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Dilma cresce e Serra não vai nada bem

A tendência de crescimento da ministra Dilma Rousseff nas pesquisas de intenção de voto mostra-se mais consistente a cada aferição. O levantamento do Ibope, divulgado nesta quarta-feira, mostra a candidata com 30% das intenções de voto contra 35% de José Serra. Dilma cresceu 13 pontos, enquanto Serra caiu 3 na comparação com a pesquisa Ibope de novembro.

Mas este não é, na minha opinião, o principal dado deste levantamento. O mais significativo são as intenções de voto espontâneas, ou seja, o entrevistador chega e antes de qualquer outra pergunta questiona: Se as eleições fossem hoje, em quem você votaria para presidente?, ou algo mais ou menos assim. Nestas condições, Dilma Rousseff tem 14% das intenções de voto, enquanto José Serra aparece em segundo lugar, com 10%.

Porque isso é importante? Porque este voto é, talvez, o mais consolidado, o que tem menos volatilidade. Há pouco mais de 7 meses da eleição, o eleitor que respondeu essa pergunta de bate pronto já está com sua decisão tomada.

Este dado, ao lado de outros resultados da pesquisa, mostra que o potencial de crescimento da ministra Dilma Rousseff é bem maior que o do governador paulista.

Vejamos:
O pré-candidato mais conhecido da população, segundo o Ibope, é José Serra, com 65% dos entrevistados dizendo que o conhecem bem ou “mais ou menos”. Não é para menos. Serra é figura pública há muitas décadas, já exerceu vários cargos executivos e foi candidato à presidente da República na última eleição.

Dilma, ao contrário, tem menos estrada que Serra, mas seu nível de conhecimento tem crescido bastante, passando de 32%  na última pesquisa para 44%. Natural, portanto, que sua rejeição tenha despencado, afinal, costuma-se rejeitar aquilo que não se conhece. Assim, os índices de rejeição à Dilma caíram de 41% em dezembro para 27% em março. A permanecer a tendência de maior exposição da ministra, com ampliação do seu conhecimento, pode-se esperar que essa rejeição continue caindo para números menores que a rejeição de José Serra.

Tudo isso somado à intenção majoritária do eleitorado brasileiro em votar num candidato ou candidata apoiado pelo atual presidente, Lula, as possibilidades de Dilma aumentam ainda mais. O levantamento do Ibope mostra que 53% dos entrevistados se dizem inclinados a votar em alguém que tenha o apoio de Lula.
Acontece que 42% dos entrevistados não souberam responder quem é o candidato apoiado pelo presidente.  Olha ai mais uma avenida de possibilidades para o crescimento de Dilma.

Ao contrário, apenas 10% declararam que vão destinar seus votos a um candidato de oposição. Com este dado, Serra vai ter que rebolar para construir o seu discurso…

Todos esses dados estão circunscritos a uma conjuntura política extremamente favorável ao governo. Este levantamento registrou o recorde para a avaliação positiva do governo do presidente Lula: 75% consideram o governo Lula “ótimo” ou “bom”, enquanto 5% afirmam que é “ruim” ou “péssimo”. Há três meses, esses percentuais correspondiam, respectivamente, a 72% e 6%. A aprovação ao presidente também está nas nuvens, 83% aprovam a forma como Lula governa o país e 13% desaprovam.

É por isso que o vídeo postado no blog do Miro, que eu reproduzo aqui, está altamente em sintonia com a situação política atual.

“Caça” ofertas

Que o brasileiro é motivado por pechinchas isso não é novidade. Independente do poder aquisitivo, o que vale é obter um bom desconto, quem sabe um brinde. A meta é levar alguma vantagem no negócio.

Consumidora leva produto de saldão

Consumidora leva produto de saldão

É só olhar para as filas e o tumulto das liquidações de início de ano, gente se atropelando, empurrando e esbofeteando para arrematar a geladeira, o fogão, o sofá, secador de cabelo, sapato, vestido – tem de tudo. Ah!, se precisar carregar a máquina de lavar nas costas não tem problema, dá-se um jeitinho. Esta blogueira também não foge à regra e está de olhos nos mega-saldões para ver se consegue uma boa compra.

