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21 de setembro de 2017 - 19h42

Temer quer reviver passado tenebroso com privatização da Eletrobras


Foto: Valter Campanato/ABR
   
“A receita líquida do ano passado foi de R$ 60 bilhões mesmo com toda a crise. E o governo quer vender a Eletrobras por R$ 20 bilhões?”, questionou. Os ativos da Eletrobras são estimados em R$ 370 bilhões no mercado.

Na opinião do dirigente, a privatização da estatal será “tenebrosa” para o Brasil. Ele citou que a consequência será a potencialização da precarização dos serviços, aumento de acidentes entre trabalhadores do sistema e população, demissões em massa e a transferência da operação de um serviço essencial para o interesse privado, que só visa o lucro.

A onda de privatizações anunciada pelo governo de Michel Temer inclui correios, transporte público e saneamento básico. “O que a gente tem de exemplo é que a privatização não é boa para o país, não é boa para a população e nem para o trabalhador”, reiterou Chicão.

“No passado diziam que a privatização traria inovação tecnológica, baixa de tarifa e ganho em escala nas empresas. O que foi provado é que a privatização retira investimento do serviço público, rebaixa o salário do trabalhador e precariza a rede elétrica colocando a população em risco e aumentando a tarifa de energia para trabalhadores e a população em geral”, completou.

Experiência fracassada
                                         Chicão (ao centro de camisa listrada)
A experiência privatista do setor elétrico em São Paulo mudou a rotina no dia a dia dos trabalhadores e aumentou os acidentes, tanto entre empregados quanto entre a população. A Empresa de Energia Elétrica de São Paulo foi privatizada em 1998 como parte do programa de desestatização do presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

De acordo com Chicão, antes de 1998 não havia acidentes com linha viva (quando o trabalhador opera no sistema com a rede ligada) em São Paulo, porém, após esse período são pelos menos 3 acidentes por ano. Os números envolvendo acidentes com a população apontam seis acidentes por mês.

“A manutenção preventiva foi sendo substituída pela manutenção corretiva, ou seja, conserta o que está quebrado. Antes da privatização, havia 15 caminhões de preventiva, três de corretiva e um de linha viva. Hoje não tem nada de preventivo e metade dos serviços é emergencial e metade linha viva”, comparou Chicão.

Defeito na rede a cada 500 metros 

Dirigentes do sindicato percorreram 800 km fotografando a rede elétrica no estado. A vistoria encontrou um defeito a cada 500 metros e a cada 2 km um “defeito gravíssimo”. “A população está cada vez mais exposta ao risco e a pagar uma tarifa mais alta”, enfatizou o presidente dos eletricitários de São Paulo. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica apontam que a tarifa deve subir cerca de 16% com a privatização.

“Até 95 não tinha demissão, o trabalhador saía quando se aposentava. Em 98, foram mandados embora 1.084 trabalhadores em um dia só. Nos anos seguintes eram mil trabalhadores demitidos a cada ano. De 8 mil trabalhadores na empresa sobraram 300 que conhecem a empresa de ponta a ponta. Viraram escravos do sistema”, relatou.

A preço de banana

Atualmente a Eletropaulo sofre com a redução de investimentos. “Se passar a privatização da Eletrobras será tenebroso. Os investimentos que já são escassos vão cessar”, assegurou o eletricitário. A Eletropaulo e a Light do Rio de Janeiro foram vendidas a preço de banana no governo FHC após receber investimentos públicos.

Para Chicão, a Eletrobras corre o risco de após realizar obras de infraestrutura “ser passada nos cobres”. Ele citou os “bilhões” investidos em Belo Monte, a remodelação nas distribuidoras do norte e nordeste, a troca de todos os cabos do parque energético brasileiro para melhor interligação das usinas termoelétricas e eólicas, entre outras inúmeras melhorias.

“Foi feito tudo isso para melhorar o país e vão entregar para a iniciativa privada explorar com preço estratosférico contra a população. Isso é no mínimo injusto esse papel de entreguista. O povo não merece passar por isso e tem que combater a entrega desse patrimônio público”, ressaltou.

Resistência

Campanha informativa junto à população, diálogo com parlamentares no Congresso Nacional, ação junto a sindicatos de trabalhadores e outros segmentos ameaçados pela privatização e encontros com empresários do setor produtivo são alguns dos caminhos que os eletricitários tem percorrido para barrar o processo de privatização da Eletrobras.

“Em Pernambuco a produção rural é irrigada com energia subsidiada à noite. Querem colocar um ente privado em algo estratégico que é a geração de energia. É um erro”, exemplificou Chicão. Aumento da tarifa aliada ao fim dos subsídios de energia podem resultar em prejuízo para a indústria e produção rural, entre outros efeitos resultantes da privatização.

“O que temos que fazer é combater a privatização. Temos que impedir que os erros do passado sejam repetidos. Não é justo que todo o cabedal de conhecimento seja jogado no lixo em nome de salvar alguns capa preta do poder que fizeram bobagem ao longo do tempo e tentam se esconder atrás da cortina de fumaça salvando o seu governo com uma receita vil, rebaixada, entregando a preço de banana a concessão pública que custa, no mínimo, 15 vezes mais do que anunciam no mercado”, finalizou Chicão.






Do Portal Vermelho

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