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A vida como ela é

Neste julho frio e úmido, uma boa pedida é o sofá, um bom filme, um bom vinho. No último final de semana, assisti em casa a dois filmes pouco divulgados que mostram a sensibilidade de ver e viver a vida como ela é.

Reflexos da Inocência e Uma amizade sem fronteiras são crônicas do cotidiano de personagens comuns, da vida sem glamour e retoques. Histórias que não têm compromisso com o famigerado ‘happy end’ ou com explicitar ‘a moral da história’, ainda que eles existam – cada um a sua maneira.

No drama Reflexos da Inocência, dirigido por Baillie Walsh, Joe Scott – um ator holywoodiano entregue às drogas e exageros do show bizz – recebe a notícia da morte de seu amigo de infância. Começa ai um carrossel de lembranças que montam a narrativa e constroem o próprio personagem a partir de sua adolescência na Inglaterra dos anos 70.

Interpretado por Harry Eden na fase adolescente, o jovem Joe Scott foge para os Estados Unidos depois de uma tragédia que contou com sua participação – ainda que indiretamente. Os dilemas do certo e errado contrastam com a realidade que envolve as pessoas, num dia-a-dia formado pela sucessão de acontecimentos. E, por mais dramáticos que estes sejam, não paralisam a vida, mas a moldam. Assim, o Joe Scott adulto – interpretado na fase adulta por Daniel Craig, que se consagrou como o novo James Bond – ao voltar para o enterro do amigo, se dá conta de que o presente é outro e o passado está onde deveria estar – no passado.

Uma amizade sem fronteiras conta a vida de Momo (Pierre Boulanger), um adolescente abandonado pela mãe e criado pelo pai numa rua de prostitutas do subúrbio parisiense da década de 60. O rapaz de 16 anos, que está descobrindo o sexo e o amor, se vê abandonado também pelo pai. A amizade com o dono da mercearia, Ibrahim (Omar Sharif), um turco mulçumano também solitário, é tudo o que lhe resta. Sem melodrama, a narrativa mostra os desafios da vida e seu ciclo, nem sempre virtuoso.

As fronteiras de idade, religião e nacionalidade não existem para Momo e Ibrahim, o primeiro carente de uma figura paterna e o segundo de um filho a quem ensinar o que aprendeu na vida e no Alcorão. Os dois solitários se encontram e vivem uma breve, mas intensa amizade, e Momo, ao final, herda a vida de Ibrahim.

Dois filmes cheios de vida e realidade. Valem a pena.

.… E para acompanhar, minha dica é….
Uma tábua de queijos e um bom vinho – se puder, experiente o argentino Luigi Bosca – Malbec – DOC (De Origem Controlada)

Ficha Técnica

Reflexos da Inocência
Título Original: Flashbacks of a Fool
Gênero: Drama
Direção: Baillie Walsh
Ano: 2008
Elenco:
Daniel Craig
Claire Forlani
Harry Eden
Helen McCrory
Mark Strong

Amizade Sem Fronteiras
Título Original: Monsieur Ibrahim et les Fleurs du Coran
Gênero: Drama
Direção: François Dupeyron
Ano de Lançamento (França): 2003
Elenco:
Omar Sharif
Pierre Boulanger
Gilbert Melki
Isabelle Renauld
Lola Naymark
Anne Suarez
Mata Gabin
Céline Samie
Isabelle Adjani

A Guerra dos Rocha – uma vergonha nacional

Feriadão em casa, amigos e família, a tradição da boa bacalhoada e, é claro, um filme descontraído para o fim de tarde.

Foi assim que inseri no home theater o DVD do nacional A Guerra dos Rocha, dirigido pelo Jorge Fernando. No elenco, algumas feras da dramaturgia como Ary Fontoura, Nicete Bruno, Giulia Gam, Diogo Vilella.

O objetivo não era o de assistir a um grande filme, mas pelo menos uma boa comédia. Ledo engano. A Guerra dos Rocha é uma sucessão de péssimas atuações, situações vexatórias, um roteiro desastroso e sem graça que dá vergonha de ver. Só mesmo a teimosia explica chegar ao final do filme.

O argumento não é dos piores – três filhos Marcos Vinícius (Diogo Villela), Cesar (Marcello Antony) e Marcelo (Lúcio Mauro Filho) disputam para ver quem NÃO vai ficar com a mãe, Dina Rocha, interpretada por Ary Fontoura – uma velha desastrada que é o terror das noras e um fardo para os filhos. Mas a construção dos personagens e o desenrolar da trama destruíram o que até poderia ser uma boa ideia.

