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O oásis marxista de Auto Filho

Do jornal O Povo

Auto Filho: ````Eu não sou colecionador, eu compro livros para ler. Ao contrário de alguns bibliófilos, que compram volumes raros para montar uma coleção``

Antes de entrar na biblioteca de Auto Filho, atual titular da Secretaria da Cultura do Estado, é preciso ler, num mosaico de azulejos, um trecho de uma carta que Maquiavel enviou a um amigo quando estava exilado. “Eu brigo com os autores“, está escrito lá na plaquinha, num texto em que explica a relação que mantém com a própria biblioteca. Não à toa ele está lá. “Faço como Maquiavel. Também brigo com os autores“, conta Auto. E em quatro cores diferentes, sem pudor algum com o objeto supostamente sagrado. O secretário sublinha, escreve, à caneta, “idiota“, “não é bem assim“, nas margens, faz riscos com aquelas canetas de muitas cores, e usa o vermelho, o verde, o azul e o preto, “cada um significando um tipo de marcação“.

A biblioteca foi construída ao lado da morada meio casa, meio sítio que Auto mantém em Caucaia há 25 anos. De fora dá pra se ter uma ideia, mas é quando a porta se abre que se entende todo o poder do lugar. As prateleiras acompanham as três paredes que o visitante observa logo na entrada, tanto no andar de cima quanto no de baixo, enquanto um conjunto de sofá e poltronas, do século XIX, convida para um dedo de prosa. Mas não dá para ficar sentada. É então que Auto começa a mostrar as especificidades dessa espécie de oásis. “Passei cerca de cinco, seis anos na construção da biblioteca. As paredes foram desenhadas especialmente para conter umidade, calor. Tenho problemas desses com a minha casa, mas os livros continuam intactos“, se orgulha.

E não se faz de rogado: continua a descrever, com carinho e brilho nos olhos, o lugar. “Tenho a maior biblioteca comunista do Ceará“. Dela faz parte a obra completa de Vladimir Lênin & “o que duas ou três pessoas têm no Brasil“, tudo o que Leon Trotski escreveu entre 1929 a 1940, e, claro, obras de “(Karl) Marx e (Friedrich) Engels, que estão acolá“, fala enquanto aponta para a direção oposta da sala. O passeio pelas prateleiras é inevitável. Apenas Auto sabe e entende a organização de toda a biblioteca & “e ninguém mais trisca nela, ninguém! Ele não deixa“, reforça Rejane, esposa e muito sabedora da paixão que o professor mantém pela coleção.

“Eu não sou colecionador“, corrige ele. “Eu compro livros para ler. Ao contrário de alguns bibliófilos, que compram volumes raros para montar uma coleção“. Mesmo assim, algumas das obras são bem difíceis de achar. “Como esse dicionário, que é o primeiro da língua portuguesa, feito por um brasileiro: Antônio de Moraes Silva, publicado em 1789“. Ou ainda as duas caixas que ficam sobre a mesa que compõe a sala. Um presente de José Mindlin, que faleceu no dia 28 de fevereiro: Viagem Filosófica, de Alexandre Rodrigues Ferreira, feita entre 1783 e 1792. Nas duas caixas, folhas de um papel mais espesso, com desenhos de diferentes animais. O original era desenhado à mão.

“Sabe o que mais é interessante? Tenho todos os números da revista Tempos Modernos, que Jean Paul Sartre editou“, e sobe numa escada de ferro & de desenho próprio & que auxilia na busca dos livros das prateleiras mais altas, para pegar um dos volumes. Ou a obra completa de Mário Pedrosa, crítico de arte. Ele reitera que usa todos aqueles livros para consulta & e Rejane confirma. Ela conta que, quando Auto era articulista do jornal O POVO, vez por outra recebia uma ligação: “era para procurar, na estante tal, prateleira tal, o volume tal, que na página tal tinha uma passagem que ele queria usar num artigo“, e ri.

Auto não titubeia quando perguntado sobre o valor total da biblioteca. “Não tem quem pague. Naquele dicionário que lhe mostrei, já me ofereceram R$ 20 mil, mas não posso vender, eu uso para consultas de documentos antigos“. E continua firme na opinião de não vender o acervo. “Quero deixar para os meus filhos, mas eles precisam fazer jus a ela, precisam mostrar que vão mantê-la“, aponta uma das opções. Natasha, estudante de direito, “parece que está mais interessada“, enquanto Leon envereda no universo da música, como DJ. Resta saber o quando Natasha se esforçará por ela. “Uma outra ideia é doar para a Universidade Estadual do Ceará, já que eu vim de lá“, cogita. Sem dúvida, um presente e tanto para a instituição.

E-MAIS

> Os livros são reis na biblioteca de Auto Filho. Mas numa prateleira do andar de cima, uma coleção de vídeos sobre boxe muda a paisagem. Boxe é uma das paixões do Secretário de Cultura. “Tenho a maior coleção de luta de boxe em fitas (VHS), e mais de 200 livros sobre o boxe“.

> Merece atenção também todo o mobiliário que compõe a biblioteca. Todos são móveis antigos, artigos coletados durante cinco anos, guardados para quando ela estivesse pronta, há 10 anos. Entre eles, um tinteiro que pertenceu a Castro Alves e uma escrivaninha Thompson, de 120 anos.

Programa de Nassif na TV Brasil estreia com seminário em Brasília

O programa Brasilianas.Org, do jornalista Luís Nassif, estreia nesta segunda-feira (08/03), com debate sobre a Defesa Nacional, veiculado pela TV Brasil. Para marcar a data, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Agência Dinheiro Vivo realizarão, nesta terça-feira (09/03), seminário no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

O evento contará com debatedores como Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados; Jose Sarney, presidente do Senado; Ubiratan Aguiar, presidente do Tribunal de Contas da União; e a diretora-presidente da EBC, jornalista Tereza Cruvinel. Entre os painelistas estão Sarney, Ubiratan Aguiar e o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães – ministro de Estado Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos.

O seminário será dividido em cinco painéis, com debates sobre “O Investimento no desenvolvimento”; “A qualidade no setor público”; “As novas mídias e a crise do modelo político”; “As multinacionais brasileiras e a diplomacia comercial”, e “A visão estratégica do país”.

A informação é do portal Comunique-se

 

Data Magna homenageia Revolução Pernambucana

Um dos mais importantes movimentos revolucionários que marcou a luta pela emancipação política do Brasil em relação a Portugal, no século XIX, completou, no último sábado, 193 anos. A Revolução Pernambucana de 1817 foi comemorada oficialmente no Estado, ontem, através da Data Magna, promulgada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco e publicada no dia 24 de dezembro de 2007. A homenagem à data veio através de um projeto de Lei de autoria da deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB).

No Palácio do Campo das Princesas, o governador Eduardo Campos acompanhou, no início da manhã de ontem, o hasteamento das bandeiras do Brasil e de Pernambuco. O aniversário do movimento também foi comemorado no Cinema São Luiz, no bairro da Boa Vista, com uma solenidade envolvendo autoridades do poder legislativo e executivo estadual, além de membros da maçonaria. Na ocasião, foi apresentado um concerto da Orquestra Jovem do Conservatório Pernambucano de Música.

Na entrada do Cinema São Luiz, o Maracatu Nação Pernambuco fez muito barulho para registrar a importante data para os pernambucanos. Apesar das homenagens, Eduardo Campos lembrou que a Revolução Pernambucana de 1817 foi esquecida pela história do Brasil. “Quando o movimento fez 100 anos virou data nacional. Depois disso ficou apagado. Acredito que por causa da ideologia de liberdade, que ainda hoje é uma luta das pessoas, fez com que essa revolução fosse negada pela história do País”, comentou o governador.

O grão-mestre da maçonaria, Antônio do Carmo, ressaltou que a associação luta para buscar o reconhecimento da Data Magna nacionalmente. “Estamos dispostos a lutar por esse sentimento. Queremos que a história do Brasil inclua a revolução em suas páginas como ela merece. Muitos heróis pernambucanos morreram ao assumirem seus ideia de liberdade”, declarou.

REVOLUÇÃO

A chamada Revolução Pernambucana de 1817, também conhecida como Revolução dos Padres, eclodiu em 6 de março 1817 na então Província de Pernambuco. Dentre as suas causas destacam-se a crise econômica regional, o absolutismo monárquico português e a influência das ideias Iluministas, propagadas pelas sociedades maçônicas.

Em 29 de março foi convocada uma assembleia constituinte com representantes eleitos em todas as comarcas, foi estabelecida a separação entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário; o catolicismo foi mantido como religião oficial, porém havia liberdade de culto, foi proclamada a liberdade de imprensa; a escravidão, entretanto, foi mantida.

À medida que o calor das discussões e da revolta contra a opressão portuguesa aumentava, crescia, também, o sentimento de patriotismo. Porém as tentativas de obter apoio das províncias vizinhas fracassaram e os revolucionários foram derrotados.

Para o governador Eduardo Campos, “cada vez que a gente revisita 1817 confirma o pioneirismo dos pernambucanos, nossa fé no futuro do Brasil e de nossa terra”. As comemorações começaram logo cedo em frente ao Palácio do Campo das Princesas, e continuaram com a realização de um concerto no cinema São Luiz.

Em seu discurso, o Governador lembrou que Pernambuco foi o primeiro Estado brasileiro a declarar sua independência em relação à coroa portuguesa. “Cinco anos antes do grito do Ipiranga, houve o grito às margens do Capibaribe”, destacou. Eduardo salientou ainda que a luta dos religiosos, militares e do povo que foi às ruas não recebe o destaque devido nas páginas dos livros de história.

“Nós perdemos território, fomos perseguidos, e nesse momento bonito que vive Pernambuco de reconquistar seu relevo no Brasil, é importante contar essa história, comemorar o 6 de março e homenagear os pernambucanos que, há quase 200 anos, gritaram por liberdade de expressão, de imprensa, religiosa, contra a discriminação por cor ou credo”, cobrou o governador.

Na primeira etapa das comemorações, houve o hasteamento da bandeira e colocação de coroa de flores no monumento em homenagem aos revolucionários. Depois, coube à Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório de Música e ao coro Contracantos a realização de uma peça sobre a data no Cine São Luiz. Lá, Eduardo recebeu da Ordem Maçônica de Pernambuco o diploma do Real Arco do Brasil.

Com informações da Folha de Pernambuco

 

A Internet, como foco de políticas públicas

Por Luis Nassif, no Último Segundo

Ontem estreei um projeto novo na TV Brasil (da Empresa Brasileira de Comunicação). Trata-se de uma tentativa de casar a linguagem da televisão com a Internet. O nome é Brasilianas.org. 

Durante a semana, levanta-se um tema de política pública na TV – Defesa, comunicações, políticas sociais, economia do futebol etc. Depois, chama-se o telespectador para vir contribuir na Internet.

Ele entra, então, em um portal – que está sendo concluído -, assiste os vídeos, lê os trabalhos apresentados, dá sua opinião, traz novas informações, novos trabalhos. Há uma discussão e uma construção coletiva do conhecimento.

Depois, essa matéria prima bruta é lapidada e gera reportagens jornalísticas sintetizando os principais pontos da discussão.

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O que está por trás disso é a revolução do conhecimento, que finalmente chega ao país através da Internet.

Antes dessa era, o conhecimento ficava restrito a grupos específicos, cada qual desenvolvendo suas ideias mas sem sair do mesmo circuito.

Hoje em dia o país tem uma estrutura de grupos de conhecimento de nação desenvolvida. É possível encontrar especialistas em economia, em mercado, em modelo ferroviário, em transporte intermodal, em inovação, tecnologia, universidade, ensino básico. É um processo fervilhante, que percorre a Internet através de listas de discussão, foruns, sites especializados.

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Até agora, havia enorme dificuldade para que esse conhecimento alcançasse a opinião pública. Em parte, por falta de partidos políticos. Em países maduros, cada partido tem seu instituto pensando o novo, analisando cenários, novas ideias, projetos, visando apresentá-los aos eleitores nas campanhas eleitorais. Por aqui, os partidos não são programáticos.

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Um segundo círculo de disseminação de conceito é a Universidade. No Brasil, elas não cumprem esse papel. Em geral, grupos acadêmicos seguram zelosamente seu conhecimento, porque é uma forma de poder: novas ideias permitem a grupos se imporem sobre outros grupos na mesma universidade ou em universidades concorrentes.

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A terceira obstrução é a chamada grande mídia – que deveria focalizar grandes temas nacionais. Os jornais lutam contra as limitações de espaço para excesso de notícias. A disputa do leitor obriga a matérias curtas de apelo fácil. Na televisão aberta, a busca de audiência é um obstáculo a programas de conteúdo.

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Resta, então, o caminho da Internet. O grande desafio consiste em captar as discussões, saber fazer as provocações adequadas e as sínteses corretas.

Esse modelo – que em breve se expandirá para todas as áreas – muda completamente o eixo político do país. Obriga a um grau de transparência inédito. Não haverá mais a figura dos governos providenciais, decidindo unilateralmente o que é bom para o país ou tomando a decisão grave sem maiores reflexões.

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Um dos belos desafios da imprensa – especialmente a regional, que fala para públicos mais focados e menos abrangentes que a mídia nacional – será reproduzir essas instâncias de discussão em sua zona de atuação.

Através dessa teia, que está se erguendo em todo o país, haverá possibilidades inéditas de melhoria das políticas públicas – seja federais, estaduais ou municipais.

RPDC faz dupla preparação para enfrentar manobras militares do regime norte-americano

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) afirmou hoje (9) em Pyongyang que o país está disposto para “diálogo ou guerra” para fazer face às manobras militares realizadas em conjunto por Coreia do Sul e Estados Unidos.

O porta-voz qualificou os exercícios como “graves provocações” e disse serem como “jogar água fria” nos esforços pela desnuclearização da península coreana. Para o país, os EUA não alteraram de forma nenhuma suas políticas de hostilidade contra o país asiático.

Segundo o porta-voz, a ameaça militar e as sanções econômicas não podem coexistir com diálogo e desnuclearizaçãodos dois lados. Ele disse ainda que se os EUA seguirem ameaçando e provocando Pyongyang, a RPDC vai reforçar sua força.

Com informações da China Rádio Internacional

 

Lula: “Estamos quase esnobando o gás da Bolívia”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a evolução da produção brasileira de petróleo e gás nos últimos anos deixa o país em uma posição confortável do ponto de vista do abastecimento de gás e quase que em condições de esnobar o produto que importa atualmente da Bolívia.

— Hoje nós estamos quase esnobando e comprando menos gás da Bolíva. E isto em apenas três anos. Mas nós continuaremos honrando os compromissos assumidos e comprando o gás da Bolívia para que eles também possam crescer —, afirmou.

Ao discursar durante a cerimônia de assinatura de quatro novos contratos de viabilização do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, o presidente falou ainda das dificuldades ocorridas em decorrência da decisão do presidente boliviano, Evo Morales, de nacionalizar as reservas de petróleo e gás do país, contrariando os interesses da Petrobras e dos parceiros que atuavam no setor.

— Quando houve o problema com o gás da Bolívia, muita gente queria que eu brigasse com o Evo. Eu preferi o diálogo, e disse não. Primeiro porque o Brasil é um país rico e a Bolívia um país pobre e, segundo, porque a Bolívia era a dona do gás. E eu não briguei também porque iam dizer que era um metalúrgico brigando com um índio —, disse.

A informação é da Agência Brasil

 

Rivais jogam mais motivados contra Santos

Líder do Campeonato Paulista e grande sensação da temporada no futebol brasileiro neste início de ano, o Santos tem enfrentando dificuldades nos últimos jogos para derrotar seus adversários. Na última quinta-feira, a vitória suada contra o Paulista de Jundiaí, por 3 a 2, e o empate contra a Portuguesa, por 1 a 1, no último domingo, ambos fora de casa, sintetizaram bem o momento que o Peixe vive.

Isto faz, inclusive, com que os próprios jogadores do elenco santista reconheçam que os rivais têm entrado em campo mais motivados diante do Alvinegro Praiano. O zagueiro Edu Dracena, por exemplo, é desta opinião.

