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Casagrande: PSB vive “tremenda dúvida” com candidatura Ciro

aaaaaaaaaaaaaaaaaciro2Por Bob Fernandes, na Terra Magazine

Nas últimas 48 horas, são crescentes as informações e também rumores dos movimentos dentro do PSB a favor e contra a manutenção da candidatura de Ciro Gomes à presidência da República.

Em Pernambuco, na terça-feira, a propósito de opiniões de Ciro sobre as alianças do PT na sucessão, o governador Eduardo Campos afirmou que o colega de partido tem “um jeito de falar” diferente do seu e que conversariam em Brasília.

Dentre outros integrantes do PSB, Terra Magazine ouviu o senador Renato Casagrande (PSB-ES), 49 anos, um dos entusiastas da candidatura Ciro, sobre o rumo dos ventos. Disse o senador:

-… Para ser franco, o partido está em dúvida, tremenda dúvida se deve ou não ter Ciro como candidato à presidência da República.

Para Casagrande, o PSB vive um “processo de reflexão”. Sem aliança, ressalta, o “partido pode entrar de um tamanho e sair menor do que entrou”. Na mesma conversa, o senador explicita as contradições:

- Para tirar o Ciro, temos que ter argumentos claros, se não tivermos não teremos como argumentar com o Ciro. Não dá pra tirar assim, sem nada, um candidato que tem 10%, 11%, 13% de intenção de voto.

Confira a entrevista.

Terra Magazine – Senador, tendo em vista declarações recentes de vários personagens desse enredo e movimentos de bastidores, o senhor diria que a candidatura de Ciro à presidência da República pelo PSB fez água dentro do partido?
Renato Casagrande – Não fez água… ainda. O partido vive um processo de reflexão, é muito difícil uma candidatura que caminhe sozinha, sem aliança, porque o partido pode entrar de um tamanho e sair menor do que entrou. Ao mesmo tempo, não temos muito argumento para não ter a candidatura.

Então o PSB está vivendo…
Para ser franco, o partido está em dúvida, tremenda dúvida se deve ou não ter Ciro como candidato à presidência da República.

Dúvida por quê?
Vários argumentos. Se não for o Ciro, nós vamos apoiar a Dilma, mas até agora não temos uma proposta concreta por parte do PT.

Proposta de que e para quê?
Proposta de apoio a projetos regionais do PSB. Dúvida porque o PT não deu sinal a nenhum projeto nosso, fora Pernambuco e Ceará. Para tirar o Ciro, temos que ter argumentos claros, se não tivermos não teremos como argumentar com o Ciro. Não dá pra tirar assim, sem nada, um candidato que tem 10%, 11%, 13% de intenção de voto. Isso ao final de uma eleição ajudaria a imagem do partido.

Isso quer dizer que o PSB pode ou vai, desde que receba argumentos, argumentar com o Ciro para que ele abandone a candidatura?
Mais na frente, pode.

O senhor diria que o presidente Lula deve ao deputado Ciro Gomes uma conversa?
Não sei se diria “deve”. Mas o presidente diz que faria uma conversa em março. Essa conversa, sem dúvida, é necessária. Com o PT, teremos um papel secundário e uma posição no governo idem.

E a posição do governador de Pernambuco, Eduardo Campos? Ele disse nas últimas horas que vai procurar Ciro pra conversar.
O governador Eduardo Campos tem amizade com Lula e o PT, certamente, precisa do apoio dele lá em Pernambuco.

Cuba: População de Havana barra “Damas de Blanco”

aaaaaaadamas2A mídia cavou mais uma pirotecnia da indústria da “dissidência” em Cuba com a suposta prisão das “Damas de Blanco” por pertubar a ordem pública.

O grupo é formado por parentes dos criminosos que cumprem algum tipo de pena no país por delitos comuns e que foram transformados em “presos políticos”.

As mercenárias estariam em uma passeata em Havana e foram hostilizadas pela população, que não tolera suas práticas abusivas.

Elas forçam situações para serem presas — ação da polícia para evitar confronto com o povo. Em seguida são liberadas. 

As “Damas de Blanco” são um grupo abertamente aliado do regime norte-americano.

O grupo é especialista em fazer teatro para ser explorado pela mídia, que sempre dilvulga suas atividades de forma unilateral e censurada.

 As “Damas de Blanco”, conhecidas assim por se vestiram de branco como “símbolo de paz”, têm  relações carnais com a direita mais empedernida norte-americana.

A ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Laura Bush, participa ativamente de suas atividas, enviando mensagens ao grupo por meio de videoconferências. Em uma delas, destacou a “coragem e a determinação” dos “dissidentes”.

“Essas mulheres mostram uma coragem e uma determinação que é profundamente comovente”, disse a ex-primeira-dama em comunicado, no qual ressaltou que “suas histórias lembram que uma ditadura não pode acabar com o espírito de liberdade”.

Em uma das videoconferências ela convidou o ex-secretário de Comércio norte-americano, Carlos Gutiérrez, que tem origem cubana.

“Os Estados Unidos continuam mostrando os abusos cometidos pelo regime de Fidel Castro, que encarcerou maridos, filhos e irmãos das ‘Damas de Blanco’, assim como outros cubanos que tentaram exercer seus direitos fundamentais”, disse Laura Bush.

Não faz tempo, a congressista republicana norte-americana Ileana Ross-Lehtinen ligou para as “Damas de Blanco”.

Elevadas ao status de símbolo da luta pela “liberdade”, elas gozam de grande exposição midiática — mas em Cuba suscitam indiferença e repúdio.

Para dotar-se de certa legitimidade e ocultar as razões que conduziram seus familiares à prisão, as “Damas de Blanco” utilizam o mesmo símbolo da luta das Madres de la Plaza de Mayo, na Argentina.

Consultada, Hebe de Bonafini, presidente da associação Madres de la Plaza de Mayo, universalmente reconhecida e respeitada por sua incansável luta contra as injustiças, denunciou a relação falaciosa entre as duas organizações.

“Primeiro, deixe-me dizer-lhe que a Plaza de Mayo está na Argentina e em nenhum outro lugar. Nosso lenço branco simboliza a vida, enquanto que essas mulheres das quais vocês me falam representam a morte. Esta é a diferença mais importante e mais substancial que devemos assinalar aos jornalistas. Não vamos aceitar que nos comparem ou utilizem nossos símbolos para pisotear-nos. Estamos em total desacordo com elas”, afirmou.

“Essas mulheres defendem o terrorismo dos Estados Unidos. Defendem o primeiro país terrorista do mundo, o que tem mais sangue nas mãos, o que lança mais bombas, o que invade mais países, o que impõe as sanções econômicas mais duras aos demais. Estamos falando da nação que é responsável pelos crimes de Hiroshima e Nagasaki”, enfatizou.

“Essas mulheres não percebem que a luta das Madres de la Plaza de Mayo simboliza o amor por nossos filhos desaparecidos, assassinados pelos tiranos impostos pelos Estados Unidos. Nosso combate representa a revolução, a que nossos filos e filhas quiseram fazer. Sua luta é diferente, pois elas defendem a política subversiva dos Estados Unidos, que somente contém opressão, repressão e morte”, afirmou.

Cuba: Organização mafiosa Repórteres Sem Fronteiras (RSF) envia carta a Lula

A mafiosa organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na qual pede que ele atue como mediador com as autoridades cubanas para conseguir a libertação de todos os mercenários na ilha caribenha.

A carta foi assinada pelo secretário-geral da RSF, Jean-François Julliard.

A organização mafiosa tem vários “correspondentes” em Cuba. Eles chegaram a fundar a “Sociedade de Jornalistas Manuel Márquez Sterling”, dedicada à formação de jornalistas “independentes”.

Uma de suas publicações, a revista De Cuba, fez intensa campanha do chamado “projeto Varela”, que reivindicou uma “abertura democrática do regime”.

O povo reagiu e o resultado foi a mudança na Constituição, por uma emenda popular, que torna a natureza socialista do país em cláusula irregogável. Ou seja: para derrotar a revolução, só por meio de um golpe de Estado ou uma invasão do país.

Os “jornalistas independentes” são um movimento organizado pelo então chefe da seção de interesses dos Estados Unidos em Cuba, James Cason.

Em março de 2003, a Agência France Press (AFP) anunciou que cerca de 30 jornalistas participaram de um evento organizado pela “Assembléia para a Promoção da Sociedade Civil” na residência de Cason.

“Um grupo de cidadãos particulares pediu ajuda para discutir questões importantes para todas as sociedades livres e democráticas — meios de comunicação social independentes e profissionais”, disse um diplomata da seção norte-americana.

“O senhor Cason respondeu que sim, como fazem os chefes de missão dos Estados Unidos em todo o mundo, para apoiar este tipo de iniciativa importante e proporcionar uma oportunidade para que isso seja realizado”, acrescentou.

Além da “Sociedade de Jornalistas Manuel Márquez Sterling”, participaram do seminário a “Federação Cubana de Jornalistas” e a “Federação dos Jornalistas Independentes Associates”, segundo a AFP.

Ainda segundo a AFP, “os participantes foram divididos em subcomissões que abordaram temas como a fotografia, a relação entre jornalistas e editores, entrevistas, o conflito de interesses e de linguagem jornalística”.

Ao final do evento, os jornalistas “independentes” emitiram uma declaração condenando “a repressão das liberdades de expressão e de informação”, e chamou a atenção para “a censura existente em Cuba.”

O então chanceler cubano Felipe Pérez Roque, em uma entrevista coletiva aos correspondentes estrangeiros no país, explicou, na ocasião, o que estava acontecendo.

Ele disse que Cason estava desafiando as instituições jurídicas cubanas e que a missão norte-americana deveria se ater ao papel de “todas as representações diplomáticas em seu trabalho no nosso país”.

Pérez Roque mostrou um vídeo com uma entrevista de Cason em Miami.

Veja um trecho:

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Jornalista – (…) Com a sua nova posição como chefe da seção de interesses dos Estados Unidos em Havana (…), o senhor tem se reunido com correntes e com dissidentes cubanos em Cuba. Já se reuniu com os dirigentes dos organismos anti-Castro no exílio também?

James Cason – Sim, duas ou três vezes. Toda vez que eu venho a Miami quero reunir com todos os grupos. Com a Fundação Nacional Cubano-Americana, com o Conselho para a Liberdade de Cuba, grupos independentes e todos os grupos daqui. Porque eu quero explicar o que tenho visto em Cuba, o que está acontecendo e ouvir os seus pontos de vista sobre aquilo que estamos fazendo para ver se há algo que devemos fazer e que não estamos fazendo. 

É um diálogo muito simpático e uma das minhas mensagens é que a coisa importante em Cuba é que existe uma oposição, são isolados, perseguidos, mas são persistentes e têm muita coragem. (…) Há uma transição agora, mas lá vai ser uma nova Cuba um dia. E eles têm que assumir sua parte em formar e decidir o futuro de Cuba. Então, eles têm de conquistar seu espaço, começar a discutir o que tem de ser feito de maneira diferente para mudar Cuba (…).

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Todas essas organizações “independentes” cubanas são braços da RFS.

Com sede em Paris, ela divulga periodicamente seus relatórios sobre “prisões, assassinatos, ameaças e censuras aos meios de comunicação”.

No geral, estes documentos centram seus ataques nos governos contrários à hegemonia dos Estados Unidos.

A RSF foi fundada em 1985 pelo jornalista Robert Ménard.

Inicialmente, concentrou seus ataques aos países do bloco soviético — acusados de serem “autoritários e contrários à liberdade de imprensa”.

Mas o seu alvo predileto sempre foi a revolução cubana.

Tanto que Cuba já solicitou várias vezes sua exclusão do comitê de ONGs das Nações Unidas.

Altamiro Borges cita em coluna no Portal Vermelho que segundo o professor Salim Lamrani, doutor pela Sorbonne e autor de um elucidativo artigo no site Resistir, “Robert Ménard sofre de uma doentia obsessão contra a revolução cubana e reúne em si todos os vícios e desmandos de que o jornalismo e os jornalistas são capazes”.

Segundo denúncia, “a RSF diz ‘defender os jornalistas encarcerados e a liberdade de imprensa. Conversa! A organização, financiada pelo milionário francês François Pinault e com a benevolência do comerciante de armas Arnaud Lagardère, fez da manipulação da realidade cubana o seu principal negócio”.

Na fase recente, a RSF também passou a satanizar o presidente Hugo Chávez, diz Altamiro Borges.

Quando do frustrado golpe de abril de 2002, que teve como pivôs os principais donos da mídia venezuelana, Ménard não levantou a sua voz em defesa da “liberdade”.

Pelo contrário.

Segundo reportagem dos estadunidenses Jeb Sprague e Diana Barahona, publicada na Réseau Voltaire, a RSF incentivou a brutal campanha midiática de preparação do golpe.

Intelectuais desmascaram campanha fascista contra Cuba

Um comunicado divulgado na terça-feira (16), assinado por duas associações de intelectuais, rechaça a campanha “Yo acuso”, promovida pela direita fascista, que recolheu assinaturas de condenação à morte do mercenário Orlando Zapata.

O documento, endossado pela União de Escritores e Artistas de Cuba e a Associação Irmãos Saiz, põe Zapata no seu devido lugar — um criminoso comum com um histórico comprovado de violência, transformado em “preso político” pela indústria da “dissidência”.

“Apoiado por pessoas sem escrúpulos e apesar de tudo o que se fez para salvar sua vida, Orlando Zapata faleceu e foi convertido em um lamentável símbolo do movimento anticubano”, acrescenta o comunicado.

O documento qualifica a aprovação de uma resolução do Parlamento Europeu que “condena energicamente a morte evitável e cruel do dissidente preso político Orlando Zapata” de “intromissão ofensiva” nos assuntos internos cubanos.

Os intelectuais afirmam que a campanha “Orlando Zapata Tamayo: Eu acuso o governo cubano mente sem pudor algum sobre uma suposta prática” de “eliminar fisicamente a seus críticos e opositores pacíficos”.

Pronunciamento da Uneac e da AHS: Aos intelectuais e artistas do mundo

Do jornal Granma

Enquanto a Feira do Livro percorria nosso país de lés a lés e centenas de médicos cubanos salvavam vidas no Haiti, vinha se gestando uma nova campanha contra Cuba. Um delinqüente comum, com um histórico provado de violência, tornou-se “prisioneiro político”, declarou-se em greve de fome para que lhe fossem instalados telefone, cozinha e televisão na cela. Alentado por pessoas sem escrúpulos e apesar de tudo quanto se fez para prolongar-lhe a vida, Orlando Zapata Tamayo morreu e converteu-se num lamentável ícone da maquinaria anticubana. Em 11 de março, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução que “condena energicamente a morte evitável e cruel do dissidente e preso político Orlando Zapata Tamayo” e numa intromissão ofensiva em nossos assuntos internos “insta as instituições europeias a darem apoio incondicional e alentarem, sem reservas, o início dum processo pacífico de transição política, rumo a uma democracia pluripartidarista em Cuba”.

Com o título “Orlando Zapata Tamayo: Eu acuso o governo cubano”, está circulando um chamamento para recolher assinaturas contra Cuba. A declaração assegura que este recluso foi “injustamente preso e brutalmente torturado” e que morreu “denunciando estes crimes e a falta de direitos e de democracia em seu país”. Ao mesmo tempo, mente sem pudor algum quanto a uma suposta prática de nosso governo de “eliminar fisicamente seus críticos e opositores pacíficos”. Em 15 de março, um jornal espanhol mostrava na primeira página o rosto de Zapata Tamayo, já defunto, no caixão, ao tempo que anunciava a adesão ao chamamento de alguns intelectuais que ligavam suas assinaturas às de velhos e novos profissionais da contrarrevolução interna e externa.

Nós, escritores e artistas cubanos, estamos cientes da maneira em que se articulam, sob qualquer pretexto, as corporações midiáticas e os interesses hegemônicos e da reação internacional para prejudicar nossa imagem.

Sabemos com quanta sanha e morbo se deturpa nossa realidade e a forma em que se mente diariamente sobre Cuba. Sabemos também o preço que pagam os que tentaram se expressar, a partir da cultura, com matizes próprios.

Na história da Revolução jamais foi torturado um prisioneiro. Não houve um único desaparecido. Não houve uma só execução extrajudiciária. Fundamos uma democracia própria, imperfeita, é sim, mas muito mais participativa e legítima que aquela que nos pretendem impor. Não têm moral os que orquestraram esta campanha para dar-nos lições de direitos humanos.

É imprescindível parar esta nova agressão contra um país bloqueado e acossado sem piedade. Portanto, apelamos à consciência de todos os intelectuais e artistas que não escondam interesses espúrios em torno ao futuro duma Revolução que foi, é e será um modelo de humanismo e solidariedade.

Secretariado da União Nacional de Escritores e Artistas de Cuba (Uneac)

Direção Nacional da Associação Hermanos Saíz

“Notícia” da Reuters pautada no chiqueiro

 

Cuba diz que exportação de tecnologia dos EUA é ação subversiva

HAVANA (Reuters) – Cuba afirmou que a decisão dos Estados Unidos de liberar a exportação de programas de Internet que permitem conversas online e acesso a redes sociais é parte de um plano de “subversão e desestabilização” para derrubar o governo comunista.

Funcionários do governo norte-americano anunciaram na semana passada que permitirão a empresas de tecnologia oferecer serviços a Irã, Sudão e Cuba, na esperança de que a medida ajude os cidadãos desses países a se comunicar com o mundo exterior.

“Ao anunciar a medida, o governo dos Estados Unidos expressou claramente que o seu objetivo era utilizar essas mídias, esses serviços, como ferramenta de subversão e desestabilização,” disse Josefina Vidal, diretora do Ministério do Exterior cubano para assuntos da América do Norte, de acordo com reportagem de uma rádio cubana.

Foi a primeira reação oficial cubana quanto ao assunto.

A decisão do Departamento do Tesouro norte-americano se seguiu a uma petição do Departamento de Estado para que fossem concedidas isenções ao cumprimento de sanções existentes que permitiriam a empresas como Google e Microsoft exportar software livre para esses mercados.

Vidal disse que as novas medidas para oferecer serviços de Internet à ilha não são uma forma de flexibilizar o embargo imposto por Washington a Cuba há quase meio século, mas sim uma “manobra agressiva,” de acordo com a Radio Reloj, uma emissora estatal.

“Fica demonstrado uma vez mais que o governo norte-americano não está interessado em flexibilizar sua política e nem em desenvolver comunicações normais com Cuba, mas só em estabelecer canais que facilitem seu trabalho subversivo,” ela declarou.

Cuba e EUA são inimigos desde a revolução liderada em 1959 por Fidel Castro, substituído dois anos atrás na presidência do país por seu irmão mais novo, Raúl.

O presidente Barack Obama prometeu “retomar” as relações com Cuba e eliminou algumas das restrições a norte-americanos de origem cubana que visitem o país e enviem dinheiro a seus familiares, mas afirma que não apoiará a suspensão do embargo a não ser que Havana liberte seus prisioneiros políticos e dê amostras de avanço quanto às questões de direitos humanos.

Máfias cubanas de Miami invadem consulado do Brasil

Observe o perfil dos mafiosos. Bem diferente do povo cubano. A diferença reflete o que é o país que luta por sua dignidade e os grupos mafiosos que querem a “democracia” só para eles, como antes da Revolução.

Cuba: Embaixador em Portugal vê com preocupação posição da UE

O embaixador cubano em Portugal, Eduardo Gonzalez Lerner, disse que “Cuba vê com preocupação a posição da União Europeia (UE)” face ao país, quando solicitado a comentar as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros português.

O ministro Luís Amado declarou, durante as jornadas sobre o Tratado de Lisboa, que decorreram na terça-feira na Faculdade de Direito de Lisboa, que via a evolução da situação em Cuba “com preocupação”, em alusão à morte recente do mercenário Orlando Zapata Tamayo.

Luís Amado adiantou que já exprimiu esta preocupação “no quadro da União Européia” e que considera que “seria bom que as relações da UE com Cuba se estabilizassem e normalizassem”.

Com agências

 

Cuba critica em Genebra hipocrisia do Norte no tema dos direitos humanos

Do jornal Granma

Cuba fustigou, em 16 de março, a hipocrisia e memória seletiva dos países do Norte, com a esperança de que suas próprias atrocidades fiquem esquecidas, numa intervenção no Conselho de Direitos Humanos (CDH), das Nações Unidas.

Ao exercer o direito de réplica no debate “Situações que requerem a atenção do Conselho”, o delegado cubano Resfel Pino ressaltou que nem os Estados Unidos nem a União Europeia (UE) têm autoridade moral para questionar os outros.

“Ao longo deste debate, escutamos alguns países ocidentais repetirem suas politizadas e intermináveis listas de países, onde supostamente são violados os direitos humanos”, apontou Pino.

O diplomata questionou os EUA, os Países Baixos, Suécia, Bélgica, República Tcheca e Espanha, aos quais “lembramo-lhes em nossa intervenção de ontem algumas de suas páginas mais hediondas no capítulo dos direitos humanos”. A outros, como a Alemanha, “que foi assinalada publicamente como país cúmplice da prática de detenções secretas, sendo seu território um dos mais utilizados nos voos secretos da CIA”.

Europa y la brutalidad policial

Do jornal Granma

Varios organismos humanitarios denunciaron recientemente, con motivo de las manifestaciones de protesta por los migrantes, el “uso excesivo e injustificado de la fuerza por parte de la policía en algunas manifestaciones, así como el empleo inadecuado de material policial concebido para incapacitar o neutralizar temporalmente” e instaron a evitar el uso de armas que disparan proyectiles como balas de goma y “marcadores” (proyectiles que contienen pintura y metal), pistolas de electrochoque “Taser” y gases tóxicos neutralizantes.

La represión policial para anular cualquier brote de rebeldía o de protesta ha sido brutal y desmedida en los últimos meses en Grecia, Italia, España, Francia, Dinamarca, Alemania y otras naciones de la Unión Europea.

Una mujer armenia de 35 años fue golpeada, esposada y detenida delante de su niño de dos años de edad en Atenas, Grecia, durante una de las manifestaciones de protestas. Cuando fue a agarrar el coche donde estaba su•bebé, la agarraron, la empujaron al piso, la patearon y golpearon creyendo que se resistía al arresto. La desafortunada madre fue esposada y llevada con su niño a la estación de policía.

En Italia ha habido numerosas denuncias de actividades represivas por parte de las autoridades, como ocurrió al sur del país, en Rosarno, tras los graves acontecimientos de principios de año donde trabajadores migrantes fueron víctimas de violencia y ataques racistas, y en el marco de su campaña “Por un derecho de fiscalización de los lugares de encierro”.

