Em tempos de resgate de práticas saudáveis, gerações inteiras estão tendo que rever hábitos que foram cultivados a partir de uma excessiva propaganda consumista e que moldou comportamentos e personalidades.
O cigarro talvez seja o principal tabu a ser quebrado. Já faz alguns anos, o tabagismo tem sido associado à vários tipos de doenças, algumas delas com índices elevados de mortalidade como o câncer e o efisema pulmonar.
Propagandas de alerta mostrando as consequências que o cigarro pode trazer à saúde são impressas nas carteiras de cigarros e estampadas nas vitrines de venda em bares e padarias. Mas, essas campanhas de esclarecimento ainda não foram suficientes para combater décadas de bombardeio consumista que associou o cigarro ao sucesso, ao prazer, à beleza, à inteligência e tantos outros predicados – todos positivos – que foram plantados e regados com insistência nas mentes de várias gerações.
É o que mostra uma exposição com propagandas antigas de cigarro que começa nesta quinta (15) na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Algumas das peças de publicidade trazem como garotos propagandas de cigarro: bebês, dentistas, cientistas, educadores, atletas. Aqui, uma pequena amostra dessas pérolas da publicidade:
‘Como seu dentista, eu recomendaria Viceroy’

”20.679 médicos afirmam: ‘Luckies irritam menos”’; no pé do anúncio, lê se ‘’sua proteção de garganta contra irritação e tosse”. No anúncio de Marlboro, um bebê proclama: ”Nossa, papai, você sempre tira o melhor de tudo… até de Marlboro”.

“Mais médicos fumam Camel do que qualquer outro cigarro”
“Encare os fatos! Quando a tentação da comida for demais, acenda um Lucky”

“A ciência descobriu – você pode comprovar. Chesterfield não deixa gosto ruim”

Em tempo: Eis uma pequena amostra de que não se pode condenar o fumante pelo vício de fumar. Pessoas queridas fumam por prazer, são militantes do cigarro e é preciso respeitá-las nisso. Algumas se foram, recentemente como a querida Lilian Martins. Fica para todos a reflexão.


Interessante sua análise inicial. Percebo que os jovens, principalmente até os 25 anos, ainda não tem preocupação com sua saúde, estão preocupados com o culto ao corpo perfeito, mas ao se tornarem pessoas mais maduras percebem que os vícios de uma vida sedentária, com má alimentação, noites mal dormidas contribuem para problemas como estresse e outras doenças na fase adulta que se aproxima. Alguns colegas próximos descobriram que algumas atividades como natação, corrida de rua, ciclismo, caminhada ou enduro a pé colaboram para reversão desse quadro. Acho que poder público atua ainda de maneira tímida para mudar essa situação. Devemos investir mais na criação de locais públicos para realização de atividades físicas, principalmente nos bairros periféricos. Na cidade em que moro, temos academias populares, projetos de urbanização com criação de ciclovias e pistas para caminhar e correr, além dos módulos de orientação ao exercício, além de quadras para práticas esportivas. Vejo que a redução da jornada de trabalho pode ser um fator que estimule hábitos de vida mais saudáveis. Educação alimentar também é um pilar importante. Enfim, a muito a ser feito, com certeza investir na prevenção é mais barato do que na cura!
Finalmente alguem, e jovem, percebeu que os fumantes, principalmente os que eram jovens há mais de trinta anos atrás, não são os monstros que estão tentando pintar em São Paulo. E, há, aqueles que não desejam parar com esse hábito (vício), não obstante, respeitem o direito de quem não quer fumar. E, como disse o comentário acima, tantos hábitos saudáveis são necessários para uma qualidade de vida boa. Mesmo que não tenhamos alcançado a vida eterna, com ou sem cigarro, é bom praticar esportes. Que os governos se preocupem em criar as condições de acesso a todos.
Essas campanhas podem ajudar quem tem um grau de experiência e que não se entregou . Mas parcela da juventude das camadas sociais disprevelegiadas estão no circuito de adquirir o cigarro mais barato de filtro escuro, ou seja, além de ser muito forte e baixa qualidade mais agrotóxicos indesejáveis estão sendo absorvidos (e que talvez sejam as marcas nacionais, o que gera outra polêmica, ainda não tinha pensado nisso). Infelizmente estes consumidores já perderam a perspectiva, mas não os sonhos e não é um propaganda com tentativa de contribuição a eliminação do vicio que será aprovado por estes jovens. Já tem consciência que diversão custa caro, e que não querem baixar a cabeça mesmo pela perversidade que é para as coisas que tem acesso. É uma discussão muito importante. Renata uma das coisas que me chama atenção para seus artigos é o título, acho muito criativo.
Obs, falha, “agrotóxicos”, componentes tóxicos seria melhor né.
ehehe
Há que se pensar que da mesma forma como o uso do cigarro era manipulado pela propaganda, ainda é sempre a propaganda quem dita as formas adequadas de viver. O problema está no fato de as pessoas não terem mais um mínimo de percepção crítica e engolirem goela abaixo todos os tipos de proibição em favor de veiculação midiáticas cujos interesses são sempre políticos.
A filósofa Hannah Arendt, em um de seus poucos textos sobre educação (”A crise na educação) defende a ideia de que um povo que perde o senso de orientação política e ideológica é justamente aquele que está preparado para um governo totalitarista, (a exemplo do nazismo e do fascismo) já que parece depender de uma instituição qualquer que oriente sua conduta em sociedade. Daí pensarmos que a lei antifumo é uma forma de proteção à sociedade, quando na verdade apenas auxilia na formação de novos preconceitos e novas formas de coerção social.