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16 de janeiro de 2018 - 19h40

 Metalúrgicos lançam manifesto contra a venda da Embraer


   
 rês sindicatos de metalúrgicos do interior de São Paulo, ligados a diferentes centrais, lançaram hoje (16) campanha contra a venda da Embraer, assinando um manifesto em que defendem a reestatização da companhia, privatizada em 1994. As entidades afirmam que a medida seria "essencial para preservar a soberania nacional e o emprego dos trabalhadores brasileiros e barrar o acelerado processo de desnacionalização da empresa".

Os sindicalistas rechaçam uma possível negociação com a norte-americana Boeing. "O governo não pode ceder a pressões comerciais. É preciso defender os interesses do Brasil e do povo brasileiro, não da Boeing. O presidente Michel Temer tem a obrigação de vetar essa negociação e usar a ação Golden Share (ação especial que confere poder de veto ao governo) para impedir que o Estado perca definitivamente o controle da Embraer", afirmam.

O manifesto é assinado pelos sindicatos de São José dos Campos (filiado ao CSP-Conlutas), Botucatu (Força Sindical) e Araraquara (CUT). Nos próximos dias, as entidades farão assembleias nas fábricas instaladas nessas cidades. Também estão previstas audiências públicas na Câmara dos Deputados, no Senado e em Câmaras Municipais, além de um seminário internacional.

No texto, os sindicalistas questionam a entrada de dinheiro público na ex-estatal, criticando o governo Michel Temer. "Apesar de ter sido privatizada, a Embraer ainda continua recebendo recursos públicos. Somente entre 2001 e 2016, o BNDES liberou US$ 14 bilhões para financiamento de exportações de aviões montados no Brasil."

A Embraer informou nesta terça que atingiu a meta de entrega de aeronaves no ano passado. Segundo a empresa, foram 210, sendo 109 jatos executivos e 101 jatos comerciais. Ontem, a empresa disse que não cabe a ela comentar declarações públicas do governo, referindo-se a negociações com a Boeing.



Leia a íntegra do documento:

MANIFESTO CONTRA A VENDA DA EMBRAER PARA A BOEING

A Embraer, terceira maior fabricante de aviões do mundo, está sendo objeto de negociação pela norte-americana Boeing, gigante da indústria aeroespacial. Nascida em 1969 no interior do CTA (Centro Técnico Aeroespacial), em São José dos Campos (SP), hoje a Embraer detém tecnologia para desenvolvimento e produção de aviões comerciais, executivos, agrícolas e militares, além de peças aeroespaciais, satélites e monitoramento de fronteira. É, portanto, estratégica para o Brasil. Sua entrega, total ou parcial, representa risco à soberania nacional.

Qualquer transação comercial que represente a transferência de controle da Embraer será prejudicial ao país e merece a rejeição de toda sociedade. A empresa gera 17 mil empregos diretos e 5 mil terceirizados no Brasil, é a terceira maior exportadora do país, com plantas em São José dos Campos (sede), Gavião Peixoto, Botucatu, Taubaté e Sorocaba. Vendê-la seria repetir e aprofundar o erro cometido em 1994, quando foi privatizada.

Apesar da gravidade dos fatos, nem Embraer nem Boeing esclarecem quais são os reais termos das negociações. Entre os contratos que podem ser assinados, nenhum é favorável ao Brasil. Afinal, uma gigante como a Boeing não vai entrar numa transação comercial se não for para ganhar. Já a Embraer e o Brasil só têm a perder com a entrega de conhecimento.

O Brasil tem um importante debate pela frente. O interesse da Boeing pela Embraer mostra que a privatização da empresa brasileira foi um erro e que esse processo precisa ser revertido com urgência. A reestatização é essencial para preservar a soberania nacional e o emprego dos trabalhadores brasileiros e barrar o acelerado processo de desnacionalização da empresa.

Mesmo continuando a receber dinheiro público após a privatização, a Embraer adotou a política de desnacionalização por meio da transferência de parte da produção para o exterior, como é o caso dos jatos Legacy e Phenom para os Estados Unidos. Peças do cargueiro militar KC-390, que custou R$ 6 bilhões aos cofres públicos, estão sendo produzidas no exterior.

O governo não pode ceder a pressões comerciais. É preciso defender os interesses do Brasil e do povo brasileiro, não da Boeing. O presidente Michel Temer tem a obrigação de vetar essa negociação e usar a ação Golden Share (ação especial que confere poder de veto ao governo) para impedir que o Estado perca definitivamente o controle da Embraer.

A história de fusões e construção de monopólios mostra que o resultado dessas transações são demissões, retirada de direitos e fechamento de fábricas. Não podemos fechar os olhos para esta realidade.

Diante deste cenário, defendemos:

- A Embraer é nossa.

- Não à venda da Embraer para a Boeing.

- Reestatização, já! Em defesa da soberania nacional e dos empregos.



ASSINAM ESTE MANIFESTO:

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região (CSP-Conlutas)

Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu (Força Sindical)

Sindicato dos Metalúrgicos de Araraquara (CUT)


Fonte: RBA 

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