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A Área de Livre Comércio das
Américas (ALCA) pretende ser o maior bloco
econômico do planeta, reunindo os 34
países do continente americano – que somam
um Produto Interno Bruto de quase US$ 11
trilhões e mais de 808 milhões de
habitantes. Só para se ter um idéia da
dimensão deste acordo, a União Européia,
que demorou quase 30 anos para entrar em
vigor, conta com metade da população e
cerca de US$ 2 trilhões a menos de PIB.
Somente Cuba, por rejeição dos EUA e
também por sua corajosa defesa da
integridade nacional, está de fora das
negociações deste tratado.
Embora a sigla trate apenas do
fantasioso “livre comércio”, o alcance da
ALCA será bem maior. Na prática, ela visa
avançar na total desregulamentação das
economias latino-americanas e na anulação
completa do papel dos estados nacionais.
“Trata-se de um projeto estratégico dos
Estados Unidos de consolidação de sua
dominação sobre a América Latina, por meio
da criação de um espaço privilegiado de
ampliação de suas fronteiras econômicas”,
explica o deputado federal Aloizio
Mercadante (PT/SP). “A ALCA faz parte da
estratégica neocolonialista do
imperialismo norte-americano, é uma medida
para a anexação das economias
latino-americanas”, afirma a resolução do
Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Através da ALCA, os EUA pretendem impor
ao hemisfério todas as regras em
negociação na OMC (Organização Mundial do
Comércio). Ela também seria uma extensão,
para pior, do Nafta – o tratado em vigor
desde 1994 que inclui os Estados Unidos, o
Canadá e o México. Com base nestes dois
projetos, nas políticas de “ajuste
estrutural” dos organismos internacionais
(FMI e Banco Mundial) e também nos
relatórios confidenciais dos negociadores
da ALCA que já vazaram pela mídia, fica
evidente que os povos latino-americanos
nada têm a ganhar com esta nova ofensiva
do imperialismo.
Para os defensores deste projeto, a
ALCA criaria o paraíso do consumo, com o
fim de qualquer restrição à circulação de
mercadorias, serviços e capitais. Com esta
falsa propaganda, procuram seduzir o
incautos. Mas como adverte o embaixador
Samuel Pinheiro, “o livre comércio para o
cidadão, como consumidor, pode ser a
possibilidade de comprar importados mais
baratos e, por vezes, de melhor qualidade.
Mas o consumidor, agora na condição de
trabalhador, poderá perder o seu emprego.
Os produtos importados mais baratos
acarretam dificuldades para a fábrica ou
empresa onde ele trabalha”. A abertura
comercial iniciada por Collor e acelerada
por FHC é prova disto, com os recordes de
desemprego na última década.
Outra falsidade dos apologistas da ALCA
é de que ela incentivaria o “livre
comércio” entre as nações. Mas
conforme
demonstram vários estudos, é impossível
existir comércio justo entre países com
diferenças tão gritantes. Os EUA sozinhos,
como potência hegemônica mundial,
controlam quase 80% do PIB do continente.
Brasil e Canadá detêm, cada um, cerca de
5%. México e Argentina aparecem em
seguida, num patamar em torno de 3%. A
partir daí, todos os demais países da
região respondem individualmente por 1% ou
menos do PIB continental. Diante de
tamanha assimetria, a tendência natural é
de que os EUA engulam de vez a economia
latino-americana, causando falências de
empresas e demissões em massa.
Além disso, torna-se piada de mal gosto
falar em “livre comércio” num momento que
os EUA reforçam a sua política
protecionista. Na maior potência
imperialista do mundo, predomina até hoje
o discurso do “faça o que eu mando, não
faça o que eu faço”. Ao mesmo tempo em que
impõem aos governos fantoches que
abandonem qualquer proteção às suas
economias, os EUA utilizam verdadeira
artilharia pesada para proteger o seu
mercado. Só nas últimas semanas, o
presidente George Bush aprovou um subsídio
de US$ 70 bilhões para a agricultura
norte-americana e impôs novas barreiras à
importação do aço brasileiro.
Diante destes fatos, soam precisas as
conclusões de Osvaldo Martínez, diretor do
Centro de Investigações da Economia
Mundial e Prêmio Nacional de Economia em
Cuba: “A ALCA não é mais do que um projeto
norte-americano para criar um acordo de
livre comércio entre a economia dos
Estados Unidos, a mais rica e poderosa do
planeta, e as economias latino-americanas
e caribenhas, subdesenvolvidas,
endividadas, dispersas e cujo Produto
Interno Bruto, somado, é quase dez vezes
inferior ao dos EUA. Podemos dizer, numa
primeira aproximação, que não é, nem mais
nem menos, do que um projeto de integração
entre o tubarão e as sardinhas”.
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