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FHC defende seu legado e acusa “lulismo” de mentiroso

Em 2004, José Serra foi eleito prefeito de São Paulo. Disse que ia entregar aos paulistanos o melhor de sua energia para cuidar da cidade que tanto ama. Também disse que não estava usando a prefeitura como trampolim político e que cumpriria todo o seu mandato à frente da administração paulistana.

Claro que tudo isso foi conversa para boi dormir. Passados dois anos, lançou-se candidato ao governo do estado e deixou a prefeitura nas mãos do vice, Gilberto Kassab.

O resultado destes cinco anos de administração demo-tucana está em todos os jornais: enchentes, desabamentos, crise no sistema de transporte, propina nas merendas, aumento astronômico das taxas e impostos municipais, rendição à especulação imobiliária e por ai vai.

A mídia já jogou a toalha para o Kassab. Afinal não dá mais para esconder a inépcia de sua administração diante de tanto caos. Mas o governador José Serra mantém-se blindado, a salvo das críticas e das cobranças em torno da sua parcela de responsabilidade com a situação.

Candidato do PSDB e dos conglomerados da mídia à Presidência da República, José Serra é poupado e só aparece em destaque nas situações em que a exposição contribua para o seu projeto eleitoral.

Mesmo que este projeto esteja meio velado, já que o governador de São Paulo ainda não assumiu a candidatura, aguardando o momento ideal para fazê-lo. O problema é que tal momento talvez não se descortine. Dilma cresce nas pesquisas, para o desamparo de Serra, que imaginava esta eleição doce como baba-de-moça.

Nesse contexto, entra no jogo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cumprindo a função de artilharia pesada contra a gestão de Lula à frente do país e desqualificando a candidata ao Planalto. No artigo publicado neste domingo, 07/02, no Estadão, FHC antecipa quais serão os temas principais da campanha: “Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social”, afirmou o ex-presidente.

Em seguida, usa da retórica e manipula dados para desdizer a pecha de neoliberal atribuída ao PSDB, e diz que é mentira que o PSDB não investiu no desenvolvimento e nas áreas sociais. Mesmo assim, ainda defende a quebra do monopólio sobre a Petrobras, contabiliza como vitória a privatização da Telebrás, da Vale e da Embraer.

Ao final, FHC acusa o “lulismo” de ser mentiroso e de descontextualizar o debate sobre o país. Claro, mais um jogo de retórica da oposição. Tal misancene, vinda de um sociólogo que anunciou aos quatro ventos para que o mundo esquecesse tudo o que ele disse antes de assumir a presidência da República, não surpreende.

Nem deverá nos surpreender se, durante a campanha, José Serra em ato desesperado tal qual Geraldo Alckmin, vista um colete com os símbolos das companhias brasileiras para mostrar que o “monstro da privatização é coisa do passado.”

Numa coisa, contudo, FHC está certo: a briga é boa.

Tudo pela fama, pode?

O deputado Nelson Goetten (PR-SC) acha que não. Por isso, elaborou um projeto de lei para proibir as emissoras de rádio e televisão a veicularem cenas que atentem contra a dignidade humana.

É incrível como a busca por alguns instantes de fama tenha se tornado uma obsessão para tantas pessoas. Ser uma celebridade é o desejo de consumo mais cultivado, independente da posição econômica. Mais incrível ainda, é o que as pessoas estão dispostas a fazer e passar para ter seus minutos de fama e por uma recompensa econômica.

Os reality shows estão ai para provar isso. Uma baixaria cada vez mais apelativa que vai descambando para situações bizarras e humilhantes. O pior, é que no vasto mundo da futilidade que está disponível nos meios de comunicação, a disputa por um lugar no rol dos famosos é totalmente sem regras.

Como estancar a baixaria?
Esperar que as emissoras, num lampejo de civilidade, percebam que é preciso colocar um freio nessa situação e acabar com essa baixaria por consciência e convicção seria no mínimo ingenuidade.

Por isso é tão necessário que existam mecanismos públicos para impedir que se permita humilhar uma pessoa em cadeia nacional, mesmo com o seu consentimento. Tais mecanismos, por exemplo, estavam presentes no 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, bombardeado como o mais famigerado inimigo pelo eixo da mídia.

