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A ameaça de aumento da taxa Selic

Postado em Últimas notícias em março, 2010

Desde a década de 1980, no campo das idéias, o pensamento entreguista no Brasil adotou como bandeira unificadora de sua política econômica: o “combate a inflação”, o inimigo número 1 a ser liquidado. Era a senha para transformar em senso comum a idéia de que o Brasil não tendo poupança interna – uma mentira grotesca, diga-se de passagem –, deveria desregulamentar totalmente sua economia de forma a que o capital estrangeiro (claro, o capital estrangeiro especulativo) preenchesse os hiatos de uma economia nacional “deformada por estatais gigantescas e ineficientes”. Para isso, altas taxas de juros e câmbio sem interferência do Estado (leia-se “sem interferência política”) funcionariam como pilares, “imexíveis”. Assim configurou-se uma idéia, tipo Quinta Coluna, de combate a inflação pela via do arrocho da demanda (juros altos) e abertura comercial (câmbio livre) que se transformou em dogma, senso comum. Nenhum desses critérios até hoje provou historicamente que algum país do mundo — em mais de 300 anos de capitalismo –conseguisse crescer sob esses parâmetros.

Em política, assim como em economia, sempre existem vencedores e perdedores, neste caso os vencedores foram os especuladores, bancos nacionais e internacionais e os perdedores o povo, o país e a mentalidade da necessidade de planejamento estatal estratégico. Se a indústria brasileira no século passado transformou-se em uma conservadora realidade, desde Eugênio Gudin até seus apóstolos contemporâneo do Banco Central do Brasil, a indústria deve ser rastro de um sonho: não somente a agricultura brasileira deveria ser utilizada como uma “vantagem comparativa”, para os agraristas – versão século XXI – os juros praticados deveriam se transformar em vantagem comparativa!!!

Infelizmente é essa a teoria das pessoas ocupadas em gerir nossa política monetária. O chamado Comitê de Política Monetária (Copom), os senhores do destino da economia brasileira, irão se reunir essa semana sob o véu criado pela mídia de um “aquecimento da demanda” e de “ameaças inflacionárias”. Eles querem que os juros saiam do atual patamar de 8,75% e alcancem no final do ano a casa dos 11%. Isso tudo apesar de a economia brasileira ainda não ter recuperado seus índices pré-crise. Essa tendência só redunda em atraso e boicote ao nascente projeto nacional.

Porém, a solução técnica não é suficiente. Gritar, também, não é suficiente. Mas o principal a se fazer, nesta contenda de dimensões estratégicas, é denunciar veementemente esse plano e conquistar as consciências para alterar o rumo da política macro-econômica, fortalecendo o mercado interno e externo, promovendo o crescimento econômico de forma sustentada, com distribuição de renda e valorização do trabalho.

88 anos do PCdoB

Postado em Últimas notícias em março, 2010

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Nós realizamos uma comemoração dos 88 anos do PCdoB na Câmara dos Deputados nesta terça-feira. Tivemos a honra de contar com a participação dos nossos parlamentares, amigos, aliados, embaixadores representantes de diversos partidos, da base e da oposição, além do presidente da Casa, deputado Michel Temer.
Tive a oportunidade de comentar sobre a necessidade de um projeto de desenvolvimento para o nosso país e uma aliança política ampla e representativa para levarmos a cabo esta tarefa.
Reproduzo aqui a matéria feita pelo Vermelho sobre a comemoração.

Rabelo defende projeto de desenvolvimento nos 88 anos do PCdoB

O PCdoB comemorou nesta terça (16), no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, os seus 88 anos de existência e 25 anos da legalidade em grande estilo. Na presença de diversas lideranças políticas, o presidente nacional da sigla, Renato Rabelo, aproveitou para defender as propostas mais imediatas do partido para a construção de um novo projeto de desenvolvimento nacional para o Brasil.