En Valencia, España, la Red Estatal en Solidaridad con los Inmigrantes (REDI) y otras organizaciones afines respondieron con una marcha hacia un Centro de Internamiento de Extranjeros (CIE) al reporte elaborado por la Comisión Española de Ayuda al Refugiado (CEAR) que revelaba serios casos de maltrato, condiciones totalmente antihigiénicas, humillantes, y torturas a extranjeros, entre muchas otras formas de abusos y condiciones ilegales según las leyes internacionales de derechos humanos. Según narró a la prensa un testigo, “un manifestante venezolano, Jesús Valera Raga (de 28 años), me sujetó del brazo ayudándome a resistir pacíficamente el arresto, a lo que se sumó una avalancha de activistas separados por un cordón de policías, mi detención pasó a segundo plano cuando pude ver al compañero venezolano tirado en el suelo, boca abajo, y a una media docena de policías dándole patadas en la cabeza aplastándosela contra el suelo, porrazos, patadas en el cuerpo y toda clase de golpes y agresiones. También las mujeres fueron atacadas por la policía”.

Por esos días, en Copenhague, Dinamarca, la opinión pública fue testigo durante la Cumbre Climática de cómo en medio de una andanada de golpes con palos, gases lacrimógenos, el uso de perros y una desmedida violencia policial, fueron detenidos cerca de mil manifestantes a los que la prensa local definía como activistas climáticos. Los arrestados estuvieron durante más de cinco horas esposados, sentados sobre el suelo gélido, a la intemperie con dos grados de temperatura, en plena calle, sin ningún tipo de asistencia. Ninguno de los detenidos fue trasladado a las jaulas preparadas bajo techo y muchos tuvieron que orinarse encima de la ropa.

Recientemente en Alemania, organizaciones progresistas en la ciudad de Dresden se opusieron a manifestaciones de activistas neonazistas. La policía no detuvo a los fascistas, sino que empezó a ejercer presión sobre los antifascistas para que abortaran los trayectos. Aquello parecía un escenario propio de una guerra.

En Francia continúa generando un fuerte debate la sucesión de denuncias de abusos policiales, según se desprende de publicaciones en diversos medios franceses. Las pistolas Taser han sido utilizadas por agentes de policía contra escolares indisciplinados, personas desarmadas que tenían perturbadas las facultades mentales o estaban drogadas, sospechosos que huían del lugar en que se había cometido un delito menor e individuos que discutían con la policía o que no cumplían inmediatamente sus órdenes.

Juca Ferreira: Candidatura Gabeira é sublegenda do PSDB

Bob Fernandes, na Terra Magazine

Bassuma vem a ser deputado federal pelo PV da Bahia, tendo sido enxotado do PT local. Bassuma, que certo dia incorporou espírito não-identificado em sessão plenária da Câmara já recebeu, do Além, cartas de Luis Eduardo Magalhães. Pré-candidato ao governo da Bahia pelo PV, Luiz Bassuma é contra o aborto e direitos para homossexuais.

Bassuma é a chave que permite, ou empurra, o ministro da Cultura Juca Ferreira para o afastamento do partido que ajudou a fundar há 22 anos.

Pode-se dizer que Juca mira no símbolo Bassuma para acertar nas alianças da candidatura Marina Silva à presidência, mas pode-se ler também que o tiro nas alianças de Marina tem como alvo, embora menor, o fantasma Bassuma. Diz o ministro:

- Bassuma é um erro tão estrondoso… Ele contraria tudo o que o PV foi, representa…

Deixando de lado o que é menor, embora circunstancialmente seja ou pareça ser maior, Juca Ferreira, ministro de Lula e adepto da candidatura Dilma à presidência, ataca primeiro as alianças da candidatura Marina Silva:

- Não é a Marina pessoa, que tem todo direito de ser candidata, mas as alianças do PV… cada vez mais conservador, abandonando suas bandeiras, politicamente indo mais pra direita e cada vez mais pragmático, convivendo com o fisiologismo…

Juca Ferreira, que pediu suspensão temporária de sua filiação ao PV, diz que repensaria essa posição se afastada a candidatura Bassuma ao governo da Bahia.

Amigo e contemporâneo de exílio na Suécia, Fernando Gabeira, candidato ao governo do Rio de Janeiro, é também alvo de disparos na conversa que se segue. Admite Juca quanto à postulação do colega verde:

- A candidatura Gabeira é uma sublegenda do PSDB e suporte para Serra no Rio de Janeiro.

Terra Magazine – Você diz que seu pedido de afastamento temporário do PV se deve às alianças do partido em torno da candidatura de Marina Silva, muito à direita no seu entender. É isso?
Juca Ferreira – É, não é a Marina pessoa, que é qualificada e tem todo direito de ser candidata, mas as alianças dela, do PV que está ficando mais cada vez conservador, abandonando suas bandeiras, politicamente indo mais pra direita e cada vez mais pragmático, convivendo com o fisiologismo…

Mas isso que você está falando se pode dizer, por exemplo, a respeito da aliança vigente com Sarney, Renan Calheiros, Collor…
…Eu (NR: O PV) não tenho essa aliança, tenho aliança com o governo Lula…

…mas estou dizendo isso exatamente em relação às alianças do governo Lula. Da mesma forma que você argumenta em relação às alianças em torno da Marina, se pode argumentar que as alianças do governo Lula têm esse mesmo perfil que você está dizendo… sempre em nome da governabilidade, claro.
Então vam’bora. É o seguinte: o governo Lula queira ou não está dando uma grande contribuição ao Brasil, associando desenvolvimento à inclusão de 40 milhões de brasileiros….

Mas você admite que…
Sim, para isso é um governo plural, é um governo heterogêneo, é um governo que tem um arco de aliança grande. Acho que eu concordo com a tese dos que dizem que quando você monta um governo plural, você tem que ter a liderança programática e ética desse governo. No caso do PV, o que me atraiu para o PV foi exatamente a compreensão de que a plataforma ambiental, a luta pela sustentabilidade, não poderia ser desenvolvida de forma isolada, que ela teria que ser parte de um programa de cidadania, com questões que até então não eram vistas como questões públicas ou do mundo da política, como o direito de minorias; a questão dos homossexuais e de outros segmentos que não são de existência reconhecida; modernização comportamental do Brasil; política de drogas baseada na redução de danos. Então, o PV tem uma personalidade e aos poucos está abandonando essa personalidade.

Mas esse abandono já vem de algum tempo…
Já, tem quatro anos que eu estou em divergência do partido, meu problema não é a Marina, a figura de Marina ou a candidatura de Marina. Eu acho que o PV tem direito de ter uma candidatura própria, Marina é uma pessoa qualificada. Então meu problema não é uma pessoa, são as alianças pela direita.

Dá para você nominar? O que são as alianças pela direita, onde você enxerga isso?
No Rio, a aliança com César Maia e Gabeira. Eles têm dito que já se está preparando o palanque do segundo turno pro PSDB.

O Gabeira seria uma espécie de sublegenda do PSDB?
É isso.

Manchete: “Gabeira é uma sublegenda do PSDB”.
Não o Gabeira, a pessoa, mas a candidatura Gabeira.

Manchete: “A Candidatura Gabeira é uma sublegenda do PSDB”.
…tá sendo montada como uma sublegenda e suporte da candidatura do Serra no Rio de Janeiro.

E o que mais seria essa “direita”?
Em São Paulo, a aliança com o DEM. E eles, evidentemente, preparam-se para apoiar a candidatura do Serra.

Mas parece que eles lançariam um candidato próprio em São Paulo, o Fabio Feldmann…
É… mas eu não acredito que ele aceite, é minha opinião, apenas isso. Em Minas Gerais, eles tiraram o presidente para fazer candidatura própria, mas a ideia é uma aliança com o PSDB, e a intervenção na Bahia tem duas motivações: uma é me enfraquecer e a outra é tirar o PV da aliança com o governador Jaques Wagner…

…o que, na verdade, é um dos principais motivos pelos quais você se afasta do PV…
…é o que eu estou chamando de “a gota d’água” …

É a “gota d’água” ou a água na gota? Porque ali é seu território…
É, é isso. Eu procurei o Sirkis, que é o coordenador da campanha e disse: “Sirkis retire a candidatura de Bassuma”. Isso no carnaval.

Isso foi na Bahia?
Foi em Brasília, era pra ser na Bahia, mas acabou sendo em Brasília. Eu marquei e fui tomar café da manhã com ele e disse o seguinte: “Retirem a candidatura de Bassuma e vamos construir uma candidatura comum, já que vocês não querem apoiar Jaques Wagner, que é o que eu acho correto, vamos construir uma candidatura em que eu caiba dentro. Mas Bassuma é inaceitável, Bassuma representa uma…”

Pro eleitorado nacional, who is Bassuma?
É uma proposta conservadora.

Traduza o que é, na sua visão”, uma “proposta conservadora”.
A única idéia fixa dele é punir as mulheres que interrompem a gravidez, não admite política pública para dar assistência a essas mulheres, porque ele tem uma visão religiosa e ele é a favor da criminalização do aborto, contrariando o programa. Se você ler o programa do PV, tem lá um capítulo que fala do nosso apoio a essa conquista das mulheres de decidirem sobre seu próprio corpo. E, por esse ponto de partida religioso, é também contra os direitos dos homossexuais. Ele contraria tudo que o PV foi, representa. Contraria essa ousadia que o PV teve de, desde o início, se colocar favorável aos direitos dos homossexuais. Além do mais, ele acabou de sair, ele foi praticamente expulso do PT, ele tem um rancor com o qual eu não posso compartilhar, porque nós fazemos parte de um governo federal e estadual, temos secretário de Meio Ambiente, quer dizer, temos boas relações construídas por mais de uma década. Então a candidatura dele é a negação, sem nenhuma razão, de uma trajetória e ele vem com um rancor com o qual não temos como compartilhar.

E em relação à candidatura presidencial do PV, você acha que esse caminho que está se delineando é irreversível?
Eu espero que não, por isso eu não saí do PV. Ao suspender minha filiação, um direito constitucional, eu tenho uma expectativa de um pouco de juízo em algum momento. Se o PV quer representar os parâmetros de sustentabilidade do desenvolvimento brasileiro, eu acho que tem todo o direito de fazer as críticas aos limites do governo Lula diante da questão da sustentabilidade e tentar interferir no processo eleitoral colocando padrões possíveis de serem assimilados, mas está se constituindo uma oposição como se Lula fosse inimigo da questão ambiental e que Serra seria o aliado.

E por que você acha que isso se dá dessa forma?
Porque o partido já vem vindo para a direita há alguns anos, o Gabeira quando voltou do PT pro PV ele voltou com um nível de ressentimento…

Você e o Gabeira conviveram na Suécia, foram exilados e lá estiveram na mesma época, se não estou enganado…
Convivemos, somos amigos de longo tempo, a divergência é política. Sirkis também é meu amigo, apesar de estar chutando o balde com muita frequência.

Amigos, amigos, política à parte.
Ultimamente o Sirkis vinha se apresentado como uma espécie de ursinho de pelúcia da política, mas de repente soltou o lado pitbull dele.

Do que você está falando tem coisas nas quais eu percebo uma contradição que gostaria de aprofundar. Primeiro, não ficou muito claro pra mim qual diferenciação você faz, na prática, entre a aliança eventualmente muito conservadora, se você for nominar, do governo Lula com uma eventual aliança que a Marina faça. Segundo, como é que ela governaria se não fizer alianças?
Mas por que a aliança é com o DEM e o PSDB? Em que o DEM e PSDB têm mais qualidade para vivenciar um processo de assimilação das questões de sustentabilidade? Me parece que há ganhos no governo Lula, além de tratar a moeda e a economia, dando prosseguimento, em alguns aspectos, ao governo anterior, o governo Lula foi mais além, estabelecendo relações, primeiro, rejeitando uma relação subalterna com os Estados Unidos e, depois, possibilitando que o Brasil seja um player mundial.

Mas a discussão não é o legado do governo Lula. O início da construção da candidatura da Marina se parece muito com a construção da candidatura do Lula.
Mas é isso que eu estava tentando lhe dizer. Quando você se propõe a estabelecer alianças, você tem seu programa e estabelece relações com outros diferentes. Na verdade, o que está acontecendo é que o PV está assimilando um programa que não era dele, um programa mais conservador, mais à direita, ele não está estabelecendo relações com posições mais à direita. O PV vem, cada vez mais, se posicionando mais à direita. Bassuma não é do DEM ou do PSDB, é do PV, não se trata de aliados, de diferentes que você, em razão das circunstâncias das regras políticas do Brasil, é obrigado a conviver. Trata-se de assimilação, há um deslocamento político do próprio partido.

Eu vi ou li em algum lugar que no PV se pensa na sua expulsão. Como é que você vê isso?
Eu tenho dúvidas se, juridicamente, se pode fazer isso… quando a pessoa suspende a filiação é exatamente para poder ficar à vontade e manifestar as diferenças a partir de seus próprio critérios. Segunda coisa, ao mesmo tempo em que eles dizem que aceitam Marina e aceitam Bassuma com algumas restrições ao programa do PV, porque acham que as pessoas têm que ter liberdade de consciência, então eles estão aceitando que pessoas que representarão o PV no processo eleitoral pensem diferente do programa e, portanto, tenham direito a não incorporar o programa completamente. Agora, quem pensa diferente como eu não tem direito? Mesmo tendo suspensa a filiação, e, portanto, não estando submetido aos processos de decisão circunstanciais do momento? É contraditório isso, é a reação clássica do autoritarismo.

Você conversou com Marina sobre isso?
Conversei no início. Logo que ela veio, eu tive uma conversa longa com ela, tudo isso eu disse a ela. E disse que eu demandava duas questões, uma que ela levasse para frente a ideia inicial de uma revisão e um aprofundamento programático, que isso fosse democrático, que todos pudessem participar e outra que eu teria que ser incorporado, porque eu tenho vinte e dois anos de PV, tenho uma liderança dentro do PV, tenho uma responsabilidade na representação perante a sociedade e, portanto, a diferença não poderia levar a um tipo de atitude de me cercear, como é a candidatura de Bassuma, que não advêm de uma convenção, advêm de uma aliança entre Marina, o presidente José Luiz Pena e de Gabeira e Sirkis no Rio. Eles fecharam uma posição e, praticamente, não incorporam os que pensam diferente. O que nos deveríamos viver nesse momento era um processo interno de amadurecimento programático e de constituição de posições políticas que levariam a uma construção coletiva compartilhada da candidatura da Marina.

Então se pode dizer que o PV está caminhando para ser uma sublegenda do PSDB?
Sim, se não houver uma correção de rumo e uma aceitação de posições que sejam mais… Por exemplo, na última eleição o Wagner apoiou Gabeira para prefeito do Rio de Janeiro publicamente. O que impede que isso seja discutido e vá para uma convenção, se a maioria do partido na Bahia quiser uma candidatura própria? Mas está sendo metido goela abaixo. Um desrespeito, um autoritarismo.

Essa candidatura seria própria, “própria”, ou em consonância com outros partidos?
Teria um candidato do PV, a ideia deles é que tem que ser um candidato do PV para fortalecer Marina, o que é uma tese furada. O PCdoB é um partido que tem saído em alianças com os outros partidos e, apesar de ter um programa que parte da sociedade não assimila, eles têm quase o mesmo tamanho que o PV. Quer dizer, o fato de você fazer aliança ou sair sozinho não significa nada, tem que ver qual é a carga simbólica e a representatividade da candidatura própria ou a justificativa de se aliar para atingir certos objetivos na política.

Você fica no governo?
Fico até o final. Eu agora sou o cidadão pipoca, eu participo da festa democrática por meus próprios critérios.

Agora, falando menos politicamente correto e mais na real. Você acredita que haverá uma correção de rota nessa questão do PV? Ou vai seguir como está, pelo que já foi montado, pelo que se move no fundo, pelos movimentos nos bastidores da logística etc?
Bassuma é um erro tão estrondoso que…

Bassuma é um símbolo para você?
…É, é um símbolo. É um erro monstruoso, ele tem a menor intenção de voto de todos que se declaram candidatos na Bahia e a maior rejeição e não representa o programa do PV, ou seja, nós vamos perder a base que construímos nesses vinte e dois anos e dificilmente adquiriremos confiança da direita.

Se eventualmente o PV repensa essa questão, você também repensa seu afastamento?
Toparia discutir, repensar. Mas a segunda implicação é a seguinte, a candidatura de Marina não pode ser uma linha auxiliar da candidatura de Serra, teria que ter uma abertura pra discutir um programa e um sistema de aliança mais complexo que esse que está acenando.

Então, por ora, você mantém o afastamento?
Mantenho. Acho que é parte de um processo cada um será responsável pelas opções que toma.

Qual é mesmo o programa do PSDB para o Brasil?

Nova pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) confirma tendência apontada em levantamentos anteriores: a aprovação de Lula bate novo recorde, Dilma Rousseff segue crescendo e José Serra segue estagnado (ou “estável”, como preferem dizer seus apoiadores). Nove áreas do governo foram avaliadas e, em apenas três, desaprovação superou aprovação. Geração de emprego em fevereiro bate recorde. Alto desempenho do governo e da economia expõe vazio programático do PSDB e de sua candidatura.

Por Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior

Um dos números mais terríveis do Ibope para o governador José Serra é o que aponta a manifestação espontânea de voto. Segundo a pesquisa divulgada nesta quarta-feira (17), o presidente Lula lidera com 20%, sendo seguido pela ministra Dilma Rousseff, com 14% e por Serra, com 10%. Ou seja, somados, Lula e Dilma chegam a 34% contra apenas 10% do tucano. As más notícias, para o PSDB, do levantamento encomendado pela Confederação Nacional da Indústria não param por aí: a diferença entre Serra e Dilma caiu 13 pontos percentuais em relação à última pesquisa Ibope. Na estimulada, Serra tem 35% e Dilma, 30%. Na pesquisa anterior, realizada em novembro, Serra tinha 38% e Dilma, 17%. O índice de rejeição da ministra caiu de 41% para 27% desde a última pesquisa. E 42% dos entrevistados não sabem que ela é candidata de Lula.

A pesquisa Ibope/CNI mostra que a avaliação positiva do governo do presidente Lula também cresceu. Mais do que isso, bateu seu recorde. O governo Lula foi avaliado de forma positiva por 75% dos pesquisados. Em novembro, esse índice era de 72%. Outros 19% avaliaram o governo Lula como regular, e apenas 5% como ruim ou péssimo. Já a aprovação pessoal do presidente Lula se manteve estável na casa dos 83%. Neste mês de março, somente 13% disseram desaprovar o presidente e 4% não souberam ou quiseram responder. Na comparação entre o primeiro e o segundo mandatos do presidente Lula, 49% consideram que o segundo é melhor que o anterior. Outros 40% consideram igual, e 9% dizem que o segundo é pior que o primeiro. O Ibope ouviu 2.002 pessoas entre os dias 6 e 10 de março.

Pesquisa confirma tendência de polarização

Em relação às candidaturas de Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV), a pesquisa não apresentou maiores novidades. Ciro caiu dois pontos em relação à pesquisa anterior, ficando com 11% das intenções de voto. Já a senadora Marina Silva manteve os 6% que conseguiu no último levantamento. Com a presença de Ciro, Serra tem 38% de preferência e Dilma, 33%. Neste mesmo cenário, Marina chega a 8%. Ou seja, a pesquisa Ibope apresenta a mesma tendência de polarização verificada nos levantamentos anteriores de outros anteriores. Até aqui, não há grande espaço para o surgimento da famosa “terceira via”, lugar acalantado tanto por Ciro quanto por Marina. Ainda é cedo, mas a disputa Dilma-Serra vai tomando conta, além do tabuleiro político, também da percepção do eleitorado.

Os números do Ibope reforçaram a preocupação dos partidários de Serra. Até a metade da tarde desta quarta, o site nacional do PSDB ignorava a pesquisa, sem fazer qualquer comentário sobre ela. Sinal de que falta o que dizer no momento. Pelo twitter, o presidente nacional da sigla, Sérgio Guerra, procurou minimizar o resultado dizendo que Serra “se manteve estável” na pesquisa porque “não faz campanha eleitoral antecipada”. “O Serra operou esse tempo todo como governador. Não operou como candidato”, disse Guerra, esquecendo-se de mencionar as agendas carnavalescas de Serra e as freqüentes inaugurações de obras em São Paulo (atividades que, no caso da ministra Dilma Rousseff, segundo o PSDB, configurariam propaganda eleitoral antecipada).

PSDB sem programa e sem discurso

A dificuldade do PSDB com as palavras é compreensível. O partido tem um candidato conhecido, mas sem discurso e programa. E a cada nova pesquisa esse vazio vai sendo exposto. Neste novo levantamento do Ibope, há um dado muito expressivo: mais da metade dos entrevistados (53%) disseram que pretendem votar nas eleições deste ano em um candidato apoiado pelo presidente Lula. Some-se a este dado aquele que afirma que 42% dos entrevistados não sabem que Dilma é candidata de Lula e o tamanho do problema para os tucanos está bem configurado. Ainda segundo os números do Ibope, a candidata do PT ficou mais conhecida e a rejeição em relação ao seu nome caiu expressivamente. Em resumo, não uma única notícia boa para Serra na pesquisa, a não ser que se considerasse que Dilma poderia ter crescido ainda mais.

E, a julgar pelas projeções, isso deve ocorrer nas próximas pesquisas. O nome de Dilma é o único que vem crescendo desde setembro de 2009. Enquanto isso, Serra permanece estagnado, ou estável, como preferem dizer seus apoiadores. A diferença pró-Serra caiu de 20 pontos percentuais, em setembro, para apenas 5 pontos agora em março. O que os tucanos não querem reconhecer (e não podem) é que esse crescimento é acompanhado de uma alta aprovação das políticas do governo Lula. O Ibope avaliou essas políticas divididas em nove áreas: combate à fome e à pobreza, educação, meio ambiente, combate ao desemprego, combate à inflação, taxa de juros, saúde, segurança pública e impostos. Apenas nestas três últimas, o índice de desaprovação foi maior do que o de aprovação.

Criação de emprego: melhor fevereiro da história

A área mais bem avaliada é a de combate à fome, com 69% de aprovação. Em segundo lugar, vem a educação, com 62%, e, em terceiro, meio ambiente, com 58%. A pesquisa mostra ainda que, no que se refere ao combate ao desemprego, a aprovação voltou ao nível anterior à crise econômica internacional, 60%. E, pela primeira vez desde março de 2006, a aprovação da política de juros (46%) foi maior do que a desaprovação (44%). E isso que o Ibope não computou o efeito do melhor fevereiro da história na geração de empregos no país: mais 209 mil vagas no mês passado, o novo recorde histórico registrado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado é 52% maior do que a média dos melhores registros em fevereiro, que ocorreram entre 2003 e 2008.

Os números ajudam a entender os altos índices de aprovação do governo Lula. No primeiro bimestre de 2010 foram gerados 390.844 postos de trabalho, melhor resultado da série histórica para os meses de janeiro e fevereiro, superando em 66% a média dos melhores desempenhos, ocorridos entre 2003 e 2008. Nos últimos 12 meses, a variação acumulada do emprego formal teve alta de 4,63%, resultado da criação de 1.478.523 postos de trabalho, o maior aumento registrado desde dezembro de 2008, nesse tipo de comparação. O Brasil alcança assim a marca de 33.391.863 trabalhadores com carteira assinada. O setor de serviços, a indústria de transformação e a Construção Civil puxaram esse bom desempenho. Diante desses números, cabe perguntar: e aí Serra, qual vai ser mesmo o programa do PSDB?

