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HORAMENSAGEM


Um novo tempo para as mulheres

Postado em Últimas notícias em março, 2010

Este 8 de março de 2010 realça alguns significados para a luta das mulheres. O centenário da aprovação dessa data pelas mulheres socialistas na Conferência de Copenhague em 1910 reforça a reflexão sobre os avanços da cidadania das mulheres e sobre os entraves que a atual sociedade capitalista ainda coloca na caminhada libertadora das mulheres, sobretudo no contexto atual de sua grande crise. Desemprego, dificuldade de acesso a cargos qualificados, diferença salarial, falta de equipamentos sociais como creche, previdência precária ou inexistente no caso do trabalho informal, são questões que afetam com maior força as mulheres. Além disso, se a nível mundial a mulher já ocupa espaços de poder, convive ainda com a subrepresentação, e com a sobrecarga doméstica e a violência, para não falar das investidas de criminalização das que ousam interromper a gravidez.

Se por um lado a atual crise jogou uma pá de cal na tese de que o capitalismo seria o fim da história, por outro reavivou a luta social e a busca de caminho para chegar a um novo sistema social, socialista. É no palco dessa luta entre o velho e novo mundo que se destaca a caminhada das mulheres rumo à liberdade. Como disse o filósofo francês Fourrier: “ A mudança de uma época histórica pode ser sempre determinada pela progressão das mulheres em direção à liberdade … O grau de emancipação da mulher é a medida da emancipação em geralâ€.

É verdade que a emancipação inconclusa das mulheres hoje tem a ver com os dilemas emancipatórios da sociedade. Mas as lições das experiências socialistas e a evolução do pensamento revolucionário, além de reafirmar a contextualização histórica, social e econômica da luta das mulheres, como fez Clara Zétkin na Conferência de Copenhague em 1910, evoluiu para um melhor entendimento dos entraves ideológicos e subjetivos para a emancipação feminina, que precisam ser desde já enfrentados transversalmente em todos os espaços da sociedade. Não perdendo de vista, é claro, que a evolução do pensamento revolucionário sobre a emancipação da mulher, tem interface e deve interagir com a evolução do pensamento marxista para uma virada civilizacional rumo ao socialismo.

Para chegar às conquistas de hoje foi preciso muita luta. No início de corajosas mulheres individualmente, evoluindo para a luta organizada por bandeiras mais definidas, pela educação, pelo trabalho, pelo voto, pela democracia, pela igualdade na lei e na vida. Nessas jornadas muitas foram as heroínas que às vezes a história oficial oculta. Será que o feito de Olympe de Gouges, que por defender a cidadania das mulheres na Revolução Francesa foi para a guilhotina é suficientemente divulgado?

Será que a nossa história brasileira divulga que já no tempo das Capitanias houve duas administradoras de Capitanias em São Vicente e Pernambuco, Ana Pimentel e Brites de Albuquerque? De que Maria Dias Ferraz do Amaral ficou conhecida como a “heroína do Capivari†por ter lutado contra os carajós? E que Antônia Ribeiro também organizou e sustentou uma Bandeira com seus filhos? Isso para não falar dos exemplos de Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Barbara Heliodora, Chiquinha Gonzaga, Angelina Gonçalves, Luiza Mahin, das quilombolas e porque não de Maria Bonita que neste 8 de março faria 100 anos? E das resistentes pela democracia, das guerrilheiras do Araguaia, simbolizadas por Elza Monerat. A lista é enorme. O importante é dar visibilidade a essas lutadoras que alicerçaram a caminhada democrática e emancipadora.

Neste centenário do 8 de março, homenagem às operárias tecelãs queimadas na fábrica Cotton de Nova Iorque que lutavam por redução da jornada e melhores condições de trabalho, fazemos um balanço positivo da caminhada das mulheres. Um alento para prosseguir no rumo da liberdade, do progresso social, de combate ao racismo, da igualdade entre homens e mulheres, de uma sociedade sem exploração . É justo homenagear em particular a resistência das trabalhadoras, sua demanda atual pela jornada de 40 horas sem redução do sálario e reafirmar a bandeira do socialismo defendida por Clara Zetkin.

