Movimentos

21 de agosto de 2017 - 20h27

Vitória democrática e popular na Conferência de Saúde da Mulher


Foto: Portal Catarinas
   
Como não poderia deixar de ser, setores conservadores se organizaram e tentaram impor sua visão retrógrada de sociedade, onde as mulheres devem ser reduzidas à condição de animais reprodutores. Mais uma vez, as forças feministas, progressistas, marcadamente UBM, CTB e CUT, dentre outras, conseguiram barrar o retrocesso pretendido pelo campo conservador. Defendemos o SUS nos moldes da Constituição de 88, barramos o apoio ao Estatuto do Nascituro (um total absurdo medieval que joga as mulheres no lixo sob um nome bonitinho), aprovamos como indicativo a legalização do aborto, e vaiamos o Ministro da Saúde durante quinze minutos, até que ele desistiu de falar. Fato que foi destaque na imprensa internacional, ainda que ignorado por aqui.

Esta é a prova de que a avaliação da UBM e outras entidades de que deveríamos permanecer e resistir contra o governo golpista nos Conselhos da Mulher, de Saúde e outros, assim como participar da 2ªCNSMu foi acertada! Há que se diferenciar o papel dos Conselhos: não são meros órgãos auxiliares de governo A ou B, são, antes de tudo, espaço de controle social. A vida vem provando que é valoroso espaço de resistência contra o desmonte do Estado e de defesa dos direitos do povo contra o avanço da reação.

Digo isso porque penso que seja o momento das organizações do movimento feminista que abandonaram a luta nos espaços institucionais de controle social (como Conselhos da Mulher) após o golpe reverem sua posição. Retirar-se ou se recusar a participar de espaços institucionais pode até ser radical e heroico na aparência, mas é, a rigor, irresponsável e covarde na essência. Retirar-se do campo de batalha é deixar o campo livre para o golpismo sem oferecer qualquer resistência. O Conselho Nacional dos Direitos da Mulher foi criado antes mesmo da Constituição de 1988. Era um espaço fundamentalmente de resistência a um governo ilegítimo. Nasceu com esta marca e foi instrumentalizado brilhantemente por nós, feministas, para arrancar conquistas para as mulheres num cenário de ausência de democracia.

Quando da invasão nazista durante a 2ª Guerra, a cidade de Paris com seu governo filo-fascista sequer ofereceu resistência. Capitulou em ridículos 14 dias. Já a soviética Stalingrado resistiu bravamente sob cerco durante 199 dias, até conseguir derrotar o exército alemão e inverter o curso da guerra, até a total derrota de Hitler. Nós, da UBM e outras valentes organizações feministas, mostramos que somos mulheres de Stalingrado, não de Paris. É Temer quem deve abandonar o governo, não nós que devemos abandonar os conselhos. E vamos utilizar todos es espaços possíveis e imagináveis para dizer isso.



*Mariana Venturini é vice-presidente nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM).

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