“Somos o time a ser batido por sermos os lideres da competição e por estarmos jogando um futebol ofensivo, para frente. Sendo assim, hoje somos a equipe a ser batida e isso tem feito com que a cada jogo, tenhamos uma dificuldade diferente. O Paulista fez uma excelente partida contra o Santos, só que no final de semana, perdeu para o Ituano (1 a 0). Já a Portuguesa jogou muito contra a gente e pode ser que no próximo desafio, eles não consigam render o esperado”, comentou.

Para Dracena, além da liderança e do bom futebol, a série invicta do Santos (11 jogos sem perder, com dez vitórias e apenas um empate) tem contribuído também para essa motivação extra dos adversários quando enfrentam o time da Vila Belmiro.

“Eles querem vencer o Santos, pois quem conseguir, vai ser falado. Além disso, estamos brigando pelo título, mostrando um grande futebol. Jogamos bem e para frente. Por causa disso, a equipe que joga contra o Santos se prepara muito mais. Pelo momento que vivemos, viramos alvo de todos. Independentemente de onde vamos jogar, todos os times querem nos vencer. Desta forma, a nossa atenção tem que ser redobrada, principalmente diante daquelas equipes consideradas mais fáceis”, finalizou.

A informação é da Gazeta Press

 

Contratos do Comperj assinados

Do site Energia Hoje

A Petrobras assinou nesta segunda-feira (8/3) a autorização para implementação  das unidades de refino do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) no município de Itaboraí (RJ). As obras vão ampliar em 30 mil b/d a capacidade de refino. A inauguração da refinaria é prevista para 2013. Estiveram presentes durante a solenidade os ministros de Minas e Energia, Edison Lobão, do Meio Ambiente, Carlos Minc, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, o prefeito de Itaboraí, Sergio Soares e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, além do presidente em exercício da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

No evento, também foram assinados o contrato com a Cedae, para fornecimento de água tratada durante as obras, no valor de R$ 56 milhões e mais três aditivos com a Skanska, Alusa e Oderbrecht.

Durante seu discurso, o coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antônio de Moraes pediu a não exportação de petróleo cru e defendeu a atuação em toda cadeia de produção do petróleo.

A ministra Dilma também defendeu a produção nacional e os progressos realizados no últimos anos na indústria petroleira. “Estávamos há mais de 25 anos sem investir em refinaria, agora voltamos a investir. Um país da nossa dimensão e da dimensão da Petrobras não pode exportar óleo bruto. Quando fazemos isso, estamos exportando empregos para o exterior”, afirmou. “Antigamente, sondas, plataformas, navios de apoio eram contratados na Coréia e em Singapura. Nossa indústria naval não existia e os metalúrgicos estavam desempregaos. Agora não. Nosso país tem presente e tem futuro porque o governo Lula teve vontade política e transformou a condição de produção de petróleo e gás.”, completou.

Essa foi a terceira vez que o presidente foi ao Comperj e ao discursar, Lula se defendeu afirmando que é o “olho do dono que engorda o porco”. O presidente disse ainda, que vetou o dispositivo da Lei Orçamentária que impediria a obra de receber recursos – por terem apresentado indícios de irregularidades em auditorias do TCU – em nome dos trabalhadores. “Agora vamos fazer toda a investigação que tivermos que fazer. O que não podemos é fazer investigação e ter 27 mil chefes de família perdendo emprego e sem salário.” afirmou.

Lula também disse que o problema no país era que as pessoas tinham desaprendido a fazer o óbvio. “Esse Comperj é o sinônimo de um pedaço da soberania que este país vai construir porque uma indústria petroquímica não é pouca coisa no desenvolvimento de uma nação. Venham quantas gerações vierem, nós vamos acompanhar as evoluções tecnológicas para que o Brasil seja soberano.”

Investimento

Dilma disse ainda que a Petrobras vai investir R$ 85 bilhões este ano. A Petrobras ainda não divulgou o plano de negócios 2010-2014.

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Para Lula, Portal Brasil é o “Google brasileiro”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou o Portal Brasil, lançado na última quarta-feira (03/03). Em entrevista ao “Café com o presidente”, nesta segunda-feira (08/03), Lula disse estar “orgulhoso” e ressaltou a importância do site como uma ferramenta para dar mais transparência à gestão pública.

“Isso aqui é o Google brasileiro, ou seja, aqui o cidadão vai entrar e vai poder saber de tudo aquilo que a gente faz, de cada centavo que a gente gasta (…). É uma coisa extraordinária, porque aí a gente demonstra transparência total, ou seja, é governar sem medo de que as pessoas saibam o que nós estamos fazendo”, afirmou.

O presidente lembrou ainda da importância dos serviços públicos oferecidos pelo portal. “Você imagina que hoje, para que uma pessoa tenha informação do governo, às vezes ela tem que sair de casa, pegar um ônibus, ir a 500 repartições ou fazer 200 telefonemas para ter ‘uma’ informação. Com o Portal Brasil ela vai ter pelo menos 500 tipos de informações diferentes do Brasil”.

Entretanto, de acordo com o próprio presidente, o Portal Brasil foi lançado sem estar completo. “Nós inauguramos o Portal Brasil com 30%, 35% mais ou menos de tudo o que a gente quer dar de informação para o povo brasileiro, mas nós queremos chegar a 100%”, disse.

A informação é do portal Comunique-se

 

Para Lula, mídia brasileira tem “desvio” por noticiar apenas “desgraça”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a imprensa brasileira durante a inauguração de um centro esportivo na Rocinha, nesta segunda-feira (08/03), no Rio de Janeiro. Lula afirmou que a mídia brasileira se interessa apenas pela “desgraça” e que notícia “boa não interessa”.

“A imprensa brasileira, por hábito ou por desvio, não gosta de falar de obras inauguradas. Ou seja, coisa boa não interessa, o que interessa é desgraça. (…) Eu só queria dizer que é um desvio de comportamento não aceitar as coisas boas. Quase nenhuma obra de inauguração merece matéria, quase nenhuma obra. O que merece é uma gafe, o que merece é um erro que a gente cometa ou uma coisa que não aconteceu”, contestou.

O presidente também criticou uma matéria de O Globo sobre a inauguração do Hospital da Mulher, ontem no Rio, quando pediu que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, acompanhasse a cerimônia. A reportagem questionava a presença de Dilma em uma obra que não era do governo federal.

De acordo com o presidente, Sérgio Cabral (PMDB) ficou “indignado” com a reportagem. Lula defendeu que o governador tinha o direito de convidar a ministra, e que a parceria com o governo federal facilitou os recursos para o investimento no hospital.

Com informações do Estadão.com.

 

Lula: “Quem disse que não tem bandido em prédio de Copacabana?”

Em discurso na favela da Rocinha, uma das maiores do Rio de Janeiro, e, palco de constantes confrontos entre policiais e traficantes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que a presença de bandidos não é exclusividade das comunidades pobres do Brasil.

“É verdade que na Rocinha deve ter algum bandido; é verdade também que no Pavão-Pavãozinho deve ter algum bandido… Quem é que disse que não tem bandido nos prédios chiques de Copacabana? Quem disse que não tem em outros locais importantes desse país?”, questionou Lula, que foi aplaudido por uma platéia de cerca de mil pessoas.

“O que é grave é que os perseguidos sempre são os pobres dos morros e não os ricos”, acrescentou.

Lula voltou a afirmar que as comunidades pobres do Brasil foram abandonados por governos anteriores e, que seu objetivo é dar dignidade e oportunidades aos menos favorecidos.

“A nossa vinda aqui é um retrato mais fiel de um prefeito, de um governador e um presidente que querem provar que o que as favelas desejam é apenas serem tratadas com o respeito e dignidade que tem outras pessoas”, disse Lula durante inauguração de uma unidade hospitalar e um complexo esportivo na Rocinha.

Apesar de estar chegando ao fim do seu governo, Lula, afirmou que ainda se sente vítima de preconceito de parte da elite nacional que até hoje não se conforma em ter sido governada por um metalúrgico sem diploma.

“Todo mundo sabe que eu tenho casco duro, que se dependesse de bordoada não estaria onde estou porque uma parte da granfinagem desse país não aceita que um metalúrgico seja um presidente da República e, que um metalúrgico tem feito mais que eles”, disse.

Com agências

 

PLR em entidades sem fins lucrativos?

Por Sérgio Amad Costa*, no jornal O Estado de S. Paulo

Desde o início deste ano foram veiculadas várias notícias sobre o êxito que a Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) das empresas tem gerado nas relações entre empregados e empregadores. Este jornal, em editorial (9/1/2010), destacou uma série de resultados benéficos que essa poderosa ferramenta de gestão, fundada na Lei nº 10.101/2000, vem provocando nas empresas.

A imprensa também noticiou, mais recentemente, a ideia, baseada num estudo do governo federal, de tornar obrigatória a distribuição aos empregados de 5% do lucro líquido das empresas. Tal ideia, caso fosse posta em prática, seria um ultraje organizacional, pois eliminaria o que há de mais louvável nessa Lei da PLR, que é o seu caráter de livre negociação.

Pois bem, em vez de descaracterizar a Lei nº 10.101/2000, urge submetê-la a uma revisão, visando a eliminar uma falha que existe em seu bojo e vem penalizando as instituições sem fins lucrativos.

Essa falha é oriunda do fato de que lucro e resultado, no que concerne à remuneração, estão sendo equivocadamente considerados sinônimos. Não se trata de mera discussão semântica, mas sim de conceitos indevidamente aplicados, transpostos do plano contábil para os planos legais e de gestão empresarial. A consequência disso provoca danos a entidades sem fins lucrativos.

Isto é, a Lei da PLR concede, às empresas que seguirem as determinações legais nela contidas, uma série de vantagens, como, entre outras: a não incidência de encargos trabalhistas sobre a participação que é paga aos empregados e a não ocorrência do princípio da habitualidade, ou seja, o acordo é renovável a cada ano. Permite, também, à empresa decidir o quanto será pago a título de participação e quando será realizado o pagamento. Entretanto, a lei assinala que tais princípios não se aplicam a entidades sem fins lucrativos.

Vale também salientar que a Lei nº 10.101/2000 regulamenta um princípio constitucional, definido no artigo 7º da Carta Magna, que sustenta ser direito dos trabalhadores urbanos e rurais a participação nos lucros ou nos resultados. Mas a Lei da PLR, paradoxalmente, elimina a possibilidade de milhares de empregados que trabalham sob o regime da CLT em entidades sem fins lucrativos de terem qualquer tipo de participação, seja nos lucros ou nos resultados.

É óbvio que não faz sentido entidades sem fins lucrativos distribuírem participação nos lucros aos seus empregados. Porém, tais programas de remuneração variável podem ser sobre lucro (parte contábil especificamente) ou sobre resultados, que a própria lei denomina por indicadores de qualidade, índices de produtividade, metas e objetivos.

Portanto, seria perfeitamente viável uma entidade sem fins lucrativos pagar aos seus profissionais participação nos resultados.

Não são poucas as empresas, mesmo com fins lucrativos, que desenvolvem com seus profissionais programas de participação nos resultados em vez de participação nos lucros. São planos previamente acordados entre empregados e empregador, seguindo as regras e os critérios estabelecidos na Lei nº 10.101/2000, mas desvinculados de qualquer tipo de relação direta com a questão da lucratividade. Nesses casos, a remuneração variável está fundada em metas de gestão, visando, em muitos casos, à melhoria da qualidade de seus produtos ou serviços ofertados no mercado.

Nesse contexto, seria naturalmente exequível uma entidade sem fins lucrativos adotar programa de participação nos resultados, seguindo os passos apresentados na Lei nº 10.101/2000, e não pagar encargos trabalhistas sobre o montante da participação destinado aos seus empregados, e também não ficar sujeita ao princípio da habitualidade. Isto é, a entidade estabeleceria metas de gestão que, caso alcançadas pelos seus empregados, estes receberiam alguma forma de participação.

Não estou tecendo uma crítica generalizada à Lei da PLR. Trata-se de dispositivo legal flexível, fundado na livre negociação e que, em linhas gerais, atende – e muito bem – às necessidades das empresas privadas. Entretanto, tal lei claudica por não estender seus benefícios aos que trabalham em entidades sem fins lucrativos. Isso é lamentável, num momento em que as empresas em geral estão passando a adotar formas de remuneração variável, visando a motivar seus profissionais e, ao mesmo tempo, se beneficiar de estímulos fiscais para desonerar a folha de salários.

*Sérgio Amad Costa é professor de Recursos Humanos e Relações Trabalhistas da FGV-SP

 

A grande vitória de Pedro Camargo

Do Blog do Luis Nasif

Duas observações rápidas:

1. Alguns empresários analisaram a retaliação apenas do ponto de vista econômico e concluíram que em nada afetaria os EUA: US$ 530 milhões é um pingo no comércio exterior americano. Preconizada pela OMC (Organização Mundial do Comércio) a lógica da retaliação é outra: permite-se ao país atingido sobretaxar produtos que nada tenham a ver com o objeto do Panel, no caso, o algodão. Com isso, todos os setores que levaram tiro sem pretender ficam indignados a passam a pressionar o governo local. Não é por outra razão que os EUA enviaram representantes às pressas para negociar.

2. O verdadeiro pai dessa vitória é Pedro de Camargo, grande liderança rural. No governo FHC, na condição de Secretário Geral do Ministério da Agricultura, coube a ele abrir o panel, contra a orientação do Itamarati, que não queria encrenca. No governo Lula, à medida que o julgamento avançava, o Pedro – agora na condição apenas de fonte – era o primeiro a bater forte a cada sinal de que o país iria recuar na retaliação. A importância histórica desse episódio não reside meramente nos valores envolvidos, mas por colocar em xeque todo o sistema de subsídios agrícolas americanos.

Do Valor Economico

Governo americano tenta acordo para impedir sanções

Sergio Leo, de Brasília

09/03/2010

O governo dos Estados Unidos dá hoje o primeiro passo para tentar evitar sanções do Brasil contra importação de produtos americanos, como represália pelos subsídios ilegais concedidos aos produtores americanos de algodão. O governo brasileiro divulgou uma lista de 102 tipos de produtos que receberam aumento de alíquota de importação, capaz de aumentar em US$ 591 milhões seu custo no país. Uma missão de autoridades americanas deve começar, hoje, a discutir maneiras de evitar a aplicação dessas novas tarifas.

Estarão em Brasília o secretário de Comércio dos EUA, Gary Locke, o conselheiro-adjunto de Segurança Nacional para Assuntos Econômicos Internacionais da Casa Branca, Michael Froman, e o conselheiro sênior para Administração Comercial Internacional, Francisco Sanchez. Nenhum deles tem competência direta nas negociações sobre algodão e retaliações brasileiras, tema que cabe ao representante comercial da Casa Branca (USTR), Ron Kirk. Mas são próximos de Obama, especialmente Locke, e terão influência nas decisões do presidente sobre a negociação com o Brasil.

Foto Destaque

A lista tem 102 itens, como antecipou o Valor, e afeta principalmente a importação de trigo (que teve triplicada a tarifa, de 10% para 30%), automóveis (35% para 50%), algodão e produtos têxteis (6% e 26% para 100%) e cosméticos, pasta de dente, lâminas de barbear e sabonetes (duplicada a tarifa, de 18% para 36%). Foram afetados também produtos de consumo, como sucos e batatas fritas (14% para 34%), ketchup (de 18% para 38%) e medicamentos, como derivados de paracetamol. A lista começa a valer em 30 dias e terá um ano de duração, após o qual poderá ser revista. Com base nas importações de 2008, as importações de maior volume afetadas pela retaliação brasileira foram as de trigo (US$ 318 milhões naquele ano).

Além dos automóveis, de importação próxima a US$ 100 milhões anuais, também foram afetados pela duplicação da tarifa os derivados de isocianato de tolueno, matéria-prima para espumas e adesivos, um dos raros insumos punidos na lista, responsável por importações originadas nos EUA de US$ 70 milhões em 2008.

O USTR divulgou nota, manifestando “desapontamento” com a decisão brasileira e afirmando preferir a negociação. Segundo o chefe do departamento econômico do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey, no entanto, os EUA não fizeram, até hoje, nenhuma proposta para negociar a disputa provocada pelos subsídios ilegais ao algodão, que levou a Organização Mundial do Comércio (OMC) a condenar a política americana de subsídios e autorizar o Brasil a retaliar.