Vivemos no Brasil ventos favoráveis ao avanço do desenvolvimento, com mais distribuição de renda, mais democracia, mais conquistas para nosso povo e de combate às desigualdades. A caminhada das mulheres rumo à liberdade prossegue, com muitas conquistas a serem alcançadas e obstáculos a serem vencidos. A candidatura à Presidência da República de uma mulher como Dilma Roussef, oriunda da resistência democrática, pode, se vitoriosa, apontar um novo tempo de avanço, de desenvolvimento , progresso social e democrático para o Brasil e as mulheres.

São Paulo, 5 de março de 2010
A Comissão Política Nacional do PCdoB

O PCdoB vai se empenhar para eleger Dilma

Postado em Últimas notícias em março, 2010

Durante o 6º Encontro Nacional de Organização do PCdoB tive a oportunidade de debater com companheiros de todo o Brasil a responsabilidade do nosso partido nas eleições deste ano.

Reproduzo aqui a matéria publicada no Portal Vermelho.

Renato Rabelo pede empenho do PCdoB para eleger Dilma

O Brasil só se desenvolve se o projeto inaugurado por Lula persistir por 20, 30 anos. A pré-candidata Dilma Rousseff é quem tem melhores condições de dar curso e aprofundar esse projeto. Por isso, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, considera justa a posição do partido de apoiar a candidatura de Dilma nas eleições 2010.

Ele falou no 6º Encontro Nacional de Organização, que se realiza neste final de semana, em Brasília, reunindo secretários de organização do PCdoB de todo o país. E pediu o empenho deles para mobilizar as bases para participar do ato de apoio a Dilma, no início de abril, em Brasília.

As eleições de 2010 representam uma encruzilhada – a mesma encruzilhada histórica que vivemos para avançar no progresso, na justiça social e bem-estar para toda a sociedade brasileira. O resultado eleitoral é a encruzilhada imediata. Ou dar curso ao projeto aberto por Lula ou a vitória da oposição, que defende interesse das elites, avalia o líder comunista.

Ele defende que a campanha eleitoral ocorra em torno de dois projetos antagônigos. “Se entrar um terceiro projeto, já dilui tudo, despolitiza e confunde a população, didaticamente é perniciosoâ€, afirma Renato Rabelo, afastando a possibilidade da candidatura de Ciro Gomes, que, segun do ele, está isolado. E avisou que Ciro começou a criticar o PCdoB porque não recebeu o apoio que queria, o que demonstra que ele politicamente tem muitas limitações.

Mais à esquerda

Renato Rabelo destacou que “o congresso recente do PT mostra um víeis mais a esquerda, o que é importante para nós, porque demarcou campo. A base de toda luta política é a demarcação de campo, quando os campos começam a se borrar, a coisa está ruim porque não há perspectivas. Quando o PT diz que são dois projetos antagônicos, o PT deixa isso claro. A posição mais avançada é aquela que tem lado e que é contra o projeto neoliberal dos tucanosâ€.

O que o PT diz em seu projeto é o que o PCdoB já dizia – o mundo está em transição e exige um novo projeto de desenvolvimento. “Existe uma convergência maior nossa com o PT, porque ele tende mais à esquerdaâ€, explica, destacando que “enquanto isso, a oposição est á em situação complicada que é um ganho para nós que devemos aproveitar. Está dividida, sem candidato e sem projeto.â€

Ele diz ainda que esse projeto é da luta pela soberania do País e a integração do continente, sobretudo da América do Sul, com liderança do Brasil, para fazer frente a hegemonia da potência do Norte. O outro progresso é o avanço democrático, com mais conquistas sociais – saúde, educação e moradia para todos, salário mínimo com aumento real e a redução da jornada de trabalho para 40 horas, além da liberdade política.

Convergência política

Renato Rabelo disse que há seis meses, o Partido iniciou conversações com a ministra Dilma e que essas conversas demonstraram a convergência política entre os dois projetos políticos, o que torna muito justa a posição dos comunistas de apoiarem a candidatura de Dilma Roussef.

