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Dilma comanda reação a diatribes de FHC

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O governo saiu em bloco para responder as críticas feitas pelo ex-presidente neoliberal Fernando Henrique Cardoso (FHC). A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que não deixará de fazer comparações entre o que foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu antecessor. “Não estou desmerecendo ninguém, estou dizendo que nosso caminho é melhor”, disse.

Em artigo publicado ontem no jornal O Estado de S. Paulo, FHC afirmou que Lula, levado por “momentos de euforia”, está inventando inimigos e enunciando inverdades. O ex-presidente direitista, com seu habitual palavreado rasteiro, dise que Lula se deixando “contaminar” por “impulsos tão toscos” e mostrou disposição para entrar no embate das realizações de cada governo. “Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa”, provocou.

FHC, diria o ex-jogador Romário, calado é um poeta. Para Dilma, o que o governo defende é uma comparação para a escolha de caminhos. “Essa é a forma de nós confrontarmos as possibilidades”, disse a ministra. O ex-presidente direitista afirmou em seu artigo que a estratégia adotada pelos governistas seria uma tentativa de ganhar as eleições “com o retrovisor”.

Dilma rebateu. “Comparar não é ficar olhando pelo retrovisor. Comparar é discutir que caminho vou seguir”, disse. “Sem sombra de dúvida, houve passos no governo anterior, agora, o que estou dizendo é que o nosso caminho é melhor.”

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também defendeu a política de comparações e disse que o PT está disposto a debater com os tucanos suas propostas para o futuro. “Assim que mostrarem o que querem fazer, nós vamos comparar com aquilo que queremos fazer daqui para frente”, afirmou

O ex-presidente neoliberal argumentou em seu artigo que o governo ignora dados e insiste em contar sua versão dos fatos para tentar “desconstruir o inimigo principal”, os tucanos. O empréstimo feito pelo país em 2002, no FMI, foi um dos exemplos citados por FHC de custos enfrentados pelo país por anos de “bravatas” do PT que hoje são ignoradas pelos petistas.

Dilma desmontou a argumentação. “O governo pediu US$ 14 bilhões porque só tinha US$ 16 bilhões de reservas e tinha atrelado sua dívida interna ao dólar”, disse. “Hoje, temos reservas de US$ 240 bilhões, essa a diferença.”

Segundo a ministra, a de cisão de atrelar a dívida ao dólar acabou tendo efeitos perversos. “Cada vez que havia uma desvalorização, a dívida das empresas, a dívida do governo se multiplicava na proporção da desvalorização”, disse. “Diante de cada crise o governo quebrava, ele era parte do problema.”

Para Dilma, o atual governo mudou o papel do Estado. “Na hora que a coisa ficou preta, quando acabou o crédito internacional e nenhum banco privado emprestava, foram os nossos bancos públicos que seguraram”, comentou. “Não vamos comparar desta vez que o governo brasileiro foi parte da solução?”

A tentativa de colar a imagem do governo com sinais de mudanças radicais também não faz sentido, disse. “O pessoal está um pouquinho atrasado, nem em Davos a gente recebe mais essa crítica.”

Citado no artigo do trêfego FHC, o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, disse que quem não reconheceu os feitos do governo passado foi o candidato tucano ao Planalto em 2006, o ex-governador Geraldo Alckmin. “Quem escondeu os progressos do governo dele foi o Alckmin. Ele ficou envergonhado de defender o governo FHC”, provocou Dutra.

Em seu artigo, FHC disse que Dutra, que já presidiu a Petrobrás, reconheceu que votaria contra uma eventual proposta de volta ao monopólio do petróleo, tema defendido por muitos anos pelo PT. Dutra confirmou essa posição e disse também que já elogiou outra medida tomada pelo governo FHC, hoje alvo de críticas dos próprios tucanos.

“Um dos grandes motivos para o crescimento da Petrobrás foi a agilidade que ela ganhou a partir do momento em que não teve mais de cumprir a 8666 (Lei de Licitações). Agora o TCU bombardeia esse decreto, que é do governo FHC, e a oposição fica do lado do TCU”, disse.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo

Assédio moral assombra a LG

Por quase uma semana, os funcionários da coreana LG Eletronics de Taubaté — em torno de 2,4 mil — interromperam a produção de cerca de 300 mil unidades com o objetivo de brigar pelo cumprimento de um acordo de promoções e para protestar contra o assédio moral por parte de alguns executivos. A greve terminou na sexta-feira, depois de um acordo entre o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e a empresa, intermediado pelo Tribunal Regional do Trabalho de Campinas (SP).

O fim do assédio moral é um tipo de reivindicação comum nas pautas sindicais, mas o excesso de queixas, segundo o sindicato, mobilizou os funcionários. A empresa, segundo a entidade, se comprometeu a mudar suas práticas. Os trabalhadores falam de insultos, palavrões e maus tratos.

Depois de um tapa nas costas e um rosário de insultos, Simone de Gouvêa Rosa, de 35 anos, recorreu à Justiça. Desde junho de 2007 briga por uma indenização. A acusação é de agressão moral e física. O acusado, diretor da área de celulares, é conhecido por todos como Mister Ahn. Em caso de condenação da empresa, o valor será determinado pelo juiz.

Após um acordo, ficou acertado que, até a decisão do juiz, Simone continua vinculada à empresa. É funcionária, recebe o salário e demais benefícios, mas fica em casa. Não pode procurar emprego nem ter atividade remunerada. Depois de tanto tempo, ainda tem de conviver com as perguntas inconvenientes de quem quer saber por que levou um tapa do diretor coreano. Até o filho único, de 13 anos, é atormentado pela curiosidade dos colegas de escola.

Simone entrou na LG em 2001. Acordava às 5 da manhã, ainda com o céu escuro, preparava o filho para a escola e chegava à fábrica às 7h15. O expediente terminava às 17h18. Parava10 minutos para o café da manhã, tinha pausa para o almoço e outra para o lanche da tarde. Mas, segundo ela, precisava pedir para ir ao banheiro ou tomar água. “Se ninguém estivesse livre para me substituir, tinha de segurar a vontade”, diz. Seu trabalho era testar baterias e colar adesivos nos aparelhos.

Em junho de 2007, quando a produção de monitores estava mais tranquila e a de celulares acelerada, alguns funcionários, entre eles Simone, foram recrutados para mudar de departamento por uma semana. O grupo teve de aguardar em uma sala para receber mais instruções para a hora extra que faria. Ela conversava com Adriano Calais, então integrante da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), para ter detalhes sobre como seria a Participação de Lucros e Resultados (PLR). Mr. Ahn, segundo ela, entrou na sala, deu um tapa estalado nas costas dela e gritou em coreano.

Abalada, a funcionária diz que passou por um psiquiatra e uma psicóloga e teve de tratar da depressão com muitos remédios. “Tomava calmantes, não conseguia dormir. Naquela época não conseguia sair de casa, nem tirava o pijama, ficava enfiada no quarto o dia inteiro à base de antidepressivos.”

Ainda hoje Simone se desestabiliza ao lembrar do caso. Chora e diz ter pesadelos. “Ele olhava nos meus olhos, gritava comigo, gesticulava muito. Fiquei paralisada, me senti assustada e não consegui reagir”, diz.

O marido fez o possível para ajudar na recuperação. Numa saída para jantar, ela simplesmente travou ao passar pela porta do restaurante e ver uma mesa cheia de coreanos da LG, entre eles Mister Ahn.

Desgastada, Simone espera encerrar o processo e, pouco a pouco, “voltar à rotina, arranjar outro emprego, ter a minha independência novamente e uma vida social”.

PALAVRÃO

João, nome fictício, é funcionário da LG há nove anos. Relata que a relação com os chefes coreanos é difícil. Ele diz que uma das primeiras coisas que os novatos costumam fazer, até por instinto de defesa, é aprender palavrões em coreano para tentar acompanhar o que os executivos dizem nas rodinhas de conversa.

Em março do ano passado, João ajudava o supervisor em outra linha de produção. Conta que Mister Ahn, aparentemente insatisfeito com a presença do funcionário, o xingou no idioma natal. “F.d.p.”, teria dito. “Respondi que sabia o que ele estava falando e disse “é a sua mãe”, pronto para bater nele. Chorei de raiva. Pensei na minha mãe que me colocou no mundo. Ela é o quê, uma vadia?”

João foi ao ambulatório da empresa, tomou um calmante e pediu providências. Mister Ahn teve de pedir desculpas formais. Ele tentou entrar com uma ação na Justiça, mas teve de interromper o processo por falta de testemunhas. “Será que ele é bipolar? Na semana passada dizem que ele jogou um notebook no chão num momento de fúria.” A empresa nega.

A LG informou, em nota, não existir uma cultura dominante na empresa: “O objetivo é fazer com que a cultura local e a coreana se integrem, transformando a forma de trabalhar, conviver e interagir em um misto das duas culturas, na qual o que prevalece é o melhor de cada uma.”

Dos cinco mil funcionários no País, 64 são coreanos, espalhados por Taubaté, Manaus e o escritório de São Paulo. Sobre a acusação de assédio moral, a LG diz que as queixas podem ser feitas à matriz. “Caso seja apurada uma infração, as providências são imediatamente tomadas pela matriz, que acionará os responsáveis no País”, explica a nota.

Para Roberto, outro nome fictício, a cultura coreana é muito diferente da nossa. “Para eles, é normal chamar a atenção de um funcionário na frente dos outros ou simplesmente não falar com os subordinados. Mas não é assim que agimos”, ressalva. Ele também viu cenas inusitadas na LG. A máquina que fechava as caixas de monitores estava com um defeito e não fazia o lacre corretamente. Um diretor coreano chamou a equipe para uma reunião e arremessou uma caixa com o monitor no chão. “Tranquilo, ele saiu para fumar com os outros coreanos como se nada tivesse acontecido”, afirma.

Para Roberto, estar na LG é um “desgaste psicológico”. Se pudesse, mudaria de emprego. “Quando fui admitido, imaginava que seria o lugar do futuro. Afinal, lá se faz tecnologia.”

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

Incentivo à inovação é “ilusório”, afirma Iedi

Prioridade na Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) do governo Lula, a inovação é uma atividade restrita a um número ainda pequeno de empresas no Brasil. Do total de 4,4 milhões de empresas de diferentes segmentos, apenas 30 mil se declaram inovadoras e só 6 mil realizam atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Para a entidade, o sistema de incentivos brasileiros é pouco eficaz para alavancar o gasto privado em P&D o suficiente para mudar de forma radical o quadro da inovação no País.

“O Brasil precisa construir sua capacidade inovadora para ter uma pauta de produção industrial e de serviços mais sofisticada. Só vamos conseguir participar competitivamente do mercado global se tivermos uma base inovadora forte”, avalia o presidente do Iedi, Pedro Paulo Passos.

Cerca de dois terços de todos os recursos contabilizados pelo governo como incentivo a atividades de P&D do setor privado – algo como R$ 3,2 bilhões, em valores de 2008 – são, em boa parte, ilusórios, afirma estudo do Iedi. Trata-se dos recursos provenientes de incentivos fiscais e subvenções da chamada Lei de Informática (1991), principal mecanismo de apoio público ao esforço privado.

Na avaliação da entidade, a Lei de Informática é muito mais uma contingência da necessidade de equilibrar os incentivos concedidos na Zona Franca de Manaus à realidade tributária do restante do País do que propriamente uma lei de P&D. “Se não houvesse o incentivo, a produção migraria em massa para a Zona Franca ou seria importada”, explica o economista do Iedi, Rogério César de Souza.

“Não temos nenhuma crítica à Lei de Informática. Apenas não achamos correto incluí-la no conjunto de incentivos à inovação”, comenta o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio Sergio Gomes de Almeida, que contribuiu para a elaboração do documento do Iedi. “Ela resolve um problema, mas não o da inovação”, ressalta.

Considerando-se todos os instrumentos, o apoio público ao gasto privado em P&D é da ordem de R$ 5,2 bilhões (dado de 2008), o equivalente a 0,18% do Produto Interno Bruto (PIB), o que colocaria o Brasil entre os países que mais incentivam a inovação. No entanto, excluindo a Lei de Informática, o montante cairia para cerca de R$ 2 bilhões, ou 0,07% do PIB, um porcentual considerado baixo quando comparado a outros países, em especial os principais concorrentes do Brasil.

“Com a Lei de Informática, nosso padrão de incentivos é comparável ao francês, acima do japonês e do norte-americano. Sem ela, o padrão é mexicano”, diz Gomes de Almeida.

LULA PEDE MAIS INOVAÇÃO

Na semana passada, tanto o presidente Lula quanto o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, convocaram os empresários a investir em inovação. “O momento é de investimento em inovação tecnológica e isso vai fazer toda a diferença para o crescimento e desenvolvimento do Brasil”, disse Lula, quarta-feira, em seu programa de rádio “Café com o Presidente”.

O presidente do Iedi é da mesma opinião. Para ele, o fato de o Brasil ainda investir pouco em inovação não é um problema só de governo, mas também de mobilização da iniciativa privada. “É preciso criar alguns mecanismos que facilitem a entrada da iniciativa privada, mas ela também precisa abraçar essa causa, acreditar que isso funciona e dá resultado”, afirma Passos.

O gasto das empresas em P&D atingiu R$ 15,16 bilhões em 2008, o que corresponde a 0,51% do PIB. Para elevar esse porcentual para 0,65%, tal como proposto pela atual política industrial, seria preciso rever a forma de incentivar as empresas, diz o documento do Iedi. Exigiria que o apoio governamental subisse de 0,07% para 0,09% do PIB, aumento de 30%.

Imposto alto é maior obstáculo à pesquisa

As empresas querem inovar, mas o custo ainda é considerado alto para o risco do investimento, segundo pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Para as empresas, os principais obstáculos aos investimentos em atividades inovadoras são decorrentes do desequilíbrio do trinômio câmbio-juros-carga tributária.

Nos últimos dois meses, a entidade ouviu 334 empresas, que listaram as dificuldades que enfrentam para investir em inovação. A mais citada – por 59% dos entrevistados – foi a elevada carga tributária incidente sobre os gastos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), seguida da alta taxa de juros e dos custos de financiamento (58%) e da valorização do câmbio (55%).

“Ainda persistem sérios problemas relacionados aos riscos econômicos que influenciam negativamente a capacidade de inovação do País”, diz o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, que coordenou a pesquisa.

“Especialmente no caso das pequenas e médias, investir em algo novo para uma demanda incerta é uma ousadia que pode ser desempenhada apenas por um grupo restrito.”

A Brapenta, empresa de médio porte que fabrica equipamentos de inspeção e detectores de metais na linha de produção, tem feito “ginástica” para conseguir investir 10% do seu faturamento em pesquisa e inovação. “Exportamos para 30 países e ficamos numa situação de grande desvantagem totalmente expostos ao fogo cruzado do exterior”, diz o presidente da empresa, Martin Izarra.

Segundo ele, as dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem o investimento no País são tamanhas que serviu de inspiração para o lema interno da empresa: “Temos que ser mais inteligentes que os nossos concorrentes para compensar o custo Brasil”.

Roriz Coelho nota que, embora a criação de linhas de financiamento à inovação seja um fenômeno relativamente recente no País, já é possível observar muitos avanços. Porém, na avaliação dele, seria preciso tornar o financiamento mais adequado às empresas. “A estrutura do financiamento das atividades de P&D precisa ser melhor distribuída e menos concentrada em recursos próprios das empresas”, afirma.

Além disso, acrescenta o diretor da Fiesp, os instrumentos de desoneração dos investimentos em inovação hoje são restritos somente às empresas de lucro real, que representam só 10% das companhias do País.

Nesse seleto grupo está a Natura, líder no setor de cosméticos. Os investimentos da empresa em pesquisa alcançam R$ 120 milhões por ano, equivalentes a 3% do seu faturamento líquido. “Isso tem propiciado um índice de inovação bastante forte”, diz o copresidente do Conselho de Administração da Natura, Pedro Paulo Passos, que preside também o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

“Mais de 65% da nossa receita vem de produtos lançados nos últimos dois anos” , explica Passos. Boa parte das novas tecnologias em estudo na companhia está nas mãos de uma rede de parceiros, que já representa uma centena de universidades e pesquisadores dentro e fora do Brasil.

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

 

Brasil vai à OMC contra subsídio ao açúcar europeu

O Brasil levou as vendas de açúcar da Europa à Organização Mundial do Comércio (OMC). O Itamaraty, ao lado de Tailândia e Austrália, pediu a inclusão do tema na agenda. A exportação europeia será discutida no dia 18 de fevereiro, em Genebra.

O Brasil denuncia a Europa por exportar açúcar subsidiado ilegalmente, mas a decisão de levar o caso à OMC ainda não significa a abertura de uma disputa jurídica. Por enquanto, o Itamaraty pedirá explicações aos europeus.

Bruxelas anunciou semana passada que autorizaria seus produtores a exportar 500 mil toneladas adicionais de açúcar em 2010, acima do teto permitido em acordo na OMC.

Produtores europeus alertam que, se o volume não for exportado, simplesmente teriam de estocar por um tempo indeterminado. Na Bélgica, 10% da colheita está estocada.

O Brasil acredita que a medida é ilegal e quer sua retirada imediata. Ha três anos, a UE foi derrotada nos tribunais da OMC depois que o País abriu uma queixa contra os subsídios dados aos produtores de açúcar. A Europa ficou proibida de exportar açúcar subsidiado acima de 1,27 milhão de toneladas.

Agora, com os preços do produto em alta, a União Europeia quer garantir sua parcela de lucro. Bruxelas disse que não se tratava de uma medida constante e que seria uma resposta à “situação excepcional no mercado mundial de açúcar”.

Segundo representantes dos governos da União Europeia , o consumo está superando a produção mundial, que foi afetada pela queda na safra brasileira em 2009 e por problemas na Índia. A cotação do açúcar dobrou em um ano.

A avaliação do Brasil é que, ao permitir uma exportação acima do teto, a UE viola a determinação da OMC e despeja no mercado uma quantidade importante de açúcar subsidiado.

A UE já tem sua resposta pronta: o açúcar exportado fora da quota não é subsidiado. Mas a avaliação do Brasil é de que não existe açúcar na Europa sem subsídio.

O Brasil não terá uma vitória assegurada se o caso for levado aos tribunais. Com os preços recorde do açúcar, é difícil provar que existe subsídio. O Itamaraty, porém, quer mostrar aos europeus de que não aceitará a violação das regras.

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

 

Países defendem taxar os bancos

A ideia de uma taxa global sobre bancos ganha força nos sete países mais ricos, que formam o G-7, mas não há ainda uma indicação de como seria cobrada. Na reunião do grupo no Canadá, ministros de Finanças deram seu aval à ideia, depois que o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou a proposta.

A meta do G-7 é ter um plano claro de como seria cobrado esse nov imposto antes da reunião do G-20, que inclui os países ricos e emergentes, como o Brasil, em meados do ano.

O projeto é que a taxa financie os custos que governos tiveram para salvar a economia mundial de um colapso, desde setembro de 2008. Dados oficiais indicam que o mundo gastou mais de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) global apenas para salvar os bancos.

Por enquanto, a única decisão dos ministros foi de encomendar um estudo para tentar viabilizar a taxa. Segundo os ministros do G-7, deve haver pelo menos duas condições para a implementação do imposto. A primeira é que precisa haver uma coordenação internacional.

Há uma semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu que o Brasil não tem a intenção de aplicar uma taxa sobre os bancos. Mas indicou seu apoio à iniciativa de Obama.

Outra condição é que a taxa não signifique um novo obstáculo para a recuperação da economia mundial. Apesar dos bilhões de dólares dados aos bancos, créditos e empréstimos não voltaram aos níveis de antes de 2008. A falta de crédito é um dos elementos que retarda a retomada do crescimento. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prometeu apresentar um estudo em abril.

“Ficou acordado que bancos terão de pagar pelo custo da crise”, disse o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble. Para Jim Flaherty, ministro canadense, os bancos devem contribuir por causa de sua responsabilidade na crise.

Christine Lagarde, ministra francesa, foi uma das que insistiram que a taxa teria de ser “universal” para evitar que bancos escapem do imposto indo para outros países, ou que bancos de economias sem impostos sejam mais competitivos.

Timothy Geithner, secretário do Tesouro americano, e Alistair Darling, seu contraparte no Reino Unido, foram os principais defensores da ideia. Mas há ainda diferenças sobre como isso ocorreria.

Os ingleses estimam que a cobrança de um imposto único de 50% sobre o valor dos bônus dos banqueiros seria suficiente. O FMI defendeu a cobrança de uma só vez de um imposto sobre os lucros dos bancos. Já o governo americano quer uma taxa permanente de 0,15% sobre transações, que poderia arrecadar US$ 117 bilhões apenas para os cofres dos EUA.

“Obviamente que temos diferenças, mas sabemos que esse é um problema que exige soluções globais”, disse Darling. “Estamos comprometidos que haja a mesma condição de competição para todos”, afirmou Geithner.

INCENTIVOS

Outra mensagem do G-7 foi que os pacotes de incentivos sejam mantidos para garantir a recuperação das economias, em um reconhecimento que a retomada do crescimento ainda é frágil. Mas o grupo admitiu que haverá uma preocupação cada vez maior em impedir que os déficits explodam.

Para o G-7, a economia mundial ainda não tem condições de crescer sem as “muletas” que os governos oferecem. Geithner pediu que países mantenham seus compromissos de ajudar os setores mais debilitados. Para ele, essas medidas evitariam que a economia mundial caia de novo em recessão.

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

 

Europa tenta sair da crise sem FMI

A União Europeia (UE) rejeita a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) e garante que a solução de seus problemas da dívida será doméstica. Mas nem a UE nem o grupo dos sete países mais ricos (G-7) conseguem convencer investidores de que a situação está sob controle.

Nesta semana, algumas capitais europeias terão suas ruas tomadas por manifestantes, enquanto os mercados devem continuar voláteis – a Bolsa de Tóquio abriu esta segunda-feira em baixa de 0,59%. Na quinta-feira, a cúpula da UE se reúne para dar uma resposta à nova crise e já se insinua que poderá haver um novo pacote.

