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A “Santa Ceia” dos especuladores

aaabancosGrécia é o couvert; euro, a “pièce de résistance”

Por Petros Panayotídis, no Monitor Mercantil 

O banco de investimentos Goldman Sachs convidou um grupo de seus maiores clientes – hedge funds, banqueiros e mega-especuladores – e os hospedou no luxuoso hotel Grã-Bretanha, situado na Praça da Constituição, em pleno centro de Atenas.

O grupo chegou à capital da Grécia em 28 de janeiro deste ano e à noite participou de um jantar de gala oferecido pela diretoria do Goldman Sachs, durante o qual os comensais discutiram o tema “futuro da Grécia” e, naturalmente, como ganhariam dinheiro com isto.

Entre os participantes do faustoso comes e bebes destacava-se o mega-especulador John Paulson, proprietário e CEO do famigerado hedge fund Paulson & Co, o qual administra capitais totalizando US$ 32 bilhões e é incessantemente citado pelos veículos internacionais de comunicação especializados em economia como um dos especuladores que ultimamente “jogam” contra a Grécia (e contra o euro) com os famigerados credit default swaps (CDS) que são contratos destinados a contrabalançar o risco creditício contra falência.

Na realidade, a grande jogada dos hedge funds não começou em janeiro deste ano, mas vários meses antes. A grande jogada começou ano passado, época em que os hedge funds compraram grandes volumes de CDS gregos destinados à proteção contra a dívida da Grécia, avaliando que os mercados “despertariam” muito em breve e verificariam os problemas da Grécia com a dívida, quando então guinariam para os CDS para se protegerem dos riscos.

Arma de destruição em massa

Os CDS foram inventados no final da década de 1990, com objetivo a diáspora do risco de crédito, proporcionando a terceiros a possibilidade de comprar e vender os produtos desta natureza, os quais o conhecido megainvenstidor Warren Buffett denominou de “armas financeiras de destruição em massa”.

O jornal britânico Financial Times avalia que, até há pouco, o custo dos CDS gregos era muito barato, com muito poucos visualizando no mercado a eventualidade de falência estatal. “Realmente, até a crise bancária de 2008, os CDS de dez anos para proteção da dívida grega eram comprados a apenas 20 unidades de base, isto é, registravam desempenho de 0,2% para o volume de recursos segurados no ano”.

Destaque-se que os hedge funds que compravam estes CDS não possuíam as correspondentes debêntures para se preocuparem com provável falência grega. Trata-se de uma tática amplamente utilizada, denominada “naked CDS trading” (transação de CDS “nua”).

Os hedge funds apostavam que, se a situação fiscal do governo da Grécia se agravasse – conforme esperavam – então os portadores de bônus gregos no valor de cerca de US$ 300 bilhões correriam desesperados em busca de proteção, caso contrário procurariam vendê-los.

Convescote em Manhattan

A grande jogada especuladora dos fundos não limitou-se apenas à dívida da Grécia. De acordo com informações “vazadas”, administradores de hedge funds, em reunião secreta realizada em Londres, na primeira semana deste mês, formularam uma estratégia contra o euro, temerosos de que “as grandes jogadas com a Grécia” provocarão severas regulamentações sobre as transações com CDS.

Isto poderia ser feito com a venda de euro contra o dólar no mercado de câmbio ou no mercado a prazo, o qual proporciona ao comprador a possibilidade de vender euros a um preço específico. Se o euro se desvalorizar, então o comprador registra lucro.

Anotem que o Wall Street Journal, em sua edição de 26 de fevereiro passado, com manchete em sua primeira página, revelou a realização de uma outra “Santa Ceia” da internacional dos especuladores, realizada em Manhattan, com a participação de vários hedge funds, liderados pelo George Soros Fund Management, e formularam análoga estratégia especuladora com os CDS gregos de um lado e com o euro de outro.

Perseguidos políticos são presos no aeroporto de Lisboa

Um suposto membro do grupo ETA, de nome Andoni Cengotitabengoa, foi detido na noite da quinta-feira no aeroporto de Lisboa, carregando um passaporte mexicano falso e uma passagem para viajar para a Venezuela, informaram hoje fontes da luta antiterrorista.

O suposto “etarra”, que foi preso pela Polícia portuguesa, foi identificado, junto a seu companheiro Oier Gómez Mielgo, como um dos ocupantes de uma casa da localidade de portuguesa de Óbidos, onde a Polícia localizou um arsenal do ETA no início de fevereiro.

Cengotitabengoa, nascido na cidade basca de Bilbao em 1979, foi identificado através das câmeras de segurança de uma loja onde foi fazer compras, e está na lista dos “terroristas” mais procurados pela Guarda Civil espanhola.

O suposto “etarra” estava foragido desde 2003, e tinha sido condenado a 13 anos de prisão por atos de violência em 2000.

Os presos políticos dessa organização na Europa crescem rapidamente.

Só neste ano, foram detidos 30 supostos membros do ETA, 20 na Espanha, sete na França e três em Portugal.

Com agências

 

Forças armadas da Bolívia passam a usar slogan “Pátria ou Morte, Venceremos!”

O presidente da Bolívia, Evo Moraes definiu que as forças armadas de seu país passem a utilizar o slogan de esquerda “Pátria ou Morte, Venceremos!”.

A direita fascista reagiu.

“Estão tentando modificar minha decisão, mas tudo será em vão, ela vai ser aplicada”, afirmou Morales.

“Não vai haver nenhum referendo, isso foi debatido com os militares de alta patente e (eles), felizes e orgulhosos, aceitaram, assim, como o reconhecimento, como bandeira de guerra, da wiphala”, a insígnia indígena, cujo uso também sofre resistência em setores fascistas do país.

Quando dizemos “morrer antes que escravos viver” no hino nacional, significa “pátria ou morte”, afirmou.

Morales acusou de traidores os ex-comandantes militares que questionaram o uso desse slogan.

“Esses ex-comandantes cometiam traição à nação. Com que moral podem falar se traíram sua instituição e a pátria, e permitiram a retirada de seus recursos naturais?”, questionou.

O novo lema substitui o antigo “subordinação e constância: viva a Bolívia”.

Com agências

 

Pochmann recomenda aumento de idade mínima para trabalhar

hmamannn“As mudanças nos levam a postergar o ingresso dos jovens no mercado de trabalho para depois dos 20 anos”, pregou Márcio Pochmann, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em evento sobre trabalho infanto-juvenil

Da agência Repórter Brasil*

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, destacou a necessidade de “elevar a idade mínima” legalmente estabelecida (16 anos) para o início das atividades laborais “frente à sociedade que estamos construindo hoje, a pós-industrial”. A recomendação foi feita durante a abertura do 3º Seminário Nacional sobre Trabalho Infanto-Juvenil, realizado em São José dos Campos (SP).

 ”As mudanças demográficas nos levam a postergar o ingresso dos jovens no mercado de trabalho para depois dos 20 anos de idade, ao contrário do que se via na era agrícola no século XIX, que obrigava a criança a trabalhar com apenas cinco anos, em média”, sustentou, em palestra nesta quinta-feira (11), o economista.

Autor de mais de 20 livros sobre inclusão social, desenvolvimento econômico e políticas de emprego, Márcio insiste que, na atual “sociedade do conhecimento” em que vivemos, não há justificativa técnica para que as pessoas comecem a trabalhar antes dos 25 anos de idade.

O presidente do Ipea ressalta que filhos de famílias ricas raramente começam a trabalhar efetivamente antes dos 25 anos de idade, depois de muito invvestimento e tempo dedicado à formação. Enquanto isso, salienta o professor do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), filhos de pais pobres são condenados a começar a trabalhar cedo, não conseguem evoluir em termos de formação e acabam ocupando postos de baixa qualificação e mau remunerados que compõem a base do mercado de trabalho.

São cerca de 37 milhões de jovens brasileiros na faixa etária de 16 a 24 anos. Metade não estuda. E, segundo o economista, os que estão na escola são trabalhadores que estudam e não estudantes que trabalham. Apenas em 2009, aproximadamente 500 mil jovens abandonarão o ensino médio para complementar a renda de seus respectivos lares.

Congresso

Mesmo com parecer favorável do relator Maurício Quintela (PR-AL), proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a idade mínima para trabalhar para 14 anos foi rejeitada, em agosto de 2009, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados. A lei permite a contratação apenas de aprendizes com idade mínima de 14 anos.

“Isso seria um retrocesso para o desenvolvimento do país e para os direitos da criança e do adolescente”, avaliou, na ocasião, o coordenador do Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC) da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Renato Mendes. Segundo ele, o argumento de que o trabalho ajuda a tirar adolescentes da pobreza não pode ser sustentado, pois o dever de dar condições de sobrevivência enquanto eles estudam é do Estado. “A pobreza é um elemento que explica o trabalho infantil, mas não pode justificar essa forma de trabalho”, declarou.

O relator manteve posição favorável à redução. “Já existe uma situação no Brasil em que os jovens de 14, 15 e 16 anos já trabalham. Só que trabalham na informalidade”, justificou. “Eu acho que a PEC restaurava o direito da juventude ao trabalho, mas ela não obrigaria ninguém a trabalhar”.

Seminário

Juízes, procuradores, auditores, advogados, assistentes sociais, membros de conselhos tutelares, professores e estudantes participam do 3º Seminário Nacional sobre Trabalho Infanto-Juvenil, que continua nesta sexta-feira (12). O evento, que é uma realização conjunta da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 15ª Região (Amatra XV), da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), da Escola Judicial do TRT da 15ª Região, do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção de São José dos Campos, ocorre no Parque Tecnológico Riugi Kojima, no km 137,8 da Rodovia Presidente Dutra.

No segundo dia de evento, o procurador Bernardo Leôncio Moura Coelho apresenta o painel “as políticas públicas de prevenção e erradicação do trabalho infantil no Brasil”. O juiz do trabalho aposentado e professor da Universidade de São Paulo (USP) Oris de Oliveira fará o encerramento do seminário, com a conferência “Desafios da erradicação do trabalho infantil”.

Estão ainda na pauta temas como acidentes do trabalho na infância e na adolescência, trabalho infanto-juvenil artístico, nova legislação do estágio, consequências na esfera criminal da exploração do trabalho infanto-juvenil e violência sexual contra a criança e o adolescente.

As inscrições podem ser feitas mediante a doação de dois quilos de alimentos não perecíveis ou ao custo de R$ 10. Tudo o que for arrecadado será revertido para a Cruzada Paroquial de Assistência Casa das Meninas/Meninos e para a Obra Social e Assistencial Maria Teresa de São José – Nica Veneziane, ambas de São José dos Campos (SP).

*Com informações da assessoria de comunicação da Procuradoria Regional do Trabalho da 15a Região (TRT-15), da Caros Amigos e da Agência Brasil

 

Maranhão: Petistas realizam ato em defesa de aliança com PSB e PCdoB

Eles defendem a tese de apoio à pré-candidatura do deputado Flávio Dino ao governo

Lideranças do PT maranhense favoráveis a uma aliança do partido com o PSB e o PCdoB realizarão na manhã de sábado um ato político que contará com a presença de delegados ao Congresso Estadual marcado para os dias 26 e 27 de março. Além de defenderem o reforço à candidatura de Dilma Rousseff no Maranhão com um palanque de esquerda, eles querem o PT apoiando a pré-candidatura do deputado Flávio Dino ao governo do Maranhão.

O ex-presidente do PT e deputado federal Domingos Dutra defende que a candidatura de Flávio Dino tem condições de unificar o campo democrático e popular. Em várias entrevistas e pronunciamentos recentes na Câmara, Dutra defendeu o colega parlamentar como a melhor opção para o PT maranhense e para o reforço da candidatura Dilma no estado.

Augusto Lobato, vice-presidente do partido no Maranhão, também defende a aliança e diz claramente que a opção por uma coligação com o PMDB seria uma tragédia para o PT. “O caminho natural do PT é a coligação com nossos aliados históricos que são o PCdoB e o PSB, mantendo nossa identidade e nossa oposição ao sarneysismo”.

Para o secretário de Organização do PT, Bira do Pindaré, “a opção por uma candidatura Flávio Dino reforça o histórico de coerência do PT no Maranhão e vai potencializar ainda mais a candidatura da Dilma, ao criar um palanque que aglutina as forças populares”.

Outras importantes lideranças petistas estão afinadas na defesa de uma aliança à esquerda, como Jomar e Terezinha Fernandes; Márcio Jardim; Sílvio Bembem; Manoel da Conceição; Joaquim de Mangabeiras e André Santos,que preside o partido em Imperatriz.

Durante o ato será apresentado um manifesto de apoio à pré-candidatura de Flávio Dino a ser assinado pelos delegados, dirigentes e filiados ao partido em todo o estado.

O ato será realizado a partir das 9 horas deste sábado no auditório do Grand Hotel São Luís (antigo Vila Rica).

A informação é do Jornal Pequeno

 

Morre ex-jogador Euzébio, que fez dupla com Pelé no Santos

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O ex-jogador de futebol Euzébio, que fez dupla de ataque com Pelé no Santos no final da carreira do Rei nos anos 70, morreu na noite de quinta-feira em um acidente de carro em Piracicaba, no interior de São Paulo. Ele seguia pela rodovia que liga Santa Bárbara a Piracicaba quando perdeu o controle do veículo e bateu na mureta de proteção de um viaduto.

Carlos de Jesus Euzébio tinha 58 anos.

Euzébio foi campeão paulista ao lado de Pelé em 1973. Este foi o último título do Rei no Brasil. Depois Pelé seguiria para os Estados Unidos onde ainda seria campeão pelo Cosmos, de Nova York.

Revelado como profissional pelo União Barbarense, o ex-jogador também atuou no futebol mexicano, onde defendeu o Universidad Guadalajara por dez anos. Nos últimos anos, Euzébio vivia como empresário.

Com agências

 

Cerca de 80 candidatos ao Congresso ligados a Uribe têm vínculos com o crime organizado

Pelo menos 80 candidatos ao Congresso colombiano nas eleições de domingo são investigados por ligações com paramilitares de ultradireita ou por serem testas de ferro de representantes políticos acusados por esse crime, denunciou uma organização não-governamental.