A iniciativa do deputado Nelson Goetten se soma a essa preocupação. O Projeto de Lei 6446/09, que tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados, proíbe as emissoras de rádio e televisão, inclusive as TVs por assinatura, de exibir situações e cenas que atentem contra a dignidade humana em reality shows. A emissora ou operadora que descumprir a medida será punida com base na Lei 4.117/62, que trata da radiodifusão, e poderá pagar multa de até R$ 50 mil por infração cometida.

O deputado afirmou que é uma tarefa da Câmara proibir a espetacularização da desgraça alheia nos meios de comunicação. Para ele, os reality shows extrapolam todos os padrões socialmente aceitáveis. “Vale tudo em nome da fama. Certos tipos de prova, como comer olho de cabra cru, não são raras. Outros tipos de perigo, como a proximidade a fios elétricos e a superação de obstáculos que levam à exaustão, também são recorrentes, em troca de recompensas financeiras”, afirma.

Vale tudo em nome da liberdade de expressão?
Se as emissoras de televisão tivessem um pingo de compromisso com a qualidade dos programas que são veiculados, com o respeito à audiência e com a observância, sim, dos direitos humanos, riscariam solenemente estes produtos de suas programações.

Engana-se quem acredita que as emissoras de televisão podem tudo em nome da liberdade de expressão. E isto, está explícito na Constituição Federal, em seu artigo 221. “A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Será que alguém pode me dizer em qual dos itens acima se encaixam esses programas tipo reality show?

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A morte anunciada

“Se eu perder você vai pra debaixo da terra… se eu perder minha casa eu vou te matar”. Essas são as ameaças do ex-marido de Maria Islaine, que procurou 8 vezes a delegacia para dar queixa das denúncia. Infelizmente, suas denúncias não redundaram em ações efetivas da força policial e do Estado para garantir-lhe a seguranç

A cabelereira foi morta brutalmente, com 9 tiros a queima roupa, um assassinato filmado pelas câmera de segurança que Islaine instalou em seu salão, acreditando que isso lhe traria mais segurança. As cenas indignaram o país.

Uma morte que poderia ter sido evitada se as autoridades respeitassem os direitos da mulher e as políticas criadas para coibir a violência doméstica, consignados na Lei Maria da Penha. Claro que a aplicação de uma lei desta é heterogênea pelo país, uma vez que depende da ação da unidade federativa em que será aplicada. Ai, entram todos os tipos de fatores subjetivos, mais especificamente os diferentes graus de machismo que atingem a sociedade e se refletem nas instituições.

Todos os dias centenas de mulheres sofrem ameaças de morte feitas por maridos, ex-maridos, namorados e outros familiares. Apenas uma parte dessas mulheres procura ajuda e faz a denuncia. Mas infelizmente, a maioria dessas denuncias não são levadas à sério. É verdade que parte delas nunca é concretizada. Dizer as palavras “eu te mato” ou coisa que o valha, na maior parte das vezes é força de expressão, usada de forma corriqueira e que não carrega a intensão.

Mas a quem cabe decidir que ameaça será concretizada ou não? Uma vez feita a denúncia, o papel do ente público é evitar que a violência se efetive. Como? Com os meios que forem necessários. O que não é possível é a continuar havendo mortes anunciadas que poderiam ter sido evitadas.

Isso é São Paulo…

Foto do rio Tietê cobrindo as pistas da Marginal

Foto do rio Tietê cobrindo as pistas da Marginal

O pânico do controle e o medo da perda do poder

Quem tem poder não quer perdê-lo por nada. Não é à toa que a história do mundo é a história da luta pelo poder. Sempre foi assim e continuará sendo, ao menos enquanto nossa sociedade estiver dividida em classes sociais distintas e antagônicas. Marx dedicou sua vida a estudar essas relações.

O desespero diante da participação
Por isso, não me causa espanto a ira destilada pelos barões da mídia diante da tentativa da sociedade em ter maior participação nos processos de comunicação no Brasil. Participação essa que nunca foi exercitada em razão dos contornos econômicos, políticos e sociais que determinaram historicamente a formação dos meios de comunicação no país.

