Estarrecedor o que aconteceu com a estudante da Uniban que foi perseguida e achincalhada por uma turba de jovens por ter ido à aula com um mini-vestido.
O senso comum diz que a garota estava “procurando”, que foi para a aula com o intuito de provocar, e que a sua roupa era de uma vagabunda, prostituta, que – como bradavam os vestais nos corredores da Uniban – devia ser estuprada. Fico me perguntando de onde vem tanto preconceito.
Ditadura da moda
Os mini-vestidos estão na moda. Vemos todos os dias na televisão, as atrizes desfilando modelos para lá de curtos, mostrando as pernas da metade da coxa para baixo. Os minis estão em todo lugar: nas vitrines dos shoppings, nas lojas de rua, nas lojas de grife. É o revival dos micros dos anos 70. Saia na altura do joelho, neste verão, será démodé.
Segundo alguns sites de moda, os mini mini vestidos são obrigatórios. Eles foram os principais protagonistas da temporada de desfiles das coleções primavera-verão 2009.
Ai, quando uma jovem resolve usar um mini é recepcionada por uma multidão descontrolada? Por quê? Mini é só para atriz? Uma jovem comum, bombardeada cotidianamente pelos apelos da publicidade e dos ideais de beleza se usar um mini é vagabunda?
Hostilidade universitária
Mais perturbador ainda é o fato das cenas de preconceito terem se passado no interior de uma universidade, que deveria ser um espaço democrático que abriga tendências de todos os tipos.
Alguns podem se defender dizendo que o vestido não estava adequado para aquele ambiente. A estes fica o desafio: quem já fez universidade no período da noite e nunca emendou uma “balada” e, portanto, já foi produzida para a aula que atire a primeira pedra. E, mesmo que a roupa não estivesse adequada, não justifica tamanha insanidade, tamanho conservadorismo hipócrita.
Sociedade da intolerância
Receio que este episódio mostre que a sociedade está se tornando, a cada dia, mais intolerante, mais conservadora e reacionária. Estamos vivendo na era do é proibido na vida real, enquanto a permissão e a chancela para estes comportamentos são exibidos diariamente na TV. É a era da exposição máxima e da privacidade mínima. Dos julgamentos prévios e públicos sem direito de defesa, do sensacionalismo.
E o pior de tudo, é tempo de hipocrisia. Como diria Drummond – Este é tempo de homens partidos.


Oi Renata tudo bem. Estou no Centreville com meus amigos e eles querem comentar seu artigo. Estamos prestando toda a solidariedade, a perifa está de acordo com seu artigo é uma atitude muito legal da sua parte. Isso atinge muitas pessoas o tempo todo e estamos contemplados com sua opinião. Essa discussão surgiu espontaneamente no círculo e resolvi demonstrar a opinião do blog. A indignação é alta. Essa moça deve voltar aos estudos vestida da forma que se sentir bem. Isso é praticamente um movimento contra o preconceito e estamos nessa.
Falou.
Oi Andre, que legal você colocar essa questão. Porque o episódio da Uniban pode abrir uma brecha para algumas pessoas acharem que a ação contra a estudante foi coisa de gente da periferia, que esse tipo de coisa não aconteceria em faculdades da elite. Mostrar que os jovens da periferia estão indignados e que não concordam com o que aconteceu também é uma forma de combater um outro tipo de preconceito, que é o de classe. Um super beijo pra galera do Centreville.
Salve Renata, de muito bom tom seus comentários, peço sua autorização para reproduzi-lo em uma avaliação de filosofia do colegio Santa Cecília aqui em fortaleza Ceará. Antecipadamente agradeço….
Fique à vontade para usar minhas reflexões e comentários da maneira como achar melhor. O janela é adepto do creative commons! bjs e obrigada pela visita.
Muito bem Renta!