O resultado desses impulsos consumistas nem sempre são os esperados – vários dos produtos amealhados pelas ofertas afora vêm com defeitos, ou têm pouca durabilidade e logo vem à cabeça o velho ditado popular “o barato sai caro”.

Um Rafale ou dois Gripen?
No caso da compra dos caças para a Força Aérea Brasileira a “mídia cria caso” está tentando induzir a opinião pública ao senso comum – o governo federal tem que aproveitar a oferta. Levar 2 pelo preço de 1.

Calma com o andor que o santo não é de barro minha gente. O Brasil precisa renovar sim sua frota de aeronaves de combate, mas deve fazer isso levando em conta não apenas o preço, mas os objetivos técnicos, econômicos e políticos na hora de tomar a sua decisão.

Tecnicamente não há como negar que o Rafale (França) e o F 18 (EUA) são superiores ao Gripen da Suécia, apontado como o favorito pela FAB que fez uma análise de preços e optou pelo mais barato. Reportagem do Globo mostra que o caça sueco ainda está na fase de teste, aliás, pré-teste.

Por outro lado, um país não faz apenas compra produtos, ele estabelece relações comerciais multilaterais e estratégicas visando a expansão econômica do país, seu posicionamento comercial e político no cenário internacional e, neste aspecto, a França que é o país de origem do Rafale tem um peso político e econômico relevante no cenário internacional – o que não se pode dizer da pequena Suécia.

Confecom – O lamento dos derrotados

Onde há vitoriosos há também os derrotados. E, no caso da Conferência de Comunicação os da última categoria são aqueles que erradamente apostaram na explosão da Confecom e se retiraram da sua construção. Refiro-me à Abert, Aner, ANJ e as entidades empresariais que representam os interesses de empresas como a Rede Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e outros veículos que se negaram a participar do debate democrático sobre as comunicações.

Quando se retiraram, lá atrás, da Comissão Organizadora Nacional, na esperança que o cheque mate fizesse o governo recuar e desmobilizar a conferência, estes setores assinaram um atestado de intolerância e derrota.

Em décadas de hegemonia informacional, onde eles construíram uma imagem estereotipada dos movimentos sociais – os extremistas, radicais, intransigentes, baderneiros e toda a sorte de adjetivos pejorativos – o que eles conseguiram com a postura que tiveram durante a conferência foi mostrar que os intransigentes são eles. Ou seja, não estão dispostos a participar do diálogo democrático. Querem calar a todos. Foram de certa forma calados.

Nos editoriais que têm publicado nos últimos dias, essas emissoras tentam a todo o custo deslegitimar a conferência, num lamento desesperado de quem foi derrotado por ter aberto mão da prerrogativa de influenciar o debate político.

Estes segmentos da grande mídia estão, a cada dia, mais isolados. Emissoras como a Bandeirantes e a Rede TV que estão presentes na conferência vieram defender seus interesses. Não correram amedrontados.

A decisão de realizar periodicamente novas edições da Conferência vai exigir outra postura desse segmento. Na sociedade da informação, num mundo digital no qual se desvanecem e se misturam os papéis de receptor e emissor, não há mais espaço para unilateralidade no processo comunicacional.

Eles podem continuar lamentando, mas não têm outro caminho a não ser mudar de postura.

Os desafios dos movimentos sociais na Confecom

Um exercício democrático de construção política para alcançar conquistas e acumular forças. Este é o desafio colocado para os movimentos sociais que estão representados na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que começa nesta segunda-feira, em Brasília.

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Desde o final de janeiro, quando o governo anunciou que convocaria a Conferência, os movimentos sociais começaram a se articular em comissões por todo o país com o objetivo de preparar a participação nos debates e construir uma plataforma de propostas que contribuam para avançar o cenário da comunicação no país.

1ª fase de uma disputa acirrada
Reivindicações históricas dos movimentos sociais para democratizar as comunicações foram o ponto de partida das discussões da Confecom. Os empresários, que procuraram todos os meios para inviabilizar a Conferência, entraram no processo para colocar obstáculos ao processo. O governo, sob o argumento da necessidade de garantir a participação dos empresários, acabou optando por endossar as posições desse segmento na construção da Confecom.