Cozendey e a secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola, garantiram que a decisão de retaliar é uma maneira de levar os EUA à mesa de negociações, para obter um compromisso de extinção dos subsídios. No dia 23, a Camex deve decidir sobre a consulta pública a respeito da retaliação em direitos de propriedade intelectual.

Sob risco de redução de prazos de patentes, taxas sobre royalties de produtores de discos e vídeos e permissão para importação de remédios com patente americana, os EUA devem ser estimulados a negociar, acreditam as autoridades brasileiras.

Lula diz que Complexo Petroquímico do Rio é obra estrutural para o país

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância da construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Esta é a terceira vez que Lula visita o complexo, embora as obras estejam apenas na fase de terraplenagem.

“Sei que algumas pessoas estão perguntando por que o presidente visitou pela terceira vez o Comperj se a obra ainda não começou de fato? Esta obra estaria parada a dois meses por pendências com o Tribunal de Contas da União. Por causa de um tal de Anexo Seis, um lapso de compreensão. Eu vetei a intenção e os pedidos diversos porque teria que ter mandado embora 27 mil trabalhadores. Mas nós vamos fazer toda a investigação que tivermos que fazer sem nenhum chefe de família ter perdido o seu emprego”.

Falando para ministros, políticos e trabalhadores que realizam as obras da Comperj, durante a assinatura de contratos para a continuação das obras, em Itaboraí, o presidente disse que a decisão pela construção de novas unidades de refino no país e da melhoria da capacidade de processamento das já existentes, foi uma decisão governamental estratégica.

“A Petrobras descobriu o Pré-sal e agente se perguntou se íamos exportar óleo ou produto refinado. Decidimos pelas quatro refinarias novas e pela recuperação das existentes melhorando a qualidade do nosso refino. Vamos ultrapassar os US$ 60 bilhões de dólares em refinarias. E isto incomoda a algumas pessoas. Aqueles de diziam que não era necessário construir mais, que diziam que não era possível construir plataformas e navios no país e faliram a industria naval, com mais de 50 mil metalúrgicos desempregados pela falência da industria naval”.

Lula lembrou o fato de que, há alguns anos, o Brasil era tratado “como lixo” e que hoje é respeitado em todo o mundo.

O presidente citou o Fundo Monetário Internacional (FMI), que, segundo ele, não respeitava o país, que estava sempre devendo ao fundo e que hoje é credor da instituição em US$ 14 bilhões.

“O Estado durante muito tempo trabalhava para pagar o FMI sem investir no país. Desde o governo Geisel, há 35 anos, que não se fazia investimento estruturais no país. E nós estamos fazendo. E não tem milagre, é apenas acreditar no país e na capacidade de realização do brasileiro. O grande problema no país era que as pessoas haviam desaprendido a fazer o óbvio”.

Sobre a questão ambiental Lula disse que “os gringos ao invés de querer dar lição ambiental ao Brasil tem mais é que aprender com o país nesta questão”.

O presidente também mandou um recado aos que criticam as suas andanças pelo país fiscalizando ou inaugurando obras. “Vou continuar andando por este Brasil para desgraça daqueles que não querem que eu faça isto, porque o Brasil não pode parar e aprendeu a gostar dele mesmo”.

A informação é da Agência Brasil

 

Ameaça do crescente déficit em transações correntes

Por Yoshiaki Nakano, no jornal Valor Econômico

Com a recuperação da economia brasileira, as importações estão voltando a crescer rapidamente e as previsões são de um déficit em transações correntes de mais de US$ 50 bilhões neste ano. Mantida a tendência, o déficit poderá atingir US$ 80 bilhões em 2011, com déficit na balança comercial depois de muitos anos de superávit.

Além da recuperação econômica, esse quadro deve-se à sobreapreciação do real. O aumento do compulsório dos bancos comerciais e a sinalização clara, pelo Banco Central, de que a taxa de juros sofrerá elevação, deve agravar o quadro de sobre apreciação, pois a elevação da taxa de juros neutralizará os efeitos sobre os custos de IOF dos especuladores com o real. Volto a recolocar neste artigo algumas questões de fato muito simples para desmistificar a ideia de que a taxa de câmbio flutuante responderia antecipadamente a esse déficit, fazendo o ajuste necessário.

Se nós vivêssemos em meados do século passado em que todos os países controlavam os fluxos de capitais sob comando do Fundo Monetário Internacional (FMI), cumprindo uma cláusula do acordo de Bretton Woods, essa organização recomendaria ao Brasil a depreciar a taxa de câmbio provendo, para isso, financiamento para evitar danos ao nível de emprego.

Com o rompimento do acordo de Bretton Woods e com taxa de câmbio flexível nos anos 70 e 80, essa ainda respondia, em alguma medida, às exportações e às importações. A perspectiva de crescente déficit em transações correntes e aumento do passivo externo levariam a uma depreciação da taxa de câmbio. Assim, se eu tivesse parado no tempo poderia afirmar que o real deverá agora iniciar um ciclo de depreciação, pois o mercado, diante do crescente déficit e antevendo a inevitável necessidade de depreciação da taxa de câmbio, em algum momento, iniciaria já um processo de depreciação até que as transações correntes se ajustassem.

Mas o que aconteceu ao longo das últimas décadas foi a integração dos mercados financeiros com crescimento explosivo dos ativos financeiros de forma que, cada vez mais, as operações de câmbio estão voltadas para fazer transações financeiras diárias de trilhões de dólares. As estimativas indicam que apenas 1% das operações de taxa de câmbio estão atreladas a operações de exportações e importações de bens e serviços. Assim, podemos dizer que a taxa de câmbio é 99% determinada pelo mercado de ativos financeiros, dependendo da política monetária dos Estados Unidos, superávit em transações correntes (excesso de poupança) da China e dos exportadores de petróleo, portanto, dos fluxos de capitais e da estratégia daqueles que especularam nesses mercados. Sabidamente esses especuladores têm diferentes apetites ao risco de acordo com as circunstâncias e têm comportamento de manada.

Assim, o déficit em transações correntes pode persistir por muitos anos independentemente da taxa de câmbio? Não. A longo prazo a taxa real de câmbio acaba sendo depreciada, mas ex post, isto é, pela crise de balanço de pagamentos. Em outras palavras, quando as nossas transações correntes se deterioram suficientemente, os bem informados e “insiders” começam a deixar de financiar e retirar seus recursos do Brasil, sendo, em seguida, acompanhados pela manada quando todo o mercado financeiro deixa de apostar no Brasil.

Isso desencadeia a “parada súbita” no fluxo de capitais e a disparada na taxa de câmbio. Daí o chamado “overshooting” e drástico ajuste com elevados custos sociais. Fique claro que a taxa de câmbio responde ao déficit em transações correntes, mas com a parada súbita no fluxo de capitais e crise de balanço de pagamentos. Nesse quadro, se o déficit acumulado for elevado, isto é, se o estoque de passivo externo for significativo, as reservas cambiais, por mais elevadas que sejam, podem desaparecer rapidamente.

O problema de países como o Brasil é a crença numa mão invisível que regula o mercado de câmbio de forma a ajustar antecipadamente as transações correntes ou de que a divina providência faz o dólar cair do céu nos leva a políticas populistas. A apreciação da taxa de câmbio traz surtos de crescimento baseados no aumento de consumo, com elevação do salário real, sem sustentação na elevação da produtividade física do trabalhador, podendo até aumentar o investimento com compras de máquinas e equipamentos importados com “subsídio” do câmbio apreciado. Mas esse surto não se sustenta no longo prazo, pois o déficit de transações correntes acumulado acaba provocando, ainda que ex post, a depreciação bem como a apreciação da taxa de câmbio, e a elevação do salário real reduz a margem de lucro das empresas, neutralizando o “subsídio” do câmbio apreciado. Além do mais, a livre flutuação gera volatilidade excessiva da taxa de câmbio, aumentando o risco de câmbio de investimento no setor de “tradables” de forma que, a longo prazo, deprime os investimentos.

Analisando a experiência brasileira podemos afirmar que é possível o país acumular pequenos déficits em transações correntes, digamos uma média de 1% a 1,5% do PIB, ao longo de muitos anos se as exportações estiverem crescendo e o passivo externo sob controle, como aconteceu com o Brasil desde a Segunda Guerra Mundial até o início do fim da década de 60. Alguns estudos empíricos mostram que um pequeno endividamento de até 60% das exportações pode até ajudar o país a crescer mais, mas quando passa desse nível, a sua contribuição é cada vez menor e quando passa o valor das exportações começa a ter efeitos negativos. É o que aconteceu com o Brasil ao longo da década de 70. Os déficits acumulados geraram um passivo externo crescente que desencadeou a crise de balanço de pagamentos e a maxidesvalorização cambial no final de 1980. Assim, o endividamento da década de 70 passou a ser entrave ao crescimento e resultou na década perdida dos nos 80 e semi-estagnação dos anos 90. Da mesma forma, os déficits em transações correntes dos primeiros anos do Plano Real desencadearam a crise de balanço de pagamentos e a depreciação cambial de 1999. A lógica é tão simples quanto óbvia que quem se endivida tem que pagar a dívida. Se quisermos evitar desastres como da década de 80 e a crise de balanço de pagamentos de 1999, é melhor administrar a taxa de câmbio levando-a ao nível que resulta em um déficit em transações correntes aceitável de longo prazo.

Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do governo Mário Covas (SP), professor e diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas – FGV/EESP, escreve mensalmente às terças-feiras.

 

A manipulação continuada de O Globo

Do Blog do Luis Nassif

Segundo a matéria correta dos repórteres:

1. Investimentos nas obras físicas do hospital: R$ 40 milhões, bancos pelo Estado do Rio.

2. Investindo na operação em apenas um ano: R$ 50 milhões, bancado pelo governo federal.

O “admite” do título é para tentar salvar a manchete principal de ontem, em que afirma que Dilma Rousseff participou da inauguração sem que o governo federal tenha ajudado na construção.

O Globo

Governo admite que não bancou construção de hospital no Rio, mas diz que ajudará com custeio

Publicada em 08/03/2010 às 23h42m

Cristiane Jungblut e Demétrio Weber

BRASÍLIA – A Casa Civil e o Ministério da Saúde divulgaram nota nesta segunda-feira confirmando que o governo federal não bancou a construção nem a compra de equipamentos para o Hospital da Mulher Heloneida Studart. A nota frisa, porém, que a União gastará R$ 50 milhões ao ano para manter a unidade funcionando.

O hospital foi inaugurado no domingo, em São João de Meriti, pela chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. A obra de R$ 40 milhões foi realizada pelo governo estadual, que destinará também R$ 30 milhões ao ano para o custeio.

No Rio, o presidente Lula disse que a ênfase do noticiário ao fato de Dilma inaugurar uma obra que não recebeu investimento federal era uma “distorção da informação” . Mas quem buscou dados nesta segunda sobre os repasses do Ministério da Saúde, no sistema de consulta que o próprio ministério mantém na internet, deparou-se com informações erradas.

Informações erradas na internet sobre repasses do governo ao Rio

A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde admitiu que não estava claro se os valores disponíveis na internet diziam respeito a convênios apenas com o governo estadual do Rio, ou também com todas as prefeituras e hospitais federais no estado. E prometeu corrigir a falha nesta terça-feira.

A chamada “sala de situação”, na página do Ministério da Saúde ( www.saude.gov.br ), informa que o Estado do Rio teria ficado com 81% dos investimentos por convênios em todo o país em 2009 – nada menos do que R$ 1,1 bilhão do R$ 1,3 bilhão aprovado pelo ministério no ano passado.

Considerando-se apenas os valores efetivamente desembolsados, os convênios com o Rio teriam recebido 82% do total – R$ 323 milhões dos R$ 392 milhões pagos. A assessoria divulgou que os dados estavam errados.

Para o governo, as notícias veiculadas nesta segunda sobre a visita de Dilma revelam “total desconhecimento sobre a realidade atual do SUS”. A nota diz que esse tipo de parceria permitiu que a comunidade da Rocinha recebesse nesta segunda um complexo de atendimento à saúde, onde funcionará uma Unidade de Pronto Atendimento 24 Horas (UPA), uma Clínica da Família e um Centro de Atenção Psicossocial (CAPs). Nesse caso, o governo federal repassará R$ 3,6 milhões ao ano para o custeio. ( Leia também: Lula diz na Rocinha que bandidos também se escondem em ‘prédios chiques de Copacabana’ )

Ministério diz que ampliou em R$ 640 milhões verba repassada

“É importante ressaltar que a destinação de recursos a obras de hospitais e de outras unidades de saúde que funcionam gratuitamente pelo SUS geralmente envolve as três esferas de governo – federal, estadual e municipal”, diz a nota.

O governo ainda faz questão de dizer que tem aumentado os recursos em Saúde para o Rio – estado de origem do ministro José Gomes Temporão. Segundo a nota, numa comparação entre 2007 e 2009, o Ministério da Saúde ampliou em R$ 640 milhões a verba repassada ao Rio “para procedimentos de média e alta complexidade, como exames e consultas especializadas, cirurgias e internações”. Na “sala de situação” do ministério, porém, esse aumento foi menor: R$ 560 milhões.

A nota encerra afirmando que “essa conjugação de esforços pactuada é o que está possibilitando a melhoria do atendimento à saúde da população e o desafogamento dos prontos-socorros do Rio de Janeiro”.

As falas de Margarida

Rede de comunicadores em apoio à reforma agrária

Da Carta Maior

No dia 11 de março, será realizada, a partir das 19 horas, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (rua Rego Freitas 530) uma reunião para montagem da “rede de comunicadores em apoio à reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais”. Manifesto de lançamento do grupo denuncia a ofensiva dos setores conservadores no Brasil contra a reforma agrária e qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda.

Manifesto de lançamento

Está em curso uma ofensiva conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda. E você não precisa concordar com tudo que o MST faz para compreender o que está em jogo.

Uma campanha orquestrada foi iniciada por setores da chamada “grande imprensa brasileira” – associados a interesses de latifundiários, grileiros – e parcelas do Poder Judiciário. E chegou rapidamente ao Congresso Nacional, onde uma CPMI foi aberta com o objetivo de constranger aqueles que lutam pela reforma agrária.

A imagem de um trator a derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda grilada, roubada da União, correu o país no fim do ano passado, numa ofensiva organizada. Agricultores miseráveis foram presos, humilhados. Seriam os responsáveis pelo “grave atentado”. A polícia trabalhou rápido, produzindo um espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos jornais. O recado parece ser: quem defende reforma agrária é “bandido”, é “marginal”. Exemplo claro de “criminalização” dos movimentos sociais.

Quem comanda essa campanha tem dois objetivos: impedir que o governo federal estabeleça novos parâmetros para a reforma agrária (depois de três décadas, o governo planeja rever os “índices de produtividade” que ajudam a determinar quando uma fazenda pode ser desapropriada); e “provar” que os que derrubaram pés de laranja são responsáveis pela “violência no campo”.

Trata-se de grave distorção.

Comparando, seria como se, na África do Sul do Apartheid, um manifestante negro atirasse uma pedra contra a vitrine de uma loja onde só brancos podiam entrar. A mídia sul-africana iniciaria então uma campanha para provar que a fonte de toda a violência não era o regime racista, mas o pobre manifestante que atirou a pedra.

No Brasil, é nesse pé que estamos: a violência no campo não é resultado de injustiças históricas que fortaleceram o latifúndio, mas é causada por quem luta para reduzir essas injustiças. Não faz o menor sentido…

A violência no campo tem um nome: latifúndio. Mas isso você dificilmente vai ver na TV. A violência e a impunidade no campo podem ser traduzidas em números: mais de 1500 agricultores foram assassinados nos últimos 25 anos. Detalhe: levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que dois terços dos homicídios no campo nem chegam a ser investigados. Mandantes (normalmente grandes fazendeiros) e seus pistoleiros permanecem impunes.

Uma coisa é certa: a reforma agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa também aos que se envergonham com os acampamentos de lona na beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da terra, sem um canto para plantar – nesse país imenso e rico, mas ainda dominado pelo latifúndio.

reforma agrária interessa, ainda, a quem percebe que a violência urbana se explica – em parte – pelo deslocamento desorganizado de populações que são expulsas da terra e obrigadas a viver em condições medievais, nas periferias das grandes cidades.