Ontem, a reunião de ministros de Finanças do G-7, no Canadá, manteve o suspense sobre a capacidade dos governos de criar um plano de resgate das economias mais endividadas da Europa. Por mais que essas dívidas estejam corroendo a confiança dos mercados, os governos europeus deixaram claro que não vão retirar ainda os incentivos econômicos. O fim do apoio poderia jogar a economia mundial de volta à recessão.

O problema é que esses mesmos governos enfrentam um grande dilema: precisam continuar gastando para evitar a recessão, mas estão com as contas em um estado crítico. Na semana passada, o temor de calote na dívida da Grécia, de Portugal e da Espanha abalou as bolsas mundiais e o euro sofreu sua maior desvalorização em nove meses. O problema é ainda mais grave porque na crise os países (ricos) do G-7 (EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Canadá), acumularam, juntos, uma dívida de US$ 30 trilhões, mais da metade do PIB mundial.

Ministros europeus usaram o G-7 para tentar passar o recado de que a situação está sob controle. “Estamos confiantes de que governo grego tomará todas as decisões que permitam que a meta (de redução do déficit) seja atingida”, afirmou Jean Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu.

O temor dos mercados é que, apesar dos planos de redução de gastos, os gregos e outros países não tenham como financiar sua dívida. Ontem, a Grécia voltou a prometer cortar gastos.

A tônica dos europeus é que o FMI não é necessário e sua ingerência não é bem-vinda. “Dissemos a nossos parceiros que temos de resolver o problema sozinhos”, disse Jean Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, o 16 países que usam a moeda comum. O G-7 optou por tomar distância. Jim Flaherty, ministro canadense, foi claro: “Esse é um assunto que não deve ser administrado pelo G-7, mas pela UE”.

Analistas do Banco UBS indicaram que um pacote do FMI seria a solução. Mas Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, disse que a UE promete acertar a situação “com cuidado”, o que provocou a expectativa de que um plano esteja sendo preparado em Bruxelas.

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

 

Pedro Simon: Temer é “muito fraco” para ser vice de Dilma

asoimonPor Diego Salmen, na Terra Magazine

Reeleito presidente do PMDB, o deputado Michel Temer (SP) é considerado “muito fraco” para ser o vice de Dilma Rousseff (PT) na corrida pela presidência da República. A opinião é do senador e correligionário Pedro Simon (PMDB-RS), que também acusa as lideranças do partido de terem dado um “golpe”.

“A eleição estava marcada para 10 de março, e nós estávamos nos preparando para o dia 10 de março”, diz Simon, favorável à candidatura própria do partido. “Agora de repente eles marcam a eleição para este sábado”.

Temer foi reconduzido à presidência do partido neste sábado, 6, durante a Convenção Nacional do PMDB. A reunião foi realizada sem a participação das alas contrárias à aliança da sigla com o PT para as eleições presidenciais. O governador do Paraná, Roberto Requião, tem manifestado seu desejo de ser o candidato peemedebista no pleito deste ano.

“Eles fizeram uma coisa maquiavélica”, critica Simon. “E como no caso deles são eles mesmo que fizeram a chapa, não precisam provar nada, ninguém sabe nem se a chapa que eles apresentaram tinha assinatura ou não”.

Confira a entrevista com o senador:

Terra Magazine – Como avalia a reeleição de Michel Temer à presidência do PMDB?
Pedro Simon -
Eu esperava, não tinha nenhuma dúvida nesse sentido. A maioria dele no PMDB é uma coisa mais do que evidente. Nossa expectativa é que, se nós conseguirmos que haja uma convenção para votar no nosso canidato à presidência da República, na votação secreta, a maioria eleitores, que são filiados, vote no Requião ao invés de votar no candidato de outro partido. É a expectativa que nós temos.

A reeleição de Temer muda algo no partido?
Não muda nada. Não houve nenhuma decisão, a não ser reconduzir o Temer para ser vice da Dilma. Aliás um vice, na minha opinião, muito fraco.

Por que o setor do PMDB contrário à aliança com Dilma não apresentou uma chapa?
Porque a convenção era para ser no dia 10 de março, e eles escandalosamente anteciparam para 6 de fevereiro. Não havia nem tempo de apresentar a chapa. Ela precisa ter um representante de cada Estado, e esse representante tem que assinar. Não tinha nem como a gente pegar, por exemplo, uma do Amapá, de Rondônia, etc.

 

Sim…
Eles fizeram uma coisa maquiavélica. E como no caso deles são eles mesmo que fizeram a chapa, não precisam provar nada, ninguém sabe nem se a chapa que eles apresentaram tinha assinatura ou não. Agora, se é a oposição que apresenta a chapa, eles invalidam se não tiverem as assinaturas. Não tinha nenhuma condição.

Em segundo lugar, nós não estávamos preocupados com isso. Nossa briga não era com isso, embora nós achássemos que o Temer devia ter grandeza de colocar uma pessoa com mais independência (para representar o partido na chapa de Dilma). Estava nas nossas cogitações apresentar uma chapa para fazer 20%, 30%, e evitar que o Diretório fosse só deles. Teve um representante do Paraná que lançou a candidatura do Requião e ninguém vaiou. Mas do lado de lá ninguém falou em candidatura própria.

 

Ainda assim, a ausência da ala favorável à candidatura própria não pode ter sido ruim do ponto de vista da disputa por espaço dentro do PMDB?
Mas aí você não leva em consideração que eles deram um golpe. A eleição estava marcada para 10 de março, e nós estávamos nos preparando para o dia 10 de março. Agora de repente eles marcam a eleição para este sábado. A chapa tinha que ser registrada com oito dias de antecedência; quando marcaram a convenção, nós tínhamos dois dias para fazer a chapa.

Essa ala acabou ficando subrepresentada no PMDB?
Não adiantava. Nós não tínhamos nenhuma preocupação nesse sentido. O problema é apresentar uma chapa na convenção e querer liberdade democrática para que ele possa fazer a votação. Há quatro anos o PMDB não fez convenção para escolher candidato, porque se fizesse ganhava (a tese) da candidatura própria.

Parece que a convenção só é realizada quando é oportuno…
Exatamente.

Hélio Costa: Sem aliança em Minas, meu eleitor se sentirá traído

Na avaliação do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), PT e PMDB serão derrotados na disputa pelo governo de Minas se concorrerem separadamente no Estado. Ele acredita que isso poderá até comprometer o desempenho eleitoral da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na disputa presidencial.

Costa quer disputar o governo e propôs ao PT que seja escolhido aquele que estiver melhor nas pesquisas até março. O ministro tem liderado os levantamentos feitos até agora e os petistas resistem a abrir mão da cabeça de chapa, optando pelo ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.

Para o ministro, seus eleitores “não entenderão” se o PT mineiro for intransigente na negociação local com o PMDB e podem acabar rejeitando a candidatura de Dilma no Estado. “Mesmo que eu, cumprindo com a minha questão de honra de apoiá-la, o faça, ela perde. Porque o meu eleitor vai se sentir traído.”

A sucessão mineira é hoje o nó político que mais preocupa as cúpulas do PMDB e PT por conta das dificuldades para fechar um palanque comum aos dois partidos e pelo tamanho do colégio eleitoral, o segundo maior do País. Tanto que o governo chega a pensar na possibilidade de lançar o vice-presidente José Alencar (PRB) como uma opção de consenso. Embora Costa afirme que apoiaria o vice, PT e PMDB, extraoficialmente, discordam.

Diante do engajamento do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), na campanha de seu vice, Antônio Anastasia, Costa acha que a negociação com PT, considerada impossível até o mês passado, poderá finalmente evoluir. Segundo o ministro, acabou o clima de “beligerância”, dando início a um processo de negociação com os pré-candidatos petistas. A seguir, os principais trechos da entrevista:

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O que o senhor achou da declaração do vice-presidente dizendo que poderia concorrer ao governo de Minas?

José Alencar é hoje uma das pessoas mais queridas, admiradas e certamente competentes que temos no quadro político de Minas Gerais. Se ele disser que é candidato a governador, acho que é até inteligente.

O senhor o apoiaria? E o PT?

Sem dúvida nenhuma. Espero que o PT também. A origem dele é no PMDB. Acho que o PT deve muito a ele, principalmente na primeira campanha do presidente Lula.

E se ele concorrer ao Senado?

Também tem todo o apoio do PMDB. Possivelmente não teremos candidato ao Senado para apoiar a candidatura dele.

Minas tem um dos cenários mais complicados para a montagem de aliança entre PMDB e PT. O senhor tem conversado com o PT?

A pedido do presidente Lula, fazemos todas as quartas-feiras um encontro entre a direção do PMDB e do PT. O que a gente tem discutido são os caminhos que vão nos levar a uma aliança. A nacional já temos consagrada. Estamos trabalhando duramente para encontrar soluções regionais, principalmente em Minas Gerais, Bahia e Ceará.

O senhor acha que a decisão regional tem de sair depois da decisão do candidato a vice?

Não necessariamente. Acho que a questão da coligação nacional está definida. As questões estaduais são muito importantes e espero que sejam parte desse compromisso nacional. A minha visão dá a Minas uma importância considerável nesse próximo pleito. Será muito difícil a vitória de um candidato da base do governo em São Paulo.

É possível haver dois palanques governistas em Minas?

Ainda vivemos um pouco da história do PSD e da UDN em Minas. Se você é do PSD não sobe no palanque da UDN e vice-versa. O eleitor não aceita isso. Não adianta me pedir para ir a um palanque adversário porque não vou. O PMDB nunca fez imposições em Minas. A única exigência é que ninguém faça exigências absurdas.

O PT mineiro está fazendo?

Eles têm de responder a eles mesmos, para o presidente da República e para a candidata Dilma. Porque nós do PMDB estamos unidos, absolutamente conscientes da importância do nosso partido em Minas.

Existe um impasse?

O importante é que temos conversado. O candidato que tiver a melhor performance nas pesquisas será o escolhido.

Os pré-candidatos petistas têm resistido a essa proposta…

Acho que principalmente com relação ao PT, está começando a cair a ficha que o adversário não é o PMDB, mas o governo (local). A dependência dos poderes públicos com o Estado é muito grande. Não interessa o candidato, nem o nome. É o governo de Minas que é forte.

O senhor será candidato independentemente de o PT aceitar a aliança?

Posso até, lá na frente, dependendo de uma série de circunstâncias, rever. Mas, neste momento, essa é a linha do partido.

E se o PT não fizer a aliança?

Paciência. Até porque não estamos impondo candidatura. Estamos quase fazendo um apelo por aliança e vamos encontrar o candidato. Não tem nada mais correto, cristalino e inteligente do que estamos falando.

Tem quem aposte que o senhor pode romper com o governo federal se o PT não apoiá-lo e que poderia se juntar ao governador Aécio Neves…

Tem cinco anos que estou aqui dentro. Oito anos apoiando e atravessei os dois mandatos. É impossível dizer que vou apoiar o Serra. Não posso fazer isso. Seria quase um absurdo.

Mas seus apoiadores podem não se empenhar pela campanha da ministra Dilma?

O fato de você estar no contexto de uma aliança, com todas as chances de vitória, faz com que seus eleitores vejam sua campanha de uma forma. Se eu afirmar que minha candidata é a ministra, mas, de certo modo, estou injuriado com o PT, a resposta será outra.

O senhor pode ser candidato a vice na chapa da ministra?

Vice não é uma candidatura, é um convite. Quem foi convidado para ser vice foi o Michel Temer. É o nosso candidato e tem todo o meu apoio. Só posso dizer que fico honradíssimo quando pensam no meu nome. Não é o melhor dos possíveis mundos em que eu gostaria de me ver. Eu acho que estou projetado para uma campanha de governador. E se tiver qualquer variação, a segunda opção é o Senado.

Ala oposicionista do PMDB avisa que insistirá em reverter quadro pró-PT

Com a recondução do deputado Michel Temer (SP) à presidência do PMDB, e o consequente fortalecimento da tese a favor da aliança com o PT na eleição presidencial, a ala peemedebista que faz oposição ao governo federal começa a articular a reversão do quadro – hoje favorável à coligação com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

A política de alianças tem ainda de ser referendada na convenção nacional do PMDB em junho, e é com esse tempo que os oposicionistas pretendem jogar. “A eventual disputa será na convenção. Ainda é possível mudanças”, disse o ex-governador Orestes Quércia, que articula reunião com os governadores Roberto Requião (PR) e Luiz Henrique (SC) e os senadores Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE). Há oposicionistas favoráveis à candidatura própria e outros que defendem coligação com o PSDB.

“Como dizia o Tancredo Neves, voto secreto dá uma vontade de trair”, disse Simon, ao comentar que a tese de candidatura própria pode ser beneficiada com votos de governistas. “Até a convenção, Requião continua pré-candidato a presidente.”

Na avaliação de setores do PMDB, diretórios da Bahia e de Minas podem ainda virar o jogo e se alinhar aos que defendem a candidatura de José Serra.

O presidente do diretório do PMDB do Paraná, Waldyr Pugliesi, um dos que assinaram a ação judicial que pretendia a suspensão da convenção de sábado que reelegeu Temer, disse que é preciso mobilizar os que querem a candidatura própria. “Aqueles que a defendem têm de trabalhar para, em junho, comparecer à convenção nacional e colocar uma ou duas pré-candidaturas para disputar.”

Levantamento da ala oposicionista mostra que 24 diretórios estaduais querem a candidatura própria. Há, no entanto, ceticismo de que a proposta possa sair vitoriosa. Para o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, a reeleição de Temer mostra a “representatividade” dos militantes e do grupo que defende a aliança. “É um passo a mais nesse sentido.”

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

 

Os EUA ainda não pereceram

Por Paul Krugman, do The New York Times, na Terra Magazine

Sempre soubemos que o reinado dos Estados Unidos como a maior nação do mundo terminaria em algum momento. Mas a maioria de nós imaginava que nosso declínio, quando viesse, seria algo grandioso e trágico.

Em vez disso, o que estamos tendo é menos uma tragédia do que uma farsa mortal. Em vez de nos extenuar no esforço da expansão imperial, estamos paralisados pelo procedimento. Em vez de reprisar a decadência e a queda de Roma, estamos reprisando a dissolução da Polônia do século 18.

Uma breve lição de história: nos séculos 17 e 18, o poder legislativo polonês, o Sejm, operava com base no princípio da unanimidade: qualquer membro poderia vetar uma lei gritando “não permito!”. Isso tornou o país ingovernável em grande medida, e regimes vizinhos começaram a despedaçar seu território. Em 1795, a Polônia havia desaparecido, para ressurgir não antes de um século depois.

Hoje, o Senado americano parece determinado a tornar o Sejm virtuoso na comparação.

Na semana passada, depois de nove meses, o Senado finalmente aprovou a nomeação de Martha Johnson para o comando da Administração de Serviços Gerais (GSA, na sigla em inglês), que administra os edifícios do governo e compra suprimentos. É um cargo essencialmente não político. E ninguém questionou as qualificações de Johnson: ela foi aprovada por 94 votos contra 2. Mas o senador Christopher Bond, republicano de Missouri, havia colocado uma “restrição” em sua indicação para pressionar o governo a aprovar um projeto de lei em Kansas City.

Essa conquista dúbia pode ter inspirado o senador Richard Shelby, republicano do Alabama. Seja como for, Shelby agora coloca restrições em todas as nomeações pendentes da administração Obama – cerca de 70 postos de governo de alto nível – até que seu estado consiga um avião-tanque e um centro antiterrorismo.

O que dá a senadores, individualmente, esse tipo de poder? Muitos dos negócios do Senado baseiam-se no consentimento unânime: é difícil conseguir fazer qualquer coisa a menos que todos cheguem a um acordo sobre o procedimento. E ganhou força uma tradição segundo a qual os senadores, em contrapartida por não obstruírem tudo, conquistam o direito de inviabilizar a nomeação de quem eles não gostam.

No passado, as restrições eram usadas moderadamente. Isso porque, como diz um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso sobre a prática, o Senado costumava ser regulado por “tradições de civilidade, cortesia, reciprocidade e prestimosidade”. Mas isso naquela época. Regras que costumavam ser aplicáveis tornaram-se paralisantes agora que um dos principais partidos políticos do país caiu no niilismo, não vendo mal algum – na verdade, dividendos políticos – em tornar a nação ingovernável.

Até que ponto isso é ruim? É tão ruim que sinto falta de Newt Gingrich.

Os leitores devem lembrar que, em 1995, Gingrich, então porta-voz da Casa dos Representantes, cortou recursos do governo federal e obrigou o governo a um recesso temporário. Isso foi um ato desagradável e extremo, mas pelo menos Mr. Gingrich tinha demandas específicas: ele queria que Bill Clinton concordasse com cortes drásticos no Medicare.

Hoje, ao contrário, os líderes republicanos se recusam a oferecer propostas específicas. Eles atacam sem misericórdia o déficit – e, no mês passado, seus senadores votaram em bloco contra qualquer aumento no limite da dívida pública, um movimento que teria levado a outro recesso do governo se os democratas não tivessem obtido 60 votos. Mas eles também condenam tudo o que possa realmente reduzir o déficit, inclusive, ironicamente, qualquer esforço para gastar com mais sensatez os recursos do Medicare.

E, com o G.O.P. (sigla em inglês de Velho Grande Partido) nacional tendo abdicado de qualquer responsabilidade de fazer as coisas funcionarem, é natural que os senadores, individualmente, se sintam livres para transformar o país em refém até que consigam garantir seus projetos preferidos.

A verdade é que, considerando a situação da política americana, a forma como o Senado funciona não é mais compatível com um governo em funcionamento. Os próprios senadores deveriam reconhecer esse fato e encaminhar mudanças nessas regras, incluindo a eliminação ou pelo menos limites às manobras para obstruir votações. Isso é algo que eles poderiam e deveriam fazer, por voto da maioria, no primeiro dia da próxima sessão do Senado.

Mas não espere por isso. Do jeito que está, os democratas nem mesmo parecem capazes de marcar pontos políticos enfatizando o obstrucionismo de seus oponentes.

Isto deveria ser um mensagem clara (e deveria ter sido a mensagem central em Massachusetts): um voto para um republicano, não importa o que você ache dele como pessoa, é um voto na paralisia. Mas, a esta altura, sabemos como a administração Obama lida com aqueles que a destruiriam: vai direto aos capilares. Como se poderia prever, Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca, acusou Shelby de “estupidez”. Sim, isso realmente repercutirá entre os eleitores.

Depois da dissolução da Polônia, um oficial polonês que servia a Napoleão escreveu uma canção que acabou se tornando – depois da ressurreição do país no pós-Primeira Guerra Mundial – o hino nacional da nação. Começa com “A Polônia ainda não pereceu”.

Bem, os Estados Unidos ainda não pereceram. Mas o Senado está se empenhando para isso.

Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008. Artigo distribuído pelo New York Times News Service.

 

Soldados feridos

 Por Aloizio Mercadante, no jornal O Globo

Elcio Inocente, Rodrigo de Oliveira, Toninho Messias e Roberto Luis Florin. Você não conhece esses nomes.

Mas devia. São nomes de heróis desconhecidos do Brasil, soldados feridos na linha de frente da batalha contra o crime.

Elcio tentava proteger a vítima de um sequestro. Levou três tiros. Um atingiu sua coluna e o deixou paraplégico.

Depois, perdeu um rim e teve que fazer hemodiálise. Salvou-se graças a um transplante. Hoje luta, assim como os demais, pela segurança pública, como presidente da Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência do Estado de São Paulo (APMDFESP). Rodrigo de Oliveira, pai de portador da Síndrome de Down, recebeu um estilhaço quando perseguia assaltantes. Também ficou paraplégico. Em homenagem na PM paulista, comoveu a todos ao fazer questão de receber a sua condecoração de pé, apoiado na sua mulher. Toninho Messias, ao tentar evitar, fardado, o roubo de sua moto, levou quatro tiros de calibre 45. “Vaso duro de quebrar”, como ele mesmo me disse, inacreditavelmente Toninho sobreviveu. Mas, como os outros, tornou-se paraplégico. Roberto Luis Florin estava em casa, quando ela foi assaltada. Os bandidos já saíam, quando repararam na farda da PM paulista no armário. Esmagaram a cabeça do Roberto com um bloco de concreto. Ele está em coma há seis anos. Não pode mais lutar, mas inspira a luta de todos.

Conversei com o Élcio, o Toninho e o Rodrigo e vários outros com histórias comuns. Embora profundamente feridos, eles não desistiram da sua justa reivindicação por remuneração digna e melhores condições de trabalho para os soldados que lutam com grande sacrifício por nossa segurança.

Não desistiram do combate contra o crime e, acima de tudo, não desistiram da vida.

Quem não pode desistir são alguns governos estaduais. Os últimos dados sobre o crime em São Paulo, por exemplo, são desanimadores. A criminalidade voltou a crescer em 2009, especialmente no interior. Os homicídios aumentaram 16% no interior paulista. Essa súbita deterioração das condições de segurança em São Paulo parece ter relação com uma política pública inconsistente, que leva a decisões equivocadas. Uma delas foi a implantação do Adicional por Localização de Exercício (ALE), que beneficia os policiais da capital, em detrimento dos policiais do interior.

É medida que está produzindo resultados ruins, e deve ser revista.

Na realidade, São Paulo precisa de uma nova política de segurança.

Claro que a situação da segurança pública não é precária apenas em São Paulo. Trata-se de problema nacional, que atemoriza a população, inibe investimentos e atinge todas as cidades brasileiras. Por isso, o governo federal dá agora apoio às ações dos governos estaduais, inclusive mediante a valorização dos policiais. No Senado Federal, aprovamos também vários projetos relevantes, como as videoconferências, monitoramento eletrônico de condenados, combate às organizações criminosas, agravamento da pena para quadrilhas que se utilizam de menores na prática de delitos, critérios mais rigorosos para progressão de pena, entre outros.

Mas é preciso muito mais.

Não há mágica. Se quisermos ter segurança, precisamos investir de verdade no aparelho policial e trabalhar todos em conjunto. É por isso que o Élcio, o Rodrigo e o Toninho estão empenhados na aprovação de piso nacional para as polícias civis e militares. É reivindicação justa e necessária, que o Senado já aprovou.

Com o piso e bons planos de carreira teremos polícias eficientes, à altura da sofisticação do crime organizado.

As polícias estaduais precisam seguir o exemplo da Polícia Federal, hoje instituição modelo, graças aos investimentos nela feitos.