Líder do PCdoB na Câmara, Vanessa discursa em homenagen aos 88 anos da sigla
Na sua argumentação, a combinação de três fatores são fundamentais para permitir grande transformações no país: o projeto, a aliança e a liderança. “O projeto é essa luta, no nosso modo de ver, do esforço da aplicação de um projeto nacional de desenvolvimento de caráter democrático e popular”, disse.

Segundo ele, o projeto tem como com fundamento a soberania e o progresso social do país com distribuição de renda e inclusão social. “O Brasil já se desenvolveu em índices elevados, mas faltou a distribuição de renda. Portanto, esse fundamento do desenvolvimento com distribuição de renda é essencial”, explicou.

Outro questão fundamental, defendida por Rabelo, é a democratização da sociedade levando em conta conquistas universais como a qualidade na saúde, educação, moradia e integração com os países vizinhos. “Esses são quatro fundamentos importantes desse esboço de projeto nacional que começa a ser desenvolvido e aplicado”, diz o dirigente, para quem sem o projeto não existe como definir estratégia “na caminhada transformadora.”

Mas não basta só um projeto. O presidente do PCdoB diz que é necessário uma aliança política ampla e representativa no país que expresse a realidade social e política do país. “Não basta, portanto, só o projeto. É necessário aliança, uma forma de congregar forças que possam levar adiante esse projeto transformador”, argumentou.

Renato Rabelo diz que a experiência revela que a liderança é outro fator fundamental. “É necessário lideranças com grande fluência política e social com prestígio e autoridade no mundo. Esse é um outro dado importante porque lideranças não surgem por acaso, surgem por exigência de uma época”, explicou. Para ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem todas as condições para cumprir esse papel.

Aspecto ideológico

O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), que abriu o evento, afirmou que a importância do PCdoB como agremiação partidária é a “sua extraordinária significação ideológica”. “O PCdoB tem sempre o que dizer e relatar. A história das grandes conquistas, a luta pela democratização e a luta pelo Petróleo sempre contou com a presença entusiasmada do PCdoB”, disse Temer.

O líder do PT na Câmara, Fernando Ferro, diz que é preciso primeiro reconhecer a relação profunda que o PCdoB tem com a luta dos trabalhadores, movimento sindical, estudantil e popular. Segundo ele, esse histórico levou a sigla a construir uma frente democrática e popular de apoio a primeira disputa de Lula à Presidência em 1989.

“É muito importante ter um partido com essa experiência e compromisso com o projeto nacional de desenvolvimento tão bem delineado e articulado pelo presidente Renato Rabelo. Parabéns ao PCdoB e sucesso nessa caminhada que faremos para transformações cada vez mais profundas e construção de um projeto para o Brasil”, discursou o ministro do Esporte, Orlando Silva.

A líder do PCdoB na Câmara, Vanessa Grazziotin (AM) disse que enquanto existir no país o desejo de liberdade e justiça social lá estará o PCdoB. “Então quero dizer que a nossa luta toma feições um pouco diferente do que há de 20 anos. A luta hoje é para que possamos dar continuidade e aprofundar o processo das mudanças instaladas no Brasil”, disse.

Além da bancada do partido e diversos deputados, também estiveram presentes o líder do Governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP); líder do PSDB na Casa, João Almeida (BA); líder do Bloco de Esquerda Daniel Almeida (PCdoB-BA); o embaixador cubano Carlos Zamora e representantes das embaixadas da China, Coréia, Palestina e Vietnã.

Da Sucursal de Brasília,
Iram Alfaia

Encontro com o Movimento ao Socialismo da Bolívia

Postado em Últimas notícias em março, 2010

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No sábado nós nos reunimos com uma delegação do MAS, partido do presidente Evo Morales, e discutimos a situação política do Brasil e da Bolívia e a cooperação entre os dois partidos.

O Vermelho publicou uma matéria sobre o encontro que reproduzo aqui no Blog.