Por isso, repetimos: independente de concordarmos ou não com determinadas ações daqueles que vivem anos e anos embaixo da lona preta na beira de estradas, estamos em um momento decisivo e precisamos defender a reforma agrária.

Se você é um democrata, talvez já tenha percebido que os ataques coordenados contra o MST fazem parte de uma ofensiva maior contra qualquer entidade ou cidadão que lutem por democracia e por um Brasil mais justo.

Se você pensa assim, compareça ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no próximo dia 11 de março, e venha refletir com a gente:

- Por que tanto ódio contra quem pede, simplesmente, que a terra seja dividida?

- Como reagir a essa campanha infame no Congresso e na mídia?

- Como travar a batalha da comunicação, para defender a reforma agrária no Brasil?

É o convite que fazemos a você.

Assinam:

- Altamiro Borges
- Antonio Biondi
- Antonio Martins
- Bia Barbosa
- Cristina Charão
- Dênis de Moraes
- Giuseppe Cocco
- Hamilton Octavio de Souza
- Igor Fuser
- Joaquim Palhares
- João Brant
- João Franzin
- Jonas Valente
- Jorge Pereira Filho
- José Arbex Jr.
- José Augusto Camargo
- Ladislau Dowbor
- Laurindo Lalo Leal Filho
- Luiz Carlos Azenha
- Marco Aurélio Weissheimer
- Renata Mielli
- Renato Rovai
- Rita Casaro
- Rodrigo Savazoni
- Rodrigo Vianna
- Sérgio Gomes
- Vânia Alves
- Verena Glass
- Vito Giannotti

Importante: A proposta é que a rede de comunicadores em apoio à reforma agrária tenha caráter nacional. Esse evento de São Paulo é apenas o início deste processo. Promova lançamentos também em seu estado, participe e convide outros comunicadores para aderirem à rede.

Fertilizantes: Vira virou?

Por Rui Daher, na Terra Magazine

Ilustração: Gabriel Daher

“Ai se alguém segura o leme
Dessa nave incandescente”

“Vira Virou”, música e letra dos irmãos gaúchos Kleiton e Kledir, é sugestiva da ebulição que movimenta o setor de fertilizantes desde que a CVM, em 15/01, publicou como relevante o fato de a Vale estar negociando a compra de ativos de fertilizantes do Grupo Bunge no Brasil, “incluindo sua participação de 42,3% no capital acionário da Fosfértil S/A”.

Passado menos de um mês, adquiridas as participações dos demais sócios – Mosaic (EUA), Yara (Noruega) e as nacionais Fertipar e Heringer – e gastos cerca de US$ 6,0 bilhões, a Vale ficou dona de 78,9% do capital da maior produtora nacional de matérias-primas de fertilizantes fosfatados e, junto com a Petrobras, da produção de nitrogenados.

Como no potássio a Vale já é solista, a produção de matérias-primas para a fabricação de adubos NPK ficou restrita a duas empresas, já que outro player importante na área de fosfatados, a Copebrás, do grupo sul-africano Anglo American, está à venda desde o ano passado.

Trata-se de uma ação de monta que, embora pareça inverter a mão do ocorrido nos anos 1990 quando grande parte da produção saiu do controle estatal para o privado e levou concentração extrema ao setor, por enquanto, pouco muda.

Esse complexo e a cadeia de fabricantes intermediários que irão gerar os cerca de 23 milhões de toneladas de adubos NPK entregues ao campo respondem apenas por 1/3 das necessidades do País. O resto vem de fora e assim permanecerá até que Vale e Petrobras completem seus planos de expansão.

É claro que o tempo irá fornecer pistas das vantagens que as Marias levaram.

A Vale precisava diversificar as suas atividades? Sofreu pressão do governo? Já estava no setor através do potássio? Tem a melhor logística do País? O potencial da agricultura brasileira garante o mercado? A demanda mundial de alimentos indica preços ascendentes para as commodities?

Se o leitor cravou “sim” é por que entendeu as razões da Vale. Se optou “não”, evite suas ações na Bolsa.

Da parte dos vendedores, o negócio foi bom se analisado o valor da venda contra o pago pelos ativos na privatização mais os poucos investimentos realizados em quase 20 anos. E não o foi se considerarmos que, exceção às raras conjunções positivas de fatores, seus resultados sempre vieram a reboque do lucro da Fosfértil. Junte-se a isso uma possível indisposição diante do volume de recursos necessários para planos de expansão e os resultados negativos mal recebidos em suas matrizes.

Quando a coluna afirma que se trata de um movimento importante, mas de pouca consequência no momento, refere-se às suas repercussões na agricultura.

Difícil de diferenciar, o fertilizante é tratado como commodity. Suas cadeias de distribuição são amplas e longas: grandes produtores como os que venderam suas participações na Fosfértil, misturadores regionais, cooperativas, lojas agropecuárias. Dois fatores que elevam o grau da concorrência. Tanto que, na época, a privatização foi vista como uma forma de, com a posse da matéria-prima, administrar oferta e preços, e assim equilibrar o mercado.

O plano funcionou até que o crescimento da demanda interna forçou o aumento das importações, o controle da oferta desandou e, apesar do grau de concentração superior ao do passado, a concorrência voltou e os resultados pioraram.

Como as empresas que deixaram a Fosfértil respondem por quase 75% do mercado final e anunciam manter suas marcas na ponta, não se sabe se com garantia de suprimento pela Vale, aumenta o risco de um mercado ofertado, com acirramento da concorrência e o surgimento de grupos mais vigorosos de misturadores regionais. Isto, enquanto a produção nacional não voltar a ser suficiente.

A nave está incandescente, mas ainda ancorada no porto.

Rui Daher é administrador de empresas, consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.

 

Tucanos preparam evento para anúncio de Serra no dia 22

O PSDB prepara um grande encontro nacional para o anúncio oficial da candidatura do governador de São Paulo, José Serra, à Presidência da República. Serão convidados para a “pré-convenção”, que deve ocorrer provavelmente na semana do dia 22, candidatos a governador do partido em outros Estados, parlamentares e políticos aliados. O objetivo é dar a largada extra-oficial da candidatura de oposição ao Governo Federal – a formalização do nome de Serra só ocorrerá em junho, mês das convenções partidárias, segundo determina a Lei Eleitoral.

Parlamentares já receberam avisos do núcleo próximo ao governador de que a data mais provável é dia 22. A idéia é criar um evento que dê repercussão e sirva de contraponto ao lançamento, há pouco mais de duas semanas, da pré-candidatura de Dilma. Para os tucanos, o crescimento da ministra nas pesquisas está relacionado a sua exposição nos últimos dias. No evento, será feito um balanço da gestão tucana em São Paulo e será apresentado ao público o discurso que balizará a campanha do PSDB.

Uma das maiores preocupações de Serra hoje, afirmam aliados, é com o discurso que servirá de carro-chefe para a disputa. O núcleo mais próximo do governador tem se reunido com freqüência para discutir e formatar a espinha dorsal da campanha. Participam do grupo, que se reúne semanalmente na casa de Andrea Matarazzo, nomes que atuaram durante o governo Fernando Henrique Cardoso, como Eduardo Graeff e Eduardo Jorge Caldas Pereira, que ocuparam a Secretaria-Geral da Presidência.

Após o lançamento de Serra, os tucanos pretendem confirmar a candidatura de Geraldo Alckmin ao governo do Estado. A idéia é criar outro ato de repercussão na imprensa.

Com agências

 

Dilma afirma que tesoureiro da sua campanha não deve ser o do PT

A ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, praticamente descartou a possibilidade de o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, ser o responsável pelas finanças de sua campanha. Ela afirmou que a tendência é manter a estratégia adotada pelo partido em 2006 de separar as duas tesourarias.

- Nós temos tido nas últimas eleições uma opção por diferenciar as duas tesourarias, a tesouraria do partido, uma vez que ela tem mais obrigações do que a campanha presidencial. Então a tendência é manter isso, a mesma coisa que ocorreu em 2006 na época da eleição do presidente Lula – afirmou hoje a ministra, ao chegar no Senado onde participa da solenidade em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, que foi ontem.

Vaccari Neto foi atacado inescrupulosamente pela torpe revista Veja.

A ministra defendeu o companheiro de partido ao ser perguntada sobre o assunto. Ela disse que o tesoureiro não pode ser condenado sem ter antes a oportunidade de apresentar sua defesa.

- Acho que o Vaccari tem todo o direito de defesa e nós temos tido bastante clareza em defender o direito de as pessoas se defenderem antes de serem condenadas, acusadas e de fato afastadas do que fazem.

Dilma  ressaltou que terá de se licenciar do cargo no governo federal, o que deve ocorrer no início de abril, e, por força da lei, não receberá o salário da Fundação de Economia e Estatística, órgão ao qual é vinculada, uma vez que estará licenciada.

- Posto que eu não posso viver de brisa e não sou rica, vou ter que ter um salário do PT – completou a ministra.

Ainda sobre campanha, Dilma Rousseff negou que pretenda colocar um executivo na sua equipe, conforme notícias divulgadas pela mídia torpe.

-Não comentei isso nem sequer cogitei.

Dilma Rousseff também disse não estar “nem um pingo irritada” com acusações da direita que esteja utilizando a máquina pública para campanha. Neste sentido, ela saiu em defesa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que não foi fácil “tirar um país de uma situação de não investimento, que não tinha projeto, não tinha licença, não tinha obra.”

Sobre a iniciativa do PSDB de apresentar um projeto de lei, aprovado na semana passada, que cria, dentro do programa Bolsa Família, um incentivo financeiro para beneficiários que tenham crianças e adolescentes com bom desempenho escolar, a ministra perguntou de onde virão os recursos para bancar esse adicional. Ela disse que, caso isso não seja bem definido, há o risco de se “começar a sair por aí fazendo toda espécie de benefício num momento eleitoral para a população e não dizendo de onde a gente tira o dinheiro para cumprir.”

Com agências

China alerta bancos sobre risco de bolhas

Os bancos chineses devem exercer vigilância nos empréstimos para unidades de financiamento e veículos de investimentos patrocinados por governos locais, porque tais empréstimos podem ser arriscados, disse nesta segunda-feira o vice-presidente do Banco do Povo da China (PBOC), Su Ning, ecoando as preocupações levantadas por outras autoridades sobre tais empréstimos.

Su Ning disse que parte dos empréstimos feitos a plataformas de financiamento locais tem sido garantidos por governos locais e observou que a situação de financiamento dos próprios governos locais está apertada.

O diretor-assistente do PBOC Guo Qingping disse que o banco vai trabalhar para evitar a formação de bolhas de ativos.

Com agências

 

Com a crise, ricos elevam protecionismo

Na avaliação da Organização Mundial do Comércio (OMC), o G20 – grupos de principais países desenvolvidos e do G7 – tem sido “bem-sucedido” em controlar pressões protecionistas.

A OMC estima que as novas medidas de restrições de importação tomadas nos últimos seis meses pelos governos ainda impactaram negativamente cerca de 0,7% das importações do grupo, ou 0,4% das importações totais do mundo.

No entanto, alguns países em desenvolvimento menos obedientes aos receituários ortodoxos têm reclamado dos estímulos financeiros à indústria adotados por nações ricas e pela China.

“Essa prática prejudica o Brasil, mas nosso maior erro na área de comércio exterior é estratégico: deveríamos privilegiar os acordos bilaterais”, argumenta o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Ele ressalta que a China está se aproveitando desse erro para entrar na América do Sul. E alguns vizinhos, como Chile, Peru e, em breve, a Colômbia, partem para acordos bilaterais para exportar para a União Européia.

“Enquanto Chile e Peru entram na União Européia e nós pagamos tarifa cheia para exportar para os europeus, o Brasil insiste em salvar a Rodada de Doha e aposta no Mercosul, que até agora só firmou acordo com Israel e África do Sul, mas em torno de poucos produtos”, resume o representante dos exportadores.

A informação é do Monitor Mercantil

 

Lei Maria da Penha é modificada: agora as mulheres deverão fazer a denúncia da violência

Por Solange Bagdadi, no Brasília Confidencial

No calor das discussões acerca das conquistas das mulheres nos últimos tempos, os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entenderam que agora haverá necessidade de representação da vítima nos casos de lesões corporais de natureza leve, advindos de violência doméstica e familiar, após a vigência da Lei Maria da Penha (lei no. 11.340/2006). Isto é, a mulher deverá procurar pessoalmente a polícia e a Justiça para que o processo seja iniciado formalmente.

Na prática, o julgamento do crime dependia, antes, do entendimento do juiz, mesmo se a vítima desistisse da acusação. Agora, ela poderá desistir e o inquérito policial não prosseguirá. Para o advogado Gilberto Marques, o legislador compreendeu que, em caso de lesão leve, a vítima pode querer voltar atrás. “O espírito que deveria prevalecer seria a oportunidade do casal se reconciliar. Uma lesão leve não significa espancamento. E a mulher tem que identificar claramente a agressão e na primeira ameaça sair de casa”, afirma o advogado.

Para entidades de defesa da mulher, além de enfrentar inúmeros desafios como a falta de delegacias especializadas e de capacitação dos policiais que socorrem as vítimas, essa decisão pode representar mais uma dificuldade no combate aos crimes contra as mulheres, que já são humilhadas e passam por grande sofrimento, independente de a lesão ter sido leve, ou não. Mas segundo o assessor de juiz João Luiz Oliveira da Rocha, do 1º. Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, no Rio, o que mudou foi somente entendimento do texto e não a lei. “O que antes se discutia entre os juízes, agora passou a ser uniforme. Se é pior ou melhor para mulher, vai depender de cada caso. É muito pessoal”, disse Rocha, que se depara todos os dias com diferentes situações do problema no juizado.

Posse de Piñra: Terremoto no Chile

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaapineraO presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, assume o governo depois de amanhã e já anunciou um plano de austeridade financeira para reconstruir o país. Por sua determinação, os ministros deverão cortar gastos, reduzir despesas e apresentar propostas nas suas áreas que se destinem a atender as vítimas dos terremotos e tsunamis. Nos últimos dias, Piñera se reuniu com sua equipe e com integrantes do governo atual.  

Piñera quer concluir o conjunto de medidas entre os dias 13 e 15 para, em seguida, enviar ao Congresso do Chile. Na série de propostas serão mantidas ações em andamento, definidas pelo governo de Michelle Bachelet, e também serão incluídas novas etapas que visam a reconstrução do país e apoio às vítimas.

Um dos empresários mais bem sucedidos do país, dono da maior parte das ações da empresa aérea Lan Chile e do terceiro maior time de futebol chileno, o Colo Colo, Piñera conta com o apoio e as promessas do setor empresarial. Mas ele sabe que isso não é suficiente.

Atento à necessidade de alinhavar um acordo político para garantir a aprovação das medidas, Piñera se reuniu com aliados e também com a oposição. Foram conversas separadas, mas segundo assessores, o tema e o tom foram os mesmos: é necessário haver unidade para o Chile retomar a normalidade. A todos ele pediu apoio e colaboração.

Paralelamente, Piñera dá sinais de como conduzirá a política externa durante seu governo. No intervalo entre as negociações em torno das propostas para a reconstrução do Chile, ele recebeu o presidente do Peru, Alan García; e o ministro alemão, Guido Westewelle.

Chilenos e peruanos estão em uma disputa sobre limites marítimos. A questão está na Corte de Haia (Holanda). O tema é considerado delicado e fundamental para a diplomacia de ambos os países e foi tratado por Piñera e García.

Com Westewelle, o presidente eleito reiterou que irá apoiar os alemães na tentativa de ingressarem como membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. De forma semelhante Piñera agiu em relação ao Brasil, ao conversar sobre o assunto com o chanceler Celso Amorim. Com o brasileiro, ele também disse que apoia o pleito do Brasil de se tornar integrante permanente do conselho – atualmente o Brasil é um dos dez rotativos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará da cerimônia de posse de Piñera marcada para a próxima quinta-feira, mas enviará representantes.