Ele defendeu com ênfase a necessidade de unir força s em torna da candidatura que dê curso ao projeto iniciado por Lula, que é a de Dilma Roussef. E lembra que ela é responsável direta para condução do projeto do governo, tem méritos pelo próprio projeto e tem trajetória política coerente e conseqüente. “Lula foi feliz quando escolheu essa candidataâ€, resume.

Para Renato Rabelo, é uma questão de tempo as pessoas assimilarem que é Dilma quem vai dar continuidade ao projeto de Lula. A tendência é o crescimento progressivo dela e as pesquisas mostram isso. Em abril, provavelmente ela ultrapassa Serra, mas alerta para as manobras da oposição que conta com a grande mídia.

“Os grandes jornais e TVs são ostensivamente contra o Governo Lula e a candidata Dilmaâ€, disse, citando o exemplo da reunião do Instituto Millenium. “Não podemos subestimar essa influência da grande mídiaâ€.

Em expansão

O dirigente comunista também falou sobre os ê xitos do Partido e o propósito de crescer nas eleições de 2010. O partido levou 15 anos dando ênfase nas eleições proporcionais. De 2006 para cá adotou uma posição de mais ousadia, projetando lideranças em muitos estados participando das eleições majoritárias como para o Senado. E vem fazendo investimentos para garantir uma bancada de 20 deputados federais. Outro grande objetivo é eleger três senadores formando uma bancada no Senado.

Para isso, o dirigente comunista alertou os secretários de organização do esforço que a proposta requer: “Vai exigir muito de nósâ€, afirmou, acrescentando que “não queremos aventura, mas queremos ousadia, nunca tivemos um momento tão favorável no Brasil para as forças de esquerdaâ€, disse, encerrando sua fala.

O crescimento do partido foi confirmado pelos secretários de organização do PCdoB presentes ao 6º Encontro Nacional de Organização. O desafio agora é organizar essa militância que chega ao Partido de norte a sul do país. Para o secretário do Maranhão, Gerson Pinheiro, o evento vai definir ações para concretizar a política de quadros aprovada no 12º Congresso do Partido realizado em novembro do ano passado. Cora Schiappetta, do Rio Grande do Sul, espera o mesmo.

Mais estruturação

O secretário nacional de organização do partido, Walter Sorrentino, referiu-se em sua intervenção a essa questão, dando sugestões práticas para a implementação da política de quadros. Ele anunciou a necessidade de estruturar melhor o partido para corresponder aos desafios da luta política. “É um desafio e não mera repetição de trabalho. A proposta é avançar, avançar e avançar, não fazer mais do mesmoâ€.

“O objetivo é definir rumos organizativos à luz dos desafios políticosâ€, disse Sorrentino, acrescentando que as resoluções aprovadas no Encontro Nacional serão levadas ao debate d o Comitê Central. “O modo mais eficaz de organizar esse partido é criar vida militante e garantir mais estabilidade. Estabelecer relação dos militantes entre si, com a direção e com a sociedade em um trabalho profissional, sem amadorismo ou espontaneismoâ€, diz Sorrentino, que faz projeções para daqui a quatro anos o PCdoB ter 300 mil militantes.

E anuncia que o grande tema do encontro é a mudança de direção e de eixo da secretaria organizativa, que visa essencialmente à política nacional de quadros e alcançar estágio de militância mais estruturada. A organização precisa de pauta política para a base, agenda de atividade para botar para funcionar e pivôs (quadros intermediários) para articular pauta e agenda.

Ele lembrou que existe diferença entre um partido apenas de quadros e um partido de quadros e de massas. Este último, disse, “exige mais esforços, mas as condições são favoráveis porque o Partido está em crescime ntoâ€.

Mais dificuldades

Gerson Pinheiro disse que no Maranhão existem localidades em que só se chega de jegue, destacando as dificuldade de organização no estado que tem recebido um número crescente de novos filiados, inclusive oriundos de partido de direita.

Para tentar superar as dificuldade, ele conta que o estado foi dividido em 13 grandes regiões, onde um cidade-sede organiza os trabalhos de orientação política e agenda de eventos.