Dirigentes do PCdoB debatem cooperação com o MAS da Bolívia

O presidente do Partido Comunista do Brasil, Renato Rabelo, acompanhado por Ronald Freitas, do secretariado do Comitê Central, e por Ronaldo Carmona, da Comissão de Relações Internacionais do Partido, receberam no sábado (12), em São Paulo, uma delegação do Movimento ao Socialismo (MAS), partido do presidente boliviano Evo Morales, para discutirem a situação política de ambos países e o desenvolvimento do acordo de cooperação firmado em novembro último, por ocasião do 12º Congresso do PCdoB.

Dirigentes dos dois partidos reuniram-se em São Paulo

A delegação boliviana foi liderada pela Secretária de Relações Internacionais do MAS e presidente da Confederação de Mulheres da Bolívia, Leonilda Zurita e composta por Milan Berna, da Comissão Política do MAS e secretário da Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB), por Andrés Guzman, representante da presidência da Bolívia para relações com o Brasil e por Miguel Herrera, assessor do Grupo Interparlamentar Bolívia-Brasil da Assembléia Plurinacional (Parlamento) da Bolívia.

Renato Rabelo se congratulou com os êxitos recentes do governo de Evo Morales, em especial com sua reeleição em dezembro último, e observou que os comunistas brasileiros acompanham com grande interesse o desenvolvimento da experiência do MAS à frente do governo da Bolívia.

O presidente do PCdoB fez uma analise da situação da América do Sul, observando que a grande questão que se coloca para a região é o problema do desenvolvimento. Para Renato, só com o desenvolvimento, com a geração de riqueza e prosperidade se resolverão os inúmeros problemas do povo.

Renato Rabelo lembrou ainda a importante contribuição do MAS e do presidente Evo Morales em enfatizar a necessidade de combinar desenvolvimento com proteção do meio ambiente. Para o líder dos comunistas brasileiros, seria um equívoco cair nos dois extremos neste debate: não se pode realizar o desenvolvimento sem equilíbrio com o meio ambiente e por outro lado, seria um equívoco uma postura que em nome da proteção da natureza, impedisse o desenvolvimento.

Leonilda Zurita apresentou informações da situação recente da Bolívia e registrou a proposta do socialismo comunitário, formulada recentemente pelo presidente Evo Morales, que busca desenvolver a nova sociedade a partir das características próprias do povo boliviano, em especial da relação desse povo com a “madre tierra” (mãe terra). A dirigente masista lembrou da convocação, pelo governo da Bolívia, de uma Conferencia Internacional sobre Mudanças Climáticas, em Cochabamba, no final de abril, para debater a questão a luz do fracasso da COP-15 em Copenhagen, em dezembro último.

Leonilda também apresentou uma informação sobre a campanha para as eleições de 04 de abril na Bolívia, onde se elegerão os novos prefectos (governadores) dos Departamentos (Estados) bolivianos, observando as boas possibilidades de novos êxitos do MAS nestas eleições.

A dirigente do MAS, que também é dirigente feminina, valorizou os direitos das mulheres na nova Constituição boliviana e observou que metade do gabinete ministerial de Evo é composto por mulheres. Ela lembrou que não basta a igualdade meramente formal, pois é imprescindível que as mulheres se capacitem para ocupar esses espaços.

A Delegação do MAS reafirmou convite para que o presidente do PCdoB, Renato Rabelo visite La Paz, o que deverá ocorrer nas próximas semanas. Ambos Partidos desenvolverão projetos de cooperação na área de formação de quadros, experiências em gestão pública e trabalho junto aos jovens e as mulheres.

Seminário no Rio

A Delegação do MAS esteve no Brasil para participar de Seminário Internacional sobre as experiências socialistas chinesa e de governos de esquerda em países capitalistas, realizado entre quinta-feira e sábado (de 11 a 13 de março), no Rio de Janeiro.