“Entre os atuais aspirantes à nova composição do Congresso verificamos que pelo menos cerca de 80 deles mantêm relações com grupos paramilitares”, assegurou o investigador Ariel Ávila, membro da organização Movimento de Observação Eleitoral (MOE).

Segundo o investigador, as ligações desses candidatos com os esquadrões ocorrem de duas formas: “Ou os candidatos estão sendo investigados por ligações com esses grupos ou são candidatos indicados por políticos julgados por isso e que tentam legislar com um testa de ferro”.

Em declarações à rádio Caracol, Ávila disse que a maioria dos candidatos com supostos vínculos com grupos armados ilegais apresentam as suas candidaturas por partidos políticos da coligação do governo de Alvaro Uribe, entre eles o Partido da Integração Nacional (PIN).

No domingo 14, os colombianos elegerão 102 senadores e 166 representantes na Câmara para o período 2010-2014.

Além disso, serão escolhidos cinco deputados para o Parlamento Andino, e os partidos Conservador (no poder) e Verde realizarão consultas internas para definir seu candidato presidencial.

Com agências

 

General dos EUA diz não ter provas de elo entre Venezuela e ETA-Farc

O general que lidera o Comando Sul dos Estados Unidos, Douglas Fraser, garantiu que não tem provas suficientes do suposto vínculo entre o governo da Venezuela e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o grupo basco ETA.

“Não vimos conexões especificamente, que eu possa verificar, de que tenha havido uma conexão direta entre o governo e os grupos terroristas”, disse Frases em uma conferência no Comitê das Forças Armadas do Senado.

 ”É algo que não nos preocupa”, acrescentou o general, que, apesar de declarar-se “cético”, garantiu que continuará examinando qualquer possível conexão.

 Fraser respondeu a uma pergunta do senador republicano John McCain sobre as denúncias “de um alto tribunal na Espanha de que o governo venezuelano facilitou os contatos entre as Farc e o ETA para planejar o assassinato de funcionários colombianos em visita à Espanha, inclusive o presidente (Álvaro) Uribe”.

 As declarações do general contradizem afirmações do secretário de Estado adjunto para a América Latina, Arturo Valenzuela, que havia assegurado a existência de indícios de cooperação da Venezuela com as Farc.

Fraser objetou que os indícios que apontam uma colaboração “são antigos” e disse não poder afirmar se eles continuam ou não.

 Em várias ocasiões representantes do governo dos EUA falaram irresponsavelmente de conivência entre o governo da Venezuela e as Farc, o que foi rechaçado energicamente pelas autoridades de Caracas.

Na Espanha, o juiz Eloy Velasco emitiu um auto na semana passada no qual denuncia indícios sobre supostos vínculos da Venezuela com o ETA e as Farc.

A ofensiva da direita faz parte de mais uma escalada do regime norte-americano contra os que não rezam pela sua cartilha.

Com agências

 

Lula em Maringá

aaaaaaenioDo Blog do Edson Lima

O presidente Lula virá a Maringá durante a campanha eleitoral deste ano. A confirmação foi feita agora pouco no programa  Dia-a-Dia, da Rádio Cultura AM, pelo presidente estadual do PT, Enio Verri.

Lula está no Paraná (em Londrina chega às 16h) e segundo Enio está praticamente fechada a aliança PT/PDT, ou seja, com Osmar Dias candidato a governador, com apoio do Partido dos Trabalhadores e do presidente Lula.

Lula diz em discurso que não sabia que Serra havia “inaugurado” maquete

Em visita ao Paraná, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não conhecia a obra ainda não licitada e apresentada pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e que foi mal entendido. Na ocasião, Lula afirmou que havia “políticos” que estavam “inaugurando até maquete”, em referência ao evento no qual Serra apresentou a maquete de uma ponte que, se construída, ligará as cidades de Santos e Guarujá.

- De vez em quando aparece essa pergunta (visita às obras) e eu disse que nessa época do ano tem gente inaugurando até maquete e não sabia que o governador Serra estava inaugurando. É que faz parte da política brasileira – disse.

Acompanhado da ministra e pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff, o presidente defendeu sua vinda ao Paraná fazendo uso de uma analogia popular:

- Tem a preocupação de alguns da imprensa dizendo o que o presidente vinha fazer aqui. A gente aprende dentro de casa que quem engorda o porco é o olho dono. Se o presidente, o governador e o prefeito não colocam o pé na rua para visitar as coisas que estão acontecendo no Brasil, quando ele pensa que aconteceu, não aconteceu.

Lula também criticou a mídia torpe por fazer comparações do seu governo com outros presidentes:

- Ontem saiu o PIB de 2009. Vi na TV até um discreto sorriso. Finalmente nos pegamos o Lula porque o PIB dele não cresceu. Hoje fazem comparação até com Marechal Deodoro da Fonseca.

Com agências

 

Governo Serra ordena a diretores de escolas que neguem informações à imprensa

Extinta em 2009, a “lei da mordaça”, que proibia os funcionários públicos de falarem com a imprensa, foi ressuscitada pelo Governo José Serra (PSDB) para evitar que a população tome conhecimento das deficiências da rede estadual de ensino e da amplitude da greve dos professores. A imposição da “mordaça” está expressa em memorandos enviados por email às direções das escolas estaduais. Um deles, distribuído pela Diretoria de Ensino Leste 3, diz o seguinte:

_______

“Prezados Diretores

Agradecemos a preciosa atenção em relação aos informes sobre os números de professores que estão aderindo à greve. Entretanto, em virtude dessa paralisação, a imprensa está entrando em contato diretamente com as escolas solicitando dados e entrevistas. Solicitamos ao Diretor de Escola para não atender a esta solicitação.

Solicitamos que o número de professores paralisados sejam dados reais, visto que os mesmos não estão batendo com os dados da Secretaria da Educação.”

O memorando de censura foi exibido ontem pela Liderança do PT em sessão plenária na Assembleia Legislativa.

Os professores da rede pública do estado de São Paulo continuam em greve e pretendem chegar a 100% de paralisação nesta sexta-feira, quando farão nova assembleia.”

A informação é do Brasília Confidencial

 

Deputada: Agripino elogia com oportunismo político-eleitoral

aaafatimaPor Eliano Jorge, na Terra Magazine

Em ano eleitoral, até elogio é visto com desconfiança. A deputada federal Fátima Bezerra, do PT, por exemplo, reagiu contra um “aliado” repentino. Até aceitou o afago que considera tardio, mas não deixou de tachar de oportunista o antigo adversário da política potiguar, José Agripino Maia, líder do Democratas no Senado.

Em conversa com Terra Magazine, ela comentou a entrevista do rival ao Jornal 96, da rádio 96 FM, de Natal, nesta sexta-feira, 12. “O senador está sendo obrigado a reconhecer o bom governo que o presidente Lula vem fazendo. Agora, a atitude a estas alturas – eu sou muito sincera – está impregnada de oportunismo político-eleitoral”, bradou.

Ao escutar as loas de Agripino, a parlamentar estranhou: “A notoriedade que o senador ganhou na mídia, nestes oito anos, foi em função exatamente da oposição raivosa que fez ao governo do presidente Lula, de forma até caluniosa e tudo”.

Para ela, o democrata evita manter os ataques ao governo federal para não se desgastar com o eleitorado potiguar, que registraria alta aprovação ao presidente da República. “Ele disse claramente que o governo Lula tinha mais acertos do que erros. Citou o ‘Bolsa Família’, o ‘Minha Casa, Minha Vida’, o aumento do salário mínimo, reconheceu que o governo Lula tem sido bom para o Brasil”, reproduziu.

Sua memória não foi capaz de recuperar comportamento parecido. “É a coisa mais rara do mundo, eu não tenho lembrança de ter visto o senador na tribuna do Senado fazendo algum elogio ao governo Lula”, afirmou. “O que não faz o medo de perder uma eleição?”, ironizou.

Confira a entrevista.

Terra Magazine – Como a senhora viu essa mudança de posição do senador Agripino Maia?
Fátima Bezerra -
Primeiro, é o reconhecimento. O senador está sendo obrigado a reconhecer, como está a maioria do povo brasileiro e como está a maioria da população norte-rio-grandense, o bom governo que o presidente Lula vem fazendo. Agora, a atitude do senador a estas alturas – eu sou muito sincera – está impregnada de oportunismo político-eleitoral.

Por quê?
José Agripino passou os oito anos, no Congresso Nacional, fazendo aquela oposição raivosa, berrando contra o governo Lula, contra tudo o que o governo Lula fez ao longo destes oito anos. E agora ele vem, de público, dizer que o governo Lula tem muito mais acertos do que erros. Mesmo sendo uma atitude impregnada de oportunismo político-eleitoral, antes tarde do que nunca.

A senhora lembra de algum ponto específico de contradição?
Que eu saiba, durante os oito anos, a própria imprensa nacional acompanhou muito bem isso. É a coisa mais rara do mundo, eu não tenho lembrança de ter visto o senador na tribuna do Senado fazendo algum elogio ao governo Lula. De maneira nenhuma. Muito pelo contrário. Claro que a oposição tem que fazer o papel dela, mas a notoriedade que o senador ganhou na mídia, nestes oito anos, foi em função exatamente da oposição raivosa que fez ao governo do presidente Lula, de forma até caluniosa e tudo. Bateu fortemente, nunca vi reconhecer os acertos do governo Lula. Quando é agora, na disputa político-eleitoral, ele vem dizer que o governo Lula tem mais acertos do que erros. O que não faz o medo de perder uma eleição?

Qual é a estratégia do senador ao mudar de posição, visando às eleições?
O presidente Lula aqui, como no resto do País, meu querido, tem mais de 70% de aprovação. Claro que o quadro aqui está definido, segue a mesma lógica nacional. O DEM aqui está junto com o PSDB, são os nossos principais adversários no plano local. A candidata a governadora deles é a senadora Rosalba Ciarlini, do DEM.

Para ficar claro, então, a senhora acredita que o senador Agripino elogia o presidente Lula para não perder votos no Rio Grande do Norte?
Mas é claro que, sim, meu querido. É a conclusão mais plausível que todos nós temos. O presidente, com a popularidade que ele tem em todo o País e aqui… Todas as pesquisas de opinião feitas no Rio Grande do Norte atestam a aprovação recorde de seu governo bem como a aprovação ao próprio presidente Lula. É por isso que a atitude dele (Agripino) tem muito do senso do oportunismo político-eleitoral.

A senhora escutou a entrevista em que ele muda de posição?
Escutei parte dela. O repórter perguntou sobre o governo Lula, que os comentários é que ele (Agripino) já tinha começado a baixar o tom no Congresso Nacional, e, à medida em que a eleição se aproximava, como ele via. Foi aí que ele disse claramente que o governo Lula tinha mais acertos do que erros. Citou o “Bolsa Família”, o “Minha Casa, Minha Vida”, o aumento do salário mínimo, reconheceu que o governo Lula tem sido bom para o Brasil. Essa é a contradição. Mas, como eu disse, antes tarde do que nunca.

Mercadante com Paulo Skaf, Marta com Chalita

Por Celso Marcondes, na revista CartaCapital

A direção do Partido dos Trabalhadores de São Paulo se não está à beira de um ataque de nervos, já teve o ataque. Também pudera. Desde 1982, data que marcou a primeira participação do partido – e do povo no período da redemocratização – em pleitos estaduais, o PT define seu candidato ao governo do Estado com razoável antecedência e põe seu bloco na rua antes que os concorrentes. Começou com Luiz Inácio Lula da Silva, depois se sucederam Eduardo Suplicy (86), Plínio de Arruda Sampaio (90), José Dirceu (94), Marta Suplicy (98), José Genoino (2002) e Aloizio Mercadante, há quatro anos. Sempre candidatos próprios, sempre derrotados nas urnas, mas com votação nitidamente ascendente, eleição a eleição.

Em 2010 o ritmo é outro e é possível que José Serra – criticado pela lentidão na definição – se declare candidato à presidência antes que o PT informe quem será o seu nome para governador de São Paulo.

Isso ocorre por conta das incertezas a respeito dos caminhos do deputado Ciro Gomes. Desde que seu nome foi aventado pelo presidente Lula para disputar as eleições paulistas, o suspense ficou no ar, inquietando sobremaneira os dirigentes petistas de todas as alas internas. Como Ciro não cessa de informar que prefere disputar as eleições presidenciais, mas não descarta a “remotíssima possibilidade“ de encarar São Paulo, a inquietação prossegue.

Mas há sinais claros de que a paciência do PT paulista caminha para o esgotamento. Nas inserções que o partido coloca no ar a partir de hoje na TV, utilizando o horário gratuito do TRE no estado, quatro destaques aparecem: Lula, Dilma Rousseff, Mercadante e Marta, sintoma evidente de que prospera a articulação para que o senador assuma a candidatura ao governo e Marta ao Senado – caso Ciro, como se espera, informe em breve que prefere manter a disputa pelo Planalto.

Mas essa não é a novidade. O que pode causar estranhamento para muita gente é o que resultar do acerto de eventuais coligações com PSB e PC do B, ao redor de Mercadante.

Está em cogitação – não sem resistências – dentro do PT que Paulo Skaf, presidente da FIESP, seja o candidato à vice e que o vereador Gabriel Chalita ou o vereador Netinho de Paula ocupem o espaço da candidatura à outra vaga ao Senado. Os dois primeiros aderiram recentemente ao PSB e Netinho ao PC do B.

Os três fizeram as opções partidárias com nítidos interesses, querem concorrer em 2010. Porém, se seus partidos acertarem a coligação com o PT – ainda uma hipótese –, não será nada fácil acomodá-los na composição final. O industrial Skaf sempre pareceu almejar a candidatura ao governo, não à vice. O vereador, professor e escritor de inúmeros livros de auto-ajuda Chalita, quer o Senado, mas o vereador e cantor Netinho também quer. Ou seja, 5 nomes para 4 vagas.

Portanto, na hipótese de Ciro não assumir e os três partidos, mesmo assim, fecharem um acordo, poderíamos ver uma chapa Mercadante governador, Skaf vice, Marta e Chalita (ou Netinho) senadores. Para quem conhecia a relação dos petistas com os eventuais novos aliados, uma composição, digamos, no mínimo curiosa. Ou será que não?

