Muita coisa está em transformação no mundo da comunicação. O surgimento de novos instrumentos e de novas ferramentas tecnológicas, ao lado do crescimento da luta dos povos por mais democracia e mais direitos, está colocando em xeque o modelo de comunicação que foi hegemônico no século XX. Isso tem tornado os velhos barões da mídia mais ofensivos na defesa do seu poder e do seu modelo de negócios.
Aos poucos, o ingresso de novas mídias tem corroído a audiência dos veículos tradicionais. É o que mostra a reportagem da Ilustrada deste domingo (28). As TV´s por assinatura, as emissoras públicas e outras mídias como o DVD e os videogames têm disputado com as emissoras de TV aberta a audiência da sociedade. Segundo dados do Ibope obtidos pela Folha, em 2005, os DVDs e games respondiam por 1,6 pontos nas medições do instituto. Já, em 2009, saltou para 3,6 pontos, o que equivale a 1,92 milhão de domicílios.“É mais do que obtiveram a Band (3,4) e Rede TV (2,1) e mais da metade do SBT (6,3), a terceira maior em 2009”.
Enquanto os novos ganharam, as cinco maiores redes juntas perderam 4,3 pontos de audiência. Isoladamente, esses números podem parecer pequenos, mas se vistos como tendência são devastadores e explicam a reação virulenta a toda e qualquer iniciativa de empreender mudanças que reforcem o caráter público da radiodifusão ou que despertem o Estado para a importância de desenvolver políticas públicas de comunicação.
O diretor executivo do Ibope avalia que essas mudanças são “características de uma sociedade que busca novidades”. E buscar novidade é buscar diversidade e pluralidade. Daí o crescimento de iniciativas não-comerciais, como as emissoras públicas.
Por isso, investir no fortalecimento da rede pública, do sistema que compreende a TV Brasil e as emissoras estaduais é parte indispensável da luta pela democratização da comunicação e para alterar o cenário monopolizado da radiodifusão brasileira. Essa foi uma das pautas da Confecom e que precisa de desdobramentos para avançar.
A tática de despertar o pânico fazendo ilações sobre supostas tentativas de cerceamento da democracia tem sido frequentemente utilizada pela oposição conservadora no país. E isso, não é de hoje.
Em 1989, ano que marca a primeira disputa presidencial após o regime militar, me lembro bem de ouvir as pessoas dizendo que se o Lula ganhasse as eleições, ele iria desapropriar todas as propriedades, as pessoas teriam que sair de suas casas, dividi-las com outras famílias e toda a sorte de bobagens que se pode imaginar.
Eu tenho medo
Em 2003, diante da inevitável derrota tucana nas eleições presidenciais, foi a vez do apelo emocional ao medo, protagonizado por ninguém menos do que a atriz namoradinha do Brasil, Regina Duarte. Em tom solene, ela ocupou o horário eleitoral para dizer que tinha medo do que poderia acontecer com o Brasil caso Lula ganhasse as eleições.
A tática do medo, que está sendo usada no momento, ressuscita o fantasma da censura e é uma ofensiva dos conglomerados de mídia e da oposição conservadora contra a crescente demanda por mais participação da sociedade nas políticas de comunicação.
O mantra da censura
O que faz a mídia hegemônica é repetir, tantas vezes quantas necessárias, o mantra de que o controle social sobre os meios de comunicação é censura. Bateram tantas e tantas vezes na tecla de que censura e controle são a mesma coisa que, inclusive setores que defendem mecanismos de participação da sociedade sobre os meios de comunicação já estão questionando se esta deve ser ou não uma bandeira a ser desfraldada.
Se setores da sociedade se mobilizam para definir critérios para exibição de conteúdos de acordo com horário e faixa etária – a classificação indicativa – os veículos tacham: é censura. Se há iniciativas que criam regras para a publicidade de medicamentos, bebidas ou para propagandas voltadas ao público infantil, os veículos tacham: é censura. Se segmentos organizados definem parâmetros para que se respeitem os direitos humanos nas atividades de comunicação e entretenimento, os veículos tacham: é censura.
Liberdade de empresa
As empresas de comunicação – a economia da informação e do entretenimento, que é um negócio para lá de lucrativo – não viraram os guardiões da liberdade de expressão. Pelo contrário, não estão fazendo nada além do que defender a liberdade de empresa – deles.
Senão, veríamos nas emissoras de televisão, por exemplo, reportagens nos quais os movimentos sociais não são arruaceiros e criminosos, haveria espaço na cobertura jornalística para o exercício do contraditório, a produção independente e regional teria abrigo nos canais de televisão.