O Seminário foi promovido pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro) e pela Fundação João Mangabeira. O PCdoB foi convidado pela direção do PSB ao Seminário, onde estiveram presentes Ana Rocha, presidente do PCdoB do Rio e da Comissão Política Nacional e por Ronaldo Carmona, da Comissão de Relações Internacionais do Partido.

O Seminário foi aberto na noite de quinta-feira pelo ministro Samuel Pinheiro Guimarães, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, que debateu os desafios brasileiros diante da atual ordem internacional.

Na sexta-feira, representantes do Partido Socialista do Chile, do Partido Socialista do Uruguai e a companheira Leonilda Surita expuseram as experiências de governos em seus países.

No caso chileno, a representação do PS fez um balanço dos êxitos e insuficiências dos 20 anos de governo da Concertação encerrado com a posse do direitista Sebastian Piñera nesta semana. Já o representante do PS uruguaio registrou a trajetória da Frente Ampla e do governo de Tabaré Vasquez e os desafios do governo que se inicia, de José Pepe Mujica.

Noutra mesa, no mesmo dia, Wang Jialei, Diretor geral assistente para América latina e Caribe do Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista da China fez uma rica apresentação dos 60 anos de fundação da Nova China, a partir da Revolução de 1º de outubro de 1949 e enfatizou a experiência dos 30 anos de vigência da política de reforma e abertura, que fez a República Popular da China tornar-se uma dos princiapais atores do cenário internacional.

No sábado, o Seminário do PSB apresentou uma mesa com Jorge Acosta, da Aliança Pais, partido do presidente Rafael Correa, do Equador, que relatou a experiência em seu país e o ex-ministro Humberto Costa, da direção do Partido dos Trabalhadores (PT), que falou sobre a situação brasileira, numa mesa coordenada pelo presidente nacional do PSB, governador de Pernambuco Eduardo Campos.

Da redação,
com informações da Secretaria de Relações Internacionais

Nos 88 anos do PC do Brasil, Câmara de Goiânia recebe Renato Rabelo

Postado em Últimas notícias em março, 2010

O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, participou de uma série de atividades políticas na capital de Goiás no último final de semana. Sua primeira atividade foi um encontro político importante com o prefeito da cidade, Íris Rezende, seguido de almoço onde se discutiram questões referentes às eleições de 2010 e o quadro político nacional. À noite, ainda na sexta-feira, Renato participou de uma sessão solene da Câmara Municipal, convocada por iniciativa de Fábio Tokarski, vereador do PCdoB, que contou com a presença de mais de 400 pessoas. O evento foi convocado para homenagear os 88 anos de fundação do Partido Comunista do Brasil, o partido mais antigo e ao mesmo tempo o mais jovem do cenário político brasileiro.

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No encontro com o prefeito Íris Rezende, Renato defendeu a necessidade de se construir palanques unificados nos Estados – para garantir a continuidade do ciclo político popular e democrático inaugurado com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. O presidente do PCdoB também discorreu sobre a importância de debater um programa de governo que consolide e faça avançar o processo político atual, hoje consubstanciado na pré-candidatura de Ministra Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo defendeu a candidatura do Prefeito de Goiânia ao governo estadual, uma liderança que permite a união de forças progressistas em Goiás para dar continuidade às conquistas do povo brasileiro. Disse Renato aos jornalistas que o entrevistaram que “o PCdoB é coerente. Apoiamos os candidatos que fazem parte do campo de Lula. E hoje, quem reúne as melhores condições para o palanque com Dilma é o atual prefeito Íris Rezende”.