Copa do Mundo no Brasil: para Orlando Silva, país pode aprender com experiência alemã

aaaaaaaaaacopa“A participação de uma comitiva de empresários alemães, chefiada pelo ministro das Relações Exteriores daquele país, Guido Westerwelle, no 1º Simpósio de Desenvolvimento Urbano, no Rio, é muito importante para o Brasil.” A afirmação é do ministro dos Esportes Orlando Silva, para quem o empresariado brasileiro pode tirar proveito de como se realiza mega-eventos esportivos.  

- É muito importante para o Brasil aprender as boas práticas e as boas experiências. Há uma relação de governos entre Brasil e Alemanha. Nós temos um relatório detalhado de todo o processo de preparação da Copa do Mundo da Alemanha, pré, durante e pós Copa. E um evento como este permite que as aproximações de empresário do setor produtivo.

Os empresários brasileiros, conforme disse ganham em se associar com empresas que têm tecnologia de ponta e experiência internacional e o Brasil ganha experiência para a preparação do mundial.

- Creio que, aprender com a Alemanha, firmar parcerias, firmar contratos com empresas que tem mais experiência é o caminho para o sucesso no mundial da Fifa.

Quanto à sustentabilidade dos projetos, Orlando Silva ressaltou que os projetos de mobilidade urbana leva em conta este tema.

- Todo mundo quer fazer metrô hoje em dia. Só que o desafio é saber como vai alimentar de passageiros os metros para que tenham sustentabilidade financeira. Esse é um tema importante porque, quando a Copa passar, quando os jogos Olímpicos passarem, as instalações estarão aqui e nós aprendemos que preciso planejar direitinho para evitar elefantes brancos. Então, as cidades são obrigadas a cumprir o protocolo mínimo que a Fifa determina para garantir a sustentabilidade ambiental – comentou, acrescentando que a Fifa determina a necessidade de se ter uma certificação verde de sustentabilidade ambiental das arenas.

O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, fez questão de deixar bem claro a importância da experiência alemã na realização de grandes eventos, ou seja, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Conforme disse, os eventos esportivos dão sempre um impulso na economia de qualquer país. E citou como exemplo a realização da Copa do Mundo da Alemanha.

- Surgiu um clima de desenvolvimento, de grande dinamismo e gostaríamos de contribuir com o Brasil.

O ministro alemão lembrou que as mesmas perguntas que estamos fazendo, eles fizeram na preparação da Copa como, por exemplo, aproveitar bem os estádios, o transporte público, como realizar os investimentos na cidade para torná-la mais limpa, e outras para que no futuro as pessoas possam usufruir. E concluiu que Brasil e Alemanha podem ser parceiros estratégicos.  

A informação é de Marcelo Bernardes, no Monitor Mercantil

Secretário geral do PT anuncia que não será candidato

O secretário geral do PT, José Eduardo Cardoso, anunciou, por meio de uma carta-documento, que não pretende disputar a reeleição a deputado federal. Ele alegou ter tomado a decisão por não concordar com as regras da disputa política eleitoral, onde segundo ele, “um político sério pode vir a ser tratado como um criminoso de alta periculosidade, enquanto corruptos, bem assessorados, quase sempre saem limpos”. 

José Eduardo diz que se empenhou na reforma política, defendendo o financiamento público das campanhas, já que, em sua opinião, dinheiros privados geram corrupção e uma real ausência de isonomia entre os candidatos: “Somente uma reforma política aguda e radical pode romper a cultura dominante de execração preconceituosa de todos os que optam pela vida política. Mas, junto com outros companheiros de luta, fui derrotado. As regras eleitorais e os vícios que marcarão as próximas disputas aos cargos proporcionais serão as mesmas. E o desestímulo dos que defendem posturas republicanas na atividade política, cada vez maior”.

O secretário geral do PT disse que, mesmo deixando de ser candidato, se empenhará na campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência do Brasil. “Pretendo participar deste processo na campanha eleitoral daquela que encarnará toda a emoção e o sentimento dos que querem a continuidade das políticas do atual governo. Estarei me dedicando de corpo e alma a esta campanha presidencial, às campanhas dos candidatos do Partido dos Trabalhadores e à possibilidade de termos, em Dilma, a primeira mulher Presidente da República”.

A informação é do Brasília Confidencial

Serra e seu demônio

Por Mino Carta, na na revista CartaCapital

O pré-candidato é estranho no ninho tucano. Talvez desde sempre. Mas agora só lhe resta entrar na arena

O governador José Serra tem um demônio para complicar-lhe a vida. O demônio tucano. É o contrário do que se deu com Sancho Pança, seu demônio, segundo Kafka, se chamava Dom Quixote, de cuja companhia tirou grande diversão ao participar de extraordinárias aventuras.

Está claro que ao se desligar do PMDB do doutor Ulysses para figurar entre os pais fundadores do PSDB, vinte e poucos anos atrás, Serra não se deu conta das graves incompatibilidades destinadas a aflorar no galope do tempo. E não se tratou do trote trôpego de Rocinante.

À época do nascimento do novo partido, que ele acompanhasse os amigos Fernando Henrique e Sergio Motta pareceu absolutamente natural. Havia entre eles uma sociedade tida como indissolúvel e que foi decisiva para levar o príncipe dos sociólogos à Presidência da República. Mas já então dei para perguntar aos meus intrigados botões se José Serra figurasse a contento naquela companhia.

Que passou pela cabeça do então ministro do Planejamento – o cargo almejado em vão no governo de Tancredo Neves – quando FHC avisou: “Esqueçam o que disse”? Da pasta, Serra desincompatibilizou-se para disputar a prefeitura de São Paulo contra Celso Pitta, candidato de Paulo Maluf. Por quê? Confiou em uma vitória líquida e certa? Ou não estava satisfeito com os limites do posto que o amigão presidente lhe entregara?

Na esquina esperava-o a derrota. Acabou por regressar ao governo e ali valorizou o cargo de ministro da Saúde, graças inclusive aos encantados louvores da mídia nativa. Já enxergavam nele o futuro candidato. Nós, aqui no nosso canto, víamos nele um estranho no ninho, a partir da convicção de que jamais declararia “esqueçam o que eu disse”.

No governo, o tucanato assumiu o papel de tardio intérprete do credo udenista, tanto mais hipócrita a acobertar corrupção desenfreada, subserviência às vontades de Washington, adesão pontual ao neoliberalismo da moda, desastres econômicos variados até a bancarrota nacional de janeiro de 1999. Será que Serra regalou-se na ocasião, propiciada por um segundo mandato conquistado pela compra de votos parlamentares?

Tive com Serra diversos contatos antes e durante a campanha de 2002, um deles na cozinha da minha casa. Jantamos um risotto produzido na hora, como convém, e tomamos um tinto de honestidade à toda prova. Ele esforçou-se para me convencer de que no Planalto teria desempenho melhor do que Lula. Afirmava ter condições de ser mais ousado, muito mais, do que o adversário, do ponto de vista econômico e social. Possível, com os tucanos à sua volta?

O problema de Serra, hoje mais do que nunca, é o próprio tucanato que pretende exprimi-lo, tão bem representado pelo senador Tasso Jereissati, o qual o chama às falas para invocar imediata definição de sua candidatura. Enquanto FHC prova que ele próprio enterrou o passado.

O parceiro de Enzo Falletto na formulação da teoria da dependência, em conferência pronunciada há dias em uma das deslumbrantes Casas do Saber (saber?), descortina os impensáveis caminhos de um liberalismo de esquerda, ele mesmo que há mais de 30 anos apontava a incapacidade visceral da burguesia nativa.

Que Serra careça de alternativas está além da evidência, só lhe resta entrar na arena e aceitar o desafio plebiscitário promovido pelo presidente da República mais amado da história do País. Mais carismático, mais hábil, mais sutil. Mais atento às falhas do contendor e mais certeiro na mira. Trata-se, justamente, de parada federal, mas o governador não tem como escapar dela.

Serra, desde 2002, carrega a certeza de que CartaCapital não gosta dele, a começar por mim, a despeito do risotto servido na cozinha. Está enganado, mas isso não impede que a revista e o cozinheiro façam suas escolhas na hora do voto, nas páginas impressas e na urna. CartaCapital expõe claramente sua preferência, ao contrário de quem afirma isenção e equidistância para confirmar a aposta na parvoíce da plateia.

Cuba e a mídia golpista, corrupta e vagabunda

Veja um exemplo que justifica dizer que a mídia é golpista, corrupta e vagabunda.

Nada é apresentado como prova para justificar os três pontos de interrogação do título.

Nenhuma dado concreto — a verdade está nos fatos, diz o provérbio chinês — para dizer que exsitem “presos políticos” em Cuba.

A intenção, sem máscara, é fazer campanha eleitoral contra o presidente Lula e atacar Cuba gratuitamente.

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Da Folha de S. Paulo

FERNANDO DE BARROS E SILVA

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SÃO PAULO – Os intelectuais de esquerda adoram um abaixo-assinado. Na luta pela redemocratização, ele foi um instrumento importante de mobilização da sociedade civil. Hoje, não se sabe ao certo o que seja (nem se existe) “a sociedade civil”. E os intelectuais, sobretudo de esquerda, perderam em boa medida o protagonismo público.

Ainda assim, vira e mexe há abaixo-assinados por aí. Alguns em torno de causas abrangentes e justas, outros que parecem só um cacoete de antigamente. Diante de tudo isso, devemos nos perguntar agora: onde está o abaixo-assinado?

Sim. Ou os intelectuais de esquerda não estão incomodados com a fala bestial de Lula sobre Cuba? O assunto não comove a ponto de solicitar um repúdio coletivo?

Seria demais exigir a retratação pública do presidente por igualar as vítimas de uma ditadura que liquidou seus opositores aos presos comuns de um país democrático?

Seria demais pressionar o governo brasileiro para que interceda em favor de dissidentes presos arbitrariamente e/ou a caminho da morte? Seria demais reafirmar (ou assumir, no caso de alguns) a defesa da democracia e dos direitos humanos como valores universais?

O silêncio de certa intelligentsia, que insiste em tratar Cuba como um caso à parte, uma ilha da fantasia rodeada de piratas, é tão cúmplice das atrocidades de Fidel e seu asseclas quanto a fala boçal de Lula.

Até quando a esquerda nativa (com exceções honrosas) vai encarar a crítica à tirania cubana como uma pauta da direita? Até quando irá confundir o justo apelo dos dissidentes com a “máfia de Miami”?

Até quando irão invocar avanços sociais hoje mais do que duvidosos como pretexto -aí, sim- para justificar os horrores do regime? O dissidente Guillermo Fariñas precisará morrer -ou nem isso bastará para romper a omissão criminosa?

A Paquetá vermelha que incendiou bons corações nos anos 60 não existe, não passa de uma quimera mumificada. Então, apesar do atraso: cadê, cadê o abaixo-assinado?

FMI elogia economia da Nicarágua

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou o “prudente manejo da política fiscal e monetária” do governo do presidente nicaraguense, Daniel Ortega, após realizar uma auditoria entre os dias 22 de fevereiro e 5 de março.

Uma missão da entidade visitou a capital do país centro-americano, Manágua, para “avaliar o desempenho da economia nicaraguense no marco da quarta revisão do Serviço de Crédito Ampliado (SCA) e das consultas periódicas que o FMI mantém com todos seus membros”, explicou o organismo em um comunicado difundido em Washington.

“Como era previsto, a economia nicaraguense foi afetada pela crise econômica mundial, o que se refletiu em uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5% no ano passado”, disse o chefe da delegação, Luis Cubeddu.

Segundo o FMI, “ao mesmo tempo, a inflação anual terminou abaixo de 1% como consequência da fragilidade da demanda interna e dos preços menores das matérias-primas”.

O organismo informou ainda que os balanços mais recentes indicam que a economia nicaraguense “começa a se recuperar, o que faz prever que o PIB retomará o crescimento em 2010″.

De acordo com a nota publicada, as conversas com as autoridades do país latino-americano “se centraram na continuidade do programa econômico estabelecido no contexto do SCA”.

“As cifras preliminares indicam que as metas quantitativas de dezembro de 2009 foram cumpridas com certa margem, reflexo, em parte, do prudente manejo das políticas fiscais e monetárias”, pontuou.

A delegação do FMI que visitou a Nicarágua discutiu as perspectivas econômicas para 2010, assim como as políticas necessárias para a sustentabilidade fiscal e o desenvolvimento do sistema financeiro.

“Também se avaliou o progresso da agenda de reformas a longo prazo e, nesse contexto, discutiu-se a necessidade de avançar na avaliação de opções para melhorar a situação financeira do Sistema de Segurança Social, possíveis medidas para seguir consolidando o setor elétrico e melhorando a administração pública financeira e fortalecer o Banco Central”, contou Cubeddu.

Segundo ele, as reuniões entre técnicos do organismo internacional e as autoridades nicaraguenses “continuarão durante as próximas semanas, a fim de alcançar um entendimento sobre um conjunto de políticas que pode ser apresentado para a gerência e direção do FMI”.

Com agências

 

Declaração da Assembleia Nacional do Poder Popular

Do jornal Granma

Depois duma campanha concertada por poderosas empresas midiáticas, fundamentalmente da Europa, que atacaram ferozmente a Cuba, o Parlamento Europeu acaba de aprovar, após um sujo debate, uma resolução de condenação contra nosso país que manipula sentimentos, tergiversa fatos, esgrime mentiras e oculta realidades.

O pretexto utilizado foi a morte dum recluso, sancionado primeiro por delito comum e depois manipulado por interesses norte-americanos e os mercenários a seu serviço, que por decisão própria se negou a ingerir alimentos apesar das advertências e da intervenção dos especialistas médicos cubanos.

Este fato lamentável não pode ser utilizado para condenar a Cuba aduzindo que pôde ter evitado uma morte. Se num campo nosso país não tem que se defender com palavras, pois a realidade é irrefutável, é no da luta pela vida dos seres humanos, sejam nascidos em Cuba ou noutros países. Um só exemplo é a presença dos médicos cubanos no Haiti, 11 anos antes do terremoto de janeiro último, silenciada pela imprensa hegemônica.