Esses veículos temem – por isso usam a tática do medo – que seu modelo de negócios seja ameaçado. E, como estão cada vez mais assumindo para si o papel de partido político da elite conservadora no país, atuando ostensivamente no jogo político para derrotar o atual governo e os setores progressistas da sociedade, rechaçam todo o tipo de discussão e iniciativa que possa inviabilizar que esse papel ideológico seja cumprido.
O engodo do controle remoto
Na sociedade que consagrou o indivíduo como o centro de todas as coisas, a neoliberal, a alternativa oferecida pelos veículos de comunicação aos que estão descontentes com o conteúdo do que está sendo oferecido é o livre-arbítrio: não gostou, não leia, não assista, não ouça.
As empresas de comunicação se eximem da responsabilidade do que é produzido e veiculado e a repassa para o leitor, o telespectador. Vejam, afinal, para que serve o controle remoto? Vou responder: serve para dar ao telespectador a sensação de que ele detém o poder sobre a programação. Nada mais.
Se uma emissora de televisão aberta é uma concessão pública, o pressuposto de – não gosta não assiste – está com o sinal trocado. Afinal, ao receber a outorga para explorar um canal de televisão, aquela empresa deveria respeitar os preceitos constitucionais, a dignidade humana, os interesses da sociedade.
Comunicação é ouvir, não só falar
Ah!, alguém pode dizer: “mas a sociedade tem interesse no Big Brother Brasil, ou na Fazenda ou em programas que imbecilizam e humilham as pessoas e degradam as relações humanas”. Será? Então porque a audiência de mini-séries tem batido sucessivos recordes enquanto estes programas tipo reality shows têm visto seus seguidores despencar?
É verdade que estes programas têm um público, seja pelo apelo destes ou pela falta de opção. Mas isso justifica a sua exibição? Formar audiências para conteúdos de qualidade também é uma função desses meios. Podem ter certeza que, se anunciado o final destes programas não haverá uma manifestação em frente às emissoras em protesto.
Criar uma confusão entre o que é censura e controle é de interesse dos meios de comunicação. A sociedade tem sim o direito de opinar sobre o conteúdo de uma programação, de expor seu ponto de vista e isso não significa cerceamento nenhum à liberdade de expressão.
E, a noção deste direito, está se ampliando. Por isso a ofensiva e a tentativa de imputar à sociedade o rótulo de censores.
Em tempo:
Por ocasião da apresentação do PL (6446/09) que proíbe as emissoras de rádio e televisão de exibirem situações humilhantes e degradantes em reality shows, o site da Câmara dos Deputados colocou uma enquete para saber a opinião dos internautas.
Quando eu votei, a favor do projeto, o resultado da aferição estava apertada – 51% a favor do projeto e 49% contra.
O deputado Nelson Goetten (PR-SC) acha que não. Por isso, elaborou um projeto de lei para proibir as emissoras de rádio e televisão a veicularem cenas que atentem contra a dignidade humana.
É incrível como a busca por alguns instantes de fama tenha se tornado uma obsessão para tantas pessoas. Ser uma celebridade é o desejo de consumo mais cultivado, independente da posição econômica. Mais incrível ainda, é o que as pessoas estão dispostas a fazer e passar para ter seus minutos de fama e por uma recompensa econômica.
Os reality shows estão ai para provar isso. Uma baixaria cada vez mais apelativa que vai descambando para situações bizarras e humilhantes. O pior, é que no vasto mundo da futilidade que está disponível nos meios de comunicação, a disputa por um lugar no rol dos famosos é totalmente sem regras.
Como estancar a baixaria?
Esperar que as emissoras, num lampejo de civilidade, percebam que é preciso colocar um freio nessa situação e acabar com essa baixaria por consciência e convicção seria no mínimo ingenuidade.
Por isso é tão necessário que existam mecanismos públicos para impedir que se permita humilhar uma pessoa em cadeia nacional, mesmo com o seu consentimento. Tais mecanismos, por exemplo, estavam presentes no 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, bombardeado como o mais famigerado inimigo pelo eixo da mídia.
A iniciativa do deputado Nelson Goetten se soma a essa preocupação. O Projeto de Lei 6446/09, que tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados, proíbe as emissoras de rádio e televisão, inclusive as TVs por assinatura, de exibir situações e cenas que atentem contra a dignidade humana em reality shows. A emissora ou operadora que descumprir a medida será punida com base na Lei 4.117/62, que trata da radiodifusão, e poderá pagar multa de até R$ 50 mil por infração cometida.