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Depois do encontro com o prefeito, a Câmara Municipal abriu suas portas para um conjunto de lideranças populares, sindicais e políticas, com o objetivo de comemorar o aniversário do PC do Brasil. A sessão solene foi dirigida pelo presidente do Legislativo, vereador Francisco Vale Júnior, do PMDB. À mesa também foram chamados o prefeito de Anápolis, Antonio Gomide (PT), o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, o presidente do Tribunal de Contas do Município, Josivani de Oliveira, a coordenadora do Centro Popular da Mulher/UBM, Lúcia Rincón, o vereador do PDT, Paulino Dantas, o representante do Prefeito Íris Rezende Machado, Luiz Carlos Orro que é secretário de Esporte do Município, o pró-Reitor de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Goiás, Anselmo Pessoa, e a dirigente da CTB-Goiás, Wilma Maria de Oliveira.

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Ao final da solenidade o presidente do PCdoB autografou seu livro “Idéias e Rumos”, publicado pela Editora Anita Garibaldi, onde reuniu artigos, conferências e intervenções políticas de praticamente 30 anos de atividades como dirigente do Partido. O livro está organizado em três partes básicas, uma primeira onde debate os rumos do país, depois outro capítulo que descreve os acontecimentos mais importantes deste período e por último uma terceira parte que procura analisar o instrumento necessário para colocar em práticas estas idéias, o Partido Comunista, que naquela noite comemorou seus 88 anos de existência contínua em defesa dos direitos dos trabalhadores, da liberdade e da democracia em nossa terra, da soberania nacional e da integração solidária dos povos e nações da América Latina.

Pedro Oliveira, de Goiânia

PCdoB convoca ato em apoio a Dilma

Postado em Últimas notícias em março, 2010

Nós iremos realizar um grande ato em Brasília de apoio à ministra Dilma. O Portal Vermelho publicou uma matéria sobre o ato e com a íntegra da nota oficial do partido, que reproduzo aqui no blog.

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PCdoB convoca ato em apoio a Dilma; Renato destaca convergências

A direção nacional do PCdoB realizará na tarde do dia 8 de abril no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, um ato político no qual vai comunicar a filiados e simpatizantes a indicação de apoio à pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Roussef. O presidente do Partido, Renato Rabelo, revelou que já vem conversando com a ministra da Casa Civil “há cerca de oito meses” e observou que há uma convergência de opiniões sobre muitos temas que estarão em pauta nas eleições.
“Identificamos uma convergência muito grande de opiniões entre o PCdoB e Dilma”, sublinhou o dirigente comunista. “Para apoiar uma pré-candidatura, como é o caso, é indispensável uma plataforma clara com pontos de vista comuns. Essas conversas permitiram maior conhecimento mútuo e a revelação da identidade de objetivos.”

Projetos antagônicos

O último congresso do PT também aproximou os dois partidos no que diz respeito a ideias e concepções programáticas. “Eles demonstraram uma compreensão essencial sobre alguns pontos fundamentais”, sublinhou Rabelo, citando “a avaliação de que no pleito teremos dois campos opostos e dois projetos antagônicos”.

De um lado, conforme o presidente do PCdoB, há o campo que pode ser definido como neoliberal, embora mascarado e mitigado. É o campo do retrocesso, com um projeto privatizante, subordinado ao imperialismo americano e hostil aos interesses do povo e da nação.

Neoliberalismo mitigado

“A base social e os compromissos políticos da candidatura tucana são os mesmos que orientaram o governo FHC, não houve mudança”, sustentou. Já o bloco alinhado com a pré-candidatura de Dilma “está buscando uma alternativa ao neoliberalismo, defende um projeto de nação soberana e democrática, a integração com os vizinhos latino-americanos, a inclusão social. É outro projeto.”

A recente contenda comercial entre Brasil e EUA ajuda a desmascarar e identificar o campo neoliberal, que não conseguiu disfarçar sua subordinação ao império do norte. A disputa em torno das ilhas Malvinas entre Argentina e Inglaterra também despertou reações reveladoras, de acordo com o líder comunista. Os neoliberais querem a neutralidade do Brasil no conflito, posição que serve aos interesses do velho e agressivo imperialismo britânico.