2ª fase – a etapa nacional
Passadas as conferências municipais e estaduais, que por não terem podido aprovar propostas encaminharam centenas delas à Comissão Organizadora Nacional, chegamos à Conferência com o desafio de definir prioridades e unificar os movimentos sociais em torno das propostas que queremos ver aprovadas.

Esse desafio exigirá muito diálogo entre as centenas de entidades presentes e com os outros segmentos, na tentativa de construir propostas que unifiquem um campo e obtenham o quórum necessário para serem aprovadas nos grupos e na plenária final.

Isso porque na fase de construção da conferência, critérios limitadores foram definidos para aprovar as propostas. Nos grupos, aquelas que obtiverem mais de 80% dos votos estão aprovadas. Afora isso, entre as que tiverem 30% e 80%, apenas 7 serão escolhidas para ser encaminhadas à plenária final, onde precisarão de 60% dos votos, com votação em todos os segmentos para ser aprovada. O restante estará sumariamente reprovado.

Unificação da sociedade civil
A ausência histórica de espaços institucionais de discussão das comunicações no Brasil gerou um acúmulo enorme de reivindicações e demandas nessa área. O país convive com legislações caducas, algumas que remontam a década de 60. E, mesmo estas, são amplamente desrespeitadas.

Por isso, chegar a uma síntese que combine, de um lado, manter propostas históricas do movimento que luta pela democratização da comunicação e um elenco de propostas que a partir de negociação podem ser aprovadas com a perspectiva de implantação em curto prazo será uma engenharia política a ser construída nos próximos 3 dias.

Vai ser preciso convicção e serenidade para identificar onde é possível haver flexões e até algum recuo em nome da construção da unidade. Temos obtido sucesso nessa empreitada, até o momento, e caminhamos para ter conquistas concretas.

Foto: Vadré Fernandes

JT: Isso não é o caos, prefeito?

Hoje, recebi em casa junto com os jornais que assino, uma edição do Jornal da Tarde. Não sei se foi engano, ou um brinde, mas fico feliz por ter recebido. Às vezes, nos esquecemos de parar na banca e mergulhar no mundo jornalístico que existe além da Folha e do Estadão.

Fiquei feliz porque a capa do JT de hoje está imperdível. Numa provocação explícita ao prefeito Gilberto Kassab o diário pergunta: Isso não é o caos, prefeito? Do lado direito, uma tarja preta traz as frases do Kassab, que na maior cara-de-pau soltou a pérola: “A cidade está preparada para enfrentar as chuvas”. Pior e mais divertido é ver, logo abaixo: “José Serra, governador de São Paulo (silêncio)”.

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Brasileirão: Imagens de emocionar e entristecer

Desde que este espaço passou a ser abrigado pelo Portal Vermelho, o tema esporte, particularmente o nosso futebol, não compareceu mais nas postagens. Talvez por acanhamento da autora, que não é especialista no assunto, apenas mais uma torcedora que vez ou outra gosta de dar um pitaco sobre o que anda acontecendo nos gramados país afora. Pode ser, também, por considerar que este é um tema pequeno, perto dos assuntos tão mais relevantes tratados pelo Portal.

Em vários momentos ao longo do campeonato, fiquei instigada a falar sobre as polêmicas envolvendo os pontos corridos, o desempenho errático dos times, a disparidade de condições dos clubes, os tropeços e as superações do meu São Paulo…

Mas, hoje, a tentação foi forte demais e não consegui evitar. Afinal, o campeonato chegou ao fim, com um campeão que contrariou todas as previsões, com o clube que esteve mais tempo na frente da tabela fora da linha de classificação da Copa Libertadores, com dois times cariocas heroicamente mantidos na primeira divisão e cenas finais de emocionar e entristecer.

O vai e vem de posições nas últimas rodadas – tanto na parte de cima quanto na de baixo da tabela – ressuscitou de certa maneira a emoção do torcedor, ligado em todos os jogos do campeonato. Mas será que isso é mérito dos pontos corridos?