O deputado afirmou que é uma tarefa da Câmara proibir a espetacularização da desgraça alheia nos meios de comunicação. Para ele, os reality shows extrapolam todos os padrões socialmente aceitáveis. “Vale tudo em nome da fama. Certos tipos de prova, como comer olho de cabra cru, não são raras. Outros tipos de perigo, como a proximidade a fios elétricos e a superação de obstáculos que levam à exaustão, também são recorrentes, em troca de recompensas financeiras”, afirma.
Vale tudo em nome da liberdade de expressão?
Se as emissoras de televisão tivessem um pingo de compromisso com a qualidade dos programas que são veiculados, com o respeito à audiência e com a observância, sim, dos direitos humanos, riscariam solenemente estes produtos de suas programações.
Engana-se quem acredita que as emissoras de televisão podem tudo em nome da liberdade de expressão. E isto, está explícito na Constituição Federal, em seu artigo 221. “A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
Será que alguém pode me dizer em qual dos itens acima se encaixam esses programas tipo reality show?
Quando eu era criança, algumas travessuras cometidas foram provocadas pelo ímpeto da descoberta, da curiosidade, do teste dos limites entre o certo e o errado. Lembro do dia que fui espiar, pelo buraco da fechadura, o que acontecia no quarto da minha mãe. Tomei uma bronca inesquecível e aprendi que a privacidade das pessoas tem que ser respeitada, que não se deve ficar espiando e nem escutando atrás das portas a conversa alheia.
Mas o surgimento dos realities shows colocou esses ensinamentos por água abaixo. Como ensinar às crianças de hoje que é errado ficar à espreita espiando e ouvindo quando fazemos isso coletivamente, pela TV e internet?
Espie à vontade, é o bordão do Big Brother Brasil que começa nesta terça a sua 10ª Edição. Não importa que nos últimos anos a casa de confinamento tenha perdido pontos de audiência, o que vale é a manutenção de patrocínios e um exército de pessoas que não vê problema algum em espiar e, pior ainda, julgar a atitude das pessoas transformadas em competidores.
Espiamos as pessoas 24 horas por dia pela internet, ou pelos canais pay-per-view e vemos tudo (a hora do banho, de dormir, almoço, jantar, café da manhã, piscina e tudo mais que se possa fazer entre quatro paredes).
As emissoras de televisão tratam esses programas como entretenimento, mas não se preocupam com os seus impactos na construção da identidade social e cultural das crianças e adolescentes, que são bombardeados pelas situações provocadas nos BBB´s da vida.
E, porque não, dos adultos também. Afinal, patrulhar a vida alheia passa a ser prática chancelada pela TV, bem como as condutas estimuladas pelos participantes desses realities shows onde vale tudo para ganhar um prêmio. Que ótimo entretenimento não?
Numa sociedade de consumo, não é de se espantar que a mídia de massa tenha como uma de suas atividades centrais a venda. Vende-se de tudo, ideias, valores, comportamentos… Vende-se também, é claro, mercadorias. Das pequenas às grandes, das necessárias às completamente desnecessárias, ou aquelas que não têm utilidade nenhuma, mas tornaram-se indispensáveis para manter o status.
A televisão é um veículo privilegiado para vendas. Som, imagem e sedução se unem para hipnotizar a audiência. Aliás, há uma personagem emblemática que mostra o domínio do merchandising sobre as pessoas. É a sra. Van Cleeve do filme Bancando a ama-seca de Jerry Lewis (1958).
A propaganda de produtos ocorre nos intervalos comerciais, nos programas de auditório, na transmissão de eventos, nas novelas. Ou seja, misturada à programação jornalística, de entretenimento, dramaturgia etc.
Mais, mais, mais
De um tempo para cá, este espaço parece ter ficado pequeno. Então, as emissoras de televisão passaram a sublocar horários cada vez maiores para programas exclusivamente de vendas. Shoptour, Polishop, Giga Shopping, Mix TV etc.
Bem, isso parece também não ter sido suficiente, então, há canais da TV aberta que são 100% voltadas para venda. São canais que vendem jóias, tapetes persas, eletrodomésticos, imóveis, móveis, roupas, computadores, uma lista interminável de produtos.
Vendendo fé e milagres
Ah! e o que dizer das diversas igrejas que alugam espaço na televisão para pregar a palavra de Deus… Este talvez seja o caso mais grave de sublocação. A única diferença, para os anteriores, é que o produto vendido é imaterial, ou seja, vende-se fé, um pedacinho do céu, milagres…
Fora da lei
O que muita gente não sabe é que tudo isso acontece dentro da mais descarada irregularidade. Segundo a Constituição Federal, em seu artigo 221, “a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios: 1 – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”. Além disso, segundo a lei de 1962, a publicidade comercial pode ocupar até no máximo 25% da grade de programação.
