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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

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alca
Uma história sinistra 


A proposta da Alca começou a ganhar corpo em 1990, quando o ex-presidente George Bush anunciou, com grande alarde na mídia, a sua “Iniciativa para as Américas” (Enterprise for the Américas Initiative – EAI). O seu objetivo era a liberação total do comércio, “do Alasca à Terra do Fogo”, com a remoção das barreiras que ainda inibiam os interesses das corporações norte-americanas. Já em meados dos anos 90, o governo Bill Clinton obteve a primeira vitória neste rumo com a assinatura do Nafta, que entrou em vigor em 1994 e foi considerado um passo decisivo na construção da almejada “integração” do continente.

No mesmo ano, em dezembro, os EUA patrocinaram a I Cúpula das Américas, realizada em Miami. Ela contou com a presença dos chefes de governos de 34 países do hemisfério (exceto Cuba), que aprovaram a idéia da criação da Alca e fixaram o prazo para sua implantação em 2005. A II Cúpula das Américas, em abril de 1998, em Santiago (Chile), marcou de fato o início das conversações, formando o Comitê de Negociações Comerciais (CNC), que reúne os ministros de comércio da região. Em abril de 2001, ocorreu a III Cúpula, em Quebec (Canadá). Já sob comando de George W. Bush, o baby-Bush, os EUA propõem encurtar o prazo da sua ratificação, mas esbarram na resistência de alguns governos latino-americanos.

Apesar das contradições existentes, o ritmo das negociações é acelerado. Como diz o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, exonerado do cargo de diretor do Instituto de Pesquisas em Relações Internacionais do Itamaraty por suas críticas corajosas ao projeto dos EUA, “toda a semana os negociadores se reúnem e vão avançando na redação do texto. Se esse processo continuar, dificilmente ele poderá ser revertido no último dia”. Para supervisionar os acordos parciais celebrados, já ocorreram seis reuniões do CNC:

1ª) Junho de 1995, Denver, Colorado (EUA);

2ª) Março de 1996, Cartagena, Colômbia;

3ª) Maio de 1997, Belo Horizonte, Brasil. Esta reunião inaugurou os protestos populares contra a ALCA, com uma passeata que reuniu 10 mil pessoas e a constituição da Aliança Social Continental, importante fórum de resistência que agrega um amplo leque de forças políticas e sociais;

4ª) Março de 1998, São José, Costa Rica. Marcou o fim da etapa preparatória e o início das negociações formais para a implantação da Alca;

5ª) Novembro de 1999, Toronto, Canadá. Ocorreu num clima de hostilidade entre as grandes potências, o que inviabilizou o lançamento da Rodada do Milênio em Seattle, um mês após. O representante dos EUA não participou da reunião, que aprovou 18 medidas de simplificação das negociações. Por outro lado, foi anunciado o encerramento da fase de discussão e o início da etapa de redação final dos textos da Alca;

6ª) Abril de 2001, Buenos Aires, Argentina. A próxima reunião está agendada para outubro próximo, em Quito (Equador).

Como se observa, a agenda de implantação da Alca é turbinada. Bem diferente da União Européia, que foi construída ao longo de 30 anos de negociação e num espaço econômico mais homogêneo. Tamanha pressa é explicada por diversas razões. No campo econômico, a Alca surge como contraponto dos EUA à concorrência do Japão e dos países europeus. Entre 1990/96, as exportações dos EUA e do Canadá para os países latino-americanos caíram de 51,3% para 46,4%. No mesmo período, aumentou a participação da Europa (17,1% para 18,3%) e da região asiática (6,3% para 9,1%). O capital europeu também reforçou a sua presença no continente com a compra de inúmeras empresas estatais e bancos.

Já no terreno político, a proposta visa consolidar a hegemonia dos EUA no continente. Como explica o sociólogo James Petras, “o domínio dos EUA na América Latina estava sendo questionado por crescentes movimentos de guerrilha na Colômbia, pelo regime independente nacionalista da Venezuela e por importantes movimentos indígenas e camponeses antiimperialistas no Brasil, Equador, Bolívia, Paraguai, assim como por movimentos sindicais urbanos no Uruguai e na Argentina. Em resposta a estes desafios, Washington elaborou uma estratégia complementar em dois flancos: a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e o Plano Colômbia/Iniciativa Andina, ambos projetados para aumentar o controle dos EUA e aprofundar a sua capacidade de extrair recursos e riquezas da região”.

textos básicos
Apresentação – Soberania sim, Alca não!
O que é a Alca?
A quem serve?
Uma história sinistra
Uma estrutura perversa
 