Tendo a achar que não. O desenho deste campeonato foi atípico dentro da fórmula dos pontos corridos. Houve mais equilíbrio e muitos, muitos tropeços. Porque a regra dos pontos corridos é clara: ganha o clube que tiver mais estrutura interna, que conseguir manter um elenco mais ou menos estável durante todo o ano, com salários em dia. Basta passar os olhos para ver que esta realidade é raramente encontrada fora do eixo Rio-São Paulo (mesmo assim de forma muito dispare) e do Rio Grande do Sul. Os times do Nordeste e de outros estados e regiões do Brasil estão sumindo da tabela.

Além do que, os pontos corridos trouxeram um novo ingrediente ao futebol: o fantasma da mala branca. O campeonato ficou sob suspeição. Times fazendo corpo mole em campo para evitar que seus arquirrivais regionais fossem beneficiados – ou pelo menos o disque-disque de que isso aconteceria foi inflado pela mídia futebolística.

Imagens de emocionar
flamengoadrianoUm espetáculo a parte foi a torcida do Flamengo. Noventa mil corações cantando a certeza de um título importante que há muitos anos o clube não conquistava. Os bandeirões, a folia. O Maracanã lotado é uma coisa fantástica.

Adriano mostrou que imperador também chora e que é possível ser flamenguista e se preocupar com outros clubes. Na entrevista coletiva após a partida, Adriano perguntou aos repórteres sobre o Botafogo e o Fluminense e disse que estava ainda mais feliz por saber que os clubes cariocas escaparam do rebaixamento, numa atitude digna de imperador.

Foi lindo ver a torcida do Coritiba lotando o estádio, fazendo a festa e levando a esperança no peito de ver seu time fora da segunda divisão.

No Morumbi, os torcedores compareceram ao estádio para saopauloempurrar o time e dar sua contribuição para garantir que estivéssemos na Libertadores em 2010. E, ao final do jogo, os jogadores foram aplaudidos pelo público numa demonstração de reconhecimento e solidariedade.

…E de entristecer
coritibaFoi muito triste ver a praça de guerra em que se transformou o estádio Couto Pereira. Uma cena dantesca. O policial que caiu ferido em campo, carregado pelos colegas sob uma chuva de cadeiras e paus, parecia morto. Torcedores se esvaindo em sangue. Estas imagens já estão correndo o mundo, que deve estar se perguntado: é este Brasil que receberá a Copa e as Olimpíadas? Claro que não se pode estender às autoridades a responsabilidade pelo que ocorreu no Couto Pereira, mas é preciso reduzir as possibilidades de que elas aconteçam.

Também foi triste ver a briga entre torcedores do Flamengo nas ruas do Rio. Uma selvageria sem explicação, que mostra que há muito ainda a se fazer para conter a violência que está impregnada na sociedade.

E o meu São Paulo…
Perdeu o campeonato nos campos e nos tribunais. Foi uma conjugação de fatores que nos tirou a taça. Na verdade, o título de 2009 nunca esteve nos horizontes. Na primeira rodada, tivemos um desempenho pífio. Alguns podem dizer que o mesmo aconteceu em outros anos. É verdade. Mas o foco, a determinação e a qualidade do time eram outras também. No final, só nos aproximamos e reavivamos uma esperança de campeonato em razão do tropeço do Palmeiras, que desandou completamente no segundo turno. Acontece que o São Paulo, que precisava de mais vitórias e de uma regularidade maior nos jogos nesta etapa final, mas teve problemas fora e dentro dos campos. Podíamos ter sido campeões, mas no jogo decisivo contra o Botafogo estávamos desfalcados e desestimulados. Perdemos.

A Libertadores
A disputa pelas quatro vagas também foi muito acirrada no campeonato. Mas, aos 45 minutos do segundo tempo, os quatro times que ficaram na zona de classificação para a Libertadores foram o Flamengo, Internacional, São Paulo e Cruzeiro. O Palmeiras deixou escapar a classificação como água entre os dedos. Vão enfrentar uma crise daquelas.