Abel Rodrigues, secretário de organização do PCdoB do Ceará, também participa do encontro na expectativa de encontrar ajuda para superar as dificuldades de organizar o Partido que cresce exponencialmente. Ele diz que o Partido, desmentindo todas as expectativas de que o socialismo tinha acabado, teve um crescimento importante do ponto de vista numérico, político e teórico.

Para ele, o encontro é o momento de “colocar a bola no chão e concretizar o s planosâ€, anunciando em 2010 o Partido tem condições reais de eleger dois deputados federais e dois estaduais e direito e autoridade para participar das conversações sobre a formação das chapas majoritárias. “E vamos trabalhar para nos próximos anos crescer ainda mais.â€

Cora Schiappetta diz que no Rio Grande do Sul, o Partido está no mesmo ritmo dos outros estados, vivendo um momento promissor, de crescimento, o que representa desafio de ter atitude importante e consciente na ação da organização para dar adequação ao momento que ele vive. “E vamos obter excelentes resultados para formar um partido grande, influente e forteâ€, diz, sem poupar entusiasmo.

Luis Fernando Crespo, do município de Campos de Goytacazes (RJ), participa do encontro com objetivo de obter mais informações sobre o processo eleitoral. Ele, a exemplo dos demais companheiros, avalia que o Partido está com grande possibilidade de ampliar bancada federal e e stadual. “As eleições ajudam no trabalho de organizaçãoâ€, diz, destacando a candidatura da professora Odete, que desponta como alternativa aos dois partidos que se revezam no poder no município – PMDB e PTB.

Da sucursal de Brasília,
Márcia Xavier

Com apoio do PCdoB, cresce unidade da esquerda pró-Dilma

Postado em Últimas notícias em março, 2010

A pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência da República ganhou um um reforço importante nesta sexta-feira (5) com a decisão do Partido Comunista do Brasil de apoiá-la. O PCdoB junta-se, assim, ao PT, ao PDT e ao PMDB –partidos que também já indicaram o apoio à pré-candidatura da ministra– na formação de uma ampla aliança que aposta na continuidade e ampliação dos avanços conquistados durante os dois mandatos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O apoio dos comunistas à Dilma já vinha sendo debatido desde o ano passado, mas nesta sexta-feira, durante reunião da Comissão Política nacional do PCdoB, órgão de direção do partido, ficou mais cristalizada a decisão de participar da coligação encabeçada pela ministra.

O partido pretende realizar um ato político para anunciar formalmente o apoio. O ato deve ocorrer no início do próximo mês, em Brasília. A data indicativa do evento é 8 de abril, mas ainda precisa ser confirmada. Porém, a oficialização do apoio, conforme rege a legislação eleitoral, acontecerá somente na convenção partidária que ocorrerá em junho.

Em nota aprovada pela Comissão Política do PCdoB (leia a íntegra aqui), o partido reafirma que existe grande “afinidade programática” entre o PCdoB, Dilma e a direção recém-eleita do PT.

O documento também ressalta que a pré-candidata está credenciada para “disputar, vencer e governar com pleno êxito”.

Ao defender a decisão dos comunistas em apoio a Dilma, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, salientou que esta é uma decisão amadurecida e seu anúncio neste momento cria um fato novo de grande relevância, que contribui para fortalecer a unidade do campo popular e progressista em torno das propostas e idéias avançadas que a pré-candidatura representa. “Quem não entender o caráter progressista e o sentido unificador (da candidatura Dilma) pode se isolar politicamente”, disse Renato.

Plano eleitoral

Além do debate sobre a disputa presidencial, os comunistas debateram também a estratégia e as metas do partido para as eleições de outubro. E aprovaram ainda as normas para realização das conferências eleitorais nos estados.

Cristalizou-se a opinião de que deve-se priorizar a eleição proporcional e que é possível eleger uma bancada superior a 20 deputados federais e aumentar em duas ou até três cadeiras a bancada do PCdoB no Senado, que hoje tem como único representante o senador Inácio Arruda, do Ceará.

No Maranhão, está sendo cogitado pelos comunistas e por amplas forças políticas o nome do deputado federal Flávio Dino (PCdoB) para disputar o governo do estado. Várias tratativas estão sendo encaminhadas no estado com este objetivo.