Identidade programática

Rabelo elogiou o programa aprovado recentemente pelo PT, que passou a defender um novo projeto de desenvolvimento nacional, com caráter democrático e popular. “Há muita coisa comum com o projeto que aprovamos no 12º Congresso do PCdoB, incluindo o diagnóstico de que o mundo vive hoje uma fase de transição econômica e política.”

Ele ressaltou o fato de que a pré-candidata Dilma Rousseff (que vai comparecer ao ato do Partido junto com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, e outras lideranças) “defende, como nós, iniciativas que promovam o crescimento da taxa de investimentos na economia nacional em curto prazo pelo menos para 21% do PIB. Isto é essencial para o desenvolvimento nacional.”

“Ela também entende, como nós, que o papel do Estado na promoção do desenvolvimento deve ser reforçado. O Estado não deve ser apenas o condutor do desenvolvimento, mas também empresário em setores estratégicos da economia e ramos importantes nos quais a chamada iniciativa privada não atende os interesses populares, como (nas telecomunicações) a garantia de acesso universal à banda larga; investimentos em ciência e tecnologia para viabilizar uma produção com maior valor agregado; prioridade à educação e outras iniciativas. Para o PCdoB é muito importante mostrar o apoio à pré-candidatura de Dilma, que vai se colocando à altura dos desafios”, finalizou.

Leia abaixo a nota à imprensa sobre o ato divulgada nesta quinta (11) pela Direção Nacional do PCdoB:

“Em Ato partidário, o PCdoB indicará apoio à pré-candidatura de Dilma Rousseff

“A direção nacional do PCdoB realizará um evento partidário no qual comunicará a seus filiados e lideranças a posição de indicar apoio à pré-candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff. O ato acontecerá no dia oito de abril, às 17h00min horas, em Brasília, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães e contará com a participação de Dilma e do presidente da legenda petista, José Eduardo Dutra. Entre outras lideranças e personalidades também devem estar presentes artistas como Martinho da Vila, Netinho de Paula, Leci Brandão e Jorge Mautner.

“No último dia 5 a Comissão Política Nacional (CPN) do PCdoB adotou esse posicionamento pró-Dilma que, agora, deverá ser referendado pelo Comitê Central, órgão maior de deliberação da legenda, em reunião marcada, no mesmo dia 8 de abril. Devido à relevância dessa indicação orientadora dos debates da Convenção eleitoral–que acontecerá nos mês de Junho e a quem cabe tomar a decisão oficial dos comunistas– decidiu-se por esse evento para fomentar a discussão interna quanto à importância da sucessão presidencial. Nesse sentido, o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, endereçou uma mensagem ao conjunto das organizações do Partido para que enviem suas representações de dirigentes e lideranças de todas as áreas de atuação.

O confronto de dois polos

“Na análise dos comunistas, a sucessão está marcada pelo confronto entre dois campos políticos antagônicos. De um lado, a aliança liderada pelo presidente Lula constituída por partidos, movimentos populares, setores sociais e empresariais democráticos. De outro, o bloco oposicionista das legendas que sustentaram o governo neoliberal de FHC e que levou o Brasil a uma crise profunda. O resultado garantirá a continuidade do ciclo político aberto pelo presidente Lula ou será o retrocesso com o retorno da direita neoliberal que estagnou o país nos anos 90. Este cenário assim configurado confirmou para o PCdoB o seu prognóstico quanto ao caráter plebiscitário do pleito e a necessária unidade do campo democrático, patriótico e popular.

O porquê da escolha de Dilma

“O PCdoB avalia que nas reuniões que manteve com Dilma nos últimos meses ficou nítida a afinidade programática entre a pré-candidata e a legenda comunista e, de igual modo, com a direção recém-eleita do PT. O Partido acrescenta que além da convergência de ideias e do pacto pelo progresso do país, há as qualidades da pré-candidata, uma mulher de valor cuja personalidade política se forjou na luta democrática. Outro fator assinalado para a escolha decorre da competência, liderança e compromisso com o Brasil e o povo que Dilma demonstrou ter à frente de importantes funções públicas e, sobretudo, como ministra do atual governo.