2010
Ano de Copa, alguns clubes terão mais dificuldade para manter a base de seus times, me refiro aqueles que contribuirão com jogadores para a seleção. Os campeonatos terão um intervalo no meio do ano – tanto o brasileiro quanto a Libertadores. E as emoções estarão voltadas para o continente africano. Segura coração!

O Barbeiro de Sevilha

O que pode haver em comum entre uma das mais famosas óperas já encenadas, a popular macarena e um hare krishna? Para descobrir sugiro que vá ao Theatro São Pedro e assista à montagem da ópera de Gioachino Rossini, que tem a direção cênica de Willian Pereira e a direção musical e regência do maestro Emiliano Patarra. Os músicos são da Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos.

Em cartaz até 03 de dezembro, a ópera bufa de dois atos conta a história das artimanhas do barbeiro Fígaro para ajudar o Conde de Almaviva a conquistar Rosina, moça que vive sob a tutela de Don Bártolo. Uma sucessão de situações hilárias que mostra a força da comédia romanesca.

Na montagem de Willian Pereira, o público vai se surpreender ao ver os personagens do século XVIII aparecerem em cena fazendo referências a situações contemporâneas. Uma ópera vibrante, com um dos repertórios mais famosos da música erudita.

Com um elenco de vozes marcantes, o destaque fica para a interpretação cômica dos personagens. O tenor Flávio Leite (Conde de Almaviva) está espetacular. A mezzo-soprano Luciana Bueno (Rosina) arranca aplausos do público e o barítono Rodrigo Esteves interpreta Fígaro com espiritualidade.

Ópera para deficientes visuais
Mas os aplausos não são apenas para os artistas. Os produtores e a direção do teatro também merecem toda a reverência. É que a ópera tem recursos de audiodescrição para portadores de deficiência visual, além de acessibilidade para outros tipos de deficiência.

Na sessão que assisti – na última sexta-feira – havia um grande público com deficiência visual. Pelo menos dois deles estavam no teatro com seus cães guias, que puderam permanecer no teatro durante todo o espetáculo, com lugar garantido na platéia. Foi muito especial ver que no Brasil, com preços acessíveis, pessoas com deficiência têm a possibilidade de participar de uma espetáculo musical sem constrangimentos.

Serviço
Il Barbiere di Siviglia
Theatro São Pedro – Rua Barra Funda, 171
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
De terça-feira a quinta-feira, às 20h30
Venda Antecipada: www.ingressorapido.com.br

TV vende tudo

Numa sociedade de consumo, não é de se espantar que a mídia de massa tenha como uma de suas atividades centrais a venda. Vende-se de tudo, ideias, valores, comportamentos… Vende-se também, é claro, mercadorias. Das pequenas às grandes, das necessárias às completamente desnecessárias, ou aquelas que não têm utilidade nenhuma, mas tornaram-se indispensáveis para manter o status.

A televisão é um veículo privilegiado para vendas. Som, imagem e sedução se unem para hipnotizar a audiência. Aliás, há uma personagem emblemática que mostra o domínio do merchandising sobre as pessoas. É a sra. Van Cleeve do filme Bancando a ama-seca de Jerry Lewis (1958).

A propaganda de produtos ocorre nos intervalos comerciais, nos programas de auditório, na transmissão de eventos, nas novelas. Ou seja, misturada à programação jornalística, de entretenimento, dramaturgia etc.

Mais, mais, mais
De um tempo para cá, este espaço parece ter ficado pequeno. Então, as emissoras de televisão passaram a sublocar horários cada vez maiores para programas exclusivamente de vendas. Shoptour, Polishop, Giga Shopping, Mix TV etc.

Bem, isso parece também não ter sido suficiente, então, há canais da TV aberta que são 100% voltadas para venda. São canais que vendem jóias, tapetes persas, eletrodomésticos, imóveis, móveis, roupas, computadores, uma lista interminável de produtos.