Não podemos lembrar das polícias apenas quando, em pânico, ligamos para o 190. As feridas físicas do Elcio, do Rodrigo, do Toninho e do Roberto são indeléveis. Mas talvez as feridas que mais doam neles sejam as feridas psicológicas originadas pela falta de reconhecimento do seu valor profissional e do seu sacrifício pessoal. Em relação às primeiras, não podemos fazer nada. Porém, podemos fazer tudo, no que tange às outras. Vamos aprovar o piso nacional, valorizar o trabalho policial e curar as feridas desses soldados.

Ciro se diz ”prejudicado” e engrossa discurso

Após um giro pela França, Alemanha e Holanda, que despertou a fúria de aliados, o deputado Ciro Gomes (PSB) voltou a Brasília com um veredicto: foi prejudicado pela mudança do seu título de eleitor para São Paulo em outubro passado. Agora, com setores de seu partido flertando com apelos governistas de fazer uma eleição plebiscitária, o deputado resolveu engrossar o discurso de pré-candidato e chega a vaticinar uma zebra no cenário da eleição nacional. “Vai mudar tudo”, afirma.

“Eu estou dizendo que topo, mesmo isolado. Para mim é um imperativo moral. Se amanhã o meu partido me exonerar desse imperativo, também estou satisfeito, estou com a vida ganha. Não acho que eu seja indispensável para o País”, afirmou ao Estado, antes de viajar a Pernambuco, onde gravou o programa de TV do partido que vai ao ar no dia 18 e do qual será a principal estrela. E o suicídio eleitoral de ir para uma disputa com dois minutos de TV? “Vou com zero”, respondeu Ciro.

O PSB passa por um dilema. Enquanto setores apostam que Ciro deve ir para a disputa, mesmo sem alianças, outra ala avalia que, sem tempo de TV, resta abraçar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Neste grupo, está o presidente do PSB, o governador Eduardo Campos (PE). Parlamentares temem que o voo solo prejudique os planos de eleger 50 deputados e reeleger os governadores de Pernambuco e Ceará (Cid Gomes, irmão de Ciro).

O deputado joga para o partido a decisão sobre sua candidatura a presidente, o que deixa a porta aberta para a retirada de seu nome da corrida. Caso isso ocorra, aumenta a chance de ser arrastado para a disputa do governo paulista – desejo do presidente Lula inversamente proporcional ao dele.

Na avaliação de Ciro, o “ruído” causado pela transferência do seu domicílio eleitoral para São Paulo acabou prejudicando-o nas pesquisas de intenção de voto. “Claro que o maior prejudicado foi eu. Disse a Eduardo Campos: “Sabe que isso vai criar ruído, dubiedade. Provavelmente, vou cair nas pesquisas porque as pessoas vão ficar em dúvida”.” Embora diga que a candidatura paulista seria “fabricadíssima”, tem na manga o discurso que usaria, caso venha a encabeçar a coalizão governista no maior colégio eleitoral do País. “Se eu topasse, seria para dizer, eventualmente: “Atenção paulistas, nasci em Pindamonhangaba, conheço a importância de São Paulo, mas vim para mobilizar a intelligentsia, trazer meu conhecimento de governante para quem acha que o que está aí é medíocre. Mas não vou dizer que sei onde está a Mooca. Se tiver de ir até lá, desculpe, só se for de táxi”.”

Para integrantes do PT e até aliados, apesar da retórica, o deputado não levará em frente a candidatura. As movimentações e as críticas frequentes ao PMDB são vistas como desejo de obter a indicação à vice-presidência na chapa de Dilma. Ele nega. “O sistema político é brilhante. Se não for da vontade do eleitor que eu seja presidente, estarei obrigado a apoiar a força vizinha a mim no segundo turno. Mas abrir antes é deserção de um dever moral. Não estou pedindo um passeio. Estou pedindo uma tarefa dificílima.”

O parlamentar aposta que o cenário eleitoral vai mudar. Diz que o governador de São Paulo, José Serra, não será candidato e o de Minas, Aécio Neves, terá a indicação tucana. Dilma pode não decolar nas pesquisas, fortalecendo a tese do segundo candidato da base governista. “A taxa de profecia de dezembro para cá caiu em favor da percepção de realidade”, afirmou.

“Ciro está firme. A avaliação é de que a sua candidatura fortalece o PSB nacionalmente”, afirmou o deputado Rodrigo Rollemberg (DF). “O partido quer viabilizar a candidatura, mas pode chegar lá na frente e fazer uma reflexão. Ele sabe disso. A conversa é aberta”, disse o senador Renato Casagrande (ES).

CRÍTICAS

Questionado se subiu o tom contra Lula – na semana passada disse que “santo Lula” estava errado em ser contra outra candidatura da base -, Ciro respondeu: “Há uma manipulação sem nenhuma coerência com a perfeita sintonia e a fraterna amizade que tenho pelo presidente. O que disse é que, para mim e para todos que cultivam a política como hábito coletivo, Lula não é um santo nem um mito. É um extraordinário líder político, por quem tenho respeito.”

Farpas sobram para o ex-ministro José Dirceu. “Gosto dele, mas acho que tem uma cabeça política que precisa muitas vezes ser contrastada. Zé Dirceu tem o ego pouco regulado e de vez em quando navega na maionese”, afirmou. As críticas são em razão de viagem de Dirceu ao Ceará e Pernambuco, onde teria articulado contra a candidatura de Ciro. “Resolvi dizer: “Zé, chega. Muda de método que essa simulação de alter ego do Lula só serve para desinformar”.” E disparou: “Neste momento, para recuperar o espaço perdido, simula para o planeta que é íntimo de Lula de novo. Com isso ganha dinheiro e, por outro lado, faz política. Ele não é consultor da República? E ganha quanto por isso?”

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

 

Aposentados pressionam parlamentares por fator previdenciário e reajuste de benefícios

Aposentados e pensionistas de todo o país estiveram no Congresso para cobrar a aprovação do projeto de lei que acaba com o fator previdenciário e do que vincula o percentual de reajuste dos benefícios as correções do salário mínimo estipuladas pelo Executivo. Eles foram homenageados em sessão solene, no Senado, em comemoração ao Dia Nacional do Aposentado, comemorado em 24 de janeiro.

O diretor de Organização da Nova Central Sindical, Isaac Neco, destacou que o fim do fator previdenciário é o tema principal na pauta de reivindicações da categoria.

- Essa é uma luta para os aposentados. Hoje, o salário está sendo devastado cada vez mais, estamos defendendo os aposentados – afirmou.

Neco disse, ainda, que a equiparação salarial com os trabalhadores da ativa se faz necessário para evitar que os aposentados e pensionistas continuem a ter “um aumento salarial irrisório”. Toda galeria do plenário foi tomada pelos idosos, além das poltronas destinadas aos parlamentares, imprensa e convidados.

A informação é da Agência Brasil

 

Costa Rica elege pela primeira vez uma mulher para a Presidência

aaaaaaacostaPela primeira vez na sua história política, a Costa Rica terá uma mulher na Presidência da República. Aliada e sucessora política do ex-presidente Óscar Arias Sánchez, escolhido Prêmio Nobel em 1987, Laura Chinchilla foi eleita ontem. Os últimos dados oficiais indicam que ela obteve 48,7% dos votos. O segundo colocado, Ottón Solís conseguiu 22,5%, e o último, Otto Guevara, ficou com 21,3%. Houve abstenção de 33% em um universo de 2,8 milhões de eleitores.

Com o apoio de Óscar Arias Sánchez, que recebeu o Prêmio Nobel por sua atuação pela busca de um acordo durante o conflito entre Nicarágua e El Salvador, Laura Chinchilla fez campanha prometendo diálogo, segurança, desenvolvimento social e independência. Também disse que dará prioridade ao combate ao narcotráfico e à Previdência pública com foco nos aposentados e idosos.

A presidente eleita manteve o discurso depois de revelada sua vitória. Com um perfil político associado à ideologia de esquerda, ela tem posições conservadoras sobre temas, como a liberação do aborto e o reconhecimento da união civil entre pessoas do mesmo sexo. É ligada aos movimentos religiosos.

Os demais candidatos levantaram suspeitas, durante a campanha presidencial, sobre a independência do governo de Chinchila em relação à influência de Arias. Ex-assessora direta dele, ela reitera que será independente e que seu governo manterá “portas abertas” numa referência de que estará disposta a negociar e ouvir.

Até o dia das eleições, as pesquisas de opinião mostraram vantagem para Chinchilla. Nelas, a presidente eleita, do Partido Libertação Nacional (PLN), contava com 41,9% das intenções de votos, seguida por Guevara, do Movimento Libertário (ML), com 22,9%, e por Otto Solís, do Partido Ação Cidadã (PAC), que teria 19,9%.

Cerca de 200 observadores estrangeiros acompanharam as eleições realizadas ontem na Costa Rica.

Também foram eleitos 57 deputados e 81 governantes municipais. De acordo com a Justiça Eleitoral do país, não houve incidentes no período de votação – das 6 às 18h.

A informação é da Agência Brasil

 

Governo Federal cancela quase 710 mil benefícios do Bolsa Família

Por falta de atualização cadastral, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) cancelou o pagamento do Bolsa Família de 709.904 beneficiários. O prazo para atualização era 31 de outubro do ano passado. Desde então, esses beneficiários tiveram o pagamento suspenso e receberam avisos para fazer a atualização.

A atualização rotineira dos dados das famílias assistidas permite ao MDS efetuar o controle sobre o pagamento. A renovação do cadastro deve ser feita a cada dois anos e é regulamentada pelo Decreto nº 6.392, de 12 de março de 2008.

A atualização cadastral deve ser feita nas prefeituras municipais. Segundo o MDS, o Bolsa Família atende 12,4 milhões de beneficiários. No ano passado, o programa transferiu benefícios que somaram R$ 12,4 bilhões.

A informação é da Agência Brasil

 

Dieese: cesta básica tem reajuste na maioria das capitais

O valor da cesta básica aumentou, no mês de janeiro, comparado a dezembro último, em 10 das 17 capitais onde é realizada a Pesquisa Nacional da Cesta Básica pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).  

A maior alta foi em Goiânia (4,61%), seguida por Salvador (1,43%), Florianópolis (1,10%) e João Pessoa (0,79%). As maiores quedas ocorreram em Belo Horizonte (-3,87%), Brasília (-3,49%), São Paulo (-1,39%) e Vitória (-0,86%).

Comparado a igual período do ano passado, houve redução nas 17 capitais com destaque para Belo Horizonte (-11,35%) e Goiânia (-9,38%). Apesar de a capital paulista estar entre as cidades com queda, em janeiro, nessa localidade a cesta é a segunda mais cara do país (R$ 225,02). O maior valor foi constatado em Porto Alegre ( R$ 236,55), em terceiro aparece Vitória (R$ 217,20) e Manaus (R$ 216,53).

Pelos cálculos do Dieese, a correção do piso do salário mínimo em 9,68%, em janeiro, que elevou o teto para R$ 510 implicou redução da jornada necessária para o trabalhador comprar os produtos da cesta básica, passando de 114h26, em dezembro, para 86h48, em janeiro.

Segundo o órgão, em dezembro, o assalariado que ganhava o mínimo vigente do no país comprometia 47,10% par comprar a cesta e, no primeiro mês de 2010, o índice estava menor (42,88%).Na cidade de São Paulo, o percentual era de 53,34% e passou para 47,96%.

Entre os itens que mais influenciaram para os aumentos da cesta básica está o açúcar com correções em 16 capitais, sendo a maior alta em João Pessoa (32,47%), seguido de Goiânia (19,18%) e vitória (16,97%). Sob o efeito da maior procura no mercado internacional, valorização do dólar e período de entressafra, conforme análise do Dieese, esse produto teve alta em todas as 17 capitais, nos últimos 12 meses. As ofertas mais cara foram encontradas em Salvador (78,38%) e em Belo Horizonte ( 21,71%).

O arroz teve aumento em 12 das 17 capitais com destaque para Belo Horizonte (8,51%) , Vitória (7,41%) e Goiânia (7,23%); a carne e o pão – com maior peso no valor da cesta – aumentaram em 10 capitais e a alta mais expressiva foi constatada em Goiânia (6,67%). E a batata foi reajustada em nove capitais com as maiores taxas em Porto Alegre (40,53%), Florianópolis (32,08%) e Curitiba (31,84%).

A pesquisa indica que oito itens apresentaram predomínio de quedas entre eles o tomate, com baixa de preço em 15 capitais; o óleo de soja, em 13 e o café, em 10.

A informação é da Agência Brasil

Setor de telemarketing é líder nas ofertas de emprego no país

Com cerca de três mil vagas disponíveis no Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT), na capital paulista, o setor de telemarketing é um dos que mais cresce a cada ano, liderando a lista das ofertas de emprego, afirmou o gerente do CAT regional norte, André Bucater. Segundo ele, isso ocorre porque o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) se tornou uma necessidade desde que as empresas passaram a atender o consumidor em tempo real para poder avaliar o que ocorre com seus produtos e serviços.

“Isso está acontecendo com muitas empresas atualmente. Eles estão contratando muita gente não só para o SAC como para vendas, promoções e cobranças. E a procura pelas vagas também é grande porque não se exige experiência em carteira, o que faz com que a maior procura seja pelos jovens no seu primeiro emprego. Normalmente é preciso ter conhecimento em informática, objetividade, clareza na comunicação, facilidade para abordagem com o cliente, simpatia e determinação.”

De acordo com o diretor de Comunicação do sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing, Ronaldo Lopes, o setor emprega atualmente cerca de 850 mil trabalhadores em todo o território nacional. Até o fim deste ano este número deve chegar a 1 milhão a 1,2 milhão. Só no estado de São Paulo são 380 mil funcionários e na Região Metropolitana da capital 250 mil.

Lopes disse que 70% dos empregados no telemarketing têm de 18 a 26 anos e 76% são mulheres. Ele destacou que o setor agrega vários segmentos e, por isso, está sempre aberto também para outras faixas etárias, incluindo mulheres acima dos 40 anos. “Há muitas mulheres nessa faixa etária que estão na área porque depois de ficarem afastadas do mercado de trabalho resolveram ou precisaram voltar a exercer uma atividade remunerada.”

De acordo com ele, o setor do telemarketing tem a especificidade de não ter nenhuma espécie de preconceito ao selecionar seus trabalhadores.

A rotatividade é outro fator presente no telemarketing. O chamado turno over, praticado pelas empresas, serve para estimular os funcionários, ou seja, aqueles que produzem continuam, os que não atingem os objetivos acabam sendo eliminados. “As empresas pregam que quem vender mais continua na empresa, quem não atingir as metas acaba sendo substituído pela mão de obra que há no mercado”. Ao mesmo tempo a média de permanência de um funcionário em uma empresa de telemarketing varia de três a sete anos.

As menores empresas são as que pagam as melhores médias salariais, um dos motivos que contribui para a rotatividade de funcionários. Em uma empresa de maior porte o salário chega a R$ 750,00. Já naquelas com até 100 funcionários os ganhos podem chegar a R$ 1.200. “Os trabalhadores acabam adquirindo experiência nas grandes empresas e migram para as pequenas, por conta das melhores condições.”

Apesar de afirmar que a atividade é interessante por permitir o contato direto com o público, Lopes afirmou que o trabalho de telemarketing gera estresse ao funcionário por causa das condições nem sempre boas e, principalmente, pelo assédio praticado contra o trabalhador. “Embora tenhamos conseguido instituir o descanso, muitas empresas insistem em controlar a ida do trabalhador ao banheiro por exemplo. Embora seja um setor no qual a tecnologia é de ponta, as relações com o trabalhador ainda estão atrasadas.”

A informação é da Agência Brasil

 

Lula diz que investimento em educação compensa “atraso”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva justificou os investimentos de seu governo nas áreas de educação, inovação tecnológica e capacitação de mão-de-obra como medida para vencer “o atraso” provocado pelos governos anteriores. A declaração foi feita no programa de rádio semanal Café com o Presidente desta segunda-feira.

“O Brasil está investindo muito em capacitação. Lógico, que, como nós ficamos muito tempo sem investir, nós temos um atraso muito grande”, afirmou Lula.

O presidente citou, no programa, a redução realizada por governos passados em investimentos na formação de engenheiros. Muitos deles, segundo Lula, mudavam de ramo ou iam trabalhar no exterior pela falta de oportunidade. “Agora nós estamos permitindo que a engenharia volte a ser uma coisa importante para a nossa juventude”, disse.

Relatou que cem deles retornaram ao país para atuar no Centro Nacional em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), localizado em Porto Alegre (RS), e inaugurado na sexta-feira.

O Ceitec, construído com o aporte de R$ 400 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), será a primeira fábrica da América Latina a produzir chips para rastrear gado bovino.

“Eu acho que essa fábrica marca um divisor na história de investimentos em inovação no Brasil”, avaliou o presidente, destacando que o empreendimento coloca o país em condições de competir com as nações desenvolvidas num mercado qualificado.

O presidente também mencionou a inauguração de 78 escolas técnicas somente na última semana, e acrescentou que pretende alcançar a marca de 354 dessas escolas no país, com 500 mil jovens participando. Segundo Lula, a destinação de mais recursos para a educação seria uma novidade para o País.

“Eu penso que o Brasil está precisando dessa cara nova, que são os investimentos do governo federal na educação”, observou. Lula já declarou que sua intenção, no último ano de mandato, é inaugurar o máximo de obras o que serviria para impulsionar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à sucessão presidencial pelo PT.

Com agências

 

Trabalhadores da Grécia prometem nova greve contra plano fiscal

Os trabalhadores do setor público da Grécia afirmaram nesta segunda-feira que pode convocar outra greve no início de março se os detalhes do plano de austeridade do governo nesta semana forem muito rígidos.

“Dependendo da decisão do gabinete sobre impostos e pensões, nós vamos decidir na quinta-feira sobre mais ações de greve”, disse Ilias Vrettakos, vice-presidente da entidade. “Houve uma proposta para uma greve nos primeiros 10 dias de março.”

Trabalhadores do setor público sairão dos seus postos na quarta-feira para protestar contra as medidas de austeridade do governo.

Autoridades do sindicato disseram mais cedo nesta segunda-feira que estão considerando se juntar à greve do sindicato do setor privado, no dia 24 de fevereiro. Juntos, os dois sindicatos representam cerca de metade da força de trabalho grega de 5 milhões de pessoas.

Com agências

 

Jovens não têm a menor idéia do horror que foi a ditadura militar no Brasil

POR JOSÉ BESSA FREIRE, no Blog da Amazônia

Quando cheguei, às duas da tarde, ela já estava lá, esperando. Não me conhecia e me olhou, obliquamente, me estudando como se eu fosse um fungo bolorento: quem é esse cara? Não havia viva alma no auditório da Biblioteca Pública, na Rua Barroso, em Manaus, naquele 19 de abril de 1978. Nós dois éramos os palestrantes num evento sem público sobre o Dia do Índio, organizado pelo artista plástico Álvaro Páscoa, da Fundação Cultural do Amazonas. Foi ele quem nos apresentou.

Geny Brelaz de Castro, formada pela Universidade Federal de Pernambuco em Farmácia e Bioquímica, em 1970, é a primeira índia diplomada do Brasil. Estuda fungos, comestíveis uns, venenosos outros, mas também pesquisa parasitas agressores -alguns mortais- que infectam gente, animais e plantas, e apodrecem as árvores. O outro palestrante -esse locutor que vos fala- era, então, professor da Universidade Federal do Amazonas, com uma tese inconclusa de doutorado em Paris sobre história indígena.

- Cadê o público? Quem é que vai sair de casa com esse calor infernal para ouvir falar de índio, numa hora dessas, depois de almoçar jaraqui frito com baião-de-dois? – indaguei apreensivo.

Álvaro Páscoa deu uma baforada no cachimbo e nos tranqüilizou. Já estava tudo agendado com o professor de Educação Moral e Cívica da Escola Técnica Federal, chamado Cauby, um pomposo nome de origem tupi. No horário de sua aula, ele traria os alunos de várias turmas, com controle da lista de presença.

Efetivamente, arrastados compulsoriamente, os alunos lotaram o auditório. Cauby, um sargentão, fechou as portas para ninguém fugir. Não era preciso. Geny falou primeiro e deu um show. Quem a conhece sabe do que estou falando. Ela tem tal domínio de palco e de microfone que bota no chinelo a Hebe Camargo. Cativou os meninos. Falou nas toxinas presentes na farinha que eles haviam acabado de comer, nos hábitos alimentares, nas bebidas indígenas, nas plantas medicinais. Contou histórias. Enfim, lavou a égua.

Especialista em micologia, Geny, que é da nação Munduruku, incorporou a ciência oral milenar do seu povo ao saber escrito aprendido na universidade. Ela sabe tudo sobre fungos. Pesquisou a farmacopéia indígena, os fungos na preparação do tarubá -uma bebida indígena- e os microorganismos em farinhas da Amazônia. Já era naquela época uma pesquisadora respeitada com participação em congressos e artigos publicados no Brasil e no exterior. Foi aplaudidíssima pelo auditório.

Falar depois dela era um desafio. Tentei dar meu recado. Apoiado em documentos, descrevi o desaparecimento de muitos saberes, devido ao massacre das nações indígenas, uma das maiores catástrofes demográficas da história da humanidade. Fui aplaudido ruidosamente. No debate, o professor Cauby quis se exibir para os alunos. Discordou do termo “nação indígena”, que eu havia empregado, considerando-o inapropriado e perigoso.

- Só um traidor da Pátria chama índio de nação – aloprou.

Sua intervenção, aplaudida com assobios e gritos de apoio, me intimidou. Esclareci: quem chamou os índios de “nações” foi o português, não era invenção minha, estava na documentação da época. O termo “nação”tinha, inclusive, significado mais amplo, pois era também usado como coletivo. Recitei versinho cantado pelas crianças lusas:

- Aranha aranhão, sapo sapão, bichos de toda nação.

Fui saudado por uma onda de aplausos. Ai entendi que qualquer discurso seria aplaudido. Foi o que aconteceu no duelo que se seguiu.

Cauby:

- Não existem nações indígenas. Somos todos brasileiros. Quem fala em nações indígenas quer dividir o Brasil, que é uma só nação, uma única pátria – disse Cauby. (Clap, clap)

Eu:

- Conversa fiada. Nação é uma coisa, estado é outra. Comete erro primário quem confunde conceitos tão diferentes. Um estado pode abrigar muitas nações. (Clap, clap).

