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Dilma cresce e Serra não vai nada bem

A tendência de crescimento da ministra Dilma Rousseff nas pesquisas de intenção de voto mostra-se mais consistente a cada aferição. O levantamento do Ibope, divulgado nesta quarta-feira, mostra a candidata com 30% das intenções de voto contra 35% de José Serra. Dilma cresceu 13 pontos, enquanto Serra caiu 3 na comparação com a pesquisa Ibope de novembro.

Mas este não é, na minha opinião, o principal dado deste levantamento. O mais significativo são as intenções de voto espontâneas, ou seja, o entrevistador chega e antes de qualquer outra pergunta questiona: Se as eleições fossem hoje, em quem você votaria para presidente?, ou algo mais ou menos assim. Nestas condições, Dilma Rousseff tem 14% das intenções de voto, enquanto José Serra aparece em segundo lugar, com 10%.

Porque isso é importante? Porque este voto é, talvez, o mais consolidado, o que tem menos volatilidade. Há pouco mais de 7 meses da eleição, o eleitor que respondeu essa pergunta de bate pronto já está com sua decisão tomada.

Este dado, ao lado de outros resultados da pesquisa, mostra que o potencial de crescimento da ministra Dilma Rousseff é bem maior que o do governador paulista.

Vejamos:
O pré-candidato mais conhecido da população, segundo o Ibope, é José Serra, com 65% dos entrevistados dizendo que o conhecem bem ou “mais ou menosâ€. Não é para menos. Serra é figura pública há muitas décadas, já exerceu vários cargos executivos e foi candidato à presidente da República na última eleição.

Dilma, ao contrário, tem menos estrada que Serra, mas seu nível de conhecimento tem crescido bastante, passando de 32%  na última pesquisa para 44%. Natural, portanto, que sua rejeição tenha despencado, afinal, costuma-se rejeitar aquilo que não se conhece. Assim, os índices de rejeição à Dilma caíram de 41% em dezembro para 27% em março. A permanecer a tendência de maior exposição da ministra, com ampliação do seu conhecimento, pode-se esperar que essa rejeição continue caindo para números menores que a rejeição de José Serra.

Tudo isso somado à intenção majoritária do eleitorado brasileiro em votar num candidato ou candidata apoiado pelo atual presidente, Lula, as possibilidades de Dilma aumentam ainda mais. O levantamento do Ibope mostra que 53% dos entrevistados se dizem inclinados a votar em alguém que tenha o apoio de Lula.
Acontece que 42% dos entrevistados não souberam responder quem é o candidato apoiado pelo presidente.  Olha ai mais uma avenida de possibilidades para o crescimento de Dilma.

Ao contrário, apenas 10% declararam que vão destinar seus votos a um candidato de oposição. Com este dado, Serra vai ter que rebolar para construir o seu discurso…

Todos esses dados estão circunscritos a uma conjuntura política extremamente favorável ao governo. Este levantamento registrou o recorde para a avaliação positiva do governo do presidente Lula: 75% consideram o governo Lula “ótimo†ou “bomâ€, enquanto 5% afirmam que é “ruim†ou “péssimoâ€. Há três meses, esses percentuais correspondiam, respectivamente, a 72% e 6%. A aprovação ao presidente também está nas nuvens, 83% aprovam a forma como Lula governa o país e 13% desaprovam.

É por isso que o vídeo postado no blog do Miro, que eu reproduzo aqui, está altamente em sintonia com a situação política atual.

O que Ciro vai fazer da vida? Façam suas apostas!

Frases de efeito e pouquíssimas papas na língua são características distintivas do ex-governador cearense Ciro Gomes. Por isso, as declarações que deu em entrevista à Folha de S.Paulo, desta segunda-feira, não surpreendem.

“Fulanizar a política é algo ridículo no Brasil. São Paulo precisa de um projeto porque a eficiência medíocre do PSDB deu o que tinha que dar. Os indicadores de violência estão crescendo, o transporte está colapsando, a educação de São Paulo é uma das piores do país. Agora, como o PT é um desastre, lá em São Paulo especialmente, eles têm essa eficiência medíocre posta em relevoâ€, disparou sempre no tom ácido que lhe é peculiar.

Claro, personalidades como a de Ciro geram sempre animosidade. Quem fala o que quer depois houve em dobro e tem que administrar as consequências da língua solta.