PDT condiciona apoio a Mercadante à indicação do candidato a vice

Por Vandson Lima, no jornal Valor Econômico

A princípio reticente, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) dá agora mostras de que será o candidato do PT ao governo de São Paulo. Mercadante chamou pra um café, em sua casa, entre 8h da manhã e 9h20 de ontem, o presidente estadual do PDT e deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, e o tesoureiro estadual, José Gaspar, para saber se teria apoio da legenda em caso de candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.

Como resposta, ouviu de Paulinho que terá esse apoio, desde que algumas condições sejam cumpridas: o PDT não aceitará o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, como vice de Mercadante. Mais que isso, o PDT pretende indicar o candidato a vice. Nomes do partido foram colocados para análise do senador.

“Skaf trabalha diariamente contra os nossos eleitores (sindicalistas), contra as propostas do nosso partido. Não há possibilidade de composição com ele na chapa”, afirmou Paulinho, que enumera os pedetistas que seriam os potenciais vices de Mercadante: o prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos; e o prefeito de Indaiatuba, Reinaldo Nogueira. “Como as mulheres estão na moda agora, poderia ser uma mulher”, diz Paulinho e aponta Eunice Cabral, presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo, e Elza Costa, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e sua esposa, como possibilidades.

Desde o ano passado, os partidos que fazem parte da base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm se reunido buscando formar uma aliança para lançar uma candidatura ao governo de São Paulo que faça frente ao secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSDB), líder nas pesquisas. O nome consensual, do deputado federal Ciro Gomes (PSB), que contava com o aval de Lula, está por ora descartado. As declarações de Ciro ao jornal “Folha de S. Paulo”, em que disse ser o PT paulista “um desastre”, causaram revolta na cúpula do PT. Mercadante, número dois na preferência do presidente, declarou por diversas vezes preferir concorrer à reeleição ao Senado, onde é líder nas pesquisas de intenção de voto. Depois da viagem com Lula para o Uruguai, para a posse do presidente José Mujica, Mercadante, que se recupera no momento de uma cirurgia na próstata, mudou o tom. Nas últimas semanas, foram pelo menos três reuniões para discutir a corrida estadual e a viabilidade de seu nome: com a ex-ministra do Turismo e ex-prefeita da capital paulista Marta Suplicy, com o deputado federal Celso Russomanno (PP-SP) e agora, com Paulinho.

Gafe de Lula?

O jornalismo de programa entrou em ação: censurou os elogios do presidente israelense a Lula, dando destaque a uma suposta gafe, uma recusa inusitada a um ato supostamente protocolar.

Por Gilson Caroni Filho, na Carta Maior

O “incidente diplomático” provocado pela decisão da delegação brasileira de não incluir na agenda do presidente Lula uma visita ao túmulo do criador do movimento sionista precisa ser visto na exata dimensão de seu significado político. E não há dúvidas quanto ao acerto da recusa a um convite feito de última hora. Afinal, o que propõe o sionismo e quais suas implicações para a paz na região conflagrada? Haveria compatibilidade entre a carga simbólica do evento e uma posterior encontro com autoridades palestinas?. O jornalismo de programa entrou em ação: censurou os elogios do presidente israelense a Lula, dando destaque a uma suposta gafe, uma recusa inusitada a um ato supostamente protocolar. Comprou a descortesia da extrema-direita de Israel como justa indignação frente a uma diplomacia desastrada. A operação ” tempestade no cerrado”, denunciada pelo jornalista Mauro Carrara, desconhece fronteiras e senso de medida.

Como já registrei, em artigo escrito com o economista Carlos Eduardo Martins, a incompatibilidade entre sionismo e diálogo democrático não é um dado conjuntural, mas fato de origem. A premissa de Theodor Herzl é que os judeus não podem se fiar na “opinião pública mundial” ou na “comunidade das nações”, que sempre assistiram impassíveis às incontáveis perseguições sofridas pelo seu povo através dos séculos. Os judeus teriam que assegurar sua sobrevivência, como povo e como indivíduos, por seus próprios meios. O que só seria possível com o estabelecimento de seu Estado nacional soberano, para o que Herzl indica a Palestina (então sob domínio turco), local do último Reino de Israel.

É bom lembrar que Herzl foi um ativo militante do movimento sionista na Europa, além de conduzir negociações com a Turquia e o Egito. A ideologia territoralista é excludente. Em momento algum ela advoga pública e explicitamente o extermínio ou a expulsão violenta dos palestinos não-judeus. Mas deixa claro, em seus diários, que eles deveriam ser “persuadidos a se retirarem” por meios econômicos, como o confisco de suas terras e outras propriedades, e a recusa em lhes dar emprego. Ou seja, em instância final, Israel deveria ser o lar exclusivamente dos judeus –e inclusiva e idealmente de todos os judeus do mundo, que só ali teriam assegurada sua sobrevivência.

Herzl tampouco define fronteiras específicas para o Estado judeu, referindo-se genericamente à “Palestina”. Mas, da mesma forma, antevê o caráter necessariamente expansionista de tal Estado, até mesmo para acomodar a desejada imigração em massa. É significativo que, nos documentos oficiais do governo Israelense, o território de Israel englobe hoje toda a Palestina, Gaza, Cisjordânia e Golan incluídas.

Embora haja quem afirme que “a origem do Estado de Israel não está na religião”, é óbvio que as propostas de Herzl estão imbuídas da visão toráica de “povo escolhido” (à exclusão de todos os demais) e de “destino manifesto” – de resto não diferentes da professada pelos proponentes do PNAC, Plano para um Novo Século Americano, que norteou o “bushismo” nos Estados Unidos – a começar pela escolha da “Terra Prometida” para lar do Estado de Israel.

Mas o discurso herzliano parece totalmente laico (o que foi desprezado pela “esquerda sionista”, que acedeu em criar Israel como um Estado confessional, vide a Estrela de David em sua bandeira). E seus objetivos, estritamente materiais: terra e poder. Quer seu criador estivesse consciente delas ou não, as implicações da ideologia sionista são inescapáveis. E o jornalista inglês Daniel Finkelstein as explicita: “Assim, quando se pede a Israel que respeite a opinião mundial e confie na comunidade internacional, não se está compreendendo o ponto fundamental. A própria idéia de Israel é uma rejeição dessa opção. Israel só existe porque os judeus não se sentem seguros como tutelados da opinião mundial.”

Daí se depreende inevitavelmente que quaisquer “negociações” ou “acordos” não têm valor para Israel, que os usará, se conveniente, assim como os ignorará se e quando, a seu exclusivo juízo, forem necessários para sua segurança. Finkelstein continua sua explanação sem se dar conta de que explicita o que a propaganda sionista tenta ocultar: “Israel entregará suas armas quando os judeus estiverem em segurança, mas não o fará enquanto não estiverem.” E só a Israel compete dizer se a “segurança” foi alcançada ou não, bem como até onde o Grande Israel terá que se estender até então.

Mas o sionismo não recorreu à comunidade internacional, representada pela ONU, para formalizar a partilha da Palestina e a criação do Estado de Israel? Sim, mas por mero oportunismo, valendo-se da “consciência culpada” dos gentios face ao Holocausto e explorando as tensões geopolíticas entre as antigas potências coloniais européias, Inglaterra (já detentora do “mandato palestino”) e França à frente, Estados Unidos e União Soviética, além da divisão entre os países árabes. E só o fez por constatar que o caminho da violência e do terrorismo não levaria à consecução de seus objetivos.

Portanto, por sua própria origem e seu cerne ideológico, o Estado de Israel se definiu como uma nação que despreza a opinião mundial, não reconhece a comunidade internacional e ignora quaisquer decisões colegiadas que não lhe pareçam convenientes. A “gafe” de Lula demonstra uma inequívoca compreensão do tabuleiro geopolítico do Oriente Médio. Que outras sejam cometidas.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

 

PT de Minas tenta acordo contra PMDB

Por César Felício, no jornal Valor Econômico

Em uma tentativa de contornar a preferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela candidatura do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), ao governo de Minas Gerais, os dois pré-candidatos do PT à sucessão mineira, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, reuniram-se ontem em Brasília para, pela primeira vez, tentarem um acerto político que impeça o apoio petista ao PMDB no Estado.

Em minoria na direção estadual do partido, Patrus sinalizou que poderá aceitar uma escolha do PT sem o processo de prévias, o que, em tese, favorece Pimentel. Ao perder a eleição interna para a escolha da direção estadual, em dezembro, a primeira reação de Patrus foi formalizar por escrito a sua intenção de disputar a indicação em uma consulta aos filiados. “Houve uma compreensão comum em relação à importância de se apresentar uma candidatura unificada. Vamos começar agora este esforço. A perspectiva de ceder espaço para o PMDB está nos unindo”, disse o deputado estadual André Quintão, vinculado a Patrus.

“Até o dia 30 de março deveremos ter o nome único”, disse o presidente estadual do PT, deputado federal Reginaldo Lopes (MG), ligado a Pimentel. A candidatura única petista retira um dos três trunfos que Costa conta para prevalecer no palanque lulista: o fato de o PT estar dividido. Os outros dois trunfos são a pressão que a direção nacional do PMDB exerce para que o PT ceda espaço em Minas Gerais e a sua liderança nas pesquisas de intenção de voto.

O presidente informou a Pimentel e Patrus, por meio de interlocutores, que deseja reunir-se com os dois para buscar uma solução final para o impasse em Minas Gerais, assim que voltar de sua visita ao Oriente Médio, na próxima semana. Um dos coordenadores da campanha presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, Pimentel tentou argumentar que seria melhor o presidente tratar da questão apenas em maio. Mas o presidente quer uma solução para o problema antes do prazo final de desincompatibilização, que é 2 de abril.

Além da reunião entre si, Pimentel e Patrus estiveram também com o vice-presidente José Alencar (PRB). Em tratamento contra um câncer no abdômen e aos 78 anos, Alencar quer participar das eleições deste ano, de preferência como candidato ao Senado. Antes da convergência de ontem, a ala vinculada a Patrus chegou a ensaiar o lançamento de Alencar ao governo mineiro, como forma de bloquear simultaneamente Pimentel e Hélio Costa. O vice-presidente afirmou que aguarda o resultado de exames que receberá esta semana para se definir eleitoralmente.

Crise EUA-Israel: e a “gafe” veio de onde menos se esperava

A grande imprensa brasileira tentou – e ainda tenta – achar uma grave gafe diplomática na viagem de Lula ao Oriente Médio. Ironicamente, o problema veio de onde menos se esperava. Enquanto o presidente Lula era aplaudido várias vezes após seu discurso no Parlamento israelense, o governo dos EUA anunciava o cancelamento da visita de seu enviado ao Oriente Médio, em protesto contra a decisão de Israel de construir novos assentamentos em Jerusalém. Leia análise de Jim Lobe sobre a séria crise diplomática entre EUA e Israel.

Redação, com artigo de Jim Lobe, na Carta Maior

Os jornalões brasileiros bem que tentaram – e seguem tentando – achar uma grave gafe diplomática do presidente Lula durante sua viagem ao Oriente Médio, especialmente durante a passagem por Israel. Sem sucesso.

Depois de visitar Israel, onde foi aplaudido várias vezes após seu discurso no Parlamento, o presidente Lula passou para a segunda etapa de seu giro no Oriente Médio: os territórios palestinos. O Brasil defende a solução pacífica do conflito com dois Estados (Israel e Palestina) e a derrubada do muro construído em território palestino.

Ironicamente, a visita de Lula coincidiu com uma séria crise nas relações EUA-Israel. As “gafes” tão aguardadas acabaram vindo de onde menos se esperava. Como há muito não ocorria, o governo dos EUA manifestou explicitamente seu descontentamento com a decisão de Israel de construir novos assentamentos em Jerusalém. A Casa Branca chegou a suspender a viagem que George Michell, enviado dos EUA para o Oriente Médio, faria à região. O presidente de Israel, Shimon Peres, reagiu dizendo que o Estado judeu não pode perder a amizade com os EUA. “Não podemos nos permitir que este delicado elo com os americanos se desfaça”, disse Peres em comunicado oficial. E acrescentou: “Precisamos de apoio político para quando precisarmos de ajuda militar contra os perigos que enfrentamos”.

Publicamos a seguir uma análise de Jim Lobe, do Asia Times Online, que aborda a natureza desta crise, uma das mais graves dos últimos anos:

“Militares dos EUA miram intransigência de Israel”
A crise desencadeada pelo anúncio, semana passada, dos planos do governo israelense de construir 1.600 novas casas exclusivas para judeus na parte árabe de Jerusalém, anúncio feito durante visita muito divulgada e fartamente coberta pela imprensa, do vice-presidente Joseph Biden, parece estar-se ampliando muito rapidamente.

Para Michael Oren, embaixador de Israel em Washington e historiador que escreveu muito sobre os laços entre EUA e Israel, tratar-se-ia da “pior crise [bilateral] entre as duas nações em 35 anos”, como disse em teleconferência com outros diplomatas israelenses baseados nos EUA no sábado à noite, segundo vários jornais.

24 horas depois, o poderoso AIPAC (Comitê EUA-Israel de Relações Públicas), que se autodefine como “a mais influente organização de política exterior ativa na colina do Capitólio” distribuiu declaração segundo a qual “a condenação das ações de Israel pelo governo Obama é tema de nossas mais graves preocupações”.

“O governo Obama deve empreender sério esforço para não insistir em exigências feitas publicamente e para não impor prazos a Israel” – diz o AIPAC, cuja declaração foi divulgada pouco depois das 21h do sábado. A hora ajuda a destacar o sentimento de alarme que se estabeleceu entre os apoiadores norte-americanos do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Netanyahu e a secretária de Estado Clinton são esperados no encontro anual da AIPAC nos EUA, no próximo final de semana.

Outras vozes do chamado “lobby israelense” também se apressaram a manifestar-se.

Os editorialistas neoconservadores do Wall Street Journal acusaram o presidente Barack Obama de ter deliberadamente “escolhido esse momento para disparar uma grave crise diplomática com seu mais confiável aliado no Oriente Médio”. E alertaram que os israelenses estarão mais predispostos a atacar unilateralmente o Irã, “se sentirem que o governo dos EUA está em busca de qualquer pretexto para deteriorar as relações com Israel”.

Ao mesmo tempo, o Israel Project mobilizou seus membros para que escrevessem a deputados, senadores e jornais exigindo que o governo Obama – nos termos de uma das cartas recebidas pelo Inter Press Service, “RECUEM JÁ!!!” Os Sionistas Cristãos, inclusive o ex-candidato republicano à presidência Gary Bauer, também se uniram à mesma onda.

Mas o governo Obama parecia determinado, na segunda-feira, a não ceder. O portavoz do Departamento de Estado Philip Crowley disse a jornalistas que Washington está esperando “uma resposta formal do governo de Israel” às exigências que a secretária Clinton apresentou diretamente a Netanyahu durante conversa por telefone que os dois lados descreveram como “tensa”, feita por ordem expressa do presidente Obama e que durou 45 minutos, na 6ª.-feira.

Embora Washington não tenha ainda comentado o conteúdo dessas exigências, o jornal israelense Ha’aretz informou que há três principais exigências: que Israel desminta o anúncio das novas construções em Jerusalém Leste; que ofereça algo “de peso” aos palestinos, como a libertação de prisioneiros; e um arranjo que permita o início de conversações efetivas de paz, com atenção às questões de fundo: o destino dos refugiados palestinos e Jerusalém Leste, além da definição de fronteiras.

Embora Crowley tenha confirmado que o enviado especial de Obama para Israel-Palestina, senador George Mitchell, ainda tenha intenção de viajar à Região essa semana para iniciar as “conversações indiretas” mediadas pelos EUA, com as quais os dois lados haviam concordado há duas semanas, o porta voz não quis indicar data provável para a viagem; em suas palavras, a situação continuaria muito “fluida”.

Netanyahu pediu desculpas a Biden e, pelo que se sabe, também à secretária Clinton pelo mau momento em que ocorreu o anúncio das novas construções, se não, também, pelos próprios planos. Mas não parecia arrependido em encontro com membros de seu Partido Likud, de direita, no Parlamento, na 2ª.-feira.

“As construções em Jerusalém e em outros pontos continuarão do mesmo modo como sempre foram aceitas nos últimos 42 anos”, disse ele, em referência à “anexação” por Israel – jamais reconhecida pelos EUA nem por qualquer outra das potências mundiais – de Jerusalém Leste, depois da guerra de 1967.

Embora a atual crise tenha sido claramente detonada pela coincidência entre a visita de Biden e o anúncio das novas construções exclusivas para judeus – que todos os grandes jornais dos EUA descreveram como “uma bofetada” no vice-presidente e, por extensão, no próprio Obama –, a crise é mais séria, de fato, porque parece ter raízes no que Biden disse privadamente a Netanyahu e a outros altos funcionários israelenses.

Segundo matéria publicada no Yediot Ahronoth, jornal de ampla circulação popular em Israel, “Biden advertiu seus anfitriões israelenses de que, dado que as massas populares no mundo muçulmano vêem direta conexão entre as ações e políticas de Israel e dos EUA, qualquer decisão sobre construções que agrida os direitos dos palestinos em Jerusalém Leste terá repercussão direta nas condições de segurança dos soldados dos EUA que combatem o terrorismo islâmico”.

“Isso está começando a ficar muito perigoso para nós” – palavras de Biden, segundo o jornal. “O que vocês estão fazendo aqui cria novas ameaças à segurança dos nossos soldados que combatem no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão. Criam-se riscos novos para nós e para a paz regional.”

Em importante comentário sobre essas palavras, publicado no blog Foreignpolicy.com no sábado, Mark Perry, escritor com notórios contatos nos altos escalões militares, disse que as palavras de Biden ditas privadamente aos altos comandantes israelenses refletem exatamente o pensamento coletivo dos principais comandantes militares dos EUA em todo o Oriente Médio.

Em dezembro, aqueles comandantes foram encarregados pelo general David Petraeus, do Comando Central (CentCom), de apresentar relatórios sobre os impactos que tivesse tido, na percepção dos principais líderes árabes, o fracasso de Washington – que não conseguira qualquer avanço em algum possível acordo de paz entre israelenses e palestinos. Em outras palavras, Petraeus teme que o fracasso de Washington como mediador com vistas à paz entre israelenses e palestinos esteja provocando desgaste grave na imagem e no prestígio dos EUA no Oriente Médio.

Resultado dessa demanda do CentCom foi um briefing entregue em janeiro ao almirante Michael Mullen, presidente do conselho do Estado-Maior das forças dos EUA e subsequentemente enviado à Casa Branca.

Esse briefing apresentava, como conclusão, que cresce na Região a convicção de que “os EUA não são capazes de enfrentar Israel; que os membros árabes do CentCom começam a perder a fé nas promessas dos EUA; que a intransigência do governo de Israel no conflito Israel-Palestina está pondo em risco a autoridade dos EUA na Região; e que o próprio Mitchell “é lento demais, velho demais” e “chegou tarde demais”.

Pouco depois, Mullen viajou a Israel – para, segundo os jornais, coordenar a estratégia contra o Irã. – De fato, sua missão foi tentar persuadir os altos escalões militares israelenses da importância, para os EUA, de que os acordos de paz evoluam e cheguem a resultados objetivos, segundo Perry.

O anúncio das novas construções em Jerusalém Leste, semana passada, mostrou que a “missão Mullen” nada conseguira. Então, sempre segundo Perry, o governo respondeu, primeiro, com a condenação pública de Israel, feita pelo vice-presidente; depois, com o telefonema de Clinton a Netanyahu; o gesto de convocar o embaixador Oren; o que o embaixador descreveu como “conversa extremamente dura” com o representante de Clinton James Steinberg; e, agora, com a exigência de “resposta formal” às exigências que Clinton fez a Netanyahu.

Nas palavras de Perry: “Há lobbies importantes e poderosos nos EUA: a Associação Nacional do Rifle, a Associação Médica Americana, o lobby dos advogados, e o ‘lobby israelense’, ok, são poderosíssimos. Mas não há lobby mais poderoso nos EUA, que o lobby dos militares.”

Aí está, provavelmente, a real razão – muito mais importante que qualquer incômodo que cause aos militares dos EUA alguma nova construção em Jerusalém Leste – que levou o embaixador Oren, muito visivelmente preocupado, a dizer aos seus colegas embaixadores que a atual crise é “muito grave” e que “estamos vivendo período muito difícil nessas relações”, como noticiou a imprensa israelense.

O fato de Oren ter-se referido a “desde 1975”, quando o então presidente Gerald Ford ordenou “reavaliação” das relações com Israel, porque os israelenses rejeitaram a proposta dos EUA de paz com o Egito –, reforçou a crescente convicção nos EUA de que será difícil superar essa crise, se Netanyahu não fizer importantes concessões.

Daquela vez, o secretário de Estado era Henry Kissinger e ele defendeu a “reavaliação” das relações com Israel, considerando-a “necessária para evitar radicalização na Região, aumento das tensões e, sobretudo, para evitar uma guerra na qual os EUA seriam envolvidos, pelo menos indiretamente, dadas as circunstâncias internacionais”.

O artigo original, em inglês, pode ser lido em:
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/LC17Ak01.html

Tradução: Caia Fitipaldi

 

Serra e a candidatura

De Marcos Coimbra , sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, no Correio Braziliense

O governador José Serra é uma pessoa extraordinária. Na opinião de muitos, por ser um de nossos políticos mais qualificados e experientes, com larga e profícua biografia. Ele seria extraordinário no sentido de excelente, de alguém que se distingue pelos méritos. Quem pensa assim diria “que político extraordinário é José Serra!”, significando que é notável, acima da média.

Para outros, ele seria, no entanto, extraordinário em uma segunda acepção, menos elogiosa: estranho, inusitado, fora do comum. Ou seja, ele não faria o que se espera de uma liderança política. A frase “que político extraordinário é José Serra!” significaria, para essas pessoas, que é esquisito.

Quem olha para o que ele tem feito ultimamente poderia concordar com as duas ideias. É fácil admirá-lo e perceber que reúne atributos mais que suficientes para ocupar qualquer cargo, muitos dos quais já exerceu com competência. Mas é difícil não se surpreender com o modo como tem lidado com a responsabilidade de ser o candidato das oposições nas eleições deste ano.

Esta segunda-feira, por exemplo, Serra publicou um artigo alusivo ao 25º aniversário da Nova República. Foi um ensaio denso, construído em torno do conceito de democracia e de sua importância para o que aconteceu conosco de 1985 para cá. Sem ser um texto acadêmico, poderia ter sido escrito por um filósofo.