Candidatura Dilma se afirma e cresce

Postado em Últimas notícias em março, 2010

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A candidatura da ministra Dilma Rousseff à presidência da República se afirma e cresce. Este fenômeno político é comprovado pelas últimas pesquisas de opinião pública recentemente divulgadas pelo Ibope e pelo Instituto Datafolha. Dilma se aproxima de José Serra e pode ultrapassá-lo no próximo mês. Dilma já é pré-candidata pelo PT, aprovada por aclamação em seu IV Congresso. Esta definição, na forma unitária em que se deu, foi importante no atual estágio da campanha para dar impulso à pré-candidatura da ministra da Casa Civil.

A oposição e a grande mídia haviam propalado no início do ano que a campanha Dilma não iria deslanchar, argüindo até aspectos da personalidade da ministra, na tentativa de desmoralizá-la. As últimas pesquisas, no entanto, contraditaram essa previsão negativa. E o que ficou claro é a possibilidade que antevíamos há meses, se materializando no fortalecimento de Dilma, inclusive atraindo outras forças, mostrando que tem condições reais de alcançar grande êxito em 2010.

A partir daí, com seu crescimento, Dilma exerce força centrípeta na campanha eleitoral, influindo na definição dos diversos setores políticos do âmbito governista. Ao mesmo tempo o PT demarca campos: são dois projetos em luta, dois campos claramente opostos e a luta política vai impondo posições mais à esquerda ao PT. As decisões e resoluções do IV Congresso revelam esta tendência e na ênfase de se articular um bloco mais avançado.
O papel da oposição e da grande mídia

Qual é o trabalho da oposição e da grande mídia que lhe dá apoio? Veicular uma opinião de que o mais importante no momento é considerar o governo Lula como mero continuador dos “pais da Nova República†— Tancredo Neves, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso – esquecendo propositalmente o legado democrático do governo do ex-presidente José Sarney. Afinal, foi Sarney que tirou os sindicatos das intervenções e efetivou a legalização do Partido Comunista. O discurso oposicionista é de que FHC “garantiu a estabilidade econômica e o equilíbrio fiscal†que teriam dado base política e administrativa para o governo Lula, afirmando que agora se trata de fazer mais e melhor.
Diante dessa manipulação grosseira precisamos demarcar posição entre os dois blocos de forças. É preciso desmascarar a ação da oposição de tentar igualar os dois campos, que na prática confunde o rumo de cada projeto e despolitiza a campanha. Isso confunde a opinião pública e dá margem à dispersão entre vários projetos políticos. Ao contrário, o presidente Lula invoca a tese do plebiscito, o que ajuda didaticamente a compreensão política da situação por parte do povo.

Conseguimos um grande êxito no segundo governo Lula, em que forças democráticas e populares foram guindadas ao governo central. Isto permitiu que se projetasse a liderança do presidente da República – tanto no Brasil quanto no exterior — e a concretização do esboço de um Projeto Nacional de Desenvolvimento, voltado para o crescimento do país, em favor de sua soberania e pela integração solidária da América Latina.

Um importante divisor de águas na atual conjuntura do Brasil é a política externa do país. A opinião que defendemos hoje é a linha de articulação SUL-SUL e não a posição de submissão SUL-NORTE. O editorial do jornal O Estado de S.Paulo é um parâmetro da posição de submissão: propõe ao Brasil ficar neutro em relação à soberania das Ilhas Malvinas, não apoiando a Argentina em seu esforço por retomar a soberania sobre essa parte de seu território tomada pela Inglaterra. Por outro lado, a firme posição do governo brasileiro durante a visita da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, em sua tentativa de impor um “diktat†ao Brasil nas relações com o Irã. Os EUA, em sua política de hegemonismo unipolar, não permitem que outros países tenham direito de possuir controle do ciclo atômico, mesmo que para fins pacíficos.
Neste sentido, qual é mesmo o programa da oposição? Seria o que o governo tucano fez em 16 anos de domínio no Estado de São Paulo? São Paulo, em minha opinião, retrocedeu. Essa é também a posição de lideranças populares e empresariais importantes do Estado como a do presidente da FIESP, Paulo Skaf. É uma oposição desarticulada, que não conseguiu unir nem o principal partido de oposição, o PSDB, que não apresenta um programa claro e ainda não tem candidato definido.

