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O mundo, a arte e Jabor “em criseâ€

Reproduzo o artigo do documentarista Vandré Fernandes sobre o armargurado comentarista global Arnaldo Jabor.

O mundo, a arte e Jabor “em crise”

Parafraseando o título do livro “O mundo, o homem e a arte em crise†do intelectual de esquerda Mário Pedrosa, trotskista e fundador do PT, acho oportuno levantar considerações sobre as últimas frases e comentários do jornalista e cineasta Arnaldo Jabor, que vem soltando o verbo contra a esquerda e o governo Lula, utilizando a mídia para defecar palavras retrógradas e se posar de Robin Hood dos ricos.

É sabido por todos que Jabor iniciou sua peregrinação no CPC da UNE, depois passou a fazer parte da escola Cinema Novo e realizou o bom filme-documental Opinião Pública. Sempre contestador, ele fez excelentes filmes como Pindorama, Toda nudez será castigada, Eu sei que vou te amar, entre outros. Aos poucos, Arnaldo Jabor foi migrando sua trajetória, inicialmente de esquerda – a qual nega, dizendo que eram apenas coisas um jovem romântico – e vai se convertendo à direita, passando a endeusar os setores conservadores do país.

Recentemente, Jabor vem aproveitando seu espaço na TV Globo, na Folha de São de Paulo, na rádio CBN e em outros meios de comunicação para dizer do “medo†de eleger Dilma para a Presidência da República. O que estaria por trás deste medo? E por que Lula fez um governo consequente e Dilma não fará?

Na verdade, o medo de Jabor é o mesmo medo de Regina Duarte nas eleições de 2002. Medo de ver um país com mais distribuição de renda, mais inclusão social, com mais autoestima de ser brasileiro. Jabor acha que com Dilma na presidência o monopólio da mídia será quebrado, e ele teria dificuldade arrotar suas agruras na mídia. Talvez esteja com medo de que utilizem os mesmos meios para desqualificá-lo por suas condutas esquizofrênicas, por ser porta-voz de uma elite que vê ruir seus sonhos do american way of life.

Jabor esteve presente no 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado em um luxuoso hotel de São Paulo pelo Instituto Millenium, que reuniu algumas dezenas de pessoas para discutir o tema pelo valor de R$ 500,00. Jabor discursou como se discursava na época da guerra fria, como se a ameaça comunista estivesse à beira de deflagar no país, ou seja, ele parou num tempo distante. Atacou os comunistas, a Dilma e convidou a todos para impedir que a pré-candidata petista chegue à presidência.

Talvez Jabor não perceba os avanços obtidos no país na era Lula, e faz o jogo de depositar as conquistas alcançadas no último período ao governo de FHC, o que é uma dissimulação para não creditar os avanços do governo de Lula e de sua base aliada que conta, inclusive, com comunistas no senado e na Câmara Federal.

O mundo mudou e avança para o futuro, o Brasil cresce e pode ser em breve a quinta economia do mundo. Cada dia mais pessoas no país deixam a linha da pobreza e ingressam na classe média. Jabor pode ter medo disso tudo. Mas o povo não. A última pesquisa eleitoral indica que o caminho a ser seguido é o mesmo iniciado em 2002.

Portanto, Jabor fala na TV, fala no rádio, escreve no jornal, mas não escuta o povo. E se de um lado temos um grande cineasta, do outro temos apenas um homem, um homem em crise.

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Migração de audiência é alerta para monopólio

Muita coisa está em transformação no mundo da comunicação. O surgimento de novos instrumentos e de novas ferramentas tecnológicas, ao lado do crescimento da luta dos povos por mais democracia e mais direitos, está colocando em xeque o modelo de comunicação que foi hegemônico no século XX. Isso tem tornado os velhos barões da mídia mais ofensivos na defesa do seu poder e do seu modelo de negócios.

Aos poucos, o ingresso de novas mídias tem corroído a audiência dos veículos tradicionais. É o que mostra a reportagem da Ilustrada deste domingo (28). As TV´s por assinatura, as emissoras públicas e outras mídias como o DVD e os videogames têm disputado com as emissoras de TV aberta a audiência da sociedade. Segundo dados do Ibope obtidos pela Folha, em 2005, os DVDs e games respondiam por 1,6 pontos nas medições do instituto. Já, em 2009, saltou para 3,6 pontos, o que equivale a 1,92 milhão de domicílios.“É mais do que obtiveram a Band (3,4) e Rede TV (2,1) e mais da metade do SBT (6,3), a terceira maior em 2009â€.

Enquanto os novos ganharam, as cinco maiores redes juntas perderam 4,3 pontos de audiência. Isoladamente, esses números podem parecer pequenos, mas se vistos como tendência são devastadores e explicam a reação virulenta a toda e qualquer iniciativa de empreender mudanças que reforcem o caráter público da radiodifusão ou que despertem o Estado para a importância de desenvolver políticas públicas de comunicação.

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O diretor executivo do Ibope avalia que essas mudanças são “características de uma sociedade que busca novidadesâ€. E buscar novidade é buscar diversidade e pluralidade. Daí o crescimento de iniciativas não-comerciais, como as emissoras públicas.