Assediado pelos partidos da base do governo Lula em São Paulo para sair candidato ao Palácio dos Bandeirantes nestas eleições, Ciro Gomes transferiu seu voto no prazo legalmente previsto para a disputa estadual. Apesar disso, tem soprado aos quatro ventos que é candidato à Presidência da República e afirmado que sua candidatura em São Paulo é uma improbabilidade. Será?

As dúvidas permanecem nas próprias linhas da Folha: “Ao final da entrevista, com o gravador já desligado e cercado por correligionários do PSB num hotel no Rio, Ciro confessa que se não for candidato à Presidência e nem disputar o governo de São Paulo, deixará a políticaâ€.

O presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, comentou as críticas de Ciro Gomes ao PT e suas repercussões. “Ciro tem um jeito de falar e eu tenho outro. Amanhã vou conversar com ele em Brasília”, publicou o Terra Magazine.

Ainda faltam cartas na mesa para prever o desfecho dessa novela. As opções deixadas por Ciro são poucas. Quem apostar na terceira alternativa vai perder feio. Ciro não vai deixar a política. Façam suas apostas.

Em defesa da Reforma Agrária, comunicadores lançam rede

Criar mecanismos para furar o bloqueio que a grande mídia impõe aos assuntos que envolvem as lutas dos movimentos sociais é o objetivo da criação da Rede de Comunicadores em Defesa da Reforma Agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais. O lançamento da rede aconteceu nesta quinta-feira, 11/03, na sede do Sindicato dos Jornalistas e teve a presença de João Pedro Stédile do MST e do jornalista Paulo Henrique Amorim, um dos signatários do manifesto em defesa da Reforma Agrária que já conta com a adesão de dezenas de assinaturas.

O debate abordou o tema do agronegócio, o papel da mídia na criminalização dos movimentos sociais e foi coordenado pelos jornalistas Altamiro Borges, Verena Glass, e pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas, Augusto Camargo.

Novo modelo agrícola
João Pedro Stédile fez um breve raio-x do agronegócio, que hoje representa uma “aliança entre os fazendeiros capitalistas e as empresas transnacionais que controlam o mercado de alimentosâ€, essa nova conformação, avalia, mudou a natureza da luta pela reforma agrária, que não é mais a disputa com o latinfudiário atrasado. “O que antes era a luta do pobre que queria terra, agora é uma luta de classesâ€.

Para o líder do MST, o lado bom dessa nova realidade é colocar para a sociedade o debate sobre a mudança do modelo agrícola, que mecaniza e desemprega, subemprega com trabalho escravo e está baseado no uso de agrotóxicos comprovadamente nocivos à saúde das pessoas.

Por tudo isso, o combate à luta pela Reforma Agrária ganha novos instrumentos. “A direita está se articulando para reprimir os movimentos com outros métodos com o objetivo de aniquilá-los. Articulados nos instrumentos que eles mais dominam: “Tribunal de Contas da União, Poder Judiciário e a mídiaâ€, aponta Stédile.

Sobre a CPMI que pretende investigar supostos desvios de recursos por parte dos movimentos pela Reforma Agrária, Stédile foi taxativo: “Não se trata de discutir recursos públicos, até porque os recursos que nossas entidades acessam são uma merreca perto do que o agronegócio recebe. Essa é a terceira CPMI que eles instalam num período de 8 anos. Todos os nossos sigilos bancários já foram quebrados, todos nossos telefones são grampeados. Eles tiveram 8 anos para denunciar nossas supostas contas no exterior, nossas falcatruas. Não fizeram porque não encontraram nada e continuam criando CPMIs porque o objetivo deles é criminalizar os movimentos sociais. O DEM é o partido que tem sido a ponta de lança disso. O Onix Lorenzoni foi claro, disse que o que eles querem é acabar com o MSTâ€.

Criminalização dos movimentos sociais
O jornalista Paulo Henrique Amorim começou lembrando que é alvo de 22 ações na Justiça, sendo que 9 destas são de autoria do Daniel Dantas. “Estamos vivendo uma tentativa de criminalizar em escalada tudo que tem um conteúdo político e ideológico. Para ratificar os interesses da elite brasileira, se criminaliza pessoas. Esse fenômeno da criminalização através do Judiciário é uma circunstância política nova, associada a outro, que é o de fechar a internet, busca cercear a livre manifestação. (…) Tenho orgulho de ser processado por senhores como Daniel Dantas e pelo senador Heráclito Fortes, isso é resultado da minha luta pela liberdade de expressãoâ€.