Mas, com o exercício da democracia, com o aumento da participação popular nos processos de elaboração das políticas (outro fator que incomoda e causa urticária nas elites), essa situação começou a se alterar e a sociedade começou a reivindicar maior presença em todas as áreas, inclusive na comunicação.

Estava tão bom como era antes, sem questionamentos, sem ninguém querendo opinar a respeito do que é produzido por estes veículos. Audiência, leitores passivos e resignados em receber aquilo que as empresas decidiam nos entregar como produto de comunicação.

A ira dos barões da mídia
Para manter o status quo, a mídia arregaça as mangas e parte para o ataque. Uma peça exemplar dessa ira é o editorial do Estado, desta terça: Nova investida contra a democracia. Ele é ácido e descamba para o ataque puro e simples, usando argumentos que são, no mínimo, risíveis.

Afirma o editorial que não há monopólio dos meios de comunicação no Brasil. Claro que não, o âncora do Jornal Nacional já explicou muito bem isso ao dizer, que há 6 ou 7 empresas de televisão no país. Para que mais? Vamos ser mais precisos: 6 ou 7 empresas que dominam toda a cadeia de comunicação.

Taxa os movimentos sociais, as organizações não governamentais e tantas outras instituições da sociedade civil, que têm participado ativamente do processo de conferências, de bandos antidemocráticos patrocinados e coordenados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comparando esses movimentos com skinheads ou outros grupos arruaceiros.

Acusa esses movimentos de quererem controlar os meios de comunicação, a produção artística e a investigação científica e tecnológica. Alguém por acaso acha que não há um controle já sendo exercido sobre os meios de comunicação e sobre a cultura? Lógico que há, eles são fortemente controlados pela iniciativa privada e servem aos interesses políticos, econômicos, ideológicos e sociais dessa elite dominante.

Ou você, caro leitor, já foi chamado em algum momento para opinar sobre o conteúdo da programação da Rede Globo? Claro que não, a única forma de “opinar” é trocar o canal ou desligar a TV. Aliás, é o que recomendam os próprios executivos das emissoras. E rebatem: se assistem é porque gostam e estão aprovando.

Essas redes, na sua esmagadora maioria, nem sequer possuem o ombusdman para fazer o contato com a população. Claro, não querem ouvir, não querem compartilhar o seu poder, ou alguém duvida que ter nas mãos uma emissora de TV ou de rádio, ou um jornal, ou uma revista é um instrumento de poder?

Tolos e autoritários
O editorial – que nada mais faz do que dar vazão à opinião da elite que está sendo questionada – classifica as propostas discutidas pela sociedade em conferências e outros fóruns de debate de tolices. “Mas conferências desse tipo não têm o poder de transformar tolices em ideias inteligentes nem propostas autoritárias em projetos democráticos”.

Tolos e autoritários são os barões da mídia que estão enclausurados num modelo de comunicação que está ultrapassado, uma vez que as novas tecnologias permitem a troca entre emissor e receptor, acabando com a via de mão única que caracterizou os meios de comunicação em todo o século XX.

Autoritários são os proprietários dos meios de comunicação, que se encastelaram em concessões públicas ignorando que é direito, sim, do cidadão, ter participação nos destinos dos bens públicos e comuns da nossa sociedade.

A luta pelo poder e o recado à oposição conservadora
O que está em jogo, ao fim e ao cabo, não é a liberdade de expressão, de imprensa ou a democracia, que de repente viraram bandeira dessa elite. O que está em jogo é o poder, e nessa briga vale tudo para mantê-lo.

Como a mídia hegemônica cumpre, no capitalismo, o papel de partido político da burguesia, o editorial finaliza com uma orientação política para a oposição e um puxão de orelha nos partidos de direita: “A oposição poderia ajudar a conter esse projeto insano, se deixasse o comodismo e mostrasse mais disposição para defender a democracia do que mostrou diante do ameaçador decreto dos direitos humanos”.

Tal chamamento também pode ser visto como um pedido de SOS. “Não deixem que os partidos de esquerda ganhem mais uma vez a eleição e continuem essa escalada de ampliação da democracia e de questionamento dos nossos métodos de fazer comunicação”. Um pedido de socorro para que o poder dos barões da mídia seja mantido.

