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Postado Tagged ‘política externa’

Brasil: vocação natural e vontade de potência

Em CARTA MAIOR o estudioso José Luis Fiori aponta: “O Brasil já se mobilizou internamente e estabeleceu nexos, dependências e expectativas internacionais muito extensas, num jogo de poder que näo admite recuos. Neste altura, qualquer retrocesso terá um custo muito alto para a história brasileira”.

http://bit.ly/cPm06t

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Desafiar o consenso que “sequestra” a questão democrática

“Um estado e um governo que se proponham expandir o seu poder internacional, inevitavelmente terão que questionar e lutar contra a distribuição prévia do poder, dentro do próprio sistema”. Essa é uma das afirmações do artigo de J.L.Fiori, em Carta Maior, acerca de uma política externa progressista. Não deixe de ler. http://goo.gl/gkad.

Bem a propósito de algo que vai ser cada vez mais central na disputa política com os conservadores. Hoje a FSP em editorial “explica” a “incoerência” da política externa de Lula. Para ela, o Brasil “excede-se na defesa do que decide ser melhor para a democracia em Honduras, mas propugna a volta de Cuba – uma óbvia ditadura – à OEA ; omite-se diante do autoritarismo de Chávez e flerta com o Irã”.

Condena-se em nome da questão democrática um “apoio” de Lula a Ahmadinejad quando Lula apenas manifestou posição soberana do governo brasileiro nas relações com o Irã, defendendo também a soberania do Irã em decidir seu destino. A questão democrática, tal como posta, é tarefa dos próprios iranianos. O Brasil não está aí para ser massa de manobra do seqüestro da “questão democrática” em função dos interesses imperialistas que afetam a soberania nacional. A mais recente ocorrência desse tipo levou à ocupação militar do Iraque pelos EUA, em nome da democracia, contra as armas de destruição em massa que não existiam.

Pelo mesmo caminho, Lula condenou até o fim o golpe em Honduras, ou seja, pelo mesmo princípio que invoca para levar Cuba de volta à OEA. Quanto a Lula versus Chávez, nem sequer a CIA considera um pupilo de outro, ou submisso ao outro, ou omisso; isso é apenas uma prova de reacionarismo sem fim da FSP et alli.

Por isso, Fiori tem razão quando afirma: “Não é possível conceber uma política externa progressista e inovadora que não questione e enfrente os consensos éticos e estratégicos das potências que controlam o núcleo central do poder mundial”. Um desses consensos é o da questão democrática, em nome da qual se ocupou militarmente o Iraque. O Brasil não está aí para ser massa de manobra do seqüestro da “questão democrática” em função dos interesses imperialistas que afetam a soberania nacional. O que é de se desafiar é o consenso conservador contra a soberania, autodeterminação e afirmação das nações, de caráter imperialista e submisso aos interesses dos EUA. A guerra fria já acabou, o mundo está em mutação. Quanto à questão democrática entre nós, a esquerda brasileira está bem servida; o problema esteve sempre à direita, que não hesitaram em torpedeá-la ao longo do século 20.

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O Brasil “tem lado” na cena internacional

Eliane Cantanhede, na FSP, afirma que o Brasil nada ganhou em Honduras.

 Enviei a ela o seguinte comentário:

“Acho importante o realismo político contido em seu comentário de hoje na FSP, sobretudo em se tratando de relações internacionais. Mas penso que está em tom forçado. O Brasil, no caso Honduras, firmou uma posição indeclinável, que foi a de condenação ao golpe. Essa moda não pode pegar, nem aqui nem alhures. Ademais, isso deixou à mostra o esforço dos EUA em manter América Central em sua área exclusiva de influência e contrapor-se, sem muita maquiagem, ao papel que busca ser representado pelo Brasil, até mesmo coonestando indiretamente o golpe.

Portanto, ganhou-se alguma coisa sim, que vai ser útil no futuro imediato para o reconhecimento do papel do Brasil. Os gestos, em política, têm muito significado”.

Acrescento: um dos temas mais de fundo da disputa eleitoral de outubro será o lugar do Brasil no mundo e o que fazer para chegar lá. No campo Lula temos um legado muito – mas muito mesmo – significativo nesse terreno. Penso não obstante que não devamos abandonar a arma da crítica, porque ainda não se instituiu plenamente a defesa dos interesses do país, notadamente na esfera financeira (o câmbio está aí como exemplo para comprometer os destinos do país).

Mas, o Brasil passou a ter “lado” na cena internacional e decididamente não é mais o lado submisso, de uma inserção subordinada aos interesses do dito mundo ocidental, sob a batuta norte-americana. Será bom combater a visão dos representantes da direita no país acerca desse ponto.

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Obama não disse a que veio

Obama completará seu primeiro ano de mandato sem grandes realizações e frustrando muito do sentimento mudancista que empalmou na campanha.
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Ahmadinejad – a quem interessa isolá-lo?

Estava de férias durante a visita de Ahmadinejad, mas acompanhei com atenção a entrevista de Gianni Vattimo, filósofo italiano radical, no Aliás-Estadão de 29 de novembro.

Ele enfrentou a onda. “A quem interessa isolar Ahmadinejad?”. “[É] excessivamente norte-americano dizer ‘você não deve receber Aghmadinejad’”. “[O Brasil pode contribuir para a paz no Oriente Médio] fazendo contraponto aos EUA”. “É melhor levá-lo a sério do que isolá-lo porque as razões pelas quais o isolam [a acusação de fraude eleitoral ou o desejo de possuir a bomba atômica] são pouco razoáveis”.

Falou e disse muito mais. Mesmo com atraso, vale o registro do blog.

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