Amorim denuncia a elite brasileira que, “com três ligações telefônicas para Tavinho (Folha), Marinho (Globo) e Mesquita (Estado) controla jornais, rádios, emissoras de televisão, revistas, agência de informação e os portais da internetâ€.

Para se contrapor a isso, ele receita: “temos que fazer uma resistência na internet. Não há outra forma”. Criar mecanismos de multiplicação da informação usando muito áudio e vídeo, criando botões contra a criminalização dos movimentos sociais. “O último reduto da liberdade de expressão do país é internetâ€, afirma.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas falou da crise da atividade jornalística e das empresas de comunicação, mas defendeu que a necessidade do bom jornalismo e da informação não está em crise. Ele reforçou que uma frente de comunicadores não pretende reunir apenas jornalistas, mas todos os cidadãos que exercem o seu direito de expressão.

Ao final, uma série de iniciativas para envolver os comunicadores e colocar a rede em movimento foram apresentadas. Serão criados grupos para levantar dados sobre os assentamentos no país, sobre a produção da agricultura familiar e sobre o agronegócio. A rede deve lançar, na próxima semana, um blog que vai reunir todo o trabalhos desenvolvidos e ser uma fonte de informação contra a CPMI e em defesa da Reforma Agrária.

Categoria: Brasil  Tags:  2 Comments

O acesso à internet como direito e o PNBL

A percepção de que a comunicação é um direito humano vai ganhando, a cada momento histórico, mais alcance. Na verdade, o direito à informação e à livre expressão de ideias sempre foi alvo de confronto entre àqueles que não tinham os canais para fazê-lo e os que os possuíam. Em certos momentos essa disputa se deu de forma mais latente do que outras, em razão da situação política e do surgimento de novas tecnologias.

O surgimento da internet tornou esse conflito mais inflamado e está contribuindo muito para ampliar a noção de que é preciso democratizar os meios de comunicação. É o que se pode concluir do levantamento realizado pela BBC de Londres (íntegra em inglês), cujos dados mostram que 4 entre 5 pessoas entrevistadas em 26 países consideram o acesso à internet como um direito fundamental.

Entre as mais de 27 mil pessoas entrevistadas, 87% dos usuários na rede mundial de computadores apontaram que o acesso à internet deveria ser um direito fundamental. Entre os que não são usuários, 71% consideram que deveriam ter o direito de acessar a internet.

Banda Larga para Todos
Entre os brasileiros que respoderam à pesquisa, 91% apontaram que o acesso à internet é um direito fundamental. No Brasil, cerca de 70 milhões de pessoas têm acesso à internet, sendo que destes, apenas metade são de usuários ativo, o que representa algo em torno de 19%.

Por isso é fundamental que a implantação do Plano Nacional de Banda Larga seja acelerado e tido como uma política de Estado e não de governo. Capilarizar a internet por todo o Brasil, fazendo com que o acesso em alta velocidade chegue a todos os municípios brasileiros tem que ser uma prioridade política que só será viabilizada com a participação direta do Estado.

Daí a discussão em torno da recuperação da Telebrás e da ação direta do governo na oferta ao consumidor final, e não apenas na infraestrutura de rede para a operação do setor privado. Isso porque não há interesse desse segmento para investir nos rincões do país, onde o retorno econômico do investimento realizado é praticamente nulo.

Mesmo assim, os empresários desse setor resistem à participação do Estado e operam um forte lobby para tentar garantir seus interesses, postergando a aplicação do PNBL ou alterando seu caráter.

Infelizmente, parece que o governo vai cedendo à pressão empresarial e já anuncia que o PNBL deve ficar mesmo para a próxima gestão e que neste ano haverá apenas um “ensaio” de sua aplicação.

Lógico que a universalização do acesso deve cumprir metas e etapas, e está claro que em 2010 será aplicada uma parcela incial do plano. Mas, o que não podemos aceitar, é que haja uma redução do ritmo de aplicação do plano em razão das pressões políticas contrárias a ele. Estava previsto que até o final de 2010 cerca de 3 mil cidades seriam contempladas pelo PNBL. Essa meta foi reduzida para 300.

Não se pode deixar para amanhã, o que pode ser feito hoje. Construir as condições para universalizar o acesso à internet é um instrumento fundamental para aprofundar a democracia na sociedade.Por isso, é imperativo colocar os movimentos sociais na luta pela imediata implementação do Plano Nacional de Banda Larga.