Bachelet calcula em cerca de US$ 5 milhões para reconstruir infra-estrutura e hospitais

A dois dias de deixar o governo, Bachelet faz as contas dos estragos e das necessidades emergenciais do país. Ontem, o Ministério do Interior anunciou que há 497 mortos. Anteriormente, chegou a ser anunciado um total de 802 mortes, mas governo recuou alegando que foram incluídos na contagem os desaparecidos. Só para as áreas de infra-estrutura e saúde serão quase US$ 5 milhões.

Pelas estimativas oficiais, apenas para a reconstrução da área de infra-estrutura serão necessários US$ 1,2 milhão e mais US$ 3,6 milhões somente para a rede hospitalar. A maior parte dos atendimentos tem sido feita em hospitais de campanha – muitos emprestados por governos estrangeiros, como o Brasil.

Os empresários dos setores vinícola, de pescado e agrícola reclamam das perdas. Os produtores de cobre calculam que em decorrência das necessidades da construção civil o preço do produto deverá sofrer uma alta elevada. O cobre é o principal produto da balança comercial chilena.

Preocupada com as críticas e as dificuldades que enfrenta, Bachelet desistiu de anunciar uma espécie de campanha publicitária cujo conteúdo principal seria o balanço de seus atos nos quatro anos de governo. Também cancelou eventos que participaria em comemoração ao Dia da Mulher, que foi ontem.

Até a ocorrência dos abalos sísmicos, a presidente vivia no conforto de obter 81% da aprovação popular. Certa da sua aceitação entre os chilenos, no começo do ano, Bachelet anunciou que se candidataria à Presidência da República em 2014. Mas agora não menciona mais o assunto.

De acordo com assessores, Bachelet vai manter sua agenda de visitar as vítimas, cobrar os atendimentos emergenciais e coordenar as ações. As áreas mais afetadas estão no Centro e Sul do Chile. Lentamente o comércio e os bancos nas cidades localizadas nestas áreas reabrem suas portas. O receio é com os saques e a violência. Por esta razão o governo mantém militares nas ruas e o toque de recolher.

Em Santiago os sinais do terremoto do último dia 27 e dos tremores de terra que se seguiram também estão presentes. Um dos setores mais atingidos da capital é o centro da cidade: um prédio inteiro de apartamentos foi esvaziado porque pode cair a qualquer momento. Outros três edifícios estão sob supervisão porque as estruturas físicas foram consideradas frágeis.

Na região da estação central de Mapotcho e da Universidade de Santiago algumas pessoas optaram por ficar nas ruas, dormindo sob o céu, a voltar para casa. Elas temem que novos tremores de terra ocorram e derrubem suas casas. Até a ocorrência dos tremores de terra e tsunamis eram raras as cenas de moradores de rua nas principais avenidas da capital.

Dez dias depois, Chile tenta retomar normalidade

Dez dias depois do maior terremoto ocorrido no Chile nos últimos 50 anos, o país tenta retomar a normalidade. Mas os sinais de destruição estão em toda parte – da capital, Santiago, ao Sul. No aeroporto internacional, os principais serviços, como segurança e aduana, foram transferidos para tendas de emergência.

Os prédios do aeroporto foram fechados, porque os tetos despencaram e o sistema de controle dos elevadores parou de funcionar. A previsão é que somente em um mês seja normalizado o funcionamento.

O terremoto do último dia 27, que atingiu 8,8 graus na escala Richter, e os demais tremores de terra e tsunamis deixaram rastros por toda parte. Na chegada ao Aeroporto de Santiago, os passageiros identificam as bagagens e entram nas tendas para a apresentar documentos. Os cães farejadores revistam as bagagens, enquanto os funcionários da segurança e aduana analisam a documentação.

A apreensão dos chilenos que estavam foram do país no momento dos abalos é visível. Eles perguntam para os comissários de bordo detalhes sobre os efeitos dos tremores e tsunamis e se calam a cada resposta. Há poucas conversas e os telefonemas são feitos assim que autorizados.

No aeroporto, o sistema de informática foi momentaneamente substituído pelo uso de notebooks. Apenas 60% do aeroporto estão em operação. Mas os principais vôos oriundos de outros países foram mantidos, embora com atrasos e lotação máxima.

- A vida aqui não está fácil. Mas está bem pior no Sul e na região costeira. Seguimos lutando e nos ajudando. Estão tentando facilitar nossa vida para o pagamento de taxas e impostos. Mas é muito doloroso ver tanta destruição – afirmou o motorista de táxi Roberto Carlos Cacella.

Em Santiago, nas pistas que ligam o aeroporto ao centro da cidade foram abertas fendas profundas e extensas, que estão sendo consertadas. Segundo o taxista, caíram pontes e passarelas. Os carros que passavam pelos locais despencaram, mas não houve mortos nem feridos nesses acidentes.

Tremor deslocou Concepción por três metros

O violento terremoto deslocou a cidade de Concepción por mais de três metros, em direção a oeste, revelaram cientistas nesta segunda-feira.

Segundo o Uol Notícias, medições preliminares obtidas de estações de posicionamento global revelam que Concepción, a segunda cidade do Chile, se moveu 3,04 metros para o oeste com o terremoto, de 8,8 graus de magnitude.

Santiago, a capital chilena, se moveu 27,7 centímetros para oeste, segundo as medições realizadas por especialistas chilenos e americanos e divulgadas pela Universidade Estatal de Ohio.

O terremoto no Chile moveu até a cidade de Buenos Aires, por 4 centímetros para oeste, e foi sentido nas Ilhas Malvinas, no Atlântico.

Com informações da Agência Brasil

 

Propaganda enganosa: Serra corta verbas de apoio a deficientes

Apesar da propaganda onde aparece com cadeirantes no litoral paulista, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), cortou R$ 10,3 milhões das verbas que prometeu gastar com portadores de necessidades especiais. A análise do Orçamento do Estado,  realizada pela Bancada do PT na Assembleia Legislativa, revela que do valor previsto para as atividades da Secretaria da Pessoa com Deficiência em 2009, de R$ 30,8 milhões, foram gastos somente R$ 20,5 milhões, o que representa um corte de 33,5% na área, ou R$ 10,3 milhões.

De acordo com o levantamento, a redução atingiu principalmente o custeio e a contratação de serviços de terceiros. São ações essenciais para este segmento da população, como o Programa de Gestão e Implementação da Política de Inclusão Social, que abrange duas áreas: as ações para a inclusão social da pessoa com deficiência, que perderam R$ 4,37 milhões, e a formulação e avaliação de programas e projetos para a pessoa com deficiência, cujo valor foi reduzido em, aproximadamente, R$ 5,7 milhões.

Além do corte de verbas orçamentárias, os portadores de necessidades especiais enfrentam, principalmente na cidade de São Paulo, problemas como as longas filas para o Atende, serviço gratuito da Prefeitura para pessoas que não têm condições de utilizar outros transportes públicos, e a falta de acesso a prédios públicos.  Também não tem havido atenção para os portadores de deficiência em prédios públicos novos. O novo prédio do Detran, por exemplo, não oferece acesso aos portadores de necessidades especiais.

A informação é do Brasília Confidencial

 

Ipea: Reduzir impostos eleva arrecadação

Isenção de R$ 1,8 bi para IPI gera mais R$ 1,2 bi em receita. Conta não inclui ICMS

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desonerar impostos nem sempre dá resultado negativo. No caso do desconto oferecido no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, a União teria deixado de ganhar R$ 1,82 bilhão no primeiro semestre de 2009, mas, com o aumento das vendas, arrecadou R$ 1,26 bilhão a mais em PIS, Cofins, CSLL, IR e em outras categorias de IPI.

A diferença, segundo o Ipea, foi amplamente compensada pela arrecadação do ICMS nos estados e da Previdência Social, ainda em análise pelo instituto e que teria sido beneficiada pela manutenção de até 60 mil empregos diretos e indiretos na cadeia automotiva.

O Ipea calcula, ainda, que 500 mil vendas de veículos, setor que responde pela quarta parte da produção industrial no Brasil, resultaram diretamente da redução do IPI.

Em 2009, foram vendidos mais 340 mil veículos que no ano anterior. O economista José Luiz Oreiro, da UnB, afirma que a redução temporária de impostos, “focada em bens de consumo duráveis” é autêntica medida keynesiana anti-recessão.

“O estímulo fiscal, tanto pode vir do aumento dos gastos, quanto da redução de impostos”, comentou, frisando que a medida deve ser temporária, acrescentando que a redução ou isenção fiscal estimula a antecipação de compras.

Para este ano, segundo o Ipea, mesmo com o fim do estímulo fiscal, o mercado de trabalho deve apresentar desempenho positivo, devido, sobretudo, à expansão da oferta interna de crédito, manutenção dos investimentos em infra-estrutura, e estímulo ao consumo via redução de impostos: “É lícito projetar um cenário positivo para o mercado de trabalho em 2010, com retomada da geração de empregos com carteira assinada e da elevação dos rendimentos”, disse o Ipea.

A informação é do Monitor Mercantil

 

Brasil cria inseticida biológico contra mosquito da dengue

Depois de quase três anos de estudos, a Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), criou um inseticida biológico capaz de matar as larvas do mosquito da dengue em 24h. A pesquisadora Elizabeth Sanches, que coordena o projeto, informou que o comprimido é inofensivo ao meio ambiente e à saúde humana e pode ser dissolvido em até 50 litros de água.

- A pastilha é colocada dentro da caixa d’água. Duas horas depois de ingerir o inseticida, a larva fica paralisada e impossibilitada de alimentar-se e morre depois de 24h. Além disso o efeito do inseticida dura até 21 dias.

Paralelamente, a equipe da pesquisadora desenvolveu dois bioinseticidas: um contra o mosquito que transmite a malária e um contra a o transmissor da elefantíase.

- Já estamos com o edital pronto para buscar parcerias empresariais para a produção dessas formulações – adiantou a pesquisadora.

Atualmente todos os bioinseticidas usados no país são importados. A Fiocruz tem seis produtos totalmente nacionais, prontos para a fabricação em larga escala. A Farmanguinhos, que detém a patente desses produtos receberá os royalties pela comercialização e irá fiscalizar o processo de produção dos inseticidas nas empresas parceiras.

Mosquito

O pesquisador brasileiro Osvaldo Marinotti está desenvolvendo na Universidade da Califórnia, nos EUA, um mosquito geneticamente modificado que pode ser usado para reduzir a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue.

Como apenas as fêmeas do inseto picam e transmitem a doença, além de carregar os ovos, a técnica visa a diminuir essa população.

O mosquito que está sendo desenvolvido produz uma toxina no código genético que atrapalha a formação das fêmeas, deixando-as com as asas atrofiadas e incapazes de sobreviver. Os machos, no entanto, são normais. A idéia é que os ovos com esses mosquitos transgênicos sejam colocados na natureza.

Como as fêmeas são inválidas, apenas os machos teriam capacidade de voar e transmitiriam o código genético “inseticida” à medida que cruzassem com as fêmeas. As crias resultantes desses cruzamentos teriam fêmeas defeituosas e os insetos do sexo masculino normais, para transmitir a herança genética adiante. Com a população de fêmeas reduzida, a reprodução do inseto fica prejudicada.

Segundo Marinotti, a técnica pode ser capaz de exterminar a população de Aedes aegypti em uma localidade.

- Mas mosquitos existem em todos os lugares. E mosquitos vindos de outros lugares vão repovoar aquela região – acrescenta.

Por isso, seria necessário fazer novas solturas do animal modificado para prevenir o aparecimento da doença.

O custo da técnica, segundo o pesquisador, não é muito elevado.

- Eu acho que o custo maior talvez seja com a distribuição e logística – ponderou.

Os mosquitos transgênicos estão atualmente passando por testes em “grandes gaiolas” no México. De acordo com o pesquisador, o uso do mosquito vai depender dos resultados desses testes, realizados em um sistema de contenção, sem soltar os animais na natureza.

- Esses resultados vão ser usados pelos órgão reguladores de meio ambiente e saúde pública. E vão avaliar se vale a pena e se é seguro fazer um teste em campo, em condições de soltar mosquito na natureza – explicou.

Os insetos transgênicos estarão prontos para serem testados em campo em um prazo de um a dois anos, segundo Marinotti.

As informações são da Agência Brasil

 

Solanas denuncia delírio neoliberal contra meio-ambiente

aaaaaaaasolanasDepois de fazer o mosaico cinematográfico da Argentina contemporânea pós-2001, o cineasta e político Fernando “Pino” Solanas lança “Ouro Negro”, segunda parte da série “Terra Sublevada”. “Ouro Impuro”, lançado em 2009, é a primeira parte; “Ouro Negro” tem estréia prevista ainda em março. Ambos os filmes formam um painel da depredação dos recursos minerais argentinos, e da luta contra a crescente contaminação do solo, do ar e da água.

Por Clarissa Pont, na Carta Maior

Fernando “Pino” Solanas hoje é deputado nacional pela cidade de Buenos Aires e encabeça o Proyecto Sur, movimento político que reúne o Partido Socialista Autêntico, a ala social da Central de los Trabajadores Argentinos (CTA), além de outras frentes importantes da esquerda argentina. Diretor e roteirista de um dos mais importantes filmes latino-americanos da década de 80, Solanas tem se dedicado a registrar a Argentina pós-crise em documentários desde 2001. Enquanto Sur, de 1988, melhor direção em Cannes e Prêmio do Júri do Festival de Havana, despejava na tela uma história de amor ao país em ficção, “Memória do Saqueio”, “A Dignidade dos Ninguéns”, “Argentina Latente” e “A Próxima Estação”, montam o mais importante mosaico cinematográfico da Argentina contemporânea.

“A crise social dos fins de 2001, com a queda do governo de (Fernando) de la Rúa, marcou um antes e depois na Argentina. Eu voltei a filmar pelas ruas e foi nascendo a idéia de fazer um filme sobre a crise argentina mirando, sobretudo, uma geração jovem que não entendia direito o que estávamos passando”, relembra Solanas. O enredo do último documentário (narrado em duas partes) começa nos anos 90, quando as políticas neoliberais de Carlos Menem entregaram o petróleo e a mineração a corporações privadas e estrangeiras, liberaram substâncias tóxicas e métodos de extração depredadores, contaminaram fontes de água e o meio ambiente. A partir daí, os bloqueios de estradas e as assembléias dos ambientalistas fizeram nascer uma nova consciência, pela salvaguarda da vida e a recuperação dos recursos minerais no país.

“Filmes ou livros não mudam a realidade, mas ajudam muito. Veja, eu passei os últimos dez anos falando sobre o saqueio da mineração no país. Os que estão ao meu redor já escutaram mil vezes meus argumentos e podem repetir letra por letra. Mas eles não tinham as imagens. Quando saímos do cinema no outro dia depois da exibição de “Ouro Impuro”, as pessoas me diziam “que coisa tão extraordinária”! E eu respondia, “pô, vocês já me escutaram falar sobre isso mil vezes”. Entende? Esse é o valor do cinema e isso não se apaga”, conta Solanas, referindo-se á noite de exibição da primeira parte de “Terra Sublevada” no Cine Gaumont, especializado em cinema argentino, em Buenos Aires. A estréia de “Ouro Impuro” foi tão movimentada que o filme quase não pôde ser exibido em outubro do ano passado na capital argentina. Naquela noite, ônibus de sindicatos patronais das minerarias recrutaram trabalhadores sob a alegação de que o filme de Solanas seria responsável caso os empregos na região sumissem. A briga polarizou trabalhadores e moradores das comunidades atingidas pela mineração e atrasou a estréia em algumas horas.

Os embates são freqüentes desde a ocasião. Em fevereiro deste ano, durante coletiva de imprensa realizada em Catamarca, na Argentina, por ocasião da exibição do documentário no local, os mesmos trabalhadores mineiros entraram em confronto com a polícia tentando impedir a exibição. O filme pôde ser exibido Andalgalá, Belém e Santa Maria, comunidades do entorno que foram registradas por Solanas. Sobre o incidente, Solanas afirmou à imprensa local não ser contra a mineração, mas aos grandes projetos. Ouro Impuro é uma viagem ao redor de algumas das explorações ao ar livre com cianureto que corporações instalaram no noroeste argentino: San Juan, La Rioja, Tucumán e Salta, além de Catamarca. Nas mega-jazidas, como as de Alumbrera e Veladero, colinas são lançadas pelos ares com explosivos e são utilizados, diariamente, de 80 a 100 milhões de litros de água potável misturados a 10 toneladas de cianureto.