Cauby:

- Exatamente, é o caso da União Soviética. Só os comunistas pensam assim, porque querem minar os alicerces da Pátria. (Clap, clap).

Eu:

- Tolice. A Suíça é um estado plurinacional. Lá, tem mais nações do que buracos em queijo suíço. A existência de tantas nações não dividiu o estado suíço, não anulou sua natureza capitalista. Ao contrário, fortaleceu. (Clap, clap).

No final de cada intervenção, uma onda de aplausos para o orador da vez. Quem falasse por último, ganhava. A Geny só ali, na moita, calada, observando tudo. Foi aí que Cauby, que havia feito o curso da Escola Superior de Guerra, engrossou o pirão e disparou o tiro de misericórdia, com um – digamos assim – argumento triunfante:

- Hoje, não é só Dia do Índio. É também Dia do Exército Brasileiro e da vitória na primeira Batalha de Guararapes. Você não homenageou o Exército. Você é comunista.

Fiquei gelado. Hoje, parece bobagem, mas naquele contexto era uma denúncia grave. Afinal, um ano antes, de volta do exílio, foi essa acusação que me levou a passar três semanas preso, em Manaus, quando fui encapuzado e maltratado. (Anexo 01) Estávamos em plena ditadura militar, com um governador biônico, Enoch Reis, nomeado pelo general Geisel, que por sua vez também não havia sido escolhido pelo voto popular.

Os jovens de hoje, em sua maioria, não têm a menor idéia do horror que foi a ditadura. Não havia liberdade de expressão e de associação. O povo não podia votar em presidente, governador, prefeito. A censura impedia que as idéias circulassem nos jornais, no teatro, na música, no cinema, nos livros, na sala de aula. Professores, estudantes, jornalistas, artistas, músicos, cineastas e sindicalistas eram presos não pelo que fizeram, mas pelo que disseram ou pensavam e até pelo que achavam que você tinha a intenção de pensar.

Em todas as universidades, havia uma Assessoria Especial de Segurança e Informação (AESI), com delatores pagos com bons salários para dedurar quem expressasse opinião contra a ditadura. Na Universidade do Amazonas, seu chefe era José Melo de Oliveira. Tenho em mãos cópia de dois ofícios circulares assinados por Melo, em 1974, e enviados a todas as faculdades e institutos. Um deles pedia os nomes das pessoas que pretendiam organizar “uma exposição de livros soviéticos”, o outro exigia controle sobre a formatura de alunos e até sobre o discurso do orador da turma.

Depois disso, ele fez carreira na administração publica, foi Secretário de Educação do governador Amazonino Mendes, e ficou conhecido como José Melo Merenda, por causa do desvio de recursos da merenda escolar. Atualmente, é Secretário de Estado do Governo Eduardo Braga (PMDB, vixe, vixe!). (Anexo 02).

Não podemos esquecer, também, que em Manaus, no período de 1975 a 1979, funcionou um centro de formação, que recrutava e treinava agentes especializados em espionagem, infiltração, repressão política e torturas, financiado pela Operação Condor, conforme comprovam documentos encontrados nos arquivos da polícia política paraguaia, abertos ao público pela Justiça de lá (O Globo, domingo, 7/05/2000, pg. 48)

Há quem, hoje, defenda a ditadura militar. Depois de dois artigos contra a tortura publicados aqui nesse espaço, recebi cartas de alguns leitores com um argumento bizarro: a ditadura foi necessária, porque se os comunistas vencessem, eles aboliriam a liberdade de expressão, suprimiriam as eleições, prenderiam seus opositores, torturariam, etc. Ou seja, para impedir a implantação de um hipotético regime totalitário se fez tudo aquilo que supostamente o inimigo faria: prisão, tortura, censura, etc.

Ih, meu espaço está terminando! E a Geny, como foi que ela me salvou? Ah, a Geny foi genial, leitor (a)! Quando o sargentão me emudeceu com aquela acusação, Geny pegou o microfone, piscou um olho discretamente pra mim e fez uma defesa tão delirante quanto à peça de acusação, dando um xeque mate no Cauby:

- Se o palestrante é comunista, então eu também sou comunista e o Comando Militar da Amazônia (CMA) está cheio de comunistas, porque tudo que ele disse aqui, eu ouvi foi da própria boca dos generais, lá dentro do quartel (clap, clap, clap, claps).

Cauby ficou bestificado. Geny tinha autoridade pra falar. Ela havia acabado de receber uma medalha do CMA, por ter descoberto algum fungo lá aquartelado. Depois disso, fez concurso para professora da UFAM, onde foi Chefe do Laboratório de Patologia, ganhou muitas medalhas, inclusive a do Mérito Universitário, foi convidada a palestrar na Índia, na Argentina, na Europa, França e Bahia, se aposentou, mas continua ativa, pesquisando, é feliz e vive para sempre no meu coração: a solidária e generosa Geny.

O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO) e edita o site-blog Taqui Pra Ti .

 

Imunidade rima com impunidade

aaaaaaaaarudaPor Milton Hatoum, de São Paulo, na Terra Magazine

Já não recordo o nome de um jovem promotor público que acusou, com provas cabais, uma das quadrilhas de políticos que assaltavam a nação. São tantas denúncias, tantas “tenebrosas transações”, que os brasileiros acabam por esquecer o que aconteceu há cinco ou dez anos. Ou há duas semanas. Seria saudável para a nossa memória se um jornal ou outro meio de comunicação listasse – com atualização semanal ou diária – os casos de bandalheira ocorridos nas duas últimas décadas.

Mas nem tudo é esquecimento. Não esqueci a declaração bombástica, mas verdadeira do jovem promotor. Em resumo, ele afirmou que os corruptos eram assassinos em potencial. O dinheiro roubado matava crianças brasileiras, pois a verba desviada podia ser investida em políticas sociais.

Ninguém sabe o valor anual do desvio de dinheiro público. Certamente bilhões de reais, mas é impossível calcular com exatidão o volume do roubo. As projeções de crescimento econômico para 2010 e uma euforia exagerada ofuscam a imensa miséria do povo brasileiro.

Não é preciso mencionar as áreas mais pobres do Nordeste e as periferias de todas as capitais. A miséria está presente no coração do Planalto Central, na capital do País. “Cidades-satélites”, mais do que uma palavra composta, é um eufemismo de inspiração futurista para nomear um aglomerado de favelas ao redor de Brasília.

O governador e alguns deputados do DF são exemplos abjetos de um tipo de político pós-ditadura. Mais de vinte anos de autoritarismo, censura e repressão usurpou qualquer promessa – ainda que tênue – de civilidade e cidadania, gerando esse tipo de político monstruoso, hiper-cínico, jeca e cafajeste. Além disso, a ditadura enfraqueceu o poder judiciário, um poder que solta barões e tubarões vorazes e prende piabas, desmoralizando a polícia federal, a promotoria pública e um setor do judiciário que tenta cumprir com rigor a lei.

O que mais impressiona é a impunidade de certos políticos de conduta moral duvidosa, uma impunidade protegida pela imunidade parlamentar, essa obra-prima de corporativismo e uma das excrescências da nossa democracia. Se os políticos estão imunes à lei, então eles podem tudo, inclusive praticar atos explicitamente delituosos, sem medo de sofrer qualquer punição. Daí a recorrência de casos escabrosos de corrupção, e não apenas em Brasília – a Capital dos escândalos escancarados -, mas em todo o País.

Uma parte não desprezível dos impostos pagos pelos contribuintes é dragada pela corrupção. Por isso, a grande maioria dos aposentados vive à míngua; o salário dos professores da rede pública e dos policias é baixíssimo, faltam creches em todas as cidades brasileiras, falta um sistema de transporte eficiente, falta investimento na infra-estrutura das cidades. Na verdade, falta o essencial para a maior parte da população, que desconhece a cidadania.

Recentemente um grupo de manifestantes cobriu com estrume o jardim da câmara legislativa do Distrito Federal. Esse ato de protesto mostra como o brasileiro comum, sem privilégios e favores, vê os legisladores da Capital. O protesto é válido, pois expõe as virtudes da esperança e da revolta num País em que reinam as virtudes do fracasso e da impotência diante de tanto desmando, cinismo e impunidade. Mas não bastam o estrume e seu fedor, metáforas da Casa que representa o povo. É preciso aplicar a lei aos meliantes fantasiados de homens e mulheres públicos.

Milton Hatoum é escritor, autor dos romances Órfãos do Eldorado, Dois Irmãos, Relato de um Certo Oriente e Cinzas do Norte.

A alteração das pensões e a desigualdade perante a morte

Angeles MaestroNo momento em que se discute na Assembleia da República a alteração da regras das pensões de reforma em Portugal, este texto de Angeles Maestro vem dizer-nos que a ofensiva do capital contra a classe trabalhadora não é um fenómeno isolado nem devido a dificuldades conjunturais provocada pela profunda crise internacional do capitalismo. O corte nas reformas verificado em Espanha está anunciado para Portugal com a aprovação do Orçamento de Estado.

Mas diz-nos também que é pelo reforço da luta e uma crescente unidade da classe trabalhadora que é possível inverter o sentido desta guerra sem quartel quotidianamente travada ao longo das 24 horas do dia.
Tudo isto acontece ao mesmo tempo que se transferem milhões de milhões para os bancos e as grandes empresas.

Por Ángeles Maestro*, no Diario.info

Quosque tandem abutere,
Catilina, patientia nostra? [1]

A deliberação do passado Conselho de Ministros de Espanha de propor a elevação da idade de reforma de 65 para 67 anos, a ampliação do período de tempo para o cálculo das pensões – com o objectivo evidente de reduzir a sua quantia – e o anúncio para o próximo dia 5 de Fevereiro dos conteúdos de uma nova reforma laboral – que indubitavelmente implicará novos cortes nos direitos laborais –, são as gotas que devem encher o copo da paciência dos trabalhadores e trabalhadoras.

Com cinco milhões de desempregados, 1.200.000 famílias com todos os seus membros desempregados, ao mesmo tempo que se volatiliza o emprego precário criado no tempo de fabulosos lucros empresariais, quando reforma após reforma se agravam os requisitos para aceder ao subsídio de desemprego ou de jubilação; agora que se transferiram centenas de milhares de milhões de euros para a banca e a indústria automobilística, que se reduzem sem parar os impostos às grandes fortunas e aos lucros empresariais, as cotizações do patronato para a segurança social; agora que se mantém a fraude fiscal ( do capital, claro) calculada em, pelo menos 130.000 milhões de euros, precisamente agora, aproveitando a paralisia catatónica que momentaneamente é a expressão generalizada do pânico da classe operária, o Governo do PSOE pretende descarregar sobre ela a totalidade do custo da crise.

Mas o mais grave não são os recursos que nos arrancam, precisamente na última etapa da nossa vida, quando o nosso corpo e a nossa ente envelheceram e se desgastaram produzindo a riqueza que nos foram expropriando e que engrossa os seus ofensivos lucros.

O cúmulo da alienação e da manipulação expressa-se quando o Governo e os seus «peritos»fazem o diagnóstico, e a partir dele o seu tratamento, no aumento da esperança de vida e, dizem eles, o correspondente aumento do tempo que medeia entre a reforma e a morte do trabalhador. O que deveria constituir, se fosse assim, um indiscutível avanço do desenvolvimento humano é um obstáculo a besta do capital continue a engordar, isto é para que funcione a prioridade absoluta que rege a sociedade e à qual se sujeita qualquer consideração que afecte as pessoas que a integram.

Mesmo que não houvesse milhares de outros exemplos, só este bastaria para definir o modelo social capitalista do século XXI como o predador mais feroz de seres humanos, precisamente quando o desenvolvimento científico e tecnológico permitiriam satisfazer as necessidades básicas de toda a humanidade.

A primeira consideração que há que fazer é que estão a manipular os dados como objectivo de confundir. A esperança de vida, como sabe qualquer aluno do primeiro ano de um curso de estatística, não mede a idade média da morte, como parece indicar o seu nome. A esperança de vida é um indicador complexo elaborado a partir de taxas de mortalidade em cada idade e que é decisivamente influenciado pela mortalidade infantil (primeiro ano de vida) e, ainda mais, pela perinatal (primeira semana de vida); isto é, o aumento da esperança de vida reflecte fundamentalmente diminuições nas taxas de mortalidade nas primeiras etapas da vida e não que se viva muito mais tempo. Utilizar este argumento é um truque indecente.

A segunda ideia essencial é ainda mais cruel, e por isso mais zelosamente escondida: as enormes e crescentes desigualdades sociais perante a morte.

Apesar dos poucos estudos não serem recentes – não é por acaso –, desde que existem estatísticas que comparam a mortalidade por classes sociais os dados reflectem o mesmo em todos os países capitalistas: as desigualdades reflectem-se directamente em diferenças de mortalidade que além do mais se expressam de forma gradual (o decréscimo em cada nível da escala social reflecte-se no correspondente aumento da mortalidade), que estão há décadas a aumentar e que exacerbam nos períodos de crise económica.

O relatório SESPAS 2000 [2] conclui rotundamente: «A mortalidade é superior entre os trabalhadores manuais em comparação com os restantes profissionais e quadros dirigentes. (…) A Razão da Mortalidade Estandardizada entre ambas as classes sociais [indicador que permite compará-las] aumentou de 1,27 em 1980-82 para 1,72 em 1988-90 e em quase todas as doenças as desigualdades se incrementaram. (…) Por outro lado, regista-se uma associação em forma de gradiente entre a privação material (desemprego, analfabetismo, classe social e condições de habitabilidade) e a mortalidade». [3]

Outro relatório elaborado sobre a mortalidade na cidade de Sevilha [4], comparando bairros diferentes (Zonas Básicas de Saúde), apesar de ser um estudo indirecto (por os territórios comparados não serem homogéneos), danos dados como estes: a mortalidade prematura multiplica-se por quatro nos homens nas zonas mais desfavorecidas, comparando-as com as zonas mais favorecidas; nas mulheres, multiplica-se por 2,6.

Isto é, a classe operária não é só a que produz a totalidade da riqueza que é usurpada por alguns, não vê apenas reduzir a capacidade aquisitiva do seu salário e deteriorarem-se as condições de vida em função da mais-valia expropriada, não só é expulsa para o desemprego como um traste imprestável quando o patronato calcula que os lucros não são insuficientes; Além disso, os trabalhadores e trabalhadoras – com o seu corpo e a sua mente convertidos em autênticos campos de batalha da luta de classes – ainda pagam com a doença, e sobretudo, com a morte prematura, o seu dramático tributo ao desenvolvimento do capitalismo.

Mas tudo tem um limite e a impostura deste Governo e a de todos os que o precederam também o terá. A verdade nua e crua é que eles não são capazes de esgrimir um só argumento credível, nem sequer para os mais ingénuos, de que estas novas machadadas nos direitos laborais e sociais podem conseguir criar emprego, a começar pela insensata decisão de aumentar a idade da reforma.

O que é evidente é que depois de três décadas de genuflexões sindicais e de um baixar a cabeça «a ver se não me toca a mim», o que conseguimos foi retroceder até à lei da selva no que respeita a direitos, enquanto o capital enche os bolsos como nunca. Agora, perante uma crise descomunal, o que está claro é que, nem o Governo nem a restante classe política nem os capitalistas a quem eles representam têm qualquer alternativa que não seja o apertar da tarracha para reduzir os custos laborais, e que preferem que a locomotiva capitalista descarrile, em vez de mudar de via e de condutor.

Um novo sindicalismo deve surgir e é preciso recorrer o mais urgente possível ao encontro entre as organizações e as pessoas que fazem a democracia operária, a dignidade e a luta da sua razão de existir, para canalizar a luta opera´ria e popular. Está na hora de decidir, e o suicídio, que aumenta dramaticamente entre os que individualmente não vêem outra saída para desespero do desemprego e da angústia, não é alternativa.

Notas:
[1] «Até quando Catalina abusarás da nossa paciência?» Imprecação lançada por Marco Tulio Cicero contra Catilina numa reunião do Senado romano, perante as continuas conspirações deste contra a República.
[2] Sociedade Espanhola de Saúde Pública e Administração Sanitária (SESPAS)
http://www.sespas.es/informe2000/d1_01.pdf
[3] Ibid.
[4] http://scielo.isciii.es/scielo.php?pid=S0213-91112004000100004&script=sci_arttext

Madrid, 1 de Fevereiro de 2009

* Angeles Maestro é dirigente de Corriente Roja e amiga e colaboradora de odiario.info.

Tradução de José Paulo Gascão

 

Ex-secretário: Crise não motivou aumento de homicídios em SP

aaaaaaaaaaaaaaaasecretarioPor Claudio Leal, na Terra Magazine

O ex-secretário da Justiça de São Paulo Belisário dos Santos Júnior analisa, em entrevista a Terra Magazine, o índice de homicídios no Estado e propõe estudos específicos sobre as ocorrências. À frente da secretaria no governo Mário Covas, entre 1995 e 2000, o advogado não atribui à crise financeira o primeiro crescimento dos casos de homicídios em dez anos.

- Tenho impressão que a crise econômica não responde plenamente pelo aumento. O número de homicídios, no interior, aumentou no último trimestre de 2009. Nesse último trimestre, a crise era mitigada. E os homicídos não têm muito a ver com a crise econômica. Têm com outros fatores – afirma Belisário dos Santos.

Em 2009, a polícia paulista registrou 4.771 vítimas, contra 4.690 em 2008. A tendência de queda foi preservada na capital e na Grande São Paulo, mas o interior contribuiu para a alta da violência. No Estado, são 10,95 casos para cada 100 mil habitantes, o que ultrapassa a média de 10/100 mil da OMS (Organização Mundial de Saúde).

Para o ex-secretário, a sociedade civil, os municípios e o governo federal devem participar dos estudos sobre o aumento da criminalidade em São Paulo. “A polícia continua na rua, as prisões continuam sendo efetuadas, as drogas são apreendidas e, de repente, esses números mudam”, diz. Somente com ações coordenadas as políticas públicas poderiam alcançar resultado.

- Quero tirar o foco da polícia de São Paulo, dizendo que ela tem sua responsabilidade, para dizer que a Polícia Federal, o Exército, os municípios têm responsabilidades. O crime é um fenômeno muito complexo pra ser deixado na mão apenas da polícia.

Leia a entrevista.

Terra Magazine – Depois de dez anos, o número de homicídios voltou a crescer em São Paulo, com destaque para o interior do Estado. Como esses dados podem ser interpretados?
Belisário dos Santos Júnior – Constato duas coisas. Primeiro, a importância da lei de 1995, em função da qual todos nós podemos ter acesso a isso. Está sendo cumprida. O segundo fator importante é que, considerando todos os números, a tendência é de baixa. Houve realmente um crescimento, mas o viés é de baixa, como diria o presidente do Banco Central. Houve um crescimento grande durante três trimestres (de 2009), mas o último é de baixa. Uma outra constatação se impõe. Se você for realmente analisar os números do interior, esses são preocupantes.

Por quê?
Primeiro, em seu conjunto, porque representa um aumento razoavelmente expressivo em relação a 2008. No interior, o último trimestre foi de 521 homicídios para 538. Se você entender que isso é uma estatística e os números são maiores em algumas regiões, você vai ver que a Baixada Paulista, o Litoral Sul e São José dos Campos são os lugares onde se faz necessário um olhar melhor da Polícia Civil. Uma outra coisa que gostaria de chamar atenção: fui para os números que não aceitam subnotificação. Latrocínios, por exemplo. O número de latrocínios cresceu na capital. A média estatística subiu no Estado como um todo, mas no interior os latrocínios baixaram. Latrocínio é homicídio cometido antes ou depois de um crime patrimonial. Esse número faz com que a polícia tenha que se preocupar também com a capital. Quando a polícia tem boas estatísticas para apresentar, como foi ao final de 2008, ela relaciona os números com a identificação e prisão dos criminosos, com a apreensão de armas ilegais e o aumento de polícia nas ruas. Veja, em 2008 a diminuição foi relacionada com a presença da polícia nas ruas, ainda que tenha havido, durante três meses daquele ano, um movimento reivindicatório. E ela relacionou também ao uso da inteligência policial como forma de solucionar a ocorrência. Isso é um sinal que é passado para a criminalidade. Isso a polícia diz quando tem bons números.

O governador José Serra afirmou que o crescimento dos homicídios se deve à crise econômica e ao desemprego. Como avalia esse argumento?
Tenho impressão que a crise econômica não responde plenamente pelo aumento. O número de homicídios, no interior, aumentou no último trimestre de 2009. Nesse último trimestre, a crise era mitigada. E os homicídos não têm muito a ver com a crise econômica. Têm com outros fatores. Os latrocínios poderiam ter a ver com a crise econômica. O número de latrocínios aumentou na capital. Precisamos achar outras explicações. A polícia continua apreendendo armas. Ela apreendeu mais armas em 2009 do que em 2008: o aumento foi de 4,5%. A polícia prendeu bem mais em 2009 do que em 2008. No último trimestre, ela prendeu 23.300 pessoas em 2008 e 29.400 em 2009. Drogas. A quantidade de drogas apreendidas em São Paulo é crescente desde 1995.

O que a gente nota? A polícia continua na rua, as prisões continuam sendo efetuadas, as drogas são apreendidas e, de repente, esses números mudam. Nós temos que considerar essa situação especial do crescimento do latrocínio em São Paulo, em especial os homicídios na Baixada, no Litoral Sul e em São José dos Campos, áreas próximas. A polícia dispõe de vários dados. Tem o Infocrim, a inteligência da polícia funciona razoavelmente em boa harmonia. Então, eu acho que a gente precisa fazer críticas menos genéricas e mais específicas. Esse secretário (Antonio Ferreira Pinto), que tem mexido muito na estrutura policial, fez uma coisa que era reivindicada desde o primeiro Plano Estadual de Direitos Humanos, que era tirar a corregedoria da cúpula policial e jogar no seu gabinete. Ele fez isso. As estatísticas policiais têm um pouco a ver com a existência de maus policiais que não cumprem sua missão. Esse fator o secretário elimina.

Não há outras variáveis para que o homicídio seja epidêmico no Brasil.
É. Se você entender que não é um crescimento em todas as áreas da capital e da Grande São Paulo, vai verificar que principalmente na Grande SP houve a Lei Seca. Houve a proibição de bares venderem bebida alcoólica em determinado momento e fecharem em determinada hora.