Por isso, investir no fortalecimento da rede pública, do sistema que compreende a TV Brasil e as emissoras estaduais é parte indispensável da luta pela democratização da comunicação e para alterar o cenário monopolizado da radiodifusão brasileira. Essa foi uma das pautas da Confecom e que precisa de desdobramentos para avançar.

O mau hábito de olhar pelo buraco da fechadura

Quando eu era criança, algumas travessuras cometidas foram provocadas pelo ímpeto da descoberta, da curiosidade, do teste dos limites entre o certo e o errado. Lembro do dia que fui espiar, pelo buraco da fechadura, o que acontecia no quarto da minha mãe. Tomei uma bronca inesquecível e aprendi que a privacidade das pessoas tem que ser respeitada, que não se deve ficar espiando e nem escutando atrás das portas a conversa alheia.

Mas o surgimento dos realities shows colocou esses ensinamentos por água abaixo. Como ensinar às crianças de hoje que é errado ficar à espreita espiando e ouvindo quando fazemos isso coletivamente, pela TV e internet?

Espie à vontade, é o bordão do Big Brother Brasil que começa nesta terça a sua 10ª Edição. Não importa que nos últimos anos a casa de confinamento tenha perdido pontos de audiência, o que vale é a manutenção de patrocínios e um exército de pessoas que não vê problema algum em espiar e, pior ainda, julgar a atitude das pessoas transformadas em competidores.

Espiamos as pessoas 24 horas por dia pela internet, ou pelos canais pay-per-view e vemos tudo (a hora do banho, de dormir, almoço, jantar, café da manhã, piscina e tudo mais que se possa fazer entre quatro paredes).

As emissoras de televisão tratam esses programas como entretenimento, mas não se preocupam com os seus impactos na construção da identidade social e cultural das crianças e adolescentes, que são bombardeados pelas situações provocadas nos BBB´s da vida.

E, porque não, dos adultos também. Afinal, patrulhar a vida alheia passa a ser prática chancelada pela TV, bem como as condutas estimuladas pelos participantes desses realities shows onde vale tudo para ganhar um prêmio. Que ótimo entretenimento não?

Categoria: Cultura, Mídia  Tags: ,  Deixe um Comentário

A sociedade com o controle

Nos jornais desta terça (27), uma propaganda institucional da Rede Globo de televisão me deixou com a pulga atrás da orelha. “O telespectador está no controle. E ele quer qualidadeâ€, diz o anúncio. O controle remoto é usado como ícone deste “poder†que o telespectador possui de trocar o canal caso a programação não lhe agrade. E, é claro, o nível de satisfação com a programação é medida pelo Ibope.

globocontroleremoto
O que leva à Rede Globo fazer uma publicidade que aborde o tema “controle� Porque será que a emissora “toda poderosa†do país levanta este assunto e, em particular, no momento em que estão em curso os debates da 1ª Conferência Nacional de Comunicação?

O império ataca
Uma emissora como a Globo não dá ponto sem nó. Nenhuma campanha institucional sai dos muros do Jardim Botânico para o Brasil sem antes passar por uma extensa rede de discussão, testes e pesquisas. Assim sendo, me parece que esta campanha pode ser uma ofensiva contra um dos temas mais quentes em discussão no processo da 1ª Conferência Nacional de Comunicação: o controle social.

Talvez estejam preparando a artilharia para se armar contra o crescente reclamo da sociedade para que sejam criados mecanismos institucionais de controle social sobre a radiodifusão.

E, como a melhor defesa é o ataque, estão construindo argumentos para dizer que a sociedade já possui o melhor e mais poderoso instrumento de controle em suas salas: o controle remoto.

Não gostou? Troca
Por esta abordagem, a emissora se exime de responsabilidade, já que o papel de selecionar, assistir e até mesmo de chancelar a programação cabe ao telespectador. Ou seja, não quer, não assiste. Não é bom, não assiste. É violento, não assiste. É discriminador, não assiste. É preconceituoso, não assiste. É impróprio para menores, não assiste.

Apelam ao senso comum a partir do “mude se você não está contente†e usam o artifício da liberdade para atacar as propostas de controle social, taxando-as de censura.

Liberdade para a minha empresa
“Onde já se viu querer impor qualquer tipo de fiscalização ao conteúdo do que é veiculado nos veículos? Isso é cercear a liberdade de expressãoâ€, dizem os donos das emissoras.

Contudo, sob o guarda-chuva da liberdade de expressão, o que vemos é o exercício mais deslavado da liberdade de empresa e da falta de compromisso com a pluralidade de pontos de vista, com a diversidade social, cultural e política, com a produção independente e regional e qualquer outra forma de expressão que seja construída fora do modelo ultracentralizado de negócios que caracteriza a radiodifusão no país.

A campanha da Globo, ao meu ver, mostra que os debates da 1ª Conferência Nacional de Comunicação estão atingindo um primeiro e importante objetivo: despertar a discussão em camadas mais amplas da sociedade para os temas relativos à comunicação no país. Mais gente está se apropriando desse tema e, consequentemente, mais gente está construindo um olhar crítico sobre esse assunto.

Em tempo: No caderno de TV do Estadão deste domingo (25), uma pequena amostra dessa nova postura da audiência pôde ser vista na seção Palavra do Leitor. Foram publicadas quatro cartas de leitores do jornal falando da Rede Globo, três com viés crítico à emissora.

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