O pânico do controle e o medo da perda do poder

Quem tem poder não quer perdê-lo por nada. Não é à toa que a história do mundo é a história da luta pelo poder. Sempre foi assim e continuará sendo, ao menos enquanto nossa sociedade estiver dividida em classes sociais distintas e antagônicas. Marx dedicou sua vida a estudar essas relações.

Por isso, não me causa espanto a ira destilada pelos barões da mídia diante da tentativa da sociedade em ter maior participação nos processos de comunicação no Brasil. Participação essa que nunca foi exercitada em razão dos contornos econômicos, políticos e sociais que determinaram historicamente a formação dos meios de comunicação no país.

Mas, com o exercício da democracia, com o aumento da participação popular nos processos de elaboração das políticas (outro fator que incomoda e causa urticária nas elites), essa situação começou a se alterar e a sociedade começou a reivindicar maior presença em todas as áreas, inclusive na comunicação.

Estava tão bom como era antes, sem questionamentos, sem ninguém querendo opinar a respeito do que é produzido por estes veículos. Audiência, leitores passivos e resignados em receber aquilo que as empresas decidiam nos entregar como produto de comunicação.

Para manter o status quo, a mídia arregaça as mangas e parte para o ataque. Uma peça exemplar dessa ira é o editorial do Estado, desta terça: “Nova investida contra a democracia”. Ele é ácido e descamba para o ataque puro e simples, usando argumentos que são, no mínimo, risíveis.

Afirma o editorial que não há monopólio dos meios de comunicação no Brasil. Claro que não, o âncora do Jornal Nacional já explicou muito bem isso ao dizer, que há 6 ou 7 empresas de televisão no país. Para que mais? Vamos ser mais precisos: 6 ou 7 empresas que dominam toda a cadeia de comunicação.

Taxa os movimentos sociais, as organizações não governamentais e tantas outras instituições da sociedade civil, que têm participado ativamente do processo de conferências, de bandos antidemocráticos patrocinados e coordenados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comparando esses movimentos com skinheads ou outros grupos arruaceiros.

Acusa esses movimentos de quererem controlar os meios de comunicação, a produção artística e a investigação científica e tecnológica. Alguém por acaso acha que não há um controle já sendo exercido sobre os meios de comunicação e sobre a cultura? Lógico que há, eles são fortemente controlados pela iniciativa privada e servem aos interesses políticos, econômicos, ideológicos e sociais dessa elite dominante.

Ou você, caro leitor, já foi chamado em algum momento para opinar sobre o conteúdo da programação da Rede Globo? Claro que não, a única forma de “opinar” é trocar o canal ou desligar a TV. Aliás, é o que recomendam os próprios executivos das emissoras. E rebatem: se assistem é porque gostam e estão aprovando.

Essas redes, na sua esmagadora maioria, nem sequer possuem o ombusdman para fazer o contato com a população. Claro, não querem ouvir, não querem compartilhar o seu poder, ou alguém duvida que ter nas mãos uma emissora de TV ou de rádio, ou um jornal, ou uma revista é um instrumento de poder?

O editorial – que nada mais faz do que dar vazão à opinião da elite que está sendo questionada – classifica as propostas discutidas pela sociedade em conferências e outros fóruns de debate de tolices. “Mas conferências desse tipo não têm o poder de transformar tolices em ideias inteligentes nem propostas autoritárias em projetos democráticos”.

Tolos e autoritários são os barões da mídia que estão enclausurados num modelo de comunicação que está ultrapassado, uma vez que as novas tecnologias permitem a troca entre emissor e receptor, acabando com a via de mão única que caracterizou os meios de comunicação em todo o século XX.

Autoritários são os proprietários dos meios de comunicação, que se encastelaram em concessões públicas ignorando que é direito, sim, do cidadão, ter participação nos destinos dos bens públicos e comuns da nossa sociedade.

O que está em jogo, ao fim e ao cabo, não é a liberdade de expressão, de imprensa ou a democracia, que de repente viraram bandeira dessa elite. O que está em jogo é o poder, e nessa briga vale tudo para mantê-lo.

