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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

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alca
O que é a ALCA?


A Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) pretende ser o maior bloco econômico do planeta, reunindo os 34 países do continente americano – que somam um Produto Interno Bruto de quase US$ 11 trilhões e mais de 808 milhões de habitantes. Só para se ter um idéia da dimensão deste acordo, a União Européia, que demorou quase 30 anos para entrar em vigor, conta com metade da população e cerca de US$ 2 trilhões a menos de PIB. Somente Cuba, por rejeição dos EUA e também por sua corajosa defesa da integridade nacional, está de fora das negociações deste tratado.

Embora a sigla trate apenas do fantasioso “livre comércio”, o alcance da ALCA será bem maior. Na prática, ela visa avançar na total desregulamentação das economias latino-americanas e na anulação completa do papel dos estados nacionais. “Trata-se de um projeto estratégico dos Estados Unidos de consolidação de sua dominação sobre a América Latina, por meio da criação de um espaço privilegiado de ampliação de suas fronteiras econômicas”, explica o deputado federal Aloizio Mercadante (PT/SP). “A ALCA faz parte da estratégica neocolonialista do imperialismo norte-americano, é uma medida para a anexação das economias latino-americanas”, afirma a resolução do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Através da ALCA, os EUA pretendem impor ao hemisfério todas as regras em negociação na OMC (Organização Mundial do Comércio). Ela também seria uma extensão, para pior, do Nafta – o tratado em vigor desde 1994 que inclui os Estados Unidos, o Canadá e o México. Com base nestes dois projetos, nas políticas de “ajuste estrutural” dos organismos internacionais (FMI e Banco Mundial) e também nos relatórios confidenciais dos negociadores da ALCA que já vazaram pela mídia, fica evidente que os povos latino-americanos nada têm a ganhar com esta nova ofensiva do imperialismo.

Para os defensores deste projeto, a ALCA criaria o paraíso do consumo, com o fim de qualquer restrição à circulação de mercadorias, serviços e capitais. Com esta falsa propaganda, procuram seduzir o incautos. Mas como adverte o embaixador Samuel Pinheiro, “o livre comércio para o cidadão, como consumidor, pode ser a possibilidade de comprar importados mais baratos e, por vezes, de melhor qualidade. Mas o consumidor, agora na condição de trabalhador, poderá perder o seu emprego. Os produtos importados mais baratos acarretam dificuldades para a fábrica ou empresa onde ele trabalha”. A abertura comercial iniciada por Collor e acelerada por FHC é prova disto, com os recordes de desemprego na última década.

Outra falsidade dos apologistas da ALCA é de que ela incentivaria o “livre comércio” entre as nações. Mas conforme demonstram vários estudos, é impossível existir comércio justo entre países com diferenças tão gritantes. Os EUA sozinhos, como potência hegemônica mundial, controlam quase 80% do PIB do continente. Brasil e Canadá detêm, cada um, cerca de 5%. México e Argentina aparecem em seguida, num patamar em torno de 3%. A partir daí, todos os demais países da região respondem individualmente por 1% ou menos do PIB continental. Diante de tamanha assimetria, a tendência natural é de que os EUA engulam de vez a economia latino-americana, causando falências de empresas e demissões em massa.

Além disso, torna-se piada de mal gosto falar em “livre comércio” num momento que os EUA reforçam a sua política protecionista. Na maior potência imperialista do mundo, predomina até hoje o discurso do “faça o que eu mando, não faça o que eu faço”. Ao mesmo tempo em que impõem aos governos fantoches que abandonem qualquer proteção às suas economias, os EUA utilizam verdadeira artilharia pesada para proteger o seu mercado. Só nas últimas semanas, o presidente George Bush aprovou um subsídio de US$ 70 bilhões para a agricultura norte-americana e impôs novas barreiras à importação do aço brasileiro.

Diante destes fatos, soam precisas as conclusões de Osvaldo Martínez, diretor do Centro de Investigações da Economia Mundial e Prêmio Nacional de Economia em Cuba: “A ALCA não é mais do que um projeto norte-americano para criar um acordo de livre comércio entre a economia dos Estados Unidos, a mais rica e poderosa do planeta, e as economias latino-americanas e caribenhas, subdesenvolvidas, endividadas, dispersas e cujo Produto Interno Bruto, somado, é quase dez vezes inferior ao dos EUA. Podemos dizer, numa primeira aproximação, que não é, nem mais nem menos, do que um projeto de integração entre o tubarão e as sardinhas”.

 

 
ALCA
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