Por trás dessa condenação há um profundo cinismo. Quantas vidas de crianças se perderam nas nações pobres pela decisão dos países ricos, representados no Parlamento Europeu, de não cumprir seus compromissos de ajuda ao desenvolvimento. Todos sabiam que era uma sentença de morte massiva, mas optaram por preservar os níveis de esbanjamento e ostentação dum consumismo suicida em longo prazo.

Ofende aos cubanos, também, essa tentativa de dar-nos lições, em momentos em que na Europa imigrantes e desempregados são reprimidos, enquanto aqui o povo, em reuniões de vizinhos propõe seus candidatos para as eleições municipais, livremente e sem intermediários.

Não têm moral aqueles que participaram ou permitiram o contrabando aéreo de presos, o estabelecimento de cárceres ilegais e a prática de torturas, para avaliar um povo agredido e brutalmente bloqueado.

Condenação tão discriminatória e seletiva, apenas pode ser explicada pelo fracasso duma política incapaz de ajoelhar um povo heróico. Nem a Lei Helms-Burton, nem a Posição Comum europeia, surgidas no mesmo ano, nas mesmas circunstâncias e com iguais propósitos, ambas lesivas a nossa soberania e dignidade nacionais, têm o mais mínimo futuro, pois nós os cubanos rejeitamos a imposição, a intolerância e a pressão como norma nas relações internacionais.

Assembleia Nacional do Poder Popular da República de Cuba

11 de março de 2010

Em Pernambuco, PT pode decidir vaga do Senado com prévias

Ed Ruas, do Recife, na Terra Magazine


O ex-ministro da Saúde Humberto Costa

Se depender do atual ânimo dos pré-candidatos do PT ao Senado, em Pernambuco, a escolha será feita através de prévias. Concorrem à vaga o atual secretário estadual de Cidades, Humberto Costa, e o ex-prefeito do Recife João Paulo. Absolvido pelo Ministério Público Federal das acusações de envolvimento no “Escândalo dos Vampiros”, o ex-ministro da Saúde resolveu entrar no páreo. Já o ex-gestor da capital pernambucana havia garantido que não disputaria mais o Senado, porém voltou atrás.

“Sempre há a possibilidade de consenso. Mas, se não houver, vou levar o meu pleito até as últimas consequências. Esperamos a possibilidade dele (João Paulo) desistir e nos apoiar”, disse Humberto Costa. Em seguida, lamentou mais uma rinha entre os grupos do PT em Pernambuco. “Se não fossem as brigas entre as lideranças e correntes do partido, nós poderíamos já ter administrado o Estado”, alfinetou.

Assim como Humberto Costa, o ex-prefeito João Paulo prega a possibilidade de consenso, mas não descarta que a decisão pode ser tomada através de prévias. “Vou buscar a todo custo um acordo com a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) – de Costa – para evitar as prévias no Estado. Sabemos que não é bom para o partido e nem para a estratégia de eleição da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. A opção pelas prévias realmente só em última instância”, justificou.

Os correligionários devem se encontrar na próxima semana para mais uma rodada de negociações. João Paulo, que pertence à corrente do Campo Unificado de Esquerda (CEU), passou a semana entre Brasília e São Paulo e chegou ao Recife nesta sexta-feira.

Roteiro da impunidade dos bancos de investimentos de Wall Street

Por Petros Panayotídis, no Monitor Mercantil 

 Já há algum tempo encontra-se no epicentro a pergunta sobre o que deverá ser feito com os problemas econômicos públicos da Grécia. E isto porque o déficit fiscal do país atingiu um nível três vezes superior ao limite permitido pela convenção de Maastricht e sua dívida acumulada superou em 100% o Produto Interno Bruto (PIB).

A necessidade de atrair capitais para financiá-la é crítica para o país, para que possa provar que é merecedor de credibilidade nos mercados de capitais, enquanto, paralelamente, tentará conter seus alucinantes déficits e controlar as greves.

A credibilidade da Grécia nos mercados de capitais é de vital importância, porque o país cedeu seu direito de imprimir sua própria moeda e depende das instituições financeiras que contribuíram para a criação da crise econômica mundial.

Várias alternativas foram propostas à Grécia: Interromper, provisoriamente, sua participação na Zona do Euro, ou até se desligar, completamente, da União Européia e se declarar incapaz de resgatar os empréstimos que contraiu em euros.

Também, pedir a “esmola” dos “supostamente” poderosos países integrantes da Zona do Euro ou recorrer ao “garrote vil” da “internacional de usura” que é Fundo Monetário Internacional (FMI), implorando por socorro.

Infelizmente, todas estas alternativas serão extremamente dolorosas para a economia, que já se encontra em um profundo buraco fiscal. Na realidade, as medidas da cruel frugalidade reduzirão, sobremaneira, a ocupação, os salários, as aposentadorias e as rendas de um modo geral, além de atingirem mortalmente a demanda interna.

Influência dos EUA

A retirada da Zona do Euro – mesmo provisória – além do gigantesco risco de explosão da inflação e das derrocadas de bancos, não é sequer cogitada como processo transitório. A solução do “garrote vil” da “internacional de usura” é problemática e vários países integrantes da Zona do Euro a consideram incompreensível ideologicamente, porque significa que a União Européia cede o controle de sua política macroeconômica a um organismo internacional que encontra-se sob a influência dos EUA.

A Alemanha, a França e a Grã-Bretanha, apesar dos salamaleques e das batidas de “frau” Merkel, Sarkozy e Brown nas costas do primeiro-ministro da Grécia, Georges Papandreu, não mostram nenhuma efetiva vontade de oferecer seus valiosos euros e esterlinas para ajudar a Grécia.

Supõe o trio – com justa razão – que se seguirão mais outros países da periferia européia, assim como seus próprios que, por ora, camuflam sua derrocada fiscal (pior do que a da Grécia) que também enfrentam as ameaças internas e externas com a sisudez alemã, o savoire faire francês e a fleuma dos empertigados súditos de Sua Majestade, mas que dificilmente resistirão ao saque dos vampiros dos hedge funds que estão à busca de suas próximas vítimas.

Dívida disfarçada

De 2001 até novembro de 2009, os bancos de investimentos criaram a ferramentaria financeira para encobrir as dívidas dos países europeus (pequenos e grandes). Estes bancos não só ajudaram a Grécia a encobrir sua crescente dívida, não só a encorajaram a endividar-se mais ainda, mas também apostaram em elevados volumes de recursos com os contratos de seguro contra risco (CDS), na perspectiva de derrocada da Grécia.

Aliás, posicionaram-se que as condições econômicas se agravariam mais ainda e apostaram na ampliação dos spreads dos CDS. Estes, por sua vez, levaram aeavaliações – para baixo – da capacidade creditícia da Grécia, com resultado a consequente explosão dos spreads das debêntures do país.

Em outras palavras, os bancos de investimentos de Wall Street contribuíram, decisivamente, ao acúmulo da dívida grega e, em seguida, participaram da explosão da histeria pela eventual bancarrota que levou à alta dos preços dos CDS e à galopante reavaliação da Grécia – para baixo – pelas agências de classificação de risco.

As reavaliações têm como resultado a elevação das taxas de juros que a Grécia deverá pagar por seus bônus e a consequência é o aumento de sua dívida, porque não reúne condições para reduzir suficientemente seus gastos e aumentar os impostos tanto quanto necessita para limitar seu déficit. Assim, o resultado final foi o país atingir os limites da destruição final.

Governo Obama se cala

Apesar das recentes propostas do Federal Reserve (Fed) e da comissão responsável do Congresso dos EUA para que fossem realizadas investigações em torno das transações dos produtos do Goldman Sachs na Grécia, o governo de Barack Obama – ao que tudo indica – não impedirá o Goldman Sachs, assim como nenhum outro banco norte-americano de investimentos, de transacionar com dívida pública.

O problema é que nos mercados dos CDS não existem, essencialmente, regulamentos e estas empresas não são obrigadas a comprar dívida de algum país, a fim de apostarem ao seu não resgate por intermédio dos CDS.

Trata-se do mesmo tipo de produtos que foram utilizados na década de 1990 e quase provocaram a derrocada total da Ásia. Contudo, as autoridades continuam permitindo seu uso e não se opõem em absoluto, agora que são utilizados como armas especulativas de destruição em massa contra a Zona do Euro.

Ao contrário, alias, estas transações fora de balanço, nas quais estão envolvidos os bancos de investimentos de Wall Street, eram legais, de acordo com a legislação comunitária européia. Exatamente, estas são as “transações bancárias cinzentas” que quase levaram à derrocada o sistema financeiro.

É desanimador alguém ver como a União Européia convoca comissão de fiscalização a fim de impedir que o Goldman Sachs e os demais bancos de investimentos de Wall Street atuem em negociações que envolvem dívida pública.

Na TV, Sean Penn defende Hugo Chávez, que agradece ao ator publicamente

aaaaaaaaseanO presidente da Venezuela, Hugo Chávez, agradeceu ao ator norte-americano Sean Penn (de “Milk – A voz da igualdade”), por tê-lo defendido em recente aparição na TV dos Estados Unidos.

No talk show “Real time with Bill Maher” (exibido semanalmente pelo canal HBO e conhecido pela união de opiniões humorísticas e políticas), Penn criticou as referências a Chávez como “ditador”.

O ator vencedor do Oscar ressaltou que Chávez já venceu repetidas eleições democráticas e sugeriu que jornalistas que se refiram a ele como ditador sejam presos.

“Deveria haver uma legislação que levasse quem faz uma declaração dessas à cadeia”, disse Pen.

O ator já visitou o presidente venezuelano diversas vezes e frequentemente defende a política democrática do Estado venezuelano — vítima de campanha vil da mídia pró-Estados Unidos. Chávez o agradeceu pelo apoio publicamente na última quarta-feira (10).

Com agências

 

Países da América Latina discutem problemas de saneamento

Propor alternativas que melhorem a qualidade de vida da população da América latina no combate à pobreza, prestação dos serviços de saneamento básico e gestão dos recursos naturais são alguns dos objetivos da 2ª Conferência Latino-americana de Saneamento, Latinosan 2010. O evento vai reunir ministros, secretários de estado e personalidades da área científica de países da América do Sul e Central, África e Ásia. Já confirmaram presença representantes da Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Guatemala, Panamá, Nicarágua, Guiana, Peru, Honduras, Colômbia, Jamaica, Peru e México. A Latinosan será em Foz do Iguaçu, Paraná, entre os dias 14 a 18 de março. Durante a Conferência serão apresentados informes dos países, divulgando déficits de cobertura em água e esgoto. Os números serão analisados nos painéis, reuniões plenárias, seminários e mesas redondas. O evento terá a presença do Secretário Nacional de Saneamento Ambiental do Brasil Leodegar Tiscoski, o Diretor do Banco Mundial para o Brasil Makhtar Diop, o Diretor Geral de Água Potável e Esgoto do Ministério de Meio Ambiente e Água da Bolívia Reynaldo Villalba, o Secretário do Ministério da Saúde da Jamaica André Franklin, o Chefe da Divisão de Água e Saneamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento Frederico Basane e o Diretor Nacional de Água e Saneamento do Uruguai Mateo Júri.  

Segundo o coordenador do Departamento de Articulação Institucional da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Brasil, Sérgio Antônio Gonçalves, trata-se de “um evento que visa promover o compromisso e a articulação entre os países participantes, sobre as questões de saneamento e meio ambiente”. A programação terá início na manhã do dia 15 de março, com o painel “Universalização do Saneamento: avanços e desafios”, com a participação da vice-presidente para America Latina do Banco Mundial (EUA), Pamela Cox.

Ao final da Conferência será assinada a “Declaração de Foz do Iguaçu”. O documento vai estabelecer metas de saneamento básico presentes no Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que servirão para acelerar o progresso rumo à universalização do acesso aos serviços de saneamento básico, em benefício das condições de vida da população.

Serviço

2ª Latinosan – Conferência Latino-Americana de Saneamento

Data: 14 a 18/03/2010

Local: Hotel Rafain Palace – Foz do Iguaçu / Paraná

www.latinosan2010.org.br

A informação é do Paranashop

Brasil quer controlar árvore do princípio ativo do Chanel nº 5

aaaaarvoreDo DiárioNet

O governo brasileiro quer a inclusão da Aniba rosaeodora Ducke, pau-rosa, no apêndice II da Cites, abrangendo todas as suas partes e derivados. O óleo da árvore é utilizado na composição do mundialmente conhecido perfume francês Chanel N° 5. O linalol, principio ativo do pau-rosa, entra em sua composição.

A proposta será apresentada pela delegação brasileira na 15.ª reunião da Conferência das Partes na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Selvagens da Fauna e da Flora Ameaçadas de Extinção (Cites), que se realizará em Doha (Qatar), de 13 a 25 de março. O Brasil será representado por três técnicos do Ibama e dois do Itamaraty.

O desaparecimento das populações naturais nos Estados do Pará, do Amapá e em grande parte do Amazonas, ocasionado por intensa exploração, a regeneração lenta e o comércio preponderantemente externo, é a justificativa para a solicitação de inclusão do pau-rosa no anexo ll da Cites, informa o Ibama.

Árvore de grande porte, atinge até 30 metros de altura por 2 metros de diâmetro, é muito cobiçada pela qualidade de seu óleo que é utilizado como fixador de perfumes. A espécie compõe a flora das matas de terras altas da Amazônia ocidental. Seus frutos são alimentos para aves, notadamente psitacídeos e aves da família Ramphastidae (tucanos), sua polinização é principalmente por abelhas nativas.

O pau-rosa encontra-se nas listas oficiais de espécies em extinção da Colômbia e Suriname. A forma predatória de sua exploração esgotou o estoque disponível nas Guianas e, em seguida, no Pará.

Ideme e Ipea montam rede de dados econômico-sociais no NE

Sistema informativo terá a participação de órgãos de pesquisa de todos os Estados da região Uma rede de informações sobre indicadores econômicos, aspectos sociais e características ambientais dos nove Estados que compõem a região nordestina será criada neste ano. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual (Ideme) deram início à montagem do sistema informacional, que terá a participação de órgãos de pesquisa de todos os estados do Nordeste.

O chefe do Ipea no Nordeste, Constantino Mendes, explicou que a rede trará informações sobre a criação de oportunidades de emprego no Nordeste, índices de escolaridade da população da região e acesso à rede pública de saúde. O sistema público também terá dados referentes às questões do meio ambiente, a exemplo do processo de extinção da Mata Atlântica, entre outros assuntos ambientais.