Vendendo fé e milagres
Ah! e o que dizer das diversas igrejas que alugam espaço na televisão para pregar a palavra de Deus… Este talvez seja o caso mais grave de sublocação. A única diferença, para os anteriores, é que o produto vendido é imaterial, ou seja, vende-se fé, um pedacinho do céu, milagres…

Fora da lei
O que muita gente não sabe é que tudo isso acontece dentro da mais descarada irregularidade. Segundo a Constituição Federal, em seu artigo 221, “a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios: 1 – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”. Além disso, segundo a lei de 1962, a publicidade comercial pode ocupar até no máximo 25% da grade de programação.

Afora isso, o próprio ato de alugar horários para terceiros em emissoras de televisão também é irregular. As outorgas de rádio e TV são uma concessão pública, que é dada pelo Estado, ou seja, cabe ao poder público definir quem será o ente privado a explorar o serviço de radiodifusão. Ao locarem seus horários, as emissoras estão cumprindo um papel que não lhes cabe.

Direito ou privilégio?
Até recentemente, apenas os movimentos que lutam pela democratização das comunicações abordavam esse assunto. A realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação e a ampliação do debate sobre o tema, já está mostrando frutos. A questão da sublocação de horários tem ganhado espaço na mídia – recentemente uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo, denunciou que “Rede TV!, Record, Gazeta e Band ocupam entre 23% e 30% da grade semanal com programas religiosos. E a Rede 21, do grupo Bandeirantes, tem só 30 minutos diários de programação própria, o restante tomado pela Igreja Mundial do Poder de Deus”.

Enquanto o poder público não acaba com essa algazarra, os concessionários de televisão vão engordando seus cofres com o aluguel da programação. Já os movimentos sociais, os produtores independentes e a produção local permanecem excluídos do direito à comunicação. Direito de todos que hoje é privilégio apenas para alguns poucos.

Alta velocidade para todos

A conexão em banda larga oferecida pelas empresas de Telecom no Brasil – parte delas de capital estrangeiro – é um nicho econômico em que há cresceste procura e limitação de oferta. Esta limitação existe, em parte, porque as empresas privadas que atuam no setor definiram como público alvo setores de maior poder aquisitivo, o que permite a cobrança de taxas elevadas e deixa milhões de pessoas que estão em cidades do interior e periferias sem acesso ao serviço.

Acabar com este gargalo é uma exigência democrática e econômica para o Brasil. A conexão de banda larga é ferramenta indissociável para a inclusão digital de milhões de brasileiros e alavanca primordial para o desenvolvimento econômico e social.

Por isso, universalizar este serviço é uma das bandeiras essenciais da luta pela democratização das comunicações. Este tem sido um dos principais temas abordados nas discussões da Conferência de Comunicação e encontra uma oposição articulada e de grande poder econômico  nas empresas de Telecomunicações.

Principalmente no momento em que o governo federal discute a criação de uma empresa estatal para oferecer conexão de internet em alta velocidade para a população. O debate em torno do tema tem sido polêmico até mesmo no interior do governo, onde para variar o Ministério das Comunicações, liderado por Hélio Costa, tem cumprido o papel de se contrapor à proposta do Palácio e de defender o interesse das Teles.

Ampliar o mercado das Teles
Nas últimas semanas a alternativa para ampliar o serviço de banda larga em debate no governo parecia caminhar para uma saída híbrida, onde o Estado constituiria uma empresa para prover a infraestrutura de cabos para a transmissão de dados, enquanto a oferta do serviço ao cidadão seria feito por empresas privadas.

Velocidade para poucos
A Telebrasil – Associação Brasileira de Telecomunicações – tem defendido ardorosamente que a expansão da Banda Larga seja feita com ampla participação do setor privado, investimentos vultosos do poder público na construção de infraestrura e isenção tributária.

Esta é a primeira das 11 propostas que a entidade apresentou nos debates da Conferência Nacional de Comunicação. O objetivo das empresas é ampliar o mercado e manter uma margem de lucro com a exploração destes serviços.

Pelo projeto híbrido, assinado por Hélio Costa, a meta é ampliar o acesso da banda larga a um custo de R$ 30,00 por mês. Este valor, contudo, não atende à demanda de incluir no sistema a população mais carente.