Segundo Solanas, estes números surpreendem, mas não contam toda a história, já que “o saque das riquezas minerais do país acontece sem controle público e praticamente sem recolher impostos”. As histórias da luta contra a mineração são contadas por seus protagonistas: engenheiros, professores, caseiros de chácaras, indígenas, ambientalistas, vizinhos, que contam comoventes histórias de resistência. Um tanto estimulados pela luta das assembléias populares de Gualeguaychú contra a instalação da indústria de celulose Botnia, o movimento ambientalista já conquistou a proibição de mineração ao ar livre com substâncias tóxicas em sete províncias argentinas: Chubut, Rio Negro, La Pampa, Mendoza, São Luís, Córdoba e Tucumán.

Mas não apenas em filmes Solanas denunciou o saque promovido pelos delírios neoliberais de Carlos Menem. Depois de uma série de entrevistas nas quais abria fogo contra o então presidente argentino, levou seis tiros nas pernas em 1991, no que ficou para ele evidente tratar-se de um atentado político. O novo alvo de cineasta é o casal Kirchner. Tanto que, através da frente de esquerda Proyecto Sur, ele pretende concorrer às próximas eleições presidenciais na Argentina, em 2011. Apesar de ser um nome bastante cotado para a prefeitura da cidade de Buenos Aires, uma candidatura à presidência ainda esbarra na tímida votação do Proyecto Sur fora de Buenos Aires. A candidatura se baseia em um plano de governo em que as principais linhas estão na nacionalização da mineração e da exploração do petróleo argentino.

Meirelles é eleito presidente de conselho consultivo do BIS

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, foi eleito presidente do Conselho Consultivo das Américas no Banco de Compensações Internacionais (BIS na sigla em inglês), anunciou a autoridade monetária nesta segunda-feira.

O conselho representa os bancos centrais do continente americano no BIS e é responsável pela coordenação dos temas de interesse das autoridades monetárias da região. Ao conselho também cabe acompanhar a aplicação das recomendações do BIS quanto à regulação e supervisão bancária, bem como sobre o funcionamento do mercado e dos sistemas de pagamento e de liquidação.

Na última sexta-feira, Meirelles foi escolhido Personalidade do Ano de 2010 pela Câmara de Comércio Brasileira-Americana (Brazilian-American Chamber of Commerce), em Nova York.

Todos os anos a instituição premia um brasileiro e um americano em reconhecimento ao empenho pessoal para estreitar os laços bilaterais. O prêmio será entregue no dia 20 de maio, em Nova York.

A informação é da Agência Brasil

 

Obama recebe primeiro-ministro grego para discutir crise

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro grego, Yorgos Papandreu, se reúnem nesta terça-feira na Casa Branca para analisar, entre outras coisas, a crise orçamentária do país europeu.

A reunião, que tem previsão de duração de uma hora, começará por volta das 14h locais (16h de Brasília), e será realizada a portas fechadas, segundo a Casa Branca. Os dois líderes abordarão, segundo o escritório de imprensa de Obama, “seu compromisso partilhado com a reforma financeira e a recuperação econômica”.

Papandreu, que se encontra em Washington desde domingo, deve explicar a Obama as medidas que seu governo se comprometeu a adotar para reduzir o déficit fiscal de seu país. O primeiro-ministro grego já se reuniu nessa segunda-feira com a secretária de Estado, Hillary Clinton, que deu o apoio de seu governo ao programa de recuperação da Grécia.

Por sua parte, o primeiro-ministro grego pediu aos EUA e à União Europeia que ponham freio à especulação mediante regras mais estritas nos mercados. A Grécia registrou um déficit equivalente a 12,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, e sua dívida supera 110% do PIB. A Administração de Papandreu apresentou um plano para sanear as contas públicas, incluindo medidas drásticas para descer as despesas e elevar a arrecadação pública.

Com agências

 

FMI diz que pode haver mudanças no iuan nos próximos meses

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse nesta terça-feira durante palestra em Johanesburgo que o iuan ainda está “muito desvalorizado”, mas que o foco no crescimento doméstico pode levar a mudanças “nos próximos meses”.

“A crise tem sido o gatilho para a economia chinesa mudar para um modelo mais tradicional de crescimento”, disse oStrauss-Kahn.

“O que combina com esse tipo de política é uma revalorização da moeda chinesa”, disse ele. “Nós podemos ter mudanças nos próximos meses”.

O iuan tem se mantido no mesmo valor ante o dólar por quase dois anos, com Pequim efetivamente fixando, de novo, a sua taxa de câmbio para proteger a economia chinesa contra os danos da crise financeira global.

O diretor do FMI também descreveu as crescentes taxas de poupança por cidadãos americanos desde a crise financeira como uma “grande mudança na economia global” que começará a resolver os desequilíbrios entre a Ásia e os Estados Unidos.

Porém, ele disse que os consumidores chineses e de outros mercados emergentes ainda estão longe de ser o combustível do crescimento global para substituir os Estados Unidos.

“Você não vai substituir o consumidor americano com o consumidor asiático apenas em algumas semanas”, afirmou. “Você não muda a rota de um grande barco como esse de um dia para o outro”.

De acordo com ele, como resultado, a economia global está em território desconhecido. “Nós não vamos voltar aos negócios como de costume”.

“O modelo de crescimento da economia global é basicamente desconhecido”, disse Strauss-Kahn.

Com agências

 

Jornal belga lança edição com fotos em 3D

aaaaaaaajornal3dO jornal belga La Dernière Heure publicou nesta terça-feira uma edição com fotos em 3D, com direito a óculos especiais para ver o efeito. Segundo o redator-chefe da publicação, Hubert Leclercq, a iniciativa “é uma novidade na Bélgica e talvez também na Europa”.

Além disso, o jornal saiu com um papel de melhor qualidade e mais branco, para assegurar um efeito melhor. De acordo com Leclercq, até os anunciantes quiseram entrar na onda.

“A ideia surgiu pela primeira vez quando decidimos lançar o primeiro número em formato compacto, em novembro de 2008, mas a edição que foi hoje às ruas é resultado de dois meses de testes técnicos, já que saímos do zero”, ressaltou Leclercq.

O redator-chefe do La Dernière Heure se mostrou orgulhoso com a novidade, mas não soube dizer se haverá outra edição assim.

Mais de 6.000 mulheres protestam em 15 Estados

Ocupações, acampamentos e passeatas marcaram ontem, em áreas rurais e cidades de 15 estados, a Jornada de Luta das mulheres ligadas à Via Campesina e ao MST contra o agronegócio a violência. Mais de 6.000 militantes participaram da mobilização.

São Paulo: 150 mulheres ocuparam a sede do Incra em Araraquara denunciando a grilagem de terras na região.

Rio: foi ocupada a Usina Capim, em Campos dos Goytacazes, em protesto contra o aumento do trabalho escravo nas lavouras de cana-de-açúcar.

Minas Gerais: 500 mulheres estão acampadas desde o dia 6 na praça da Assembleia  Legislativa. Denunciam a situação de opressão em que vivem por causa do agronegócio, da violência e do machismo.

Alagoas: as manifestantes acamparam em frente ao palácio do governo estadual, em Maceió, e pretendem ficar lá durante uma semana. Realizaram ato também no centro de Arapiraca e marcharam em Delmiro Gouveia, para protestar contra a construção do Canal do Sertão, obra que, segundo elas, vai privilegiar latifundiários.

Bahia: cerca de 1500 militantes da Via Campesina, quilombolas e de outros movimentos encerraram acampamento na UFBA e marcharam pelas ruas de Salvador.

Ceará: 400 mulheres acamparam em frente à indústria química Nufarm, na Região Metropolitana de Fortaleza. Protestam contra a fábrica, oitava maior produtora mundial de agrotóxicos, e reclamam a desapropriação do terreno.

Paraíba: 400 mulheres marcharam pelas ruas de Sousa, no sertão. Denunciaram o uso desenfreado de agrotóxicos pelo grupo Santana, grande empresa agrícola. Os maiores prejudicados são as famílias acampadas num assentamento.

Pernambuco: cerca de 350 mulheres ocuparam a sede da Secretaria estadual de Agricultura, em Recife.  Lembraram que Pernambuco é um dos estados com maior quantidade de conflitos agrários, mas que nenhuma nova desapropriação foi feita em dois anos. No domingo, 180 mulheres haviam reocupado uma fazenda no município de Bonito, brejo pernambucano.

Rondônia: cerca de 200 mulheres bloquearam por uma hora a estrada de acesso ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio.  Em Porto Velho, protestaram contra a construção de barragens no rio Madeira. Elas estão acampadas num ginásio, onde fazem debates e estudos.

Tocantins: mais de 800 mulheres fizeram caminhada em defesa da vida, pelos direitos humanos e pela soberania alimentar.

Goiás:  600 militantes fizeram caminhada contra o agronegócio no município de Rubiataba.

Mato Grosso: as mulheres realizaram uma campanha de doação de sangue em frente aos correios e a Igreja Matriz, em Várzea Grande.

Mato Grosso do Sul: 300 mulheres percorreram as ruas centrais da capital, Campo Grande, com faixas, cartazes e megafones. As camponesas entregaram ao Incra uma pauta de reivindicações para melhorias nas área de educação, saúde e crédito.

Paraná: cerca de mil camponesas ocuparam uma usina em Porecatu, no norte do estado, para denunciar a monocultura da cana e o trabalho escravo.

Rio Grande do Sul: trabalhadoras da Via Campesina, do Movimento dos Trabalhadores Desempregados, da Intersindical e do Levante da Juventude estão mobilizadas desde o último dia 3. As manifestantes promoveram palestras e ocuparam a Delegacia do Ministério da Agricultura, em Porto Alegre.

A informação é do Brasília Confidencial

 

Desemprego nos EUA justifica política afrouxada, diz FED

A fraqueza do mercado de trabalho americano deve justificar as políticas monetárias afrouxadas por mais tempo, disse o presidente do Federal Reserve (FED) de Chicago, Charles Evans, em comentários preparados para discurso à Associação Nacional de Economia Empresarial, nesta terça-feira.

“Os problemas do mercado de trabalho … me levam a pensar que essa política expansionista é apropriada por mais algum tempo”, disse Evans, que está confortável com a manutenção dos juros baixos por período prolongado. “Período prolongado, para mim, significa três ou quatro reuniões”, disse.

Relatórios recentes sobre o mercado de trabalho têm sido mistos, afirmou ele, que não tem poder de voto no comitê de formulação de políticas do FED neste ano.

“Quando você olha além dos números principais, porém, alguns outros indicadores do mercado de trabalho estão fracos”, disse o presidente do FED, citando a quantidade de tempo que as pessoas permanecem desempregadas como uma tendência preocupante.

Com agências

 

Dilma defende licença maternidade maior também nas empresas

Pré-candidata à Presidência da República, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defendeu nesta terça-feira a ampliação do período de licença-maternidade de quatro para seis meses também na iniciativa privada. Uma lei de autoria da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) já prevê afastamento da mulher por seis meses no serviço público e torna essa prerrogativa opcional nas empresas.

No entanto, uma proposta de emenda à Constituição (PEC) da deputada Rita Camata (PSDB-ES), está pronta para ser votada no Plenário da Câmara igualando o direito a gestantes que trabalham tanto no serviço público quanto na iniciativa privada.

“Sobre a licença maternidade, acatamos a lei da senadora Patrícia Saboya que torna obrigatória no serviço público a licença maternidade de seis meses e esperamos que se modifiquem as condições para que as empresas acatem essa medida também”, afirmou a ministra ao participar no Senado Federal de homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Durante a sessão com deputados e senadores, Dilma Rousseff aproveitou ainda para defender o pagamento de salários mais equânimes entre homens e mulheres e o cumprimento à risca da Lei Maria da Penha, que prevê penas mais duras para agressões contra mulheres.

“O que sempre foi visto como drama individual vai se transformando pela nossa luta em questão do Estado brasileiro. O maior avanço que acredito é nosso, e ninguém nos tira, que é o aumento da nossa consciência. A clareza que temos (…) vai sempre mover, modificar o mundo e lutar contra a discriminação”, disse a chefe da Casa Civil.

Com agências

 

Falar em aumento do pãozinho é “terrorismo”, diz ministro

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse nesta terça-feira que “estão fazendo terrorismo” os que falam que o preço do pão vai aumentar por causa da sobretaxa que o País pode aplicar à importação do trigo americano.

Na segunda-feira, a Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou o País a tomar essa medida como forma de retaliação à prática do governo dos Estados Unidos de pagar subsídios aos produtores de algodão.

“Já tem gente querendo ganhar dinheiro à custa de uma determinada situação”, comentou Stephanes em entrevista coletiva para apresentar o sexto levantamento da safra de grãos 2009/2010.

Segundo ele, esse tipo de especulação ocorre porque apenas cinco grandes grupos de moinhos controlam toda a comercialização de trigo no País e sempre pressionam o governo para reduzir a tarifa de importação, embora não aceitem abrir seus estoques.

“Numa reunião, eles pediram a importação com tarifa zero com o argumento de que o preço do pão aumentaria 36% se não fossem atendidos. Eu disse que aceitava, se eles aceitassem abrir os estoques, mas eles não aceitaram. Não os atendemos e o preço não subiu. Eles acham que não sabemos fazer cálculo”, afirmou ele.

Segundo Stephanes, apenas 5% do trigo comercializado no País são importados dos Estados Unidos. Além disso, ele ressaltou que o preço do cereal interfere pouco no preço do pão.

“Tem que se considerar que o custo do trigo no pãozinho varia de 10% a 16%. Então, como a restrição de 5% da importação implicaria aumento de 16% no preço? Isso não tem lógica nenhuma. É terrorismo”, afirmou.

O ministro mostrou na coletiva um gráfico com a variação do preço do trigo e do pão francês nos últimos três anos, no qual o primeiro sofreu variação de R$ 750 por t em 2007 para menos de R$ 450 por t neste ano. O valor do pãozinho, entretanto, se manteve no mesmo patamar, mesmo com a queda do valor de sua matéria-prima. “Alguém está ganhando dinheiro aí, e não é o produtor”, disse Stephanes.

O ministro disse que, até o final deste mês, técnicos dos ministérios da Agricultura e da Fazenda deverão chegar a um consenso sobre o que é melhor para o País em relação à produção de trigo. Segundo ele, as duas pastas precisam solucionar logo suas divergências sobre o assunto para que a decisão tenha reflexo já no próximo plano safra. “Nossa visão é de que temos 180 mil produtores de trigo que, ao estarem produzindo no inverno, empregam pelo menos mais 180 mil pessoas e conseguem se capitalizar para a produção de soja e milho”, afirmou. Para os técnicos do Ministério da Fazenda, no entanto, “” raciocínio é de que, se podemos importar trigo mais barato, isso seria importante para evitar o aumento no preço do pãozinho”, disse.

Stephanes apresentou durante o anúncio do sexto levantamento da safra 2009/2010 de grãos, um gráfico com a variação do preço do trigo e do pão francês nos últimos três anos, no qual o primeiro sofreu variação de R$ 750 por t em 2007 para menos de R$ 450 por t este ano. O valor do pãozinho, entretanto, ficou no mesmo patamar, mesmo com a queda do valor de sua matéria-prima.

Perguntado como os técnicos do Ministério da Fazenda poderiam garantir que o preço do pão cairia com a importação de trigo mais barato, o ministro preferiu não responder.

Para compensar a importação do trigo americano, que pode deixar de ocorrer caso o País realmente sobretaxe o produto como forma de retaliação autorizada pela OMC por subsídios ilegais dados pelo governo dos Estados Unidos aos produtores de algodão, Stephanes disse que há outras boas opções. “Não se produz trigo apenas nos Estados Unidos. A Rússia tem trigo bom, o Canadá e a União Europeia também têm”, afirmou. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que nesta safra, o País produza 5 milhões de t dos 10,6 milhões de t do cereal consumidos pela população.