“Esse processo de articulação vai aproximar os Estados do Nordeste para uma análise comum do comportamento sócio-ecônomico-ambiental na região. A rede de informações trará dados detalhados sobre cada Estado e todos eles poderão saber a realidade de cada uma das unidades federativas que compõem o Nordeste”, declarou Constantino Mendes.

O início de montagem da rede já teve início no Nordeste. O Instituto do Semi-árido da Paraíba anunciou, nesta semana, a participação no sistema público de informações nordestinas. O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), Agência Estadual de Pesquisa e Planejamento de Pernambuco (Condepe) e a Secretaria de Planejamento do Maranhão deverão anunciar, em breve, o apoio à rede organizada pelo Ipea e Ideme.

O superintende do Ideme, Achiles Leal Filho, afirmou que a montagem da rede nordestina de informações permitirá que governos estaduais montem estratégias mais adequadas para o desenvolvimento do Nordeste. “Os governadores e prefeitos do Nordeste vão saber detalhadamente a realidade da região. Eles vão saber, por exemplo, quais os municípios que tem potencial para a geração de energias alternativas a partir do girassol ou até mesmo os municípios mais propícios para a plantação de determinadas lavouras”, declarou Achilles Leal.

Segundo ele, outra vantagem da rede será a troca de experiências entre os estados nordestinos. As ações desenvolvidas por um determinado estado, como a geração de emprego e renda poderão ser copiadas pelos vizinhos da região. Além disso, a rede permitirá a execução de projetos simultâneos no Nordeste, a exemplo de iniciativas contra a degradação ambiental provocada por queimadas e uso abusivo do solo.

A informação é da Secom, no PB Agora

 

Ciro: Câmbio está fora do lugar e política monetária é “estúpida”

Em tom de campanha presidencial, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) disse na sexta-feira ver necessidade de mudanças nas políticas cambial e monetária que estariam descoordenadas no atual governo. Ciro, que pertence a um partido da base governista, criticou a política cambial ao afirmar que o câmbio “está fora do lugar” e que a política de juros é “estúpida”.

“O juro não suja o câmbio? O Brasil está erodindo suas contas com o estrangeiro da pior forma nos últimos 50 anos”, disse em entrevista à rádio CBN. “O câmbio está fora do lugar porque o BC está operando uma política monetária completamente estúpida.”

“O mundo inteiro tem juros zero e o Brasil é segurança 100%. O americano e o japonês pega uma montanha de dinheiro e aplica no Brasil. Aí valoriza a nossa moeda e fica mais fácil ir para Miami do que ir para Fortaleza”, disse.

Ex-ministro da Fazenda no governo Itamar Franco e da Integração Nacional, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro defendeu o regime de câmbio flutuante coordenado com a política monetária.

“Hoje há uma clara descoordenação entre as duas políticas. Os nossos juros são exorbitantes e o mundo inteiro vem para cá… A China trabalha com um câmbio que favorece as suas exportação e o Brasil favorece as suas importações. O Brasil está erodindo de forma selvagem seu balanço de pagamentos. Uma erosão nas contas externas que semeia um problema grave para o futuro próximo”, disse Ciro, após a entrevista.

Apesar de o Planalto ver com bons olhos uma candidatura de Ciro ao governo de São Paulo, o deputado reiterou seu desejo de concorrer à Presidência da República.

“Tenho muito mais chances para à Presidência. Me preparo para isso há 12 anos… sou o melhor preparado hoje”, disse. “Não quero ser candidato em São Paulo… as chances (disso) são remotíssimas”, acrescentou Ciro, que há pouco tempo transferiu seu título eleitoral para São Paulo.

“Quero ser presidente porque tenho um projeto, acumulei 30 anos de experiência de vida decente e acredito que posso ser muito útil para o Brasil.”

Com agências

 

Anac estima alta de 17% em tráfego de passageiros em 2010

A presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Solange Vieira, afirmou que apesar da perspectiva mais otimista para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, o mercado aéreo brasileiro deve crescer no mesmo patamar de 2009, cerca de 17%.

Segundo ela, a perspectiva de passagens mais caras esse ano para recompor supostas perdas sofridas no ano da crise seria um limitador para uma expansão mais forte do mercado em 2010.

“A perspectiva hoje é que o percentual fique equivalente ao do ano passado porque tem uma variável que a gente não tem controle que é o preço”, disse a presidente da Anac durante evento no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

Segundo levantamento do Banco Central, o PIB deve crescer 5,5% em 2010, após queda de 0,2% no ano passado.

Solange destacou que o mercado brasileiro começou o ano bastante aquecido e que os números de fevereiro mostraram um crescimento de quase 43% na demanda doméstica ante o mesmo mês de 2009.

“Estamos apostando na casa dos 10% esse ano em movimento de passageiros. Começamos bem”, afirmou ela.

A presidente da Anac alertou que com o forte aumento da demanda aérea no Brasil é preciso investir pesado na infraestrutura aeportuária.

O presidente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Murilo Barboza, anunciou no evento que a autarquia pretende investir R$ 8 bilhões nos aeroportos nacionais até a Copa do Mundo de 2014, sendo R$ 6 bilhões naqueles em que as cidades serão palcos de jogos e o restante nos demais.

“Temos que preparar a malha toda para a Copa do Mundo. Nosso maior desafio é o aumento da demanda aérea junto com os eventos como Copa, Copa das Confederações e Olimpíadas (de 2016)”, disse o presidente da Infraero.

Barboza anunciou que a instalação temporária de três módulos operacionais no aeroporto de Guarulhos (SP) aumentarão a capacidade em 3 milhões de passageiros ao ano.

O primeiro módulo provisório em Guarulhos será instalado em Guarulhos no ano que vem. “A estrutura pré-moldada vai dar uma folga importante em Guarulhos até que o terminal 3 seja concluído”, afirmou Barboza.

O executivo disse que um módulo desse tipo já está operando em Florianópolis e outras estruturas semelhantes estão previstas para os aeroportos do Rio de Janeiro e Brasília.

Com agências

 

Sindicalistas entregam pauta à Fiesp pela redução da jornada

Sindicalistas e trabalhadores entregaram na manhã da sexta-feira a representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) uma pauta de reivindicações pedindo a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução dos salários.

O gerente do Departamento Sindical da Fiesp, Márcio Antonio D’Angiolella, se comprometeu a encaminhá-la para uma negociação com as indústrias paulistas. A Fiesp, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que não faria nenhum comentário sobre a pauta até que ela seja discutida dentro da federação.

O documento foi assinado por 51 sindicatos de São Paulo. Os sindicalistas afirmam que a jornada de 44 horas praticada no Brasil é uma das maiores do mundo e a redução para 40 horas permitiria ao trabalhador participar de cursos de aprimoramento profissional e passar mais tempo com sua família. De acordo com os sindicalistas, a redução implicaria num aumento, no custo total de produção, “de apenas 1,99%” e poderia gerar 1,7 milhões de empregos imediatamente.

“Temos a certeza quase absoluta de que a Fiesp não vai aceitar”, afirmou o presidente da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, Claudio Magrão de Camargo Cre, o Magrão. Apesar do pessimismo com relação à receptividade da pauta, Magrão valorizou a iniciativa.

Segundo ele, essa é uma primeira tentativa de acordo pela redução da jornada e que haverá também uma pressão sobre o Congresso Nacional para que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 231) seja aprovada. “Com a pressão política das eleições deste ano, tenho certeza de que eles (parlamentares) vão votar favoravelmente à redução da jornada de trabalho”, disse.

De acordo com o deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, caso os acordos não avancem, a alternativa será deflagrar uma greve nos setores de metalurgia, química, alimentação e comércio, por exemplo. “Ou tem negociação ou terá greve, fábrica por fábrica”, disse. “Não é uma greve geral porque já há categorias que trabalham menos”.

Paulinho defendeu a redução não só pelo fato de gerar, pelos seus cálculos, 2,5 milhões de empregos, mas também porque o trabalhador terá mais qualidade de vida, segundo ele. “O trabalhador poderá ficar mais com sua família, se preparar melhor, estudar, se qualificar”, disse.

Para Jayme Borges Gamboa, coordenador da bancada patronal do Grupo 10 – que reúne sindicatos dos setores de lâmpadas, material bélico, estamparia, equipamentos odontológicos, dentre outros -, a redução da jornada vai trazer muitos problemas para a indústria e para a economia porque menos horas de trabalho, em sua opinião, vão significar “menos produção”.

Segundo ele, não é verdade que a redução da jornada vá gerar nvos empregos. “Acredito que a redução de jornada não cria nenhum emprego se não tiver posto de trabalho. E posto de trabalho só é criado quando se tem uma economia devidamente sustentável”, afirmou.

“O pensamento empresarial é de que não é o momento adequado para a gente fazer isso. Primeiro, porque estamos saindo de uma crise. Temos -0,2% de Produto Interno Bruto (PIB). E, aí, já vem uma turma pedir aumento de salário e redução de produtividade? Fica meio difícil”, disse Gamboa.

A informação é da Agência Brasil

 

Grécia deixou claro que não quer ajuda, diz membro do FMI

O número dois do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky, disse que as autoridades europeias e gregas deixaram claro que pretendem conduzir a situação do país sem a ajuda do organismo.

“Isso está bom para nós”, disse o vice-diretor-gerente do FMI, em um fórum de economia na Califórnia, acrescentando que o FMI já ajuda a Grécia com apoio técnico.

Com agências

 

Fevereiro deve ter recorde na geração de empregos, diz ministro

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, afirmou que o mês de fevereiro será o melhor fevereiro da história em termos de geração de empregos, chegando a mais de 181 mil novos postos de trabalho.

Segundo o ministro, os números serão confirmados na próxima semana, mas já superaram os do mês de janeiro.

Lupi afirmou que a indústria está puxando as contratações, porque os estoques estão praticamente zerados e algumas empresas, que aproveitaram a crise econômica global para demitir funcionários precipitadamente, agora estão voltando a contratar. “Este mês eu acho que já se recuperam plenamente todas as demissões, pelos índices que eu vi até agora”, disse.

Para ele, a retirada da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de veículos novos e de alguns eletrodomésticos não influenciará nas contratações, porque o que tinha que vender com a redução já foi vendido. Segundo ele, com o aumento real do salário e a contratação em massa, o ritmo de vendas deve continuar forte.

Lupi ressaltou que é a favor da redução da jornada de trabalho, sem diminuição do salário, para 40 horas semanais. “Esse mecanismo é inexorável, porque todos o mundo moderno já está praticando 36, 37 horas semanais. Esse é o caminho natural, porque inclusive o trabalhador produz mais. Todos os países que adotaram menos de 40 horas semanais melhoraram sua produtividade”, afirmou Lupi.

A proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais aguarda votação na Câmara dos Deputados.

A informação é da Agência Brasil

 

O “grande bazar” da União Européia começou a desabar

Por Mary Stassinákis, no Monitor Mercantil 

A pergunta pertinente é por que determinadas políticas da União Européia (UE) são tão desdenhadas em países como a França. Particularmente, o compromisso com o mercado comum, que é baseado “na livre e legal competição”.

Se alguém brincar com as palavras, constatará que, em Paris, o extremo oposto de “competição” é a “solidariedade”. Para os seguidores do modelo anglo-saxão, a reação instintiva é “monopólio”. Em Paris, a idéia de um partidário do livre mercado defender uma posição moral, frequentemente, provoca surpresa.

Mas, paralelamente, é vantajoso recordar que também o outro lado tem razão. As “fronteiras abertas”, conforme constam registradas nos “alfarrábios” da EU, poderão ser, simultaneamente, positivas mas, também, doloridas pelo fato de que a globalização produz ganhadores e perdedores.

Desde os primeiros dias do mercado comum, os líderes europeus tentaram realizar a “quadratura do círculo”, apresentando o plano como “o grande bazar”. A aprovação popular para a liberalização do mercado foi “comprada” com a promessa da solidariedade com base uma rede de segurança social em nível nacional e, o forte fluxo de capitais dos estados ricos aos estados pobres.

Por alguns anos isto funcionou. De repente, porém, um número considerável de autoridades da UE conscientizou-se de que o “grande bazar” começou a desabar. Isto poderá parecer estranho. Os caminhos na Europa são quase tranquilos. Porém, o diálogo público aqui, em Bruxelas, é sombrio. O tema do diálogo gira em torno de como os europeus conseguirão evitar a derrocada da UE ou sua “gradual divisão”.

Volta da estatização

Uma parcela de desespero já manifestou-se antes da eclosão da crise fiscal na Grécia e na “periferia européia” (horror de expressão, amplamente utilizada pelos líderes dos países da Europa Ocidental).

Os partidários do mercado comum indicam que os governos nacionais e o Parlamento Europeu desdenharam uma “instrução normativa comunitária” para liberalização do setor de serviços, muito antes do estouro da bolha financeira de 2008.

A crise consequente aumentou o pessimismo. “Empoados” eurocratas de alto bordo projetam o argumento de que a confiança popular foi abalada pela percepção de que a derrocada originou-se, em essência, pela crise do capitalismo anglo-saxão.

Referem-se em elevação de nacionalismo econômico e recuo do sentimento popular de legalização da UE e de suas instituições e manifestam preocupação de que estas tendências poderão, eventualmente, alimentar um círculo vicioso.

“Muitos estados, incluindo os maiores da UE, dizem aos seus eleitores que o mercado comum constitui obstáculo ao bem estar deles”, reclama um dos “empoados” líderes da UE, e acrescenta que “a UE não pode marchar sempre desta forma. Os cidadãos dos 27 países-membros deverão convencer-se que existe, também, um “divórcio social” na Europa: se o mercado comum depende somente dos cânones da competição e do alavancar das mudanças corretivas, então estamos perdidos. Mas, outros também se preocupam com a crise econômica, com os programas estatais de salvação dos bancos e das empresas, considerando que tudo isso está sinalizando a volta à estatização”.

Finalmente, predomina a percepção de que a confiança dos europeus encontra-se em uma evolução perigosa. Extremamente perigosa para todos, aliás.