Funciona?
Veja, em 2009, na Grande SP, os homicídios baixaram em todos os trimestres. Essa providência é possível aplicar em uma cidade pouco menor que São Paulo. Funciona e é mais fácil de fiscalizar. Em São Paulo, houve um descréscimo no terceiro e no quarto trimestre. Não dá pra relacionar isso com a crise porque essas providências de crise, emprego, retorno ao emprego, demoram um pouco para se refletir. O que a gente deve considerar são duas coisas: da parte da polícia, uma atenção maior para os números específicos, da capital e do interior.

E direcionar políticas públicas específicas para esses locais?
Redirecionar as políticas. Pra isso a polícia tem o disque-denúncia. O disque-denúncia precisaria ter uma consideração um pouco diferenciada. Já sustentei isso e acho que ele deveria estar ligado sempre à sociedade civil. A participação policial civil e militar teria que ser num nível hierárquico quase próximo ao do secretário, para que esses índices fossem manejados por pessoas mais experimentadas do que ainda o são. Pelo Infocrim, temos que verificar o que houve nessas regiões. Acho pouco a gente atribuir à crise. Porque a crise esteve em todos os lugares. São José dos Campos é um dos lugares em que o desemprego, seguramente, não foi dos maiores. Nem a Baixada Santista, que tem aquela população flutuante. Da parte da sociedade civil, a gente precisaria avaliar um pouco as instâncias que ela tem de resolução de conflitos. A sociedade civil, o Estado e a Justiça. Porque o Estado legislador criou novas leis… Por exemplo, tem a violência familiar e a gente não leva isso a sério.

E é mais difusa.
Nós todos ficamos abismados quando um cidadão, num lugar onde existe uma câmera, ele entra, mata a ex-mulher e vai embora. Com o revólver. Isso é uma coisa que me parece muito complicada. Você não vê nenhuma dificuldade para as organizações criminosas terem armas. Esse é um fato que não tem muito a ver somente com a polícia de São Paulo, que está fazendo sua parte. Deve respostas a esses pontos, mas tem a ver com a apreensão de armas pela Polícia Federal, pelo Exército, tem a ver com os pontos vulneráveis da nossa fronteira. Ninguém compra arma na loja. Senão, não tem explicação. Falta um esforço conjunto, menos partidário e mais solidário, entre diversas instâncias do poder. São Paulo não tem fronteira com o exterior, salvo o porto. E, ainda assim, a fiscalização nos portos e aeroportos não é da polícia estadual. Concentrar a crítica só na polícia estadual é fraco.

Há também os crimes banais, como é possível combatê-los?
Grande parte dos homicídios é isso. Crimes banais. É o homicído em que o cara foi para o bar armado. A polícia diz que está fazendo várias incursões em bares… Toda briga em bar termina com revólver na mão! Outro dia, numa padaria, o segurança sacou e deu um tiro num cliente. A gente tinha que rever a questão dos armamentos. Os que se opunham às vendas de armas foram vencidos, mas as estatísticas estão cobrando como a gente deveria ter entendido a questão das armas. A reversão é pequena, mas é uma reversão. Temos que reverter a desconfiança na Justiça. Porque quem vai armado a um lugar é porque não confia na polícia ou na justiça. E há a mediação social, as igrejas prestarem atenção nesses números e começarem a trabalhar. Muitas organizações não-governamentais estão trabalhando, como o “Sou da paz” – e eu sou do conselho. Se você olhar pra 1999, nós tínhamos quase 40 homicídios por 100 mil pessoas. Chegamos a 10,7. É só não deixar essa tendência se inverter. Mas o números preocupam, porque são pessoas que morreram. A Lei Seca funcionou em alguns lugares, por que não funcionará em outros?

Municipalizar a política de segurança pública seria uma boa alternativa?
Não. A polícia tem entendido que as guardas municipais são boas parceiras. Até porque, a partir de 1999, com a polícia militar se aproximando da civil, o policial saindo preparado com o colete, com armamento melhor, isso deu resultado. Os homicídios foram pra 10,7. Estamos quase no índice ideal. A polícia tem que continuar estadual, polícia municipal seria com muita facilidade colocada a interesses subalternos. O Estado de São Paulo conta com corregedorias eficientes. A polícia está fazendo sua parte. Precisaria um pouco mais de atenção nesses pontos.

As prefeituras poderiam estudar a Lei Seca, os lugares em que a violência ocorre… Os fenômenos, a rua mal iluminada, o bar que funciona quando não pode, venda de bebida para menores. E aí trabalhar com essa visão, em cima dos números. A estatística é apenas para preocupar e direcionar as nossas angústias. Ela não é senhora, tem que ser examinada com prudência. Até semáforo inteligente ajuda a se livrar de latrocínio. Temos que nos preocupar com os locais onde isso aconteceu. Quero tirar o foco da polícia de São Paulo, dizendo que ela tem sua responsabilidade, para dizer que a Polícia Federal, o Exército, os municípios têm responsabilidades. O crime é um fenômeno muito complexo pra ser deixado na mão apenas da polícia.

Roupa suja lavada em público na Usiminas

Da estrutura dos negócios à logomarca da empresa, o engenheiro Marco Antônio Castello Branco mudou quase tudo na Usiminas nos últimos dois anos. Quando assumiu a presidência, em 2008, ele recebeu carta branca dos acionistas para mudar a cultura da companhia, fortemente marcada pelos 17 anos de comando do ex-presidente Rinaldo Campos Soares — que continua na empresa como membro do Conselho de Administração. As mudanças aborreceram parte dos funcionários. As queixas transbordaram e criaram situações constrangedoras.

Numa investigação que corre em sigilo de Justiça, a Usiminas é acusada de ter submetido executivos a assédio moral e sexual durante treinamentos realizados pela consultoria SID APA, do médico e antropólogo Ely Bonini.

Junto com as notícias sobre a investigação conduzida pelo Ministério Público, chegaram ao mercado rumores de que o mandato do executivo, que vence em 30 de abril, não seria renovado. Os acionistas, principalmente os japoneses da Nippon Steel, não estariam satisfeitos com os problemas internos e com a performance no mercado. A Usiminas perdeu terreno para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no mercado automotivo, onde sempre foi líder com folga. Castello Branco deixou um cargo no alto comando da V&M na França para assumir a Usiminas. Afirma que tudo não passa de intriga, manobra para desestabilizar a imagem de sua gestão e prejudicar o processo de mudanças na siderúrgica. A seguir, os principais trechos da entrevista.

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Resistência é normal em processos de mudança nas corporações. Mas na Usiminas parece ter atingido níveis fora do padrão. Foi uma surpresa para o sr.?

A baixa qualidade da resistência, que chega ao ataque pessoal, me surpreendeu. A quebra de dogmas antigos está gerando uma resistência brutal, animalesca. É preciso ter paciência e firmeza. Dei um azar muito grande, que foi a crise. Mais ou menos como aconteceu com o Barack Obama (presidente dos EUA). O negócio estourou na mão dele. Ele é o portador do futuro, mas ao mesmo tempo… Que cara azarado, né?

Como é ter, nesse processo de mudança, o ex-presidente sentado no conselho de administração?

Muito ruim isso, péssimo. No caso específico dos objetivos que essa organização e os seus acionistas me deram, isso dificulta porque é constrangedor.

Que percepção os acionistas têm desse conflito?

Isso é muito constrangedor, principalmente para o acionista japonês (Nippon Steel). Não faz parte da cultura dos japoneses chegar a um conflito tão explícito. Todos os acionistas brasileiros que estão no grupo de controle tinham a expectativa de que a coisa não ia ser fácil. Não está sendo tão surpresa para eles quanto está sendo para mim o baixo nível a que chegou esse negócio.

A Nippon Steel cobrou explicações sobre o que está acontecendo?

Claro. Estão chegando cartas anônimas no Japão, para o presidente do Conselho. Eles não estão gostando disso. Hoje eu gasto 40% do meu tempo dando explicação, visitando, recebendo, convidando as pessoas para vir e ver em vez de acreditar no que estão dizendo por aí. No momento em que estamos começando a sair da crise, com grandes investimentos para decidir, precisamos ficar resolvendo esse fuxico corporativo.

Há boatos no mercado de que a renovação de seu mandato está por um fio…

O conselho de administração da Usiminas pode demitir o presidente a qualquer momento. Não tem de dar satisfação, não precisa esperar a data de renovação do mandato, no dia 30 de abril. Fiz uma consulta ao conselho da Usiminas e o retorno foi a confirmação da necessidade de fazer a transformação. Esse fuxico corporativo tem é o objetivo de desestabilizar.

Uma de suas metas é rejuvenescer o corpo de executivos?

O perfil etário obrigava a, no meio do caminho, ter de substituir. Quarenta por cento dos superintendentes executivos, o nível abaixo da diretoria, estavam aposentados e tinham acima de 62 anos. Quase a metade do primeiro time era de aposentados. Não é que o aposentado é ruim. Mas isso significa que tem gente presa embaixo. Estamos sem poder dar maturidade de gestão para essas pessoas. Nós temos muito MBA aqui sem prática.

A demissão de funcionários tão antigos foi o principal substrato para o tal fuxico corporativo?

Criamos as tais partes contrariadas. E foi um número expressivo e concentrado na região de Belo Horizonte e Ipatinga. É o pessoal que mora no mesmo bairro, frequenta o mesmo clube, joga peteca junto.

Era possível fazer isso de forma menos traumática?

Na Usiminas, o clima é meio passional. Os indivíduos se apropriam da instituição, é uma relação de paixão, de ciúme. O que faria diferença seria a dilatação no tempo. Não deu para fazer por causa da crise, paciência. Maquiavel fala: a maldade você faz toda de uma vez e a bondade a conta-gotas.

A consultoria que o senhor contratou está sendo atacada por todos os lados…

É uma grande injustiça. O cara (prof. Ely Bonini) foi condenado por alguma coisa? Falar que tem assédio sexual, isso é baixeza. O cara tem uma história. Para quantas empresas ele já trabalhou? Na Mannesmann, eu trabalhei com ele desde 2001.

Como executivo, o sr. foi submetido aos mesmos métodos que trouxe para Usiminas?

Eu queria uma consultoria de recursos humanos brasileira, localizada em Belo Horizonte e que tivesse, principalmente, um diferencial científico. Na área de psicoantropologia social, existe ciência. Aqui em Belo Horizonte tinha o grupo formado pelo professor Bonini, que é professor, médico, antropólogo, de experiência pessoal muito rica. Não queria simplesmente um livrinho de autoajuda. É preciso situar a nossa empresa no contexto brasileiro. Nós somos um povo colonizado. Nessa região de Minas Gerais, nós vivemos o coronelismo. Quando você vai para o chão de fábrica, o supervisor tem o papel do sargento, isso faz parte da nossa história.

Quando o sr. conheceu a consultoria SID APA?

Quando fomos mudar a Mannesmann. Em 2000 assumi a presidência de uma empresa que tinha sido vendida para a Vallourec. Em vez de ser controlados por alemães, passamos a ser controlados por franceses. E vínhamos de uma crise, de prejuízo atrás de prejuízo. Não conheço nenhuma empresa onde o SID APA tenha trabalhado que não esteja muito bem, com lucro.

O sr. concorda que esses métodos possam ser constrangedores para alguns diretores?

A condição da SID APA para trabalhar é que a diretoria participe. Porque normalmente as dificuldades de uma organização começam lá no topo. Eu participei, lá na Mannesmann, e tomei isso como um valor. Você não tem como fazer o processo de transformação do ambiente em que você trabalha se você não se transforma. Mas nesse trabalho ninguém fica falando de vida pessoal. É absurdo quererem configurar invasão da intimidade, da integridade pessoal.

Então o senhor está tranquilo em relação às denúncias feitas ao Ministério Público?

Muito tranquilo. É manipulação. Não admito que isso tenha acontecido.1

Não houve nenhuma reclamação interna antes da denúncia ao MP?

Nós temos o canal aberto, você entra na intranet e vai encontrar umas 80 denúncias de assédio. Tem uma de um operário que entrou no banheiro e bateram nele, lá em Cubatão. Tem reclamação de chefe que trata mal, que xinga todo dia. Tem reclamação de chefe que pede dinheiro emprestado sob ameaça de mandar o subordinado embora. Nós escutamos todas, analisamos, encaminhamos para o comitê de conformidade. Mas sobre isso (contra o professor Bonini) não tem nada. No Ministério Público não tem ninguém que está reclamando que ganha menos de R$ 20 mil por mês.

Que consequências as investigações do MP poderão trazer para a Usiminas?

Nós fizemos um termo de compromisso, não é um termo de ajuste de conduta porque nós não aceitamos que houve desvio de conduta. Mas acertamos determinados procedimentos. Vamos explicitar o que não estava explícito.

O sr. fez grandes mudanças na estrutura de negócios, dividindo a Usiminas em quatro eixos. O que o senhor pretende com essas mudanças?

Existe a convicção que a Usiminas não está adequadamente precificada. Uma das coisas que afetam isso é exatamente a falta de noção de quanto contribui cada tipo de negócio para a geração de valor. Iniciou-se então este trabalho de organizar os quatro eixos básicos da Usiminas: mineração e logística, siderurgia, transformação do aço, bens de capital.

O mercado já começou a perceber melhor a Usiminas?

Precisamos fazer mais, precisamos comunicar a contribuição de cada segmento no faturamento. A partir deste ano, vamos divulgar os resultados da Usiminas por segmento, quanto contribuiu mineração e logística, siderurgia, bens de capital, transformação do aço.

Como a crise complicou os planos de reestruturação dos negócios da Usiminas?

Fazer um processo de transformação num ambiente de recessão, com necessidade de redução dos quadros, é mais complicado. Ao mesmo tempo, a crise abre oportunidades. Temos um bom exemplo. Havia muita resistência, quase um preconceito, com o próprio minério da Usiminas. Comprar de terceiros era melhor do que adaptar nossos altos-fornos. Em 2008, num momento difícil, a diferença de custos foi tão grande que conseguimos ampliar o uso do minério próprio. Chegamos a usar 100% de minério próprio em Cubatão. Isso só foi possível, na velocidade que conseguimos fazer, por causa da emergência que a crise nos impôs.

A Usiminas perdeu espaço para CSN no mercado automotivo e essa é outra crítica que fazem à sua gestão…

A Usiminas perdeu participação, particularmente aqui em Minas Gerais, com a Fiat, por um problema de oferta. Antigamente, tínhamos um mix de fornecimento para a cadeia Fiat com alguma participação de material galvanizado. Em 2007, a Fiat fez uma alteração das especificações técnicas e trocou o laminado a frio por mais galvanizado. Mas encontrou a Usiminas, que sempre foi seu principal parceiro, sem capacidade de atendimento. Mesmo com todas as 430 mil toneladas vendidas, a Usiminas ia perder participação porque o mercado cresceu. A autocrítica que fazemos, a direção, é que estamos atrasados. O processo de ampliação será concluído neste ano e chegará ao mercado em 2011. Essa reverberação de que a Usiminas está perdendo mercado é também uma disseminação de informação com intuito de afetar a imagem da gestão que estou fazendo.

Que reflexos terá essa demora na decisão? Dá para recuperar a participação de mercado?

Claro que tem reflexos. Se não tivéssemos uma deficiência de oferta, poderíamos nos sustentar melhor no crescimento da demanda, ter um atendimento mais global para nosso cliente. Tem jeito de recuperar? Tem. Vamos ter no ano que vem aumento da capacidade e tecnologia top de linha, produzindo aço galvanizado premium. Vamos entrar com 500 mil toneladas de uma vez, mais competitivos, em condições de oferecer preços mais adequados. Somos um fornecedor muito tradicional do setor automotivo. E, com um aço de alto valor agregado, vamos poder ter também um posicionamento mais consistente no setor de construção civil.

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Quem é Marco Antonio Castello Branco

Formado em engenharia metalúrgica pela Uiversidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com mestrado e doutorado na Alemanha. Tem 49 anos

Entrou na antiga Mannesmann como estagiário, em 1983. Com a fusão da empresa com o grupo francês Vallourec, tornou-se presidente da companhia no Brasil.

Em 2004, assumiu funções no alto comando do grupo na França. Acumulava a presidência do Conselho de Administração da empresa no Brasil. Dois anos atrás, foi contratado para comandar a Usiminas

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

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Vale-Usiminas: das privatizações ao monopólio

 

Ciro Gomes quer um projeto de futuro para o Brasil

aaaaaaaciro2Deputado afirma que o país está perdendo espaço e que precisa se organizar para um crescimento socioeconômico com distribuição de renda mais justa

O deputado federal e pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PSB-CE) disse nesta segunda-feira, em São Paulo, que quer propor um projeto de futuro para o Brasil. Para ele, o Brasil tem condição de fazer uma aposta no crescimento socioeconômico através de uma distribuição de renda mais justa para sua população.

“Já está provado, se eu aumentar a renda do trabalhador brasileiro, o povo vai comprar, o que faz com que a nossa produção também aumente, girando nossa economia”, disse Ciro Gomes. Segundo o deputado, é preciso uma reforma na Saúde, na Educação, “onde as pessoas possam ter uma escola pública que as libertem da mensalidade escolar, uma rede pública de atendimento médico que torne os planos de saúde desnecessários”.

Ciro Gomes afirmou que é inadiável e que não se justifica não ter um metrô de qualidade em São Paulo, Rio de Janeiro, e Belo Horizonte. “Se você tomar 10% do que se paga em juros em um ano dá para financiar um metrô em São Paulo. Enquanto isso, as pessoas têm que viajar duas ou até mais horas para ir ao serviço e outro tanto desse para voltar; é uma terceira jornada de trabalho pela qual ninguém paga um centavo e que destrói a vida do cidadão.”

“Não sou o dono da verdade, mas é preciso debater os assuntos, convocar o país, ajudar o povo a entender o que está acontecendo e a hora de fazer isto é agora, na eleição geral. E isto tem que ser feito de forma urgente”, enfatizou Ciro Gomes.

Na opinião do deputado, o Brasil não tem um projeto organizado, desenhado e protegido por leis, que prepare nosso país para enfrentar o futuro. Ciro Gomes acredita que “no Brasil, tudo está fora do lugar.”

“O país melhorou muito se olharmos pelo retrovisor, compararmos com o passado, mas se você olhar para o futuro do Brasil, eu tenho medo. Do jeito que a política está ficando, eu tenho medo do nosso futuro”, ressaltou Ciro Gomes.

Para completar, o deputado afirmou que o Brasil está perdendo espaço no mundo em matéria de qualidade dos produtos que vende; “a China está crescendo um Brasil siderúrgico em aço por ano; passamos no ranking mundial de 6o país em tecnologia aeroespacial para o 27o; sem contar que se um garoto nascer num morro do Rio de Janeiro e for negro, deve morrer antes dos 23 anos”.

A informação é da assessora de Ciro Gomes

 

Imagens que correram o mundo hoje

PAULISTA

 

 

 

 

 

 

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Robinho e Rogérios

Zezinho chega nesta segunda ao Santos para reforçar “bando de moleques”

 

Mais uma jovem revelação se juntará ao Santos. Na segunda-feira, o atacante Zezinho, ex-Juventude, é aguardado pelo clube da Baixada Santista para realizar exames médicos e finalizar sua contratação. Ele é mais uma aposta da diretoria alvinegra.

“O Zezinho chega por empréstimo de dois anos. É mais um moleque que chega para o bando de moleques”, disse Pedro Luiz Nunes, diretor de futebol alvinegro, brincando com o termo “bando de loucos” adotado pelo Corinthians.

Os moleques citado pelo dirigente estão novamente em alta no Santos. Apresentando o futebol mais atraente do Paulista, o time de Dorival Júnior tem como principais destaques Neymar e Paulo Henrique Ganso, de 18 e 20 anos, respectivamente. Parceiro de ataque de Neymar, André é outro desse bando, com 19 anos.

Embora tenha só 17 anos, Zezinho chegará ao Santos com salário de jogador profissional. Seu nome foi aprovado por Dorival Júnior. Ele ganhou projeção no cenário internacional após participar do Mundial sub-17, realizado em novembro de 2009, na Nigéria.

Zezinho foi titular da seleção ao lado de Neymar, mas já despertava a cobiça de clubes europeus. Segundo a imprensa gaúcha, o Juventude chegou a recusar uma proposta de US$ 1,8 milhão feita pelo Arsenal (ING).

A informação é do UOL Esporte

 

Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) realiza plenária em Brasília nesta segunda (8)

Da Agência DIAP 

O objetivo dessa reunião é acompanhar a tramitação de matérias de interesse do movimento sindical no Congresso. Está também na pauta, mobilização na Câmara em defesa da inclusão na pauta da PEC 231/95, redução da jornada

A coordenação do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) realiza, nesta segunda-feira (8), em Brasília, reunião com os representantes e presidentes das entidades filiadas, para traçar plano de ação no Congresso Nacional.

O objetivo dessa reunião é acompanhar a tramitação de matérias de interesse do movimento sindical.

O encontro será às 15 horas no plenário 2, Ala Nilo Coelho, no Senado.

Os dirigentes sindicais discutirão a seguinte pauta: plano estratégico para ações no Congresso; proposta da Cobap para auditoria pública na Previdência Social; agendamento de audiências na Câmara dos Deputados; composição da comissão organizadora do Encontro Nacional do FST 2010 (18 de maio); e proposta para a edição da primeira revista do Fórum.

40 horas

O coordenador nacional do FST, José Augusto da Silva Filho, lembra que, na terça-feira (9), as lideranças sindicais irão fazer nova mobilização na Câmara dos Deputados pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.

Adin do DEM contra contribuição sindical às centrais está na pauta do STF

Da Agência DIAP

O placar, até o momento, está desfavorável às centrais. São três votos favoráveis à Adin e dois contrários. Faltam votar ainda cinco ministros. Toffoli não poderá votar, pois à época que era AGU se posicionou contra a Adin  

Está previsto, para esta quarta-feira (10), a apreciação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 4067, do DEM, que questiona o repasse da contribuição sindical às centrais sindicais.

A Corte Suprema poderá retomar a votação iniciada em 24 de junho de 2009, quando pedido de vistas do ministro Eros Grau interrompeu o julgamento. O placar, até o momento, está desfavorável às centrais. São três votos favoráveis à Adin e dois contrários.