Sobre as tarifas internacionais de importação, Stephanes disse que o governo acompanha o mercado, rastreia as informações e, sempre que há necessidade de importar, baixam-se a taxas.

A informação é da Agência Brasil

 

UE trabalha em mecanismo de ajuda se Grécia precisar

O presidente da Comissão Europeia, Jose Manuel Barroso, disse nesta terça-feira que o órgão executivo da União Europeia (UE) trabalha com estados-membros da zona do euro em um mecanismo para ajudar a Grécia se necessário.

“A Comissão tem trabalhado ativamente com os estados-membros da área do euro para delinear um mecanismo que a Grécia poderia usar caso fosse necessário”, disse ao Parlamento Europeu.

“Tal mecanismo seria em conformidade com o atual Tratado de Lisboa, em particular com a cláusula de ‘não resgate’. Ele incluiria uma condicionalidade rígida.”

Ao mesmo tempo, Barroso disse que a Grécia estava tomando os passos necessários para reduzir o déficit orçamentário este ano e parecia determinada a resolver seus problemas estruturais, o que deve ajudar a prevenir a necessidade de ajuda financeira.

“Nós estamos fazendo o que é necessário para assegurar a estabilidade financeira da área do euro como um todo.”

Com agências

 

Sociedade deve pressionar aprovação do Projeto Ficha Limpa

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) realizou nesta segunda-feira, 08/03, na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo, um ato público pela aprovação imediata do PLP 518/09, conhecido como Projeto Ficha Limpa. Entidades da sociedade civil, juristas e parlamentares expressaram apoio ao projeto e também preocupação quanto ao seu encaminhamento no Congresso Nacional. Alguns afirmaram que se trata de um esforço necessário para a realização do obvio. O deputado federal Indio da Costa (DEM/RJ), relator do grupo de trabalho parlamentar incumbido de apresentar um substitutivo ao PLP 518/09 e a outros dez projetos de lei que tratam do mesmo tema, expôs detalhadamente quais as alterações estão sendo propostas pelo grupo de trabalho ao projeto, como o impedimento de candidaturas a partir de condenação por órgão colegiado e maior detalhamento sobre a tipificação dos crimes previstos na lei.

O jurista Hélio Bicudo defendeu a constitucionalidade da proposta. “Há um uso equivocado a respeito do disposto no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição, que adverte que ninguém será considerado culpado até o trânsito final da sentença condenatória. Isso não impede que, para efeitos eleitorais, seja examinada a vida pregressa dos candidatos a cargos eletivos”, afirmou. “Aliás, a Constituição é exigente quanto à probidade dos membros dos poderes da República”. No rol de ações recomendadas até a aprovação do PLP 518/09 estão a continuidade da coleta de assinaturas em apoio ao projeto  – cerca de 1,6 milhão já foram encaminhadas ao Congresso Nacional , o envio de cartas, via correio, e de petições online para os parlamentares, a realização de atos públicos e debates em todo o país. 

O que propõe o PLP 518/09

O PLP 518/09 é originário do Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre a Vida Pregressa dos Candidatos, apresentado ao Congresso em setembro do ano passado. O projeto pretende alterar a Lei de Inelegibilidades, considerando a vida pregressa dos candidatos, principalmente no caso de pendências com a Justiça por envolvimento em crimes graves. Ele também propõe estender para oito anos o prazo de inelegibilidade e tornar mais rápidos os processos judiciais que tratam do tema. O projeto estava parado até o início deste ano, mas os últimos escândalos envolvendo corrupção e poder público no Distrito Federal, além da pressão popular por sua aprovação, mudaram este quadro.

O MCCE, integrado por 44 entidades da sociedade civil, foi responsável pela viabilização do PLP 518/09. Seus representantes têm participado de todas as reuniões do grupo de trabalho e audiências públicas referentes à análise do projeto. No último dia 23/02, durante uma audiência pública sobre o tema, foi apresentada uma proposta de texto visando incorporar novas contribuições e manter a integridade do projeto de lei original. A proposta de redação está disponível no site do MCCE (www.mcce.org.br).

A informação é do Brasília Confidencial

 

MPF: Vale monopoliza ferrovia e piora Rodovia da Morte

aaaaaaaavaleEm 2009, acidente com caminhões na BR-381, próximo à cidade de Sabará, em Minas: dois mortos (Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Futura Press).

Por Carolina Oms e Claudio Leal, na Terra Magazine

O “monopólio” da estrada de ferro Vitória-Minas, operada pela mineradora Vale, tem sido relacionado como um dos principais fatores para o crescimento da violência na BR-381, em Minas Gerais. Como outras periogosas estradas brasileiras, ela mereceu o carimbo e clichê jornalísticos de “Rodovia da Morte”, por possuir o mais alto índice de acidentes com mortos no Estado. Em 2008, nos seus 316 km de extensão, morreram 121 pessoas, entre 2.522 ocorrências, segundo estatísticas da Polícia Rodoviária Federal.

Incluído na ação civil publica ajuizada pela ong Instituto Cidades, o Ministério Público Federal (MG) vai promover uma audiência de conciliação com a Vale e a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) – acusada de “omissa” -, para reverter parte do tráfego de cargas pesadas para a ferrovia, que está sob o controle da mineradora desde 1997, através da Concessão do Serviço Público Federal de Transporte de Cargas e Passageiros.

Responsável pelo caso, em Ipatinga (MG), o procurador Edmar Gomes Machado quer que a Vale cumpra sua finalidade social, o que representaria ceder a ferrovia para o transporte de mercadorias de outros grupos – e, assim, aliviar o fluxo de caminhões na BR-381. Diz o Ministério Público: “a Vale transporta majoritariamente apenas seu próprio minério, não disponibilizando, nos municípios, postos de coleta de mercadorias para empresários e a sociedade em geral.”

- Já fizemos um estudo, com engenheiros da Procuradoria, e concluímos, assim como o próprio Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), que a rodovia tem um traçado ultrapassado – afirma o procurador Edmar Machado a Terra Magazine. – Essa ferrovia é um bem público. A propriedade privada tem que atender a um fim social. É óbvio que o fim social é da própria natureza da propriedade pública. A gente está tendo um massacre anual aqui na rodovia.

Vale não comenta

Por meio de sua assessoria, a Vale afirma que não se pronuncia sobre processos em andamento. Se as transportadoras de bebidas, botijões de gás e produtos de supermercados tivessem acesso aos trens – exemplifica o procurador -, a rodovia não teria uma sobrecarga e não seria desgastada rapidamente. Machado descreve:

- Toda a carga que vem de São Paulo em direção ao Nordeste passa pela rodovia 381. Aliado a isso, você tem o próprio Vale do Aço, do qual Ipatinga é a principal cidade. Uma região metropolitana com quatro municípios, altamente industrializada por grandes empreendimentos siderúrgicos, papel e celulose. Esse pólo demanda também um grande número de fretes, de minério, de toras de eucalipto, esse tipo de material. Bom, paralela a essa rodovia nós temos uma ferrovia, que é a Vitória-Minas. Ela passa beirando o trecho da rodovia 381, a mais violenta do Brasil. Matou mais de 130 pessoas no ano passado. E esse número é crescente.

O MPF cita um levantamento da ong Instituto Cidades na BR-381: durante três horas de um dia útil, foram contados 540 caminhões no trecho Vale do Aço-Belo Horizonte; desse total, 120 eram próprios para o transporte de minérios. O Ministério Público deseja ainda a expansão do número de linhas de trem para passageiros. Atualmente, há apenas uma viagem diária.

O procurador Edmar Machado considera a situação como “emergencial”. “Se não houver conciliação, acredito que o juiz deva apreciar os pedidos de liminares”, complementa. Em Minas, somente em 2008, foram contabilizados 22.583 acidentes em rodoviais federais, com 1.138 mortos.

Emir Sader: O passado e o futuro do Brasil

Do Blog do Emir

O livro – “O Brasil, entre o passado e o futuro” – foi concebido para fazer um balanço da herança recebida pelo governo Lula, das transformações realizadas nestes dois mandatos e dos objetivos colocados para o futuro do Brasil. Foi concebido como artigos individuais, numa perspectiva comum, como contribuições que favoreçam uma compreensão política do governo Lula e da plataforma da campanha da Dilma. A organização foi do Marco Aurélio e minha, compreendendo os seguintes textos:

- O Brasil, de Getúlio a Lula – Emir Sader

- O Brasil herdado – Jorge Mattoso

- A inflexão do governo Lula: política econômica, crescimento e distribuição de renda – Nelson Barbosa e José Antonio Pereira de Souza

- A sociedade pela qual se luta – Marcio Pochmann e Guilherme Dias

- Participação e mudança social no governo Lula – Luiz Soares Dulci

- O lugar do Brasil no mundo – A política externa em momento de transição – Marco Aurélio Garcia

- Um país para 190 milhões de brasileiros – Entrevista com Dilma Rousseff

Seria difícil resumir em um texto relativamente breve os principais conteúdos do livro. A reprodução da apresentação pode ajudar a compreendê-los:

“Tem sito dito – com certa razão – que a grande transformação econômica, social e política pela qual o Brasil vem passando nos últimos sete anos não foi, até agora, objeto de uma reflexão mais aguda, como ocorreu em outros períodos de nossa história republicana.

“Os textos que compõem este livro pretendem sanar em parte esse vazio, na perspectiva dos que valorizam positivamente as mudanças em curso no país. Eles buscam contribuir para a compreensão do Brasil contemporâneo – de seu passado, de seu presente e do seu futuro. São um conjunto de análises que abordam diferentes temas vinculados à herança recebida pelo governo Lula, às transformações realizadas por este e às propostas para sua consolidação, aprofundamento e desdobramentos futuros.

“Trata-se de contribuições individuais, advindas de óticas distintas. Elas convergem, no entanto, no projeto de “um país para todos”, expresso pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), em sua entrevista, quando fala da necessidade de seguir construindo “um Brasil para 190 milhões”.

“Parte-se das origens do Brasil contemporâneo, passando pela herança econômica recebida por Lula, pela evolução de sua política econômica, pelas novas relações com os movimentos sociais, pelo lugar do Brasil no mundo e chega-se a um novo desenho das relações sociais, em função das extensas transformações que o país atravessa.

“Os textos apontam para a necessidade de teorizar não em abstrato, mas a partir da prática desse governo. É a clareza dos obstáculos enfrentados, sobre os avanços realizados e o potencial aberto para o futuro que permitirá ao país seguir trilhando o caminha da emancipação econômica e social até aqui percorrido.

“Pretendemos contribuir para a mais ampla discussão que as forças do campo popular e a cidadania em geral necessitam desenvolver. Assim o Brasil poderá assumir, com consciência e mobilização, os desafios que o projetem como uma sociedade justa, solidária, soberana e humanista.

Emir Sader e Marco Aurélio Garcia”

Pretendemos realizar o maior numero possível de lançamentos e debates – uns 20 já estão programados – por todo o Brasil, com a presença dos autores que possam dispor do tempo para participação nelas. Os que se interessem em propor novos lançamentos, podem escrever para o blog, assim como os que queiram adquirir o livro, publicado pela Boitempo (www.boitempoeditorial.com.br) e pela Perseu Abramo (editora@fpabramo.org.br) , podem dirigir-se diretamente às editoras ou ao endereço do blog.

Professores começam a conquistar apoio de pais contra Serra

Os professores paulistas passaram o dia de ontem organizando sua mobilização com a expectativa de, até sexta-feira, conseguir adesão total da categoria para paralisar por tempo indeterminado as escolas da rede pública estadual.

Muitas escolas funcionaram parcialmente nesta segunda-feira. Os professores conversaram com pais e estudantes sobre a precariedade da rede no estado e conquistaram manifestações de apoio.

“Sou contra o sistema de aprovação automática que o governador José Serra colocou para as nossas crianças. Além disso, os professores merecem salários dignos, para que consigam passar dignidade para os filhos da gente”, disse Marcos Leandro Castro, pai de aluno da Escola Estadual Caetano de Campos, no bairro paulistano da Aclimação.

Na escola em que estuda o filho de Marcos não há sequer inspetores ou funcionários para garantirem a segurança dos estudantes. Por causa disso, as próprias mães se organizaram e montaram um sistema de inspetoras voluntárias. Isilda Aparecida Rede é uma delas.

“Como não existe funcionário para cuidar dos nossos filhos, as famílias têm que substituir o Poder Público na escola. A gente vem cuidar, porque eles ficam sem nenhuma proteção. Não há nem quem organize um fila”.

A professora Mônica Severo explica que dá aulas em 16 turmas do ensino básico (segundo grau), com 40 a 45 alunos por classe. A promessa de Serra, de manter dois professores por turma, não foi cumprida na Escola Estadual Caetano de Campos.

“Eu fico até constrangida, porque um professor nessas condições não consegue conhecer seus alunos pelo nome”, disse Monica, que, para manter tantas turmas, ganha R$ 1 mil por mês, somadas as bonificações.

“A política educacional do Serra não permite sequer que os professores se vinculem aos alunos, porque nós somos transferidos constantemente. Também é mentirosa a propaganda que fala que temos laboratórios nas escolas, ou mesmo que elas funcionam nos fins de semana”, conta a professora.

Serra declarou na noite de segunda-feira que a greve dos professores “é um movimento que não pegou”. Segundo ele, “é um movimento esquisito, porque vai contra os aumentos salariais por mérito, contra a distribuição de materiais para os alunos estudarem e contra o conjunto de ações que beneficia os alunos”.

A informação é do Brasília Confidencial

 

Foz sediará Conferência Estadual de Economia Solidária, em abril

A 2ª Conferência Estadual de Economia Solidária do Paraná será de 23 a 24 de abril, em Foz do Iguaçu. O evento tem como tema “O direito, as formas de organização econômica baseada no trabalho associado, na propriedade coletiva, na cooperação e na autogestão, reafirmando a Economia Solidária como estratégia e política de desenvolvimento”.

A conferência visa realizar um balanço sobre os avanços, limites e desafios da economia solidária no atual contexto socioeconômico, político, cultural e ambiental nacional e internacional; e avançar no reconhecimento do direito a formas de organização econômica baseadas no trabalho associado, na propriedade coletiva, na cooperação, na autogestão, na sustentabilidade e na solidariedade.

Também tem como objetivo propor prioridades, estratégias e instrumentos efetivos de políticas públicas e programas de economia solidária, com participação e controle social; e promover o conhecimento mútuo e a articulação dos poderes públicos, das organizações e sujeitos que constroem a economia solidária no Paraná.

A expecativa é receber cerca de 400 delegados na etapa estadual, que irão eleger 56 representantes para a Conferência Nacional de Economia Solidária, de 16 a 18 de junho, em Brasília. Mais informações pelo site www.mte.gov.br/delegacias/pr/ ou pelo telefone da unidade local: (45) 3901-6707.

A informação é do Portal H2Foz

Revelação do Sevilla pode “ajudar” Santos a ficar com Robinho

aaperottiAnote esse nome, torcedor santista: Diego Perotti. O argentino de 21 anos, revelado pelo Deportivo Morón e que desde 2007 defende as cores do Sevilla, que o contratou inicialmente para defender o time ‘B’, pode ‘ajudar’, indiretamente, o Alvinegro praiano a prorrogar o empréstimo do atacante Robinho junto ao Manchester City.

Segundo a edição desta terça-feira do jornal Daily Mail, os ingleses estariam dispostos a investir pesado para tirar o argentino das fileiras do Sevilla – a oferta beiraria os ú 40 milhões (cerca de R$ 107,4 mi) -, e, com isso, suprirem a carência aberta com a saída de Robinho.

O diário cita ainda que o craque da seleção brasileira já demonstrou vontade de estender seu atual vínculo de empréstimo com o Santos (encerra-se dia 4 de agosto) e permanecer na Vila Belmiro até 31 de dezembro, o que poderia ser facilitado caso a aquisição do argentino se concretize.

A torcida do City (e dos santistas), agora, é para convencer o presidente do Sevilla, José Maria Del Nido, a aceitar a oferta. “O Diego acabou de renovar seu contrato. É verdade que tem causado sensação e atraído interesse de outros times, mas seu foco está no Sevilla e ele não sairá nesta janela”, prometeu o dirigente, lembrando que o jogador postergou seu vínculo até 2015 com o clube.