Rússia planeja construção de 12 reatores nucleares na Índia

A Rússia construirá 12 reatores nucleares na Índia, metade deles até 2017, anunciou o diretor da empresa nuclear russa (Rosatom), Sergei Kiriyenko.

“Vamos fazer um planejamento que estipule diretamente (a construção de) 12 unidades na Índia”, declarou Kiriyenko, que integra a delegação que acompanha o primeiro-ministro russo Vladimir Putin à Índia.

Seis dos 12 reatores serão construídos entre 2010 e 2017, afirmou.

Com agências

 

Lehman Brothers escondeu dívidas antes de quebrar

Um relatório sobre a quebra do banco americano Lehman Brothers, considerada um marco do início da crise econômica mundial, diz que executivos da instituição esconderam o real estado das contas do banco antes dele pedir concordata, em setembro de 2008.

O documento afirma que o banco de investimentos estava insolvente – não conseguia pagar suas dívidas na data do vencimento – por semanas antes de quebrar. Ele também acusa os executivos de “manipulação dos relatórios financeiros” e de usar um recurso de contabilidade para esconder as dívidas do Lehman Brothers.

A empresa de auditoria Ernst & Young, que prestou serviços para a empresa, também foi citada no relatório, sendo acusada de graves erros que levaram ao ocorrido.

Processo

O documento de 2,2 mil páginas afirma que há possibilidade de um processo contra os ex-executivos do banco.

O advogado Anton Valukas, presidente da companhia de advocacia americana que liderou a investigação, afirmou que os credores poderão abrir um processo contra o presidente do Lehman Brothers Dick Fuld e os diretores financeiros do banco Chris O’Meara, Erin Callan e Ian Lowitt, alegando negligência ou não cumprimento de deveres.

Valukas também afirmou que há provas suficientes de que a Ernst & Young foi negligente e que a companhia poderá ser processada por “incompetência profissional”.

A Ernst & Young respondeu ao relatório afirmando que seu trabalho no Lehman Brothers foi “apresentado de forma clara”, de acordo com as regras de auditoria.

“Nossa última auditoria para a companhia foi para o ano fiscal que terminou em 30 de novembro de 2007. Nossa opinião indicava que as declarações financeiras do Lehman para aquele ano foram apresentadas de forma clara”, afirmou a empresa de auditoria em uma declaração.

A maior parte do relatório, que recolheu provas junto a todos os principais envolvidos no colapso do Lehman Brothers e nas tentativas de resgatar a companhia, traz acusações do uso de um “truque” conhecido como “Repo 105″.

Este é um recurso de contabilidade que, por meio da manipulação de informações sobre ativos, dá a impressão que o nível de endividamento de uma empresa diminuiu.

O Lehman Brothers teria usado cada vez mais este recurso enquanto seus problemas aumentavam. Valukas afirma que o Repo 105 foi usado para “dar a aparência de que o Lehman estava reduzindo sua dívida total” em 2008, quando, na verdade, não estava.

O relatório estima que o Lehman usou a prática para remover, temporariamente, US$ 50 bilhões em bens de seu relatório financeiro apenas em 2008.

A instituição começou a usar o Repo 105 já em 2001, mas a prática aumentou “de forma dramática” a partir do fim de 2007, segundo o documento.

A advogada de Dick Fuld, Patricia Hynes, respondeu ao relatório e afirmou que ele “não sabia o que aquelas transações (o Repo 105) eram”. “Ele não estruturou ou negociou estas transações”, afirmou a advogada.

A informação é da BBC

 

EUA dão mau exemplo sobre protecionismo, afirma Sarkozy

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, acusou Washington de dar mau exemplo sobre protecionismo, sugerindo que não houve igualdade de competição na corrida por um contrato militar de US$ 50 bilhões.

A fabricante de materiais bélicos americana Northrop Grumman e a europeia EADS se retiraram na segunda-feira de uma nova licitação para fornecer tanques de guerra à força aérea dos Estados Unidos, dizendo que as regras favorecem a líder rival Boeing, maior exportadora dos EUA. Agora, a Boeing é a única disputando o contrato.

Perguntado sobre o que pensava sobre a questão durante uma coletiva de imprensa conjunta com o premiê britânico, Gordon Brown, Sarkozy fez um ataque mordaz sobre como os EUA tinham lidado com o assunto.

“Eu não gostei dessa decisão. Essa não é a forma correta de se comportar”, disse Sarkozy. “Alguns métodos dos EUA não são bons para seus aliados europeus, e tais métodos não são bons para os EUA, uma grande nação da qual nós somos próximos e amigos”, afirmou.

“Se eles quiserem ser ouvidos na luta contra o protecionismo, eles não devem dar o exemplo de protecionismo.”

Com agências

 

Anac obriga aéreas a detalharem tarifas de passagens

A Resolução nº 38 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), publicada no Diário Oficial da União da quinta-feira, torna mais claras as tarifas aéreas informadas ao passageiro. Os itens referentes à prestação do serviço de transporte aéreo – como adicional de combustível nos voos internacionais – devem estar incluídos no valor informado ao passageiro.

Já os opcionais – como cobranças por vendas via telefone, loja ou agente de viagens; serviço de bordo e bagagens extras – poderão ser incluídos nas tarifas ou ainda cobrados à parte do bilhete de passagem, mas será proibida sua identificação no bilhete como taxa. Esse campo no bilhete é destinado exclusivamente à tarifa de embarque, que varia de acordo com o aeroporto.

A simplificação foi possível depois de uma audiência pública realizada pela Anac. Atualmente, ao consultar o preço de uma passagem aérea – seja na loja, internet, por telefone ou na agência de viagem – o passageiro recebe informação sobre o valor e só ao final da compra fica sabendo de acréscimos como tarifa de embarque, adicional de combustível e de emissão, que normalmente vêm no campo taxa.

A cobrança desses adicionais, embora seja legítima, dificulta a comparação de preço entre as empresas, de acordo com a Anac. Pode também, fazer com o que consumidor opte por uma empresa com base em uma tarifa menor e seja surpreendido com o preço final maior do que o da concorrente, em razão de cobranças não padronizadas de adicionais.

A informação é da Agência Brasil

 

Lula diz que PIB caiu por empresas que deram “cavalo de pau”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu as críticas da direita ao desempenho da economia brasileira em 2009, ano que foi marcado pela crise financeira global. Segundo o Lula, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve resultado negativo porque algumas empresas “ficaram com medo” e deram um “cavalo de pau” nos investimentos.

“O que aconteceu no Brasil, e nós sabemos que aconteceu de uma forma brusca, foi que alguns setores empresariais ficaram com muito medo e deram um cavalo de pau nos seus investimentos”, disse.

Segundo números divulgados na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia nacional demonstrou recuperação no quarto trimestre. No entanto, isso não foi suficiente para evitar que o PIB do País fechasse 2009 com retração de 0,2%.

“Ontem saiu o resultado do PIB de 2009. Eu vi a cara de algumas pessoas na televisão falando do PIB. Alguns tinham até a ponta de um sorriso: finalmente nós pegamos o Lula porque o PIB dele não cresceu”, disse o presidente durante discurso na cerimônia de conclusão da primeira etapa das obras de ampliação e modernização da Refinaria Getúlio Vargas (Repar) e inauguração da sua unidade de propeno, em Araucária (PR).

“Se tem um país em que o povo não vivenciou a crise foi esse aqui, porque o consumo por família cresceu 4,1%”, afirmou.

Lula voltou a culpar segmentos da iniciativa privada pelas dificuldades econômicas enfrentadas pelo País no ano passado, e lembrou que o governo aumentou a oferta de crédito para combater os efeitos da crise.

Com agências

 

Só bancos se salvam da marola

Enquanto PIB do Brasil encolheu 0,2% em 2009, setor financeiro avançou 15%

A queda de 0,2% detectada pelo IBGE no produto interno bruto (PIB) do Brasil em 2009 poderia ter sido muito maior, se não fosse o enorme lucro dos bancos. As intermediações financeiras ano passado cresceram 15,1%, em termos nominais e 6,5% reais. Segundo o IBGE, foi o maior aumento registrado no setor de serviços, que cresceu 2,6% em 2009.

“No setor privado, o lucro com intermediação financeira é basicamente oriundo dos juros altos pagos pelos títulos públicos, não necessariamente concessão de crédito”, comenta o consultor econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor da dívida pública do Banco Central (BC), acrescentando que a renda de juros pagos pelo governo é inelástica.

“Já os bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa, tiveram enorme lucro em 2009 emprestando, sobretudo, para pessoas jurídicas. Ou seja, o banco privado que deixou de emprestar poderia ter lucrado ainda mais”, disse, lembrando que o BNDES se encarregou do crédito para as pessoas físicas.

O IBGE mostrou ainda que a formação bruta de capital desabou 9,9% em 2009, superando as perdas da indústria (5,5%) e agropecuária (5,2%).

“No fim de outubro de 2008, houve uma crise de confiança na economia. A concessão de crédito à pessoa jurídica ficou mais cara e caiu”, diz Freitas.

Priorizando o setor financeiro, o PIB brasileiro ficou no vermelho, enquanto China (8,7%) e Índia (5,6%) cresceram com força. Entre os Brics, o Brasil só superou a Rússia, que desabou 7,9%.

A Rússia sofreu violenta fuga de capitais em 2009, perdendo boa parte das reservas cambiais. Já China e Índia adotam restrições ao fluxos de investimento estrangeiro.

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a comparação do quarto trimestre de 2009 com o terceiro, na série com ajuste sazonal, mostra forte descompasso entre as exportações e as importações de bens e serviços: 3,6% e 11,4%, respectivamente.

A informação é do Monitor Mercantil

 

Juiz ordena Petrobras a pagar US$ 639 mi à Astra Oil nos EUA

Um juiz federal do Texas ordenou a Petrobras America Inc, o braço americano da estatal brasileira, a pagar mais de US$ 639 milhões à Astra Oil, confirmando uma decisão de 2009 de uma comissão de arbitragem.

A sentença, datada de 10 de março, confirmou uma decisão de abril de 2009 do Centro Internacional para Resolução de Disputas de que a Petrobras devia essa quantia à Astra Oil pela metade que cabia à Astra na refinaria Pasadena, com capacidade de 100 mil barris por dia, e uma parceria comercial.

A Astra é uma unidade da corporação belga Transcor Astra Group, segundo a sentença.

A Petrobras comprou uma participação de 50% na refinaria em 2006 por US$ 360 milhões. Porém mais tarde, as empresas discordaram sobre o ritmo de investimentos para ampliar a fábrica, e a Astra exerceu seu direito de colocar seu patrimônio à venda para a Petrobras.

No entanto, a Petrobras se recusou a reconhecer tal direito, e a disputa chegou ao comitê de arbitragem. O painel ordenou que a Astra transferisse seus direitos de propriedade aos ativos e que a Petrobras pagasse US$ 639,1 milhões.

A Astra cumpriu a ordem em abril do ano passado, enquanto a Petrobras contestou a sentença. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, confirmou em Houston nesta semana que a estatal brasileira controlava 100% da refinaria.

O juiz americano Ewing Werlein se manifestou a favor da Astra e confirmou a sentença arbitral. Ele também ordenou a Petrobras a pagar os honorários do advogado da Astra, que ainda têm de ser apresentados.

Com agências

 

UE perderá credibilidade se Grécia quebrar, diz comissário

A União Europeia (UE) perderia credibilidade internacional se permitisse que a Grécia quebrasse, disse o comissário europeu para Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, de acordo com o diário alemão Sueddeutsche Zeitung.

“Se a Grécia quebrar, e a União Europeia não evitar isso, vamos perder nossa credibilidade internacional seriamente, por um longo período”, disse.

O jornal também citou um diplomata europeu afirmando que “temos todos os instrumentos prontos para possibilitar uma ajuda coordenada sem quebrar os tratados da UE”.

Com agências

 

Fortuna de Eike Batista é maior que o PIB do Paraguai

A fortuna do empresário brasileiro Eike Batista, US$ 27 bilhões segundo a revista Forbes, é maior que as riquezas produzidas em todo ano de 2008 pelo Paraguai. Com 6,2 milhões de habitantes, o país produziu US$ 16 bilhões, de acordo com dados do Banco Mundial.

O controlador do Grupo EBX também teria mais dinheiro que o produzido no Nepal (US$ 12,6 bilhões), na Jamaica (US$ 15, bilhões), em El Salvador (USS$ 22,1 bilhões) e na Costa do Marfim (US$ 23,4 bilhões) em 2008 – último ano com dados fechados no Banco Mundial.

Já o homem mais rico do mundo conforme ranking da revista americana, o mexicano Carlos Slim, com US$ 53,3 bilhões, teria fortuna maior que a Bulgária (US$ 49,9 bilhões), Uruguai (US$ 32,2 bilhões), Costa Rica (US$ 29,8 bilhões), entre outros países.

Com agências

 

Medidas ampliam recessão, mas barateiam dívida, diz BC grego

A economia grega vai encolher mais 2% neste ano, muito mais que o atualmente previsto pelo governo, mas os custos com a dívida vão diminuir, disse o presidente do banco central da Grécia, George Provopoulos.

Lutando com um déficit exorbitante e 300 bilhões de euros em dívida, Atenas pretende reduzir o buraco no orçamento em 4 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, por meio de uma combinação de cortes de gastos e aumento de impostos.

Isso ainda vai deixar o país com um déficit de 8,7% do PIB, e economistas dizem que o sucesso do plano dependerá de uma implementação rígida e da tranquilidade social.

Mas o plano alivou os temores do mercado sobre a capacidade do país de financiar sua dívida e reduziu o prêmio pago pela Grécia para tomar empréstimos.

“Todos os arrojados pacotes de consolidação fiscal inicialmente têm alguns efeitos de contração. É uma das razões pelas quais nós esperamos que a atividade econômica se contraia 2% neste ano”, disse Provopoulos, que também é membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE), em entrevista divulgada nesta sexta-feira.

“Porém, o pacote de consolidação fiscal também vai criar condições para o crescimento sustentável no futuro, algo que não ocorreria na ausência de um programa real de consolidação”, disse.

A economia da Grécia encolheu 2% em 2009, sua primeira recessão desde 1993.

A previsão de Provopoulos se compara com a contração de 0,3% projetada pelo governo, e um crescimento menor também prejudicaria as receitas orçamentárias.

