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17 de julho de 2017 - 15h26

‘Médico tem que parar de fingir que trabalha’, diz ministro da Saúde

Foto: Clauber Cleber Caetano/PR
   

“Quando o município implanta a biometria, metade dos médicos se desligam do serviço porque eles têm cinco, quatro empregos com quatro vínculos empregatícios e não dá* conta de cumprir o horário. Como ele ganha pouquinho, ele acha que trabalha pouquinho também e está tudo certo. Esse faz de conta não ajuda a saúde”, continuou o ministro em seu discurso.

O presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ronald Ferreira dos Santos, rebateu a fala do ministro. “Mais do que apresentar uma crítica de forma torta, o ministro [da saúde] desmereceu toda uma categoria em sua fala. Foi desrespeitoso”, disse Ronald Santos em entrevista ao Portal Vermelho.

Para Julia Roland, da coordenação nacional de saúde do PCdoB e ex-diretora do Departamento de Gestão Participativa de 2011 a 2014, a declaração foi infeliz.

“Acho que esse é o ministro da Saúde que menos conhece o SUS e a realidade da saúde. Por isso, ele não tem condições de dirigir um sistema tão complexo como esse. Considero essa afirmação um absurdo, pois quase a totalidade de médicos que conheço, pelo menos em São Paulo, marcam o horário de chegada e saída no ponto eletrônico”, disse a ex-diretora.

Julia Roland ainda completa dizendo que se há problema com o controle de ponto de determinados médicos, isso é um problema de gestão ,que deve ser resolvido pontualmente e precisa ser corrigido para que haja um melhor atendimento aos brasileiros.

Para além das falas desastrosas de Barros, o sistema público de saúde passa por um período ainda mais crítico com a crise e o contingenciamento de recursos. As condições de atendimento precárias devem piorar ainda mais com a chegada de mais de 1,3 milhão de brasileiros que deixaram de ter planos de assistência médica, de março de 2016 até março deste ano, e devem passar a utilizar o SUS. Esse número foi divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Outras entidades de saúde também se manifestaram sobre o ocorrido, como o Conselho Federal de Medicina (CFM). Em nota, o CFM informou que essa postura revela desconhecimento da dedicação dos médicos brasileiros na assistência à população no âmbito do SUS e ignora os esforços dispendidos por estes profissionais, principalmente nos serviços de urgência e emergência.

Terceirização

A terceirização já acontece há algum tempo no sistema público de saúde, mas com a aprovação e apoio do ministro à Reforma Trabalhista, esse quadro deve se agravar, segundo  o presidente do CNS.

Histórico polêmico

O ministro – nomeado em 2016 - tem um histórico de declarações polêmicas, como: “Exames com resultados normais são desperdício para o SUS”, “É preciso rever o tamanho do SUS” e “homens trabalham mais, por isso, não acham tempo para cuidar da saúde”. Além de ser denunciado por corrupção passiva.

Veja a nota na íntegra:

Repúdio à declaração do ministro Ricardo Barros

O Conselho Federal de Medicina (CFM) repudia e lamenta a declaração atribuída ao Ministro da Saúde, Ricardo Barros, publicada nesta quarta-feira (15), na qual desqualifica o trabalho realizado pelos médicos brasileiros.

Trata-se de manifestação impertinente, que mostra desconhecimento da dedicação dos médicos brasileiros na assistência à população no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), nos diferentes níveis de atenção (baixa, média e alta complexidade), muitas vezes sem contar com adequadas condições de atendimento nos serviços públicos.

Ao afirmar que o médico brasileiro não demonstra disposição para o trabalho, o Ministro da Saúde ignora os esforços dispendidos por estes profissionais, principalmente nos serviços de urgência e emergência.

O compromisso dos médicos com a saúde pública é reconhecido em pesquisa recente do Datafolha que coloca o médico como o profissional de maior confiança e credibilidade entre os brasileiros.

Como a citada pesquisa revela, a população sabe que, entre outros pontos, as faltas de infraestrutura nos hospitais e nos postos de saúde, bem como de uma boa gestão, impedem a obtenção de melhores resultados.

Cabe ao Ministro Ricardo Barros a responsabilidade pela gestão da saúde pública como elemento fundamental aos direitos humanos, que não estão subordinados às leis de mercado e que exigem disponibilidade de meios ordinários imprescindíveis ao Princípio Constitucional do Mínimo Existencial.

Brasília, 15 de março de 2017.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA



Do Portal Vermelho

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