Concorrência estatal e políticas públicas
Mas, mesmo diante do lobby do setor privado encampado pelo Minicom, a proposta apresentada ao presidente Lula aparentemente não agradou. Lula endureceu o discurso na última semana e pediu novos estudos que prevejam a criação de uma empresa estatal, que oferte não só a infraestrutura mas também o serviço de acesso. Com isso, se criaria um ambiente de mais concorrencia, se garantiria preços mais acessíveis e uma cobertura geográfica maior, já que a empresa estatal poderia levar o serviço em locais onde o setor privado não tenha interesses de chegar.

Está pode ser uma importante iniciativa do governo no sentido da universalização do acesso, medida que deve vir articulada a outras como a criação de pontos de acesso gratuito nas cidades, políticas de incentivo para a abertura de lan-houses, parceria com estados e municípios para liberação de sinal wirelles gratuitos entre outras políticas que incentivem o acesso.

Temos que caminhar para ter mais cidades digitais até, nos transformarmos, quem sabe, num país digital. Como diz o sociólogo e militante dos direitos do cidadão na internet, Sérgio Amadeu da Silveira, isso não acontecerá se ficar ao sabor da regulação do mercado, através da lei da oferta e da procura. Sem a ação contundente do Estado e de políticas públicas neste setor a sociedade brasileira não migrará para a era digital.

Ahmadinejad, Bush e a mídia tupiniquim

Nesta terça-feira o jornal Folha de S.Paulo, folhetim tucano de oposição ao governo Lula, mostra mais uma vez em sua manchete como a escolha das palavras é determinante na construção de conteúdos editorializados.

O assunto da vez é a visita do presidente do Irã ao Brasil. Com a manchete “Lula defende programa nuclear do Irã”, o jornal não faltou com a verdade, mas induz o leitor a ideia de que o presidente brasileiro está a favor de uma corrida nuclear.

irafolha
Mais fiel ao conteúdo do discurso do presidente Lula e refletindo a posição do Brasil sobre o assunto foi a manchete do Estadão: “Irã tem direito a energia nuclear, defende Lula”.

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A visita do presidente do Irã ao Brasil e a pauta nuclear são questões para lá de polêmicas, reconheço. Justamente por isso, o tratamento dispensado pela imprensa ao assunto deveria ser mais cuidadoso.

Mas, pelo contrário, a grande mídia não poderia perder esta ótima oportunidade para fazer seu proselitismo oposicionista contra Lula. Em sua edição de ontem, a Folha abriu espaço estratégico para o presidenciável José Serra fazer seu contraponto à visita ‘indesejável’ de Mahmoud Ahmadinejad ao país.

É verdade que a eleição de Ahmadinejad ocorreu sob um clima de grande tensão e forte protestos da sociedade iraniana. Contudo, a recepção do presidente Ahmadinejad nada tem haver com apoiar o seu governo, a sua figura política ou coisa que o valha. O Brasil possui relações diplomáticas e comerciais com o Irã, assim como mantém com outros países do Oriente Médio.

A pauta nuclear foi satanizada pela mídia a partir de orientação política norte-americana, que sob o pretexto da política do desarmamento, busca impedir que outros países dominem a tecnologia nuclear.  A nação brasileira é signatária do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. O Brasil e seu atual governo tem atuado, internacionalmente, como mediador de conflitos e contra iniciativas bélicas. Contudo, o direito das nações desenvolverem programas nucleares para fins pacíficos é inalienável. Assim como o Brasil defente este direito para si, o defende também para outros países. É uma questão de soberania.

A hipocrisia da mídia nacional no tratamento à vinda de Ahmadinejad ao Brasil fica patente se compararmos o tratamento dado, por exemplo, à visita do ex-presidente Bush, também recebido por Lula.

Na ocasição, os movimentos sociais fizeram ampla mobilização pelo Fora Bush, explicitando o descontentamento de ter, em sólo brasileiro, o senhor da guerra.

Já, a mídia tupiniquim não se incomodou tanto. Porque será?

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