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14 de abril de 2014 - 11h40

Israel expropria terras palestinas e detém avanço dos diálogos


Kobi Gideon / GPO / +972
Ministro da Defesa de Israel Moshe Ya'alon (esq.) e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (dir.), em um exercício militar. Ministro da Defesa de Israel Moshe Ya'alon (esq.) e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (dir.), em um exercício militar.
Fontes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) – frente de governo formada por diversos partidos, da qual a Autoridade Palestina (AP) é o órgão Executivo – disseram à Palestine News Network (PNN) que os seus diplomatas recusaram novamente a exigência da ministra da Justiça israelense, Tzipi Livni, de desistirem da adesão a convenções e tratados internacionais.

A candidatura da AP a 15 convenções internacionais, entre as geridas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por países diversos, foi respondida por Israel com a suspensão das negociações – que devem terminar em 29 de abril, caso o prazo não seja prorrogado – e com a imposição de sanções políticas e financeiras à AP.

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Do outro lado da mesa, o chefe da equipe diplomática palestina Saeb Erekat exigiu o fim da expansão das colônias israelenses em território palestino (na Cisjordânia e em Jerusalém Leste) para a volta às negociações. Além disso, a suspensão da libertação do quarto grupo entre os 104 prisioneiros palestinos listados às vésperas da retomada do diálogo, em julho de 2013, também contribuiu para a crise efetiva do processo, que já estava estagnado há meses.

O atraso de Israel no cumprimento deste compromisso, somado à expansão das colônias em pleno período de negociações, foi o estopim para que a AP voltasse a recorrer ao direito internacional e às Nações Unidas para avançar na sua representação internacional enquanto Estado independente (ainda que sob a ocupação israelense), estatuto que a ONU reconheceu em 2012.

Expansão das colônias e desapropriações recordes

Para contribuir com a crise na diplomacia, o ministro israelense da Defesa, Moshe Ya'lon, anunciou, ainda no domingo, que os trabalhos serão mantidos nas construções de novas habitações, nas maiores obras conduzidas nas colônias do sul da Cisjordânia palestina.

Ya’alon confirmou que uma área de quase 90 hectares foi tomada pelas autoridades israelenses ao sul de Belém, para a expansão de uma das maiores colônias, Gush Etzion. No mesmo bloco, o ministro ainda decidiu legalizar um posto até então considerado irregular, o local ocupado por israelenses e transformado na colônia de Netiv Ha’avot (construído ainda em 2001 sem a permissão do governo israelense, com cerca de 50 famílias).

Trata-se da maior apropriação de terras palestinas em vários anos, de acordo com o jornal israelense Ha’aretz. A área tomada pelo governo e transformadas em “terras do Estado” excede consideravelmente a ocupada pela colônia, o que sugere planos de expansão.

Segundo a PNN, em matéria desta segunda-feira (14), a parlamentar palestina Hanan Ashrawi acusou as autoridades israelenses de obstruírem a diplomacia e disse que “Israel é hostil às medidas de paz e dá passos que têm uma estratégia de longo-prazo”, referindo-se à possível anexação de mais territórios.

De acordo com a agência palestina de notícias Wafa, a Chancelaria palestina emitiu um comunicado, nesta segunda-feira, responsabilizando Ya’alon pela recente escalada da crise e pelo afastamento de um acordo de paz duradouro. Além da declaração dada pelo ministro israelense da Defesa no domingo, o comunicado também faz referência à sua decisão de permitir que colonos ocupassem um edifício em Hebron, cidade palestina gerida militarmente por Israel, onde vivem centenas de famílias israelenses.

Dentro da área tomada pelo governo israelense estão enclaves de terras palestinas privadas, que ficaram cercadas por colônias. Citado pelo Ha’aretz, Dror Etkes, que monitora as políticas de colonização, disse que as declarações transformando áreas palestinas em “terras do Estado” israelense tinham se tornado raras, depois de o Exército ter tomado cerca de mil quilômetros quadrados nos anos 1980 e 1990. E continuou: “A presente declaração [de Ya’alon] é um reflexo fiel da política do governo de [Benjamin] Netanyahu e procura extinguir as últimas centelhas das negociações com os palestinos”.



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