do Ceará (UFC), Silvia Cavalleire era conhecida por Emilio Araújo da Silva. A estudante do sétimo semestre relata que afirmação de sua sexualidade se deu ainda na escola básica, realizada no Colégio da Imaculada Conceição. “A escola foi essencial para a afirmação de minha sexualidade, pois me ensinou a conquistar o respeito das pessoas, com orientações vindas dos coordenadores e professores. Devo muito à minha escola”, lembra.

Foi a partir daí que Silvia passou a entender a sua orientação sexual e encontrou na mãe a segurança necessária para se reconhecer transexual. “Aos 18 anos, com o apoio da minha mãe, pude assumir o que eu era de fato e quando comecei a acompanhar o debate do movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBTs) passei a lutar pelas causas que acredito”. Silvia relata que foi este engajamento inicial que possibilitou que ela integrasse o movimento estudantil, associando-se a União da Juventude Socialista (UJS), o que acredita que tenha levado ela a se tornar a primeira transexual a presidir o Centro Acadêmico (CA) de Letras da UFC, o que considera uma conquista de toda a população LGBT.

O grupo liderado pela estudante passa a representar os mais de 1500 graduandos do Curso, sendo eleito por mais de 65% dos estudantes. Entre as principais pautas do novo CA, estão os debates estudantis, a infraestrutura dos prédios, a qualidade das salas de aulas, a contratação de professores e a segurança dos discentes e docentes, além de discussões de gênero, sexualidade, acessibilidade e política.

Silvia também atua no Movimento pela Livre Orientação Sexual (Movelos), que desenvolve ações de combate à homofobia e é formado por jovens homossexuais do Ceará.

Para a futura professora de língua portuguesa, mais pessoas devem ser estimuladas a expressar a livre orientação sexual e afirma ser este um dos objetivos da gestão que inicia.

De Fortaleza,
Rafael Mesquita


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