Como a mídia hegemônica cumpre, no capitalismo, o papel de partido político da burguesia, o editorial finaliza com uma orientação política para a oposição e um puxão de orelha nos partidos de direita: “A oposição poderia ajudar a conter esse projeto insano, se deixasse o comodismo e mostrasse mais disposição para defender a democracia do que mostrou diante do ameaçador decreto dos direitos humanos”.

Tal chamamento também pode ser visto como um pedido de SOS. “Não deixem que os partidos de esquerda ganhem mais uma vez a eleição e continuem essa escalada de ampliação da democracia e de questionamento dos nossos métodos de fazer comunicação”. Um pedido de socorro para que o poder dos barões da mídia seja mantido.

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A democracia participativa na mira da mídia

Omitida de forma deliberada pela grande mídia, as conferências setoriais realizadas pelo governo do presidente Lula já reuniram em torno de 4 milhões de pessoas. Foram cerca de 60 conferência das mais variadas áreas: saúde, segurança pública, comunicação, esportes, direitos humanos, mulheres, GLBT, juventude, igualdade racial e tantas outras.

Todas, solenemente ignoradas pela mídia. Afinal, para que alardear que há um espaço político onde as pessoas podem participar, opinar sobre as iniciativas do Estado para melhorar a sociedade?

A exceção a essa regra ficou por conta da cobertura da conferência de comunicação, que não foi ocultada pelosveículos por um simples motivo: com divergências profundas entre si, os veículos partiram para a disputa da conferência e o fizeram, de certa maneira, pelo noticiário e editoriais.

Confinado ao ostracismo ou a poucos especialistas, a conferência de comunicação abriu a tampa do debate sobre a mídia, sobre o direito humano à comunicação e mostrou que é necessário haver um espaço através do qual a sociedade possa dialogar sobre o tema.

Claro que isso incomodou os barões da mídia. O III Plano Nacional de Direitos Humanos foi bombardeado pelos veículos principalmente porque ele tocava nos interesses dos donos da mídia. Agora, é a vez da Conferência de Cultura.

Para dar lastro à ofensiva contra o governo e desqualificar as conferências como espaço de debate e participação, usam opiniões de intelectuais como a publicada neste domingo, no Estadão. Em entrevista ao jornal, o professor de ciência política Leôncio Martins Rodrigues ataca as formas de participação popular, afirmando que a democracia direta é impossível de realizar e que das tentativas de sua implantação nasceram o fascismo e outras formas de totalitarismo.

Numa visão reacionária do processo político em curso no país, acusa os partidos de esquerda de usaram os instrumentos de participação popular para impor uma hegemonia ideológica, manipulando uma minoria para dominar a maioria e afirma que “uma nova elite de origem plebeia ascendeu com o Lula”.

Os argumentos não são novos, como também não é novo o tom de raiva e desprezo com o fato de o Brasil ter sido governado por sete anos consecutivos por uma coalização política da qual participam setores oriundos do movimento social.

Ao final da entrevista, o propósito dos ataques se escancara:

Estado: “Programas nascidos das conferências nacionais têm incluído sucessivamente propostas de controle da mídia. Como o sr. reage?
Leôncio: Há uma forte tendência da esquerda em querer um controle da mídia privada. Para contrabalançar, são favoráveis a uma mídia controlada pelo Estado. Acho muito má essa ideia. Os proprietários privados não têm o poder que parecem ter. E, quando se fala em mídia estatal, ela está sob o controle de um grupo político. Não seria mau se pudéssemos ter alguma coisa como uma mídia estatal competente, como a BBC de Londres. Mas a ideia de que a imprensa privada, a mídia privada, jornais e televisão modelam o pensamento dos brasileiros é um equívoco”.

Ou seja, enquanto as conferências não estavam ameaçando os interesses da mídia não se falava delas, mesmo que elas já tocassem, de forma tangencial, em propostas para ampliar a democracia nos meios de comunicação. Mas, o cenário mudou e com ele mudou a posição da mídia.

Afinal, estamos em ano eleitoral, é preciso criar novas crises, gerar instabilidade e fazer todo o possível para evitar que o país dê continuidade ao processo político em curso e retroceder à era do governo das elites.