Afora isso, o próprio ato de alugar horários para terceiros em emissoras de televisão também é irregular. As outorgas de rádio e TV são uma concessão pública, que é dada pelo Estado, ou seja, cabe ao poder público definir quem será o ente privado a explorar o serviço de radiodifusão. Ao locarem seus horários, as emissoras estão cumprindo um papel que não lhes cabe.
Direito ou privilégio?
Até recentemente, apenas os movimentos que lutam pela democratização das comunicações abordavam esse assunto. A realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação e a ampliação do debate sobre o tema, já está mostrando frutos. A questão da sublocação de horários tem ganhado espaço na mídia – recentemente uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo, denunciou que “Rede TV!, Record, Gazeta e Band ocupam entre 23% e 30% da grade semanal com programas religiosos. E a Rede 21, do grupo Bandeirantes, tem só 30 minutos diários de programação própria, o restante tomado pela Igreja Mundial do Poder de Deus”.
Enquanto o poder público não acaba com essa algazarra, os concessionários de televisão vão engordando seus cofres com o aluguel da programação. Já os movimentos sociais, os produtores independentes e a produção local permanecem excluídos do direito à comunicação. Direito de todos que hoje é privilégio apenas para alguns poucos.
Estou em Salvador a trabalho. Cobertura de eventos são altamente danosas para jornalistas: ficamos um tanto distantes dos acontecimentos externos. Pela manhã, por volta das 8hs, recebo a ligação de um grande amigo, o jornalista Fernando Henrique Borgonovi. Ele perguntava se eu estava ligada na TV. Disse que não. Ele então me contou que a Record estava ‘detonando’ a Globo, como resposta da cobertura da emissora dos Marinho sobre Edir Macedo.
Abaixo, reproduzo artigo assinado por Borgonovi sobre o duelo das emissoras.
Globo X Record: nessa baixaria os dois lados “têm razão”
As escaramuças entre a Rede Globo e a TV Record produziram um acontecimento, no mínimo, inusitado: uma baixaria em que os dois lados, no afã de jogar a sujeira do outro no ventilador, têm rompantes de sinceridade. Nos veículos das Organizações Globo, seguidos por outros como a Folha de S. Paulo, espocaram manchetes nos últimos dias sobre processos contra o bispo Edir Macedo, dono da Record, e sobre a ligação desta com a Igreja Universal e prováveis vinculação do dinheiro dos fiéis com o império de comunicação.
O Jornal Nacional desta quarta-feira emendou de primeira. Nas palavras de Fátima Bernardes, “Edir Macedo deu outro destino ao dinheiro doado à Igreja Universal”, ao que segue a matéria que busca provar, através de imagens da pregação feita em cultos, que a “religião é apenas um pretexto para arrecadação de dinheiro”. De fato, é difícil não considerar a hipótese de haver ligação entre uma coisa e outra e, mais ainda, desconhecer que igrejas podem, eventualmente, fazer o diabo para arrancar dinheiro dos seguidores.
A Record contra-ataca e descasca a Globo Mas o cúmulo da verdade veio no contragolpe da Record. O jornal desta manhã de quinta foi, sem rodeios, na jugular. Falou que a Globo é cria da ditadura militar, regime que apoiou entusiasticamente. “A história não apaga. A Globo nasceu de uma ação ilícita de um governo ditatorial”, em referência a acordo com grupo norte-americano que injetou milhões de dólares na televisão, mesmo sendo ilegal a participação estrangeira em veículos de comunicação.
Discorreu ainda sobre as interferências da emissora dos Marinho na política nacional, como no escândalo Globo/Proconsult contra a candidatura de Leonel Brizola a governador do Rio de Janeiro, em 1982; a célebre edição do debate entre Collor e Lula nas eleições de 1989, lance decisivo para a vitória collorida; o boicote à cobertura das Diretas, as imagens do dinheiro do tal dossiê nas eleições de 2006….
Foi tudo, digamos, fantástico, espetacular, irretocável! Nunca houve caso de tamanha transparência, de tal sinceridade.
Racha empresarial O “dedo no olho” público entre as duas emissoras de maior audiência do país é o retrato da divisão dos empresários da área, fratura que é vista também nas posições relativas à Conferência Nacional de Comunicação convocada pelo governo.
A disputa por maiores fatias do mercado tem provocado tais contradições, que devem ser exploradas habilmente por movimentos que lutam pela democratização dos meios de comunicação.
De imediato, uma coisa salta aos olhos: pelo menos na hora de falar mal, os dois lados acabam desintocando as verdades. Ótimo negócio para o respeitável público.
Fernando Borgonovi é jornalista e diretor de comunicação da UJS artigo publicado no site da UJS
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