O desabafo de um veterano de guerra contra os EUA

Num discurso altamente articulado e impactante, o veterano da guerra do Iraque culpa o governo e os bilionários norte -americanos pela guerra!

Mídia quer tirar Serra da clandestinidade

Eu sei que você sabe; você sabe que eu sei que você sabe, mas eu fico calado fingindo que ninguém sabe de nada. A estratégia de não assumir a candidatura à Presidência da República adotada por José Serra está deixando os setores conservadores, cujo porta-voz é a grande mídia, de cabelo em pé.

Não é para menos, já que Dilma Rousseff cresce e se fortalece num ritmo que os tucanos não esperavam. O editorial Candidato clandestino, do Estadão deste domingo, é quase um ultimato ao PSDB e, particularmente a Jose Serra.

Tirar Serra do lusco-ofusco
“Serra deve estar convencido de que sua estratégia dará certo. Talvez dê, mas por enquanto não há quem entenda o que ele tem a ganhar se comportando como candidato clandestinoâ€. Chama a atenção o editorial, para o avanço da candidata de Lula “o contraste entre a desenvoltura de longa data da operação Dilma e o tardio despertar da oposição para o imperativo de tirar Serra do lusco-ofusco em que escolheu permanecer serviram até agora para debilitar eleitoralmente o governador (…) A oposição precisa de um candidato que vá para a batalha pela porta da frenteâ€.

O Estadão caracteriza a postura de Serra como errática e alfineta: “É sabido que Serra quer ser presidente desde criancinha. Mas a relutância em assumir a sua legítima aspiração, pela qual trabalha em surdina, já faz com que se diga que ele não tem medo do poder, tem medo do votoâ€.

Afundar com a tripulação ou pular do barco?
Não é à toa que as especulações em torno de uma possível desistência do governador paulista para concorrer à certa reeleição em São Paulo foi ganhando adeptos. Serra é um político que não se permite navegar em oceanos turbulentos e não quer entrar num barco que pode naufragar.

O traçado político que o tucano desenhou para chegar à Presidência foi muito bem pensado. Derrotado em 2002, resolveu se fortalecer no maior colégio eleitoral do país. Elegeu-se prefeito, e depois governador em 2006, num cálculo bem preciso, já que derrotar Lula numa reeleição era tarefa de altíssima improbabilidade, mesmo com toda a campanha midiática anti-Lula. Na conta de Serra, o retorno do PSDB à Presidência da República teria que esperar 2010, ano em que pela primeira vez Lula não seria candidato.

Rapidamente a direita e a mídia se uniram para corroer as principais lideranças políticas da base do governo Lula, para minar as possibilidades de ter um nome forte para assumir o legado de Lula na disputa de 2010.

O surpreendente avanço de Dilma
Quando começou a ficar claro a opção do presidente pela candidatura de Dilma Rousseff, ela tornou-se o alvo da vez. Mas não foram bem sucedidos. As previsões de que a ministra seria um poste, um peso morto que não decolaria na disputa, escoaram pelo ralo. Dilma se fortalece e avança nas pesquisas, e muito antes do previsto já está praticamente empatada com Serra.

O projeto da direita de colocar um ponto final no ciclo político aberto com a eleição de Lula está mais fragilizado a cada dia. E isso aumenta as incertezas em torno do caminho que Serra efetivamente seguirá. Acredito que a probabilidade de Serra desistir da disputa ao Planalto é praticamente nula. Mas, o batalhão conservador não brinca em serviço e através do  editorial do Estadão manda o recado: “Essa hipótese [de concorrer à reeleição em São Paulo] é desonrosa para o governador. A esta altura, ou ele disputa o Planalto ou sai da vida pública”.

Enquanto isso FHC…
O sociólogo ex-presidente vai assumindo a linha de frente da oposição e demarcando politicamente com o governo Lula. Tem dado declarações, participado de eventos e publicado sucessivos artigos que tentam balizar as posições tucanas para a disputa. Neste mesmo Estadão de domingo, em artigo publicado ao lado do editorial comentado acima, pontua as ações de seu governo como sendo as responsáveis pelo atual estágio do Brasil. Desconsidera que já nos separam daquele período oito anos e muitas iniciativas que mudaram a cara do país.

E, como já está bastante acostumado a fazer, pede aos brasileiros que esqueçam o que ele disse e escreveu antes. Dessa vez, tenta tirar o foco do debate sobre as privatizações e sobre o papel do Estado. “Perdemos tempo com uma discussão bizantina sobre o tamanho do Estado ou sobre a superioridade das empresas estatais em relação às empresas privadas, ou vice-versaâ€, e conclui com a célebre frase: “Ninguém propõe um “Estado mínimoâ€, muito menos o PSDBâ€. Dá para acreditar?