“O diálogo positivo com Dilma, suas qualidades políticas e o caráter plebiscitário do pleito, possibilitaram ao PCdoB amadurecer a convicção de que ela está credenciada para disputar, vencer e governar com pleno êxito. O Partido defende que a campanha se realize alicerçada na força do povo, com um programa audacioso, e sustentada por uma coligação ampla, mas sublinha que é imprescindível o papel destacado da esquerda. Desse modo, mais do que garantir a continuidade do ciclo aberto por Lula, Dilma, na visão dos comunistas, poderá garantir um desenvolvimento ainda mais arrojado. Com este entendimento foi lançada a palavra-de-ordem: “PCdoB com Dilma. Para o Brasil Avançar.”

Umberto Martins
Portal Vermelho

A luta para manter o IUPERJ

Postado em Últimas notícias em março, 2010

Venho acompanhando nos últimos dias uma justa movimentação em torno da sobrevivência do único programa de pós-graduação em ciência política do Rio de Janeiro e, talvez, um dos mais importantes do Brasil, com mais de 40 anos de serviços prestados à ciência e à nação. Ligada a Universidade Cândido Mendes, suas dívidas beiram a casa dos R$ 300 milhões, o que se constitui, por si só, numa grande barreira para a continuidade de seu funcionamento.

Um ambiente especial de discussão sobre o futuro de nosso país está em andamento. A ciência como um todo e as ciências sociais em particular estão chamadas a tomar o seu lugar neste palco de retomada do destino de grande nação reservado ao Brasil. É neste sentido que toda e qualquer movimentação é louvável na tentativa de manter em pé uma instituição com grande folha de serviços prestados ao país e a ciência.

Fala-se em duas soluções. Uma delas seria a própria estatização da instituição o que traria óbices dada a ligação umbilical, como instituto privado, com seu próprio fundador. Outra solução seria a transformação numa Organização Social (OS) capaz de recolher fundos públicos e privados para seu funcionamento.

Independente da forma que se encontre para solucionar o problema, entendo que a questão é de pura política. Mais: política de Estado. Pois, o que está em discussão não são subsídios para tubarões de ensino com retorno zero para a sociedade e ao país e sim uma postura diante do próprio desenvolvimento das ciências sociais em um país onde se está em ebulição grandes discussões que dão contorno a que futuro queremos para nosso país.

O imperialismo, o Irã e a América Latina

Postado em Últimas notícias em março, 2010

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Foi-se o tempo em que políticos norte-americanos mal sabiam dizer a localização do Brasil no mapa-múndi. Está ficando superada a época em que a diplomacia dos Estados Unidos para a América Latina se notabilizava pela política do “Big Stick”, ou do “grande porrete”. Já não é mais o tempo em que o chefe das relações exteriores brasileiras tirava o sapato para ser revistado em um aeroporto estadunidense. Enfim, foi-se o tempo em que um presidente do Brasil, num gesto de aprovação neocolonial, proclamava que “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

Hillary Clinton — a secretária de Estado dos EUA, em sua viagem ao Brasil — sentiu na pele a mudança dos tempos, tendo de
reconhecer o papel de grande ator global do nosso país. Expressando mais uma vez a política do imperialismo para com o Irã, Hillary esgotou seus argumentos em defesa da aplicação de sanções ao país persa. Por sua vez, o presidente Lula, não titubeou afirmando que o Brasil mantém sua posição de busca incessante de um diálogo com o Irã, contra de ameaças de sanções expostas e argumentadas pela esposa do ex-presidente Bill Clinton, colocando da seguinte forma: “ O Brasil mantém sua posição, o Brasil tem uma visão clara sobre o Oriente Médio e sobre o Irã. O Brasil entende que é possível construir um outro rumo. Não é prudente encostar o Irã na parede. O que é prudente é estabelecer negociações”.