No entanto, ele disse que a austeridade fiscal – que gerou protestos populares na Grécia – terá efeitos positivos no longo prazo e melhorariam as avaliações de crédito do paiís.

“Eu sou otimista e acredito que, com o governo seguindo o com o programa e enriquecendo-o com políticas estruturais, nós vamos transformar um ciclo vicioso em um ciclo virtuoso. Isso criará velocidade positiva para o crescimento sustentável”, disse ele.

Com agências

 

Trabalhadores da Vale em Sudbury rejeitam oferta de acordo

Os trabalhadores em greve das operações de níquel da Vale em Ontario, Canadá, rejeitaram terminantemente uma oferta de acordo da empresa, o que significa que a paralisação de oito meses vai continuar, disse uma autoridade do sindicato na quinta-feira.

Wayne Fraser, diretor regional do sindicato United Steelworkers, que representa mais de 3 mil trabalhadores em greve em Sudbury e Port Colborne, disse que a votação chegou a quase 90% contra a oferta.

Líderes do sindicato descreveram a última oferta da empresa como bastante aquém das expectativas do sindicato, mas ainda assim realizaram a votação entre os membros.

Uma outra greve na mina de níquel Voisey’s Bay, da Vale, na província canadense de Newfoundland e Labrador, acontece desde agosto do ano passado.

A mineradora brasileira adquiriu os ativos canadenses quando comprou a mineradora de níquel Inco, em 2006.

Em Sudbury, os dois lados estão em discussão sobre propostas de mudanças ao plano de aposentadoria e a um bônus ligado ao preço do níquel.

As tensões aumentaram no final do ano passado, quando a empresa retomou parcialmente as operações usando trabalhadores terceirizados.

Os preços do níquel têm apresentado lentidão na recuperação após a forte queda em 2007 e 2008, dando à empresa poucos incentivos para tentar uma solução rápida.

As operações da Vale em Sudbury produziram 85,3 mil t de níquel em 2008, enquanto que Voisey’s Bay produziu 77,5 mil t.

Com agências

 

China não pode manter ritmo do avanço industrial, diz ministro

A China não será capaz de manter o rápido ritmo de crescimento da produção industrial registrada nos primeiros dois meses do ano, disse o ministro da Indústria chinês, Li Yizhong.

A produção fabril expandiu-se 20,7% em janeiro e fevereiro ante o mesmo período do ano passado.

Li também disse que o impulso econômica gerado pelo pacote de estímulo econômico do país lançado no final de 2008 está próximo de cumprir seu caminho.

Com agências

 

Presidente do BC pede acesso a inquérito do STF

O Banco Central (BC) informou que o presidente da instituição, Henrique Meirelles, formalizou pedido de vistas dos autos do inquérito encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Ministério Público. No inquérito o MP solicita que o STF investigue Meirelles, ex-presidente mundial do BankBoston, por questões de ordem tributária.

“A propósito das notícias veiculadas sobre o pedido feito pelo Ministério Público para abertura de Inquérito no Supremo Tribunal Federal, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informa que tomou conhecimento do assunto pela imprensa e que formalizou pedido de vistas dos autos junto ao STF para ciência do que se trata e adoção das medidas jurídicas cabíveis”, diz nota do BC.

Segundo o BC, Meirelles recebeu a notícia “com serenidade”. Ele disse já ter sido “amplamente investigado” antes e que as acusações foram arquivadas.

Meirelles disse ainda que seu patrimônio “formado durante sua vida profissional foi resultado de árduo trabalho” e que “todos os seus rendimentos e bens foram declarados aos órgãos competentes”.

E que a maior parte de seu patrimônio foi constituída quando trabalhava no exterior. E que seus rendimentos foram divulgados periodicamente nos documentos oficiais do Boston, “conforme previsão legal aplicável a instituições abertas no país sede”.

A informação é do Monitor Mercantil

 

Emprego na indústria inicia o ano com alta de 0,3%

A indústria iniciou o ano de 2010 com expansão das contratações. De acordo com dados divulgados nesta sexta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o nível de emprego no setor subiu 0,3% em janeiro na comparação com dezembro do ano passado, quando a taxa havia caído 0,6%. Já em relação ao mesmo período de 2009, houve retração de 1,1%. No período de 12 meses encerrados em janeiro, o nível de emprego no setor acumula queda de 5,1%.  

De acordo com o IBGE, o rendimento dos trabalhadores da indústria aumentou 5,9% na passagem de dezembro para janeiro. Na comparação com igual período do ano passado, a alta foi de 2,4%, mas, em 12 meses, a folha de pagamento acumula redução de 2,5%.

Ainda em relação a janeiro de 2009, o levantamento aponta que as demissões superaram as contratações em 13 dos 14 locais pesquisados, especialmente em Minas Gerais (-4,2%) e na Região Norte e Centro-oeste (-3,0%).

Houve queda no emprego industrial em 13 dos 18 setores pesquisados. Os destaques, em termos de contribuição para a formação da taxa global, vieram dos setores de madeira (-13,8%), vestuário (-4,3%) e meios de transporte (-4,0%).

O número de horas pagas na indústria também caiu 0,3% na passagem de um mês para o outro. Em relação a janeiro de 2009, houve redução de 0,2%.

Para o economista André Macedo, da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), “A evolução do nível de emprego industrial em janeiro confirma a manutenção da trajetória de recuperação do setor observada nos últimos meses”:

- Os resultados de janeiro apontam uma desaceleração no ritmo de perdas, que vêm reduzindo sua intensidade a partir do segundo semestre de 2009. Quando fazemos as análises regionais e setoriais, verificamos que ainda há predominância de resultados negativos, mas eles estão perdendo força e alguns locais chegam até apresentar alta nas contratações – explicou.

De acordo com o economista, esse é o caso do Nordeste, onde houve expansão de 2,0% no total de pessoal ocupado, além de estados da região como o Ceará (6,0%), Pernambuco (3,4%) e a Bahia (2,9%).

- Esses locais têm como característica a produção industrial voltada em grande parte para o mercado interno, como de calçados e de alimentos. E é o mercado interno que tem sustentado a recuperação da economia e garantido resultados positivos nessas regiões – acrescentou.

Conforme o levantamento, em relação a janeiro de 2009, as demissões superaram as contratações em 10 dos 14 locais pesquisados e em 13 dos 18 ramos industriais.

A informação é da Agência Brasil

Mais marcos regulatórios

O projeto de lei que cria o marco regulatório sobre os resíduos sólidos foi aprovado no fim da noite de ontem pela Câmara dos Deputados, por acordo de líderes, sem a necessidade de votação nominal. A proposta, que agora segue para o Senado, cria o regime de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.

De forma encadeada, serão responsáveis pelo destino do lixo fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos. Essa é a parte considerada mais inovadora do texto, pois todos serão responsáveis pelo destino final do produto e pelo cuidado com a preservação do meio ambiente.

Se transformada em lei, a proposta deverá mudar radicalmente a forma de recolhimento de garrafas plásticas (PET), latinhas, vidros, papel de picolé e todo o tipo de embalagens. Governo e empresas poderão fazer acordos setoriais para estabelecer as formas de recolhimento das embalagens. A idéia é oferecer incentivos a quem utilizar as cooperativas de catadores de lixo.

O mesmo projeto de lei obriga os fabricantes e revendedores a recolherem os resíduos sólidos perigosos tanto à saúde quanto ao meio ambiente, como resíduos de agrotóxicos, pilhas de baterias, pneus, óleos lubrificantes, embalagens, lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista e produtos eletro-eletrônicos e seus componentes.

A definição de um marco regulatório para os resíduos no Brasil deve fazer com que a reciclagem avance, especialmente a de aparelhos eletro-eletrônicos. Por falta de lei nacional, parte da indústria relutou em desenvolver planos para lidar com esse lixo.

- A lei nacional finalmente definirá um plano de ação para todo o País – diz André Vilhena, diretor executivo do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre).

Outra vantagem da política nacional de resíduos sólidos é que ela trará profissionalismo à indústria da reciclagem no País. Entre outros pontos, o projeto de lei prevê estímulos fiscais à atividade.

A informação é da Agência Estado

 

Comissão do Senado aprova projetos que beneficiam empregadas domésticas

Na semana em que se comemora o centenário do Dia Internacional das Mulher, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou dois projetos que beneficiam as empregadas domésticas. Um deles, da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), diminui a contribuição social dos empregadores de 12% para 6% sobre o salário da doméstica e revoga a dedução que eles podiam fazer no imposto de renda pelo pagamento. Assim, espera-se que ficará mais barato para os patrões manter a empregada com carteira assinada.O senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB), relator do projeto, disse em seu relatório que a perda com a redução da arrecadação será compensada com o aumento no número de contribuintes. De acordo com ele, o benefício da dedução da contribuição social no imposto de renda do empregador não atende àqueles que fazem a declaração no modelo simplificado.

- Esses, sim devem ser estimulados a formalizar os contratos com suas empregadas domésticas – disse o relator.

A garantia dos direitos trabalhistas também foi o tema do outro projeto, da mesma autora, que beneficia as trabalhadoras domésticas. Aprovado por unanimidade, o texto prevê multa que vai de R$ 1 mil a R$ 10 mil reais, dependendo da gravidade, para os empregadores que desrespeitarem esses direitos. No caso dos que não assinam a carteira de trabalho da empregada a multa é acrescida em 50%.

Também foi aprovado, em caráter terminativo, o projeto que interrompe o prazo de aviso prévio em caso de notificação de gravidez. Assim, as mulheres que estiverem cumprindo os 30 dias de notificação da demissão sem justa causa e que ficarem grávidas passam a ter o emprego garantido até um mês após o fim da licença-maternidade.

Outro projeto garante às estudantes grávidas a estabilidade no estágio por 120 dias contados após o parto ou a partir de 28 dias antes da data prevista para dar à luz.

Não foi dessa vez, entretanto, que a licença-maternidade de seis meses obteve aprovação no Senado para ser estendida às mulheres que adotarem uma criança. O projeto de lei sobre o assunto não foi analisado pela CAS hoje (10) por causa de um pedido de vistas do senador Flávio Arns (PSDB-PR). O parlamentar alegou que precisava analisar questões técnicas do texto, o que retardará a votação da matéria na comissão.

A informação é da Agência Brasil

 

Lula faz visita política ao Oriente Médio

Por Sergio Leo, no jornal Valor Econômico

Política, muita política, investimentos bilionários, segurança e construção civil orientarão a visita, com comitiva de ministros e empresários, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Israel, territórios palestinos e Jordânia, na semana que vem. Israel comunicou ao governo brasileiro a intenção de destinar US$ 1 bilhão para apoiar exportações e investimentos israelenses dirigidos ao Brasil. Grandes construtoras brasileiras seguem com Lula, interessadas em projetos bilionários de infraestrutura na Jordânia e Palestina.

Embora acompanhada de seminários empresariais em todas as etapas, a visita de Lula tem caráter eminentemente político. Como parte do esforço de ampliação do alcance da política externa, Lula quer “sinalizar o interesse brasileiro” em participar no processo de paz no Oriente Médio, segundo o porta-voz Marcelo Baumbach. “É a primeira visita oficial de um chefe de Estado a Israel”, ressaltou o porta-voz , “e ocorre em um momento em que o Brasil se aproxima dos países do Oriente Médio e atua na busca de uma solução para o conflito palestino”.

Em Israel, Lula fará um programa sugerido pelas autoridades locais, incluindo encontros com o presidente do país, Shimon Peres, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, o presidente do Congresso, Reuven Rivlin e a líder da oposição, Tzipi Livni. Participará de cerimônias simbólicas, como uma visita ao Museu do Holocausto, receberá uma delegação da Universidade Hebraica e terá encontro com o escritor Amos Oz. Enquanto isso, a comitiva de cerca de 70 executivos busca negócios.

Israel lançou um plano, o Shavit, de investimentos nos mercados promissores dos chamados Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), e dispõe de US$ 1 bilhão para investimentos no Brasil. Quase 180 empresas israelenses têm filiais no Brasil, grande parte ligada a serviços de segurança e vigilância. Firmas brasileiras do setor participam da comitiva, e os brasileiros veem perspectivas de associações e de vendas para os setores militares em Israel e na Jordânia.

O governo jordaniano comandou uma coleção de grandes projetos de infraestrutura vistos pelas empresas do Brasil como potenciais fontes de contratos. O maior deles, o Marsa Zayed Aqaba, com torres residenciais e comerciais e áreas de lazer e turismo, pode chegar a US$ 10 bilhões. Todas as grandes construtoras brasileiras estão na comitiva de Lula. Um tema possível de conversa entre os dois países é energia nuclear – a Jordânia iniciou em 2007 seu programa pacífico, que inclui o enriquecimento do urânio de suas jazidas.

O comércio com a Jordânia é minúsculo, inferior à metade de um dia de exportações brasileiras, mas há fortes chances de negócio, especialmente para a Embraer, alvo de assédio jordaniano para que instale no país um entreposto de peças de reposição. O rei Abdullah II, que tem encontro marcado com Lula, disse ao presidente, quando veio ao Brasil, em 2008, que vê fortes possibilidade de cooperação entre os dois países – além de aviação, em agricultura, mineração e energia.

Lula chega a Israel e Palestina em um momento de forte tensão política, com a decisão israelense de construir 1,6 mil casas para cidadãos judeus nos territórios ocupados em Jerusalém Oriental, área originalmente palestina e destinada a uma futura capital do Estado palestino. O anúncio da expansão imobiliária israelense provocou atrito entre Israel e Estados Unidos, por coincidir com a visita, a Jerusalém, do vice-presidente Joe Biden, que participava do esforço de intermediação do conflito e recebeu, lá, o anúncio de que os palestinos se retiravam das negociações devido à ação dos israelenses.

“A posição do Brasil é contra a expansão dos assentamentos e o presidente dialogará de maneira franca com seus interlocutores”, disse Baumbach. Lula defenderá o direito de Israel à paz e segurança, mas condenará a expansão dos assentamentos e cobrará o “alívio da situação humanitária” dos palestinos na faixa de Gaza.

