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Aos poucos, a sociedade brasileira vai se
dando conta dos enormes perigos
decorrentes da proposta dos EUA de criação
da Área de Livre Comércio das Américas
(ALCA). Prevista para entrar em vigor no
final de 2005, ela é apresentada como
irreversível pelo imperialismo
norte-americano e por vários governantes
neoliberais de plantão em nosso
continente. Negociada às pressas e de
maneira totalmente sigilosa, esse “acordo”
visa consolidar o domínio econômico,
político, militar e cultural dos EUA num
hemisfério que congrega 808 milhões de
habitantes e conta com um Produto Interno
Bruto de quase US$ 11 trilhões. Na
prática, a ALCA significa a total anexação
do continente, um novo e cruel tipo de
colonialismo.
Ela é peça essencial do projeto
hegemonista dos EUA. Faz parte da
estratégica cada vez mais agressiva e
belicista deste império, que desrespeita
os fóruns mundiais, como ficou patente no
veto ao protocolo de Kyoto e na ingerência
para cassar o mandato do embaixador
brasileiro José Maurício Bustani na OPAQ;
que orquestra golpes para derrubar
governos independentes eleitos
democraticamente, como o de Hugo Chávez na
Venezuela; que investe fortunas em ações
militares contra forças antiimperialistas,
como no Plano Colômbia para derrotar as
FARC; que reforça o bloqueio criminoso a
Cuba, manobrando para envolver os governos
fantoches do México e do Uruguai; que,
através das famigeradas agências do
capital especulativo, divulga relatórios
terroristas para evitar a vitória
eleitoral da oposição no Brasil.
Se a ALCA de fato entrar em vigor,
representará um golpe fatal na soberania
das sofridas nações latino-americanas, um
violento ataque às normas democráticas e
um retrocesso sem precedentes nos direitos
sociais dos trabalhadores. Sob a falácia
do “livre comércio”, o governo dos EUA
pretende abocanhar a indústria,
agricultura, comércio e serviços dos
países da região, privatizar os serviços
públicos, restringir o acesso ao mercado
local das empresas européias e asiáticas e
asfixiar o Mercosul e outras experiências
de tratados regionais. As legislações
locais, sejam trabalhistas ou de defesa do
meio ambiente, terão seus dias contados.
Prevalecerão as regras da ALCA, numa
explícita ditadura da oligarquia
norte-americana.
Diante de tamanhos riscos, os povos de
todo continente intensificam a resistência
organizada. No Brasil, a luta também ganha
corpo. Já no II Fórum Social Mundial,
realizado em Porto Alegre no início deste
ano, 40 mil pessoas saíram às ruas
exigindo “soberania sim, ALCA não”. Em
maio, a maior central sindical do país, a
CUT, aprovou em sua 10a plenária a adesão
à campanha contrária a este “acordo”
lesivo. MST, UNE, pastorais da CNBB e
inúmeros movimentos populares já estão
totalmente engajados nesta jornada. PT,
PCdoB, PSB e PSTU aprovaram resoluções
explícitas contra esta proposta dos EUA. E
até mesmo em setores empresariais,
temerosos da falência de seus negócios, a
gritaria tem aumentado.
O esforço maior agora é o de construir
milhares de comitês unitários nos
sindicatos, escolas e bairros em todos os
Estados. A idéia é massificar a denúncia
contra esta ofensiva dos EUA,
multiplicando o número de militantes
capazes de esclarecer a população. O ponto
alto desta campanha será o plebiscito
aprovado no I Encontro Hemisférico de Luta
Contra a ALCA, realizado em novembro de
2001, em Cuba, que teve a presença de
representantes dos 35 países do
continente. No Brasil, o plebiscito será
feito nos primeiros dias de setembro – na
simbólica “Semana da Pátria”. A meta é
conseguir mais de 10 milhões de votos
contrários à ALCA, o que deverá ter
reflexos inclusive nos debates da sucessão
presidencial.
Esta edição especial do Vermelho
objetiva contribuir com este esforço de
conscientização e mobilização da
sociedade. Será um espaço de informação,
formação e debate das pessoas
comprometidas com a defesa do Brasil, da
democracia e do trabalho. Desde já, está
aberta as críticas, sugestões e,
principalmente, as contribuições dos
companheiros envolvidos nesta batalha de
caráter estratégico. Envie informações
sobre a atuação do comitê em sua área,
informe a agenda das mobilizações,
disponibilize textos de estudo sobre o
tema. Participe ativamente desta página,
ajudando a transformá-la em mais um
instrumento afiado de luta contra a ALCA.
Altamiro Borges –
jornalista, membro do Comitê Central do
PCdoB editor da revista Debate Sindical
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