O primeiro desparate do filme começa ai. Porque, em nome de Deus, escolher Ary Fontoura para interpretar a mãe? Não que ele esteja mal – alías, nessa história toda ele é o menos pior – mas não faz nenhum sentido colocá-lo para viver a velhinha rejeitada.

Os estereótipos do filho político corrupto que é casado com uma aproveitadora, do filho vagabundo que vive às custas da mulher e do filho inseguro e medroso casado com uma mulher controladora são tão mal construídos que não caberiam no pior dos filmes amadores.

Nicete Bruno, uma das damas do nosso teatro, foi colocada em situações que deveriam levar Jorge Fernando à prisão, de tão indignas.

Não bastasse isso, o filme tem elevada carga de preconceito, fazendo uma abordagem perjorativa da homessexualidade que, aliás, é desnecessária e marginal no enredo do filme e poderia ter sido evitada.

A Guerra dos Rocha é desses filmes que são uma vergonha nacional. Uma obra que não justifica um único centavo público que tenha recebido para ser executado. Quem pensar ao contrário que atire a primeira pedra.

Uma cena hilária

Estava em casa zappiando na TV para ver se encontrava algo interessante para assistir quando passo pela cena final de um filme, já nos letreiros. O que me chamou a atenção, inicialmente, foi a música da banda Technotronic – Shake that body. A música é um poperô, ritmo que tomou conta das danceterias no início dos anos 90. A banda foi a precursora desse ritmo, quando estourou nas rádios o hit Pump up the Jam.

O filme é a comédia Bem-vindo à Prisão ou Let’s go to Prison no original. A cena – hilária – mostrava três homens (os atores Dax Shepard, Will Arnett e Chi MacBride) numa cabine de caminhão ouvindo essa música.

O que pode ter de tão engraçado nisso? Só conferindo.

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A vida é uma festa

A música é um dos indicadores dos anseios, comportamentos, frustrações e buscas da juventude. E é isso o que a gente vê e revive um pouco ao assistir Titãs – A vida até parece uma festa. Um documentário musical que mostra a disposição de vida – até certo ponto inocente – de jovens que estão desbravando o mundo.
O filme, que é composto principalmente com imagens de arquivo do titã Branco Mello, não se furtou de abordar as questões delicadas como o uso de drogas, a prisão de Arnaldo Antunes e Tony Belloto, a saída de Antunes e Nando Reis e a morte de Marcelo Fromer. Mas, nenhum desses episódios é retratado de forma pesada, em tom de arrependimento, auto-critíca ou com qualquer tipo de julgamento moral. Foram acontecimentos, comportamentos e só, não requerem análise, diagnóstico, conclusão.
Mais que memória, o filme também é uma demonstração de que seja pra onde for e o que acontecer, os Titãs estão bem “Nós estamos bem, queremos estar bem, agora nós estamos muito bem… Não é o mundo ideal na cabeça de ninguém”, canta a música dos agora 5 titãs.
E no final um adeus e uma saudade, deles e nossa. Vale a pena ver!

O eterno retorno

Algumas coisas nos despertam lembranças e sentidos adormecidos, alguns sabores, cheiros, lugares, situações, músicas.
O recém lançado e último (assim tudo indica) filme da série Indiana Jones é uma delas. Não que se trate de obra cinematográfica obrigatória e fundamental, daquelas que entram para a lista dos clássicos. Não mesmo. Mas certamente para a geração dos trinta/quarenta despertou um sentido de infância, aquela sensação adormecida que fica latente em cada um de nós.

A música de John Willians é um dos veículos que nos transporta para aquele momento de nossas vidas em que ainda não nos preocupamos com as coisas mundanas do mundo adulto. No início do filme, a silhueta de Indy e o velho chapéu ao chão nos embala na aventura que parece atemporal. Esquecemos que o protagonista de galã tornou-se já um senhor de 66 anos.

E seguimos suas aventuras, olhos fixos, crianças sentadas na poltrana com a pipoca no colo. Uma desconecção com a realidade que dura pouco menos de duas horas, mas que revigora e rejuvenesce.

Eu recomendo, algumas horas de alienação não fazem mal a ninguém.