ALCA
notícias

20/1/2006

Cuba prepara primeira reunião sobre a Alba, alternativa à Alca

17/1/2006

Agenda tucana para o Brasil prevê Alca e privatizações

21/11/2005

Secretário de Comércio diz que EUA venecerão resistência à Alca

9/11/2005

Brasil quer reforçar o Mercosul e critica o México pela Alca

6/11/2005

Termina 4ª Cúpula das Américas sem Alca

5/11/2005

Chávez, Alca e Maradona centralizam atenções na Argentina

5/11/2005

Cerca de 60 mil latino-americanos marcham contra Bush e a Alca

5/11/2005

Declaração da 3ª Cúpula dos Povos diz um não definitivo à Alca

4/11/2005

4ª Cúpula das Américas: líderes continuam discussões sobre Alca

2/11/2005

Argentina propõe discussão da Alca na reunião da OMC

31/10/2005

Para Chávez e Fidel, Cúpula das Américas é "a do fracasso da Alca"

5/8/2005

OMC têm prioridade em relação à Alca, diz Amorim

4/8/2005

Cafta dá estímulo à Alca, diz Snow; Brasil manda recado

25/5/2005

Encontro propõe continuidade da mobilização popular contra Alca

21/5/2005

Para Amorim, acordo na OMC é essencial para avanços na Alca

15/5/2005

4º Encontro de Luta contra a Alca: batalha não terminou

3/5/2005

Argentina diz que Alca deve ser vista sem "avidez senhorial"

25/4/2005

Lula e Condoleezza Rice discutem Alca amanã (26)

6/4/2005

Cubano debate Alca no Rio e faz defesa da Alba para as Américas

5/4/2005

Professor cubano fala hoje no RJ sobre a luta contra a Alca

17/3/2005

Organizações convocam 4º Encontro de Luta contra a Alca

11/3/2005

Fiesp age nos EUA para influenciar nas negociações da Alca

4/3/2005

José Dirceu discute Alca com Condoleezza Rice e Steven Hadley

colunas

Altamiro Borges
  A luta estratégica contra a Alca

Luciano Siqueira
  Cavalcantis X Cavalgados

Sérgio Benassi
  Vamos dizer não à Alca

Gilson Reis
  A luta contra a Alca é a luta do povo

Osvaldo Bertolino
  Plano Puebla-Panamá: a estrada da Alca

José Reinaldo Carvalho
  Dizer não à Alca - uma luta pelo Brasil

Paula Beiguelman
  As Comissões de Conciliação Prévia e a Alca

Altamiro Borges
  O significado do plebiscito da Alca

Marcelo Toledo
  A luta contra a Alca está só começando

Ana Rocha
  Plebiscito da Alca ganhou as ruas

Ricardo Abreu - Alemão
  Alca, OMC e a mercantilização da educação

Altamiro Borges
  O sindicalismo diante do risco-Alca

Eugênio Rezende de Carvalho
  Alca, soberania e prosperidade

Paula Beiguelman
  A Alca absolutamente não nos convém

Altamiro Borges
  A Alca e a exploração das mulheres

Eugênio Rezende de Carvalho
  Antecedentes histórico-ideológicos da Alca

Gilson Reis
  A transição, a alca e o governo Lula

Editorial
  Nova fase na luta contra a Alca

Editorial
  Nova fase na luta contra a Alca

Ronaldo Carmona
  Integração da América do Sul, obstáculo à Alca

Osvaldo Bertolino
  Alca: faça guerra, não amor

Osvaldo Bertolino
  Alca: o Brasil está preparado para a briga?

Altamiro Borges
  O estágio atual da luta contra a Alca

Osvaldo Bertolino
  Alca: a batalha de Miami já começou

Ronaldo Carmona
  Perspectivas da ALCA no pós-Cancún

Osvaldo Bertolino
  A Alca, a OMC e a "quinta-coluna" brasileira

José Reinaldo Carvalho
  Volta à tona o debate sobre a Alca

Osvaldo Bertolino
  A Alca, os transgênicos e o entulho ideológico

Rodrigo Carvalho
  A ALCA e a imprensa

Ronaldo Carmona
  O contra-consenso portenho, o G+ e a Alca

Ronaldo Carmona
  Repactuação da Alca, uma vitória da posição brasileira

Augusto César Buonicore
  As origens remotas da Alca

Editorial
  A Alca e a altivez da política externa brasileira

Editorial
  Vitória do Brasil e derrota da Alca

Paula Beiguelman
  A negociação da Alca e o modelo exportador

Altamiro Borges
  TLC prepara o golpe fatal da Alca

Bernardo Joffily
  Alca, o tsunami que (ainda) não veio

Editorial
  Lula, acertadamente, diz que Alca não é prioridade

Ricardo Abreu - Alemão
  O dilema da América Latina é integração bolivariana ou Alca

Altamiro Borges
  Alca: moribunda, mas não morta!

Ronaldo Carmona
  A Alca comendo pelas beiradas

Osvaldo Bertolino
  China ou Alca? A polêmica está instalada

Editorial
  O alcance social do Bolsa Família

Editorial
  Alcance e limites dos programas sociais

 

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