As iniciativas do campo de apoio a Dilma

A posição do PCdoB é de que vivemos uma situação muito favorável neste segundo governo Lula, desenvolvendo e aprofundando o projeto inaugurado em 2003. É preciso esclarecer o povo sobre estas conquistas.

O PT aprovou em seu IV Congresso duas questões fundamentais: a proposta de um novo projeto nacional de desenvolvimento democrático e popular – em moldes muito semelhantes com o projeto aprovado pelo Partido em seu 12º. Congresso, realizado no ano passado. E a concepção de que o mundo de hoje é um mundo em transição, ou seja, a mesma caracterização que também firmamos em nosso Congresso. Há uma convergência de opiniões entre a direção do PCdoB e a pré-candidata do PT e entre nossos dois partidos.
Por outro lado tomamos a providência de fortalecer o bloco de esquerda no Congresso nacional, cujo principal parceiro é o PSB. O papel do partido foi fortalecido. O bloco de esquerda deve ser mantido agora e no futuro. Na última conversa com a ministra Dilma, ela propôs duas questões nodais: a constituição de uma coordenação entre os dois Partidos para levar adiante o projeto eleitoral de 2010 — para fortalecer a representação dos partidos de sustentação do governo — e a formação de uma comissão que discuta as diretrizes programáticas, para compor um programa comum de governo a ser defendido durante a campanha. Levantamos também a idéia de um ato em começos de abril para manifestar o apoio público do Partido à sua pré-candidatura.

Em uma segunda reunião realizada esta semana, concretizou-se a agenda de um contato entre as direções do PT e do PCdoB com a presença do presidente PT, José Eduardo Dutra, do secretario de organização Paulo Frateschi, do tesoureiro Vaccari Neto e de José Eduardo Cardoso. Neste encontro se passou em revista os pleitos eleitorais de ambos os partidos, onde o PCdoB reafirmou sua pré-candidatura ao governo do Maranhão, na figura do deputado federal Flávio Dino. O projeto eleitoral do PCdoB é o de eleger cerca de 23 deputados federais e três senadores.

Problemas superados

Postado em Últimas notícias em março, 2010

Gostaria de pedir desculpas aos nossos milhares de leitores por um problema que impediu durante certo tempo que fosse possível usar a ferramenta de comentários a respeito das notas publicadas aqui neste Blog. Foi um defeito técnico que impediu o funcionamento normal da ferramenta, agora retificado.

Sendo assim, não poupe suas observações críticas. O Blog é um importante recurso de comunicação exatamente por permitir essa participação ativa dos leitores.

RENATO RABELO

PCdoB vai realizar ato para anunciar apoio à Dilma

Postado em Últimas notícias em março, 2010

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Tivemos uma excelente reunião com o presidente do PT José Eduardo Dutra, onde debatemos as eleições deste ano. Reproduzo aqui matéria do Vermelho sobre a reunião.

Na primeira quinzena de abril, em local a ser definido, o PCdoB vai realizar um ato público para anunciar oficialmente o apoio à pré-candidatura de Dilma Roussef à Presidência da República. Essa foi uma das três decisões aprovadas na reunião desta quarta-feira (3), na sede do PCdoB em Brasília, reunindo membros da direção executiva do PCdoB e do PT.

Os dois partidos reafirmaram a convergência das legendas em torno do projeto eleitoral para 2010
Também ficou definida a constituição de uma coordenação conjunta de campanha por parte dos dois partidos para discutir a situação eleitoral nos estados. Segundo os dirigentes partidários, esse é o momento de “aparar as arestasâ€, embora admitam que os dois partidos são os que têm maior unidade no cenário nacional. Os comunistas vão se aliar em torno do campo de Lula e da pré-candidata Dilma Roussef em todos os estados da federação, o que demonstra a unidade da esquerda.

Os presidentes dos dois partidos – Renato Rabelo, do PCdoB e José Eduardo Dutra, do PT – reafirmaram a convergência das duas legendas em torno do projeto eleitoral para 2010, reinaugurando uma caminhada que vem desde 1989, na primeira candidatura de Lula à Presidência da República.