CDES debate condições para novo ciclo de desenvolvimento

Em 2004, os integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social (CDES) começaram a debater a importância de construção de uma Agenda Nacional de Desenvolvimento para o Brasil. Esse debate consumiu mais de um ano de trabalho, envolvendo todos os membros e foi aprovada pelo pleno do CDES em agosto de 2005. A partir de março de 2008, as reflexões do CDES sobre a questão do desenvolvimento se inseriram no contexto da nova arquitetura mundial e a necessidade de uma revisão da Agenda surgiu. Encontro realizado em São Paulo atualizou esse debate.

Por Clarissa Pont, na Carta Maior

Membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), principal órgão consultivo da Presidência da República, discutiram quarta-feira (10), em São Paulo, propostas que sustentem um novo padrão de desenvolvimento brasileiro e as estratégias que devem ser adotadas pelo Estado para tal. É consenso entre os conselheiros que o Brasil hoje é diferente do país que foi analisado no momento da construção da Agenda Nacional de Desenvolvimento, em 2004, e que uma nova proposta deve ser gestada. Agora, as conclusões estabelecidas no encontro serão apresentadas ao Presidente Lula durante a 33ª Reunião Plenária do CDES, em abril.

Segundo o clima do encontro na sede da Fecomércio, em São Paulo, as proposições sobre o padrão de desenvolvimento em curso apontam para a busca de um maior dinamismo da economia brasileira, associado com uma melhor distribuição de renda e riqueza, redução da pobreza, ampliação do mercado interno e sustentabilidade ambiental. Ou seja, a construção de um novo padrão de produção, consumo e distribuição sobre o qual o Conselhão vem se debruçando a partir do acúmulo de experiências de diálogo ente os diferentes atores sociais que o compõem.

A oficina sobre Desenvolvimento, com a presença dos economistas Ricardo Bielshowski e João Carlos Ferraz serviu como base para as avaliações do Conselho. O economista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) Ricardo Bielschowsky, destacou que o Brasil apresenta um bom cenário econômico, mas carece de um pacto social que gere um novo ciclo de desenvolvimento. “Entre 1930 e 1980, aconteceu no país a formação de um grande suporte estatal e desenvolvimento da economia via uma industrialização dirigida ao mercado interno. Depois, o país viveu períodos de instabilidade macroeconômica e, até 2003, um baixo crescimento. Agora, é hora de discutir um novo padrão”, disse. Segundo Bielschowsky o Brasil tem fôlego para uma perspectiva de desenvolvimento promissora a longo prazo, se enfrentar “a baixa propensão a investir e a histórica insuficiência de mecanismos de transmissão de produtividade ao rendimento das famílias. Isso é uma dívida de 500 anos que não se resolve da noite para o dia”.

De todo modo, o economista afirma que este novo ciclo também conta com heranças favoráveis como a estabilidade dos preços, a Constituinte de 1988, a estrutura diversificada presente no país, as políticas sociais do Governo Lula e um quadro internacional favorável ao Brasil. “Há um tripé de sustentação deste novo modelo. Estabilidade, distribuição de renda e políticas de crescimento de investimento. Com isso, se pode prever crescimento para 2010”. As estratégias defendidas durante a reunião podem ser consideradas como uma recomendação para o estado e para a sociedade civil de planejamento. Por meio de debates como este, horizontes já foram vislumbrados pelo governo como metas, para períodos entre 2006, 2010 e 2022 para algumas variáveis econômicas chaves tais como: taxa de juros, taxa de investimento, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e evolução do salário mínimo real, por exemplo.

Para o diretor de Gestão de Riscos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), João Carlos Ferraz, o país vive um cenário positivo com previsão de crescimento econômico, nos próximos cinco anos, em torno de 5%. “Transformar o crescimento em desenvolvimento sustentado, econômico, social e ambiental é o grande desafio”, disse. Segundo ele “sem estado desenvolvimentista, não há desenvolvimento”.

Além disso, o Conselho defendeu que não há como escapar nos próximos anos do enfrentamento da questão previdenciária. O Brasil passa por um intenso processo de mudança na estrutura etária caracterizado pela crescente participação dos idosos na população. Projeções do IBGE indicam que os brasileiros idosos de 65 anos ou mais devem aumentar de 12 milhões em 2008 para 49 milhões em 2050. A população jovem, entre zero e 24 anos, cairá no mesmo período de 84 milhões para 51 milhões. Para o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o economista Márcio Pochmann existe a necessidade de uma “refundação do Estado” em torno destas questões.

A Reforma Tributária também foi tema dos debates e acredita-se que um requisito de viabilidade de um novo projeto para o país é a reforma completa do estado brasileiro. Defendeu-se o fim da regressividade do imposto e o incentivo a produção. A educação também foi apresentada como responsabilidade social compartilhada entre os entes da federação, a iniciativa privada e outros atores sociais, sendo necessário o envolvimento de todos na mobilização para garantir sustentabilidade política e os recursos financeiros para a política educacional no longo prazo que invista em formação, ciência e tecnologia.

A nova Agenda Nacional de Desenvolvimento

Foi em 2004 que os conselheiros do CDES perceberam a importância de construção de uma Agenda Nacional de Desenvolvimento (a AND), que consumiu mais de um ano de trabalho, envolveu todos os membros e foi aprovada pelo Pleno do CDES em agosto de 2005. A partir de março de 2008, as reflexões do CDES sobre a questão do desenvolvimento se inseriram no contexto da nova arquitetura mundial e a necessidade de uma revisão da Agenda surgiu. Com a crise sistêmica que eclodiu em setembro de 2008, ficou evidente que poucos países isolados não conseguiriam vencê-la. Foi também durante a crise financeira que o G-7 se transformou em G-20 e ficou claro que era preciso ter o Brasil, a Índia, a China, o México e a África na mesa de negociações sobre o futuro do mundo.

Corações e mentes

aaaaaoscarPor Rosane Pavam, na revista CartaCapital

Desprovida da comicidade exercida em filmes populares e em seu próprio talk show, Mo’Nique sobe ao palco do californiano Kodak Theater, no domingo 7, vestida de intenso azul. A atriz americana, coadjuvante em Preciosa, agradece à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood pela estatueta que lhe dá. Mas é um agradecimento inesperado. Mo’Nique cumprimenta o pessoal do Oscar por basear suas escolhas em performance, não em política.

Mais um personagem reluzente no auditório onde se dá a 82ª cerimônia de entrega do prêmio, a atriz merece as honras por haver tornado crível, na grande tela, a crueldade maternal. Sem contar que exulta por ter deixado o gueto onde estão confinados os cômicos negros sem glamour. Mas ela talvez tenha se precipitado ao identificar apenas critérios estéticos na concessão da mais alta honraria do cinema.

Do palco do Kodak, além de premiações à performance, saem recados à globalidade que prestigia a cerimônia (nos Estados Unidos, este ano foi o mais receptivo à entrega do Oscar desde 2005, com 41 milhões de espectadores contra os 42 milhões da cerimônia em que Menina de Ouro, de Clint Eastwood, saiu vencedor). Embora sejam também estéticos, afirmativos da necessidade de filmar à maneira conservadora, responsável por levar o público aos cinemas, esses não são os únicos critérios a considerar. As obras escolhidas devem obedecer a uma silenciosa ideologia de consenso.

Neste ano, os filmes e seus protagonistas esforçaram-se por demonstrar a fragilidade americana, cuja economia, para lembrar uma fala recente do apresentador David Letterman em seu programa noturno, se parece com um trenó que desce a montanha nas Olimpíadas de Inverno. Os filmes do ano exibiram personagens masculinos combalidos e mulheres fortes. Os homens foram aqueles que erraram, como se ecoassem a arrogância do ex-presidente George W. Bush no Oriente. As mulheres, ao contrário, mantidas algo longe da batalha, perseguiram, na intimidade dos subúrbios, a democracia e a tolerância racial.

A mensagem insinuada é que elas refarão o brilho americano nas mentes do mundo. Serão indomáveis como a Mo’Nique de Preciosa, determinadas como Sandra Bullock, vencedora por Um Sonho Possível, e ativas como Kathryn Bigelow, a primeira mulher a ganhar um Oscar pela direção, por Guerra ao Terror. Lutarão sem trégua por valores que jamais deveriam ter sido esquecidos e que tornaram hegemônicos uma nação e seu modo de pensar.

Esses valores dizem respeito às premissas da individualidade sobre o sistema, da família sobre a satisfação pessoal e da disposição incansável ao trabalho, que nos torna limpos contra a especulação e a corrupção, estas que ultrapassaram o limite do aceitável na América recente. Ninguém engole o erro estratégico de Bush, que submeteu os americanos a um interminável Vietnã no Iraque.

É hora de reconstruir as noções de liberdade, e uma peça de ficção, entre essas selecionadas, bastaria para exemplificá-las. É em verdade uma má ficção, Crazy Heart, o Coração Louco (algo evocativa de Corações Loucos, de Bertrand Blier) dirigido por Scott Cooper. Que filme, para ganhar o Oscar, necessita ser bom? Basta que seja modelar. Nesse Crazy Heart, um músico country decaído pela bebida busca a reabilitação ao encontrar uma mulher. Ela é a mãe sensível desiludida, e ele almeja seu carinho familiar.

Jeff Bridges recebeu seu Oscar pelo trabalho e agradeceu aos pais, que o fizeram atuar desde a infância. Aos 60 anos, ele há muito merecia a honraria, desde que seu adolescente fizera par com a bela Cybill Shepherd em A Última Sessão de Cinema, de Peter Bogdanovich (1971), e que seu otimista Tucker, no filme de Francis Ford Coppola Tucker – O Homem e Seu Sonho (1988), tudo arriscara pelo empreendimento automobilístico inovador. Ele é o americano exemplar.

Enquanto os personagens de Bridges têm um enorme coração, os de Sandra Bullock mostram as pernas. No início da carreira, ela era um equivalente feminino de Indiana Jones, em filmes como A Rede (1995), e assim prosseguiu, correndo, ao lado de gente inexpressiva como o Keanu Reeves da série Speed. Sandra tem ritmo para a comédia. Emocionada por sua premiação como a mãe adotiva de um negro esportista, tendo rido a valer antes disso, ao receber o Framboesa de Ouro como pior atriz por All About Steve, ela deu um show na cerimônia do Oscar.

Sandra começou por homenagear outras concorrentes ao prêmio, Gabourey Sidibe pela excelência, Meryl Streep por seu beijo (Sandra procurara os lábios da veterana no Globo de Ouro) e Carey Mulligan, de Educação, por ser tão linda que a deixava doente. A mãe de Sandra, como aconteceu a Bridges, insistiu que ela estudasse para ser artista, e lhe ensinou a ser tolerante. A atriz dedicou seu prêmio àquelas que amam seus filhos, não importa de onde eles venham. Lembrou as pessoas que foram boas para ela quando isso “não era moda”. O agradecimento excluiu George Clooney, que um dia a jogou na piscina.

É outro o fascínio exercido pela diretora que venceu por Guerra ao Terror, Kathryn Bigelow. Uma das fortes, ela joga o epíteto de mulherzinha no lixo. Reconstrói a óbvia inclinação americana à aventura com uma câmera muitas vezes subjetiva, que reproduz a respiração dos protagonistas, soldados responsáveis por desarmar bombas no Iraque. Guerra ao Terror cita os jogos de videogame e obras como Platoon, entre outras, nas quais os personagens típicos são corajosos, covardes ou iniciantes dentro da guerra. Quase não há música para edulcorar esse universo. Os iraquianos, não se sabe se bons ou maus, olham ameaçadores a distância.

Kathryn, que ganhou dois Oscar, como diretora e por seu filme, refaz o horror de maneira seca, editada sem desperdício (e o Oscar premiou a montagem de Bob Murawski e Chris Innis). A diretora não adula a figura dos oponentes, e sua sinceridade nesse ponto foi percebida por poucos e bons. Até o início desta semana, Guerra ao Terror, vencedor em seis categorias, havia rendido cerca de 22 milhões de dólares em bilheteria no mundo, contra os 2,5 bilhões de Avatar, o grande perdedor da noite ao levar apenas estatuetas técnicas (de fotografia, direção de arte e efeitos especiais). Que o Oscar honre um filme incapaz de gerar bilheteria prova suas intenções. O prêmio, antes de salvar a indústria cinematográfica, precisa garantir que o capitalismo seduza, ou toda a indústria advinda desse sistema deixará de existir.

O filme de James Cameron, contudo, se viu incapaz de assimilar tal lógica. Seus avatares foram seres excepcionais, de intenções supostamente ecológicas e atualizadas, mas, ao fim, usaram métodos que deveriam estar em desuso ou seriam indesejáveis à imagem do americano limpo, em harmonia com um tempo novo. O pacifismo não corre no sangue azul do diretor. No filme, um soldado americano é o único capaz de manter a vida dos selvagens, cujo poder xamânico ele desautoriza. Para preservar a Pandora que ele mesmo tornou vulnerável, dispensará a guerrilha em favor dos métodos bélicos dos poderosos. Não parece ser esta a mensagem que, no momento, o Oscar deseja reiterar.

A Academia fixou uma estética, como quis a vencedora Mo’Nique, mas também o pensamento que construiu a fama americana no cinema. O filme a fazer isso com mais competência foi, malgrado a estranheza, o argentino O Segredo dos Seus Olhos, vencedor do Oscar como melhor filme estrangeiro. Seu diretor, Juan José Campanella, já trabalha para Hollywood, tendo contribuído para episódios de séries como House e Law and Order. A sua é uma belíssima obra em formato tradicional. Nas narrativas paralelas que se espalham pelo tempo, os protagonistas, honestos e raros funcionários de um departamento de Justiça, com a idade modificada por maquiagem, tentam desvendar um crime comum e atroz.

O inesperado é que o assassinato em questão, o de uma bela jovem, dê-se em meio aos prenúncios da ditadura argentina, acobertado por juízes e policiais racistas e corruptos. Apesar disso, a saga do filme é íntima. Ela revela os efeitos de um sistema funesto sobre a individualidade de seus cidadãos. O diretor Campanella agradeceu o fato de a língua Na’vi, falada em Avatar, não ter afastado o filme de Cameron da categoria principal de melhor filme, o que derrubaria suas chances de levar o prêmio como estrangeiro. O argentino foi elegante. Avatar, que concorria em seis categorias, passou longe das intenções e dos olhos da Academia.

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