O DEM requer a inconstitucionalidade dos artigos 1º, II e 3º da Lei 11.648/08, bem como dos artigos 589, II, “b” e seus parágrafos 1º e 2º e ao artigo 593 da CLT, na redação dada pela referida lei.

O partido afirma que “a contribuição sindical configura espécie de contribuição parafiscal, a constituir típica contribuição de interesse de categorias profissionais, sendo vedada sua utilização para o custeio de atividades que extrapolem os limites da respectiva categoria profissional”.

Nessa linha, sustenta que, “afora o próprio Estado e as entidades expressamente referidas na Constituição, descabe à lei reconhecer a outras entidades – como as centrais sindicais – a condição de destinatárias imediatas de recursos tributários”.

Alega, ainda, que referidos dispositivos impugnados conferem às centrais sindicais representatividade diversa das hipóteses previstas no artigo 8º da Constituição Federal.

Quem votou

Três votos favoráveis à Adin. O relator, ministro Joaquim Barbosa, os ministros Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski haviam votado parcialmente favorável à Adin, porém pela impossibilidade da destinação de parcela da contribuição sindical às centrais.

Dois votos contrários. O ministro Marco Aurélio votou pela improcedência da Adin e a ministra Cármen Lúcia, parcialmente favorável, mas concordando com a destinação de parte da contribuição sindical às centrais.

Quem falta votar

Para concluir o processo, faltam votar ainda os ministros Gilmar Mendes (presidente), Ellen Gracie, Carlos Britto, Eros Grau e Celso de Mello.

O ministro José Antonio Dias Toffoli está impedido de votar, pois se posicionou contrário à Adin quando era advogado-geral da União.

Documento do PT faz proposta para política internacional

O Partido dos Trabalhadores quer fazer uma intensa campanha para o cadastramento de brasileiros que moram no exterior e, com isso, captar votos para a pré-candidata governista à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff.

Os petistas querem que as embaixadas e consulados se mobilizem para convocar os brasileiros que moram no exterior para que comparecerem até o dia 5 de maio às representações pelo mundo a fora e se cadastrem a fim de poderem votar nas eleições de outubro próximo. O PT está de olho nos 4 milhões de brasileiros que moram no exterior. Na última eleição presidencial, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, apenas 125 mil desses brasileiros compareceram às urnas.

A intenção de captar eleitores no exterior consta da política internacional do PT, apresentada ontem aos militantes, que servirá de diretriz para o programa de governo de Dilma Rousseff.

Durante a discussão do documento de 28 páginas, em cerca de quatro horas de reunião, não faltaram críticas à política externa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ao possível candidato tucano à sucessão de Lula, governador de São Paulo, José Serra, pelo “apoio implícito ao golpismo em Honduras”.

As políticas dos Estados Unidos e de Israel também foram atacadas e o presidente israelense, Shimon Peres, foi classificado pelo assessor internacional do Planalto, Marco Aurélio Garcia, como “um homem de convicções socialistas absolutamente aguadas”.

Em uma das denúncias à mídia golpista, Marco Aurélio Garcia disse que que ela é tão perigosa quanto a ameaça que representaria a recriação da 4ª Frota norte-americana para atuar no Atlântico Sul.

“Hoje em dia, tão importante quanto a 4ª frota são os canais a cabo. Eles têm um processo de dominação muito eficiente no despejo de toda esta quantidade de esterco cultural que não tem sequer a função de criticar alguma coisa”, disse ele.

O texto fala da preocupação com a “contraofensiva da direita latino-americana”, que é caracterizada pela ampliação de bases militares na Colômbia, pelo golpe de Estado em Honduras, e pela eleição de Sebastián Piñera, eleito para a presidência do Chile.

Depois de citar a necessidade de reforço da integração latino-americana, destaca que deve ser mantida a política de ajuda aos países vizinhos para diminuir as assimetrias econômicas, com realização de investimentos em infraestrutura “a fundo perdido”. O texto ressalva que, para que o Brasil possa assumir estes investimentos, “é preciso que exista uma maioria política que perceba as vantagens que o desenvolvimento da América do Sul traz para o desenvolvimento brasileiro”.

Salienta ainda o documento que “ao mesmo tempo, para que a implementação desta política seja bem recebida pelos países vizinhos, é necessário afastar o temor de que esteja em marcha algum tipo de “subimperialismo brasileiro (temor muitas vezes reforçado pela atitude arrogante e predatória de grandes empresas brasileiras)”.

Ao falar sobre este tema, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, alertou para a necessidade de atenção aos desequilíbrios comerciais que estão sendo provocados pelas empresas brasileiras nos países vizinhos.

No documento, o PT exige o fim da ocupação dos Estados Unidos no Iraque e Afeganistão, defende a criação do Estado Palestino, a luta pela independência de Porto Rico, a constituição de um estado livre e independente para o povo saaraui, a República do Saara Ocidental, e a solução negociada dos conflitos Internacionais. Defende também Cuba e as conquistas sociais da revolução cubana e apoio à reconstrução do Haiti.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo

 

Cuba: Escritora sul-africana Nadine Gordimer pede fim do bloqueio

A romancista sul-africana Nadine Gordimer, Prêmio Nobel de Literatura, considera que o governo de Barack Obama deve levantar o bloqueio contra Cuba e retirar a ilha da “lista negra” de Estados que apoiam o terrorismo.

“Os Estados Unidos devem levantar qualquer espécie de sanção e de boicote a Cuba, quer seja de natureza econômica ou outra”, declarou a escritora à revista cultural Jiribilla na sua edição na Internet.

A Prêmio Nobel de Literatura 1991 exprimiu várias vezes o seu apoio a Cuba.

Nadine Gordimer, assim como a escritora canadense Margaret Atwood, Prêmio das Astúrias das Letras 2008, está em Havana como convidada de honra da Feira Internacional do Livro de Cuba, que começará no próximo dia 11.

Nadine Gordimer recebeu o Prêmio Nobel da Literatura em 1991, chamando mais uma vez a atenção para a ignomínia que era o apartheid, na África do Sul.

Nascida em 1923 na cidade de Sping (Transval), filha de imigrantes judeus, testemunhou em 1986 num julgamento para salvar as vidas de 22 membros do Congresso Nacional Africano (ANC), acusados de “terrorismo”.

Está traduzida em mais de três dezenas de línguas e recebeu numerosos prêmios e doutoramentos honoris causa, estando toda a sua obra ligada à história da África do Sul.

Com agências

 

Lula quer participação de todos no Plano Nacional de Banda Larga

Por Edileuza Soares, da Computerworld

“O governo não será o dono deste projeto sozinho”, disse o presidente. A próxima semana será decisiva para definição do modelo de execução.

“Já temos a proposta quase acabada”, garantiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tarde desta sexta-feira (5) ao se referir ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que passará por fase importante na próxima semana.

Lula fez essa confirmação durante a cerimônia de inauguração do Centro Nacional em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), em Porto Alegre (RS), onde aproveitou para mandar um recado aos que são contra a reativação da Telebrás para operacionalizar o programa do governo federal para universalização da internet no Brasil.

O presidente afirmou que ninguém deixará de ser ouvido no País sobre o PNBL, antes da reunião ministerial que acontecerá na próxima terça-feira, 10/2, para apresentação de uma proposta para colocar o programa em prática.

Lan houses

Até representantes do segmento de lan houses serão ouvidos, por determinação do presidente. Existem entre 6 mil e 8 mil estabelecimentos desses no Brasil, que são um dos principais meios para inclusão digital da população de baixa renda que ainda não tem computador em casa. Eles também darão sugestões para o PNBL.

O encontro deverá ser nos mesmos moldes dos que aconteceram esta semana com os representantes da sociedade civil, das operadoras de telecomunicações e provedores de internet. Todos ouviram do governo a intenção de construção de um projeto conjunto. E saíram mais tranqüilos.

O discurso acalmou até as operadoras, que no início da semana chegaram a reagir mal diante das notícias de intenção real do governo de reativação da Telebrás para prestação do serviço.

“Ainda é prematuro fazer qualquer afirmação com respeito à Telebrás”, afirmou Luiz Eduardo Falco, que foi um dos participantes da reunião realizada hoje em Brasília, comandada pelo cooredenador do programa de inclusão digital da  Presidência da República, Cezar Alvarez e a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra.

Regras claras

“ Fizemos algumas sugestões hoje sobre o plano”, disse o presidente da Oi. “Pedimos mais agressividade em impostos e a separação entre os temas competição e regulamentação”, afirmou o executivo, que considera a existência do PNBL boa para o Brasil, mas acha importante o estabelecimento de regras claras sobre a atuação de cada um na tarefa de universalização do serviço.

No discurso em Porto Alegre, Lula voltou a afirmar que o governo não quer estatizar a banda larga. Mas disse que, como até agora as empresa privadas não conseguiram disseminar esse serviço entre as classes menos privilegiadas, o governo o fará.

“Ninguém está a fim de levar nada para o pobre neste país. Ninguém está a fim de fazer a última milha se não for altamente lucrativo”, criticou o presidente, afirmando que só o Estado tem a responsabilidade de garantir acesso a todos, independente da classe social.

Para isso, Lula enfatizou que quer fazer parcerias. “Queremos trabalhar com todos, com a grande, pequena e microempresa”, disse ele, deixando claro que o governo não quer  “ser dono desse projeto sozinho”.

Nas contas do governo, o PNBL custará aos cofres públicos cerca de 14 bilhões de reais até 2014. Bem abaixo do orçamento apresentado pelo Ministério das Comunicações, em estudo conjunto com as operadoras de telefonia, de 75 bilhões de reais.

Fernando Haddad defende que Mercadante dispute governo paulista

aaaaaaaaahadadPor Antônio Gois e Angela Pinho, no jornal Folha de S. Paulo

Após o “trauma bastante violento” devido ao vazamento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2009 -do qual o Ministério da Educação ainda se recupera-, o ministro Fernando Haddad admitiu erros no processo de licitação, mas defendeu o novo formato da prova. Passado o período crítico, ele falou à Folha também sobre seu futuro político, negando a possibilidade de disputar o governo de São Paulo.

Para ele, o PT paulista errou, nas sete últimas eleições estaduais, ao ter tido sete candidatos diferentes, o que dificultou a consolidação de uma liderança. Além disso, diz, a possibilidade de o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ser o candidato petista em São Paulo seria fruto mais da conjuntura nacional -para consolidar Dilma Rousseff- do que da local.

O ministro, que também é professor de ciência política da USP, afirmou que, do ponto de vista da opinião pública, não há mais partido que tenha imagem associada à ética. O problema, diz, só será resolvido com uma reforma política.

A respeito do desgaste de sua imagem no ministério, Haddad disse que não se preocupava com isso, mas acha que não é tão grande, pois, segundo a mais recente pesquisa do Datafolha, a educação foi a área mais bem avaliada do governo.

Ainda sobre o Enem, afirmou que foi pego de surpresa com a vitória de um consórcio menos experiente para a distribuição das provas e reiterou que, para este ano, está discutindo com os órgãos de controle a ausência de licitação em favor do consórcio Cespe/Unb e da Cesgranrio e a realização de duas edições do exame.

FOLHA – A imagem que muitos ficaram do Enem foi de um processo caótico. Alunos foram alocados em locais distantes de casa e a prova vazou, entre outros problemas. Qual é a sua leitura do episódio?
FERNANDO HADDAD
- Superamos a forma de seleção nos países desenvolvidos. Em países como os Estados Unidos, o estudante pleiteia a vaga na universidade conhecendo o seu desempenho por exames nacionais. Com o Enem, ele escolhe sabendo não só o seu desempenho, mas também o de seus concorrentes.
Tanto a forma da nova prova como o aplicativo de distribuição das vagas compensam as dificuldades decorrentes do furto da prova, que foi um trauma bastante violento para o Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas], do qual ele está se recuperando só agora.

FOLHA – A imagem do sr. como gestor não foi abalada?
HADDAD
– Não cabe a mim nem me preocupar com isso. Enfrentamos um debate duro com o sistema S, lançamos indicadores de qualidade por escola, enfrentamos um debate com a área econômica para acabar com a DRU para a educação [Desvinculação de Receitas da União, que retirava recursos da educação para o governo gastar em outras áreas]. Tudo isso podia ter arranhado a imagem de quem quer que seja. Mas só me pautei pelo que deve ser feito e muitas vezes enfrentei problemas que exigem uma certa ousadia, que não era bem o perfil dos dirigentes do MEC.

FOLHA – Que autocrítica faz?
HADDAD
– Muitas vezes, tem-se um temor reverencial em relação aos órgãos de controle. Se tivéssemos enfrentado o debate junto a eles demonstrando que um exame dessa natureza não pode correr o risco de uma licitação por menor preço, teríamos sensibilizado. Mas se contou com a tradição: sempre se fez licitação e sempre Cespe e Cesgranrio ganharam porque não há outras instituições capazes de realizar o exame. Quando viu a surpresa, o Inep não estava preparado para o embate jurídico do surgimento de um “player” [o consórcio Connasel] que cumpria os requisitos do edital, mas estava evidentemente despreparado para a sua realização.

FOLHA – Mas já durante a licitação surgiram críticas de que a mudança do Enem estava sendo feita de forma muito rápida.
HADDAD
– Foi o quinto Enem com mais de 3 milhões de inscritos e, na minha opinião, não teria ocorrido nenhum problema significativo se Cespe e Cesgranrio tivessem feito.

FOLHA – Mas alguns problemas não tiveram relação direta com o furto da prova. Os gabaritos foram divulgados com erro, e o Sisu (sistema que seleciona alunos do Enem para universidades federais) ficou horas fora do ar, por exemplo.
HADDAD
– No caso do Sisu, um milhão de pessoas navegaram pelo sistema durante os seis dias que ele operou. Houve uma questão técnica no primeiro dia que foi superada. É que, depois do furto, tudo ganha relevo muito maior. Mas sempre há ocorrências.

FOLHA – O Inep não falhou no acompanhamento do contrato? A auditoria interna aponta que os problemas de segurança foram comunicados verbalmente ao consórcio.
HADDAD
– Do meu ponto de vista, o maior responsável é o consórcio, que assinou um contrato se responsabilizando pela segurança da prova. Possivelmente houve erros da gráfica e pode ter havido problemas de acompanhamento da impressão. O fato é que o furto foi filmado e não havia ninguém atrás do monitor para impedir.

FOLHA – O que vai mudar no Enem?
HADDAD
- Estou na dependência das negociações que estão sendo feitas entre o Inep e os órgãos de controle. Não podemos tomar essa decisão sem ter a segurança de que não haverá objeção ao contrato com o Cespe. Esse é o entendimento que está sendo construído, com boas chances de uma solução definitiva para o modelo de contratação dos exames que certificam e selecionam.

FOLHA – O sr. sai do MEC em abril para ser candidato?
HADDAD
– O presidente Lula, já reeleito, em novembro de 2006 me disse três coisas: você permanece ministro, eu quero em 60 dias um plano de educação na minha mesa com o compromisso de que você permaneça até o final do segundo mandato. De lá para cá, não conversamos mais sobre esse assunto.

FOLHA – A longo prazo, o sr. não pensa em cargo no Legislativo ou no Executivo?
HADDAD
– Realmente não. Estou sendo muito sincero.

FOLHA – Onde estará em 1º de janeiro de 2011?
HADDAD
– Provavelmente em São Paulo, me apresentando no departamento de Ciência Política da USP.

FOLHA – Um dos nomes mais prováveis do PT para a disputa do governo de São Paulo, o senador Aloizio Mercadante tem contra si ainda a lembrança dos “aloprados”, em 2006, quando um coordenador da campanha dele foi flagrado negociando um dossiê contra tucanos. O sr. não considera um risco trazer este tema de novo para a campanha?
HADDAD
– Eu não tenho esse diagnóstico. O senador Aloizio Mercadante, mesmo após aquele episódio que confundiu a opinião pública, teve um percentual considerável de votos, o que o credencia tanto à reeleição no Senado quanto à disputa para o governo do Estado [Mercadante teve 31,7% dos votos no primeiro turno, contra 57,9% de José Serra].

FOLHA – Ele é o seu candidato?
HADDAD
– Quando fui consultado, eu disse duas coisas. A primeira, que considerava um equívoco o PT, em sete eleições, ter lançado sete nomes diferentes. Foi um argumento que o próprio presidente sublinhou. E, em segundo, [seria um equívoco] não considerar a hipótese de neste momento repetir o nome do senador, que teve um desempenho interessante na última eleição.

FOLHA – O sr. participaria de um eventual governo da Dilma?
HADDAD
– Considero problemática qualquer manifestação nesse sentido porque a pessoa que assume a Presidência tem de ter total liberdade para montar sua equipe. Quando você assume que participaria, cria um constrangimento desnecessário e indevido. Considero que aqueles que participaram do governo Lula devem planejar suas vidas fora do governo.

FOLHA – Já está claro que o sr. apoia Mercadante. Quais são os prós e contras de outros nomes, como a ex-prefeita Marta Suplicy?
HADDAD
– Eu entendo que os dois são os nomes mais viáveis do partido, com vantagem para o primeiro em função de ter disputado recentemente o governo do Estado, mas sem desapreço a outras postulações.

FOLHA – E Ciro Gomes? O fato de ele ser cogitado para candidato em São Paulo não revela a fragilidade do PT justamente no seu berço?
HADDAD
– O Ciro é um grande quadro, o PSB é um partido cada vez mais próximo do PT, de maneira que em vários Estados o PT vai apoiar o PSB. Isso diz respeito muito mais ao cenário nacional que ao regional.

FOLHA – Dilma não está no PT desde a fundação e, em São Paulo, cogita-se Ciro. O partido perdeu a força?
HADDAD
– A filiação da Dilma ao PT não é recente, e ela é egressa de um partido com laços históricos com o PT. Em segundo lugar, é preciso notar o desempenho da ministra Dilma durante o governo. Ela desatou nós muito interessantes no Ministério de Minas e Energia e na Casa Civil. E, por trás das medidas aparentemente administrativas que ela tomou, há uma visão de política pública do papel do Estado e do governo.

FOLHA – Mas o PT participou pouco da escolha dela como candidata.
HADDAD
– É evidente que um dirigente como o presidente Lula, que concorreu a cinco eleições presidenciais e tem 83% de aprovação, terá um papel determinante na condução da sua sucessão.

FOLHA – Alguns cientistas políticos fazem a análise de que Lula ficou muito forte e o PT se enfraqueceu, perdendo quadros e sua imagem associada à ética. O que o sr. acha?
HADDAD
– Talvez a questão que deveria ser respondida é como o Lula, em 2002, eleito por forças mais progressistas, fez um governo mais conservador do que em seu segundo mandato, em que ele foi eleito por uma coalizão mais conservadora. O segundo mandato avançou muito mais do ponto de vista de democratização do que o primeiro, do ponto de vista de direitos sociais.

FOLHA – E em relação à ética?
HADDAD
– Ninguém está se saindo bem nesse quesito do ponto de vista de opinião pública, nem PT, nem PSDB, nem DEM. Não se trata de um pré-julgamento jurídico, mas de uma observação de caráter político. Ninguém se sai bem perante o eleitorado nessa questão, o que é muito ruim para a democracia porque o adiamento da reforma política já não se justifica em virtude do constrangimento que os próprios partidos estão passando perante a opinião pública.

FOLHA – Por que o primeiro mandato foi mais conservador do que o segundo?
HADDAD
- Sobretudo a partir de 2005, o presidente se apropriou da máquina de maneira decisiva, a ponto de chamar a execução orçamentária para sua mesa. A partir de 2005, há uma mudança de comportamento e um arejamento para que novas ideias possam ser concebidas. O PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação, lançado em 2007) e o PAC não seriam possíveis em 2003.

FOLHA – Por quê?
HADDAD
– Não havia clima para grandes voos. Era um clima de constrangimento, de que qualquer alteração de rota poderia comprometer a estabilidade econômica e a sustentabilidade política. Aí essas hipóteses foram sendo testadas pelo presidente ao longo do tempo. E se verificou que na política tem muito tigre de papel.

Chomsky: como votam os norte-americanos

Imagens da Segunda Guerra Mundial estão disponíveis no Google Earth

Arquivo inclui imagens tiradas no ano de 1943 de 35 cidades europeias como, Lyon, Stuttgart e Nápoles depois de bombardeios aéreos.

O Google Earth possibilita aos usuários da rede e fãs do principal conflito bélico do século XX, visualizar por meio de seu serviço de mapas imagens do que sobrou das cidades europeias após a Segunda Guerra Mundial.

Habilitado desde a última quinta-feira (4), o arquivo inclui imagens tiradas no ano de 1943 de 35 cidades europeias como, Lyon (França), Stuttgart (Alemanha) e Nápoles (Itália) depois de bombardeios.

As imagens mais interessantes são de Varsóvia (Polônia), abrangendo o período de 1935 a 1945, desde sua invasão pelo exército alemão (1939), a criação dos guetos pelos nazistas e os últimos dias de conflito.

“Esperamos que as imagens da Segunda Guerra Mundial nos ajudem a compreender de um modo novo nossa história e aprender mais sobre o impacto da guerra no desenvolvimento de nossas cidades”, disse em seu blog Laura Scott, da Google Europe.

Clique aqui.

Com agências

 

Adriano Valente deixa saudades

Do blog Planeta JC

Perdemos um grande homem da história de Maringá. Ele foi para mim o melhor prefeito  desta cidade.

Em sua gestão, de 1969 a 1972 criou instituições que marcaram e são referências até hoje.

Fundou a UEM, Universidade Estadual de Maringá, criou a Feira Agropecuária e Industrial, hoje “Expoingá”,  o belíssimo recanto ecológico “Parque do Ingá”, que sempre foi sua “menina dos olhos”, além de obras da saúde e saneamento, infraestrutura como ruas, aeroporto, escolas primárias, habitação entre outras.

Imagens:

1 – Página com Biografia de Adriano Valente – Revista Maringá Ilustrada, 1972

2 – Em  seu recanto e criação, Parque do Ingá com o Administração do Parque, Izaulino Queiroga. Revista Ilustrada, 1972

3 – Adesivos comemorativos da 1a. “Expoingá”  e do projeto da Universidade Estadual de Maringá (UEM) – 1972 – (acervo pessoal JC Cecilio)

4 – Imagem mais recente do Parque do Ingá –  (foto:  JC Cecilio 2009)

Contra privataria, Dilma trava concessões de aeroportos

aaaeroportosA ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, é a principal trava ao processo de concessão de aeroportos à iniciativa privada, que estava sendo conduzida pelo Ministério da Defesa.