Em nenhum momento da longa argumentação o leitor percebe que seu autor é um candidato a presidente da República. A oportunidade da data, o espaço à sua disposição, a curiosidade da opinião pública a respeito do que tem a dizer, nada foi aproveitado. Disciplinadamente, se ateve ao tema, comemorando o passado. Sobre o futuro, nada. Com esforço, algumas pistas escondidas: duas menções a Fernando Henrique, duas ao Plano Real, nenhuma a Lula, uma ao Bolsa Família. Será essa a mistura da qual sairá seu discurso de campanha?

Enfim, um texto tão extraordinário quanto quem o assina. Bom em tudo, fundamentado e bem escrito. Mas nunca o texto de um candidato quando faltam seis meses para a eleição mais importante de sua vida.

Desde dezembro, quando Aécio Neves se retirou da disputa pela indicação do candidato do PSDB a presidente, não há razão para que Serra retarde sua entrada em campo. Nada do que poderia justificá-la permanece, o que só faz aumentar seu próprio desgaste quando insiste em mantê-la.

As pesquisas disponíveis não permitem avaliar com certeza o prejuízo que lhe advém. Mas é razoável supor que não seja pequeno, pois o vazio tucano tende a fazer com que pareça que só Dilma existe. Ao invés de deixar claro para o eleitorado que as eleições serão competitivas (e que, em função disso, não seria bom que as pessoas definissem seu voto de maneira prematura), a sensação de uma “candidatura única” pode provocar o inverso: quando começar, Serra talvez descubra que o mercado eleitoral encolheu. Mais gente do que desejaria se decidiu enquanto esperava.

Nas eleições, o tempo corre de forma diferente para diferentes tipos de pessoas. Quem se interessa por elas fica atento a tudo que acontece e reage rapidamente aos eventos de conjuntura.

A maioria, ao contrário, acompanha a vida política com atenção flutuante, aqui e ali, pinçando uma notícia. Como não conhecem adequadamente os candidatos e têm dificuldade de distingui-los, são pessoas que se satisfazem com pouco. Preferem simplificar seu quadro de decisões, poupando-se da tensão de lidar com uma massa de informações que não compreendem. Para elas, quanto menos tiverem que pensar para escolher, melhor. Menos um problema na cabeça.

Pessoas satisfeitas com a situação que vivem, uma liderança respeitada lhes dizendo o que fazer e ausência de contencioso são ingredientes que podem precipitar a escolha de muita gente. Na hora em que Serra acordar, pode ser tarde.

As novas elétricas. Companhias de energia limpa chegam à Bolsa

Por Josette Goulart, no jornal Valor Econômico

Uma nova leva de empresas de energia está chegando à bolsa de valores. Três grupos que venceram os últimos leilões do governo federal – e se comprometeram a investir cerca de R$ 5 bilhões nos próximos três anos – buscam recursos para financiar seus projetos. Em comum, a companhia Venti, com sede em Luxemburgo e dona da empresa argentina Impsa, e as empresas brasileiras Renova Energia e Multiner, têm o fato de serem pré-operacionais na atividade de geração elétrica. Todas também têm em comum planos de crescer em geração de energia eólica, principalmente Renova e Venti, que devem marcar a estreia da energia renovável no mercado de capitais.

As ofertas públicas iniciais de papéis da Renova e da Multiner já estão em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Venti, por enquanto, pediu apenas o registro de companhia aberta. Em estágio mais avançado está a oferta dos certificados de ações da Renova, que encerrou ontem o período de reserva pelos investidores. Vencedora do leilão de energia eólica promovido em 2009, em que se comprometeu investir R$ 1 bilhão para erguer 14 parques eólicos capazes de gerar 270 megawatts, a empresa vai servir como um teste para mostrar o apetite dos investidores a esse tipo de oferta.

A tendência é que outras companhias de geração de energia busquem recursos por meio de oferta de ações, retomando assim o movimento que se iniciou antes de o mercado de capitais se fechar, em 2008. Diversas dessas empresas com projetos de pequenas centrais hidrelétricas ou usinas termelétricas já nasciam com registro de companhia aberta, embora sem ações em bolsa. Os grandes projetos hidrelétricos também nasceram nessa época já pensando na bolsa de valores, como foi o caso da concessionária Santo Antônio Energia e também de Jirau, que juntas são capazes de gerar mais de seis mil MW de energia e estão sendo construídas em Porto Velho.

Mas os planos de lançar ações na bolsa para as duas hidrelétricas ainda não é tão imediato, em função do andamento dos projetos. Já para as empresas de renováveis, o próximo leilão do governo federal, marcado para acontecer em meados deste ano e que vai negociar energia de eólicas, PCHs e biomassa, pode acelerar os planos. Ou até mesmo para empresas que já estão vendendo energia eólica no mercado livre. Um exemplo é a empresa Bioenergy. O presidente da empresa, Sérgio Marques, conta que vendeu 380 MW de energia eólica no mercado livre no ano passado. A venda é importante para garantir o financiamento do projeto com os bancos. Mas na parte de capital próprio a empresa já tem planos para também fazer sua oferta na bolsa.

Quem está voltando a pensar nos antigos planos é a Ersa, do Pátria Investimentos, que há dois anos desistiu de ir à bolsa. A Ersa constrói oito PCHs com capacidade de 100 MW e já tem em operação outras três, que somam 47 MW. Juntos, esses projetos precisavam de R$ 1,1 bilhão em capital e, com o mercado de ações fechado durante a crise global, a companhia teve de buscar alternativas. Primeiramente, um aporte dos próprios sócios e, no ano passado, foi em busca de um parceiro estratégico e fechou sociedade com o Fundo de Investimento em Participações Brasil Energia, que aportou R$ 300 milhões no negócio.

Mas para crescer a companhia pretende colocar em operação seus 570 MW em projetos. Desse total, metade é de energia eólica. De acordo com o diretor financeiro da Ersa, Marcelo Souza, à medida que esses projetos forem saindo do papel, a empresa vai precisar de mais capital. “A vantagem é que quando estrearmos na bolsa não seremos mais uma companhia pré-operacional”, diz Souza.

Essa vantagem a que se refere o diretor da Ersa é quanto às incertezas que empresas de projetos, ou seja, que não têm ainda faturamento, proporcionam aos investidores. É ponto de consenso entre os analistas que essas são ações de alto risco, apesar de prometerem bons retornos no longo prazo. A maior experiência desse tipo de empresa na bolsa foi o lançamento das ações da MPX Energia, do empresário Eike Batista, que constrói usinas termelétricas no Nordeste do país. O lançamento das ações foi feito em dezembro de 2007 e rendeu R$ 2 bilhões à empresa. Os investidores, entretanto, tiveram que amargar uma queda de quase 90% no valor dos papéis durante o ano de 2008. A ação já começou aquele ano perdendo. Depois, ensaiou uma recuperação, mas em maio iniciou uma trajetória de queda que só terminou em 2009.

De acordo com um analista, a queda da MPX se deu em parte pela busca de liquidez dos investidores estrangeiros que já se ressentiam da crise, mesmo antes do seu auge, em setembro de 2008. Além disso, os investidores buscavam papéis mais seguros, pagadores de dividendos, o que não acontece com empresas pré-operacionais. Mas no ano passado, as ações da companhia recuperaram boa parte da perda. Subiram mais de 231%. Neste ano, a alta até ontem era de 13,3%. Ainda assim, desde o seu lançamento, em 14 de dezembro de 2007, o valor da companhia caiu mais de 47%.

Entre os principais riscos assumidos pelos investidores que apostam em companhias pré-operacionais de geração de energia está o atraso no cronograma de obras e, consequentemente, no início de geração de receita e dividendos. Esse atraso pode ser ocasionado por vários motivos, seja em função de processos judiciais, de licenciamento ambiental contestado ou não concedido a tempo ou até mesmo de dificuldade para aprovar financiamentos do BNDES. Além disso, nem sempre os sócios dessas companhias de energia são empresários conhecidos como Eike Batista.

Uma empresa que tem projeto parecido com a MPX e que está preparando seu lançamento de certificados de ações é a Multiner. Seus sócios principais são pessoas físicas egressas do mercado financeiro e do próprio setor elétrico. A companhia venceu diversos leilões de energia nos últimos dois anos, além de ter comprado dois parques eólicos vendidos no âmbito do Proinfa (programa de incentivo a energias renováveis do governo federal do início da década). Até 2013 a empresa terá que investir R$ 2,9 bilhões para erguer as oito termelétricas vendidas e os dois parques eólicos.

Voltadas, por enquanto, a projetos de usinas termelétricas, a preocupação da MPX e da Multiner agora é a de diversificar negócios. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, que faz o planejamento dos leilões de energia e da oferta para os próximos dez anos, já disse que as térmicas estão fora do planejamento da expansão do parque gerador deste ano e do plano decenal. O foco será todo em energia renováveis. A Multiner tem uma plataforma de crescimento em outras fontes de energia, mas é na termoeletrecidade que concentra seu portfólio, com projetos nessa área de 4.000 MW.

Esse planejamento do governo federal, focado em renováveis, é bom para as companhias do setor, que podem se beneficiar a longo prazo dessa decisão. A Renova, empresa que tem entre os sócios o fundo InfraBrasil, por exemplo, é focada em energia eólica e foi a maior vendedora no leilão do ano passado. Foi o primeiro para esse tipo de energia, e os projetos vencedores somam cerca de 1.800 MW. Além da Renova, a Venti foi uma das grandes vencedoras. Dona da empresa de fornecimento de aerogeradores e equipamentos para hidrelétricas Impsa, a companhia se beneficia duas vezes. De um lado vende equipamentos, de outro gera energia. A Venti, na parte de geração, ainda é pré-operacional no país, mas tem planos ambiciosos. Investirá cerca de R$ 1 bilhão nos 211 MW que vendeu.

Equipe do MDA viaja ao Piauí para avaliar situação de agricultores

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) informou nesta terça-feira, 16/03, que enviará uma equipe ao Piauí na próxima semana para avaliar a situação dos agricultores familiares atingidos pela estiagem dos últimos meses. Por determinação do ministro Guilherme Cassel, o secretário de Agricultura Familiar, Adoniran Sanches Peraci, fará um levantamento sobre as necessidades dos agricultores e das perdas sofridas nas produções agropecuárias. A decisão foi tomada durante visita do governador Wellington Dias ao Ministério.

Em 126 municípios do estado, mais de 68 mil agricultores aderiram ao Garantia Safra – Programa, do MDA, que funciona como seguro de renda para produtores familiares de municípios da região Nordeste, norte de Minas Gerais (Vales do Mucuri e do Jequitinhonha) e norte do Espírito Santo. Para receber o benefício, dividido em até quatro parcelas de R$ 150, é necessário comprovar perda de pelo menos 50% da produção estimada.

A informação é do Brasília Confidencial

 

Aécio salvou o mandato de Lula, diz Ciro

Por Maria Inês Nassif, de Brasília, no jornal Valor Econômico 

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), teve um papel fundamental no desmonte de uma “articulação golpista” em 2005 que, por meio da CPI dos Correios que investigava denúncias do mensalão, pretendia levar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao impeachment. É o que revela, em entrevista ao Valor, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Aécio mandava um avião buscar Ciro, então ministro da Integração Nacional de Lula, e os então deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Eduardo Paes (PSDB-RJ), integrantes da CPI. “Íamos para o hangar lá em Belo Horizonte e brigávamos muito, mas chegávamos a um acordo que era avalizado pelo Aécio. Ele nos ajudou a salvar o mandato de Lula”, garante Ciro.

Candidato a presidente pelo PSB, Ciro não quer abrir mão da candidatura para preservar espaço para críticas ao segundo mandato do presidente petista, quando ocorreu uma erosão “dramática” das contas externas, afirma. “Esse debate foi abolido da cena política por oportunismo político-eleitoral, inclusive do Serra”, acusa.

Com discurso superlativo, aponta o dedo para “figuras tenebrosas” e “almas penadas” da política: são os mesmos a quem se aliou o presidente anterior, Fernando Henrique Cardoso. Cita os deputados do PMDB Eduardo Cunha (RJ), Michel Temer (SP) e Eliseu Padilha (RS), e o deputado Felipe Bornier, do PHS do Rio.

Ao ser perguntado das chances de desistir da candidatura à Presidência para disputar o governo de São Paulo, Ciro primeiro é enfático – é candidato a presidente, para ganhar ou perder – e depois faz a ressalva: só se for em torno de um projeto. O projeto de Brasil e a negociação entre as forças políticas contrárias ao “clientelismo” e ao “patrimonialismo” são a chave para entender as entrelinhas do deputado cearense. A chave auxiliar – uma ironia para alguém que transferiu o seu domicílio eleitoral para São Paulo – é uma severa crítica à política paulista.

Abaixo, a entrevista ao Valor:

Valor: O senhor recuou ou continua candidato a presidente?

Ciro Gomes: Continuo candidato. E, dessa, saio vitorioso ou derrotado: nem desistência, nem recuo são possíveis. Uma motivação da minha candidatura é o imperativo moral do flanco onde eu faço política – e sou eu, pelas circunstâncias, quem tem melhor condição de não permitir que a agenda do país se reduza ao plebiscito despolitizado, com personalismos exacerbados, uma disputa entre a turma do Lula, à qual eu pertenço, contra a do Fernando Henrique Cardoso. O imperativo moral é apresentar o que importa.

Valor: E o que importa?

Ciro: Importa, a partir do avanço que o país está experimentando – aliás, extraordinário -, apresentar uma agenda complexa para o país. O Brasil vem melhorando sob todos os ângulos, mas apenas se você olhar pelo retrovisor, porque olhando para o futuro e comparando o país com os estandes internacionais, mesmo em renda similar à brasileira, o Brasil está ainda por fazer.

Valor: O senhor acha que a crise é uma oportunidade?

Ciro: Nas grandes questões contemporâneas que se projetam para o próximo meio século, o Brasil pode ser protagonista. Em bioenergia, biocombustíveis especialmente, na questão ambiental, na questão étnico-religiosa, o país tem sementes extraordinárias de um ambiente civilizatório. Mas, mesmo conseguindo sair da estagnação a que fomos condenados pelo mito neoliberal – a crença que nos esmagou a imaginação -, ainda não nos libertamos totalmente dele. O neoliberalismo não foi para a lata do lixo porque poderosos sustentam o defunto e inibem o enterro.

Valor: Essa é uma elaboração que parte da crítica ao governo. É essa a base de sua candidatura?

Ciro: Não, eu sou entusiasmado pelo Lula. Eu vi o Brasil decadente e hoje o vejo progredindo. A experiência mais ruinosa, sob o ponto de vista das contas públicas foi patrocinada pelo FHC. Quando eu era ministro da Fazenda [no governo Itamar Franco] e ajudei a fazer o Plano Real, o Brasil tinha uma carga tributária de 27% do PIB. FHC elevou a carga tributária para 35% do PIB; a dívida pública brasileira, que era de 35% do PIB, alcançou 68%; desmobilizamos US$ 100 bilhões de patrimônio; a taxa de investimento foi a menor; perdemos um terço dos mestres e doutores do ensino público superior brasileiro; fez-se os dois maiores acordos com o FMI. O Brasil deu o ouro e a prata nos governos FHC. A taxa de crescimento do país naqueles oito anos foi de 2%, 3%; nas contas externas, produziu-se um buraco de US$ 180 bilhões de dólares em oito anos. Com o Lula, a dívida desceu de 68% para para 40% do PIB; nos primeiros quatro anos de mandato, o Brasil fez US$ 46 bilhões de superávit; saímos da taxa de reserva negativa para reservas líquidas superiores a 100% do passivo externo público e privado; a carga tributária não subiu e quase dobrou a taxa de crescimento.

Valor: Se há entusiasmo tão grande de sua parte, por que disputar contra a candidata de Lula?

Ciro: Neste segundo mandato, as contas externas brasileiras estão erodindo de forma dramática. Esse debate foi abolido da cena política por oportunismo político-eleitoreiro, inclusive do [José] Serra [candidato do PSDB à Presidência], principal voz de oposição e que sumiu com essa discussão. Além de desalinhamento de câmbio, a perda de dinamismo das nossas exportações é flagrante. A proporção de manufaturados nas exportações brasileiras está despencando.

Valor: Os problemas se concentram na área econômica?

Ciro: Olhando pelo retrovisor, tudo melhorou: a educação, a saúde, a questão da universidade. Mas na saúde pública, por exemplo, não foi feito nada estratégico. A educação pública brasileira está melhorando, mas ainda é uma tragédia. E o imperativo moral é impedir o plebiscito que o PT e o PSDB acertaram para confinar o país nas suas miudices e projetar um futuro. Se melhorou, o passado não deve voltar.

Valor: E qual é o projeto?

Ciro: Nós temos que apresentar um projeto nacional de desenvolvimento. É preciso que se garanta minimamente que a eleição seja o debate do futuro do país, e não esse debate despolitizado. Isso tem feito mal demais ao Brasil. A briga vem do provincianismo paulista.

Valor: Como uma situação paulista pode contaminar o país?

Ciro: O FHC foi para a Presidência com uma obra extraordinária iniciada, o Plano Real. O PT foi contra o Real; recusou-se a dar apoio ao Itamar Franco no momento delicadíssimo do impeachment do Collor; não assinou a Constituição de 1988. Quando o FHC chegou ao poder, encontrou na intransigência do PT o pretexto para angariar a maioria na escória da política brasileira. Era o exercício do clientelismo e conservadorismo sem qualquer limite ético. Quando andou a roda da história e o PT ganhou a Presidência, contra Lula, o PSDB de São Paulo puxou o PSDB nacional para uma intransigente, mesquinha ruptura com o governo.

Valor: Isso não justifica a aliança do governo com o PMDB?

Ciro: No segundo mandato, o PSDB deu ao Lula a crença de que, para governar, é preciso se alinhar – e com quem? O Brasil é tão medíocre nesta questão que são as mesmas pessoas – não são só os mesmo valores – que trabalham ao largo de qualquer moralidade. O Renan Calheiros [PMDB-AL], que foi ministro da Justiça do FHC, é lugar-tenente do Lula no Senado. Eduardo Cunha [PMDB-RJ], que já conhecia como ligado ao esquema do PC Farias, é quem está dando as cartas aqui, com a delegação do Michel Temer [PMDB-SP], também ex-aliado do FHC. Eliseu Padilha, ex-ministro do FHC, é o presidente da Comissão de Justiça da Câmara. O Felipe Bornier [PHS-RJ] é presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. É a seleção é às avessas: quanto mais decência e qualificação têm as pessoa, mais distante estarão dos cargos importantes no parlamento.

Valor: Se São Paulo é responsável por isso, por que o senhor transferiu seu título para lá?

Ciro: Porque o Lula pediu.

Valor: Mas, em São Paulo, estará fortalecendo essa política?

Ciro: A política estadual não precisa ser assim. O Aécio não é assim: ele elegeu um companheiro do PSB para a prefeitura de Belo Horizonte. O Aécio estende a mão e vai lá todo mundo. As diferenças não vão sumir, mas a forma de fazer política não é destrutiva. No Ceará, há tempo a gente se entende, daí se diminui a importância relativa dessas figuras tenebrosas, almas penadas não saem nunca do poder. Mas, em São Paulo, é picareta para um lado, picareta para outro.

Valor: O senhor é contra alianças mais amplas?

Ciro: Não sou contra, eu vi debilidade do governo Sarney. Eu conheço a tradição federativa, a tradição multipartidária brasileira; eu reconheço que a aliança é necessária. A questão é: para quê? Se a aliança é só para conservar o poder e suas bases são o assalto à máquina pública, não faz sentido.

Valor: Então, quanto mais ampla for uma aliança, mais relativizado é o poder desses setores?

Ciro: Mais do que isso, é parte da luta para acabar com a hegemonia moral e intelectual desses setores. Isso será um avanço institucional para o país. Qual é a razão dessas maiorias malucas [no Congresso]? Mera conservação do poder. Estritamente mercado secundário de minuto de televisão, inclusive na base da grana.

Valor: Na política paulista, como quebrar essa hegemonia?

Ciro: Eu não estou na política paulista. Esse negócio de domicílio eleitoral é uma invenção da ditadura, não existia isso antes. Sou o deputado federal mais votado no país pela mão do eleitorado cearense. Esse mandato pertence aos cearenses.

Valor: Se fosse para quebrar a hegemonia do PSDB paulista, o senhor seria candidato ao governo?

Ciro: Ajudar a construir o design dessa bomba, eu acho uma das mais gratas tarefas. Não precisa ser derrotando ninguém, pode ser articulando entendimento.

Valor: É isso que você e o Aécio tentam fazer, quando conversam?

Ciro: Eu, Aécio, Tasso, Geraldo Alckmin.

Valor: Alckmin tem peso no PSDB para fazer entendimento?

Ciro: O Alckmin está esperando para ver se o Serra deixa ele ser candidato a governador. Porque as coisas são assim: o Serra acabou de trair o seu próprio partido e elegeu o DEM para a prefeitura de São Paulo, contra o PSDB. E para ele tudo pode. O Nordeste praticamente varreu o ex-PFL e Serra elegeu Kassab em São Paulo. E aí, eu pergunto: quem elegeu o DEM em São Paulo vem me falar em modernidade?

Valor: Com Lula o senhor chegou a vislumbrar a possibilidade de um entendimento para excluir o patrimonialismo das alianças?

Ciro: Lula diz que concorda comigo, que o sonho dele, quando deixar a Presidência, é organizar um movimento como o da Frente Ampla do Uruguai; que não compreende como estou num partido e ele em outro. Tudo bem, eu sei que, também eu, se for presidente, terei que tocar a rotina do país, mas é preciso que o povo ajude a diminuir o custo impagável dessa hegemonia frouxa, dessa hegemonia moral, que o conservadorismo do PT com o PMDB impuseram na agenda do país.

Valor: Qual o interesse na formação de maiorias, se não se aprova matérias de interesse do governo?

Ciro: Acho que o interesse é só o horário eleitoral. Fora isso, não vejo nenhuma outra razão, porque não tem nenhuma agenda correndo no Congresso. Se tivesse, os parlamentares não seriam tão irresponsáveis. Veja a PEC 300, que institui o piso nacional para policiais. A emenda foi aprovada em primeiro turno, enganando os policiais, porque é impossível aprovar uma coisa dessa no segundo turno. É lambança, é só teatro. Lula mandou para a Câmara R$ 1,7 bilhão para um projeto de construção de um milhão de moradias. Eduardo Cunha apresentou emenda criando um crédito pleno de R$ 86 bilhões. Esculhambação que, sozinha, derruba o Brasil. Aí o Paulo Paim [PT-RS], no Senado, junto com o Renan, Sarney e tal, aprova o fim do fator previdenciário; ato contínuo, define o percentual de reajuste pelo salário mínimo. Quebra a Previdência. Votação unânime. Daí vem para a Câmara. Na hora em que pautar, vota-se a favor. E o Lula tem que vetar. Essa é a coalizão do Lula – e isso é coalizão? É de uma aliança para governabilidade que nós estamos tratando, ou é um mercado secundário de minuto de televisão?