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Momento Musical: Se eu pudesse mudar o mundo

É uma música romântica, que fala da possibilidade de mudar o mundo para conquistar um amor. Mas, a música pode ganhar outros significados, e neste momento de tristeza pela tragédia no Haiti,  eu empresto um novo a ela.

Change de Word, é uma bela canção de Eric Clapton. Uma música contagiante, que me transmite uma esperança, uma alegria, como um dia de sol.

Ter o poder de mudar o mundo é um pensamento, um desejo, que já passou pelo menos uma vez pela cabeça de muito gente. É comum, quando crianças ou adolescentes, ficarmos nos perguntado: o que você faria se pudesse mudar o mundo? Ah! as respostas são muitas, diminuiria a miséria, a fome, a tristeza, a doença e por ai vai.

Se eu pudesse mudar o mundo (If I could change de world)…. mas, espera. Nós podemos sim mudar o mundo. Claro não é num piscar de olhos, num passe de mágica, mas podemos.

Uma nação sob os escombros

Não há como ficar indiferente à situação do Haiti e de seu povo. Um cenário de devastação que está chocando todo o mundo. Mas, as cenas de sofrimento e caos que estão sendo distribuídas como rastilho de pólvora por todos os meios de comunicação são o retrato extremo de uma situação que, antes do terremoto, já era de miséria e dificuldades.

O abalo da terra acabou por destroçar a nação, que agora jaz sob os escombros. Claro que uma catástrofe dessa magnitude teria impactos devastadores em qualquer lugar do mundo, mas num país marcado por profundas dificuldades sociais, políticas e econômicas como o Haiti as feridas abertas pelo terremoto demorarão muito, muito mais para serem cicatrizadas.

Além da cobertura usual que a mídia faz desse tipo de calamidade – explora-se o sofrimento individual, busca-se personagens para criar o elo afetivo que falta entre a audiência e a tragédia. Ao lado disso, um arrazoado de opiniões científicas sobre cismologia, as tecnologias para prever e prevenir terremotos e por ai vai – é preciso falar do Haiti, dos seus problemas estruturais e históricos, da luta daquele povo, porque esse é o contexto que vai determinar qual o percurso para superar a tragédia.

Nesse sentido, o artigo “O Haiti já estava de joelhos; agora, está prostrado” do antropólogo e professor da Unicamp Omar Ribeiro Thomaz, publicado hoje na Folha, é elucidador. Ele trás à tona o processo histórico que condenou o Haiti à miséria extrema. “Diante da fúria da natureza não cabe outro sentimento que o de uma frustração que deita raízes numa história profunda e que subitamente pode ganhar cor: o mundo dos brancos nos destruiu, o mundo dos brancos diz que quer fazer alguma coisa, mas o que faz, além de nutrir seus telejornais com fotos miseráveis que só fazem alimentar a satisfação autocentrada dos países ditos ocidentais?”, questiona.

Num país onde há 47,1% de analfabetos, onde a pobreza atinge 80% da população, onde 66% das pessoas dependem da agricultura para subsistência e que, agora, perdeu o seu coração, sua capital – Porto Príncipe – imagino que o sentimento é de desespero, desesperança, “de frustração sem limites, de raiva”.

Pensar no Haiti e rezar pelo Haiti não é suficiente. É preciso fazer alguma coisa pelo Haiti. Uma promessa dos organismos internacionais que até o momento não se concretizou. Quem sabe diante dessa tragédia, as intenções se transformem em ações que possam contribuir para que o povo haitiano supere esse episódio e consiga encontrar o caminho da soberania que leve o melhores condições.

Lugar de lixo é na lixeira! Para o Kassab não.

Quando assumiu a prefeitura de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab tomou a decisão de deixar como marca de sua administração o programa Cidade Limpa. Varreu os outdoors da cidade, tirou todo tipo de sinalização, impôs regras para as fachadas dos edifícios e casas, e para a distribuição de matéria nas ruas. O alarido foi grande. Até os críticos do programa se dobraram ao “renascimento da cidade”, que com a retirada de placas e de toda a parafernália de divulgação se reapresentou para o cidadão.

sp_lixoOlharam para cima, mas esqueceram de olhar para baixo e ver que, enquanto se tirava o excesso de sinalizações para desvelar a cidade oculta, nas ruas o lixo ia se acumulando.