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Cine Marabá – ou os bons e velhos cinemas de rua

Uma notinha perdida no caderno Cotidiano da Folha de São Paulo deste sábado informava o fechamento do último cinema do Centro Paulistano a resistir aos filmes pornôs – o Marabá, na Avenida Ipiranga.
Imediatamente fiz uma viagem no tempo e revivi, por alguns minutos, minhas primerias experiências na telona. A cidade era substancialmente diferente da que temos hoje. Havia poucos shopping centers, o lazer ainda tinha no espaço urbano seu lugar de excelência, e os cinemas do Centro eram destino certo nos sábados e domingos. O Majestick, o Cine Arouche, o Marrocos, o Metro, o Bijou, o Copam, tinha um na Av. São João que não me lembro o nome agora, mas que tinha 3 telas passando o mesmo filme, ao mesmo tempo – assisti um dos Superman´s lá… Todos esses cinemas e tantos outros, inclusive os que ficavam nos bairros tiveram o mesmo destino: transformar-se em cinema pornô, ou em templo evangélico.
Esse é apenas um dos fatores que somados desocuparam as cidades. Antes, a ruas eram ocupadas pelas pessoas e famílias que circulavam observando as vitrines, iam às lanchonetes. Hoje, nossas ruas estão abandonadas ao tráfego dos automóveis e dos passantes – porque foi nisso que nos tornamos.
Mas a notinha, que anunciava o fechamento do Marabá, trazia uma perspectiva: que o fechamento seria temporário para reformas que transformarão o Marabá num pólo com 5 salas de cinema.
São Paulo só tem a ganhar se o poder público, empresários e investidores enxergarem no centro o potencial para a retomada do espaço urbano de vivência, de circulação de pessoas e bens culturais.

Saneamento Básico

É lastimável ver como ainda é escassa a bilheteria dos filmes nacionais. São vários os fatores que contribuem para esse ainda mirrado público da telona “made in brasil”, mas certamente não pode-se argumentar a falta de qualidade dos nossos filmes.
Temos produzido obras de excelente qualidade técnica, estética e de conteúdo. Entre elas a que dá título a este post – Saneamento Básico – o filme.
Divertido, bem filmado, com bonita fotografia, som impecável, diálogos inteligentes. Jorge Furtado, para mim um dos melhores roteiristas do Brasil, soube dosar equilibradamente o humor, a denúncia sem tom panfletário, o retrato do cotidiano.
Há muito tempo não me divertia tanto numa sala de cinema. O elenco reúne o que há de melhor na dramaturgia nacional: Tonico Pereira, Paulo José, Wagner Moura, Fernanda Torres, Lázaro Ramos, Camila Pitanga, Bruno Garcia.
Só foi uma pena ver que naquela sessão, compartilharam comigo o filme somente outros 7 telespectadores.

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1972 – filme ou almanaque?


Tudo começou com a idéia de fazer um almanaque. Primeiro veio o estrondoso sucesso do ‘Almanaque anos 80’, que cativou a geração que cresceu assistindo Bozo, brincando de Cubo Mágico e mascando Bubbaloo.

Em seguida, pegando carona nessa onda, veio o ‘Almanaque anos 70’, organizado pela jornalista Ana Maria Bahiana. Foi a vez da geração que circulava de Fusca, assistia Dancing Days e curtia rock n´roll ter o seu livro de recordações. Só que Bahiana quis mais do que um livro, ela quis um filme, e nasceu ‘1972’.

Dirigido pelo jornalista José Emilio Rondeau, ‘1972’ tenta retratar uma geração que procurava construir uma identidade em meio a um país castrado pela ditadura militar. No filme, os antagonismos se dão pela contraposição dos personagens que vivem na periferia e os da zona sul carioca. Os sonhos de sucesso do jovem Snoopy (Rafael Rocha), que luta para vencer na vida e sair do subúrbio com sua banda de rock – Vide Bula; e os de Júlia (Dandara Guerra), moça rica que tenta reconhecimento como jornalista sem que seja preciso a influência dos pais.

Os dois se cruzam e, como já é de se esperar, se apaixonam e vivem os conflitos de um amor entre classes sociais. Os estreantes Rafael Rocha e Dandara Guerra, filha de Cláudia Ohana e Ruy Guerra, não convencem em suas interpretações. Tony Tornado rouba a cena como Tião, um militar que vive com o fantasma da tortura e acaba sendo conselheiro de Snoopy. Vale o destaque para as atuações de Bem Gil – Zé e Débora Lamm – Monique.

A história do filme, já cansada, vai se desenvolvendo sem muita criatividade. As seqüências mais se parecem com as páginas de um almanaque que podem ser folheadas sem que haja uma ordem. A trilha sonora, que poderia ser um diferencial, dada a riqueza dos efervescentes anos 70, deixa a desejar.

Enfim, o ano de 1972 assim como toda a década de 70 foram anos intensos, ao contrário do filme, que se arrasta sem saber aonde quer chegar e o que quer ser. Melhor investir no Almanaque.