Valor: O Congresso é todo ele irresponsável, então?

Ciro: Não. O presidencialismo de impasse faz do Congresso Nacional um apêndice. Você precisa ver a quantidade de gente séria, trabalhadora, decente, que desiste, vai embora. O problema não é do Congresso, é da coalizão hoje dominante. Esse mesmo Congresso cassou Collor e fez a Constituinte.

Valor: O senhor quer dar protagonismo para parlamentares decentes?

Ciro: Não é isso. Nossas regras de representação dizem respeito a pessoas que têm o monopólio de alterar essas regras. Por que essa representação vai alterar a institucionalidade que lhe legitima? Isso não acontece em lugar nenhum. É hora do Brasil se livrar de seus temores elitistas e começar a adotar a prática dos países avançados de convocar plebiscitos e referendos para superar determinados impasses.

Valor: Até 2005, o senhor era o candidato de Lula à sua sucessão. O que é que aconteceu para o presidente ter lançado a ministra Dilma?

Ciro: Até 2007. Cada vez que Lula dizia isso para mim, eu dizia que o PT teria de ter candidato. O PT não ter candidato é o escorpião sobre o sapo.

Valor: Sem entrelinhas: o senhor pode ser candidato ao governo de São Paulo?

Ciro: Quando Lula me fez o convite, deixei a decisão para o meu partido. O Eduardo Campos [presidente do PSB e governador de Pernambuco] me disse: ‘Se você quer ser candidato a presidente, por que não fica com domicílio em São Paulo e ajuda a gente a arrumar as coisas por lá?’ Eu concordei. E fui para o Ceará para me explicar: Lula me pediu, o partido determinou que eu fizesse, se tentasse ser candidato com domicílio lá poderia ser impugnado por causa de meu parentesco com o Cid [Gomes, governador do Estado e irmão de Ciro]. Candidato a deputado não sou e no Ceará sou inelegível para tudo o mais.

Valor: O senhor pode se candidatar ao governo de São Paulo na hipótese de Aécio Neves ser candidato do PSDB a presidente?

Ciro: Não. Eu disse ao presidente é que eu faço política por amor. Se, amanhã, alguém me diz: ‘o projeto está aqui mas nós vamos perder essa eleição porque Serra, em São Paulo, vai levar 6 milhões de votos e isso definirá a sua vitória a presidente’, aí é outra coisa. Mas eu não vejo esse cenário.

Valor: E por que a situação com Aécio poderia ser diferente?

Ciro: Vou fazer uma justiça a Aécio. Quando a CPI dos Correios começou a arquitetar o golpe contra o presidente Lula, o Aécio teve um envolvimento estratégico. No meio da crise, eu, Dilma, Márcio Thomaz Bastos [então ministro da Justiça] e Jaques Wagner [então ministro das Relações Institucionais] nos reuníamos diariamente às 7h para definir uma estratégia que era “Infantaria e Diplomacia” – eu dei o nome. Nós iríamos fazer o diálogo, a diplomacia. Fizemos uma lista daqueles nomes importantes da República e escalamos quem falaria com cada um. Bastos e [Antonio] Palocci ficaram escalados para conversar com o Fernando Henrique e com o Serra, e eu, com Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Fernando Gabeira [PV-RJ], José Carlos Aleluia [DEM-BA] – esta era a estratégia de diplomacia. E como infantaria, nós estimulamos um movimento para ocupar as ruas. O trabalho da diplomacia era dizer: ‘Daqui para trás: nós estamos vendo um componente golpista nisto, o presidente da República não será alcançado e nós não vamos tolerar isso’. Acabamos fazendo a manifestação na rua, só para mostrar que não estávamos blefando. O Aécio entendeu. Passou não só a concordar, mas a agir para desarmar a bomba. Muitas vezes ele mandou um avião para me buscar em Brasília às 9h da manhã, mandava o avião para pegar fulano, ciclano e beltrano da CPI e íamos para o hangar lá em Belo Horizonte. Lá brigávamos muito, mas chegávamos a acordos avalizados pelo Aécio. Ele nos ajudou a salvar o mandato do Lula. Invoco o testemunho de Gustavo Fruet [PSDB-PR] e Eduardo Paes [na época, PSDB-RJ]. O Aécio nos ajudou a desmontar a indústria da infâmia movida a partir do PSDB de São Paulo.

Valor: Existe a hipótese de Aécio ser candidato a presidente?

Ciro: Acho que sim. Com grandes chances. Se ele for o candidato, é porque Serra terá recuado voluntariamente, e daí Serra garante a ele o eleitorado em São Paulo. O segundo colégio é Minas, e Aécio tira 70% ou mais; o terceiro é o Rio, e ele entra melhor que o Serra; depois é o Nordeste. O Sul está hostil para nós. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o eleitorado é contra o PT, eu ainda entro, mas o Aécio entra com mais leveza. O problema é o Serra e o carreirismo dele, só pensa em si. O problema do PSDB é o seguinte: eles [os tucanos] vivem embaixo de uma redoma, quando saem da rede de proteção da mídia, encontram um Brasil que não conhecem.

Valor: FHC também?

Ciro: O Fernando Henrique tem um ciúme infantil do Lula, uma inveja feminil do Lula.

Concessionária vende trens como ferro velho em SP

O delegado da polícia federal, Carlos Fernando Abelha, responsável pela Operação Fora dos Trilhos, que investiga o desmonte da malha ferroviária em São Paulo, denunciou nesta terça-feira, 16/03, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa paulista, que o sistema ferroviário privatizado pelo PSDB no estado está abandonado e que parte do material operante é vendido como sucata. Pela regras da concessão, bens pertencentes ao patrimônio público não podem ser negociados.

Segundo o delegado, a concessionária ALL Logística está vendendo como ferro velho material da antiga Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), negociada em 1998 pelo então governador tucano Mário Covas (PSDB) para a Rede Ferroviária Federal, como parte da dívida do estado com a União. Adquirida pelo governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, a ferrovia foi privatizada no mesmo ano, passando a concessão à Brasil Ferrovia, hoje incorporada pela ALL. “A concessionária que assumiu a ferrovia tinha como obrigação a preservação de toda a estrutura existente, o que aconteceu apenas no primeiro ano”, informou Abelha. De acordo com as investigações realizadas na Operação Fora dos Trilhos, a ALL Logística vem cortando vagões e vendendo a empresas de ferro velho partes e peças dos trens como sucata.

Carlos Fernando diz que há farto material de documentos e fotos que comprovam a destruição de vagões e contratos de venda de 25 mil toneladas de material ferroviário, que além de representar dilapidação de patrimônio público sob guarda da concessionária, tem apresentado indícios de sonegação fiscal. Segundo o delegado, foram vendidas como ferro velho locomotivas em condições de uso, que estão em operação em Santa Catarina. O delegado aponta também o quadro reduzido da polícia ferroviária e dificuldades na fiscalização pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) como agravantes para a dilapidação e venda do patrimônio público sob guarda de concessionária.

A informação é do Brasília Confidencial

 

Programa de eficiência energética, a ser divulgado em abril, concederá incentivos fiscais

Por Danilo Fariello, no jornal Valor Econômico

O Plano Nacional de Eficiência Energética, que deve ser divulgado em abril, prevê a redução gradual de 106 terawatts-hora (TWh) no consumo até 2030 e a concessão de incentivos fiscais para toda a cadeia energética, segundo as propostas dos técnicos do Ministério das Minas e Energia. Planejado desde 2005, só agora o plano está praticamente pronto e vai contemplar um leque de políticas públicas para incentivar os investimentos em tecnologia, como trocar os medidores domésticos e acelerar a definição de normas para que a indústria de eletrônicos informe seus níveis de consumo.

Haverá, ainda, programas de educação dos consumidores, qualificação das empresas para adotar estratégias de controle de uso e, inclusive, a redução de gastos em iluminação pública e saneamento básico.

Estão previstos o uso da Conta de Desenvolvimento Energético – hoje aplicada no programa Luz para Todos – e financiamentos específicos pela Caixa Econômica Federal, BNDES e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Se for prorrogada a cobrança da Reserva Global de Reversão – outro encargo destinado ao Luz para Todos -, ela também poderá financiar as medidas do plano.

A indústria reivindica a redução de IPI para geladeiras e equipamentos que sejam fabricados com padrões de menor consumo. No início do ano, o Ministério da Fazenda adotou posição similar ao manter a isenção de IPI, definida no auge da crise econômica global de 2008, apenas para aparelhos da linha branca de baixo consumo.

O valor total do programa e de todos os incentivos fiscais previstos ainda deve passar pelo crivo de outros ministérios e da Casa Civil. Por restrições legais para que se coloque o plano em prática integralmente, o Executivo deverá enviar propostas de lei ao Congresso para, por exemplo, prever a nova destinação da Conta de Desenvolvimento Energético.

Segundo Hamilton Moss de Souza, diretor da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, a economia de 106 TWh significa um quarto do consumo anual do país hoje e representará 10% da carga em 2030. A previsão do governo, portanto, é de que o consumo no país vai crescer 1,5 vez até lá. O montante economizado equivalerá a quase uma usina hidrelétrica de Itaipu por ano.

“Eficiência energética significa não consumir o que não faz tanta falta ou gastar melhor”, disse. Não se trata de medidas emergenciais, mas de estimular a adoção de produtos e equipamentos que gastem menos energia, como trocar lâmpadas incandescentes por LED, explicou o diretor. Para a substituição de aparelhos, serão necessários investimentos públicos e incentivos do governo à indústria nacional.

Embora a economia de energia elétrica possa reduzir a receita das distribuidoras, com contas menores, elas também têm interesses financeiros no programa porque a troca de equipamentos dos consumidores deve reduzir a potência que a companhia tem de manter disponível, com efeitos positivos sobre os custos dessas companhias.

Os incentivos fiscais vão mirar principalmente a indústria nacional nessa adaptação de equipamentos, como já ocorreu no programa de substituição de geladeiras. A troca dos medidores residenciais para um sistema digital inteligente, por exemplo, pode envolver cifras bilionárias, pois cada residência teria de adquirir um aparelho que hoje varia entre R$ 200 e R$ 300.

Segundo Nelson Hubner, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o tema envolve um esforço articulado da agência com ministérios de Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento. “É preciso preparar a indústria nacional para absorver isso.” Para ele, a adoção de medidores inteligentes é um rumo que fatalmente o país seguirá em algum momento no futuro.

“O plano está em linha com as últimas metas do governo em redução de emissões de C02″, disse Souza. Nessa linha, o programa prevê a intensificação de equipamentos de geração de energia solar, propondo o conceito de “cidades solares”.

O plano de eficiência energética foi debatido no segundo semestre do ano passado com várias instâncias do governo, empresas, universidades e associações que representam os diferentes elos do setor. Segundo Souza, o governo passou a se preocupar não só com o crescimento da geração da energia elétrica, mas também com o crescimento da demanda do país.

O plano deverá definir a coordenação e a ampliação de uma série de medidas já adotadas pelo governo federal em busca de maior eficiência energética. O BNDES, por exemplo, possui uma linha de financiamento para projetos com esse perfil, o Proesco.

Na semana passada, o próprio ministério publicou no “Diário Oficial da União” consulta pública para definir programas de metas de consumo de eletrodomésticos. E, ontem, a Aneel assinou com o Ministério de Ciência e Tecnologia protocolo de entendimento, para pesquisas para desenvolvimento tecnológico do setor.

No início do mês, o Ministério de Minas e Energia adotou outra posição para atuar no gerenciamento da demanda. Foi à consulta pública uma portaria que prevê a possibilidade de grandes consumidores de energia poderem vender os excedentes de seus contratos. Dessa forma, as indústrias poderão administrar melhor seu consumo ao contratar energia de longo prazo com a possibilidade de ceder parte dela, se a previsão de ampliação de gastos não se concretizar.

Segundo o plano, é exatamente na indústria onde está o maior o potencial de aumento da eficiência energética. Pela alta procura, a consulta teve o prazo prorrogado para o dia 26.

UE agora pressiona Reino Unido

A Comissão Européia vai pressionar o governo do Reino Unido para ampliar os cortes de gastos públicos para tentar reduzir o déficit do seu orçamento. A estimativa é que o déficit britânico supere o da Grécia, sob ameaça de decretar moratória.

O Reino Unido anunciou pretender cortar o déficit orçamentário para 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano fiscal 2014-2015, contra os atuais 12,7% do PIB no ano fiscal 2009-2010.

Mas a comissão, braço executivo da União Européia (UE), diz que o aperto fiscal prometido pelo país enfrenta riscos, por se basear em perspectivas econômicas muito otimistas.

“Um período confiável para restaurar as finanças públicas a uma posição sustentável requer medidas adicionais e substanciais de aperto fiscal”, disse a comissão no rascunho de um comunicado.

A pressão da comissão deve reverberar nas próximas semanas, quando o Reino Unido se aproxima das eleições gerais, marcadas para 6 de maio.

O ministro de Finanças, Alistair Darling, do governista Partido Trabalhista, rechaçou a proposta de ampliar o arrocho fiscal: “É o mais forte e mais agressivo plano de qualquer economia avançada”, disse Darling em entrevista após o encontro mensal dos ministros de Finanças da UE.

A informação é do Monitor Mercantil

 

Pai de Neymar questiona critérios das arbitragens

A expulsão do atacante Neymar, no clássico em que o Santos foi derrotado pelo Palmeiras, no último domingo, na Vila Belmiro, continua repercutindo. Depois de falar que tudo era um aprendizado para o seu filho, o pai do jovem avante santista, Neymar da Silva Santos, voltou a comentar o tema e tratou, desta vez, de questionar os critérios das arbitragens do Campeonato Paulista.

Segundo o pai de Neymar, citando como exemplo o lance em que o seu filho atingiu o volante alviverde, Pierre, sendo expulso de campo no clássico, os juízes acabam adotando critérios diferentes nas faltas que são feitas pelos atacantes e pelos defensores.

“Ele não costuma revidar (faltas). O que aconteceu foi que o Neymar tentou fazer uma jogada, perdeu a bola e tentou ‘matar’ o lance. Aí é que eu digo que os árbitros adotam duas medidas diferentes para a mesma infração. O zagueiro pode empurrar o atacante, só que quando é o contrário, não”, disse Silva Santos, em entrevista à “Rádio Cultura”.

O pai do jovem ídolo alvinegro continuou a questionar as atuações dos juízes. Neymar da Silva Santos fez coro ao discurso do técnico Dorival Júnior e do diretor de futebol do clube, Pedro Luiz Nunes Conceição, de que os árbitros têm protegido mais os infratores do que as equipes, no caso o Santos, que visam a praticar um futebol ofensivo.

“É difícil você entrar em campo acreditando que o juiz irá coibir a violência. Acaba coibindo o espetáculo, o talento. Se o Pierre faz cinco, seis faltas no jogo, ele não recebe amarelo, pois está ali para marcar. Infelizmente é assim. O Santos nem quer fazer falta para tomar a bola, mas os adversários fazem. Agora, se eles acham que futebol é truculência, então temos que jogar como no futebol americano”, disparou.

Indagado também sobre as críticas do meia Diego Souza, do Palmeiras, ao seu filho, por conta da maneira como Neymar atua e as comemorações que ele realiza com seus companheiros de equipe, Silva Santos considerou os comentários normais. Apesar disso, o pai do atacante santista cutucou os adversários e relembrou até mesmo a polêmica da ‘paradinha’ a qual Neymar se utilizou para vencer Rogério Ceni, no clássico contra o São Paulo, pelo Paulistão.

“O mais sensato de todos foi o Marcos (goleiro palmeirense). Ele disse que se você quer que o Santos pare de dançar, tem que evitar os gols do time. Mas isso é normal. Quando o Neymar fez o gol de pênalti, com ‘paradinha’, ele estava errado. O Rogério Ceni fez isso três, quatro vezes e era lindo. Só que quando foi o Neymar quem fez, era várzea. Isso faz parte do futebol. Quando você começa a brilhar demais, incomoda os outros”, concluiu Neymar da Silva Santos.

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A perseguição aos “Meninos da Vila” é uma bola cantada. Comentei esse asunto logo após a derrota do Corinthians, que despertou, como nos tempos de Pelé, a fúria corinthiana contra os santistas.

Com informação é da Gazeta Press

 

Navegante adverte: Globo e derivados fazem mal à saúde

Do Conversa Afiada

O Globo e seus derivados envenenam. Mantenha distância O Globo e seus derivados envenenam. Mantenha distância 

O Conversa Afiada reproduz e-mail e comentários do amigo navegante Antonio:

Prezado Paulo Henrique Amorim,

Gostaria de parabenizá-lo pelo “Conversa Afiada”. Leio diariamente e acho muito interessante o espaço aberto para um novo olhar das notícias e da imprensa brasileira.

Resolvi divulgar um fato que ocorreu neste domingo comigo e minha esposa após ficar indignado com a divulgação da reportagem do Portal G1 (GLOBO.COM). A indignação não é só com a violência, mas também com a forma pela qual a reportagem é apresentada, induzindo o leitor a se colocar exclusivamente contra a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Na tarde deste domingo, eu e minha esposa ficamos no meio de um tiroteio na Av. Brasil, por volta das 16h30min, após o confronto entre facções de “torcedores”, como a reportagem abaixo classifica. Desespero, choro e impotência diante da situação. Eu, minha esposa, e centenas (??) de pessoas comuns vivenciamos esses fatos.

A descrição de uma pessoa que vivenciou tal situação foi ignorada pela reportagem do portal de notícias G1 da GLOBO.COM. Eles só conseguiram ver as “agressões” dos policiais. Chegaram atrasados? Ou quiseram chegar atrasados?

Eis o link.

Abaixo a transcrição da reportagem com alguns comentários de minha autoria:

Imagens de cinegrafistas da TV Globo mostram policiais militares agredindo com socos e pontapés torcedores que iam ao Maracanã, assistir a jogo entre Vasco e Flamengo. O flagrante foi registrado na Avenida Brasil, horas antes do início da partida, no último domingo (13).

Não eram torcedores, pois “torcedores” não se prestam a atos de vandalismo, ameaças, agressões, intimidação e não desafiam a autoridade policial. O G1 desconhece o fato e denomina os meliantes como “torcedores”.

Outro equívoco. Domingo foi 14/03 e não 13/03.

Nas imagens, a polícia cerca um grupo de torcedores e os enfileira para evitar um tumulto. Com os homens já sentados no chão, os policiais os agridem com socos e pontapés.

Não presenciei as agressões, pois peguei o meu carro, que havia sido abandonado anteriormente para procurar proteção, e fui embora do local o mais rápido possível.

Mais uma vez o G1 mostra total desconhecimento dos fatos. A polícia não os enfileirou para “evitar um tumulto”. O “tumulto” já havia ocorrido. Centenas ou milhares de pessoas ficaram reféns da briga entre os ditos “torcedores”, inclusive eu e minha esposa, em plena Av. Brasil, rezando pra que os tiros e pedras não acertassem um inocente. Vimos algumas mulheres e crianças se refugiando em uma loja, desesperados e com medo, assim como várias pessoas dentro dos veículos. Não tínhamos pra onde correr.

A PM informou que vai apurar em quais circunstâncias os policiais agrediram os torcedores. Durante o tumulto houve tiros e uma pessoa ficou ferida. Outros oito torcedores foram encaminhados à delegacia.

Um jornalismo sério teria apurado completamente os fatos, e só então publicaria. As circunstâncias em que ocorreram as agressões são notórias. Era impossível que alguns carros com policiais conseguissem controlar centenas de “torcedores”, conforme classifica a reportagem. A massa de vândalos atravessava os carros parados, apedrejando, soltando morteiros e atirando. Só foi possível “controlar”, quando chegaram os reforços.

Cabe aqui um elogio à PM. Após nos protegermos em uma loja na Av. Brasil, altura da Penha, e com o fim do barulho de tiros, retornamos à pista central para pegarmos o carro, que fomos obrigados a abandonar durante o tiroteio. Quando chegamos ao local, encontramos dois PM’s protegendo o nosso veículo. Tivemos sorte de encontrar o carro sem danos, ao contrário do dono de outro veículo próximo que foi apedrejado. Os policiais foram educados e bloquearam a via até que pudéssemos manobrar o carro e seguir viagem. Também nos informar que a situação já estava controlada. E, claro, além de protegerem o veículo, evitando novos transtornos, protegeram a vida de milhares de cidadãos de bem reféns dos meliantes, considerados vítimas pelo G1.

Ainda no domingo, os cinegrafistas registraram outra ação de vandalismo, na Linha vermelha. Torcedores do Flamengo invadiram dois ônibus da Viação Real e quebraram o vidro traseiro e as janelas de emergência do veículo.
A companhia de ônibus informou que vai ouvir o motorista e o cobrador do veículo para tentar entender como aconteceu o ato de vandalismo.

Fica registrado mais um protesto contra as reportagens tendenciosas divulgadas sem a devida apuração de fatos, levando à inversão de valores dentro da sociedade.

Felicidades e muito sucesso sempre.

Abraços do assíduo leitor,

Antônio.

DF: Metroviários suspendem a greve até a próxima segunda-feira

Do Correio Braziliense

Metroviários decidem ainda nesta terça-feira se continuam ou não em greve Metroviários e GDF não chegam a acordo. Metrô vai funcionar parcialmente nesta terça

Mesmo sem acordo, metroviários decidem suspender a greve até a próxima segunda-feira (22/3), tempo que o Governo do Distrito Federal (GDF) pediu para analisar a contraproposta da categoria. A decisão foi tomada durante assembleia, por volta das 20h25 desta terça-feira (16/3), após a segunda reunião entre o Sindmetrô e o Metrô-DF. Nada ficou decidido, mas o GDF sugeriu que os metroviários voltassem ao trabalho enquanto a contraproposta fosse analisada.

Na segunda-feira (15/3), após a audiência de conciliação, que durou quase oito horas, não houve acordo entre os metroviários e o GDF para encerrar a greve. A audiência foi retomada nesta terça-feira (16), quando os metroviários discutiram uma contraproposta ao governo.

Propostas

Governo e Metrô-DF

Proposta de 5,1%, gratificação de 13% para funcionários da operação e manutenção, 10% no ressarcimento do Plano de Saúde 10% no auxilio creche e aumento de R$ 20,45 do axilio alimentação para R$ 24,00

Contraproposta

O sindicato dos metroviários reduziram o pedido de 120% de reajuste para apenas 60%. A categora pede que o valor do auxilio alimentação seja de R$ 30,00, gratificação de 30% e auxilio creche de R$ 115,00 para R$ 300,00 (mais de 100%)

Mujica pede a vizinhos integração no Mercosul

O presidente do Uruguai, José Mujica, pediuaos países vizinhos que trabalhem para “construir a integração” dentro do Mercosul.

O Mercosul “deve construir integração, o que significa ter vias de aporte energético, encontrar caminhos para compartilhar o gás da região de forma sensata e lutar para que os portos se complementem”, disse o mandatário durante o programa de rádio “Fala o presidente”.

