9 de fevereiro de 2010 - 19h29

Prefeito de Salvador culpa o povo por problemas da cidade


O prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), demonstrou mais uma vez sua falta de compromisso com o povo. Em entrevista a uma emissora de rádio nesta segunda-feira (8/2), ele culpou a população e concessionárias de veículos por alguns dos principais problemas da cidade. O prefeito atribuiu à má educação das pessoas o acúmulo de lixo na cidade. Com relação ao trânsito caótico, o prefeito responsabilizou as revendas de carros por elas venderem veículos sem entrada e em 80 prestações.


As declarações, feitas em um programa da Rádio Metrópole, foram repudiadas pela população de Salvador e representantes de diversas entidades. “Essa declaração tonta condiz com as atitudes do prefeito, mas surpreende pelo exagero. Dessa vez, ele conseguiu se superar”, protestou o diretor da Federação das Associações de Bairros de Salvador, João Pereira. “O prefeito, eleito para coordenar as soluções, prefere responsabilizar o povo pelo caos que a cidade está vivendo. Vemos um PDDU que amplia problemas de mobilidade e de falta de iniciativas de interesse social. Há três anos esperamos em vão a implantação do Conselho da Cidade, que discutiria essas questões, com a sua liderança”, disse.

Os vereadores também protestaram contra a postura do prefeito. “As declarações de João Henrique são absurdas e demonstram que ele não estrutura emocional para gerir a nossa cidade. Mais uma vez ele transfere para outras pessoas suas responsabilidades, chegando desta vez ao cúmulo de chamar a população de mal educada. Esta é uma postura equivocada e não é uma atitude de um gestor com o seu povo”, declarou a líder da bancada de oposição da Câmara de Vereadores, Aladilce Souza (PCdoB).

Aladilce lembra também que as afirmações do prefeito são completamente infundadas e fora de propósito. “Salvador é uma cidade onde nem se discute uma política de transporte público. O prefeito é o primeiro a proteger os empresários de ônibus para assegurar os seus lucros, vide o aumento da tarifa feita de forma ilegal e sem consulta à Câmara Municipal. Além disso, tem a questão do metrô, que é o de maior tem em construção (11 anos), o menor em extensão ( 6km) e com maior custo (R$ 110 bilhões). Ao invés de tentar se eximir de suas responsabilidades, João Henrique deveria trabalhar para oferecer um transporte público de qualidade para a população”, lembra.

Para a vereadora, a Prefeitura deveria também abrir um debate sobre a questão do lixo, pois não nenhum projeto para redução ou reciclagem do que é coletado nas ruas de Salvador. Segundo Aladilce, a opção de pagar às empresas de limpeza por peso do lixo coletado é outra demonstração da falta de planejamento da cidade para o futuro. “O lixo pode gerar emprego e renda para a população, caso seja tratado da forma correta, mas do jeito que está é um
problema. Mas, um problema da Prefeitura e não do povo de Salvador”, ressaltou.

A entrevista


Ao ser entrevistado nesta segunda-feira pelo apresentador Mário Kertész, da Rádio Metrópole, o prefeito João Henrique Carneiro, atribuiu à má educação das pessoas o acúmulo de lixo e as pichações de monumentos da cidade; e às concessionárias de automóveis o caos do trânsito da capital baiana.

Em relação à venda de carros, João Henrique anunciou que a prefeitura está estudando medidas restritivas à circulação de veículos e deu a entender que quer penalizar os comerciantes por “despejar milhares de carros” nas ruas da capital baiana: “Não é possível que a cidade pague esse preço e as concessionárias fiquem impunes a isso aí”, disse em tom alterado. Para o prefeito, as concessionárias de veículos estariam contribuindo para o caos do trânsito de Salvador ao vender carros sem entrada, em 80 prestações, e a prefeitura “que se dane”. Disse que isso “é um absurdo”.

João Henrique demonstrou muita irritação com o que qualificou de “má educação das pessoas” que não deixam a cidade limpa mesmo com as constantes varrições que, segundo ele, são promovidas pela prefeitura. “Agora no verão, na região do Farol e do Porto da Barra, a gente está fazendo de dez a 12 varrições por dia; o mesmo no Centro Histórico. Quer dizer, por mais que a gente limpe as pessoas não se cansam de jogar o lixo nas ruas. Há que se levar em conta também isso. Nós temos aí uma demanda infinita, é o tempo todo varrendo”, disse, criticando também pichadores e vândalos que atacam monumentos e destroem as papeleiras de lixo da capital baiana.

A teoria do prefeito para esses atos é a seguinte: “As pessoas parece que têm prazer de praticar vandalismo na cidade. Muitos dos nossos habitantes não amam a cidade em que moram”.

De Salvador,
Eliane Costa

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