Hitler, o garoto propaganda anti-aborto

A sanha conservadora, aliada ao fundamentalismo religioso está passando dos limites. Em 2009, uma campanha contra a Aids usou a imagem de Hitler e fez a analogia de que a doença é, como o líder nazista, uma assassina em massa. A campanha chocou o mundo e foi contundentemente criticada. (Leia mais)

Agora, os conservadores Poloneses – diante do avanço das políticas que reconhecem os direitos das mulheres e avançam na compreensão de que a interrupção da gravidez deve ocorrer, quando necessário ou desejado, assistida pelo Estado – mais uma vez recorrem ao Fuhrer para atacar o aborto.

Um cartaz estampado nas ruas da cidade de Poznan mostra Hitler ao lado de fetos abortados com a frase: “o aborto para mulheres polacas foi introduzido por Hitler a 9 de Março de 1943â€. O sentido da anti-campanha é relacionar a prática do aborto aos terrores do nazismo.

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A responsabilidade campanha é da organização Fundacja Pro, que justificou alegando que o objetivo é relembrar que o aborto foi introduzido na Polônia durante a Segunda Guerra Mundial como forma de controlar o crescimento da população, que era considerada inferior pelos nazistas.

Lançada em razão do dia internacional da mulher, a campanha foi recebida de forma muito negativa é está suscitando revolta. “Entendo que a campanha foi concebida para chocar, mas há limites para o impacto”, disse a deputada polaca Elzbieta Streker-Dembinska, ao jornal inglês “Daily Telegraph” . “Um feto e Adolf Hitler é uma comparação injustificada. A ideia é inaceitável e ultrapassa as fronteiras da decência”, acusou.

A Polônia tem uma das leis mais restritivas da Europa sobre o aborto, que só é permitido em caso de violação, incesto ou risco de vida para a mulher e para o feto.

A iniciativa conservadora ocorre no contexto de ampliação dos países que estão legalizando o aborto, como aconteceu recentemente na Espanha.

Era só o que faltava. A escravidão é culpa dos negros

Primeiro achei que podia ter lido errado. Reli e não pude acreditar na capacidade dos conservadores em produzir e reproduzir, a cada novo dia, novas teses para manter e ampliar o preconceito. Pior, para impedir a ascensão social de um segmento tão penalizado pelas políticas de uma sociedade dirigida pelos ‘brancos de olhos azuis’, como diria o presidente.

Pois é, o DEM – cujo apelido certeiro de demo vai se justificando cada vez mais – defendeu nesta quarta-feira, durante a audiência pública do Supremo Tribunal Federal realizada para debater o sistema de cotas raciais na universidade, que a culpa da escravidão é dos negros.

Demóstenes Torres, senador do DEM por Goiás, diz que o sistema escravista só existiu porque “a Ãfrica subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América”. Intercalou em seu raciocínio um comovido “lamentavelmente”, para completar afirmando que eles “não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos, mas chegaram”.

Ora, vejam vocês a que nível de perfidez chega a mente humana. Uma vez, um amigo me disse que o homem é capaz de elaborar as mais complexas teses para justificar suas atitudes, não importa elas quais sejam. Olha aí!

O raciocínio de Demóstenes tentar validar a sua atitude preconceituosa, dizendo que a culpa da escravidão é dos negros, o homem branco nenhuma responsabilidade tem nisso e, portanto, reza a lógica cartesiana que não há motivos para se criarem políticas públicas de reparação social para tirar todo um povo da condição socioeconômica que a história lhes legou.

Se chegaram aqui como escravos, saídos de lá nesta condição ou não, isso não exime o Estado brasileiro da responsabilidade pela marginalização e pela violência cometida contra aqueles que chegavam aos milhares nos navios negreiros, seus filhos, netos, bisnetos e toda uma geração que continua sendo hostilizada porque não possuí a pela alva das elites.

O julgamento da inconstitucionalidade das cotas, movido a partir de ação do DEM, alega que as cotas para negros e afrodescendentes para ingresso no ensino superior fere o princípio da igualdade.