Mujica, que tomou posse no dia 1º deste mês, também se referiu às viagens internacionais que fez na semana passada, as primeiras de seu mandato. Na última quinta-feira ele esteve no Chile, e posteriormente foi a Bolívia.

Para o presidente, essas viagens servem para “abrir canais de acordo e limar as asperezas” que podem comprometer relações bilaterais.

Além de Chile e Bolívia, Mujica viajará ainda neste mês, nos dias 29 e 30, a Brasil e Venezuela, o que foi confirmado hoje por seu chanceler, Luis Almagro.

Ao falar do Mercosul e do problema das assimetrias que separa as duas maiores economias do bloco — Brasil e Argentina — das duas menores — Uruguai e Paraguai —, Mujica voltou a defender a “luta por nossos interesses” com uma generosidade inteligente”.

“A política incide para o bem quando tem grandeza”, afirmou. Segundo Mujica, os países da região devem ser capazes de entender que sua sorte está vinculada à capacidade de alinhar interesses comuns.

O presidente ainda considerou um “dever de irmãos” ajudar a Bolívia e o Paraguai a obterem acessos soberanos ao mar. Para tanto, ressaltou a necessidade de que toda a região busque maneiras de “facilitar a parte técnica e encontre soluções de caráter jurídico”.

Com agências

 

Autores de artigos sobre crise mundial debatem sobre transformações na economia

Da Agência USP

A crise econômica mundial existiu e não foi apenas sob a forma de uma marola”. Foi assim que o professor Carlos Roberto Azzonni, diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, abriu a exposição do Conselho Editorial da Revista USP realizada na terça-feira (16). O evento na FEA apresentou as tendências da economia brasileira e mundial após a crise, e as ideias discutidas serão veiculadas na edição 85 da publicação, Dossiê Lições da Crise, a ser lançada no dia 15 de abril.

A constatação de que momentos de crise são geradores de transformações globais é o que motivou a formulação dos artigos de diversos autores que participarão da Revista. Para Jacques Marcovich, organizador da edição e professor da FEA, os temas discutidos no debate tratam de como é possivel promover mudanças duradouras que possam corrigir erros já cometidos. “O importante é compreender as crises e realizar transformações que perdurem”, ressaltou. 

Diferentes do que já se produziu dentro da USP, os textos apontam para um cenário posterior à consolidação da crise, mostrando tendências de recuperação e lições que serão – ou deverão ser – aprendidas. Além da organização de Marcovitch, a obra conta com a contribuição de autores como os professores Rosa Maria Fischer, Paul Singer, Simão Davi Silber e Amâncio Jorge de Oliveira (da FEA); Manoel Galdino (Centro de Estudos das Negociações Internacionais Ltda.); Carlos Eduardo Lins da Silva; Roberto Teixeira da Costa e Marcio Pochmann (Unicamp).

O professor Amâncio Oliveira propõe em seu artigo, formulado com Manoel Galdino, que o momento anterior à crise financeira projetava bons tempos, dada a regulação do comércio mundial. Mas o que se viu com a crise foi um retrocesso nessas expectativas e um reforço de relações bilaterais, bem como o resgate de nacionalismos econômicos. “Com a emergência da crise, os governos viram ganhar força a legitimidade do discurso protecionista e nacionalista”, observou no debate o professor, especialista em negociações internacionais.

Em relação ao Brasil, o professor explica que, além do fato da crise ter acertado o importante setor de commodities, o país se viu surpreendido por um aumento de relações bilaterais para o qual não estaria pronto. “Até por sua postura diplomática, o Brasil sempre foi multilateral e não teria se preparado para um ‘plano B’ ”. O professor lamenta ainda que o país não tenha aproveitado o momento histórico chave para realizar mudanças estruturais, como a reforma tributária, o que o faria ter maior competitividade internacional. Mas cita como positivo o fato de agora mais países participarem dos debates de assuntos globais.

O novo rearranjo do poder global também foi tratado por Carlos Eduardo Lins da Silva, que trouxe a análise da ineficiência das entidades internacionais existentes quanto à gestão mundial. Mas para ele, a já reconhecida desvalorização do G8 (grupo das sete democracias mais ricas, além da Rússia) ante o G20 (19 maiores economias do mundo mais a União Européia) aponta para um caminho não muito promissor no debate de questões globais como a segurança da economia mundial e a questão climática. Prova disso são os insucessos dos últimos encontros do G20 e a permanência de questões polêmicas como quedas de barreiras comerciais.

Apesar de crer que o modelo de unilateralismo mundial não será uma realidade futura, o professor da ECA ainda acredita em um longo período dos Estados Unidos atuando como principal personagem da economia global. Ele vê também uma tendência, que acredita que durará algumas gerações, que é a estratégica aliança americana com países específicos, dependendo dos assuntos tratados: segurança nuclear, Oriente Médio, América Latina ou Afeganistão.

Roberto Costa observa, por sua vez, que mesmo que se fortaleçam os organismos internacionais, a recuperação da crise exige líderes mundiais fortes. Ele cita o exemplo de Gordon Brown, primeiro-ministro do Reino Unido, que tem se mostrado incapaz de encontrar coesão de discurso até mesmo dentro da União Europeia. Por outro lado, uma figura forte como Barack Obama, presidente norte-americano, está em situação delicada por ter aberto diversas frentes de trabalho e precisar da aprovação de sua reforma na saúde para ganhar força nacional.

O economista observa ainda que a legislação mais restritiva do Brasil em relação ao mercado financeiro, além de bancos conservadores e um Banco Central forte são fatores que resultaram em uma situação privilegiada do país diante da crise. “Os mecanismos que explodiram no mundo, durante a crise, não eram praticados no Brasil”, disse.

Medidas como o aumento da regulação do comércio internacional e a presença de entidades internacionais na fiscalização das transações deverão ser uma realidade. Ao menos é o que aponta Simão Silber, que ainda ressalvou que “a correção do estado de crise será lenta, pois a sua origem não foi imediata. E a coordenação global dessa regulação também será lenta”.

Já o setor de empresas sem fim lucrativo e de empresas com investimentos sociais foi analisado por Rosa Maria Fischer, que investigou o impacto que a crise teria causado nesse campo da economia. A professora organizou um questionário enviado às principais organizações nacionais da área. Dessas, pouquíssimas responderam, “o que demonstrou que o tema não parece ser uma prioridade”, observou.

Uma outra pesquisa realizada com empresas sem fim lucrativo verificou em muitas delas ignorância de seus administradores sobre o cenário econômico global e sobre as eventuais medidas de proteção às suas empresas. A professora argumenta que esse ramo da economia encontra-se muito dependente de seus financiadores, sejam eles o Estado ou empresas privadas. Como conlclui, com a crise, a demanda por serviços do terceiro setor aumenta, enquanto há declínio de recursos disponíveis para a área.

O debate ocorrido na FEA acontece uma semana após divulgação dos números do PIB brasileiro para o primeiro trimestre do ano e antecipa argumentos que serão aprofundados na edição 85 da Revista USP. A nova edição da revista é referente aos meses de março, abril e maio, e poderá ser adquirida a partir do dia 15 nas livrarias da Edusp, na Livraria Cultura e através do site www.usp.br/revistausp. O exemplar custa R$20,00.

Trabalhador forçado a fazer horas extras será indenizado por assédio moral

A 6ª Turma do TRT-MG reconheceu o assédio moral sofrido por um reclamante, que recebia ameaças de perder o emprego, caso se recusasse a fazer horas extras. Além de ter que conviver com as constantes ameaças, o trabalhador ainda era vítima da conduta abusiva do superior hierárquico, que agia de forma velada para transformar o local de trabalho em ambiente hostil.  

De acordo com os relatos das testemunhas, o reclamante e outros colegas de trabalho sofriam muitas pressões, principalmente os empregados estudantes. Eles sempre recebiam o aviso de que poderiam ser dispensados se não ficassem para prestar horas extras.

Conforme declarou uma testemunha, o superior hierárquico costumava dizer aos empregados que não podiam fazer horas extras, que o mercado estava cheio de candidatos disputando uma vaga na empresa. Aos empregados que estavam fazendo faculdade, ele costumava dizer também que o estudo era um erro e que eles passariam fome se tentassem se dedicar a outra área.

As testemunhas acrescentaram ainda que o preposto da empresa tinha o estranho hábito de chamar cada empregado numa sala reservada, onde ele permanecia durante horas denegrindo a imagem profissional da pessoa e submetendo-a a constrangimentos e humilhações. Como essas “reuniões” eram realizadas de forma individual, nunca havia por perto uma testemunha para presenciar os fatos.

O relator do recurso, juiz convocado Fernando Antônio Viégas Peixoto, destacou que, apesar da dificuldade de comprovação dos fatos, é possível identificar, na situação em foco, uma forma velada de assédio moral. Como observou o magistrado, o infrator agia estrategicamente de modo a apagar os rastros do seu ato ilícito. Mas, na avaliação do relator, a prova testemunhal foi suficiente para evidenciar a existência do assédio moral.

Isso porque vários empregados foram vítimas das mesmas condutas abusivas e seus depoimentos revelaram que havia uma obrigatoriedade implícita de prestação de horas extras, além da intenção do preposto de deteriorar o ambiente de trabalho. Portanto, entendendo que ficou caracterizado o assédio moral, a Turma deferiu ao reclamante indenização no valor de R$ 10.000,00.

A informação é do Expreso da Notícia

Caldeirão do PiG (*) requenta as acusações. É o desespero

Do Portal Conversa Afiada

Dr Walther, a versão chique, Daslu do Golpe de 64 (e 2010) Dr Walther, a versão chique, Daslu do Golpe de 64 (e 2010) 

O Conversa Afiada reproduz pronunciamento do deputado federal Emiliano José, do PT da Bahia:


DISCURSO PRONUNCIADO EM 16-3-2010

O SR. EMILIANO JOSÉ – Sr. Presidente, peço a palavra para dar como lido pronunciamento relativo à reunião realizada pelo Instituto Millenium, em São Paulo, e para dizer da ofensiva midiática contra o nosso Governo e o Partido dos Trabalhadores.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR

O SR. EMILIANO JOSÉ (PT-BA. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, do caldeirão fumegante do Partido da Imprensa Golpista pode sair de tudo, menos qualquer receita que seja de defesa do povo brasileiro. Novamente, mais uma vez, o PIG sai a campo com todo furor para atacar o PT e o governo Lula e a pré-candidata do PT, ministra Dilma Rousseff. O PIG não descansa. Sua luta contra o governo Lula, contra o presidente Lula, contra o PT, contra as forças democráticas, é incansável. Isso ninguém pode negar.

O PIG se dedica à luta contra quaisquer governos progressistas porque sempre foi a favor de privilégios, nunca gostou dos desvalidos, não aceita políticas públicas que beneficiem os mais pobres. E por isso não aceita o governo Lula, não aceita o presidente operário, não aceitou Vargas, não aceitou Goulart. Com propriedade, essa imprensa hegemônica, sustentada em algumas famílias, échamada de Partido da Imprensa Golpista, porque sempre se perfila ao lado do golpe e contra as instituições democráticas, fingindo-se de defensora das liberdades em geral e da liberdade de imprensa em geral.

Quando falei em caldeirão fumegante, não o fiz apenas como exercício retórico. Faço-o pela simples razão de que o Partido da Imprensa Golpista tem trabalhado bastante na cozinha, como falamos quando nos referimos à retaguarda do jornalismo, e o pior é que, na cozinha, só trabalha ultimamente com temas requentados. E isso não lhe importa. O escândalo que ela quer construir, quando quer construir, não precisa ter o chamado fato novo, aspecto essencial do jornalismo quando levado a sério. Retira-se um fato de anos anteriores, coloca-se um título chamativo, e cá estamos nós com um novo escândalo, mesmo que tudo já tenha sido noticiado anteriormente, mesmo que não exista nada comprovado.

A revista Veja, hoje um arsenal ideológico de extrema-direita, articulado com os setores de imprensa mais reacionários do Continente, foi buscar os ingredientes de um assunto antigo, teve a solidariedade de um promotor que assaca permanentemente contra o PT, colocou tudo no caldeirão fumegante, e o título dáconta do resto. Bastou que o ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários, João Vaccari Neto assumisse a tesouraria do PT para que a cozinha da Veja entrasse em ação. O mesmo promotor, José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, figura já conhecida por sua posição política, já havia feito a denúncia em 2006, a requenta agora, e a mídia e a oposição se encarregam do resto.

Essa investida de agora foi tão escandalosa, tão obscena, tão sob encomenda, que o juiz que recebeu a denúncia do Sr. José Carlos Blat desnudou-a, evidenciando os seus vícios e denunciando o seu evidente partidarismo.

O juiz Carlos Eduardo Lora Franco não aceitou o bloqueio das contas da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), nem a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-presidente da cooperativa e atual secretário de Finanças do PT, João Vaccari Neto. Não pode haver manipulação política, não deve haver manipulação da opinião pública e não devem ocorrer acusações sem provas, como de alguma forma foi dito pelo juiz, tudo que aparece na denúncia superpartidarizada do promotor Blat, uzeiro e vezeiro nessas práticas, personagem por demais conhecido.

Tudo sob medida, uma velha receita, perseguida desde sempre, com destaque para os últimos anos. O PIG tentou de todo jeito evitar a vitória de Lula em 2002. Não conseguiu. Tentou de todo modo impedir a vitória de Lula em 2006. Não conseguiu. O PIG espera sempre o suicídio, a renúncia ou a derrota de suas vítimas. É só olhar a história. Não houve isso com Lula. Muito ao contrário. Houve luta e afirmação da vida democrática, luta que contou com a participação decisiva do povo brasileiro.

No ano que passou, o PIG recorreu diversas vezes ao caldeirão fumegante de sua cozinha de requentamento. E tome-lhe Petrobras, e tome-lhe Lina Vieira, e tome-lhe Sarney, e tome-lhe derrotas. Nada tinha consistência. Eram pastéis de vento. Tudo caiu no vazio.

A oposição, a cada iniciativa do PIG, ia atrás, obedientemente, e perdia. Às vezes, conseguia os seus 15 minutos de fama, devidamente preparados pela própria mídia. Andy Warhol revisitado. E depois, bem, depois, tudo se mostrava sem base jornalística. Tudo que é falso desmancha no ar, poderíamos parafrasear Marshall Berman. Se o que é sólido desmancha no ar, imagine o que é falso.

O requentamento da mídia, sua fábrica incessante de escândalos sem qualquer base, continua a desmanchar-se no ar. Sua tentativa permanente de construir uma opinião pública contra Lula tem fracassado rotundamente. A opinião pública no Brasil vem ganhando autonomia, a cidadania brasileira hoje não se submete mais às tentativas constantes de manipulação.

Agora o PIG aponta o seu arsenal contra a candidatura da ministra Dilma. Planta notícias falsas, inventa currículos fantasiosos, esmera-se na mentira, requenta e requenta matérias àfalta de fatos consistentes, verdadeiros. O PIG, no entanto, tem sido amplamente derrotado pelo povo brasileiro ultimamente. A oposição conta com o entusiasmo decidido desse PIG, em verdade o intelectual orgânico dos partidos de oposição, do PSDB e do DEM, que andam bastante desorientados.

Um escândalo aqui, outro acolá, surgido do caldeirão fumegante do PIG, é que dá à oposição a chance de respirar por 15 minutos, para logo depois sufocar novamente. Mas, insisto, o PIG não descansa. Nem o PIG nem o PCG, o Partido da Casa Grande, e aqui me refiro aos partidos que se rebelam contra as cotas, contra os negros, contra os pobres, contra os índios.

É, senhor presidente, o PIG não descansa. E nesse momento está seguindo religiosamente as diretrizes tiradas pelo Instituto Millenium, sobre o qual falaremos nesse pronunciamento.

Agora, além de requentar matérias antigas, que não mereceriam mais quaisquer suítes, resolveu filosofar. E não foi em alemão. É verdade que filósofos que fizeram opções de direita não constituem novidade na história. No entanto, eram bem melhores que aqueles que atualmente a mídia contrata, constrói ou requisita para tentar dar alguma substância ao delirante cenário que pretendem construir.

E querem construir o mesmo cenário anterior e quando me refiro a anterior, recuo um pouco no tempo, e lembro de leituras referentes ao Corvo como era chamado Carlos Lacerda. Lá atrás, com Getúlio, a UDN construiu um cenário em que tudo era corrupção, e a UDN era o próprio falso moralismo, sem qualquer autoridade para perorar sobre moral, e Lacerda aparecia como a sua grande vestal. Há hoje vários simulacros de Lacerda, inclusive na filosofia de que a mídia resolveu se valer agora.

Essa tentativa de filosofar para dar consistência ao PIG ganhou contornos concretos com a realização de seminário realizado pelo Instituto Millenium, em São Paulo,no dia 1º de março deste ano, que custou R$500,00 a cada participante, juntou coisa de 180 pessoas, e contou com a participação de Otavinho (Otávio Frias Filho, do grupo Folhas), de Marinho (Roberto Irineu Marinho, da Globo) e, ainda, representantes da Rede Sul Brasil e do Estado de S. Paulo, entre outros. Em síntese, toda a direção central do PIG. Além de uma parte da intelectualidade de direita.

Os filósofos Roberto Romano e Denis Rosenfield quase recuperaram, talvez inconscientemente, e a modo deles, a abertura de um dos mais importantes manifestos da história e dos mais lidos do mundo , o Manifesto Comunista, de Marx. Romano, de modo especial, o conhece bem. Foi, quando dominicano, próximo da Ação Libertadora Nacional, dirigida pelo comandante Carlos Marighella, notável dirigente comunista. Ali, naquele momento, suspeita-se, Romano simpatizava com as idéias comunistas. Mudou.

Na abertura do Manifesto Comunista, o mais famoso manifesto da historia, Marx dizia que um espectro rondava a Europa, o espectro do comunismo. Os novos filósofos, de diversas maneiras, disseram, no seminário do Millenium, e o fizeram com palavras mais assustadoras, que um espectro ronda o Brasil, o espectro do bolchevismo, encarnado num PT de nítida tendência bolchevo-estalinista.

O Romano, não se sabe se recorrendo a Freud, se a Richard Sennet, se a Jung, chegou a dizer que militância causa corrosão de caráter isso mesmo, senhor presidente, corrosão de caráter. O partido de militantes, esse PT infernal, causa corrosão de caráter. Já não se fazem romanos como antigamente.

O militante, na visão originalíssima de Romano, só se reporta ao Chefe, abdicando de qualquer autonomia. Transforma-se num autômato, disposto a cumprir ordens, sem discuti-las. É o admirável mundo novo de Romano, quem sabe inspirado também em Aldous Huxley. Naturalmente, Romano fala do PT e de seus militantes. Fala de um PT imaginário, inspirado pelo bolchevismo-estalinismo, recuperado lá das profundezas da Revolução Russa e da tradição da III Internacional.

O PT, nessa visão romana, seria um partido essencialmente antidemocrático, que espera ansiosamente para dar o pulo do gato e acabar com a democracia e a liberdade de imprensa. Seria, para nos aproximarmos mais da América Latina, e foram tantos os oradores do Seminário do Millenium que disseram isso, um partido chavo-fidelista, partidário de Chávez e de Fidel, dos modelos venezuelano e cubano. Um partido, o nosso, sempre pronto a golpear as instituições democráticas. Anotem as sandices, pensem no quanto é delirante esse raciocínio político-filosófico.

Digo tudo isso, recupero tudo isso, senhor presidente, para mostrar o quanto as teorias romanas são caricatas, absurdas, indigentes, superficiais, movidas por um ódio de classe bastante transparente, do quanto o professor Romano foge da realidade do que seja o PT.

Do ponto de vista político, os participantes do seminário entoaram o samba de uma nota só. Contra Lula, contra o PT, contra Dilma. Contra Chávez. Contra Lula. Contra Rafael Correa.

Ali havia Arnaldo Jabor, também ex-comunista. Havia Reinaldo Azevedo. Havia Demétrio Magnoli. Havia Carlos Alberto Di Franco, do Estadão e da Opus Dei. E a fina flor da direita midiática latino-americana, como o âncora de televisão equatoriana, Carlos Vera (Ecuavisa), que chegou a dizer que o presidente Rafael Correa foi eleito por prostitutas, ou o dono da RCTV, que tentou o golpe contra Chávez em 2002, Marcel Granier. Era uma espécie de Internacional Latino-Americana do PIG.

O mérito desse encontro, e faço esforço para encontrar mérito, foi que entoaram o samba de uma nota só, romana e politizada, como já disse. Disseram todos, e claramente, que a mídia tem lado, que é contra Dilma, que éa favor de Serra.

Demétrio Magnoli disse que se o Serra ganhasse faríamos uma festa em termos de liberdades. Mas, confessou, a perspectiva é que a Dilma vença. Por ter uma avaliação da correlação de forças, é que esse seminário conclamou todos à luta.

Jabor foi claro: é preciso discutir como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo. Essa é a versão mais recente do que dissera o presidente do então PFL, Jorge Bornhausen, em 2005, que propugnara acabar com essa raça por 30 anos. Essa raça éramos nós, o PT. E por caprichos da história, ou por ironia, foi o PFL, em fase terminal, que teve de mudar de nome para DEM, que hoje ainda luta para sobreviver.

Coisas do povo brasileiro, que sabe hoje distinguir quem é quem na vida política brasileira. Que tem maturidade para isso.

Para o PIG, que tem agora esse Instituto Millenium para ecoar o seu ponto de vista, que chama filósofos para tentar dar lastro ao seu pensamento, trata-se, na essência, de fazer política. Política de direita, para dizer o óbvio. Política para tentar evitar a vitória da ministra Dilma, que apavora o PIG neste momento, ao já empatar com o governador Serra. O PIG entrou de corpo e alma na campanha de Serra, como as evidências de quaisquer coberturas indicam. Como a construção fantasiosa de escândalos aponta. Logo depois da reunião do Millenium, a tropa perfilada do PIG subiu o tom e se dedicou a aplicar com rigor as diretrizes tiradas no encontro.

O PT e as forças democráticas não podem se iludir, não tem o direito de se iludir: a mídia hegemônica está em campanha e, insista-se, tem lado. Quanto à sua natureza partidária, digo isso há muito tempo. E o faço como jornalista e como professor de comunicação. O Seminário do Millenium não foi a senha para a abertura da campanha contra o PT, contra Lula, contra Dilma. Isso existe desde sempre. Ele apenas teve o mérito de deixar o reinu. A campanha é feita pelo PIG cotidianamente, sem descanso.

O já folclórico Reinaldo Azevedo deixou o rei mais nu, e ainda mais obsceno. Segundo ele, é preciso acabar com essa pretensão à isenção, à imparcialidade, essa coisa de ouvir os dois lados. Sóesqueceu de dizer que isso, para a mídia dominante, para o PIG, não existe há muito tempo. É só olhar para a matéria requentada da Veja sobre o tesoureiro do PT em que ela não ouve o João Vacari Neto uma única vez.

