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10 janeiro 2010

Os “panetones” do Correio Braziliense

Posted by altamiroborges under: Sem categoria .

 

Flagrado num dos vídeos da Polícia Federal embolsando grana ilícita, o governador José Roberto Arruda alegou que usaria na compra de panetones para as festas do final do ano. Em outro vídeo, o proprietário do jornal Tribuna de Brasília, Alcyr Collaço, enfia maços de dinheiro nas cuecas. As cenas são chocantes. E como se comporta o principal jornal do Distrito Federal, o centenário Correio Braziliense? É como se nada de podre ocorresse no reino (ou inferno) dos demos.

O professor Venício de Lima, atento observador da mídia, monitorou suas manchetes do final do ano e concluiu: “O leitor dos jornais locais está enfrentando uma situação, no mínimo, curiosa: se quiser obter informações sobre o envolvimento do governador José Roberto Arruda e de seu vice, Paulo Octávio, no escândalo de corrupção revelado pela Polícia Federal nos últimos dias, terá que recorrer a jornais publicados em cidades localizadas a milhares de quilômetros de Brasília”.

“Arruda virou sujeito oculto”

O jornalista Chico Sant’Anna também fez ásperas críticas ao jornal. “Na cobertura do recente escândalo de corrupção no governo do Distrito Federal, apelidado pela imprensa de ‘mensalão do DEM’, pelo qual o governador e pessoas bem próximas a ele são suspeitos de desviar R$ 60 milhões, o Correio Braziliense, principal diário da capital federal – com tiragem estimada em mais de 200 mil exemplares – parece ter preferido seguir as normas das escolas fundamentais do que as rotinas jornalísticas. No escândalo da Caixa de Pandora, Arruda virou sujeito oculto”.

“É bastante curiosa esta técnica de cobertura do Correio Braziliense que subtrai o sujeito da ação, deixando-o oculto, e torna difuso o envolvimento dos suspeitos. Que paradigmas jornalísticos devem nortear tal técnica profissional, quando sabemos que o CB tem por hábito fazer denúncias bem explicitas contra o governo federal e o Congresso Nacional? A forte presença publicitária do GDF nas páginas do Correio teria algum efeito anestesiante?”, ironiza. Ele cita ainda os boatos da “rádio corredor” de que haveria um acordo entre a direção do jornal e o governador corrupto.

Compra de 7.562 assinaturas do CB

Os boatos, que confirmariam a doação de “panetones” para os donos do Correio Braziliense, não são infundados. Em junho passado, o próprio jornal noticiou um contrato com demo Arruda para a aquisição de 7.562 exemplares do CB, “que serão distribuídos todos os dias, até o fim de 2009, a professores e alunos de 199 escolas urbanas e rurais da rede pública do Distrito Federal”. Na ocasião, o Sindicato dos Professores criticou duramente o “acordo”, feito sem licitação pública, lembrando que o jornal é um inimigo declarado dos movimentos sociais da região.

“Como podemos confiar na opinião do mesmo jornal que, no dia 8 de março deste ano, publicou como visão do Correio o mini-editorial com o indignante título de ‘crime de lesa-futuro’. Crime esse que nós, professores, cometeríamos se tomássemos a atitude ‘descabida’ (sic) de entrar em greve para fazer valer nossos direitos”. A suspeita de maracutaias, que confirmariam a relação promíscua entre o jornal e o demo antes mesmo do escândalo dos panetones, já era evidente. O sindicato alertou: “Ainda não conseguimos ter acesso ao valor total do convênio, mas somente do Fundeb serão gastos mais de R$ 2,9 milhões para pagar ao CB”.

Urgência da CPI da mídia

Será que haveria outro vídeo em mãos da Polícia Federal mostrando algum executivo do Correio Braziliense enfiando dinheiro na cueca ou nas meias? Ele também poderia alegar que o dinheiro seria usado na compra de panetones para o final do ano. Com ou sem vídeo, a omissão do CB no caso do “mensalão do DEM” e o recente contrato de aquisição de assinaturas do jornal mostram que o “mensalão” da mídia é bem pior do que se imagina no país. Estes e outros episódios de promiscuidade justificariam, sem dúvida, a convocação urgente de uma CPI da mídia no Brasil.

3 Comments so far...

Jairo Says:

11 janeiro 2010 at 22:53.

Caro Miro:
Meu pai já dizia: “Quem quer fazer faz. Quem não quer manda fazer.”
Pesquisei na Internet e achei o site do Grupo Tortura Nunca Mais.
Nele é uma RELAÇÃO DE TORTURADORES, com um dossiê completo sobre cada um deles.
Porque Voce não coloca um banner para essa RELAÇÃO no blog?

O link é esse aqui: http://www.torturanuncamais-rj.org.br/listagem.asp?NumArray=1&NumFiltro=0&Refresh=2010011123133255047765

Se os extremistas de direita e os colaboracionistas como Serra, FHC , Folha, Globo , Band e estadão não querem a verdade, então vamos divulgar aos quatro cantos pela Internet onde ela está, para que os interessados possam assessar essas informações.

Sugiro ainda que consigamos autorização para publicar o Livro Tortura Nunca Mais inteiro na Internet!

A melhor defesa é o ataque! Querem esconder a verdade? Então publicaremos seu enderêço, já. Sem renunciar é claro, ao Plano Nacional de Direitos Humanos, é lógico. Por favor, se os demais leitores gostaram dessa sugestão, difundam-na em outros blogs, tentando convencer seus proprietários a fazerem o mesmo. A batalha dos Caças, já ganhamos pela web. Vamos à proxima vitoria! Torturadores, tremei ! Colaboracionistas, cagai-vos de medo! A blogosfera emputeceu-se!

Sérgio Martins Says:

12 janeiro 2010 at 21:21.

Caro Miro, o texto é muito esclarecedor.
Como faço para receber – automaticamente – os textos que são postados? Um abraço.
Sérgio – Porto Ferreira/SP

Alfredo Bessow Says:

3 fevereiro 2010 at 10:35.

Só para complementar: O manda-chuva da redação é cria da Folha de São Paulo. São Paulo, por sinal, hoje é a oficina do pior jornalismo praticado no País, desbancando até a podridão da Rbs…

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