Mais blogs
HORAMENSAGEM

Arquivo para 04/11/2009

Belluzzo e Conceição: um ensaio brilhante

Devo a Sérgio Barroso, estudioso incansável do tema, a bem-vinda sugestão de um ensaio pouco conhecido, de L.G.Belluzzo e Maria Conceição Tavares. Deixemos que o próprio Barroso apresente sua importância.

“O repugnante ‘cosmopolitismo de cócoras’, reinante na era FHC, jamais desfilou incólume ou impune ante a Escola de Campinas. A principalidade de um acervo crítico rigoroso e implacável fincou na história. Poderosos combates.

A denominação ao Instituto de Economia da Unicamp remete especialmente às formulações de João Manuel Cardoso de Mello, Luiz Gonzaga Belluzzo, Maria da Conceição Tavares e Wilson Cano. Todos economistas histórico-estruturalistas, desbravadores duma economia política crítica, progressista. Ademais das interpretações apaixonadas pela reinvenção do Brasil, pressupondo Celso Furtado por sobre Caio Prado e Gilberto Freyre, notadamente. E seguramente nucleadas por certas (e novas) sínteses de Marx, J. Schumpeter, J. Keynes e M. Kalecki.

Brota disso tudo, também, o pioneirismo do ensaio “Capital financeiro e empresa multinacionalâ€, de Belluzzo e Conceição, escrito em 1980. Brilhante, contemporâneo e instrutivo, o texto desvela a gênese e a assunção do capital financeiro; do capital em suas formas fluidas e fixas, espelho das figuras hegelianas em “transeâ€. Capital financeiro a se impor em fúria sobre todas as outras formas pretéritas (Lênin). O que se agiganta pela sua autonomização, tanto como portador de juros (D-D’) quanto como fictício (títulos públicos, ações etc.). Autonomização já então assegurada estruturalmente com a criação do moderno sistema de crédito.

Publicado agora em ‘Antecedentes da tormenta. Origem da crise global’ (Edições FACAMP, 2009), o ensaio de Belluzzo e Conceição auto-explica a condição de dois intelectuais – e patriotas – excepcionais.

Confira, imprima e estude. Tem 11 páginas, e vale a pena.

Sérgio Barroso

Leia mais »

Tags: , ,

2010 será a eleição das mulheres

Ana Lúcia Cruz escreveu-me, dizendo:

Seus textos fluem como uma conversa sobre o Brasil. São um convite à reflexão e ao posicionamento.

Hoje é preciso pensar o Brasil, não mais como um país detentor de riquezas estratégicas para se impor como potência neste século, mas sobretudo como uma nação formada por um povo inteligente e capaz de conduzir seu país e tomar conta do que é seu.

Sem dúvida vivemos o momento histórico em que mais se percebe isso, não por termos um presidente operário, mas porque este governo representa o acúmulo de conquistas do povo brasileiro.
E você sabe , a burguesia, odiosa que é deste governo, já está aí a dizer, com o acesso fácil que tem à mídia, que o Lula já teve a sua vez e agora é preciso alternância para garantir  a democracia no país, como se a democracia fosse coisa de um homem só.

O que está em jogo é um novo projeto de desenvolvimento nacional, que as eleições do ano que vem , a depender da vitória das forças políticas mais avançadas ,podem garantir.

E é por isso este comentário sobre os teus textos: gostaria de ler em seu blog uma “conversa” profunda sobre as eleições de 2010, porque hoje pensar o Brasil é pensar as  eleições de 2010. Mas não apenas do ponto de vista das tarefas partidárias, mas sobre a importância da participação de todos os brasileiros.

A vida democrática no Brasil tem sido construídas ao longo de eleições decisivas. O menor avanço de forças progressistas no resultado das eleições já resulta em  avanços significativos na vida dos brasileiros e no projeto democrático.

De minha parte já me posiciono dizer que as eleições de 2010 serão as eleições das mulheres. Somente a conquista do voto em 1932 poderá se comparada à participação das mulheres em 2010. O que você acha?

Obrigado, Ana, as páginas do blog estão abertas para esse debate. Dois comentário: iniciei uma série 2010. Particularmente, sobre o embate programático que se anuncia. Vou continuar tratando do assunto. De fato, a participação de todos os brasileiros será inédita, porque votarão com a experiência adquirida nestes 8 anos. E também julgo que uma grande questão será a participação das mulheres, aliás torço por isso. O Brasil merece, as mulheres merecem. Vamos vencer. Um abração.

Tributo a duas mulheres

Tempos relativamente pacíficos de luta política produzem trajetórias individuais nem sempre bem aquilatadas. Em tempos de perseguição política, luta armada ou grandes confrontos, o heroísmo de uma geração política sobressai mais.

Mas é uma ilusão. Cada tempo produz suas próprias marcas, e a identidade comunista, a coerência de vida, o irredentismo estão lá, apenas de um modo diferente, segue sendo confronto, apenas com outros contextos.

Leia mais »

Imagem3