Apesar do tom diplomático na presença de Lula e Celso Amorim, ela não perdeu a oportunidade para ir além da busca de consenso sobre a questão do Irã. Em São Paulo, e bem mais à vontade, ela não perdeu a oportunidade de criticar pesadamente a Venezuela e jogar um país contra o outro com essa história de comparar as instituições venezuelanas com a democracia brasileira.

Agora, e essa obsessão para com o Irã? Será que guarda contornos
“humanitários” e de preocupações para com o futuro do planeta após o Irã se dotar de uma bomba de destruição em massa? Em matéria de “grande política” não há espaço para ingenuidades e sim a análise concreta da situação concreta. Nesse sentido, o que os EUA buscam é ampliar sua presença em terras mesopotâmicas, agora com as garras apontadas ao Irã e numa região onde o petróleo jorra em abundância. Do ponto de vista estratégico, qualquer pessoa mais instruída percebe que o compasso da política de pilhagem imperialista no Oriente Médio tem por objetivo, também, buscar um centro de contenção a uma Rússia ainda altamente industrializada e nuclear e a China em crescente expansão industrial e financeira e com poder atômico de persuasão.

Se o Irã transformou-se num grande “problema” a ser administrado pela via da ameaça e da imposição de um poder títere no Iraque, o que dizer da América Latina além do que já foi exposto mais acima? Afinal a visita da Sra. Clinton foi geometricamente planejada, pois incluiu Brasil, Chile, Uruguai, Argentina, Costa Rica e Guatemala, o que significa um perímetro geográfico que isola Bolívia, Equador e Venezuela e encosta em Honduras onde uma solução conservadora foi encontrada com a anti-democrática deposição de Zelaya.

Em todos os países visitados, Hillary Clinton dialogou com chefes de Estado e de governo. Por exemplo, na Argentina colocou-se à disposição para mediar a questão das Ilhas Malvinas, quando tudo que a Argentina precisa dos Estados Unidos nesta matéria não passa por mediações e sim pela retirada do apoio norte-americano ao “direito” de a Inglaterra defender seus interesses em qualquer quadrante do planeta. A história demonstra que esse tipo de mediação sempre acaba beneficiando o “colonizador” a partir de uma troca de soberania por administração. Isto quer dizer que no máximo que a Argentina poderia avançar nesta matéria – sob mediação anglo-saxônica – seria a retomada da soberania sobre o arquipélago, porém mantendo a status leonino de administração sob controle externo.

A secretária de Estado americana também aproveitou o périplo para dirigir-se a platéias de acadêmicos, jornalistas e afins numa cruzada ideológica – bem ao estilo do “Destino Manifesto” – em prol do “livre comércio” e outras jactâncias a-históricas. A América Latina não precisa de modelos, nem cartilhas. Somos signatários das mesmas reivindicações que levaram os Estados Unidos a deflagrarem uma revolta ao domínio inglês e declarar sua independência em 1776. Queremos soberania.

Por outro lado, é bom que salientar que se Barack Obama quer mesmo melhorar as relações de seu país com a América Latina, que comece praticando o que prega em discursos, a começar pela quebra da manutenção dos subsídios aos seus agricultores. É vergonhoso dar aulas de livre-comércio ao mundo enquanto se subsidia maciçamente sua economia agrícola, questão reconhecida recentemente pela própria Organização Internacional de Comércio, a OMC.

Com Serra São Paulo regrediu

Postado em Últimas notícias em março, 2010

Participei de uma entrevista na Rádio Vermelho sobre o apoio do nosso partido à candidatura Dilma Rousseff, o ato que iremos realizar em Brasília e também comentei sobre a falta de projeto de Serra para o país.

Clique aqui e ouça a entrevista