E a campanha é dura, sem critério, sem quaisquer cuidados. O Estadão, nos últimos dias, numa agressão falsa e despropositada, desrespeitosa, chama o PT de partido da bandidagem, numa estratégia clara de tentar desgastar o partido mais importante do Brasil, aquele mais bem avaliado pelo povo brasileiro em qualquer pesquisa. A mídia brasileira édas mais partidarizadas do mundo, insisto nisso, e ela tem sempre um lado claro, como tenho dito com absoluta freqüência.

O PIG, repita-se, tem lado, e é esse partido, contrariamente ao que diz o Instituto Millenium, que ameaça, e seriamente, a democracia no Brasil ao pretender-se a voz única da Nação e ao impedir, ou tentar sempre, a emergência de tantas outras vozes e interpretações da realidade brasileira, ao tentar sempre, quando seus interesses são contrariados, derrubar ou desestabilizar governos legitimados pelas urnas e que defendam os interesses populares.

A Conferência Nacional de Comunicação expressou tudo isso claramente e seria correto afirmar que os gatos pingados do Millenium tentaram ser um contraponto àquele fórum democrático, que reuniu mais de mil pessoas, todas eleitas, num processo que aglutinou milhares de brasileiros.

Volto a dizer: os ataques dos últimos dias estão seguindo as diretrizes tiradas durante o Seminário do Millenium, que orientou para a intensificação da campanha contra o governo Lula, contra o PT e contra a candidatura da ministra Dilma.

Devo, ao final, dar uma palavra sobre o meu partido, o PT, diante do festival de besteiras romanas e magnólias ditas pelos tantos participantes do Millenium. O PT, desde o seu alvorecer, desde o seu nascimento, colocou-se filosófica e politicamente como um partido democrático, postulando, como óbvio, transformações profundas na sociedade brasileira, mas insistindo que tais transformações deveriam se dar no leito da vida democrática, exclusivamente.

O PT nasceu como partido de massas, democrático, avesso a quaisquer ditaduras, com espaço amplo para os debates internos. Nunca teve nada a ver com centralismo democrático ou com ditadura do proletariado. Não pede licença para ser democrático e socialista. Para lutar pela democracia e pelo socialismo. Para não se render a uma mídia nitidamente golpista, contra a qual luta.

E chegou à presidência da República por ter conquistado os corações e mentes do povo brasileiro, num insistente e democrático trabalho de convencimento, fazendo política no amplo sentido da palavra.

Esse seminário do Millenium só reforça nossas convicções de que a luta pela democratização da comunicação no Brasil é essencial. Que não podemos nos conformar com o fato de que meia dúzia de famílias, alguns poucos monopólios, pretendam ser os intérpretes do Brasil, dispostos sempre ao golpe contra governantes legitimados pelas urnas quando estes não correspondam aos seus interesses. Foi assim com Vargas. Foi assim com Goulart. Tem sido assim com Lula. Será assim com Dilma.

O povo brasileiro, no entanto, especialmente nesses últimos tempos, tem sabido discernir perfeitamente o que é verdade e o que é mentira, o que é real e o que é manipulação. Não fosse assim, e Lula, como já o dissemos, não teria vencido por duas vezes. Agora, novamente, ancorados na sabedoria do nosso povo, na força do PT e dos partidos aliados, iremos fazer de Dilma nossa presidenta. Ela está pronta para conduzir o terceiro mandato desse extraordinário projeto emancipador, libertador, democrático e popular que estamos conduzindo no Brasil desde 2003.

Muito obrigado.

Clique aqui para ler “Otavinho chama Lula de panaca”.

Clique aqui para ler sobre o Pai de todos os Milleniums, o IBAD.

E aqui para ler sobre o IPES, que o “seu frias”, uma ponte em São Paulo, frequentou. O IPES era o trono do general Golbery e uma versão mais chique, assim mais Daslu do Golpe. Walther Moreira Salles, por exemplo, chiquérrimo, estava lá.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

 

Conferência Nacional da Classe Trabalhadora

Por Leonardo Severo, no Portal da CUT   

Dirigentes nacionais da CUT, CGTB, CTB, Força e Nova Central se reuniram nesta terça-feira (16) em São Paulo, ultimando os preparativos para a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, que tem assembleia marcada para 1º de junho na capital paulista.

Até o evento, que reunirá dezenas de milhares de lideranças sindicais de todo o país, as centrais irão construir um documento a ser entregue aos candidatos à Presidência sobre as propostas da classe trabalhadora. Entre os pontos principais que vêm sendo debatidos para a conformação da Plataforma da Classe Trabalhadora estão o crescimento com distribuição de renda e fortalecimento do mercado interno, a valorização do trabalho com igualdade e inclusão social, o Estado como indutor do desenvolvimento socioeconômico e ambiental, democracia participativa e universalização dos serviços públicos.  São estes também os eixos que darão o norte para a Jornada Nacional de Debates, que será realizada nos 26 estados e no Distrito Federal pelas centrais e pelo Dieese, de 23 de março a 8 de abril, o que além de antecipar a mobilização, qualificará ainda mais a intervenção dos cerca de 1.500 dirigentes que participarão das mesas.

De acordo com Adeilson Telles, que representou a CUT na reunião das centrais, há uma compreensão comum entre todos os sindicalistas de que é necessário concentrar as energias na defesa do projeto. “Mais do que não permitir que haja retrocesso, queremos somar forças para pisar no acelerador e aprofundar as mudanças em curso. Para isso é fundamental que tenhamos a presença na nossa assembléia dos milhares de sindicatos do conjunto dos estados, a fim de que o documento aprovado saia com o respaldo necessário”, sublinhou. Sobre os caminhos da negociação rumo à construção de um grande evento, Adeilson lembrou da fábula de Alice no país das maravilhas, quando a menina pergunta ao coelho qual direção a seguir: “depende de onde se quer chegar”. “Por isso, para nós, o fundamental é a unidade e a mobilização da base, a construção de uma plataforma comum que aponte para a disputa de hegemonia”, assinalou.

Para Carlos Alberto Pereira, da executiva da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), “o programa comum reflete um amadurecimento do movimento sindical, que valoriza a sua força e o protagonismo da classe trabalhadora em defesa do seu projeto de país:  desenvolvido, justo e soberano. Daí a importância de mobilizarmos o maior número de dirigentes sindicais para a nossa Conferência”.

Esta compreensão também foi expressa pelo secretário geral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Pascoal Carneiro, para quem “um número expressivo de sindicatos, vindos de todos os Estados, dará maior densidade política ao ato”. A recomendação das lideranças para que os sindicatos se façam presentes, acrescentou Geraldino dos Santos, da executiva da Força Sindical, será essencial para que o evento ganhe a dimensão necessária da disputa colocada na sociedade.

Na avaliação de Sebastião Soares, da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), merece destaque e atenção a comunicação das propostas ao conjunto da sociedade, onde as lideranças sindicais terão um papel fundamental para fazer o contraponto às desinformações da chamada grande mídia.

Enquanto debatem as propostas a serem socializadas no dia 1º de junho, possivelmente em um estádio de futebol, a CUT continua contatando os parlamentares dentro do Congresso Nacional em apoio à  campanha pela redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução de salários. Nesta semana, as centrais voltam à carga junto às lideranças partidárias para que priorizem o tema, cuja aprovação, apontam os estudos, pode gerar 2,2 milhões de novos empregos.

Em defesa da propriedade da União no pré-sal e contra os leilões do petróleo, as centrais vão se somar às mobilizações convocadas para os dias 22, na sede do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, e 29, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Le Monde Diplomatique Brasil investe em redes sociais em seu novo site

Do Comunique-se

O jornal Le Monde Diplomatique Brasil lançou seu novo site nesta segunda-feira (15/03). A página conta com recursos interativos da web 2.0, como redes sociais, enquetes e espaço para comentários e compartilhamento.

De acordo com Maíra Kubík Mano, editora do jornal, o objetivo é ampliar o público leitor. “A redação já tinha essa ideia, queria colocar a marca do jornal na internet, disponibilizar o conteúdo e divulgar o projeto do jornal”, explica.

O novo site reúne todo o conteúdo do veículo, com o acervo da publicação desde 1999. Outra novidade é o lançamento da TV Diplomatique, que trará entrevistas semanais, primeiramente com integrantes do conselheiro editorial do jornal, e depois com outros intelectuais, jornalistas e estudiosos. A primeira entrevista, que será divulgada hoje no site, é com Heródoto Barbeiro.

O lançamento foi marcado por um coquetel com os membros do conselho editorial e convidados, que falaram sobre a publicação. Para o economista Ladislau Dowbor, professor do departamento de pós-graduação da PUC e membro do conselho, o jornal aborda assuntos que não são tratados pela grande mídia. “Você abre os jornais e na editoria internacional só vê a cara do presidente americano ou a última bomba que caiu, e pronto, está bom assim. Você acaba não sabendo quem é o presidente da China, outros assuntos…”, destacou.

O Le Monde Diplomatique Brasil é a versão nacional do jornal francês Le Monde. A publicação mensal brasileira, com tiragem de 40 mil exemplares, aborda questões temas como relações internacionais, economia, política, cultura e meio ambiente no Brasil e no mundo.

Venezuela prenderá membros do ETA se houverem “provas irrefutáveis contra eles”

O governo venezuelano se comprometeu a prender qualquer membro do ETA sempre que hajam “provas irrefutáveis” contra eles e rebaixou o tom de suas críticas ao garantir que o país está decidido a preservar suas relações bilaterais com a Espanha.

“Reiteramos nosso compromisso de atuar frente a provas irrefutáveis que demonstrem objetivamente atividades dessa natureza”, disse a embaixada em um comunicado. “A embaixada ratifica seu rechaço a suposta vinculação de nosso governo com grupos terroristas”.

A embaixada deixou clara sua condenação a qualquer forma de terrorismo e deu ênfase à necessidade de combatê-lo “no marco dos princípios do direito internacional”.

A embaixada denunciou a existência de uma campanha destinada a tornar tensas as relações entre a Espanha e a Venezuela e destacou seu propósito de conservar a boa sintonia entre os dois governos.

“Reiteramos nossa firme vontade de aprofundar esta relação amistosa e frutífera (com o governo espanhol)”, disse o comunicado.

Com agências

 

Perversidade contra dois jogadores de futebol

Por Marcelo Migliaccio, no Jornal do Brasil 

As últimas “notícias” veiculadas por parte da grande imprensa sobre dois jogadores de futebol de origem humilde mostram mais uma vez o quanto este país, este nosso povo deseducado, é elitista e hipócrita (aliás, o ser humano em geral hoje pensa e age assim em quase todo o mundo, salvo honrosas exceções).

Primeiro, pegaram Adriano Imperador, craque do Flamengo e da Seleção Brasileira, para Cristo. O motivo? Ele teve uma briga pública com a noiva numa favela. Na favela onde nasceu e foi criado, diga-se, até descobrir que o destino lhe havia sorteado uma megasena, dando-lhe o dom de jogar bem o futebol.

Adriano _ ou melhor, sua vida particular _ virou manchete. Como se fosse o único ser humano famoso e rico a se envolver em barracos. Quantos barracos de atrizes de novela, diretores de cinema, políticos e empresários a grande imprensa deixou debaixo do tapete nas últimas décadas?

Não era conveniente publicar… ainda mais na base do “ouvi dizer”

Mas, como se trata de um negro com pouco estudo, a execração pública está liberada. Afinal, se Deus não fosse camarada com ele, Adriano estaria numa esquina dessas defendendo o almoço do dia como flanelinha. Ou dando duro debaixo do sol como auxiliar de pedreiro. Ou até montando guarda numa boca-de-fumo com uma arma na mão. Quem saberá qual teria sido seu destino? Adriano é rico hoje, mas ainda é um favelado sobre quem achamos que podemos tripudiar ao menor escorregão. Adriano escorrega, nós não.

No último domingo, um jornal publicou que o craque promove festas de arromba com prostitutas e animais. Isso mesmo, animais. Se for mesmo verdade (porque o jogador deveria superar seu complexo de vira-lata e ir à Justiça para que provem isso), só quem deve se preocupar é a Sociedade Protetora dos Animais. Nào há uma declaração assumida na suposta reportagem. Acusam Adriano de promover aberrações, mas ninguém tem coragem de dar o próprio nome. “Dois jogadores”, diz o texto, contaram a história ao repórter. “Um empresário” confirmou. Isso é o bastante para atacar a hora de uma pessoa? Uma boa fofoca? Hoje, no Brasil, é.

A vida privada de Adriano, por mais estranha que possa ser, não é mais dele, é de todos os brasileiros, que, parece, nada têm de mais importante com que se preocupar.

Ah, têm sim, o Big Brother Brasil…

No domingo à noite, foi a vez de Vágner Love, outro jogador do Flamengo, ser pregado na cruz. Filmaram o rapaz chegando a uma favela em meio a traficantes armados. Descobriram a pólvora? Ninguém sabia que na maioria das comunidades ainda reina o crime organizado? Agora, vão chamar o Vagner Love para depor (porque alguns adoram entrar na onda da TV). Teve um engravatado que apareceu na televisão dizendo que o jogador não deveria frequentar aqueles lugares. Poxa, mas ele nasceu ali, ali estão seus parentes, seus amigos de infância. Alguns viraram bandidos, a maioria não. Ali na Rocinha estão suas raízes. Fazer o quê?

Queriam que o atacante desarmasse os criminosos? Queriam que ligasse para a polícia e dissesse que estava cercado por traficantes? Se o delegado o chamou para depor, tem que exigir explicações também de todos os moradores da comunidade, que convivem com aquela realidade diariamente. E dos políticos, que, em época de campanha, sobem morros após seus assessores negociarem com as quadrilhas o salvo conduto.

Hipocrisia, preconceito acusar apenas os jogadores, que, pelo menos, não estão ali para fazer demagogia e pedir voto.

Quando Vágner Love nasceu, já cantavam na Rocinha os fuzis e metralhadoras. A polícia sabe disso há décadas, não precisa convocar o artilheiro para se informar.

Onde estava o delegado que convocou Love para depor quando Michael Jackson teve que pedir permissão aos traficantes do Santa Marta para gravar um clipe no alto do morro? Aliás, quem fez a segurança da equipe de Jackson e do diretor Spike Lee lá em cima foram os traficantes, como a mídia cansou de noticiar na época…

Mas Vágner Love é um negro brasileiro, mais negro que Adriano. Tem dinheiro, mas não tem berço nem sobrenome.

Seu sobrenome é Love.

Então podemos cair de pau em cima, dando vazão a toda a nossa crueldade, a toda a nossa mediocridade. Provas? Quem precisa delas?

Se os dois forem criminosos, que a polícia os prenda e um juiz os condene. O que se discute aqui é a abordagem jornalística feita na mídia. Elitista como sempre.

Por essas e outras, às vezes, me envergonho de ser jornalista. Mais: de ser humano.

Dona Cano canta Noel Rosa

Para ONU, juros é que atraem capitais para o país

A Organização das Nações Unidas (ONU) ironizou a suposta “confiança” do mercado financeiro em moedas como o real. Na realidade, para a ONU, não é a confiança na economia ou na moeda que traz o dinheiro, mas os lucros diante do cenário internacional – com juros elevados e bolsa em alta.

Na avaliação da entidade, uma valorização do real tem impacto negativo sobre a competitividade das exportações do Brasil e pode gerar uma “dramática distorção nos padrões de comércio e novos desequilíbrios”.

A ONU defende a aplicação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% sobre a entrada de capitais no Brasil. A entidade rejeita a tese de que essa seja uma medida antimercado.

“Essas medidas servem para salvaguardar a eficiência dos mercados de bens e serviços protegendo seus preços”, apontou.

Para os especialistas, a taxa é uma forma de intervenção diante da incapacidade do mercado de moedas de identificar o preço correto de uma moeda.

Mas a taxação de capital seria apenas uma solução temporária para lidar com os desequilíbrios. Para a ONU, está na hora de criar um regulamento mundial e uma Taxa Real de Câmbio Constante.

O diferencial entre as inflações de países seria calculado e a taxa de câmbio real entre as moedas poderia ser estabelecida.

Isso evitaria especulações, frearia a tentação de países de adotar políticas de sobrevalorização e até minimizaria a necessidade de acumulação de reservas por bancos centrais.

Embora admita que a medida exigirá amplo compromisso político, a ONU observa que essa seria a melhor forma de lidar com os desequilíbrios.

A informação é do Monitor Mercantil

 

Câmara aprova proposta de Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) que cria CPI da Grilagem

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), anunciou nesta quarta a criação da CPI da Grilagem. A comissão irá investigar, levantar a situação fundiária e o uso ilegal da terra na Amazônia.

- O parlamento pode dar grandes contribuições nesse processo, pois vamos identificar grileiros que são verdadeiros responsáveis pelo desmatamento na região – disse a deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), autora da proposta de criação da CPI.

A deputada lembrou que com CPI da Grilagem de Terras Públicas, em 2001, foram cancelados 50 milhões de hectares só no Amazonas.

- Também conseguimos levar à prisão o megagrileiro Falb Saraiva de Farias que havia se apropriado ilegalmente de mais de 12 milhões de hectares – afirmou.

A comissão terá 23 membros titulares e igual número de suplentes. Após o ato da Presidência, os líderes dos partidos já podem indicar os membros da comissão que terá 120 dias para proceder a investigação. O prazo poderá ser prorrogado por mais 60 dias com autorização do Plenário da Casa.

A informação é do portal O Globo

 

Quem tem medo de déficits externos?

Por Cristiano Romero, no jornal Valor Econômico

Depois de nove anos gerando saldos positivos, o Brasil pode fechar 2010 com déficit na balança comercial. De janeiro até a segunda semana de março, o resultado foi positivo em US$ 809 milhões, mas as importações estão crescendo num ritmo mais acelerado que as exportações – 31,4%, face a 25,9%, segundo a média diária de saída e entrada de bens e serviços. O saldo em transações correntes, que entrou em território negativo no fim de 2007, tem sido crescentemente deficitário. O Banco Central (BC) projeta, para este ano, um déficit de US$ 40 bilhões, 64,3% maior que o de 2009.

Esse cenário de desaparecimento dos superávits comerciais e de crescimento “explosivo” do déficit em conta corrente foi antecipado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por conselheiros formais e informais, em abril de 2008. Na ocasião, o que se disse foi que, mantido o rumo da política econômica, o Brasil assistiria neste ou no próximo ano a uma crise no balanço de pagamentos, o mesmo tipo de turbulência que, no passado, abortara ciclos de crescimento e jogara o país em momentos de penúria e desesperança.

O objetivo dos conselheiros era, evidentemente, mudar as políticas cambial e monetária. Uma ideia ventilada foi copiar o modelo argentino, de fixação de uma meta (desvalorizada) para o câmbio. O apelo para convencer o presidente era político – “O senhor pode chegar ao ano da sucessão com o país em crise”, advertiram-no. Lula, ao seu estilo “em-time-que-está ganhando-não-se-mexe”, deixou o debate correr solto, mas não se moveu.

Afinal, o Brasil corre ou não o risco de sofrer uma crise no balanço de pagamentos? O economista Nilson Teixeira, do banco Credit Suisse, considera baixa essa probabilidade. Ele projeta para 2010 um déficit em transações correntes de US$ 53 bilhões (2,7% do PIB), incluído nessa conta um saldo comercial negativo de US$ 16,2 bilhões – trata-se de previsão, portanto, mais pessimista que a do BC. Para 2011, ele prevê déficit de US$ 80 bilhões, o equivalente a 3,6% do PIB – em 2009, o déficit foi de 1,5% do PIB.

Teixeira é um daqueles economistas classificados na categoria dos “chatos” (no bom sentido, claro). Para ele, não basta discutir conceitos. É preciso ir aos números, fazer contas, rodar modelos econométricos. Foi o que ele e sua equipe fizeram para concluir que, além de ser baixo o risco de o Brasil sofrer uma disrupção em 2010 e 2011, é igualmente reduzido o perigo de reversão do atual ciclo de crescimento, como consequência de um possível ajuste nas contas correntes.

Antes de mais nada, a comparação de alguns fundamentos do Brasil com os de países que experimentaram processos de reversão de déficits em conta corrente, acompanhados de forte contração do PIB, é favorável ao país. Em 1998-1999, quando viveu um processo dessa natureza, a Indonésia tinha dívida externa equivalente a 156% do PIB e reservas internacionais a apenas 12% do PIB. O país mantinha um regime de câmbio fixo e, como resultado do ajuste da conta corrente, viu seu PIB encolher 13,1% em 1998. Em 2000-2002, a Argentina acumulava dívida externa de 54% do PIB, com reservas de 9% do PIB. Então adepto do câmbio fixo, o país vizinho naufragou numa recessão que lhe subtraiu 10,9% do PIB em 2002. O Brasil tem hoje dívida externa e reservas equivalentes, respectivamente, a 10% e 13% do PIB.

Tem sido comum comparar a situação brasileira com a da Austrália, economia que, mesmo registrando constantes e elevados déficits em conta corrente, tem se mantido estável, praticamente imune a crises e com crescimento médio superior ao do seu clube (a OCDE). Teixeira e sua equipe estudaram as diferenças e concluíram que o Brasil tem posição confortável.

A Austrália financia seu déficit estrutural em transações correntes com endividamento externo. No primeiro semestre de 2009, seu passivo externo líquido, de 60,6% do PIB, estava assim distribuído: 52,9% diziam respeito à dívida externa e apenas 7,7%, a investimentos de estrangeiros em ações. Apesar da elevada despesa com juros da dívida, o risco associado ao financiamento do déficit é reduzido – a dívida soberana da Austrália, lembra Teixeira, é classificada como de baixíssimo risco pelas agências de rating. Obviamente, políticas fiscais e monetárias austeras adotadas pelo governo têm assegurado a confiança dos investidores.

Ao contrário do caso australiano, o passivo brasileiro é formado majoritariamente por ações e investimento estrangeiro direto (IED). Entre 2001 e 2009, a participação de IED e ações no passivo externo total saltou de 43% para 72%, enquanto o percentual de títulos de renda fixa e de empréstimos caiu de 55% para 27%. Esses números mostram que, na prática, o Brasil também está procurando conviver, de forma minimamente segura, com déficits estruturais em transações correntes.

Com o novo perfil de passivo externo, o peso das despesas com remessa de lucros e dividendos aumentou em relação às despesas com juros da dívida. Aplicando modelos econométricos, Teixeira e sua equipe constataram que, nos últimos anos, justamente quando ocorreu a mudança de perfil do passivo do país, verificou-se forte correlação entre despesas de transações correntes com atividade econômica e taxa de câmbio. Quando a demanda doméstica cresce, há uma expansão dessas despesas – por exemplo: uma multinacional instalada no país remete mais lucros e dividendos ao exterior. Na hipótese de uma depreciação da taxa de câmbio, há uma contração maior dessas despesas em relação ao que ocorria no passado – as importações ficam caras e diminuem, e as transnacionais lucram menos e, portanto, remetem menos ao exterior.