Que igualdade, cara-pálida? A social, que divide as pessoas entre as que moram nos edifícios de luxo e são na sua grande maioria brancas, e as que vivem nas favelas em condições sociais sofríveis e são na sua maioria negros e descendentes de negros? Ah! talvez ele esteja se referindo a igualdade na formação educacional, que as crianças e jovens recebem nas escolas para se prepararem antes de entrar na universidade. Certo. Ai há também muita igualdade de condições, já que os ricos estudam em escolas de elite com professores escolhidos à dedo e ensino de alta qualidade, contra a educação oferecida aos pobres, em escolas públicas abandonadas pelo Estado, sem infraestrutura básica, como cadeiras nas salas de aula.

É gente, há mesmo muita igualdade de condições para se chegar à universidade. Desculpe senador, só não vê quem quer.

Categoria: Brasil, Educação  Tags: ,  14 Comments

Silêncio, o sambista está dormindo

A morte de Walter Alfaiate deixou o samba triste. Neste sábado, a voz elegante “sumiu na brisa”, mas deixou um legado de grandes sambas, inesquecíveis apresentações e a alegria da roda de amigos, como esta.

O mundo, a arte e Jabor “em criseâ€

Reproduzo o artigo do documentarista Vandré Fernandes sobre o armargurado comentarista global Arnaldo Jabor.

O mundo, a arte e Jabor “em crise”

Parafraseando o título do livro “O mundo, o homem e a arte em crise†do intelectual de esquerda Mário Pedrosa, trotskista e fundador do PT, acho oportuno levantar considerações sobre as últimas frases e comentários do jornalista e cineasta Arnaldo Jabor, que vem soltando o verbo contra a esquerda e o governo Lula, utilizando a mídia para defecar palavras retrógradas e se posar de Robin Hood dos ricos.

É sabido por todos que Jabor iniciou sua peregrinação no CPC da UNE, depois passou a fazer parte da escola Cinema Novo e realizou o bom filme-documental Opinião Pública. Sempre contestador, ele fez excelentes filmes como Pindorama, Toda nudez será castigada, Eu sei que vou te amar, entre outros. Aos poucos, Arnaldo Jabor foi migrando sua trajetória, inicialmente de esquerda – a qual nega, dizendo que eram apenas coisas um jovem romântico – e vai se convertendo à direita, passando a endeusar os setores conservadores do país.

Recentemente, Jabor vem aproveitando seu espaço na TV Globo, na Folha de São de Paulo, na rádio CBN e em outros meios de comunicação para dizer do “medo†de eleger Dilma para a Presidência da República. O que estaria por trás deste medo? E por que Lula fez um governo consequente e Dilma não fará?

Na verdade, o medo de Jabor é o mesmo medo de Regina Duarte nas eleições de 2002. Medo de ver um país com mais distribuição de renda, mais inclusão social, com mais autoestima de ser brasileiro. Jabor acha que com Dilma na presidência o monopólio da mídia será quebrado, e ele teria dificuldade arrotar suas agruras na mídia. Talvez esteja com medo de que utilizem os mesmos meios para desqualificá-lo por suas condutas esquizofrênicas, por ser porta-voz de uma elite que vê ruir seus sonhos do american way of life.

Jabor esteve presente no 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado em um luxuoso hotel de São Paulo pelo Instituto Millenium, que reuniu algumas dezenas de pessoas para discutir o tema pelo valor de R$ 500,00. Jabor discursou como se discursava na época da guerra fria, como se a ameaça comunista estivesse à beira de deflagar no país, ou seja, ele parou num tempo distante. Atacou os comunistas, a Dilma e convidou a todos para impedir que a pré-candidata petista chegue à presidência.

Talvez Jabor não perceba os avanços obtidos no país na era Lula, e faz o jogo de depositar as conquistas alcançadas no último período ao governo de FHC, o que é uma dissimulação para não creditar os avanços do governo de Lula e de sua base aliada que conta, inclusive, com comunistas no senado e na Câmara Federal.

O mundo mudou e avança para o futuro, o Brasil cresce e pode ser em breve a quinta economia do mundo. Cada dia mais pessoas no país deixam a linha da pobreza e ingressam na classe média. Jabor pode ter medo disso tudo. Mas o povo não. A última pesquisa eleitoral indica que o caminho a ser seguido é o mesmo iniciado em 2002.

Portanto, Jabor fala na TV, fala no rádio, escreve no jornal, mas não escuta o povo. E se de um lado temos um grande cineasta, do outro temos apenas um homem, um homem em crise.

Categoria: Mídia  Tags: ,  4 Comments
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