Apesar dos sucessivos apelos do aliado e governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), está descartada, por enquanto, a possibilidade de repasse à iniciativa privada a administração de aeroportos como Galeão (RJ) e Viracopos (SP). Dilma bombardeou a ideia por ser contra a privatista, no momento em que sua plataforma de campanha começa a ser preparada, tendo como mote a ampliação do papel do Estado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva endossa a posição da ministra e essa sinalização já foi repassada ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que, anteontem, durante cerimônia de balanço de três anos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), declarou que “as concessões estão fora de cogitação, neste momento”. Apesar disso, o Ministério da Defesa não vai interromper o trabalho, que já está adiantado, de elaboração de minuta de decreto com a modelagem de concessão.

O texto, que pretende ser uma espécie de marco regulatório do setor, e está sendo preparado pelo BNDES, prevê que empresas privadas possam administrar aeroportos por meio de concessão. A estatal Infraero, que hoje administra 67 aeroportos em nome da União, também passaria a ser uma concessionária. Com isso, a empresa passaria a contabilizar os contratos de concessão como ativos em seu patrimônio e teria condições de captar recursos no mercado. A medida prepara o terreno para uma a abertura do capital da Infraero no futuro.

O novo texto deverá ser apresentado até abril à Presidência, mas não há garantia de que seja levado adiante, nem mesmo depois da eleição, disseram fontes do governo. A intenção é que o modelo siga o que está sendo feito no aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN). A obra éconstruída com a ajuda do Exército, mas haverá concessão do terminal à iniciativa privada.

Os estudos da Defesa preveem que a exploração dos serviços aeroportuários poderá ser feita tanto por meio de concessões individuais, de um terminal, como em bloco, englobando o aeroporto por inteiro. Mas o setor de controle do tráfego aéreo permanecerá com a Aeronáutica.

De acordo com a proposta da Defesa, a definição de quais aeroportos passarão para o modelo de concessão seria do Conac ? Conselho Nacional de Aviação Civil. Caberia à Anac estabelecer as regras que serão cumpridas pelas empresas que ganharem a concessão. 

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

 

Carlos Lessa: Entre ser Noruega ou o Iraque tropical

Para o economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, o setor de energia atualmente é o mais estratégico do mundo e o Brasil pode sofrer ou se beneficiar de seu potencial energético, dependendo das opções que fizer:  

“A mão de Deus nos deu o petróleo, que dependendo de como o usemos, pode representar desenvolvimento, como na Noruega, ou retrocesso. No limite, podemos ser uma Noruega tropical ou um Iraque no Atlântico Sul. Temos de exportar trabalho feito pelos brasileiros e não virar primário exportador. Lula fala isso. Espero que tenha coragem de enfrentar o problema.”

Lessa, que também foi reitor da UFRJ, lembrou que o petróleo tem sido maldição para a maioria dos países produtores: “A Venezuela não produz alimentos porque a entrada de dólares tornou isso muito caro. O mesmo pode acontecer aqui. Exportar petróleo cru também é maldição. A Indonésia vendia a US$ 2 o barril, acabou com suas reservas, e, agora, importa a US$ 90″, disse, acrescentando que o México também perdeu muito de suas reservas.

Outro setor sensível para o Brasil, mas que pode ser uma oportunidade de desenvolvimento, na opinião dele, é o de transportes: “A matriz logística é o Calcanhar de Aquiles do Brasil. Temos um dos piores sistemas de movimentação de cargas e pessoas do mundo. A começar pela opção pelas rodovias, que são os piores e mais caros meios de transporte.”

Lessa, porém, enfatizou que, se houver coragem política, o investimento em logística poderá deflagrar um surto de desenvolvimento no país.

“Se investirmos na matriz logística e fizermos redução dos preços do frete, isso significará aumento de poder de compra, sobretudo para o povão. Estaremos restaurando o mercado interno e dando impulso fantástico a essa produção, cuja tecnologia dominamos. Sabemos fazer coisas em grande escala, como Brasília. Mas o que vemos é paralisação por causa de juros altos e câmbio valorizado”, criticou, em entrevista ao Monitor Mercantil.

Qual o setor mais estratégico da economia mundial atualmente?

Sem dúvida nenhuma é o setor de energia. Há mais de 25 anos que as reservas conhecidas de petróleo crescem menos que o consumo. Ou seja, a taxa de utilização está crescendo, o que significa que o recurso é cada vez mais escasso. Em conseqüência, os preços da própria geração e de tudo que é produzido com muita energia estão cada vez mais caros. Ao mesmo tempo, são poucos os países que têm reservas hídricas a serem incorporadas.

Então, esta crise mundial é manifestação de uma crise financeira, mas tem o problema da energia como pano de fundo?

Sim. O sinal mais evidente é o preço do petróleo, que caiu com a crise, mas já se aproxima dos US$ 90 o barril. Para a economia norte-americana, o petróleo é vital, pois o país consome 30% do petróleo do mundo e tem reservas para cinco anos apenas, mas é imprescindível também para Japão, Alemanha, França, e muitos outros países.

Qual a situação do Brasil?

A mão de Deus nos deu o petróleo, que, dependendo de como o usemos, pode representar desenvolvimento, como na Noruega, ou retrocesso. No limite, podemos ser uma Noruega tropical ou um Iraque no Atlântico Sul.

Temos de exportar trabalho feito pelos brasileiros e não virar primário-exportador. Lula fala isso, espero que tenha coragem de enfrentar o problema. O petróleo tem sido maldição para os países.

A Venezuela não produz alimentos porque a entrada de dólares tornou isso muito caro. O mesmo pode acontecer aqui. Exportar petróleo cru também é maldição. A Indonésia vendia a US$ 2, acabou com suas reservas, e, agora, importa a US$ 90. México também perdeu muito de suas reservas.

O que fazer para evitar essa maldição?

A primeira coisa a pensar é a questão do combustível renovável, em substituição ao petróleo ou carvão, no qual está baseada a produção de energia na China. O novo dinamismo mundial só surgirá quando aparecer um substituto para o vetor petróleo.

Sem resolver a questão da energia, o mundo permanecerá estagnado, pois qualquer crescimento mundial faz disparar o preço do petróleo. Muitos apostam no hidrogênio, outros no carro elétrico.

De qualquer maneira, a tendência mundial é para redução do consumo de energia. Estou convencido de que os automóveis bebedores de gasolina estão com os dias contados. Detroit acabou. Obama (Barak Obama, presidente dos EUA), quando fala de longo prazo, refere-se à renovação da infra-estrutura. Haverá um aperfeiçoamento grande nos sistemas de transportes, que são enormes consumidores de energia.

E quanto ao Brasil?

Olhando para o Brasil, estamos em situação extremamente curiosa. Nossa matriz energética é espetacular, pois, das grandes economias, somos a que tem maior participação de recursos renováveis na geração de energia – cerca de 50%, enquanto a média mundial é 11%. Mas a produção de energia por habitante está abaixo da média mundial. Nossa matriz é maravilhosa, mas tem de ser preservada e ampliada, sobretudo a partir de recursos hídricos, que são, de longe, os menos agressivos ao meio ambiente, embora, infelizmente, exista veto ambiental.

O que é veto ambiental?

Bloqueios internos e internacionais. Veja Belo Monte como está sendo atacada. Há um atraso de pelo menos dez anos em sua construção. O que está crescendo no Brasil é a termeletricidade. Há 66 termelétricas em construção, sobretudo no Nordeste. Energia mais cara e poluente. É criminoso e estúpido. Nos próximos quatro anos, todo aumento de produção de energia no país se dará por termelétricas. E não há nada mais decisivo para o Brasil do que oferecer energia barata. Hoje nossa tarifa é das mais caras do mundo.

Não podemos produzir a partir da biomassa?

Sim, mas o capital estrangeiro está comprando todas usinas. Podemos também ter energia complementar nuclear. É melhor que diesel, gás natural, carvão etc. Sabemos enriquecer o urânio e já somos a sexta reserva mundial.

Por que o senhor afirma que a matriz logística é o calcanhar de Aquiles do Brasil?

Por que temos um dos piores sistemas de movimentação de cargas e pessoas do mundo. A começar pela opção pelas rodovias, que são os piores e mais caros meios de transporte. Levamos cargas do Rio Grande do Sul ao Pará por via rodoviária.

Praticamente acabamos com a navegação de cabotagem, que seria a opção mais barata. Encurtamos a redes ferroviárias e não completamos as grandes ferrovias de integração, expondo o país a uma grande vulnerabilidade. Como agravante, há o fato de que a população está indo cada vez mais para as cidades, o que faz a mercadoria rodar mais para chegar ao consumidor. Privilegiamos carro e ônibus, em detrimento do trem e do metrô.

Por que isso também pode ser uma oportunidade?

Se investirmos na matriz logística e fizermos redução dos preços do frete, significará aumento de poder de compra, sobretudo para o povão. Estaremos restaurando o mercado interno e dando impulso fantástico a essa produção, cuja tecnologia dominamos. Sabemos fazer coisas em grande escala, como Brasília. Mas o que vemos é paralisação por causa de juros altos e câmbio sobrevalorizado.

Como o senhor avalia a atual onda de fusões e aquisições no país?

Não é que haja uma tendência à aceleração de fusões e aquisições no Brasil, mas, com a crise e seus reflexos, corremos o risco de quebrar as indústrias de frango, os matadouros e a produção de celulose (referindo-se, respectivamente a Sadia, frigoríficos e Aracruz).

O que o BNDES fez foi apoiar a sobrevivência de grandes grupos nacionais. No entanto, a tendência desses grupos é transferir o controle para o exterior, como aconteceu com a AmBev, ou começar a comprar ativos no exterior. Até a Petrobras comprou refinaria no Japão. Essa orientação primário-exportadora está fazendo com que os campeões nacionais estejam surgindo, não voltados para o mercado interno, mas para o mercado mundial.

Como devem ser feitas as fusões?

Devem ser controladas. Mas não é isso que o governo está fazendo. É preciso saber quem funde e para que funde. Havia dois mil financiamentos concedidos a Brahma e Antártica neste século. Desde Pedro II recebiam apoio estatal. Acho que é correto apoiar a Votorantim para comprar a Aracruz, para evitar que virasse filandesa. No caso da Sadia, a Perdigão a absorveu, caso contrário iria para mãos de estrangeiros.

Mas formular como proposta o desenvolvimento de empresas grandes voltadas para o mundo é uma bobagem. O apoio oficial deve privilegiar estratégias para o mercado interno e infra-estrutura e não para gerar emprego lá fora. Nossa política é de desnacionalização por todos os lados, a começar pelo Banco Central (BC), que eleva juros e valoriza o real.

Santástico, o show da Vila

PT prevê até intervenção nos Estados por aliança de centro

Empenhada em garantir palanques estaduais para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência, a cúpula do PT ameaça até mesmo intervir em diretórios que se recusarem a cumprir a orientação nacional de aliança com o PMDB. Documento a ser apresentado no 4º Congresso Nacional do PT ? encontro que homologará a candidatura de Dilma e definirá a política de alianças ? enquadra as seções estaduais do partido e, sem usar o verbo intervir, afirma que a “prioridade máxima” é o projeto nacional.

“Compete ao Diretório Nacional a missão de examinar em caráter terminativo as alianças estaduais, à luz das resoluções deste congresso, e do objetivo de prosseguir com as mudanças que o povo aprova e o Brasil tanto necessita”, diz um trecho do documento, intitulado Os Desafios de 2010: A vitória na eleição presidencial e o crescimento do PT, que será apresentado no congresso, marcado para os próximos dias 18 a 20, em Brasília. Para justificar a orientação, o texto investe na necessidade de formar uma ampla frente de partidos, capaz de se opor aos neoliberais, termo que, segundo o próprio documento, se aplica ao bloco PSDB, DEM e PPS.

O presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, disse estar confiante na solução dos impasses regionais, apesar da dificuldade para fechar parcerias entre seu partido e o PMDB em alguns Estados, como Minas. “Não vai haver intervenção”, disse o ex-senador, autor do texto. “Não haverá um processo de chantagem, mas, sim, de debate político.”

As direções do PT e do PMDB ainda não conseguiram fechar acordo em Minas, Pará, Ceará, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão. No Rio, o PT vai apoiar o governador Sérgio Cabral (PMDB), mas o ex-governador Anthony Garotinho (PR), pré-candidato ao Palácio Guanabara, quer Dilma em seu palanque. “Apoio não se rejeita”, comentou Dutra. “Se o Garotinho diz que apoia a Dilma, a Dilma vai chutá-lo?”

Além do texto sobre política de alianças, o Congresso do PT vai aprovar as diretrizes do programa de governo de Dilma e o manifesto de lançamento da candidatura da ministra, antecipados pelo Estado.

“Devemos envidar todos os esforços no sentido de buscarmos candidaturas unitárias aos governos estaduais”, sustenta o texto sobre política de alianças. Nos locais onde uma única candidatura apoiada por partidos aliados for “politicamente impossível”, a ordem é assegurar dois palanques para Dilma.

Integrante da coordenação da campanha da ministra, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel ameniza a polêmica, alegando que as negociações têm caminhado sem a necessidade de intervenção. “Mas é sempre melhor prevenir do que remediar. Se tivermos algum problema mais adiante, esse mecanismo serve de garantia para a aplicação da nossa estratégia”, disse Pimentel, que é pré-candidato ao governo de Minas. Além dele, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, também está de olho na vaga. O problema não para aí: o PMDB tem como pré-candidato o ministro das Comunicações, Hélio Costa.

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

 

Justiça avalia afastamento e até prisão de Arruda no Distrito Federal

Acusado de comandar o esquema de corrupção no Distrito Federal, apurado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, o governador José Roberto Arruda (sem partido) pode estar com os dias contados no cargo. As diferentes instâncias da Justiça já debatem a forma de afastá-lo do posto. E existe até a possibilidade de que tenha a prisão decretada.

O que agravou a situação de Arruda foi a tentativa de suborno ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido por Sombra, na quinta-feira, documentada pela PF. O vídeo mostra o momento em que o servidor Antônio Bento, conselheiro do Metrô de Brasília, entregava R$ 200 mil a Sombra.

Para piorar, com o dinheiro a polícia apreendeu um bilhete, supostamente entregue por Arruda, com instruções cifradas que legitimariam o emissário e a proposta de suborno. No bilhete, estão escritas cinco frases não-interligadas – “gosto dele”; “sei que tentou evitar”; “quero ajuda”; “sou grato”; e “Geraldo está valendo”, além da expressão “GDF ok”. GDF quer dizer governo do Distrito Federal. Geraldo seria o deputado distrital Geraldo Naves (DEM), aliado de Arruda.

A missão de Sombra, caso o suborno tivesse dado certo, era convencer o ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção – conhecido como “mensalão do DEM” -, a dar declarações falsas e pôr em dúvida a autenticidade dos vídeos que mostraram o governador recebendo R$ 50 mil e o ex-presidente da Câmara Legislativa Leonardo Prudente (sem partido) escondendo maços de dinheiro nas meias.

PRISÃO

A Justiça e o Ministério Público discutem as formas jurídicas e tiram as últimas dúvidas técnicas a respeito do afastamento do governador, ou eventual prisão, para garantia da instrução do inquérito. Essa hipótese vem sendo amadurecida desde janeiro, quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisava o pedido de quebra de sigilo bancário dos envolvidos no escândalo. Se a opção for pelo simples afastamento, ele pode ser determinado tanto pela Justiça Federal de Primeira Instância, mediante ação civil pública, como pelo STJ, onde tramita o inquérito da Caixa de Pandora. No caso de prisão, a medida compete exclusivamente ao STJ, foro especial de governadores em processo criminal.

Para qualquer das medidas, porém, a Justiça precisa do laudo pericial do Instituto Nacional de Criminalística (INC) atestando que o bilhete é realmente de Arruda – embora ele próprio já tenha reconhecido que a letra é dele.

Por sua assessoria, o governador mandou dizer que não vai renunciar nem acredita que a Justiça determine seu afastamento ou prisão. “Para decepção dos meus opositores, eles vão ter de me aguentar até 31 de dezembro”, desafiou, confiante em cumprir o mandato até o último dia.

Arruda é acusado de ser chefe e beneficiário de um gigantesco esquema de distribuição de propinas, arrecadadas de empresários, em favor de políticos e autoridades locais. Réu colaborador da PF, Barbosa delatou o esquema e anexou 30 fitas de vídeo que mostram um dos escândalos mais bem documentados no País.

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

 

Gilberto Carvalho: Se trouxerem o nome do Temer, vai ser acolhido

O Planalto aceita “sem problemas” o nome do deputado Michel Temer (PMDB-SP) para vice na chapa de Dilma Rousseff à Presidência, disse Gilberto Carvalho, chefe de gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele avalia que é “irrepreensível” a postura de Temer no comando da Câmara em relação ao governo.

“Se eles trouxerem mesmo o nome do Temer, vai ser acolhido”, afirmou. “Não vamos fazer marola nesse tema, não.”

Carvalho afirmou que não há orientação para “plantar” o nome do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, filiado no ano passado ao PMDB — ele deve continuar no BC até o fim do governo.

A declaração tem significado simbólico, já que nas últimas semanas houve uma série de articulações nos bastidores para derrubar a provável indicação do peemedebista.

Carvalho confidenciou ainda que Lula já tem uma solução para o quadro confuso em Minas, onde três aliados querem disputar o governo estadual — o ex-prefeito Fernando Pimentel (PT) e os ministros Patrus Ananias (PT) e Hélio Costa (PMDB). A solução é lançar o vice-presidente José Alencar ao Palácio da Liberdade.

Segundo ele, “a saúde do presidente (Lula) está ótima”, principalmente agora que parou de fumar, depois do susto da hipertensão, semana passada. A respeito da candidatura de Ciro Gomes (PSB-CE), ele disse que o presidente continua na expectativa de contar com ele na disputa pelo governo de São Paulo.

Carvalho disse também que o governo não teme a candidatura de José Serra. “Eu acho que hoje o candidato da oposição é o Serra. Se vier o Aécio Neves como vice, ninguém vai tremer deste lado. A chapa é forte? É. Mas não é imbatível.”

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

 

“Risco Europa” já é maior que o do Brasil

O crescente temor sobre a situação fiscal de vários países europeus – que voltou a castigar os mercados globais ontem -, aliado à melhora das condições macroeconômicas brasileiras nos últimos anos, transformou em realidade algo impensável há não muito tempo: os investidores temem mais um calote de Portugal, Espanha, Irlanda, Itália e Grécia do que do Brasil.

É o que revelam os dados da medida de risco mais usada no mercado global atualmente. Trata-se do prêmio expresso nas negociações de um instrumento derivativo chamado de CDS (do inglês, credit default swap). Em uma definição coloquial, o CDS pode ser traduzido como um seguro anticalote.

Exemplo prático: um banco empresta dinheiro para um país e, ao mesmo tempo, compra um CDS de um investidor. Se o tal país não honrar seu compromisso, o banco vai ao investidor cobrar o prejuízo.

No auge da crise global, em outubro de 2008, o prêmio do Brasil chegou a 355 pontos – ou seja, o investidor que comprava seguro contra eventual inadimplência brasileira pagava 3,55 pontos porcentuais a mais de juros sobre o CDS dos EUA, referência do mercado.

Na mesma época, o CDS de Portugal era de 85 pontos, da Espanha, 82, da Irlanda, 113, da Itália, 117, e da Grécia, 134 pontos. Ontem, esses valores eram, respectivamente, de 150 (Brasil), 227, 165, 169, 155 e 415 pontos (ver gráfico na pág. B4).

“Há duas explicações para a melhora do risco brasileiro em comparação com o desses países: de um lado, o Brasil saiu fortalecido da crise e tem boas perspectivas de crescimento; de outro, essas nações europeias enfrentam enorme desafio fiscal”, explicou a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif.

Um dos efeitos da mudança é que as empresas e o governo do Brasil podem pagar menos para se financiar no exterior do que esse grupo de países, que, pelos critérios do Fundo Monetário Internacional (FMI), constituem economias avançadas.

“Isso já ocorre na prática”, disse Eduardo Nascimento, diretor do BB Securities em Londres. Segundo ele, um papel emitido pelo governo da Grécia na semana passada pagava ontem ao investidor, nas negociações de mercado secundário, juro de 7% ao ano. “Um título do Banco do Brasil com vencimento em 10 anos está pagando 6%.” Quanto maior o retorno, maior o risco da aplicação.

Em janeiro, a área do BB em que trabalha Nascimento liderou o ranking das instituições financeiras responsáveis por estruturar captações de empresas e do governo brasileiro no exterior, com US$ 3 bilhões. O especialista afirma que as perspectivas para o resto do ano são positivas, mas podem mudar se a situação na Europa continuar a se deteriorar.

Aparentemente, o desempenho do risco brasileiro expresso nas negociações de CDS é contraditório com o que tem ocorrido na Bovespa e no mercado de câmbio. “O CDS reflete mais os fundamentos do País, enquanto a bolsa e o câmbio sofrem com a volatilidade do momento”, ponderou a professora do Instituto de Economia da Unicamp Daniela Magalhães Prates.

O economista Ricardo Amorim, da Ricam Consultoria Empresarial, não se mostra surpreso com a alteração do status relativo do Brasil frente a algumas nações europeias. “Enquanto a China e a Índia estiverem em um processo de migração das pessoas do campo para a cidade (o que deve levar mais 20 ou 30 anos), os países frágeis serão eles (ricos), não nós (emergentes)”, afirmou.

Isso porque a demanda desses dois países é por produtos exportados pelos emergentes (commodities), não pelos desenvolvidos (serviços e bens industrializados). Além disso, os produtos chineses reduziram a inflação global, o que diminuiu as taxas de juros e o custo do dinheiro (os maiores demandantes de empréstimos são os emergentes).

Nem todos são tão otimistas. O professor do Insper Marcelo Moura pondera que as contas públicas brasileiras também são frágeis e lembra que o País terá déficits crescentes na conta corrente. “O Brasil melhorou porque não sofre tanto quando há uma crise, mas ainda paga mais para rolar sua dívida interna do que esses países europeus”, disse. “Discordo desse ufanismo com o País.”