Para o economista-chefe do Credit Suisse, é baixa a probabilidade de um possível ajuste das contas externas provocar uma reversão abrupta do ciclo de crescimento iniciado no segundo trimestre de 2009. “Entendemos que, no Brasil, o regime de câmbio flutuante, a característica procíclica do déficit em transações correntes e a melhora dos indicadores de solvência externa, com aumento do nível de reservas internacionais, contração da dívida externa e diminuição dos pagamentos de juros, indicam que não é necessária uma elevada contração do produto para o equilíbrio do balanço de pagamentos em caso de crise externa”, diz ele.

Cristiano Romero é repórter especial

 

CCJ aprova promoção post mortem de Vinícius de Moraes a ministro de primeira classe

O poeta e compositor Vinícius de Moraes, diplomata de carreira, será promovido post mortem ao cargo de ministro de primeira classe do Itamaraty.

A matéria, inciativa do próprio Executivo, foi votada pela Comissão de Comissão de Justiça (CCJ) do Senado e agora só depende de uma votação em plenário para ir à sanção presidencial.

Com isso, a pensão paga à família passará a ter o valor referente a de um primeiro ministro e não mais de primeiro secretário, cargo que ele ocupava.

Código de Processo Penal, aposentadoria, estágio e bolsas de pesquisa – A mesma CCJ deve votar hoje a reformulação do Código de Processo Penal (CPP). A proposta sugere o processo penal do tipo acusatório, a garantia do sigilo da investigação e a preservação da intimidade dos envolvidos.

O relator do texto, senador Renato Casagrande (PSB-ES), diz que a reforma tem como objetivos sintonizar o CPP com a Constituição Federal de 1988, estabelecer definições e tarefas claras para os diferentes operadores da Justiça, agilizar o processo penal e limitar o número de recursos.

A CCJ também pode decidir hoje se deve passar a constar da Constituição norma que assegura a inclusão de período de estágio e de estudos custeados por bolsas na contagem de tempo necessário à concessão da aposentadoria e demais benefícios previdenciários.

A informação é da Agência Brasil

 

Lula critica EUA por desobedecerem à OMC

Diante de uma platéia de 120 empresários brasileiros e palestinos, em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou novamente os Estados Unidos por não cumprirem a decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) para que retirem os subsídios aos seus produtores e exportadores de algodão.

Lula afirmou que a resistência dos EUA levará o Brasil a adotar as retaliações, de US$ 829 milhões, já autorizadas pela OMC. E também culpou Washington pelo fracasso da Rodada Doha e por defender uma liberalização comercial que apenas traga proveito aos EUA.

A decisão brasileira sobre a retaliação a 102 bens americanos deverá ser tomada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) no início de abril, caso não seja concluída a negociação de uma alternativa temporária à eliminação dos subsídios ao algodão.

No fim deste mês, será concluída a consulta pública sobre os segmentos que podem submetidos a sanções na área de propriedade intelectual. Mas a decisão final ainda demandará estudos técnicos.

“Quando nós ganhamos na OMC, achamos que os EUA iam dar o exemplo de cumprimento, de obediência a uma decisão multilateral. Qual a nossa surpresa porque os EUA não acataram a decisão da OMC, impondo ao Brasil a necessidade de fazer alguma retaliação aos produtos americanos”, afirmou o presidente brasileiros.

A informação é do Monitor Mercantil

 

Ciro Gomes afirma que é intolerável que SP, RJ e BH não tenham um metrô que atenda bem a população

Para deputado, isto só será possível com o governo federal, estados e municípios   trabalhando juntos e a União priorizando as obras nas cidades que mais precisam

Para o pré-candidato à Presidência da República e deputado federal, Ciro Gomes (PSB-CE), é intolerável que São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte não tenham uma malha de metrô que atenda a demanda de suas populações. De acordo com Ciro Gomes, o Brasil paga de juros da dívida interna 180 bilhões de reais por ano.  “Só para ter uma ideia, 10% disto, que não precisa ser usado num ano só, uma vez que não dá para fazer um metrô em menos de cinco anos, dá para entregar uma malha de metrô que atenda plenamente a população de São Paulo, que tem um custo por volta de 18 bilhões. E por que não se usa esse dinheiro para resolver um problema que aflige milhões e milhões de pessoas diariamente? Porque falta vontade política.”, completa o deputado.

“A desculpa é sempre a mesma”, afirma o deputado, “a falta de dinheiro. Mas, como podemos ver, isso não é verdade. Dinheiro tem. Precisa saber usar e mais que isso,  ter vontade de usar e parar com essa conversa, que ninguém agüenta mais, que a obra é minha, é sua, ou daquele outro. Se os governos não trabalharem juntos, nunca vamos sair desse impasse”.

“Hoje, a responsabilidade de fazer o metrô é, na maioria dos casos, dos prefeitos e eles não têm um centavo, nem têm condições nenhumas porque as obras são muito caras. Os governos dos estados têm tarefas para fazer porque cada vez mais as cidades estão emendando umas nas outras, e aí, só o prefeito de uma cidade não pode fazer e o dinheiro, praticamente, não existe fora do governo federal”, explica Ciro Gomes.

 O pré-candidato à Presidência diz que a solução para o transporte público no país começa em priorizar as obras. Segundo ele, o governo federal tem que financiar primeiro para quem precisa primeiro. “É flagrante que as grandes cidades são as que mais sofrem. Então, temos que resolver no mais breve espaço de tempo possível, que não é pequeno,  quem vai fazer o que, o dinheiro e o projeto para amenizar o problema, começando por  São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde os problemas de transporte público são mais graves.”

Para Ciro Gomes, não é tolerável que o trabalhador destas grandes cidades esteja praticamente tendo a terceira jornada de trabalho dentro de ônibus, “pela qual ninguém lhe paga um centavo, estragando a vida da pessoa porque sai de casa de madrugada e chega à noite esfolado. Qual o tempo que ele tem para a família, para a mulher, para ele próprio ter alguma oportunidade de lazer?”

“A população precisa saber que só os três poderes juntos podem resolver esse impasse e tem que cobrar do presidente do governador, do prefeito a solução para esses problemas. Os políticos brasileiros precisam sair da conversa fiada, de ficar falando sobre projetos mirabolantes e começarem a tratar dos problemas reais do país, como a educação, a segurança, o transporte público, a qualificação para o mercado de trabalho e a saúde, que são as preocupações das pessoas, é o que faz com que o cidadão não possa progredir, não tenha uma qualidade de vida melhor, que todos nós merecemos”, completa Ciro Gomes.

A informação é de Luiza Serpa, assessora Ciro Gomes

 

Grécia quer dinheiro a taxas mais baixas

A Grécia não está pedindo qualquer tipo de ajuda financeira à União Européia, mas quer medidas institucionais para reduzir a especulação dos mercados financeiros e ter acesso a empréstimos mais baratos no mercado, disse nesta terça-feira o primeiro-ministro grego, George Papandreou. “Temos dito que não estamos pedindo dinheiro, mas precisamos de algum tipo de instrumento para intervir e garantir que possamos tomar recursos emprestados com taxas semelhantes às de outros países da Zona do Euro, que não sejam tão caras para a Grécia”, afirmou Papandreou em entrevista concedida após encontro com o premiê húngaro, Gordon Bajnai.

Com agências

 

ONU: O cassino global voltou

A Organização das Nações Unidas (ONU) constata a volta do “cassino financeiro internacional” e alerta que a “exuberância” nos mercados ameaça de forma “dramática” a competitividade brasileira diante do risco da valorização da moeda do país. A advertência foi feita pela Conferência da ONU para o Desenvolvimento e Comércio (Unctad), que voltou a propor a criação de um sistema monetário global – uma espécie de OMC para o câmbio – que evitaria a volatilidade entre moedas e eventuais ataques especulativos.

A entidade publicou avaliação sombria sobre o mundo pós-crise, advertindo que os bons resultados das bolsas não correspondem à retomada da economia real.

E adverte que novas bolhas estão se formando, ameaçando mais uma vez o sistema financeiro global. Para a ONU, é injusto responsabilizar a China e sua moeda pelo reequilíbrio do sistema global.

E critica a pressão de governos europeus e dos Estados Unidos pela desvalorização do iuan: “O cassino, que esteve vazio em 2009, voltou a estar lotado e muitas apostas estão sobre a mesa”, diz a entidade, apontando como o mercado financeiro voltou a apostar em moedas e promover atitudes semelhantes às que acabaram gerando a crise financeiro.

“A comunidade internacional permitiu que a incoerência cambial reinasse antes e depois da crise” , alerta a ONU.

A entidade destaca que os mercados manipularam moedas a ponto de fazer bancos centrais parecerem “órfãos” e que a atuação de bancos e investidores privados no mercado de moedas já voltou aos níveis anteriores à crise.

Para a ONU, a alta das bolsas de valores, os preços de commodities e outros fenômenos não estão alinhados com a economia real, que apenas sofre uma recuperação moderada.

Com a volta desses fluxos de capitais, a constatação é de que países se depararam com um volume enorme de dinheiro que não pode ser colocado para uso produtivo, afetando preços no mercado doméstico e gerando distorções comerciais.

A informação é do Monitor Mercantil

 

Flávio Dino desafia Roseana Sarney para debate no Congresso do PT

Pré-candidato ao governo do Estado, o deputado federal Flávio Dino (PCdoB) propôs a realização de um debate entre ele e Roseana Sarney durante o Encontro do partido, nos dias 26 e 27 de março.

“Estou totalmente à disposição para debater no Encontro do PT com os demais pré-candidatos a governador, como a lei eleitoral autoriza”, afirma o comunista em seu blog na internet.

A direção do partido examina a possibilidade de convidar Flávio Dino e Roseana Sarney um debate na abertura do evento. Os dois dividem o voto dos 175 delegados. A ala do partido, liderada pelo deputado federal Domingos Dutra, apresentou tese defendendo aliança com PCdoB e PSB, em torno da candidatura de Flávio Dino. Já o grupo, comandado por Washington Luiz, defende coligação com o PMDB, PCdoB e outros partidos que formam a base do governo Lula. Porém, envergonharam-se de citar o nome de Roseana Sarney no documento, embora defendam o apoio à peemedebista.

“É uma boa oportunidade para os delegados (do PT) avaliarem quem merece mesmo o voto deles. Será que ela (Roseana Sarney) topa? Acho que não”, tuitou o deputado estadual Rubens Junior (PCdoB).

O debate seria aberto às perguntas dos delegados aos dois pré-candidatos para que estes avaliem qual melhor pré-candidatura ao governo do Estado.

A informação é do Jornal Pequeno

 

Funasa faz intercâmbio de Saúde Indígena com Equador

Cinco técnicos em Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) embarcaram para o Equador nesta quarta-feira (17) para participarem de um Encontro na capital Quito, até o dia 28 de março com objetivo de capacitar técnicos equatorianos em gestão e prática sanitária no contexto intercultural relacionado às populações indígenas. 

Entre os profissionais estão o Chefe do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI/MS) Nelson Olazar que fará uma apresentação sobre o Sistema de Informação do DSEI e o técnico em enfermagem da Aldeia Jaguapirú (Dourados) Silvio Ortiz, que apresentará um Painel sobre a importância do Intercâmbio Indígena e Cultural.

O Encontro faz parte do cumprimento ao acordo bilateral entre Brasil e Equador para a elaboração de um Processo de Normatização do Sistema Nacional de Saúde – Subprocesso de medicina intercultural.

Segundo Nelson Olazar a intenção além da troca de experiências é “promover uma visão crítica das práticas sanitárias utilizadas em atenção de saúde pública indígena com base em experiências realizadas no Brasil e Equador, permitindo reflexão a partir dos modelos de atenção básica e realidade de cada país”, destacou.

O coordenador regional da Funasa em Mato Grosso do Sul, Flavio Britto ressaltou a importância do convite aos profissionais do Estado, que é apontado como referência nacional em gestão participativa e organização de dados, na atenção básica à saúde indígena da segunda maior população do país, 68.792 índios de oito etnias.

A informação é do Agora MS

Estados produtores lutam contra emenda de Ibsen

A defesa dos royalties do Rio não prejudica a luta para mudar o marco regulatório do petróleo em favor da produção nacional, que deve gerar emprego e desenvolvimento no Brasil. A opinião é do presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, que participou de ato na Assembléia Legislativa contra a emenda do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), aprovada na Câmara Federal, que redistribui os royalties e participações, irá prejudicar o Rio já neste orçamento e vai gerar perdas de R$ 7 bilhões ao estado, caso passe no Senado.  

“Vamos lutar para evitar que os royalties sejam roubados do Rio de Janeiro e outros estados produtores como Espírito Santo e agora São Paulo. São interesses constitucionais do Rio de Janeiro, que já foi prejudicado quando o atual governador de São Paulo, José Serra, quando senador, propôs e conseguiu que o ICMS do petróleo (e da energia) fosse recolhido no estado consumidor. Com isso o Rio de Janeiro foi violentamente roubado, já que os demais produtos, como o minério que vem de Minas, tem o ICMS pago pelo produtor. Um item da Constituição foi alterado para beneficiar o Estado de São Paulo, em prejuízo do Estado do Rio de Janeiro”, lembrou.

Bogossian elogiou a união dos três poderes, em nível estadual, em prol dos interesses do RJ. “É inaceitável que um político fluminense não zele pelos interesses do povo alegando problemas com o governador. O Rio foi abandonado pelo poder central desde que deixou de ser capital da República. Estamos vendo o emprego ressurgir, obras acontecerem, a partir da articulação entre prefeitura, governo do estado e federal em prol do desenvolvimento a partir de eventos internacionais. Contamos com o senado para derrubar esse projeto ilegal”, disse, criticando os deputados fluminenses que se ausentaram ou votaram a favor da emenda Ibsen.

O presidente do Clube de Engenharia prometeu recorrer até ao judiciário, caso seja derrubado o provável veto do presidente Lula. Ele atribuiu às eleições a ampla maioria em favor da nova lei. “Eu teria vergonha do meu deputado se ele roubasse um vizinho para dar comida ao outro”.

Bogossian chamou de “tese fictícia” a idéia de que o petróleo deve ser dividido por todos por pertencer à União. “O Estado do Rio e cidades envolvidas vão sofrer com a exploração do petróleo. Basta visitar Macaé para ver os transtornos que estão sendo causados. Não é o fato de estar distante da costa. As cidades, inclusive, precisam ser preparadas para quando as reservas acabarem”, resumiu, elogiando a união política “em torno dos interesses do povo” que, segundo o presidente do Clube de Engenharia, começa a acontecer no Rio.

A informação é do Monitor Mercantil

Brasil defende aplicação mundial de seu programa de igualdade racial

O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, defendeu o “fim estratégico” da política de igualdade e integração racial do Governo e a necessidade de colocar estas reformas na agenda das Nações Unidas para que outros países possam se beneficiar da iniciativa.

Santos participou nesta quarta-feira da conferência “As políticas de igualdade étnico-racial na região ibero-americana: O modelo brasileiro” na sede da Secretaria-Geral Ibero-Americana (Segib), em Madri. Ele falou das ações inovadoras aplicadas nesse campo pelo Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A conferência contou com a presença, entre outros, do secretário-geral Ibero-americano, Enrique Iglesias, que afirmou que o Brasil é uma referência para a América Latina na aplicação de políticas de integração social.

A igualdade “é um dos pilares de nossas democracias”, disse Iglesias. Ele insistiu na necessidade dos Governos prestarem atenção no modelo brasileiro.

“Tivemos a oportunidade de assinar (com a Segib) dois protocolos de colaboração destinados a promover a igualdade na sociedade ibero-americana”, disse Santos.

Essas e outras ações, como a criação de um portal na internet para apresentar a experiência de integração racial brasileira, “tem o desafio de consolidar a agenda de ações entre o Brasil e a comunidade ibero-americana”, disse o ministro.

Vereador no Rio de Janeiro durante 18 anos, deputado e agora ministro, Santos foi o candidato negro mais votado nas últimas eleições. “É preciso construir um ambiente democrático, uma maioria que defenda essa política de integração racial”, afirmou.

O ministro apresentou algumas estatísticas sobre o êxito das ações empreendidas em seu país na luta contra a pobreza e a favor da integração dos afrodescendentes.

“A população negra está na base da pirâmide social e é vítima de uma vulnerabilidade maior”, disse Santos. Segundo ele, desde que Lula assumiu o poder, em janeiro de 2003, cerca de 10 milhões de negros ascenderam socialmente.

Enquanto em 1990, a pobreza afetava 37,1% dos negros do país, em 2008 esse número passou para 6,6%. Já a taxa de analfabetismo, que afetava 25,7% dos negros em 1992, foi para 13,6% em 2008, embora ainda fique longe dos números atribuídos à população branca (6,2% em 2008).

A melhora na qualidade de vida da população afro-brasileira também se reflete em âmbitos como o acesso à habitação e o acesso a serviços básicos, como a água e a eletricidade.

Como conclusão, Iglesias ressaltou as oportunidades que este tipo de atuação estatal tem na política externa latino-americana, tendo em vista a expansão das relações com os países africanos, muitos dos quais foram visitados por Santos para expor a revolução da igualdade liderada pelo Brasil.

“Necessitamos desse tipo de políticas ativas. Sem elas não se pode avançar”, disse o responsável pela Segib. “É preciso lembrar que não pode existir região ibero-americana sem as sociedades indígena e negra”, acrescentou.

Com agências

 

Sonda da ESA fotografa filamentos de poeira na Via Láctea

aaaaanasaA ESA, agência espacial europeia, divulgou nesta quarta-feira a imagem de grandes filamentos de poeira cósmica presentes através da Via Láctea, a galáxia da Terra. A estrutura filamentosa foi fotografada pelo satélite espacial Planck a cerca de 500 anos-luz do Sol.

Segundo os cientistas, a análise aprofundada dessas estruturas poderiam ajudar a determinar as forças que moldam a Via Láctea e estimulam a formação de novas estrelas. A sonda Planck foi lançada com a missão de estudar os maiores mistérios da cosmologia como a origem do universo e das galáxias.

Os filamentos de poeira estão ligados à linha horizontal sob a cor rosa na parte inferior da imagem. Naquele local, a emissão de pó cósmico percorre distâncias maiores vindo do disco da Via Láctea.

A temperatura na região onde está a linha horizontal rosada é de algumas dezenas de graus acima do zero absoluto, enquanto o frio predomina nas zonas em que as cores são mais escuras, atingindo até -261°C. A poeira cósmica, ou matéria interestelar, é um conjunto de matéria e de radiação que preenche o espaço interestelar e sua origem ainda não é bem entendida pelos astrônomos.

Com agências

 

Decisão sobre royalties da mineração é “delicada”, diz Lobão

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta quarta-feira que a questão dos royalties da mineração é “delicada no Brasil”. Segundo ele, apesar de os valores dos royalties pagos atualmente serem baixos, a carga tributária brasileira é alta, o que dificulta a definição sobre o melhor percentual a ser pago pelas empresas mineradoras pela exploração.

“Nós estamos concluindo estudos com o Ministério da Fazenda, estudando o que fazer com os royalties que são baixos no Brasil. Porém, existe uma carga tributária elevada, nós não podemos retirar de nossos mineradores a competitividade no exterior. Então é uma questão delicada que precisa ser examinada com a razão e não com a emoção”, disse o ministro ao sair de audiência pública sobre o novo código mineral na Câmara dos Deputados.

Ele disse acreditar que, sem alterar a carga tributária, os royalties do setor mineral possam ficar em torno de 6%. O ministro confirmou que o governo estuda uma legislação específica sobre o assunto numa comissão entre os ministérios de Minas e Energia e Fazenda. “O governo vai propor ao Congresso uma legislação sobre essa questão. Não se decidiu ainda que rumo tomará, está estudando ainda. Acredito que em 30 dias teremos uma posição”, disse o ministro.

Na terça-feira, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza, disse que defende que o governo vete qualquer emenda sobre royalties – tanto nos projetos do pré-sal quanto nos do novo marco regulatório da mineração. Segundo ele, o ideal é que o governo faça um projeto único sobre o assunto que valha para todos os produtos minerais, petróleo inclusive.

Hoje o ministro voltou a afirmar que o governo pode vetar a emenda de autoria do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), que altera o texto original do projeto de partilha do pré-sal, distribuindo os royalties igualmente por todos os estados da federação. “O governo estudou profundamente essa questão. O Congresso tem a liberdade de melhorar os projetos que mandamos. Naquilo em que o governo não concordar, nós vamos vetar”, disse.

Ele falou ainda sobre a possível retirada da urgência constitucional para os projetos do pré-sal no Senado. De acordo com Lobão, se o presidente da Casa, José Sarney, e os líderes partidários solicitarem, a urgência pode ser retirada. “O que não impede o governo de recolocar a urgência se houver um atraso maior que o esperado”, afirmou o ministro. Ele disse que a expectativa é de que os projetos sejam finalizados no Congresso até o fim do primeiro semestre.

A informação é da Agência Brasil

 

Indústria e governo firmam acordo por qualidade de casas do PAC

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (Cbic), a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades firmaram nesta quarta-feira acordo setorial para garantir a qualidade das construções incluídas em programas habitacionais e de infraestrutura geridos pelo ministério e operados pela Caixa. O acordo inclui obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O objetivo é enquadrar as construções nas normas do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H). Nesta semana, foram constatados problemas em habitações construídas no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, que estavam incluídas entre as obras do PAC.

O ministro das Cidades, Márcio Fortes, disse acreditar que isso aumentará o controle para evitar problemas como o que ocorreu no Morro do Alemão. “Quando tratamos de qualidade, estamos tratando exatamente de excelência e de utilização de insumos que obedeçam às normas técnicas.”

Segundo o ministro, com o acordo, passa-se a pensar não só na qualidade dos insumos e dos métodos de construção, mas também na excelência de gestão das empresas. “A empresa tem que estar neste contexto de qualidade, que vai da ponta do insumo até a sua qualidade de gerenciar projetos, porque a gente espera a execução com qualidade, rapidez e durabilidade. Sendo assim, ela também poderá reduzir preços, ser mais eficaz e mais eficiente”, afirmou.

Para o presidente da Cbic, Paulo Simão, o acordo firmado hoje é importante porque vai garantir a qualidade dos projetos na área da construção e induzir as empresas incluídas no programa a aperfeiçoar, cada vez mais, seus projetos e práticas.

Pelo acordo, as empresas construtoras serão certificadas pelo Sistema de Avaliação da Conformidade de Serviços e Obras (Siac) do PBQP-H, seguindo critérios por número de unidades habitacionais. Caberá à Caixa exigir das empresas que executem as obras de acordo com os critérios da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O acordo foi assinado pelo ministro das Cidades, pelo presidente da Cbic e pelo vice-presidente da Caixa, Jorge Hereda.

A informação é da Agência Brasil

 

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