Ficha técnica
1972
– 104 min.
Direção – José Emilio Rondeau
Produção – Ana Maria Bahiana e Tarcísio Vidigal
Elenco: Rafael Rocha, Dandara Guerra, Bem Gil, Débora Lamm, Dudu Azevedo, Lúcio Mauro Filho, Louise Cardoso, Pierre dos Santos, Tony Tornado

Publicado no www.estudantenet.com.br

Um mergulho no Céu de Suely


Mergulhar nos sonhos de Hermila, viajando pelo Brasil ao seu lado, é reconhecer um pouco que seja dos desejos de muitas mulheres e, porque não, de muitos homens deste imenso país. Quem é Hermila? É Suely, mas poderia ser Joana, Cláudia, Fernanda, Renata.

“O Céu de Suely”, segundo longa-metragem de Karim Aïnouz (Madame Satã) é esse mergulho. Almodóvar e suas mulheres é como se referem às obras do diretor espanhol. Agora, temos Karim e suas mulheres. A história do filme é fundamentalmente feminina, sem ser em nenhum momento feminista.

Aïnouz procurou na realidade a ficção, e vice-versa. Os personagens se emaranham com atrizes e atores, a ponto de não se saber onde começa e acaba um ou outro. A começar pela escolha, inédita, de adotar no filme o nome real de cada ator. “Emprestei mais do que meu corpo a Karim, eu lhe dei a minha alma” disse Hermila Guedes, que viveu Hermila, sua primeira protagonista.

O céu, sempre grande na tela, nos remete a imensidão de nós mesmos, aos dilemas sociais contemporâneos da globalização que vai abraçando ao seu modo cada cantinho do país, numa mistura que liberta e ao mesmo tempo oprime.

Depois de deixar Iguatu, no sertão do Ceará, para viver com seu amor juvenil as descobertas e possibilidades da ‘cidade grande’, Hermila retorna à terra natal com um filho nos braços, a espera que logo em seguida o marido se junte a ela.

A narrativa, sem tropeços, mas também sem querer abarrotar o espectador de informações, vai mostrando quem é Hermila que, ao se deparar com o fato de que o marido a abandonara, sai em busca de outros caminhos para encontrar o seu paraíso.

O olhar para o nordeste também é outro em “O Céu de Suely”. Menos estigmatizado, ele mostra que o lá e o cá estão integrados. Há um pouco de Iguatu em cada metrópole deste país, assim como há um pouco de São Paulo em Iguatu, ainda que pelas mechas descoloridas do cabelo de Hermila.

A fotografia de “O Céu de Suely” é ousada e abusa de quadros desfocados, que podem ser vistos tanto como uma opção estética, mas também como um elemento narrativo, já que a própria vida muitas vezes parece perder o foco. A excelência da captação e edição de som merece registro, num cinema nacional tantas vezes criticado por deficiências neste campo.

A trilha sonora é marcada por versões de grandes sucessos internacionais. A escolha foi proposital, segundo Aïnuouz “faz parte da construção do cenário que é local e global, marca dos dias atuais”.

Vencedor do Festival do Rio (Melhor Filme, melhor diretor e melhor atriz), O Céu de Suely é uma das melhores produções nacionais dos últimos tempos. Mergulhe de cabeça.

Ficha Técnica:
O Céu de Suely – 88 min.
Direção – Karim AïnouzProdução – Walter Salles, Maurício Andrade Ramos, Hengameh Panahi, Thomas Häberle, Peter Rommel (Brasil, França, Alemanha, Portugal)
Elenco – Hermila Guedes
Georgina Castro
Maria Menezes
João Miguel
Zezita Matos
Mateus Alves
Gerkson Carlos

resenha escrita para o site www.estudantenet.com.br

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A semana

O nome é alemão, mas o crime é genuinamente nacional. Não aguento mais ouvir falar no “Caso von Richthofen”. Pois é, nome difícil, mas de tanto ser martelado na nossa cabeça até gago já manda – o o o o ca ca ca so von Richthofen. Não é para ser engraçado – e para ser dramático.

Existe uma eleição presidencial acontecendo neste exato momento no Brasil, e a imprensa apenas alardeia juris, e outras tantas manchetes popularescas. No rádio, a CBN foi o dia todo a mesma lenga-lenga requentada, amassada, virada do avesso e de todos os lados para ver se espremia de algum jeito alguma notícia, nem que fosse uma única palavra, que pudesse ser novidade neste caso.

No futebol, voltamos ao arroz com feijão do brasileirão – que anda bem saboroso com o Tricolor em primeiro. A Libertadores será a grande tensão desta quarta-feira. É ganhar ou morrer.

Fora isso, um cineminha de vez em quando né, que ninguém é de ferro. A dica é o belíssimo Elza e Fred, de Marcos Carnavale. O filme é uma co-produção entre Argentina e Espanha e mostra com bom-humor, sensibilidade e elegância uma história de amor entre os personagens já octagenários. Toda essa badalação em torno do cinema argentino não é sem razão. Eles estão em alta e a todo vapor.

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