Ah! outra medida do Cidade Limpa foi a retirada das lixeiras das calçadas. Isso mesmo, aquelas estruturas de ferro que se impunham de forma ultrajante no passeio público, submetendo os transeuntes ao mau-cheiro, à visão desconcertante dos sacos de lixo. Tiraram as lixeiras, e o lixo saiu dela e foi direto para o chão. A solução, não me pareceu muito inteligente.

Já ia me esquecendo de outra medida que marcou o projeto de uma Cidade Limpa. É que ao lado dessas decisões, a prefeitura reduziu os contratos com as empresas de coleta, diminuindo a frequência da retirada dos lixos das ruas. Afinal, para que jogar tanto dinheiro no lixo, pensou o prefeito.

lixo2O resultado dessas medidas administrativas foi que o lixo se acumulou, os bueiros ficaram abarrotados e, com as chuvas de verão – Tchan Tchan Tchan Tchan – apareceram as enchentes.

Ah! mas alguns insistem em apontar a natureza como a responsável pelas enchentes, afinal estamos passando por um regime de chuvas recorde. É o aquecimento global, a ira de São Pedro.

Os que quiserem crer nesse conto da carochinha tudo bem, mas a verdade é que o caos que a cidade de São Paulo está vivendo dia após dia tem responsável, e ele não vive no céu, está bem aqui, na Terra.

Em tempo:
Enquanto isso, a arrecadação da cidade com multas sobe as alturas. Foram somados aos cofres públicos a bagatela de R$ 473,3 milhões. A indústria da multa já gerou de divisas para São Paulo o equivalente ao orçamento de 5,5 mil municípios do país, incluídas nestes 5 capitais. E não é só isso, Kassab aumentou o IPTU e a tarifa de ônibus também.

E onde estão os investimentos em infraestrutura, transporte, projetos urbanísticos para evitar que a população sofra com as enchentes e tantos outros de que a cidade precisa? Então, aonde está o dinheiro? “O gato comeu e ninguém viu!”

O mau hábito de olhar pelo buraco da fechadura

Quando eu era criança, algumas travessuras cometidas foram provocadas pelo ímpeto da descoberta, da curiosidade, do teste dos limites entre o certo e o errado. Lembro do dia que fui espiar, pelo buraco da fechadura, o que acontecia no quarto da minha mãe. Tomei uma bronca inesquecível e aprendi que a privacidade das pessoas tem que ser respeitada, que não se deve ficar espiando e nem escutando atrás das portas a conversa alheia.

Mas o surgimento dos realities shows colocou esses ensinamentos por água abaixo. Como ensinar às crianças de hoje que é errado ficar à espreita espiando e ouvindo quando fazemos isso coletivamente, pela TV e internet?

Espie à vontade, é o bordão do Big Brother Brasil que começa nesta terça a sua 10ª Edição. Não importa que nos últimos anos a casa de confinamento tenha perdido pontos de audiência, o que vale é a manutenção de patrocínios e um exército de pessoas que não vê problema algum em espiar e, pior ainda, julgar a atitude das pessoas transformadas em competidores.

Espiamos as pessoas 24 horas por dia pela internet, ou pelos canais pay-per-view e vemos tudo (a hora do banho, de dormir, almoço, jantar, café da manhã, piscina e tudo mais que se possa fazer entre quatro paredes).

As emissoras de televisão tratam esses programas como entretenimento, mas não se preocupam com os seus impactos na construção da identidade social e cultural das crianças e adolescentes, que são bombardeados pelas situações provocadas nos BBB´s da vida.

E, porque não, dos adultos também. Afinal, patrulhar a vida alheia passa a ser prática chancelada pela TV, bem como as condutas estimuladas pelos participantes desses realities shows onde vale tudo para ganhar um prêmio. Que ótimo entretenimento não?

Categoria: Cultura, Mídia  Tags: ,  Deixe um Comentário
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