Do Portal Vermelho
Márcia Xavier

Tudo para os bancos, nada para a produção

Postado em Últimas notícias em março, 2010

O PCdoB tem sido muito claro com relação aos limites e gargalos da política macro-econômica brasileira, apesar de todos os avanços conquistados especialmente neste segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O problema se encontra basicamente em relação à concentração de poderes do Banco Central sobre nossa política monetária, caracterizada pela manutenção de uma política de juros altos fora da realidade e de uma taxa de câmbio que funciona com os mesmos mecanismos – guardada a proporção — da lei de “Abertura dos Portos às Nações Amigas†promulgada por D. João VI em 1808. Os resultados e sinais dessas distorções estão claros e surgem todos os dias.

Vejamos o exemplo da semana passada quando se anunciou, com grande alarde, o lucro recorde do Banco do Brasil da ordem de R$ 10 bilhões. Numa análise mais superficial fica uma alegria, afinal um banco público que fora obrigado a baixar os juros para quebrar o monopólio privado do crédito deu-se muito bem apesar da gritaria de amplos setores do sistema financeiro e da mídia que praguejavam uma “insustentabilidade†desta concorrência com o setor privado e previam uma crise de inadimplência futura ao Banco do Brasil. Por outro lado, se agregarmos esse valor do Banco do Brasil com o de outras instituições bancárias chega-se ao valor de R$ 37, 9 bilhões em 2009, ou seja, um aumento de 15,19% com relação a 2008. Enfim, os bancos brasileiros aumentaram seus lucros em meio à maior crise financeira desde 1929!!!

E as empresas brasileiras? Eis uma boa pergunta que interessa diretamente aos trabalhadores. Bem, podem acreditar, mas um levantamento com 22 balanços de grandes empresas brasileiras sugeriu uma retração, em 2009, nos lucros no setor produtivo da ordem de 44% com relação a 2008. A Companhia Vale, por exemplo, teve um lucro de R$ 10,249 bilhões, mas isto significou uma queda de 51,8%. O que concluir dessa relação toda entre a esfera financeira e a esfera produtiva da economia brasileira? Só posso pensar que está em curso uma grande inversão de valores.

Os bancos surgiram num primeiro momento da história como um verdadeiro depósito de dinheiro, onde se guardava o excedente de produção. Já em outra época, os bancos passaram a exercer o papel de base para a expansão industrial. Desta forma, o crédito passou a ser o principal motor do capitalismo, à realização do ciclo do capital (D-M-D`). No final do século XX já era clara a tendência, no mundo, de os bancos passarem a funcionar como empresas destinadas a reproduzir lucros próprios, sem passar pelo processo de produção. Eis o chamado processo de “financeirização”. Daí os lucros dos bancos, no Brasil, serem maiores que das empresas. O mercado de crédito está inflacionado por conta das taxas de juros praticadas no Brasil. Assim se configura uma grande inversão de valores sentida na expansão dos lucros dos bancos em detrimento do verificado nas empresas.

Nossa luta é pela queda das taxas de juros, pela primazia da produção. Mas, a batalha é política, pois força política é o que mais os bancos tem no Brasil e no mundo de hoje.

O povo quer mesmo é a continuidade!

Postado em Últimas notícias em março, 2010

congpt

A recente pesquisa realizada pelo Datafolha mostra de forma clara que o povo brasileiro quer a continuidade.
Além dos dados da pesquisa estimulada que mostram o avanço de Dilma e a queda de Serra, vale a pena destacar os resultados apontados pela pesquisa espontânea, onde a ministra Dilma aparece com 10 pontos, junto com o presidente Lula também com 10 pontos.

Este resultado, junto com os 4% que disseram votar no “candidato de Lula”, mostram que 24% dos entrevistados querem a
continuidade, contra os 7% que declaram voto no principal candidato da oposição.
E isso que nós estamos apenas em março. è um quadro desesperador para a oposição, e de muito cuidado. Pois é nessa hora que o jogo sujo começa a aparecer.

Clique aqui e veja os cenários da pesquisa