Postado Tagged ‘questão nacional’
Desafiar o consenso que “sequestra” a questão democrática
“Um estado e um governo que se proponham expandir o seu poder internacional, inevitavelmente terão que questionar e lutar contra a distribuição prévia do poder, dentro do próprio sistema”. Essa é uma das afirmações do artigo de J.L.Fiori, em Carta Maior, acerca de uma política externa progressista. Não deixe de ler. http://goo.gl/gkad.
Bem a propósito de algo que vai ser cada vez mais central na disputa política com os conservadores. Hoje a FSP em editorial “explica” a “incoerência” da política externa de Lula. Para ela, o Brasil “excede-se na defesa do que decide ser melhor para a democracia em Honduras, mas propugna a volta de Cuba – uma óbvia ditadura – à OEA ; omite-se diante do autoritarismo de Chávez e flerta com o Irã”.
Condena-se em nome da questão democrática um “apoio” de Lula a Ahmadinejad quando Lula apenas manifestou posição soberana do governo brasileiro nas relações com o Irã, defendendo também a soberania do Irã em decidir seu destino. A questão democrática, tal como posta, é tarefa dos próprios iranianos. O Brasil não está aí para ser massa de manobra do seqüestro da “questão democrática” em função dos interesses imperialistas que afetam a soberania nacional. A mais recente ocorrência desse tipo levou à ocupação militar do Iraque pelos EUA, em nome da democracia, contra as armas de destruição em massa que não existiam.
Pelo mesmo caminho, Lula condenou até o fim o golpe em Honduras, ou seja, pelo mesmo princípio que invoca para levar Cuba de volta à OEA. Quanto a Lula versus Chávez, nem sequer a CIA considera um pupilo de outro, ou submisso ao outro, ou omisso; isso é apenas uma prova de reacionarismo sem fim da FSP et alli.
Por isso, Fiori tem razão quando afirma: “Não é possível conceber uma política externa progressista e inovadora que não questione e enfrente os consensos éticos e estratégicos das potências que controlam o núcleo central do poder mundial”. Um desses consensos é o da questão democrática, em nome da qual se ocupou militarmente o Iraque. O Brasil não está aí para ser massa de manobra do seqüestro da “questão democrática” em função dos interesses imperialistas que afetam a soberania nacional. O que é de se desafiar é o consenso conservador contra a soberania, autodeterminação e afirmação das nações, de caráter imperialista e submisso aos interesses dos EUA. A guerra fria já acabou, o mundo está em mutação. Quanto à questão democrática entre nós, a esquerda brasileira está bem servida; o problema esteve sempre à direita, que não hesitaram em torpedeá-la ao longo do século 20.
Tags: América Latina, política externa, questão nacional
A questão nacional é o vetor de hegemonia para repor a identidade comunista
Sérgio Danilo Miranda Rocha é licenciado em História pela UFMG. Integra o departamento de socialismo da Escola Nacional do PCdoB. Tem 33 anos, é natural do norte de Minas e coordenador da seção Minas Gerais da Fundação Mauricio Grabois. No fundamental, um leitor de Gramsci e Althusser – uma mistura interessante entre historicismo e determinismo. Leia mais »
Tags: Gramsci, marxismo, questão nacional
A disputa pela hegemonia não está somente no plano econômico

Ana Prestes é neta de Luiz Carlos Prestes, legendário líder de massas e dos comunistas brasileiros. Teve grande formação política desde a juventude e se dedica à atividade intelectual acadêmica, mas com forte acento de práxis política. Milita no PCdoB e está indicada a membro do Comitê Central neste 12º Congresso, em novembro. Jovem, mãe e ativista internacionalista – teve grande participações no Fórum Social Mundial, ela nos concedeu esta entrevista. Leia mais »
Tags: Gramsci, marxismo, questão nacional
A questão nacional e os germes de novo protagonismo marxista

Ronaldo Carmona, 35 anos, é graduado em ciências sociais e mestrando em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP), onde desenvolve pesquisa na área de Geopolítica e pensamento estratégico. Foi dirigente nacional da União da Juventude Socialista (UJS) por quase uma década e é militante do PCdoB há cerca de duas décadas. Atualmente desenvolve tarefas junto à Comissão de Relações Internacionais do Partido e é Diretor de Estudos e Pesquisas do Cebrapaz. É autor do livreto “Transição ao socialismo e questão nacional na África do Sul, Índia e Rússia” (Editora Anita Garibaldi, 2009) e de mais de uma dezena de artigos na Revista Princípios, a maior parte deles sobre a América Latina. Leia mais »
Tags: geopolítica internacional, marxismo, questão nacional
Resgatar o Gramsci político
Júlio Vellozo tem 33 anos. É um jovem comunista, mas muito experiente e ativo em todos os terrenos. Foi eleito membro do Comitê Central em 2005. Atualmente, junto com as atividades partidárias, prepara um projeto de pós-graduação, no Instituto de Estudos Brasileiros da USP, sobre o diplomata e historiador pernambucano Oliveira Lima (1867-1928).
Tags: Gramsci, questão nacional, socialismo