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

 

Paraná: Picler (PDT) defende aliança com PT

O deputado federal Wilson Picler, vice-líder do PDT, voltou a defender a aliança com o PT para as eleições de outubro ao Governo do Paraná. “Reforço o convite do PDT à Gleisi Hoffmann a formar uma chapa ao Governo do Paraná com o nosso candidato, o senador Osmar Dias”, disse Picler ao participar nesta sexta-feira (5) à noite da posse da presidente do PT de Curitiba, Roseli Isidoro.

Picler ressaltou os pontos que aproximam os dois partidos e a importância de uma aliança consistente para administrar o Paraná. “Somos também um partido de trabalhadores, que valoriza os direitos fundamentais do cidadão, a educação e respeita todos os movimentos que fortalecem a democracia brasileira. É essa filosofia que buscamos numa parceria positiva e fundamental para o crescimento do Paraná”, disse.

O deputado destacou ainda os avanços no país, nos últimos sete anos do Governo Lula, citou a ampliação de programas como o Bolsa Família e ainda a importância do valor do ensino de base no incentivo aos jovens na carreira estudantil. “O governo Lula tem feito esforços significativos nesse sentido que devem ser ressaltado. Hoje eu recomendo para qualquer candidato à presidente, seguir a cartilha do Lula”, disse.

Picler chegou a surpreender integrantes do MST, presente no local, ao declarar apoio às lutas dos movimentos sociais no país e no Estado. “Eu não sou contra a reforma agrária e a distribuição de terra no Brasil. Sou a favor de todas as lutas que trazem justiça social e da construção de agenda comum entre os governos e os movimentos populares”, disse o deputado.

A posse de Roseli Isidoro reuniu várias lideranças do petismo paranaense, entre as quais, o presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek, e os deputados federais Doutor Rosinha e Ângelo Vanhoni.

A informação é da assessoria do deputado Wilson Picler

 

Brasil deve gerar 19,3 milhões de empregos até 2020, diz Ipea

Até 2020, o Brasil deve gerar 19,3 milhões de empregos, se manter a taxa média de expansão anual dos empreendimentos privados de 4,2%, registrada no período de 1989 a 2008. Deste total, 55% são devidos à contratação nas pequenas empresas (com até 10 funcionários), o que representa 10,7 milhões de novos empregos.

Os dados são de pesquisa divulgada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

De acordo com o levantamento, o mercado de trabalho no setor privado registrou, em 2008, 47,8 milhões de empregados, 4,1 milhões de empregadores e 18,7 milhões de trabalhadores por conta própria. Não fazem parte deste segmento funcionários públicos, empregados domésticos, ocupados não remunerados e envolvidos em atividades próprias de produção.

Pequenas empresas

No segmento das pequenas empresas, as ocupações se dividiam, no ano passado, em 48,7% de trabalhadores por conta própria, 43% de empregados assalariados e 8,3% de empregadores. No total, eram 38,4 milhões de trabalhadores que atuavam em empreendimentos de pequeno porte, o que representava 54,4% dos postos de trabalho e 57,2% do total da massa de rendimento.

Apesar da alta representatividade das pequenas empresas, somente 29,4% do total das vagas presentes nelas estavam submetidas a algum grau de proteção pela atual legislação social e trabalhista. Entre os ocupados por conta própria, 16,7% tinham alguma proteção social ou trabalhista, enquanto entre os empregados assalariados, 40,8% registraram contrato formal de trabalho. Entre os empregadores, o índice era de 55,8% com proteção social.

Análise por setor

Na análise por setor, nota-se que o segmento dos pequenos negócios registrou maior concentração ocupacional no ramo do comércio, alojamento e alimentação, com 40,2% do total dos empregos do ano passado, seguido da educação, saúde e demais serviços coletivos, com 16,5%. Na indústria, a representatividade de postos de trabalhado era de 14,8%, enquanto na construção civil era de 14,7%. Os setores de transporte e comunicação aparecem com 6,5% e outras atividades, com 7,3%.

Para os trabalhadores, o setor do comércio, alojamento e alimentação absorveu 43,6% das ocupações em 2008, seguido da indústria (14,2%), educação, saúde e demais serviços coletivos (11,8%) e construção civil (10%). Já para os empregadores, também as atividades comercial, alojamento e alimentação eram responsáveis pela maior parte das vagas (48,7%), seguidas pela indústria (14%), educação, saúde e demais serviços (11,8%) e construção civil (10%).

Rendimento médio e escolaridade

Em 2008, o rendimento médio mensal dos trabalhadores em pequenas empresas foi de R$ 902, sendo R$ 633,03 para os empregados assalariados, de R$ 2.607 para empregadores e R$ 807,34 para trabalhadores por conta própria.

O estudo revelou que, quando analisada a faixa etária, 57,6% dos ocupados tinham de 25 a 49 anos de idade, com 18,7% com idade até 24 anos de idade e 23,7% com 50 anos ou mais de idade. Considerando a escolaridade, somente 10% dos ocupados estavam na faixa do Ensino Superior, os demais tinham Ensino Fundamental (48,2%) e Ensino Médio (41%).

Com relação à distribuição do total das ocupações e da massa de rendimento das pequenas empresas por regiões geográficas no País, a região Sudeste era o destaque, com 40% do total dos postos de trabalho e quase 46% do rendimento. Na sequência, estavam as regiões Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte.

O desafio do controle das armas convencionais

Frida BerriganHá cerca de um ano, Obama apresentou uma “proposta de desarmamento nuclear, apelando para “um mundo sem armas nucleares” e “ comité Nobel da Paz mostrou-lhe reconhecimento por este empenho e aspiração com o prémio entregue em Dezembro em Oslo”.
Agora, a uma petição de Obama, “o Congresso concedeu 68 milhões de dólares à Boeing Corporation para acelerar a aquisição e desenvolvimento de 10 a 12 MOP’s (…), “arma de opção” para uma “necessidade operacional urgente.”
A proposta de desarmamento nuclear de Obama foi a fórmula encontrada pelos EUA para se desfazerem de um arsenal velho e de elevada manutenção por um outro arsenal mais moderno e o controlo do comércio de armas mundial.

Frida Berrigan*, no Diario.info

Munição penetradora massiva. Soa a coisa poderosa, certo? Trata-se de uma bomba também conhecida pelas iniciais MOP (“massive ordnance penetrator”).

Há cerca de um mês, o Congresso concedeu 68 milhões de dólares à Boeing Corporation para acelerar a aquisição e desenvolvimento de 10 a 12 MOP’s. Diz o Pentágono que as bombas MOP são a “arma de opção” para uma “necessidade operacional urgente.” Embora não confessada, a “necessidade operacional urgente” mais provável são as instalações nucleares norte-coreanas ou alvos iranianos. Está concebida para penetrar mais fundo do que qualquer outra arma anti-bunker, furando mais de 26 pés no solo ou em betão antes de detonar. Estas bombas de 30.000 libras levam 6.000 libras de explosivos de alta potência. São tão pesadas que só conseguem ser transportadas por bombardeiros B-2 ou B-52.

A MOP não é uma arma nuclear, mas substitui a arma nuclear que o Congresso se tem recusado a financiar durante os últimos anos – o robusto penetrador nuclear de solo, uma enorme cabeça nuclear concebida para penetrar fundo nos subterrâneos inimigos e aplicar uma descarga nuclear.

Enquanto que esta recusa foi positiva, os novos fundos destinados à MOP lançam um sinal perturbador que merece cuidadosa reflexão, em especial face ao coro de euforia à volta da promessa do presidente Barack Obama quanto à redução das armas nucleares.

O sinal é este: não precisamos de armas nucleares para provocar destruição massiva. E alguns advogados do controle de armas nucleares ficam satisfeitos por se verem livres delas, não porque sejam destrutivas, mas porque o tabú contra o seu uso é tão forte que não podem ser usadas. À medida que começarmos a reduzir a nossa capacidade nuclear, é de estar atento à pressão para aumentar a aquisição de armas convencionais.

O Contínuo das Armas

Em Abril de 2009, Obama apresentou ao mundo a sua proposta de desarmamento nuclear, apelando para “um mundo sem armas nucleares”. O presidente apoiou-se nos apelos para a eliminação da bomba provenientes de uma lista crescente de individualidades governamentais encabeçada pelos ex-secretários de Estado (equivalente a ministros, N.T.) George Schultz e Henry Kissinger, pelo antigo secretário da Defesa William Perry e pelo antigo presidente da Comissão dos Serviços Armados do Senado Sam Nunn.

Outros presidentes, de John F. Kennedy a Jimmy Carter e Ronald reagan, apelaram ao desarmamento nuclear, mas Obama é diligente no seu tratamento da questão. Desde o recente avanço no sentido de um novo acordo de redução das armas com a Rússia, até à proposta de uma cimeira anti-nuclear global em Washington no próximo ano, Obama colocou a redução dos arsenais nucleares bem alto na sua imensamente recheada agenda.

O comité Nobel da Paz mostrou-lhe reconhecimento por este empenho e aspiração com o prémio entregue em Dezembro em Oslo.

Ao mesmo tempo que aplaudimos estes esforços e esperamos que sejam frutuosos, devemos também atender às intersecções entre armas nucleares e convencionais. Há uma necessidade forçosa de ver as armas nucleares, as maiores armas convencionais e as armas pequenas ao longo de um simples contínuo, como armas mortíferas que deveriam ser sujeitas a um conjunto integrado de princípios apontados à redução da sua proliferação, exportação e utilização.

Nas negociações sobre as reduções nucleares, os russos levantaram a questão da capacidade convencional dos americanos incluindo os mísseis potentes de longo alcance capazes de atingir qualquer local no mundo em 60 minutos, a chamada capacidade de “Acção Rápida Global” que os comandantes americanos esperam instalar por volta de 2015. “Alguns países, incluindo os Estados Unidos, trabalham em armas estratégicas não-nucleares. É tema de negociação com os nossos colegas americanos”, disse o ministro dos Estrangeiros russo Sergei Lavrilov à agência noticiosa russa Interfax. “O presidente Dmitry Medvedev disse várias vezes que se tratava de um problema-chave para a Rússia. Será desejavelmente resolvido no âmbito do tratado russo-americano (de redução do armamento estratégico ofensivo)”.

As Capacidades do Paquistão

Tais intersecções são particularmente grosseiras, críticas e perigosas no Paquistão. Nos anos 80, os Estados Unidos ofereceram ao seu aliado da Guerra Fria a oportunidade de comprar 111 aviões de combate F-16. Contudo, a cooperação militar foi suspensa nos anos 90 devido a reservas relativas aos programas de armas nucleares do Paquistão, aos testes nucleares de 1998 e ao golpe militar que levou o general Pervez Musharraf ao poder. Os aviões de combate nunca foram transferidos. Uma década mais tarde, com a coligação de apoio à “guerra global contra o terror”, o governo Bush reatou a transferência dos F-16 para Islamabad, que tem actualmente nada menos que 50 caças de alta tecnologia.

O avião de combate Lockheed Martin está sujeito a regulação como importante sistema convencional, mas pode também descarregar armas nucleares, o que tem perigosas implicações. O Paquistão tem pelo menos 89 armas nucleares e material para construir umas dúzias mais. Não é parceiro no Tratado de Não-proliferação Nuclear.

Ao mesmo tempo que afirma que o seu arsenal nuclear é dissuasor, o Paquistão não excluíu o uso de armas nucleares em primeiro ataque. O mais provável veículo para o transporte de cabeças nucleares é a frota de aviões de combate F-16 de origem americana. O apagar de fronteiras entre armas convencionais e estratégicas tem portanto reais e alarmantes implicações com alcance para o futuro.

O Desafio a Obama

O trabalho do governo de Obama para reduzir as armas e os perigos nucleares não foi complementado por idêntico trabalho diligente na área da exportação de armas convencionais. Os Estados Unidos continuam sendo o maior exportador mundial de armas convencionais, dos aviões de combate F-16 e outros sistemas avançados, às espingardas M-16, granadas e outras pequenas armas. Apesar (ou talvez, por causa) do grande e crescente comércio associado, existe uma discreta falta de interesse no controle dessas armas e, aquele que existe tende a ser ad hoc, episódico e renitente.

Isto pode estar a mudar. O governo deu recentemente sinal de pretender trabalhar para um Tratado do Comércio de Armas que seria um instrumento legal global estabelecendo normas internacionais comuns para a exportação, importação e transferência de armas convencionais.

Abre-se assim a porta para uma nova acção relativa às armas convencionais. Contudo, na mesma semana em que a secretária de Estado Hillary Clinton esteve em New York para encontros sobre o Tratado do Comércio de Armas, a Agência da Cooperação de Segurança da Defesa anunciou que só no ano fiscal de 2009 o programa de vendas militares dos EUA ao estrangeiro fez perto de 38 mil milhões de dólares em armas e artigos de defesa. Conforme o director da Agência da Cooperação de Segurança da Defesa do Pentágono recentemente se gabou, “podemos orgulhar-nos do facto de termos alcançado um novo record”. O vice-almirante Jeffrey A. Wieringa assinalou num blog que, não apenas os 37,9 mil milhões de dólares em armas vendidas em 2009 era o mais elevado de sempre, como era 465% mais alto que o mínimo de 8,1 mil milhões registado em 1998.

As recentes notificações de vendas de armas, algumas englobadas no total de 2009 e outras incluídas nos números do próximo ano, incluem 134 milhões de dólares de helicópteros Boeing Chinook para Marrocos, 3,2 mil milhões de F-16’s Lockheed Martin para o Egipto e a oferta de 7 mil milhões de aviões de combate Boeing F-18 ao Brasil. A agência está optimista com o futuro, projectando 38,4 mil milhões de dólares de vendas militares ao estrangeiro em 2010.

Assim, à medida que avançamos, a melhor maneira de diminuir as exportações de armas convencionais pode ser associá-las à agenda do desarmamendo nuclear de Obama.

* Frida Berrigan é colunista de política externa da Focus Frida e associada sénior do programa da Iniciativa da New America Foundation sobre Armas e Segurança.

Este texto foi publicado em Focus www.fpif.org

Tradução: Jorge Vasconcelos

 

Sadi Cassol (PT-TO) destaca projeto de inclusão bancária de beneficiários do Bolsa-Família

aaaasadiO senador Sadi Cassol (PT-TO) ressaltou a importância do Projeto de Inclusão Bancária dos Beneficiários do Bolsa Família, iniciativa conjunta do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e da Caixa Econômica Federal (CEF). O objetivo é incentivar a abertura e a utilização de contas pelos beneficiários do programa, pessoas de baixa renda que, como explicou, nunca tiveram a possibilidade de acesso aos serviços bancários do país.

Apesar de estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) indicar aumento de 57,5% no número de contas correntes, que evoluiu de 43,3 milhões para 62,8 milhões entre 2001 e 2007, o senador disse haver estimativas apontando que um grande número de cidadãos continua excluído do sistema bancário. Segundo informou, apenas 15% das pessoas de baixa renda possuem conta bancária, em contraste com 64% daqueles com renda superior.

Ainda de acordo com o senador, 92% das pessoas com renda menor não têm acesso ao crédito, percentual que cai para 74% para os que possuem maior nível de renda. Apenas 5% das pessoas com renda inferior possuem cartão de débito, contra 40% das que têm renda mais elevada, disse ele. Com relação aos cartões de crédito, informou Sadi Cassol, somente 7% das pessoas com renda inferior o possuem, contra 34% das que têm renda maior. Em avaliação quanto à situação de gênero, as estimativas indicam que metade dos homens possui conta bancária, enquanto esse serviço chega a somente um terço das mulheres.

Concebido para ser implantado em três fases, o projeto teve início em março de 2008, em Belo Horizonte, quando cerca de 4,2 mil beneficiários que já possuíam conta corrente “Caixa Fácil” passaram a receber o benefício na própria conta. Essa modalidade de conta simplificada foi criada pela CEF para correntistas que possuam movimentação mensal de até R$ 1 mil.

Com a aprovação de 97% dos usuários nessa fase experimental, o projeto foi expandido, a partir de junho de 2008, para os beneficiários do Bolsa Família que já eram titulares de conta da CEF em todo o país. A partir de outubro de 2009, iniciou-se a última fase, com o incentivo, pelo banco, de abertura voluntária de conta nos seus estabelecimentos credenciados para os beneficiários do programa que utilizam os correspondentes bancários identificados com a marca “Caixa Aqui” ou os lotéricos.

Para evitar o endividamento e o descontrole no uso dos recursos, explicou o senador, o governo federal disponibiliza uma cartilha de educação financeira.

- A implantação completa do projeto viabilizará a inserção financeira de forma responsável e qualificada de quase 50 milhões de brasileiros – ou um quarto da população – em um processo cuja efetivação exitosa contribuirá mais ainda para a redução permanente da desigualdade social no Brasil – afirmou Sadi Cassol.

Em aparte, o senador Augusto Botelho (PT-RR) disse ter certeza de que esse projeto aumenta a dignidade das pessoas e melhora a auto-estima dos brasileiros.

A informação é da Agência Senado

 

Sobre o estilo tapioca no jornalismo

Do Portal Luis Nassif

A velha mídia transformou a produção de escândalos em algo tão ridículo que é capaz de muitas acreditarem que a gozação do Sanzio é denúncia de mídia.

Atenção: é gozação dele.

Por Sanzio

EXTRA EXTRA

“Depois de ser indicada por D. Marisa, a manicure Raimunda Silva foi contratada, sem licitação, para prestar serviços a Carla Bruni, esposa do Presidente da França, Nicolai Sarkozy.

A França é a principal candidata a vencer a licitação para compra de 36 caças pela FAB, por determinação do Presidente Lula.

O senador Arthur Virgílio (PSDB – AM) disse que vai pedir uma CPI para investigar possível tráfico de influência da manicure Raimunda nas negociações de compras de submarinos, caças e armas da França.

O deputado ACM (PFL – BA) disse que isso é um verdadeiro escândalo, que pode sujeitar o Presidente Lula a um processo de impeachmente.

O senador Álvaro Dias (PSDB – PR) quer saber se Raimunda presta serviços também para Dilma Roussef, candidata do PT à Presidência da República nas próximas eleições.

O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, afirma que esse fato é muito grave, e pretende chamar o presidente Lula às falas.

Procurada por telefone pela Folha, Carla Bruni não quis comentar o episódio. A Folha deixou recado no celular pré-pago de Raimunda, mas até o fechamento desta edição ela não havia retornado a ligação.

A Folha vê “esquerdistas” debaixo da cama

Do Portal Luis Nassif

Depois que a Folha passou a ir a reboque do inacreditável jornalismo de Veja, vê esquerda em qualquer lugar, até debaixo da cama.

Olha se tem cabimento, a partir da matéria abaixo, ver “esquerdismo” no plano econômico da campanha da Dilma Rousseff. Os pontos salientados pelo jornal – para justificar a menção à “esquerdização” – é a ênfase em uma burocracia técnica e profissionalizada e o uso das grandes empresas públicas para fortalecer a economia, BB, CEF e Embrapa. Perguntinha tola: para quem essas empresas trabalham? Para o setor privado, é claro, fornecendo crédito, pesquisas.

Ou seja, um plano que seria facilmente assinado por Serra, Aécio, Ciro e qualquer político de bom senso, vira “guinada à esquerda” por um jornal sonso.

Da Folha de S. Paulo

Plano petista prevê guinada à esquerda

Documento que pode servir de base para projeto de governo de Dilma prega maior presença do Estado na economia

Segundo Pimentel, que integra coordenação de pré-campanha, texto ainda será analisado pela Executiva e contem apenas diretrizes

Daniel Marengo/AgênciaRBS

Acompanhada do presidente Lula, Dilma participa de abertura de 1ª fábrica de chips do país, no RS

DA REPORTAGEM LOCAL

Um documento interno do PT que pode servir de base para o plano de governo da pré-candidata do partido, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), prega uma maior presença do Estado na economia e tem propostas à esquerda do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Com diretrizes para um plano de governo, o texto intitulado “A Grande Transformação” foi apresentado na reunião da Executiva Nacional do partido em Brasília, nessa semana. O texto, divulgado ontem pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, deverá receber modificações dos dirigentes antes de ser apresentado no 4º Congresso Nacional do PT, de 18 a 20 de fevereiro -evento que aclamará Dilma candidata ao Planalto.

“É um projeto inicial de diretriz, que ainda será debatido pela executiva e emendado no congresso [do partido]. É um projeto do PT, não significa que vai ser o programa de Dilma”, afirmou o presidente eleito do partido, José Eduardo Dutra.

Chamado de “versão nº 1″, o texto é endereçado “à sociedade brasileira e aos partidos que integram a coligação que apoia a candidatura” Dilma Rousseff.

“Vamos compor com os outros partidos. Quem vai determinar o programa de governo é a própria Dilma”, disse Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara. Ele rechaça uma “guinada à esquerda”.

“A chance de ser aprovado como está é zero”, diz Jorge Coelho, um dos vice-presidentes da sigla. A proposta apresentada é fortalecer empresas estatais e aumentar as políticas de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, além de agências federais, como Embrapa e ABDI.

Em um dos trechos, o documento afirma que “A ação do governo Dilma privilegiará o fortalecimento do Estado, sua democratização, mediante a constituição de uma burocracia de alta qualidade”.

O texto afirma que “a próxima presidente” receberá uma “herança bendita”, “ao contrário daquela que o presidente Lula recebeu”. Lula cunhou, em 2002, a expressão “herança maldita”, para atacar o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Há outros ataques à era tucana, como citação de que uma liderança do governo passado teria dito que “devíamos [o Brasil] conformar-nos em ser um ator secundário” no mundo.

O texto foi coordenado pelo assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

“São diretrizes de programa de governo. Na disputa política, o item de comparação entre governos será grande”, afirmou o deputado Jilmar Tatto.

“Este é um documento da burocracia do PT, que será analisado pela Executiva, pelo Congresso do partido. São apenas diretrizes, enquanto o programa de governo será negociado com todas as forças que nos apoiarão. Portanto, são várias etapas”, afirmou o ex-prefeito Fernando Pimentel, que integra o núcleo de coordenação da pré-campanha de Dilma.

Os aliados mais próximos da ministrar afirmam que ela sequer chegou a ler o documento.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0602201008.htm

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