Além do Manchester City, mais duas equipes mostraram interesse em tirar Perotti do Sevilla: o Arsenal, que teria oferecido um valor bem menor do que o pleiteado pelo City, e o Real Madrid, que ainda não abriu conversações em termos financeiros a respeito do argentino.

A informação é da Gazeta Press

 

Lula leva Saúde à Rocinha e condena preconceito contra os pobres

Até ontem, os cem mil moradores da favela da Rocinha, uma das comunidades mais pobres do Rio de Janeiro, contavam apenas com um posto de saúde que funcionava em horário comercial. Hoje, passam a se beneficiar dos serviços de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), de uma Clínica da Família, de um Centro de Atenção Psicossocial, enfim, de um complexo de saúde e também de um centro esportivo construídos com R$ 231,2 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e inaugurados ontem pelo presidente Lula, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o governador Sérgio Cabral.

“Acabou o tempo em que as pessoas não olhavam para cá. É verdade que a Rocinha deve ter algum bandido. (…) Mas quem disse que não tem bandido naqueles prédios chiques em Copacabana? Quem disse que não tem bandido em outros lugares deste país?”, discursou o presidente Lula condenando o preconceito com que as elites tratam a população pobre.

“O que é mais grave é que os mais perseguidos são os pobres dos morros. E nós (…) estamos convencidos de que as pessoas precisam é de oportunidade. É levando a elas cultura, educação, possibilidade de lazer e trabalho, que nós estaremos construindo homens e mulheres de bem e não bandidos e traficantes”.

Lula voltou a afirmar que as comunidades pobres foram abandonadas por governos anteriores que só se interessavam por elas em época de eleições.

“Não queremos tirar um milímetro de benefício que os ricos têm. Mas queremos que o pobre suba um degrau na escada e possa viver dignamente”, acentuou. E, novamente, atacou seus antecessores e os críticos de seu governo. Disse que “muita gente não se conforma que o governo gasta dinheiro com pobres” e observou que, se as pessoas deixassem de criticar esses gastos, haveria menos favelas no Rio e seria reduzido o número de pessoas vivendo em situação de risco.

“Vamos modificar o Rio de Janeiro, mesmo que algumas pessoas não gostem”, assegurou o presidente.

A informação é do Brasília Confidencial

 

Ipea estima demanda e oferta de mão de obra

Do Boletim Ipea

Comunicado nº 41, que será divulgado em SP, prevê o impacto do crescimento econômico sobre o mercado de trabalho, com informações estaduais, regionais e nacionais

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulga nesta quarta-feira, dia 10, em São Paulo, o estudo Emprego e oferta qualificada de mão de obra no Brasil: impactos do crescimento econômico pós-crise. Os dados reunidos no Comunicado do Ipea nº 41 estimam a demanda e a oferta de mão de obra no pós-crise no mercado de trabalho brasileiro, com informações nacionais, regionais e por unidade da federação que apresentam a geração de empregos setoriais.

Por meio do Comunicado, é possível saber quais os setores que mais demandarão e mais ofertarão oportunidades de ocupação neste ano. O estudo considera, ainda, que apenas uma parte dos trabalhadores em busca de ocupação está qualificada e tem experiência profissional para responder à demanda de postos de trabalho.

O documento é feito com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Trabalho e Emprego. A apresentação do Comunicado do Ipea nº 41 será feita pelo presidente do Instituto, Marcio Pochmann, às 14h, na Caixa Econômica Federal da Praça da Sé (nº 111, 5º andar, auditório). Mais informações pelo e-mail adelina.lapa@ipea.gov.br ou pelo telefone (61) 3315-5249.

Mostra apresenta divulgação cinematográfica realizada por artistas cubanos

aaaaacubamosdtraDo Correio Braziliense

Uma das primeiras ações de Fidel Castro, com o sucesso da revolução cubana de 1959, foi investir no fortalecimento da cultura nacional. No cinema, a criação do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic) estabeleceu parâmetros para a produção de filmes cubanos e distribuição de películas estrangeiras na ilha, além de ter iniciado uma tradição no design de cartazes, à maneira de outros países socialistas da época, como Polônia e Hungria.

A visão muito particular de Cuba sobre o cinema estrangeiro pode ser conhecida gratuitamente na exposição Cartazes cubanos: um olhar sobre o cinema mundial, instalada na Galeria Vitrine da Caixa Cultural até 11 de abril. “O instituto abriu o espectro de exibição e o público passou a ter à disposição filmes do mundo todo, além de criar uma tradição do desenho nacional de cartazes”, conta a cubana Sara Vega, pesquisadora do Icaic.

A mostra apresenta 80 trabalhos produzidos entre os anos 1960 e o início dos anos 1990, e percorre a obra de 12 designers. Cartazes de clássicos do cinema mundial, como O encouraçado Potemkin, do russo Sergei Eisenstein, e Beijos proibidos, do francês François Truffaut, dividem espaço com os brasileiros Antônio das mortes, de Glauber Rocha, e Cara a cara, de Júlio Bressane.

Os pôsteres são assinados e têm as mesmas dimensões (76,5 cm x 51 cm). A tiragem de cada exemplar é limitada, não ultrapassa 500 unidades, e os trabalhos são impressos em serigrafia, a partir das matrizes originais, com 8 a 10 cores. Para Alexandre Guedes, curador da exposição, a qualidade das obras confere aos cartazes o status de obras de arte. “A galeria atrai o espectador mesmo sem o filme. No passado, cumpria função promocional e alcançou, hoje, função artística”, analisa.

O designer cubano René Azcuy, autor das peças gráficas de Potemkin e Beijos proibidos, valoriza a importância do compartilhamento de informações sobre design com outros países, mesmo capitalistas. “O país não é fechado culturalmente. Há liberdade e nós tivemos influências de outros movimentos cartazistas, de alemães, franceses e suíços”, observa ele, que mora há 15 anos no México. 

O Globo recusou anúncio do movimento negro

De Fernando Conceição, no Blog do Portal Luis Nassif

Prezado Sr. Luis Erlanger:

sou jornalista e professor do programa de pós-graduação e da graduação na Faculdade de Comunicação da Universidde Federal da Bahia. Fiz meus doutorado e mestrado em Ciências da Comunicação na USP, com estágios na NYU (Nova York) e pós-doutorado na Freie Universität Berlin, na Alemanha.

Tomo a liberdade de escrever ao senhor como um potencial cliente da área comercial do jornal O Globo (quiçá da TV Globo). Represento aqui setores da sociedade civil organizada que estão tentando veicular, entre amanhã, dia 3, e quinta, dia 4, um manifesto afirmando a constitucionalidade das políticas de ação afirmativa para pobres, negros e índios. Para isso, desde janeiro estamos recolhendo doações individuais e institucionais em todo o país, conforme pode ser visto em nosso blog (http://afirmese.blogspot.com/)

Por intermédio de uma agência de publicidade parceira, a Propeg, estamos tentando comprar espaço de uma página do jornal O Globo para publicar a peça criada pela mesma Propeg. Apesar de estarmos disposto a pagar, qual não tem sido até este momento a nossa surpresa diante do que aqui vai exposto. A agência tinha negociado, até quinta passada, a publicação com desconto para a ONG Omi-Dùdú. A tabela com desconto de O Globo fixou o valor da publicação em R$ 54.163,20. Na sexta, ao analisar o material, que nada menciona sobre a mídia, o comercial de O Globo informou à agência que o texto é “expressão de opinião”. Por isso, teria de cobrar a “tabela cheia”, elevando aquele valor em 1.000%, para R$ 548.174,00 !!! Ou seja, quer cobrar mais de meio milhão de reais para que a sociedade civil tenha o direito de se manifestar sobre o debate que começa amanhã no Supremo Tribunal Federal!

Gostariamos de contar com suas ponderações e, se for o caso, colaboração no sentido de chegarmos a um acordo para que o anúncio – que foi aceito pelos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e outros – possa também ser veiculado por O Globo, um jornal de grande prestigio com base na ex-capital da República. Mas por valor razoável, específico para a sociedade civil, no momento em que o fortalecimento da democracia exige a liberdade de expressão e diversidade de opiniões. Já que a diretriz da rede Globo propugna por isto, como deve impor ao movimento social organizado (geralmente depauperado) uma tabela de preços que, por antemão, sabe proibitiva e honerosa mesmo se fosse para uma grande multinacional.

O Globo não deveria ser uma exceção, evitando que os cariocas e os brasileiros que o lêem sejam os únicos prejudicados por impedir tal publicação. Que, adianto ao senhor, de forma alguma visa provocar quem quer que seja. Tanto o manifesto quanto os spots e VTs estão à disposição do senhor, se quiser analisá-los visando colaborar na sua veiculação, seja no jornal O Globo (para a qual pagariamos o valor honesto e realista de R$ 54.163,20), seja na TV Globo (neste caso, o VT, como apoio institucional).

Mui respeitosamente subscrevo-me, no aguardo de sua resposta nas próximas horas em face da exiguidade de tempo do setor comercial de sua empresa.

Atenciosamente,

Fernando Conceição

Comentário

Manteve-se o veto econômico ao anúncio.

E ganhou a máquina de guerra

US-OSCAR-SHOWPor Luiz Bolognesi no jornal O Estado de S. Paulo

Ao contrário do que parece à primeira vista, a polarização entre Avatar e Guerra ao Terror não traduz uma disputa entre cinema industrial e cinema independente, nem batalha entre homem e mulher. O que estava em jogo e continua é o confronto entre um filme contra a máquina de guerra e a economia que a alimenta e outro absolutamente a favor, com estratégias subliminares a serviço da velha apologia à cavalaria.

Avatar foi acusado nos Estados Unidos de ser propaganda de esquerda. E é. Por isso é interessante. No filme, repleto de clichês, os vilões são o general, o exército americano e as companhias exploradoras de minério do subsolo. Os heróis são o “povo da floresta”. A certa altura, eles reúnem todos os ”clãs” para enfrentar o invasor americano. Clãs? Invasor americano? Que passa? É difícil entender como a indústria de Hollywood conseguiu produzir um filme tão na contramão dos interesses do país e transformá-lo no filme mais visto na história do cinema. Esse fato derruba qualquer teoria conspiratória, derruba décadas de pensamento de esquerda segundo a qual a indústria de Hollywood está sempre a serviço da ideologia do fast-food e da economia que avança com mísseis, aviões e tanques. Como explicar esse fenômeno tão contraditório?

Brechas, lacunas na história. Ou como diria Foucault, a história é feita de acasos e não de uma continuidade lógica cartesiana. A necessidade do grande lucro, da grande bilheteria mundial produziu uma antítese sem precedentes chamada James Cameron. O homem de Titanic tinha carta branca. Pelas regras da cultura do “ao vencedor, as batatas”, Cameron podia tudo porque era capaz de fazer explodir as bilheterias mundiais.

Mas calma lá, cara pálida, uma incoerência desse tamanho, você acredita que passaria despercebida? O general americano, vilão? As companhias americanas que extraem minério debaixo das florestas tratadas como o império das sombras? Alto lá. Devagar com o andor, mister Cameron.

Aí, alguém chegou correndo com um DVD na mão. Vocês viram esse filme da ex-mulher do Cameron? Não, ninguém viu? Então vejam. É sensacional. Ao contrário de Avatar, nesse DVD aqui o soldado americano é o herói. Aliás, mais que herói, ele é um santo que arrisca sua própria vida para salvar iraquianos inocentes. Jura? Temos esse filme aí? Sim, o pitbull americano é humanizado e glamourizado, mais que isso, ele é santificado.

Então há tempo.

Guerra ao Terror estreou no Festival de Veneza há dois anos. Por acaso eu estava lá como roteirista de Terra Vermelha, do diretor italiano Marco Bechis, e fui testemunha ocular da história. O filme da diretora Kathryn Bigelow foi absolutamente desprezado pelos jornalistas e pelo público. E seguiu assim. Indo direto ao DVD, em muitos países, sem passar pelas salas de cinema. Até ser resgatado pela indústria americana como um trunfo necessário para contestar Avatar e reverenciar a máquina de guerra e o sacrifício de tantos jovens americanos mortos e decepados em campo de batalha.

Trabalhando num projeto para o mesmo diretor italiano, que pretendia fazer um filme sobre os viciados em guerra no Iraque, eu pesquisei o assunto durante alguns meses. Tudo muito parecido com o filme de Bigelow, exceto por um detalhe. O detalhe é que os soldados americanos que se tornam dependentes da adrenalina da guerra tornam-se assassinos compulsórios e não salvadores de vidas. O sintoma dos viciados em guerra é atirar em qualquer coisa que se mexa, tratar a realidade como videogame e lidar com armas e balas de verdade como um brinquedo erótico. Se Guerra ao Terror representasse nas telas essa dimensão da realidade, seria um filme sensacional, mas não teria levado o Oscar, podem apostar.

Guerra ao Terror venceu o Oscar porque, como nos filmes de forte apache, transforma os assassinos que dizimam outras culturas em heróis santificados. A cena extremamente longa e minimalista em que os jovens soldados americanos em situação desprivilegiada combatem no deserto os iraquianos é o que, se não uma cena clássica de caubóis cercados por apaches? Sem nenhuma surpresa para filmes desse gênero, os garotos americanos vencem, matam os iraquianos sem rosto, como os caubóis faziam com os apaches no velho-oeste. A cena do garoto iraquiano morto, com uma bomba colocada dentro do corpo por impiedosos iraquianos, que literalmente matam criancinhas, tem a sutileza de um elefante numa loja de cristais. Propaganda baratíssima da máquina de guerra.

No filme de Cameron, os na”vi azuis podem ser os apaches que derrotam o general e expulsam a cavalaria americana. Mas isso é apenas uma ficção. Na vida real do Oscar, a cavalaria precisa continuar massacrando os apaches.

Luiz Bolognesi é roteirista de filmes como Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade

 

Brasileiros devem menos do que há seis anos

Os brasileiros estão devendo menos no mercado. A taxa de inadimplência no país teve a maior queda em fevereiro, desde 2004. Neste segundo mês do ano, a taxa caiu 3,1% com relação a janeiro. Comparada a fevereiro do ano passado, a queda foi de de 2,2%.  Foi o maior recuo entre os meses de fevereiro desde 2004. Os dados, divulgado nesta terça-feira, 09/03, em São Paulo, são do Indicador Serasa Experian. De acordo com os economistas, a perspectiva é de que a taxa continue em queda por, pelo menos, todo o primeiro semestre de 2010, coerente com o bom cenário econômico, a geração de empregos e a evolução da renda. 

Segundo a Serasa, a queda indica que mesmo com as compras do Natal e as pressões das despesas de início de ano, como IPVA e IPTU, o crescimento da economia contribuiu para o pagamento das dívidas dos consumidores. A queda também foi decorrente do recuo de 4,6% na inadimplência nos cartões de crédito e financeiras, que contribuiu com um ponto e meio percentual no declínio de 3,1% registrados pelo indicador. Considerando o acumulado do ano – primeiro bimestre de 2010 em comparação com o mesmo período do ano anterior –, a inadimplência caiu 5,3%, representando o maior percentual de queda nessa relação, desde 2000. Segundo a entidade, esse resultado positivo é em decorrência da comparação entre duas conjunturas econômicas distintas: a atual, com forte crescimento da economia, aumento do emprego e evolução da renda, e a do início de 2009, com um dos momentos mais críticos da crise, com a inadimplência em alta.

A análise de fevereiro demonstra ainda que as dívidas com os bancos permaneceram em primeiro lugar no ranking de representatividade: a participação desta categoria foi de 48,1% do total de vencimentos não pagos. No mesmo período de 2009, este percentual era de 43,4%. Já os débitos com cartões de crédito e financeiras ficaram com a segunda posição e 32,9% de participação – menor do que os 37% registrados no ano de 2009. Os cheques sem fundos, por sua vez, ficaram em terceiro lugar, com 16,9% do total, índice menor do que o registrado no mesmo período do ano anterior (+17,7%). Por último, e com menor impacto no indicador no período analisado, aparecem os títulos protestados, cuja proporção foi de 2,1%, maior frente ao mesmo período de 2009, quando o percentual registrado foi de 1,9%.

A informação é do Brasília Confidencial

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